Luís Sérgio Lico
Sabado, 16 de Fevereiro de 2008
Há neste país (e na América Latina, em geral) uma cultura pequena de "não valorizar o trabalho". Empreender sem risco, investimento ou esforço é o ouro de tolo. Todos esperam ser atendidos em suas necessidades, de acordo com suas idiossincrasias e, pasmem, na hora que têm vontade. Esperamos que terceiros nos digam o que fazer, que "especialistas" validem opiniões e por aí vai. Isto é sintoma de que ainda estamos na "menoridade", por nossa própria falta de esclarecimento ou, em bom alemão: Aufklarüng. Mas, deixemos a profundidade de lado, para não aumentar nossa culpa.
Como eu estava dizendo, de alguma forma não acreditamos em nosso potencial. A maioria das pessoas, quando não está sonhando em ganhar na loteria, exige que o governo resolva seus problemas e sejam abolidos os impostos. Em casa, demandamos compreensão da família, diminuição da violência, preços baixos e respeito dos filhos. Normalmente o que vemos de manhã à tarde é um desfile de ressentimentos. Pergunte a alguém: - Como vai. Tudo bem? Se ele for sincero: Senta que lá vem a história!
Na vida profissional a ladainha do "alguém precisa me ajudar" é uma triste constante: os fornecedores devem ser "parceiros", os compradores precisam notar o "valor agregado" dos produtos; o patrão tem de reconhecer e valorizar nosso trabalho! Já nossos subordinados devem dar "mais contribuição" e menos problemas. Se a coisa não vende, o produto é ruim, o preço é alto ou os dois. Quando o prazo estoura, houve necessidade de contingenciamento. Se estivermos soltos no "mercado" é preciso que apareçam vagas e quando acaba a reunião, esperamos que aplaudam nossas idéias.
Apostamos nossa existência em fatores externos, tidos sempre como "direitos" embora poucos saibam o que significam deveres. Isto está presente em todas as áreas. Do que falo? Além do "efeito vaselina", sofremos da falta crônica de visão de longo prazo. E, para piorar, estamos voltando ao dualismo, ou como dizem hoje em "informatiquês": pensamento binário. Simples: É ou não é! Server ou não server! Velho ou novo! Bom ou ruim! Contra ou a favor! Mas o que é a realidade: Como consultor, analiso todos os dias pérolas e absurdos, que são tratados como "verdadeiras" questões vitais:
- Fui lá e não tinha nada! Eu avisei. - Gente! Não pode mandar email fora do perfil! - Dane-se o seu departamento. O mundo não é justo e as empresas também não (putz!) - Alguém sabe como trabalhar aqui? Me mande de novo as planilhas... - Pode olhar no estoque... Sumiram 14 toneladas!
O ponto culminante desta situação é que, mesmo as organizações demandando cada vez mais "competências" para uma função, o negócio não vai para frente. Há muito ralo, muita "fábrica oculta" bem diante do nariz do "board" e o pessoal fala o dia inteiro nas "5 forças de Porter", "Gestão Estratégica" ou a necessidade do "Tarot Siberiano" na seleção de pessoal. Agir em bases racionais, recompensar talentos, rever processos, demolir os preconceitos, qualificar ou implantar inovações, não! Aí estraga a brincadeira!
Eu tenho a impressão que o CHA que as pessoas tanto falam deve ser de cogumelos! Mas a questão principal não é "técnica", mas ética: Vemos os outros, seus serviços, seus pertences, suas idéias, suas vidas, sentimentos, corpos, experiências e domínios como "parte da sociedade" e, por extensão de nosso mundo. Então chutamos o pau da barraca logo de cara, pois nossa individualidade narcisística exige reparação. Ficamos indignados com a distância a que são relegados nossos anseios e descontamos no primeiro que aparece. Ao nos sentirmos desvalorizados, desvalorizamos o entorno de nossas relações. Quando vemos, estamos distantes de nossas metas e desgastados precocemente.
A falta ética também é ignorância dos problemas comuns e que recusamos a considerar como importantes. Quem deseja rumar em direção ao sucesso deve estar consciente da topografia a ser vencida. Isto inclui, desde as mais imponentes muralhas, até o insignificante pedregulho. Aliás, cuidado com eles, pois a maioria não tromba com a montanha, mas é derrubado pela sucessão de pequenas coisas. O que eu relato aqui pode ser estendido para toda a nossa gestão. Ela deve ser sustentável ou perecerá.
Ou seja, vale desde o topo ao chão de fábrica, dentro de uma espiral lógica. Inclui a "tomada de posição", mas principalmente consciência da missão. Esta postura deve ser retransmitida por todas as formas de comunicação: aos emails que não respondemos; aos telefonemas que não retornamos; a atenção às pessoas importantes que nunca ouviram de nós que as amamos, às desculpas que nunca pronunciamos, aos profissionais que retiramos da invisibilidade ao dizer: bom trabalho!
Não é suficiente acreditar que basta nos indignamos, para tomar as rédeas de situação. Quem pensa assim está fora da realidade: A Indignação é revolta contra um estado de coisas e pressupõe AÇÃO. Normalmente apenas reclamamos e em nossa covardia frente às "economias de mercado" ao mundo ou às opiniões aceitas, nos escondemos na hora do combate. Para usar uma expressão desgastada de Hannah Arendt, sofremos de uma "banalização do mal". Para sair desta situação é preciso determinação e valor.
O sucesso não é uma meta, mas o próprio caminho!
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Luís Sérgio Lico
Quinta, 6 de Dezembro de 2007
De uns dez anos para cá, pudemos notar que com mais empenho, as forças produtivas do mercado se organizam em função de analisar suas próprias relações. Este movimento de olhar a si mesmo, que em epistemologia se chama "dobra", ganhou velocidade com as importantes contribuições de pensadores já "clássicos", como Porter, Drucker e muitos outros.
No entanto, não somente podemos viver a falar de forças, nem de relações ou modelos de clusters. O dinamismo e a velocidade das transformações impõem um ritmo alucinante e, logo mais - isto que, para a maioria ainda é novidade - receberá outro poderoso influxo de moldes topográficos, dialógicos e topológicos. A análise diagnóstica entrará com força total em nossas vidas.
Sendo assim, eu tentarei detalhar o que se pode esperar para estes movimentos, que, apesar de serem mais conhecidos em filosofia e matemática, começam a ganhar espaço de reflexão nas áreas corporativas. Convencionalmente, espaços topológicos são estruturas que permitem a formalização de conceitos tais como convergência, conexidade e continuidade, atuando como noção unificadora central. Dialógico significa plural. Topográfico, os desníveis e panoramas. Diagnosticar é apontar.
Para tentar desvendar este novo "segredo", eu resumi o conteúdo em planos de intersecção, com as perguntas e objetivos principais. Claro que é um resumo, pois este assunto não se esgota num artigo. A noção de planos que se entrecruzam deverá nortear o que entendemos por relações com o mercado e com as estratégias empresariais. Do varejista ao conglomerado que domina toda a cadeia produtiva, ninguém estará isento de participar de uma revolução das simulações e mapeamentos.
Por enquanto, devemos nos preparar para a aplicação em nove planos convergentes. São eles:
1- Geo Marketing: Pergunta: Onde estão? Ação: Infiltrar, Reconhecer e Combater Objetivo: Identificar a Topografia e Acidentes (Concorrentes/Público/BI)
2- Psico Marketing: Pergunta: O que faz? (Você seguro? Você feliz?) Ação: Criar campo transcedental neutro e aprazível (Compra e Comunicação) Objetivo: Eliminar resistências internas + Formar Experiências para compra futura
3- Fisio Marketing: Pergunta: O que tem lá? (que valha a pena ir para conhecer?) Ação: Vencer a inércia do consumidor e eliminar zonas de conforto (ampliar raio de ação) Objetivo: Formar zonas intermediárias e/ou clusters variados (novos "pólos")
4- Cultural Marketing: Pergunta: Como se fazem as coisas por lá? (o que querem realmente e como são?) Ação: Formar a aceitação e métodos para reconhecê-la Objetivo: Produção de novas demandas e maior share
5- Lobby Marketing: Pergunta: Qual o caminho mais curto? (existem outros acessos?) Ação: Evidência, pressão e antecipação Objetivo: Influenciar escolhas, decisões, espaços e ganhar concorrências
6- Trade Marketing: Pergunta: O quanto podemos participar? (que ações funcionam no PDV?) Ação: Promoção Inteligente, Ostensiva e Estratégica Objetivo: Controle do PDV e do melhor espaço no mercado (impacto + venda + imagem)
7- Endo Marketing: Pergunta: Como somos compreendidos? (Isto ocorre? Quando ocorre? Em que nível?) Ação: Alinhamento Organizacional para um perfeito comando de tropa Objetivo: Contar com toda a cooperação dos colaboradores (compreensão da Missão)
8- RSE Marketing: Pergunta: O que é Nossa Responsabilidade? (Social, Trabalhista e Ecológica?) Ação: Neutralização de impactos e sustentabilidade (não só ecológica, mas todos os setores) Objetivo: Amortecer e sanear quaisquer aspectos negativos na organização
9- Philo Marketing: Pergunta: Quais objetivos são legítimos e sustentáveis? Ação: Ética reformuladora e processos sustentáveis Objetivo: Comando racional do processo e conscientização a longo prazo.
Como vêem, existem algumas novidades em relação à visão de mercado, que não se esgotam num simples planilhamento de vendas ou previsões de retorno. Estas simulações pressupõe ter-se em mente um horizonte de realização de progresso. Mas, um progresso que seja seguro e, à cada ação implementada esteja, automaticamente, banindo os desequilíbrios.
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Luís Sérgio Lico
Segunda, 3 de Dezembro de 2007
Press Release
O filósofo e consultor Luís Sérgio Lico acaba de lançar "O Profissional Invisível", uma obra destinada a ajudar a todos aqueles que buscam uma recolocação profissional e são excluídos pelo preconceito e ignorância destas sistemáticas.
Baseada em uma pesquisa de dois anos, publica-se este documentário instigante que desconstrói o itinerário de testes e paradigmas exigidos para a contratação. O autor em sua análise, põe em xeque a validade ética dos sistemas de seleção, que reduzem candidatos a meras tabulações, descaracterizando-os como indivíduos. O intuito é explicitar detalhadamente o percurso padrão da perda de identidade, que se sucede à demissão e o posterior confronto com o "mercado", orientando ao leitor sobre como evitar suas armadilhas, conhecer seus requisitos, safar-se dos golpistas e manter a necessária auto-estima.
Paralelamente ao relato de uma realidade que assombra milhões, o objetivo principal é oferecer uma síntese do ocultamento, das incapacidades funcionais e dos contaminantes observados na aplicação indiscriminada de métodos de avaliação sócio-psicológicos superados, inadequados ou até lícitos. O ferramental de seleção em uso - os chamados laudos, dinâmicas e testes - não têm suporte científico, não sendo sequer aprovados pelo Ministério Público, Conselhos de Classe ou Ministério do Trabalho.
Desta maneira, o autor tenta demonstrar o viés desnaturado das relações corporativas, a ineficácia de seus instrumentos de seleção e - pelo lado consultivo desta abordagem -, constatar a orientação administrativamente obsoleta e custosa deste modelo. O livro é redigido em linguagem acessível e bem humorada, no entanto sua temática é da maior seriedade e convida ao debate. O discurso dos "perfis profissionais" gera uma topografia específica: Um ambiente hostil onde coexistem crenças, ineficácia e assédios de vários gêneros. Isto ocorre em corporações ou entidades, trata-se de algo generalizado, uma instância da produção, replicadora de angústia, stress e invisibilidade.
Muito mais que um posicionamento crítico, de cunho filosófico contemporâneo, a obra procura oferecer soluções e informações práticas para quem está PHd (por hora disponível) e necessita urgentemente orientar-se no absurdo cipoal das requisições atuais para contratação. O livro também aponta quais as empresas sérias do setor e resume as pendências do Ministério Público com o Conselho Regional de Psicologia, além da deliciosa crônica das entrevistas e o non sense que tem se tornado praxe nestas situações.
Ficha Técnica:
Título: O Profissional Invisível - Um Manual Prático para Desempregados Editora: Editora Ex Libris Autor: Luís Sérgio Lico Nr. Páginas: 185 Valor: R$ 28,00 Distribuição: Ex Libris Vendas: Site da Editora Contatos SP: (11) 5011-9852
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Administrador
Quarta, 2 de Maio de 2007
Conforme análises e entendimentos através de pesquisas feitas em jornais, revistas, e meios eletrônicos, trazemos um breve relato sobre BUSINESS INTELLIGENCE, abordando seu surgimento, utilidade, benefícios. O BI tem várias definições por parte dos especialistas mas é um assunto que vem se tornando parte do cotidiano das grandes corporações do Mundo Globalizado cada vez mais competitivo, onde as empresas disputam cliente a cliente.
Os clientes, por sua vez, estão mais exigentes em relação a qualidade e a prestação de serviço sobre determinado produto e que somado a evolução da tecnologia de informação vem exigindo das grandes empresas uma séria reformulação na forma de analisar e conduzir seu ambiente interno e também o externo, tentando sempre antecipar as ações junto aos concorrentes, fornecedores, clientes, etc.
A melhor maneira para compreender o que o BI vem agregar numa gestão empresarial, é entender a analogia a seguir:
Imagine estar sentado em uma cabine de um grande jato e tendo à sua frente um painel de instrumentos com mostradores e indicadores que informam o estado interno da aeronave - velocidade, altitude, combustível, pressão do óleo, e assim por diante...
Bons pilotos gastam muito do seu tempo estudando o painel de instrumentos e fazendo ajustes necessários para assegurar que a aeronave esteja voando em ótima condição. Então, é provável que esse piloto não esteja apto a voar em uma tempestade ou situações piores. Por isso os aviões são equipados com radar.
Um sistema de radar é a ferramenta que o piloto usa para ver além do avião - visualizar o que está acontecendo no ambiente em que a aeronave está voando, ou seja, o ambiente externo. Com a visão que um sistema de radar provê (informações sobre topografia, tempo e outras aeronaves) o piloto pode fazer os ajustes de curso necessários para alcançar seu destino com segurança.
O fundamental para se implantar o Business Intelligence em sua empresa é a metodologia de implantação, pois a nível competitivo não podemos nos dar ao luxo de fazer projetos de longo prazo e de implementação de elevado custo.
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