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Jovens Administradores receberam Douglas Flinto no CRA-SP

Quinta, 12 de Junho de 2008
Presidente do Instituto Brasileiro Ética nos Negócios e colunista do blog EntrevistaCEO, pelo Portal IG contou suas experiências vividas no mundo corporativo à Jovens Administradores

Administrador e Teólogo, Douglas Linares Flinto foi o convidado do Comitê Jovens Administradores para contar sua trajetória profissional e as experiências vividas no decorrer de sua carreira, no evento "Caminho das Pedras, Pedras no Caminho", dia 29 de maio de 2008, na sede do Conselho Regional de Administração de São Paulo - CRA-SP.

No formato roda-viva, Douglas Flinto, que é presidente do Instituto Brasileiro Ética nos Negócios e sócio proprietário da DLF Conveniências & Serviços - empresa de assessoria e consultoria na área de lojas de conveniências em "postos de gasolina", contou como foram seus primeiros passos na vida profissional até chegar à posição de executivo em empresas de distribuição de combustíveis, como a anglo-holandesa Shell, a brasileira Ipiranga e a italiana Agip. Falou ainda sobre os motivos que o levaram a criar o Instituto Brasileiro de Ética nos Negócios - instituição que tem como objetivo principal fomentar a ética nos negócios junto às crianças, jovens e adolescentes que amanhã serão os colaboradores, os executivos e os proprietários de empresas.

Flinto, que também faz parte da equipe de colunistas e "blogueiros" do Jornal Último Segundo do Portal IG, na coluna EntrevistaCEO, empolgou a todos ao falar principalmente de sua coragem e ousadia, no início da carreira. "Quando fiquei sabendo que a multinacional italiana Agip iria montar uma filial aqui no Brasil, escrevi uma carta e enderecei-a ao presidente mundial da empresa. Seis meses depois fui contratado", contou Flinto.

Porém, nem tudo são flores para quem almeja uma carreira transparente e idônea, calcada em princípios de conduta ética. Em uma dos locais em que trabalhou, Flinto descobriu que um executivo estava fraudando a empresa. Imediatamente denunciou o colega e sofreu retaliações por sua atitude, mesmo seguindo o manual de ética da Companhia. Surge daí um dos principais motivos que levaram Flinto a idealizar e fundar o Instituto Brasileiro Ética nos Negócios.

Para completar, Flinto falou sobre as dimensões da Ética, segundo a sua visão, e citou as sábias palavras da Bíblia, o maior best-seller do planeta de todos os tempos. De acordo com ele, existem três dimensões da Ética: a Ética Mínima, a Ética Média e a Ética Máxima. O texto completo de Flinto, inclusive, já foi motivo de post no Blog Ética nos Negócios pelo Portal IG.

O evento "Caminho das Pedras, Pedras no Caminho" é realizado mensalmente, sempre na última semana e reúne jovens administradores (recém-formados e estudantes) interessados em conhecer a história de profissionais bem-sucedidos no mundo corporativo, na gestão pública ou no terceiro setor para que sirvam de inspiração a quem quer ter uma trajetória profissional de sucesso.

"Destes encontros participam renomados administradores, executivos ou empreendedores que narram suas histórias e o que fizeram para chegar à posição atual. O objetivo é ajudar aos jovens administradores a traçar os rumos para suas carreiras", afirma Aldo Ferrari, presidente do Comitê Jovens Administradores.

Na opinião do jovem administrador Douglas Wagner, o "Caminho das Pedras, Pedras no Caminho" é um espaço para reflexão e aprendizagem dos jovens administradores. "Na palestra realizada hoje, no CRA-SP, tive a oportunidade de apreender com os relatos reais e os exemplos de atitude a serem seguidos".

O jovem engenheiro de produção com MBA em Organizational Behavior pela University of Brighton, na Inglaterra, Marcos R. Martins encontrou no evento uma ótima oportunidade para conhecer de maneira agradável e descontraída a trajetória profissional de sucesso de um grande executivo. "Agradeço ao Aldo Ferrari e aos demais membros do CRA Jovem pelo convite e espero poder participar de outros eventos no futuro" afirmou o sócio da Authent Executive Search.

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A MENTE DISCIPLINADA

Terça, 13 de Maio de 2008
Em seu livro Cinco Mentes para o Futuro, o renomado autor e psicólogo norte-americano Howard Gardner descreve, com profundo conhecimento de causa e fundamentado em pesquisa, os tipos de mentes que as pessoas deverão desenvolver para prosperar no futuro que se avizinha. De fato, segundo o autor, o mundo futuro deverá exigir capacidades que, até agora, tem sido simples opções de acordo com a simpatia e a escolha pessoal de cada um.

Dentre as mentes citadas por ele, disciplinada, sintetizadora, criadora, ética e respeitosa, a mente disciplinada, objeto desse artigo, está relacionada com o domínio das principais escolas de pensamento, incluindo ciências, matemática e história, e pelo menos uma habilidade profissional. Na minha modesta opinião, a mente disciplinada é, de longe, a que mais produz resultados positivos na vida pessoal e profissional do ser humano.

Há mais de 700 anos, a educação profissional, como a que conhecemos hoje, simplesmente não existia. Em termos de divisão de trabalho, estabelecida muito tempo depois por Adam Smith, as pessoas aprendiam seu ofício com pessoas mais velhas, geralmente da mesma família. Não havia muita chance de escolha nem a mínima possibilidade de rebeldia com relação à predestinação dos indivíduos.

Carpinteiros, sapateiros, escultores, pintores, ferreiros, barbeiros etc., geralmente, eram aprendizes de um mestre, a exemplo de Leonardo da Vinci, discípulo de Andrea Del Verrocchio, ou herdavam a profissão dos pais e avós por imposição devendo segui-la até o fim da vida, pois estariam cumprindo a vocação da família. Por determinação da Igreja, somente ministros religiosos assumiam um mecanismo mais formal de seleção, de formação e de acesso à condição de padre.

Durante o período do Renascimento, a educação sofreu uma mudança lenta, porém irreversível e, apesar de ter se desenvolvido sob a égide dos pilares religiosos, tornou-se mais secular. Hoje em dia, a formação religiosa dos professores é praticamente dispensável e os fundamentos religiosos cumprem um papel menos relevante.

Por outro lado, a pregação da moralidade é considerada como seara da família, da comunidade ou do próprio ambiente religioso onde o indivíduo está inserido e deixou de ser responsabilidade da escola e dos professores em geral. Note que, quando essas instituições fracassam, a responsabilidade pela educação moral acaba transferida automaticamente para a escola. Em tese, é mais fácil atribuir a negligência a um culpado qualquer do que os pais assumirem a inabilidade em lidar com os fatos complexos da sociedade contemporânea.

Apesar dos esforços com a melhor das intenções, a maioria das pessoas e das instituições de ensino continua se prendendo basicamente em conteúdos com intuito de acumular na memória o maior número possível de informações, fórmulas, fatos e números. O domínio do processo de aprendizagem como ferramenta de evolução e aproveitamento futuro é pouco levado em consideração. O indivíduo sentirá falta dele mais adiante, porém o ingresso no mercado de trabalho tende a suprir essa lacuna.

Informações como pesos atômicos, ossos do corpo humano, a soma dos quadrados dos catetos igual à soma do quadrado da hipotenusa, datas de início e fim dos principais conflitos mundiais e outros dados menos relevantes se tornaram quase que obrigatórias para quem deseja ingressar no disputado universo do ensino público superior e, posteriormente, nos disputado universo dos cargos públicos.

Estudar história, ciência, matemática ou arte sem entender a exata correlação entre as disciplinas e sem uma forma disciplinada de interpretar essa pilha de informações não passa de conhecimento inerte, de acordo com as palavras do psicólogo americano Alfred North Whitehead. Cada disciplina ensinada nas escolas representa uma forma diferente de interpretar o mundo.

As profissões também são caracterizadas por formas diferentes de pensar e, na melhor das hipóteses, são modeladas tomando-se como referência profissionais qualificados, segundo Gardner. O fato é que durante os anos em que tentamos desesperadamente aprender algo na universidade não são suficientes para retratar a realidade do cotidiano que nos espera fora dela. A vida profissional é muito diferente da vida estudantil. As regras mudam, a complexidade aumenta.

O que significa ser disciplinado? Significa ter hábitos que lhe permitem progressos constantes e, essencialmente, infinitos no domínio de uma determinada habilidade, ofício ou corpo de conhecimento. Em raciocínio mais simplificado, ser disciplinado é manter o hábito inexpugnável de se dedicar e de se aprofundar em determinado assunto, profissão ou atividade com tanto interesse que você passa a se tornar uma referência no assunto.

Há um momento na vida em que tomamos a feliz decisão de abraçar definitivamente uma carreira. O ideal é algo relacionado com a vocação original e que, muito mais do que o simples cumprimento dos deveres, proporcione também alegria, prazer, crescimento profissional e sentido de realização.

Existem várias maneiras para se conquistar uma mente disciplinada, de acordo com Gardner. Para que isso ocorra da forma mais simples e equilibrada possível, cabe estabelecer aqui um paralelo entre o raciocínio de Gardner e alguns os exemplos associados ao universo do trabalho. Você adquire uma mente disciplinada na carreira profissional quando:

1. Identifica aspectos verdadeiramente importantes na sua profissão e concentra energia naqueles que merecem sua preocupação;

2. Dedica uma quantidade de tempo significativa para estudar esses aspectos a fim de reforçar os pontos fortes e superar os pontos fracos que fazem a diferença no seu desempenho profissional;

3. Avalia cada aspecto sob diferentes perspectivas. Qualquer virtude ou postura pode ser interpretada sob ângulos completamente diferentes. Apenas a mente disciplinada tem condições de argumentar e apresentar a solução mais apropriada em situações onde o controle e o equilíbrio são fundamentais;

4. Esforça-se para compreender a variedade de representações que se apresentam no ambiente onde a disputa de espaço e a necessidade de reconhecimento tende a provocar mais incertezas do que alegrias;

5. Entende que o domínio do conhecimento é um processo longo e sistemático que depende, antes de tudo, de disciplina, persistência e muita dedicação.

As palavras de Ralph Waldo Emerson, o grande pensador americano, encerram a nossa lição de hoje: "Qual é a tarefa mais dura do mundo? Pensar. Entretanto, somos todos sábios. A diferença entre as pessoas não se encontra na sabedoria, mas na habilidade técnica. Cada mente tem seu próprio método e um homem verdadeiro nunca adquire segundo as regras aprendidas no colégio". Pense nisso e seja feliz.

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A Cadeia de Suprimento como fator de competitividade

Terça, 4 de Março de 2008
Quando o consumidor adquire um produto, dificilmente consegue imaginar todo o processo necessário para que aquele determinado bem pudesse chegar às suas mãos. Partindo das fontes da matéria-prima, passando pelas fábricas dos diversos componentes que podem formar uma geladeira um automóvel, pela manufatura do produto, distribuidores, até finalmente chegar até as mãos do consumidor através de um varejista, existe todo um processo de Logística que recebe o nome de Cadeia de suprimento.

Para entender melhor como se desenrola esse processo, vamos analisar uma geladeira que pode estar à venda em qualquer uma das diversas lojas de eletrodomésticos. A geladeira é formada por diversos componentes que são produzidos por varias indústrias diferentes, como o compressor. Por sua vez, a fábrica dos compressores também necessita de itens que são fornecidos por outras empresas, como fios, metais, um ou outro tipo de plástico, e assim por diante. A cadeia de suprimento típica abrange todo esse processo, onde fornecedores de matéria-prima entregam diversos tipos de insumos para a indústria principal (no exemplo anterior, a fabrica de geladeiras), e também para os fabricantes de componentes que participam da fabricação do produto em questão. A indústria fabrica o produto, que então é distribuído para varejistas, atacadistas ou distribuidores, dependendo da situação. Finalmente, as lojas varejistas, que foram abastecidas diretamente pelo produtor ou por intermediários, entregam o produto ao consumidor final. E há ainda alguns casos em que, além das etapas citadas, existe a Logística Reversa e algumas operações de pós-venda.A Cadeia de Suprimento como fator de competitividade

Ao longo do tempo, a cadeia de suprimentos sofreu diversas transformações em sua forma, sempre originadas da necessidade de maior competitividade e redução de custos. Há algumas décadas, a as grandes industrias produziam grande parte dos componentes utilizados na fabricação de seus produtos, seja porque conseguiam produzi-los a um custo baixo ou porque não gostavam da idéia de ficar dependentes de fornecedores. Com o tempo, a necessidade de uma maior competitividade fez com que as empresas passassem a se preocupar com aquilo que elas realmente conseguiam fazer bem, criando diferenciais que seus concorrentes não possuíam e transferindo para terceiros tudo aquilo que não estivesse em sua Competência central, core competence, de acordo com o conceito de Porter.

Assim, criou-se uma corrente de empresas que colaboram umas com as outras e onde a integração decorrente dessa relação deve estar fundamenta no ganha-ganha, onde todos os participantes da cadeia de suprimento devem ganhar com o processo, e não apenas o mais forte, em detrimento dos mais fracos. Mas, para atingir esse nível de integração, é necessário que todas as empresas envolvidas estejam comprometidas com o objetivo final. A integração exige vários esforços conjuntos, como a construção de um sistema de informações que interligue todos os parceiros da cadeia, além de um sistema de custos que atenda os objetivos pretendidos e que seja transparente e eficaz. Se bem gerenciada, a cadeia de suprimento transforma-se em um importante diferencial para a empresa.

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RELACIONAMENTO PÓS-VENDA: COMO MANTER O CLIENTE SATISFEITO E AUMENTAR A RENTABILIDADE DA EMPRESA

Segunda, 3 de Março de 2008
A Economia brasileira, nos últimos anos, vem sendo destaque (positivo) em termos de expansão devido, entre outros fatores, ao aumento da oferta de empregos, aumento da massa salarial e maior oferta de crédito aos consumidores. Isto não é novidade, e vem sendo tratado por diversos jornais e revistas especializados (ValorEconômico, Gazeta Mercantil, Exame etc). Em 2007, diversos setores econômicos tiveram explosivos aumentos de vendas em comparação com 2006: 251% no caso de TVs de LCD e plasma, 130% para notebooks, 48% a mais para máquinas de lavar louças, 22% nas roupas e 16,5% nos laticínios (números compilados pela Revista Exame de 18/07/2007). As perspectivas são igualmente positivas para 2008.

Embora sejam boas notícias para as empresas destes setores, tais fatos também as colocam numa posição que merece atenção: a quantidade de reclamações vindas de clientes insatisfeitos com sua compra. O consumidor brasileiro ainda é muito passivo em relação aos consumidores de outros países (especialmente os mais desenvolvidos), mas ainda assim tem aprendido uma coisa ou outra - e as listas de reclamações aos órgãos como Procon e Idec atestam isso.

Sob a ótica do marketing, trata-se de "dissonância cognitiva" - ou seja, arrependimento por ter adquirido um produto ou serviço. Qual consumidor nunca se arrependeu por ter comprado um produto que estava com um desconto incrível, mas depois não tinha o que fazer com o tal produto ? Mas pior é quando o consumidor arrepende-se porque o produto começa a apresentar defeitos crônicos, e não consegue ser atendido pelo fabricante quando solicita troca ou conserto.

Recentemente, a Volkswagen fez um "recall" disfarçado do Fox, depois que dezenas de consumidores sofreram acidentes ao tentar rebater o banco traseiro; as montadoras de veículos, aliás, têm comemorado recordes de vendas - mas poucas têm dado atenção para o fato de que em médio prazo haverá também aumento de demanda por serviços de manutenção de seus veículos. Um cliente pode estar satisfeito com o produto adquirido, mas, caso venha a enfrentar dificuldades com o serviço que espera no pós-venda, a dissonância cognitiva surgirá - e terá conseqüências desastrosas para a imagem da empresa. Assim, o período de altas nas vendas, conquanto mereça ser comemorado, deve servir também de indicador do quanto será preciso investir no pós-venda e no atendimento ao cliente.
RELACIONAMENTO PÓS-VENDA: COMO MANTER O CLIENTE SATISFEITO E AUMENTAR A RENTABILIDADE DA EMPRESA
Não obstante os consumidores tenham aprendido a recorrer à justiça e/ou órgãos de defesa, é preciso considerar, ainda, o vertiginoso crescimento das redes sociais e ferramentas de comunicação ligadas à internet: blogs, e-mails, sites especializados etc. Isso significa que o cliente insatisfeito tem, cada vez mais, um grande número de formas de reclamar dos problemas identificados no pós-venda - e pressionar a empresa a consertar ou trocar o produto defeituoso. Neste contexto, as empresas que atuam no Brasil, agora, passarão a dedicar mais atenção ao pós-venda - ao menos aquelas que pretendam manter-se competitivas. Assim, discutir e planejar o aftermarketing passa a ser de grande relevância para empresas que precisem aumentar sua rentabilidade não com ganhos de escala, mas com significativo aumento da margem de lucro. Isso é possível - desde que seja oferecido um excelente serviço de pós-venda.

É necessário registrar, todavia, que o termo "aftermarketing", a despeito de alguma fama, não é muito preciso, muito correto - afinal, não é possível separar o "before marketing" e o "after marketing". O marketing deve precupar-se com tudo o que acontece antes da venda, claro - desde o planejamento de novos produtos e serviços em vista de necessidades de segmentos-alvo, avaliação da receptividade do produto, gerenciamento do portfólio, estratégias de comunicação e distribuição etc. Mas se a empresa age como se as funções do marketing cessassem após a venda, a tendência é uma piora em seu relacionamento com os clientes - reduzindo a chance de voltar a atender este cliente, que passará a procurar a concorrência. Portanto, a rigor, o termo "aftermarketing" não é o mais adequado, conceitualmente - ainda assim, devido à sua ampla utilização para designar ações tomadas após a venda, será utilizado aqui.

A partir do momento em que a empresa efetua a venda é que o consumidor torna-se cliente - e é justamente neste momento que começa o relacionamento entre a empresa e seu cliente. Portanto, poder-se-ia concluir que o período pós-venda é justamente o mais importante, afinal não é tão difícil fazer com que alguém compre o seu produto ou serviço pela primeira vez, na medida em que a pessoa pode acreditar em promessas de satisfação, garantia, qualidade, preço promocional etc. Difícil, mesmo, é fazer com que uma pessoa volte a adquirir seu produto ou serviço DEPOIS que ela já conhece o tipo de atendimento que sua empresa lhe oferece !

Cada vez mais as empresas têm falado em CRM, serviço de atendimento ao cliente e afins; as empresas que fazem o serviço de "contact center" há anos encabeçam a lista de empresas que mais contratam funcionários - e, a despeito da rotatividade elevada de funcionários, isso pode ser explicado justamente pela necessidade de ter pessoal para atender os clientes no pós-venda. Contudo, as reclamações dos consumidores geralmente acabam ficando "perdidas" em algum ponto da cadeia de contatos: e-mails que não chegam a quem deveriam chegar, ligações que jamais são retornadas etc. Não raro, clientes que tentam recorrer às empresas acabam sentindo-se completamente abandonados - e geralmente são mesmo.

Este tipo de erro pode custar muito caro às empresas.

Peguemos, por exemplo, as empresas de telefonia, especialmente celular: todas costumam oferecer um recheado pacote de benefícios para clientes de outras operadoras migrarem para sua base de clientes - mas elas deixam os clientes atuais (e antigos) completamente abandonados. O investimento que se faz para aumentar a base de clientes (campanhas de propagandas, telemarketing ativo, mala direta etc) é muito mais alto do que promover campanhas de fidelização entre a base de clientes já existente.

As empresas de telefonia, entretanto, chamam de fidelização o ato de "prender" o cliente por intermédio de algum dispositivo contratual: quando é "convidado" a migrar para aquela empresa, o cliente assina um contrato que o manterá refém por 18 meses, ou até mais. Em troca, lhe é prometido um pacote de benefícios (aparelho gratuito, tarifas reduzidas, torpedos etc), mas geralmente o cliente acaba arrependendo-se antes do prazo contratado. Gera-se, pois, elevada dissonância cognitiva - e o cliente sente-se "preso" àquela empresa. Isso porque normalmente depois que assina o contrato, aquele cliente é considerado "certo", devido à amarra legal - mas a empresa perde a chance de oferecer serviços que poderiam render uma lucratividade maior. É sabido que planos pré-pagos têm baixa rentabilidade, pois os usuários recarregam o mínimo de créditos para conseguirem apenas receber as chamadas normalmente - e raramente acabam contratando qualquer serviço adicional, o que aumentaria significativamente o ganho de margem da empresa.

Recentemente, aliás, a colunista da Folha de São Paulo, Maria Inês Dolci (que também é coordenadora institucional da Pro Teste - Associação Brasileira de Defesa do Consumidor), fez uma recomendação explícita: "evite, se possível, assinar um contrato de vários anos com prestadores de serviços para desfrutar de descontos ou de aparelhos celulares novos".

Esta prática, além de prejudicial aos consumidores no geral, acaba repercutindo negativamente nos resultados das empresas também: quanto maior a concorrência, mais fácil é perder um cliente que não recebeu a devida atenção no pós-venda. Mas o que as empresas devem fazer, então ? Apesar de teoricamente simples, e amplamente conhecida, a resposta ainda significa um sacrifício para muitas empresas: ser orientada para o cliente (na expressão original, "customer driven orientation").

As empresas precisam verificar quais são as reais necessidades de seus clientes - ou seja, quem já comprou seu produto ou serviço. Será preciso ouvir o que o cliente tem a dizer, mapear seu grau de satisfação ou insatisfação com o produto/serviço, acompanhar a mudança no comportamento deste consumidor, detectar novas necessidades e desejos, e agir !

Fazendo uma comparação muito simplista: diversas empresas adotam a prática de recrutamento interno quando precisam preencher alguma vaga, e só depois passam a recrutar funcionários novos, externamente.

No caso da base de clientes, por que as empresas não adotam a mesma prática ? Ou seja: antes de tentar conseguir novos clientes, por que não investir na atual base de clientes, que já têm um relacionamento com a empresa ?

Porque isso dá trabalho.

Poucas empresas conseguem descobrir o que o cliente realmente quer - e menos empresas têm a humildade de perceber quando não estão conseguindo oferecer isto ao cliente e tomar medidas capazes de alterar o panorama. Obter, tabular e analisar dados de pesquisa de satisfação é algo caro, trabalhoso, e gera interpretações enviesadas - muitas empresas que conduzem pesquisa de opinião com os clientes distorcem os resultados para apresentar, à Diretoria, uma imagem muito mais "bonita", ainda que falsa.

Manter e utilizar um sistema de databased marketing no pós-venda não é, exatamente, barato. Então, para que gastar tanto com pessoas que já são clientes ?! Este tipo de pensamento é capaz de destruir a rentabilidade de qualquer empresa em médio e longo prazos. No final da década de 1930, a Ford perdeu a liderança de mercado que mantinha desde os idos de 1900 para a GM exatamente porque não se preocupou com as necessidades dos clientes que já tinham um carro da Ford. Recentemente, a GM sofreu do mesmo problema, e por alguns cálculos, já perdeu a liderança em vendas para a Toyota.

No caso das operadoras de telefonia, o consumidor brasileiro ainda é refém de práticas idênticas em diferentes empresas - mas o aumento da concorrência tende a mudar esta situação, reduzindo consideravelmente o custo de troca/transação. Os bancos, no geral, estão na mesma situação. Assim como dezenas - quiçá centenas - de outros setores econômicos.

O que poderá, efetivamente, conferir maior rentabilidade a estas empresas é justamente o que elas fazem depois que o consumidor torna-se cliente. Esta é, verdadeiramente, a oportunidade gerada pelo desempenho da economia brasileira - e aquelas empresas que souberem lidar com o aumento da demanda de serviços no pós-venda são aquelas que conseguirão melhores e maiores ganhos.

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IBOVESPA

Quarta, 6 de Fevereiro de 2008
Diariamente ouvimos no noticiário que o Ibovespa subiu ou desceu. Mas afinal, o que é, e como funciona esse tal de Ibovespa?

De maneira bastante simples, o Ibovespa, ou Índice Bovespa, é o valor atual em reais (R$) de uma carteira teórica de ações constituída em 2 de janeiro de 1968.

Desde sua implementação, em 1968, o IBOVESPA não sofreu qualquer alteração metodológica, tendo sido feita apenas as seguintes adequações, para fazer frente ao efeito da inflação sobre os preços de ações durante as décadas de 80 e 90:

1 - divisão por 100, em 03/10/1983;
2 - divisão por 10, em 02/12/1985;
3 - divisão por 10, em 29/08/1988;
4 - divisão por 10, em 14/04/1989;
5 - divisão por 10, em 12/01/1990;
6 - divisão por 10, em 28/05/1991;
7 - divisão por 10, em 21/01/1992;
8 - divisão por 10,em 26/01/1993;
9 - divisão por 10, em 27/08/1993;
10- divisão por 10, em 10/02/1994;
11- divisão por 10, em 03/03/1997.

Para que o índice mantenha sua representatividade ao longo do tempo, a Bovespa reavalia, ao final de cada quadrimestre, a carteira teórica do Ibovespa, (cuja vigência refere-se aos períodos de Janeiro a Abril, Maio a Agosto e Setembro a Dezembro). Nesse momento também é calculado o índice de negociabilidade para cada uma das ações nela negociadas nos últimos doze meses. A partir daí, é aferida a participação individual de cada um destes índices e, então, listam-se as ações até que o montante de suas participações atinja 80%.

Atualmente o índice é composto por 64 ações, e a escolha desses papéis, bem como suas respectivas ponderações, atendeu aos seguintes critérios básicos:

. os papéis  escolhidos estiveram entre os 80% do índice de negociabilidade;
. apresentaram liquidez em pelo menos 80% dos pregões;
. movimentaram pelo menos 0,1% do volume total da Bovespa.

Em relação à carteira vigente entre setembro e dezembro de 2007, a novidade fica por conta do ingresso das ações ordinárias da Nossa Caixa. Assim, o número de papéis que fazem parte da composição do índice foi elevado para 64 neste primeiro quadrimestre de 2008.