Sergio Canossa
Terça, 6 de Maio de 2008
Nestes tempos em que chegar á frente e fazer o máximo possível no menor espaço
de tempo se traduzem em sucesso, ser perseverante e ter sabedoria pode
significar muito mais em termos de resultados para os negócios de sua
organização. Temos sido condicionados a sermos os primeiros custe o que custar
antes de saber por que estamos fazendo. Algumas vezes fazendo as coisas sem
mesmo ter a noção de sua real necessidade. O importante é ser o melhor e
chegar antes dos demais porque não podemos permitir que o concorrente o faça
primeiro. É uma corrida desenfreada em que não se sabe a razão de estar ali
e porque devemos efetivamente chegar á frente. Por outro lado, na perspectiva de
uma pretensa produtividade somos todos chamados a realizar, realizar cada vez
mais, num tempo cada vez menor. Isto justificaria o poder de competitividade
das organizações, reduziria os seus custos e contemplaria a sua eficácia e,
por que não, a sua riqueza econômica.
O que na verdade deveria estar em discussão é se fizemos a coisa certa, se
fizemos o que deveria ser feito, se fizemos na hora em que era necessário, ao
invés de ficar fazendo mais e mais. Ao mesmo tempo em que se valoriza a
qualidade e o fazer certo na primeira vez, tão proclamado nas empresas
atualmente, persiste a obsessão de administrar o tempo com resultados em que se
busca aumentar cada vez mais o bolo. O que se tem visto são os profissionais se
destruindo, estressados, em busca de um algo mais que se torna passageiro no
instante seguinte à sua obtenção. Tanta luta, tantas horas dedicadas,
distanciamento da família e dos amigos para perder o significado como num passe
de mágica. Os gestores têm valorizado esta atitude e procurado manter o círculo
sempre em movimento, num moto-contínuo, na expectativa de que dure eternamente e
possam ter a sensação de vitória o tempo todo. Parece-lhe um estímulo que os
motiva cada vez mais em detrimento de algo intangível.
Vivenciar intensamente e ser cobrado por algo que não lhe traz significados é a
utopia de nosso tempo. Quando alguém se destaca e se torna vitorioso de maneira
diferenciada faz com que encontremos um tempo para a reflexão. Administrar e
gerir a nossa máquina do tempo, nosso relógio particular, deve ser visto como
participar de um grande campeonato de futebol, de vôlei ou mesmo qualquer outro
esporte. A luta é contra o tempo, mas, não se pode deixar levar apenas pelas
emoções de cada partida ou disputa. Ela é única, e ganhar ou perder não leva á
decisão do campeonato. É preciso bom desempenho em todas as partidas. Em algumas
seremos vencedores. Em outros perdedores. Ainda existirão empates. É preciso
persistência e perseverança para que o time seja equilibrado e consiga ser o
campeão. As melhores decisões, os melhores passes, na hora certa para conseguir
mais pontos e ser o vencedor. O mais importante: para ser campeão é requerido
administrar o tempo, pois há data e hora para chegar e ganhar a final. É uma
regra. É uma condição.
No seu trabalho também se vive estas condições, estas regras. Não adianta querer
jogar uma partida e desejar estar na final. Não adianta ganhar uma partida
apenas para ser o campeão. É preciso jogar com as regras em baixo do braço como
se diz, é necessário escolher os melhores jogadores, fazer os passes corretos,
escalar o time de acordo com a situação, tomar as decisões corretas para ser
eficaz e ter a produtividade valiosa. Quantas vezes fomos solicitados a virar a
noite trabalhando para realizar uma tarefa que não era prioridade para aquele a
quem se destinava? Quantas vezes você teve que refazer algo porque o superior
imediato desejava deixar a sua marca e pediu-lhe que alterasse algo do que foi
feito: uma cor, uma palavra, um gráfico. Quantas vezes você tento enviar o
trabalho antes para que fosse avaliado e alterado a tempo e sem atitudes
desnecessárias (tempo, revisão, etc..)? Nunca tentou? Medo porque o trabalho
ainda estava por finalizar? Pois, deveria tentar fazê-lo. Somos perfeccionistas
e queremos mostrar que fazemos sempre o melhor, que fazemos primeiro do que os
outros (e porque não, mais rápido, ainda que o prazo seja possível), fazemos
sofisticado ainda que o simples seja o necessário e a melhor alternativa.
Queremos deixar a nossa marca mesmo que o seu superior seja aquele que altere
tudo o que fazemos. Faça-o trabalhar para você. Prepare o relatório, não invente
muito, tome como base o último que fez, você sabe que ele vai mudar, envie para
aprovação e espere que seja destruído. Enquanto isso atenda às outras
prioridades ou obtenha mais informações sobre o tema daquele relatório que foi
para a aprovação. Deixe aberta a possibilidade de seu chefe re-estruturar todo o
seu trabalho - deixe algo pequeno, sem importância errado ou por fazer. Assim
ele irá lhe informar tudo o que gostaria que fosse alterado. Aproveite para
perguntar sobre as suas novas descobertas sobre o tema e, permita mais uma vez
que ele as inclua no relatório como uma idéia muito importante. Depois é
simples, volte ao seu computador e conclua todo o trabalho que seu superior fez
para você e terá que lhe dar todos os créditos.
Adote estratégias para gerenciar seu tempo e, adapte-se àqueles com quem
você se inter-relaciona. Não entre na correria e ansiedade deles. Provoque uma
reação pró-ativa e atenda á todas as suas necessidades tendo-os como seus
parceiros reais e que nunca poderão dizer-lhes que não fez algo direito. Porém,
nunca pergunte como fazer pura e simplesmente (exceto na primeira vez sobre
qualquer novo tema). Faça com que a interação lhe proporcione os resultados.
Jogue em equipe com ele e com os demais colegas do trabalho. Como no campeonato,
ganha aquele que jogar melhor em todas as partidas e fizer mais pontos mesmo que
perca algumas partidas.
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Irlei Wiesel
Sabado, 8 de Março de 2008
Artigo publicado em homenagem ao dia das mulheres.
Estamos no séc. XXI, em 2008. A força da mulher se consolida. Enfrentamos alguns obstáculos, mas nada que se compare ao passado. Acompanhe, a seguir, o massacre emocional instituído por três respeitados pensadores sobre as mulheres.
Lutero, um famoso teólogo alemão, reformador e protestante que influenciava a mente das pessoas no século XVI, afirmava: - "O pior adorno que uma mulher pode querer usar é ser sábia".
Já no séc. IV a.C., Aristóteles, filósofo grego, um respeitado guia intelectual de Alexandre, o Grande, afirmava: -"A natureza só faz mulheres quando não pode fazer homens. A mulher é, portanto, um homem inferior."
No século XVI, o Rei da Inglaterra e chefe da Igreja Anglicana, Henrique VII, afirmava: - "As crianças, os idiotas, os lunáticos e as mulheres não podem e não têm capacidade para efetuar negócios."
O tempo passou e vivemos uma outra era. A dinâmica atual sugere mulheres livres, atuantes, empenhadas, escrevendo uma nova história.
Os pensadores atuais são unânimes em aplaudir a força e capacidade da mulher mundial. Atualmente, o valor da mulher é reconhecido, porém, pergunto-me, por que o índice de mulheres deprimidas, ansiosas e emocionalmente estressadas é tão acentuado?
Estamos livres, mas presas aos nossos estados fóbicos. Estamos lindas, mas feias para nós mesmas. Somos amadas, mas nos rejeitamos. Desenvolvemos inúmeras capacidades, mas parece que nos falta a paz. Administramos agendas, mas boicotamos nossas emoções. Controlamos grandes negócios, contudo maior é nossa tristeza. Somos confiantes nas estratégias profissionais, mas inseguras quanto à vida pessoal. Conquistamos o reconhecimento, mas sentimo-nos vazias.
Por que vivemos essa dualidade?
Talvez, porque, apesar dos tempos serem outros, ainda guardamos, inconscientemente, memórias emocionais daquela época. Através da memória coletiva ou da memória individual.
Quando nossa memória fica presa ao passado, temos a sensação da dualidade. Sabemos quem somos, o que fazemos e qual nossa missão. Porém, involuntariamente, sentimos que algo nos prende. Questionamos, inclusive, nossa liberdade. Aprisionamo-nos em culpa e medo. Sufocamos. Entretanto, inacreditavelmente, a vida nos convida a seguir. E, seguimos, mas muitas vezes, espiamos a nossa volta, à procura da energia pesada que tem o poder de nos deprimir.
Mulheres, nossa luta é de séculos, nossa missão é desenvolver a auto-estima coletiva. Os tempos já foram muito difíceis. Sugiro que todas nós, cada uma, no seu momento, solte a energia proveniente de crenças negativas em relação a nossa condição de mulher.Precisamos, juntas, criar um inconsciente coletivo livre. Só assim, aos poucos, seremos, individualmente, mais tranqüilas.
A liberdade, muitas vezes, é conquistada após muitos séculos, portanto, valorizemos o que já foi feito e sejamos felizes!
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Anderson Hernandes
Quarta, 20 de Fevereiro de 2008
Dizem que vivemos numa era como nunca vista antes - a era da informação. Existe informação disponível sobre tudo e todos a qualquer momento. São blogs, vídeos, artigos, revistas, cursos de todo e qualquer assunto que se possa imaginar e necessitar. Diante disso, a difícil pergunta que surge é: O que, onde, como, por que e para quê vou precisar aprender algo novo?
Talvez não nos apercebamos disso de modo tão pleno, mas toda essa enxurrada de informação e conhecimento disponível transformou a nossa vida, levando-nos por um caminho sem volta. Não podemos mais nos dar ao luxo de não absorver novas informações. Se não atualizarmos constantemente nosso conhecimento, seremos substituídos por aqueles que o fazem. Na verdade, o processo de aprendizado passa a ser contínuo, onde mal terminamos de estudar algo novo e quase sempre temos de atualizar o que aprendemos.
Você cursou a faculdade? Sinto ao dizer-lhe que isso não lhe prestará para muita coisa. Talvez até 2/3 de todo o conhecimento adquirido numa faculdade já estará desatualizado no momento em que se formar.
 Acha exagero? Pois não é. O que você tira de real proveito num curso de graduação é a melhoria na capacidade de absorção de novos conhecimentos, na capacidade de análise crítica e a síntese da profissão escolhida. Isto é, se estudou direito, ao sair da faculdade terá subsídios para aprender algo realmente aplicável sobre direito. O mesmo se dá em outras áreas. Se não, para que serviriam os programas de trainee?
Então não vá "se achando" só porque fez uma faculdade, porque isso não é um passaporte para o sucesso, é apenas um passo na tentativa de evitar o fracasso profissional.
Em outro aspecto da gestão individual do conhecimento, devemos notar que as grandes empresas querem saber o que e onde você cursou a sua faculdade. As instituições de primeira linha, compostas por na sua maioria por "filhinhos de papai", formam uma fila de profissionais que disputarão as mesmas vagas de trainee que você disputará. Se a sua faculdade não for de primeira linha, a única vantagem que você tem sobre seus concorrentes é que, enquanto você estudava com afinco e anotava cada palavra que seu professor colocava naquele quadro negro com giz, os outros estavam sentados em salas climatizadas, navegando no Orkut através da rede wireless da faculdade enquanto o professor, utilizando-se de recursos de última geração, fazia uma chata aula expositiva.
E o que dizer do MBA? Se você ainda não acrescentou essas três siglas no seu currículo, pode ter certeza de que perderá 1/3 de todas as chances de conseguir um bom emprego. Hoje, todos querem um MBA. A má noticia é que quase todos podem ter. A proliferação dos cursos de MBA gerou uma lista interminável de MBAs. Entre MBAs em gestão disso e daquilo, podemos fazer uma lista com uns cem nomes diferentes. Não se surpreenda se em pouco tempo surgirem o MBA em Gestão do Lar ou MBA da Criação de Filhos, porque quase tudo em pós-graduação que vier depois da sigla MBA tornou-se um apelo da faculdade pela busca de novos alunos.
O melhor MBA que existe é o MBA da vida. É aquele em que aos 14 anos você já trabalha, estuda e não ganha mesada. É aquele onde você "ralou" fazendo de tudo e, aos 18 anos, depois de limpar todas as suas economias da poupança, conseguiu comprar aquele fusca com motor quase fundido e funilaria por fazer. Isso sim é MBA. O resto vai lhe acrescentar mais conhecimento perecível e vai lhe trazer benefícios também perecíveis. O "MBA da vida", entretanto, lhe trará benefícios duradouros.
Acho incrível como as pessoas sonham com o sucesso que um certificado de curso superior possa dar. As próprias faculdades usam palavras como "realização, sucesso, superação e conquista". Porém, passados os anos de estudo, você sai do sonho e chega à realidade, mas a realidade aparece, na verdade, bem diferente daquele sonho. Descobre-se então que tudo aquilo não passava de apenas ilusão. Quantos estudantes de direito vislumbram a possibilidade de serem juízes, promotores e outros cargos desejáveis, mas ao se formarem sequer conseguem passar no exame da ordem.
De quem é a culpa de tudo isso? A culpa é de todos. Leia-se "todos", o mercado, a concorrência, os facilitadores do conhecimento, a tecnologia, nós e até o seu cachorro. É até seu cachorro é culpado por tudo isso. Pois hoje tem psicologia, massagem, acupuntura, escovação e dezenas de outros cuidados para o seu cachorro. Por quê? Porque os cachorros já não são mais como antigamente. Eles têm vontade própria, sentimento, são emotivos e são tratados como gente. É por essas e outras mudanças que as coisas estão tão difíceis no mercado de trabalho, pois a maioria dos profissionais é ensinada a ver o mercado como o mercado foi e não como ele é.
Um exemplo clássico disso são os cursos de profissões regulamentadas. Eles formam dentistas, médicos, advogados, psicólogos e não médicos-empresários, dentistas-empreendedores, advogados-administradores. Aí a faculdade despeja todos os anos milhares de profissionais que, nos melhores casos, só sabem cuidar de dente, de doença, de leis, mas não de finanças, negociação, precificação ou administração.
E o que o futuro nos reserva? Não sei, mas uma das coisas de que tenho certeza é que a concorrência profissional vai aumentar a cada dia. Aliás, já estou tomando meus cuidados porque vejo que se não me atualizar logo, em pouco tempo perderei meu emprego para minha própria filha, que hoje tem três anos. Minha preocupação é justificável por diversos fatores. Meu primeiro contato com um telefone celular se deu aos meus 22 anos, a internet aos 23, câmera digital aos 28 anos, voip aos 30 e Youtube no mês passado. Já a minha filha com três anos de idade fala ao celular, tira foto com a câmera digital, usa o controle remoto, dvd, home theater e, ao utilizar o Skype exige a web cam. Só não usa a internet porque não sabe ler e escrever. No meu tempo, desenho animado era Pateta, Pato Donald, Mickey Mouse e semelhantes, hoje eu só a ouço falar em Backyardgans, Lazytowne Clifford e Barney. Onde é que vamos parar? Acha exagero? Pode achar o que for, mas é certo que você deve tomar cuidado.
O que, afinal, o mercado quer de nós? Ele quer profissionais multi-qualificados, multi-tarefeiros, multi-habilidosos, poliglotas, que sabem trabalhar sobre pressão, que buscam resultados, que não precisam dormir, sem problemas emocionais, inteligentes, que sabem se vestir, falar, ouvir, sentir, compreender e se fazer ser compreendidos, ágeis, com todo o tempo livre, abertos a mudanças, atualizados no conhecimento, ao mesmo tempo especialista e generalista, com visão sistêmica, adaptáveis, honestos e com perfil de liderança. Só isso!
Portanto, pare e reflita: Até que ponto a busca do conhecimento afeta você?
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Informação, Conhecimento, Era da Informação, Programa de Trainee, Análise Crítica, Capacidade de Análise, Gestão do Conhecimento, MBA, Facilitador do Conhecimento, Concorrência Profissional,
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Débora Martins
Quinta, 14 de Fevereiro de 2008
Certa vez, um gari foi entrevistado por uma repórter da TV. Em pauta estava um grande diferencial, a alegria com que o rapaz executava seu trabalho.
Durante a reportagem o rapaz foi tratado como um alienígena. Era como se a repórter, inclusive com ar de deboche, não acreditasse que seria possível algo tão inusitado.
O discurso implícito era algo mais ou menos assim - Você é um infeliz! Como pode sorrir com um emprego deste? Ela não disse isto mas sua intenção ficou muito clara.
O gari era tão alto-astral que percebendo a perplexidade da moça brincou de ser estrela e começou a entrevistá-la.
Conclusão. A moça estudada aprende com o pobre gari que: "não importa o cargo que se ocupa, você pode trabalhar com alegria".
A mídia prega o tempo todo que trabalho é algo ruim. O comercial de carros mostra pessoas nos escritórios sofrendo, deprimidas, descabeladas sempre à espera da tão sonhada hora da saída, 17h59.
Assim segue. Vejamos: Acontece a mesma coisa com os cosméticos (você precisa de uma pele firme para agüentar o dia-a-dia).
O café da manhã deve ser forte (afinal seu dia será um inferno mesmo). Sopinhas para trocar pelo almoço (quem disse que você sairá para almoçar?), e por aí afora.
É claro que você também já se lembrou de outros comerciais assim.
Tal convenção coloca como gratificante apenas estar sentado atrás de uma grande mesa de vidro, tendo tudo e todos à sua disposição. Será que só assim é possível trabalhar com alegria?
A primeira grande verdade que temos que aprender é que, durante nossa vida, seremos de alguma forma contrariados.
Por mais doloroso que possa parecer, outra grande verdade é que somente por meio do nosso trabalho conquistamos a independência financeira e, conseqüentemente, nos tornamos donos do próprio nariz.
Desde que me conheço por gente sempre foi assim. Num dia estamos felizes, noutro nem tanto. Às vezes reconhecidos, às vezes invisíveis aos olhos alheios.
Portanto, partindo da idéia de que temos que aceitar contrariedades e trabalhar para conquistar o nosso espaço e, assim, viver em harmonia com a sociedade, só nos resta trabalhar com alegria.
Segundo os monges tibetanos, quanto aprendemos a dominar nossos sentimentos permanecemos em verdadeiro estado de espírito, ou seja, não importa o que tivermos que fazer, sentiremos prazer em realizá-lo.
A arte de trabalhar com alegria está em dominar o mau humor, criando as condições necessárias para surgir daí o pensamento criativo, capaz de tornar qualquer situação desagradável em nova oportunidade de crescimento.
Decida hoje mesmo como você pretende trabalhar. ( ) com alegria ( ) sem alegria.
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Jerônimo Mendes
Quinta, 10 de Janeiro de 2008
Por várias empresas onde passei havia sempre um adepto do seguinte discurso: eu não levo problemas do trabalho para casa e vice-versa; aqui na empresa eu sou profissional. Ao dizer aquilo o sujeito enchia a boca e estufava o peito enquanto eu tentava imaginar o tipo de mágica necessário para se conseguir desassociar o pensamento de ambientes tão intimamente ligados.
Como dizia a mestra Maria Schirato: você conhece alguma mãe que sai de casa contente para o trabalho ao deixar o filho na cama com 38 graus de febre? Você conhece algum profissional que volta para casa sorrindo, depois de levar uma babada inesquecível do chefe na frente dos colegas?
Assim como é no trabalho é na vida pessoal. Ambos demandam por responsabilidades, metas e objetivos, avaliações, solução de problemas e conflitos de toda ordem, negociações o tempo todo. Em casa é melhor, pois temos o direito de levantar um pouco mais tarde e trabalhar de cueca, se as esposas deixarem. E geralmente, com jeitinho, elas não contrariam.
Em todas as minhas palestras tenho defendido a indissociabilidade do ser humano no mundo pessoal e no profissional embora existam limites para ambos. É difícil acreditar que alguém possa ser diferente utilizando-se da mesma mente, repleta de histórias e de vícios, e do mesmo corpo.
Em outro artigo mencionei o caso de milhares de pessoas que saem de casa na segunda-feira, descontentes, já pensando na sexta-feira, com a terrível sensação de que a semana será um verdadeiro inferno. Apenas para relembrar, se isso acontece com você, possivelmente você está no lugar errado. Por essas e outras razões é que o imperdível happy hour faz muito sucesso. Ali, você está livre da hostilidade corporativa e pode até praticá-la utilizando-se do suave veneno comumente destilado nas mesas de bares e restaurantes na ausência do patrão, do chefe e dos desafetos.
Todos os dias, a despeito da infinidade de problemas que surgem com freqüência em sua vida, o ser humano tende a vestir a máscara da hipocrisia. Como sua mente não está preparada para ver somente o lado bom das coisas nem para se render diante dos fatos que parecem óbvios, e para os quais se exige boa dose de humildade, ele sai de casa imaginando o que fazer para evitar o encontro com o chefe ou para terminar aquele projeto que há mais de um mês foi solicitado ou ainda quando encontrar o colega com o qual ele não possui a menor afinidade - de fato, eles se odeiam, porém é melhor sorrir para manter o espírito de equipe.
Particularmente, acredito pouco nas pessoas e nos profissionais - e os profissionais são pessoas - que se dizem diferentes em casa e no trabalho. Tenho em mente a imagem daquele sujeito que foi eleito o empresário do ano, o líder do ano, o político do ano, a personalidade do ano, entretanto, sua vida pessoal é o caos. De dia sorri para a equipe, de noite enche os filhos de palavrões.
"Na ocorrência de coisas desagradáveis entre vizinhos, o medo chega rápido ao coração e exagera o efeito na outra parte; mas ele é um mau conselheiro e todo homem é na verdade fraco e na aparência forte. A si mesmo, ele parece fraco; aos outros, formidável.", afirmava Emerson.
Se "somos aquilo que fazemos repetidamente" e repetidamente nossa maior preocupação é concentrar energia no sucesso alheio e nos defeitos alheios, não importa o ambiente em que nos encontramos, seremos sempre personagens movidos ao equívoco permanente, com pouca capacidade de discernimento e com tendência ao pré-julgamento, na ponta da língua e no fundo da mente.
O mundo espera muito de nós, portanto, é necessário manter-se fiel ao nosso elemento de vida, a verdade. Quando você se mantém fiel a si mesmo e a consciência está em sintonia com o seu coração, as decisões fluem com mais naturalidade e senso de justiça. Neste caso, não importa o campo de batalha.
Convenhamos, é extremamente difícil ser justo e manter a tranqüilidade sob pressão, quando o emprego está em jogo, quando as contas estão vencidas ou quando a família está desunida. Poucos de nós foram treinados para enfrentar as adversidades com a serenidade que tanto almejamos. E ainda exigimos firmeza e equilíbrio por parte dos filhos, dos amigos e dos colegas. Nem sempre aquele que nos aconselha utiliza o mesmo conselho para resolver os próprios dilemas.
Todo ser humano é refém dos próprios pensamentos, portanto, todo pensamento é também uma prisão. Ele tem o dom de escravizar a si mesmo e de antecipar problemas que nunca acontecem da forma como imagina, o que o leva à demissão antes da hora, ao pré-julgamento, ao desequilíbrio físico e psicológico, ao sofrimento desnecessário.
Definitivamente, não há como separar o lado humano e o profissional. O que muda é a percepção do ambiente, a forma como abordamos determinados assuntos e os limites que conseguimos impor a nós mesmos para conservar o caráter e a reputação em ambientes distintos, mas complementares.
Depois de quarenta e poucos anos de vida, e muita martelada na cabeça, posso dizer que aprendi um bocado nesse mundo corporativo, motivo pelo qual divido com vocês algumas dicas que podem ajudá-lo a equilibrar os dois lados, com menos sofrimento e mais discernimento, se julgar conveniente aplicá-las por livre e espontânea vontade em sua vida pessoal e profissional.
Acredite ou não, elas funcionam muito bem se você tiver a humildade de olhar para dentro de si mesmo a fim de manter a integridade em ambientes que exigem, de maneira equânime, princípios e valores inegociáveis, caso contrário, isto não lhe servirá para nada. Pense no seguinte:
1) Você conhece milhares de pessoas, mas conta nos dedos aqueles que realmente pode chamar de amigos. Não existe esse negócio de amigos na vida pessoal e amigos no trabalho. Amigos são amigos e ponto final, no trabalho ou fora dele;
2) O ser humano é indissociável, portanto, as emoções da relação pessoal e profissional estão intimamente ligadas. Procure equilibrar os dois lados, pois ambos precisam de você e vice-versa;
3) Mais importante do que a pressão exercida no trabalho, acredite, existe vida fora dele. A família te espera em casa de braços abertos, desde que você adote na íntegra o conceito de família; para onde você corre quando perde o emprego? Eu corri para os braços da minha querida esposa e dos meus filhos quando aconteceu comigo e, graças a Deus, fui muito bem recebido;
4) Não seja pedante e não deixe que a fama lhe suba à cabeça. Quanto maior o cargo, maior o tombo, mais difícil a recuperação. Poucos estão preparados para recomeçar a caminhada depois de perder o crachá, o plano de saúde, o vale-refeição e, principalmente, o sobrenome da empresa; no fim das contas, o que conta mesmo é o seu sobrenome de nascença;
5) Trate bem as pessoas, independentemente do nível hierárquico, o delas e o seu. Em cargos de liderança, se tiver que demitir alguém, seja direto, gentil e transparente, mas não tripudie, é um momento difícil para ambos, a menos que você seja desprovido de hormônios;
6) Felizmente, o mundo corporativo sobrevive sem você, portanto, não o carregue nas costas nem se deixe escravizar por uma quantia de dinheiro que nunca será suficiente para compensar o tempo e a saúde que você perde enquanto tenta provar para a família e para o chefe o quanto você é capaz; entretanto, enquanto estiver a serviço de alguém, dê o melhor de si, seja leal e íntegro;
Por fim, lembre-se: não se trata de fazer a família entender o quão importante o trabalho é para você, mas o quão importante você é para a família e para as empresas que confiam no seu trabalho. Pense nisso, sofra menos, seja mais humano, mais ativo, constituinte e criador do mundo. Seja feliz!
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