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Os novos adotantes das marcas

Terça, 5 de Agosto de 2008
A marca é um dos principais atributos de produtos ou serviços, e uma de suas funções é criar uma identidade que nos faça reagir de uma determinada forma aos seus estímulos visuais ou sonoros. As organizações esforçam-se em desenvolver planos para fortalecer suas marcas, que fazem parte de sua estratégia de comunicação, e uma das pesquisas tradicionalmente realizadas junto aos consumidores é identificar qual a percepção que estes possuem de determinada marca. Por exemplo, a maçã da Apple pode transmitir a idéia de inovação; a logomarca da Petrobras remete à idéia de nacionalismo e tecnologia; o cavalinho da Ferrari é a velocidade e o status. Muitas vezes, quando bem trabalhada, a marca pode tornar-se mais importante que o próprio produto, confundindo-se com o mesmo, como nos casos da Coca-Cola e da Bom Bril.

Mas não são apenas as organizações convencionais que se preocupam em construir marcas fortes. Nos últimos anos, com o crescimento das transações comerciais internacionais e o acirramento da competitividade dentro do mercado mundial, alguns países, entre eles o Brasil, passaram a adotar uma marca que identifique determinados produtos, criando assim uma diferenciação para os mesmos. Exportadores brasileiros de frutas rotulam suas mercadorias com um selo criado pelo governo, proporcionando a criação de uma imagem perante seus consumidores, tal qual ocorre com as marcas tradicionais. Muitas cidades também buscam esse recurso para fortalecer sua imagem e criar condições de atrair investimentos.

O uso de marcas por organizações que não sejam empresas tradicionais revela uma mudança na forma como estas se relacionam com o ambiente onde atuam. Um país ou uma cidade que adotam um símbolo que os represente podem ser considerados como exemplos da necessidade de criação de uma identidade própria, algo que possibilite a diferenciação entre os demais, sendo uma estratégia que exige planejamento para que produza bons frutos.

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MOTIVAÇÃO: INTERAÇÃO ENTRE O INDIVÍDUO E A SITUAÇÃO

Quinta, 13 de Setembro de 2007
Talvez a melhor forma de começar seja dizendo o que a motivação não é. Muitas pessoas vêem, incorretamente, motivação como um traço pessoal, isto é, algumas a possuem e outras não. Na prática, alguns homens de negócio rotulam como preguiçosos os empregados que parecem não ter motivação. Esse tipo de rótulo pressupõe que um indivíduo é sempre preguiçoso ou nunca tem motivação.

O meu conhecimento de motivação diz que isso não é verdade. O que sabemos é que a motivação é o resultado entre o indivíduo e a situação. Certamente, indivíduos diferem em seus impulsos motivacionais básicos. Mas o mesmo empregado que se sente logo entediado por abaixar a manivela da sua furadeira pode ficar horas a fio abaixando a manivela de uma máquina caça-níqueis em Las Vegas sem se sentir nem um pouco entediado. É como ler um romance completo de uma vez e, no entanto, não conseguir ler nem 20 minutos de um livro didático. Não é necessariamente você, e sim a situação.

Dessa forma, enquanto analiso o conceito de motivação, tenha em mente que o nível de motivação varia tanto entre indivíduos quanto para indivíduos em tempos diferentes. Motivação é a vontade de empregar altos níveis de esforço em direção a metas, condicionada pela capacidade do esforço de satisfazer alguma necessidade do indivíduo. Enquanto a motivação geral se interessar no esforço em direção a qualquer meta, o esforço será em vão, e os resultados não serão visíveis. Deve-se estreitar o foco para metas em empresas, o nosso interesse singular se reflete num comportamento relacionado ao trabalho. Os elementos-chave nessa definição são o esforço, metas em negócios e necessidades.

O elemento esforço é uma medida de intensidade. Quando alguém está motivado, se esforça mais. Porém, níveis altos de esforço não têm a probabilidade de levar a resultados favoráveis de desempenho no trabalho a não ser que o esforço esteja canalizado numa direção que beneficie a empresa. Portanto, deve-se considerar a qualidade do esforço, bem como sua intensidade. O esforço que é direcionado e coerente com as metas da empresa é o tipo de esforço que deve ser buscado. Assim sendo, tratarei a motivação como um processo de satisfação de necessidades.

Uma necessidade, na minha terminologia, significa algum estado interno que faz certos resultados parecerem atraentes. Uma necessidade insatisfeita cria tensão, que estimula impulsos dentro do indivíduo. Tais impulsos geram um comportamento de busca para encontrar objetivos especiais que, se alcançados, satisfarão a necessidade e levarão à redução da tensão.

Portanto, empregados motivados estão num estado de tensão. Para aliviar esta tensão, eles empregam esforço. Quanto maior a tensão, maior o nível de esforço. Se este esforço levar à satisfação da necessidade com sucesso, a tensão será reduzida. Mas, como o interesse aqui é no trabalho, este esforço de redução de tensão deve ser também orientado às metas dos negócios. Por isso, inerente à nossa definição de motivação está a exigência de que as necessidades do indivíduo sejam compatíveis e coerentes com a meta da empresa. Quando isso não ocorre, podemos ter indivíduos empregando altos níveis de esforço, que na verdade agem contra os interesses da empresa.

Isto, a propósito, não é tão raro. Alguns empregados gastam, regularmente, muito mais tempo conversando com o amigos no trabalho a fim de satisfazer suas necessidades sociais. Há um elevado nível de esforço, mas que não está sendo orientado produtivamente.

Luiz Fernando Garcia - é consultor especialista em manejo comportamental e empreendedorismo em negócios. É metodologista, empresário, palestrante e autor dos livros "Pessoas de Resultado" e "Gente que faz", da Editora Gente.