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PRESSÃO E DEPRESSÃO EM NOME DO LUCRO

Segunda, 26 de Maio de 2008
De acordo com o sociólogo Max Weber, autor de A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo, "O impulso para o ganho, a persecução do lucro, do dinheiro, da maior quantidade possível de dinheiro, não tem, em si mesmo, nada a ver com o capitalismo. Tal impulso existe e sempre existiu entre garçons, médicos, cocheiros, artistas, prostitutas, funcionários desonestos, soldados, nobres, cruzados, apostadores, mendigos etc. Pode-se dizer que tem sido comum a toda sorte e condições humanas em todos os tempos e em todos os países da Terra, sempre que se tenha apresentado a possibilidade objetiva para tanto."

De fato, obter lucro, ganhar a maior quantidade possível de dinheiro, acumular patrimônio, levar vantagem sobre os concorrentes, inimigos, vizinhos ou colegas de trabalho são necessidades e aspirações do ser humano em qualquer lugar do planeta por questões antropológicas muito simples: sobrevivência e segurança. Entretanto, ainda que você consiga acumular uma soma considerável de dinheiro durante os primeiros trinta ou quarenta anos de vida, o apego excessivo ao dinheiro há de lhe tirar o sono durante os próximos cinqüenta se a sua fortuna não tiver sido construída com base em princípios, valores e virtudes universais.

A simples sobrevivência nos custa muito caro. Somos constantemente submetidos ao estresse, à pressão, ao enfrentamento de situações para as quais não estamos preparados. A cobrança é efetiva e surge de todos os lados, dos filhos, do cônjuge, da sociedade. Em último caso, vem da nossa própria consciência, por tudo aquilo que pensamos fazemos errado e tudo que deixamos de fazer correto, se é que existe alguma coisa correta na face da Terra.

Somos criaturas de hábitos, segundo Aristóteles, e à custa de muita pressão acabamos sendo habituados a não resistir, a calar-se diante dos fatos, a imaginar que o mundo é como é porque não existe jeito de mudá-lo e que a vida é uma sucessão de erros e acertos que só termina quando a nossa própria existência terrena termina.

Karl Marx, o grande sociólogo alemão, considerava o trabalho a mola propulsora do desenvolvimento humano, ou seja, não existe homem sem o trabalho nem trabalho sem o homem. A eterna preocupação do ser humano com o ato de participar, ora por questão de sobrevivência, ora por questão de realização, faz com que "a maioria dos homens prefira a escravidão na segurança ao risco na independência", nas palavras de Emmanuel Mouniere, o pai do personalismo.

A pressão no trabalho é praticamente irreversível e atinge todos os escalões da organização. Do porteiro ao presidente, a preocupação é a mesma. O que muda é o saldo na conta bancária e o nível de responsabilidade de cada um, porém, quanto maior o cargo, maior o orgulho, maior a queda. Ser presidente é fácil. Difícil é sustentar a posição no alto da colina sem ser bajulado, alvejado de críticas, invejado e pressionado de todos os lados.

No início das minhas palestras eu sempre faço uma breve pesquisa para saber quantos participantes estão felizes com o que fazem. Nunca comprovei um resultado superior a 50% de satisfação, sinal de que a maioria das pessoas está infeliz e, de alguma forma, pelo menos naquele instante, encontram-se no lugar errado, na empresa errada ou no cargo errado. A tecnologia e o conforto do mundo moderno não foram capazes de eliminar a eterna carência do ser humano nem a pressão cada vez mais assustadora por lucros e mais lucros.

Ganhar dinheiro é bom e necessário, mas o lucro deve representar um mínimo de dignidade. Lamentavelmente, em nome do lucro, a pressão torna-se o instrumento preferido dos líderes, dos acionistas, dos donos em geral como se isso fosse algo normal que qualquer profissional tem a obrigação de aceitar, afinal, quantos milhares dariam a vida para estar ali no lugar dele?

Em pleno Século 21, o forno de microondas faz sucesso na cozinha e a panela de pressão continua fazendo sucesso nas organizações, principalmente nas sociedades anônimas onde os donos são praticamente desconhecidos e o que conta mesmo é o valor das ações. Como a possibilidade de os acionistas se reunirem para discutir o significado da palavra dignidade é mínima, a pressão acaba incorporada naturalmente. Medo, insegurança, necessidade e responsabilidade acima de tudo afetam o moral dos profissionais que aceitam todo tipo de pressão enquanto não conseguem livrar-se das amarras do poder.

Quem não estiver contente pode escolher entre ir embora e mudar de emprego. Em nome do lucro tudo é permitido, pressão, humilhação, desvarios, rompantes, demissões aos montes, assédio moral, altos e baixos do presidente, dos acionistas, dos gerentes despreparados. Além disso, executivos e mais executivos trocados em curtos intervalos de tempo, cada qual com sua política mirabolante, cheios de promessas e formas completamente diferentes de pensar contanto que o resultado apareça e o valor das ações seja sustentado na Bolsa.

Milhares de reais investidos em treinamento não são suficientes para aplacar a voracidade do capital. Ao contrário, são investidos para a multiplicação do capital, portanto, as perspectivas de redução da pressão são pouco animadoras ainda que você mude de chefe, de emprego, de empresa ou de cidade, não importa o cargo nem o salário.

A pressão no mundo dos negócios é inevitável e alguns se arriscam a dizer que isso é bom, só não dizem para quem. Por trás de tanta pressão existe a depressão, aliás, uma é reflexo da outra. A depressão é o mal do século e apesar das recentes tentativas de melhoria do ambiente de trabalho através de treinamento, palestras, ginástica laboral e outros artifícios criados para enfeitiçar os trabalhadores, a realidade é cruel, porém somos impelidos a pensar o contrário. Basta ler uma revista de negócios e a impressão que você tem é a de que todo mundo está bem, menos você.

Segundo Albert Camus, grande filósofo francês, "não existe dignidade no trabalho quando nosso trabalho não é aceito livremente", portanto, para evitar que você se torne a próxima vítima da pressão seguida de uma profunda depressão em nome do lucro, algumas atitudes são fundamentais para quebrar a ansiedade e reduzir a pressão imposta sobre seus ombros. Avalie e reflita sobre elas.

1. O mundo corporativo sobrevive sem você, portanto, trabalhe duro, mas não seja refém do trabalho; contribuir e fazer mais do que o normal não significa sujeitar-se à escravidão imposta pelo mercado ou pela incompetência superior;

2. Tenha brio e amor próprio e nunca demonstre fraqueza diante da pressão; seja mais forte do que ela e imagine que é apenas uma condição transitória;

3. Mude de emprego quantas vezes for necessário; apesar de não resolver o problema, uma nova perspectiva se abre quando você se propõe a mudar e acreditar num ambiente mais digno;

4. Sorria, apesar de tudo. Sorrir descaradamente ameniza a pressão, fortalece o moral e reduz as chances de se tornar um deprimido comum.

Por fim, lembre-se: não há dinheiro no mundo que pague o ar de felicidade da família quando você entra em casa contente, disposto e sorridente depois de mais um dia extenuante de trabalho. Pense nisso e seja feliz.

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ONDE PROCURAR EMPREGO?

Quarta, 29 de Agosto de 2007
São vários os fatores que conduzem as pessoas ao mercado de trabalho, entre eles a busca pelo primeiro emprego, a procura por uma atividade mais adequada ao perfil profissional, um trabalho mais prazeroso, a vontade de mudar de área ou o desemprego.

Independente do motivo, quando um profissional está "disponível" no mercado de trabalho o que ele mais deseja é conseguir uma (re)colocação. Então, onde procurar emprego?

Candidatura Espontânea
Você não precisa esperar a divulgação de uma oportunidade para enviar seu currículo a uma determinada empresa. Faça isso espontaneamente! Entre em contato com o RH da organização e envie seu currículo juntamente com uma carta comunicando seu interesse. Seja objetivo, formal e sensato. A persistência é uma característica interessante, mas não podemos dizer o mesmo da insistência. O profissional de RH deve se lembrar de um candidato interessado, e não enfadonho.

Resposta a Anúncios
Nos anúncios de emprego as empresas informam como desejam receber os currículos. Siga a orientação e juntamente com o currículo envie uma carta de apresentação. Se enviar o currículo por e-mail substitua a carta por uma mensagem eletrônica, objetiva e elegante.

Agência de Emprego
As agências de emprego recebem diariamente centenas de dezenas de currículos, o que nos faz pensar que algum deles pode não ser lido. E isso pode acontecer mesmo! Para não cair no esquecimento mantenha seu cadastro e seu currículo sempre atualizados. Acompanhe as oportunidades divulgadas pelas agências e envie um currículo específico para aquelas de seu interesse e qualificação.

Empresas de Recolocação
Empresas de recolocação prestam serviço de orientação ao profissional que procura uma oportunidade. Facilitam sua (re)inserção no mercado indicando-o para as empresas solicitantes e preparando-o para o processo seletivo. Ao contratar os serviços de uma empresa de recolocação peça referências e verifique sua idoneidade.

Entidades de Classe
São as associações, conselhos e sindicados profissionais. As entidades de classe, além de reunirem informações diversas sobre uma profissão especifica, mantêm contato com empresas intermediando a contratação dos profissionais. Filie-se e acompanhe a divulgação das vagas.

Órgãos do Governo
Existem órgãos do governo que atuam voltados para o apoio ao trabalhador, encaminhando-o para cursos de qualificação, comunicando oportunidades de emprego e intermediando sua contratação. Procure o órgão atuante em sua região e cadastre-se gratuitamente.

Internet
Uma opção bastante usual em tempos de avançada tecnologia é a internet. As empresas cadastram suas oportunidades de emprego em sites especializados e os candidatos enviam seus currículos. A internet é muito utilizada pelas empresas, que através dela otimizam o processo seletivo. Além dos sites especializados você também pode participar de fóruns e de redes de relacionamento profissional.

Indicação
As pessoas com quem você se relaciona podem representar uma porta para seu novo emprego. Através dessas pessoas você pode ter acesso às vagas que não são divulgadas na mídia, e também se aproximar do responsável pela contratação. Mas não pense que o simples fato de ser indicado basta. É preciso que você mostre suas competências.

Estágio
Muitas empresas investem em programas de estágio e em programas trainee, considerando os benefícios da formação profissional. Para isso divulgam suas oportunidades na mídia ou entram em contato diretamente com as instituições de ensino. Fique atento às divulgações e mantenha um relacionamento próximo com os coordenadores de cursos.

Bom, seja qual for a opção escolhida por você o envio do currículo é inevitável.

Colaboradora: Daniela Guimarães