Tom Coelho
Segunda, 20 de Outubro de 2008
“Quando falares, procura que as tuas palavras sejam melhores que o teu
silêncio.”
(Provérbio Indiano)
Tratando-se de comunicação, é impossível deixar de abordar a importância de
aprender a falar em público.
Pesquisas feitas em diversos países indicam que o medo de falar em público é tão
significativo que chega até a superar o medo da morte!
Independentemente de sua posição profissional ou social, em algum momento será
necessário falar para uma platéia. Pode ser durante uma reunião na empresa, na
apresentação de um trabalho acadêmico, durante um evento social ou mesmo em
ocasiões informais com os amigos.
A boa notícia é que todos nós podemos aprender técnicas para falar em público,
superando receios e constrangimentos, alcançando êxito na transmissão da
mensagem.
Em 1998 eu nem sequer imaginava que um dia poderia seguir uma carreira como
palestrante profissional. Na ocasião, enquanto empresário, identifiquei a
necessidade de melhorar minha comunicação e procurei o Instituto Reinaldo Polito
para fazer seu Curso de Expressão Verbal. Muitos foram os ensinamentos que
guardo comigo e aplico até hoje. E, embora não seja o propósito desta obra,
gostaria de compartilhar algumas dicas práticas que aprendi com meu mestre e
amigo Reinaldo Polito, indiscutivelmente a maior referência em oratória de
nossos tempos.
1. Domine o tema. Procure falar a respeito de um assunto sobre o qual você
tenha domínio. Pode ser fruto de sua experiência pessoal, acadêmica ou
profissional. O fato é que conhecer o assunto com certa profundidade torna sua
exposição mais original, espontânea e cadenciada, conferindo-lhe maior
tranqüilidade e credibilidade. Em 2005, após apresentar a palestra “Sete Vidas”,
na Adidas do Brasil, o presidente da empresa, Marcelo Ferreira, solicitou-me uma
palestra sobre administração do tempo. Na ocasião, informei-o de que esse tema
não constava de meu portfólio e que precisaria prepará-lo. Durante seis meses li
uma variedade de livros sobre o assunto até estar pronto para discorrer sobre o
tema. Hoje esse é um de meus objetos de estudo favoritos e a palestra
“Construindo um Dia de 30 Horas” um dos temas mais requisitados.
2. Conheça seus ouvintes. Saiba previamente com quem irá falar e busque
informações sobre seu perfil. Cada audiência demanda uma abordagem
diferenciada, porque tem características e expectativas próprias. Imagine como
dirigir-se a estudantes e executivos, jovens e idosos, pós-graduados e pessoas
com menor instrução. A linguagem e os exemplos seguramente serão distintos em
cada situação.
3. Conheça o espaço físico. Visite com antecedência o ambiente no qual
irá discursar. Avalie suas dimensões e o impacto sobre a acústica, a disposição
dos assentos em relação ao palco ou ao local em que você ficará postado, o
índice de luminosidade, as áreas de circulação. Mais do que tudo isso, perceba o
ambiente a fim de sentir-se confortável no momento da exposição. Em 2006, na
Celulose Nipo-Brasileira (Cenibra), fui convidado a ministrar a palestra de
encerramento da Sipat. O local era improvisado, a fim de permitir a participação
de um maior número de colaboradores e a tela de projeção era diretamente afetada
pela luz do sol. Por conhecer essa situação previamente, alterei o conteúdo de
minha apresentação, excluindo imagens e vídeos que não seriam visíveis naquelas
condições, sem prejuízo à mensagem final.
4. Use a roupa certa. Terno e gravata para homens, tailleur para as mulheres,
certo? Não necessariamente. Dependendo das características do evento, um
traje mais informal pode ser recomendável e garantia de sucesso. Já participei
de convenções de empresas nas quais substituí o conjunto camisa social, gravata
e paletó pela camiseta com o tema do evento. Isso gera proximidade e sinergia
com os participantes.
5. Dê colorido à sua voz. Uma palestra tem como característica o fato de
ser, em essência, um monólogo, ainda que o conferencista utilize recursos
variados, incluindo a participação da platéia. Por isso, durante a exposição,
alterne a entonação e a velocidade da voz, ora falando mais alto, ora
sussurrando; ora discorrendo pausadamente, ora acelerando as frases.
6. Pronuncie bem as palavras. Além de pronunciar as vogais em ditongos e
os “r” e “s” em finais de palavras, atente para evitar o uso de cacofonias como
“né”, “ããã”, entre outros, uma vez que estes podem comprometem a qualidade da
comunicação. Procure sempre aprimorar sua dicção, articulando com correção
palavras e sons.
7. Cuidado com o vocabulário. A linguagem utilizada na comunicação deve
estar alinhada ao perfil dos participantes. Assim, jargão profissional e termos
técnicos podem ser utilizados com seus pares, mas são inadequados para uma
audiência heterogênea. Além disso, tenha atenção especial em relação às regras
gramaticais, conjugação de verbos, concordância, coesão e coerência textual.
8. Use a expressão corporal. Albert Mehrabian, professor emérito de
psicologia da Universidade da Califórnia (UCLA), conduziu a partir de 1967
estudos que originaram a Teoria 7-38-55, publicada no Journal of Consulting
Psychology com o título “Inference of attitudes from nonverbal communication in
two channels”. O estudo indica que no processo de comunicação, somente 7% do
impacto da mensagem decorre de seu conteúdo, 38% da comunicação verbal
(intensidade e velocidade da voz) e 55% da linguagem não-verbal (gestos,
postura, contato visual). Portanto, o sucesso da comunicação interpessoal não
está naquilo que você diz, mas em como diz.
9. Conquiste a atenção dos ouvintes. Olhe com atenção para a platéia,
percorrendo todo o ambiente. Movimente-se para alterar o campo visual de
atenção. Aproxime-se das pessoas e procure interagir com elas. Perceba os sinais
emitidos, de interesse ou dispersão em sua mensagem, alterando, assim, a
abordagem, seja por meio de inflexão de voz ou de mudança no foco temático. A
ordem é persuadir e cativar o público. E lembre-se: os primeiros minutos de sua
exposição são fundamentais. É o momento em que as pessoas estão mais desarmadas
e suscetíveis a serem conquistadas por você. Em minhas palestras, costumo aliar
recursos audiovisuais a fim de ganhar a atenção dos participantes com sons e
imagens que se integrem à minha voz e ao conteúdo transmitido.
10. Cultive o bom humor. Conduza sua apresentação com naturalidade e
descontração, transmitindo a mensagem desejada de forma agradável, com
tranqüilidade e toques de bom humor. Um semblante sereno e um sorriso autêntico
são capazes de quebrar resistências, mudar opiniões e romper barreiras
aparentemente intransponíveis.
11. Cuidado com piadas e desculpas. Bom humor não remete necessariamente
a contar piadas. Todavia, caso deseje fazê-lo, evite piadas de cunho político e
religioso, pois é grande o risco de agradar a alguns e ferir outros tantos.
Também é aconselhável evitar desculpar-se em razão de problemas físicos, por
exemplo. Se estiver resfriado, ao desculpar-se por seu estado no início da
apresentação, fará com que a audiência concentre-se ainda mais em seu problema,
o qual poderia até passar despercebido.
12. Planeje o discurso. Começo, meio e fim. Definir uma estrutura lógica
para sua apresentação ajudará você a concatenar suas idéias, facilitando o
entendimento da platéia. Faça a abertura informando sobre o que irá falar,
desenvolva o raciocínio e conclua, trazendo um pequeno resumo antes do
fechamento. Se pretender apresentar uma solução para um problema, informe antes
qual é o problema.
13. Fale de improviso. Esse é um reforço da recomendação inicial de se
dominar o assunto que será abordado. É importante ter uma estrutura de discurso
mentalmente definida, conforme mencionado, mas não se apegue a isso como
cartilha, e sim como um guia. Esteja livre para mudar o conteúdo e a ordem de
sua apresentação. E lembre-se de que imprevistos ocorrem, como problemas
técnicos com equipamentos que podem interferir em seu desempenho.
14. Responda a perguntas. Coloque-se sempre disponível para responder aos
questionamentos dos participantes. É evidente que para fazê-lo você deverá
dominar o tema, mostrando-se preparado para um eventual debate, inclusive
oriundo de uma platéia hostil. Mantenha a serenidade e não se acanhe em declinar
de perguntas para as quais desconhece a resposta. Demonstre uma postura segura.
Momentos preciosos tenho vivenciado ao término de minhas palestras quando há a
oportunidade de interagir de perto com os presentes. Minha experiência tem
demonstrado que o questionamento de um corresponde à dúvida de outros,
permitindo-me, inclusive, escrever posteriormente sobre o assunto em pauta.
15. Capriche no encerramento. Uma mensagem poderosa e consistente ao
término de sua apresentação poderá ganhar a simpatia dos ouvintes, inclusive
daqueles que estiveram reticentes ao longo de toda a explanação. Sempre finalizo
minhas palestras declamando um poema com texto alinhado ao tema apresentado.
Conforme relatei no início, meu intuito foi somente compartilhar algumas
sugestões. Essas dicas e muitas outras podem ser encontradas com maior
detalhamento e riqueza de exemplos nas obras do professor Reinaldo Polito.
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Fernando Gomiero
Sexta, 1 de Fevereiro de 2008
Um número respeitável de empresas ainda não se curva ante a necessidade de adequação às novas regras de mercado, imposição do mundo globalizado e uma disputa cada vez mais acirrada pelo mercado. Elas permanecem alheias ao movimento, mantendo-se inertes mesmo diante do perigo que representa a forte pressão exercida pela concorrência internacional. É com essa visão imediatista que elas entram num estado degenerativo, fortemente alavancado por preceitos antiquados e idéias ultrapassadas.
As empresas que almejam manter-se em pé de igualdade com a concorrência devem ajustar a sintonia e adequar suas idéias à nova filosofia do mercado. Exatamente como vêm fazendo inúmeros empresários que, com outra mentalidade, acompanham as tendências mercadológicas e usam a criatividade na busca de alternativas que ofereçam vantagens competitivas no confronto com a concorrência. Ou seguirão tentando apenas sobreviver em meio às dificuldades cada vez maiores, num espaço cada vez mais reduzido.
 O processo de adequação é muito simples. O primeiro passo, fundamental para o sucesso, é a mudança gradual e muita bem planejada, da mentalidade institucional, dispensando-se especial atenção àquelas pessoas mais reticentes e resistentes a mudanças, que poderão passar uma falsa impressão de adesão se não forem bem trabalhadas, especialmente em se tratando dos líderes, que terão a incumbência de trabalhar as mudanças junto aos colaboradores.
Em seguida, tão importante como o primeiro passo, é exatamente a tarefa de convencer os colaboradores. Será preciso promover uma verdadeira revolução nas cabeças mais tradicionalistas e inflexíveis. Muita argumentação e paciência ao desenhar o novo cenário da organização, ajustando-o da forma mais convincente possível à nova realidade do mercado, de modo a facilitar o entendimento e a conseqüente adesão, inclusive a dos mais radicais. Uma tarefa árdua, já que, devido à própria dinâmica do mercado, eles, os colaboradores, não conseguem acompanhar os avanços e inovações que acontecem no dia-a-dia. É um trabalho que pode significar a adesão de todos e a garantia de bons resultados para o empreendimento.
Aí entra o papel ativo dos líderes. Eles devem conhecer muito bem o funcionamento do mercado, o comportamento dos consumidores e da concorrência, e ter uma boa intuição para enxergar oportunidades futuras e as armadilhas do mercado. Com persistência e devidamente sintonizados com as inovações, eles terão a incumbência de orientar os colaboradores. Primeiro, sobre a necessidade de esquecerem as idéias e padrões ultrapassados. Em seguida, sobre os novos rumos, os conceitos de gestão, os avanços tecnológicos, a informatização, as ferramentas empresariais, as informações sobre o mercado, a concorrência e as exigências do consumidor, enfim, tudo o que for necessário para um perfeito encaixe das engrenagens que tocarão a "nova" empresa.
Contudo, em nenhum momento a cautela pode ser deixada de lado, sob risco de um fracasso. As mudanças devem acontecer gradualmente e no tempo certo, pois qualquer precipitação pode levar a desconfiança aos colaboradores mais resistentes a mudanças, o que seria fatal para todo o projeto.
Há vários mecanismos que podem auxiliar, e muito, no planejamento e desenvolvimento de um projeto dessa natureza, e devem ser valorizados pelas empresas, pois representam uma garantia de bons resultados. Gestão Participativa, Plano de Carreira, Qualidade de Vida, Gestão do Conhecimento, Instrumentos Empresariais, Abertura de Mercado, Globalização, Fusões, Parcerias, Sistemas de Informação, Treinamentos, Universidade Corporativa, E-Learning, Softwares de Gestão, Solucionadores de Problemas, Delegação de Poderes, Governança Corporativa, Participação nos Lucros e Resultados, entre outros, estão aí quee vieram para ficar. São realidades que fazem a diferença.
Categorias:
Concorrência, Vantagem Competitiva, Quebra de Paradigma, Comportamento do Consumidor, Gestão Participativa, Plano de Carreira, Regra de Mercado, Tendência Mercadológica, Comportamento da Concorrência, Ferramenta Empresarial,
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Administrador
Quarta, 29 de Agosto de 2007
Para todas as pessoas que já possuíam ativos, as reformas financeiras foram uma bênção extraordinária. É como se aparecesse uma fada e com sua varinha de condão tivesse aumentado as contas bancárias. Mas a pergunta que se faz agora é o que a fada vai fazer (se realmente pensa em fazer alguma coisa) pelas pessoas que não tinham ativos financeiros em 2002, quando começou a expansão.
A magnitude dessa riqueza financeira que se materializou como por mágica é enorme. O valor das ações listadas no Brasil, por exemplo, cresceu de US$ 94,8 bilhões no terceiro trimestre de 2002 para pouco mais de US$ 1 trilhão em julho deste ano. Durante esse mesmo período, o montante administrado pelos fundos de pensão privados no Chile cresceu de US$ 33 bilhões para US$ 100,9 bilhões. O aumento foi de aproximadamente US$ 4.250 per capita. Mas a riqueza não se acumulou igualmente para todos os habitantes do país. Os lucros beneficiaram desproporcionalmente aqueles que tinham as ações que mais se valorizaram.
A pergunta é como conseguir lucros para os que, até agora, têm ficado de fora dessa festa. Essa idéia sempre esteve no ar, mas agora é urgente. A crítica é que os países que conseguiram grandes resultados com as reformas financeiras não têm feito o suficiente para levar os benefícios às classes média e baixa. Já os ricos ficaram extraordinariamente ricos. Caso sejam necessárias provas, o mexicano Carlos Slim ultrapassou Bill Gates como a pessoa mais rica do mundo. Todavia, enquanto isso, os assalariados de classe média estão no mesmo nível.

Há uma ampla gama de medidas que os países podem tomar. Muitas parecem atraentes, mas devem ser analisadas com cuidado porque podem enfraquecer ou descarrilhar a expansão financeira. A inovação que se discute aqui cria um novo tipo de ativo financeiro, que os participantes do mercado de capital poderiam comprar ou vender da mesma maneira que fazem com bônus ou ações. Ele funcionaria porque os mercados de capitais da região conquistaram a capacidade de captar e distribuir dinheiro. A inovação usa uma técnica moderna para fazer uma pequena, mas crucial mudança de risco em alguns tipos de bônus. Seu objetivo deverá ser o de canalizar grandes montantes para atividades novas e promissoras que hoje não recebem tanto financiamento quanto necessitam.
Como os mercados de capitais nacionais estão canalizando dinheiro para grandes empresas em vários países da região, apenas se devem modificar ligeiramente os fluxos de crédito nesses países de forma que os mercados canalizem o crédito para empresas menores. Estas, incluindo as que têm potencial para crescer rapidamente, não têm podido atrair muito financiamento porque são muito arriscadas. Tenta-se emitir bônus, mas os investidores são reticentes em comprá-los.
Uma maneira de resolver esse problema é identificar um grupo diversificado de empresas médias, por exemplo, vinte empresas de diferentes setores, de forma que seus riscos não estejam relacionados. Cada uma delas emite notas promissórias. Em seguida, juntam-se as notas em um grupo, que deve oferecer menos riscos que os papéis individuais que o compõem. O passo seguinte deve ser o de convidar investidores a comprar participações nesse pool.
Criar pools de notas arriscadas ajuda a reduzir o risco, mas o risco de investir em uma parte de um pool ainda pode ser grande. Um passo adicional é comprar uma garantia para esse fundo em uma seguradora internacional de primeiro nível. A garantia dá ao investidor um seguro contra perdas ou contra perdas maiores. Essas garantias já têm sido usadas na América Latina para conseguir financiamentos a projetos de infra-estrutura e não são proibitivamente caras. As companhias de seguro que as emitem são especialistas em avaliação de riscos e têm força financeira para cobrir as garantias que oferecem. Esse novo tipo de intermediação de risco pode superar um obstáculo que no passado bloqueou o acesso ao financiamento para muitas empresas médias na América Latina.
A inovação proposta deve ter um grande efeito. Essa afirmação fia-se em que, caso as companhias médias consigam financiamento suficiente, vão criar mais postos de trabalho. Além disso, essas vagas terão mais valor agregado, como salários maiores. Essa inovação pode ajudar a conservar os trabalhadores jovens e altamente qualificados, que constantemente recebem ofertas de empregos mais de acordo com seu nível.
John C. Edmunds Doutor em Administração de Empresas pela Universidade de Harvard, professor de finanças do Babson College em Boston e co-autor de Wealth by Association
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