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Como vender qualidade, competindo com preço baixo? Parte I

Quarta, 22 de Outubro de 2008
A questão é simples: como uma empresa que tem produtos e serviços muito superiores, com preços mais altos, consegue lidar com concorrentes que tem produtos e serviços inferiores, mas preços mais baixos?

A questão toda, aqui, gira em torno da relação custo-benefício. Nesse caso, os benefícios percebidos pelos clientes são iguais ou levemente menores nos concorrentes do que na sua própria proposta, e o preço dos concorrentes é mais baixo. O resultado final é que os clientes acabam comprando do concorrente. Mostrando de forma simples:

Benefícios empresa A=10 Preço (custo) empresa A=2,5 Relação C/B: 4

Benefícios empresa B=8 Preço (custo) empresa B=1,6 Relação C/B: 5

Nesse exemplo, obviamente simplificado ao excesso, já dá para entender que a grande maioria dos clientes tenderá a comprar da empresa B.

O mercado se divide entre quem vende benefícios e quem vende preço. Quem vende preço é paranóico e surdo. Qualquer argumento que for usado, eles só respondem uma coisa: “mas é mais barato”. Repetem isso até a exaustão, mesmo nas situações mais esdrúxulas. Repetem tanto que acabam convencendo os clientes. Aí o pessoal que vende qualidade, ao invés de usar a mesma estratégia e repetir paranoicamente a questão dos benefícios, não... pede desculpas pelo preço. E apanham no mercado quando isso acontece.

Vamos começar com benefícios. Um dos maiores erros que vejo é a tendência exagerada que empresas de excelente qualidade têm em enfatizar aspectos técnicos sem vincular isso diretamente a um benefício para o cliente. É o famoso “E daí? E o Kiko (o kikotenhocomisso)? Por exemplo: “Este tênis tem molas de titânio”. E daí? Mola de titânio não vende. Tem de traduzir isso para que o cliente entenda e perceba um benefício.

A maneira mais simples de resolver isso é aplicando a fórmula: “X tem Y, então Z”. Traduzindo: “Este carro tem motor 1.0, então é mais econômico”. “Este tênis tem molas de titânio, então o impacto é menor”. Veja que dá para melhorar: qual o benefício final de ser econômico? Qual o benefício final se ter menos impacto? Todo material da empresa, seja folder, panfleto, anúncio ou site deve reforçar os benefícios, baseando-se nos fatos técnicos e reforçando a qualidade, mas sempre trazendo de volta para o benefício.

Agora surge um outro problema: poucos clientes têm realmente condições de julgar tecnicamente se um produto ou serviço é realmente superior ao do concorrente, principalmente quando falamos de business to consumer (em business to business é um pouco diferente, porque subentende-se que tem um comprador técnico negociando do outro lado). Então empresas com qualidade superior tem de ser paranóicas na questão “treinamento de clientes” – educar os clientes a comprar, a fazer perguntas, a comparar.

Cursos, livros, treinamentos, artigos, demonstrações, estudos técnicos, pesquisas, utilizar testemunhais... enfim, existem dezenas de formas de mostrar ao mundo que seu produto ou serviço é realmente superior, e raramente vejo isso ser usado no Brasil. Se você for aos EUA, por exemplo, verá que eles têm números, gráficos e estudos para comparar tudo. No Brasil é tudo no achismo. E por achar, bons e maus concorrentes acabam misturados todos no mesmo saco. O cliente fica confuso e acaba comprando o mais barato.

Se você vende qualidade, é seu dever demonstrar a diferença de forma séria, porém criativa. Lembre-se também de fazer pós-venda. Não adianta falar para o cliente que sua vida vai mudar depois de comprar de você, e um mês depois nem lembrar mais que ele existe. Agora que ele comprou de você, você é responsável pelo sucesso do seu cliente enquanto a relação durar. Fazendo isso, você estimulará não só a recompra, mas também o marketing boca a boca.

Confira na parte dois o próximo ponto. Até lá!

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O que há de errado com a tal zona de conforto?

Quarta, 17 de Setembro de 2008
Em princípio não há nada de errado! Aliás, conforme o caso, ela chega a ser um fato propício, positivo, a indicar uma situação de excelência em equilíbrio dinâmico. Ou seja, uma condição sujeita a aperfeiçoamento e manutenção periódica. Mas parece que a ordem é malhar o conforto, como se o estilo de vida ideal fosse viver na zona do desconforto.

Então, bom mesmo é dormir numa cama de faquir; banho de chuveiro só com água gelada mesmo no inverno; almoçar jiló, quiabo, escarola e tomar chá de boldo.

Ou, dentro da Organização, trocar toda e qualquer ferramenta gerencial que estiver dando certo para testar outras ainda não validadas e que nos darão dor de cabeça, estresse, custos de implantação e incertezas quanto aos resultados.

Ao passageiro que assim pensa desejo boa viagem.

Para variar, os criadores de modismos e os que lhes dão ouvidos insistem em violentar o simples, barato e correto senso comum que recomenda que “nem tanto ao mar nem tanto a terra”. Em outras palavras, a questão não é mudar e sim melhorar.

Será que não estamos confundindo ansiedade, necessidade de adrenalina, personalidades estressadas por natureza, inquietação com criatividade, empreendedorismo e melhoria continua?

Quando se atinge um patamar de excelência é possível alcançar os objetivos com menos sangue, suor e lágrimas. Em geral, nós ocidentais admiramos a elegância das artes marciais do oriente, o auto controlado do Samurai, a sapiência Zen, mas parece que só podemos vivenciá-las se estivermos com os nervos na flor da pele.

Isso é um equívoco. A excelência pessoal e organizacional não exclui harmonia, paz, tranqüilidade e serenidade, pelo contrário, eles são essências para quem busca a excelência.

O desconforto é aceito voluntariamente desde que tenha data de início e de término e, acima de tudo, que os esforços desprendidos deságüem num paraíso de confortos.

Sim, falo de saúde, educação dos filhos, casa própria, viagens, carros último tipo, bons restaurantes, aposentadoria e outras comodidades que a vida oferece.

Excetuando que tem vocação para Sisifo que, condenado pelos deuses para a eternidade a rolar um pesado rochedo montanha acima, para ter que repetir o mesmo ato no dia seguinte porque a pedra rolava durante a noite morro abaixo, ninguém pensa em estresse eterno.

Portanto, os investimentos que fazemos em nossas carreiras e os esforços organizacionais para aperfeiçoar a qualidade visam a zona de conforto e não o desconforto como estilo de vida.

Então, caro leitor, fique ligado e escute com um ouvido as histórias dos gurus e com o outro ouvido e órgãos do sentido, preste atenção no chamado da vida. A tempestade é bem vinda apenas porque a ela sucede à bonança.

Sangue, suor e lagrimas: tudo bem, mas apenas na medida do inevitável. Depois, sombra e água fresca.

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Metas

Quinta, 28 de Agosto de 2008
Existem dois momentos do ano em que todo mundo pára para repensar sua vida. Alguns de maneira mais rápida e superficial, outros de forma mais profunda. Mas não há como fugir: tanto na virada do ano quanto no seu aniversário, é impossível não dar um suspiro, pensar em como o tempo passa rápido, em tudo o que aconteceu e no que ainda está por vir. Essa também é uma boa hora de estabelecer metas e ver se atingimos aquelas que havíamos dito que atingiríamos no ano passado. Gosto muito de uma frase de Earl Nightingale, que diz que a felicidade é a realização progressiva de uma meta valiosa. Vou aproveitar para falar sobre metas, porque não acredito que exista sucesso sem metas.

Metas sempre foram importantes, mas a comprovação mais radical disso foi publicada por Mark McCormack, no seu livro O que Não Ensinam em Harvard. Posso já ter falado sobre isso antes, mas sempre vale a pena repetir. Perguntaram a todos os MBAs de Harvard que estavam se formando: “Você tem objetivos claros e definidos, colocados no papel, com um planejamento para atingi-los?”. 3% dos graduandos tinham metas, haviam colocado no papel e se planejado para alcançá-las. 13% tinham metas, mas não haviam colocado no papel. 84% não tinham meta alguma. Dez anos depois, os pesquisadores foram verificar como estava a vida profissional dos entrevistados. Veja que interessante: descobriu-se que os 13% com objetivos ganhavam, em média, duas vezes mais do que os 84% sem objetivos. Mas o mais impressionante é que os 3% com objetivos no papel (e planejamento) ganhavam dez vezes mais do que os outros 97% juntos.

Mesmo assim, continuamos vendo profissionais de vendas “brincando” de metas e gerentes “brincando” de cobrá-las. Exemplo típico: outro dia eu estava dando uma palestra em uma empresa cuja meta para o ano é faturar X milhões. O presidente da empresa abriu o encontro falando sobre a meta. O diretor comercial abriu minha palestra falando sobre a meta. No meio da palestra, fiz uma dinâmica rápida sobre estabelecimento de metas. Pedi que os vendedores fizessem uma lista de suas metas para o ano. Todo mundo olhou como se estivesse falando grego (em janeiro, em uma empresa-líder no Brasil no seu ramo e ninguém tem meta?). Expliquei rapidamente como estabelecer algumas metas e dei cinco minutos para fazerem sua lista. Ao final do tempo, pedi que lessem a lista. Nenhum deles colocou “ajudar minha empresa a faturar x milhões” – que era o único motivo pelo qual estavam todos ali. Ao cobrar isso da turma, um dos vendedores mais veteranos ainda teve o descaramento de dizer: “Mas eu coloquei na minha lista”. “É mesmo?”, perguntei – “deixe-me ver”. E fui até sua mesa. O papel estava em branco. O vendedor ficou vermelho, lógico, porque não esperava que eu fosse conferir. Os amigos e colegas tirando sarro e rindo. E o gerente dele ali, na frente. Vendedor mal-educado é como criança mal-educada: a culpa não é da criança, é dos pais. Mesma coisa com um vendedor.

A verdade é que as pessoas não estabelecem objetivos por várias razões. A primeira, e talvez principal, é que não acham que seja importante. O estudo de Harvard mostra que é com certeza. A segunda razão é que simplesmente não sabem estabelecer metas. Algumas pessoas têm sonhos, devaneios e fantasias e acham que são metas. “Gostaria de ser rico”, por exemplo, não é uma meta. Uma meta é clara, específica, objetiva, por escrito e com data. Terceiro, as pessoas têm medo de colocar uma meta e não conseguir atingi-la porque isso é frustrante. Então muitas pessoas preferem a mediocridade da acomodação ao risco (e a recompensa) de ter planos e metas. Quarto, e último, as pessoas têm medo da rejeição e do ridículo, de passar vergonha em público por ter estabelecido uma meta e não tê-la atingido. Mas em um ambiente positivo, com um gerente inteligente, o não-atingimento de uma meta pode ser uma ferramenta muito valiosa de desenvolvimento para o vendedor – basta fazer as perguntas certas e agir corretivamente.

A verdade é que metas e objetivos nos dão um senso de propósito, de direção. Ao atingir suas metas, você vai sentir-se mais energizado, mais confiante, capaz de buscar desafios ainda maiores. Mais importante de tudo: ao estabelecer suas metas, você assume o controle da sua vida. Pense em como isto é importante: se você não estabelecer suas metas, alguém vai estabelecê-las por você. E essa com certeza não é a marca de um vendedor campeão.

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Marketing Sensorial

Quinta, 24 de Abril de 2008
"Não existe uma segunda chance de se causar uma primeira boa impressão."
(Al Ries & Jack Trout)

São Paulo é uma cidade pródiga em pizzarias. Dentre as opções tenho grande estima por uma casa chamada "1900", assim nomeada por ter se estabelecido em um galpão do início do século passado, preservando sua arquitetura original. Mais do que o ambiente acolhedor, a excelente comida e o chopp bem tirado, o que a notabiliza é a qualidade do atendimento.

Por cultivar a mudança, resolvi conhecer "A Tal da Pizza", elogiada pelos críticos como uma das melhores pizzarias do país. Considerada um case de marketing, promoveu uma inovação no serviço. Não há garçons. O próprio consumidor se encarrega de buscar sua bebida, registrando-a num cartão de consumo. Os pratos são solicitados no caixa e levados até a mesa onde, dada a ausência proposital de talheres, come-se com as mãos. O menu é belíssimo, desfilando alguns recheios inusitados e de admirável paladar.

Mas ao lado destes diferenciais, há muitos pontos de discórdia. O primeiro deles, a localização. Além da falta de sinalização no trajeto e de uma informação equivocada no mapa no site, a casa não apresenta letreiro visível em sua fachada. Depois, o atendimento. Embora teoricamente seja possível reunir até quatro diferentes sabores numa mesma pizza, muitas combinações são simplesmente proibidas. Não se mistura doce com salgado, ou ainda duas variações doces num mesmo prato, entre outras sucessivas exceções - que se tornam regras.

Porém, nada é mais questionável do que o fato de os preços não serem claramente disponibilizados no cardápio, o que contraria as normas do Código de Defesa do Consumidor. Pior, os valores praticados de fato foram 50% superiores aos informados por telefone.

Marketing Sensorial, também batizado como Marketing de Experiência, é uma estratégia de buscar a fidelização do consumidor através de um processo de diferenciação na prestação do serviço que vai além de ações como cores que cativem a atenção, aromas que proporcionem a tranqüilidade, sons que estimulem a permanência num ambiente, sabores que surpreendam o paladar. Trata-se de remeter o cliente a uma percepção de valor única e inequívoca, proporcionando-lhe uma vivência memorável que o estimulará a repetir e difundir a experiência de consumo, independentemente do preço.

No composto mercadológico da Madia Marketing School, este aspecto está representado pelo que Francisco Alberto Madia de Souza cunhou como "Percognitiom", ou seja, uma soma seqüencial de percepção, reconhecimento, reputação, experimentação, convivência, imagem e marca.

Retomando o início do texto, o que marcou minha experiência em "A Tal da Pizza" não foi o fantástico sabor das massas, a decoração aconchegante ou o som da música ao vivo. Estas virtudes foram obscurecidas pelo descuido no atendimento e pela forma desleal como os preços foram praticados.

A impressão que tive é de ter sido apenas "mais um" consumidor, como se o propósito do estabelecimento - bem sucedido, por sinal, com filial até no exterior - fosse gerar tráfego a partir da curiosidade. Afinal, há muitos aspirantes a uma visita para conhecê-los, ainda que não mais retornem...

Enquanto isso, continuarei assíduo freqüentador da "1900"!

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DIAGRAMA DE CAUSA E EFEITO: ESPINHA DE PEIXE

Sexta, 18 de Abril de 2008
O diagrama de Ishikawa se apresenta como uma ferramenta de qualidade muito eficiente na identificação das causas e efeitos relacionados com a maioria dos problemas detectados em uma organização. A exemplo do que ocorre na maioria das empresas, os pontos fracos acabam por gerar inúmeras dificuldades e problemas operacionais, com grandes e inevitáveis reflexos negativos sobre o meio organizacional.

A falta de motivação e o desinteresse dos colaboradores para com os destinos da empresa, na maioria dos casos, são os principais responsáveis pelos fracassos de seus empreendimentos. O não reconhecimento profissional por parte dos dirigentes, a inexistência de uma política salarial justa, a não participação nos lucros e resultados da empresa, a excessiva concentração de poderes tolhendo a iniciativa dos colaboradores, com exposição de opiniões e idéias que levem-nos a ter uma efetiva participação nos destinos da empresa, são os principais fatores que, juntos ou individualmente, costumam gerar insatisfação e a conseqüente desmotivação dos funcionários. Isto é suficiente para transformar o ambiente de trabalho num cenário que mais lembra uma guerra sem comandantes.

Sem desafios para impulsioná-los ou perspectivas que sinalizem para um futuro reconhecimento de seu trabalho, os colaboradores se acomodam cada vez mais dentro dos limites impostos pela própria organização. E, quando seus dirigentes percebem o equívoco, a empresa já está num atoleiro sem tamanho e sem saída, senão a de recomeçar do zero e não repetir os mesmos erros do passado. É um preço excessivamente alto, pago por uma aprendizagem que pode levar a empresa à bancarrota.

Antecipar-se a todos estes problemas é fundamental. Os diagramas Espinha de Peixe têm um papel decisivo na identificação de possíveis novos gargalos com os quais a empresa convive diariamente sem se dar conta disto e, assim, assegurar o bom funcionamento das engrenagens e os conseqúentes tempos de prosperidade para toda a organização. No entanto, uma implementação bem sucedida do diagrama Espinha de Peixe requer a adoção de alguns procedimentos, dos quais a empresa não deve abrir mão.

1. Identificar todos os problemas existentes, para uma posterior análise e avaliação, estabelecendo as prioridades de acordo com o tamanho do estrago que cada um deles vem causando na empresa.

2. Identificar o maior número possível das causas geradoras dos efeitos (problemas) detectados, fazendo-o de forma participativa, ou seja, promovendo discussões com os colaboradores e estimulando-os a apresentarem uma tempestade de idéias (brainstorning) que poderão contribuir na solução dos problemas.

3. Esta é a etapa da montagem do diagrama. À frente (no "bico" do peixe) coloca-se o efeito e nos elementos da espinha colocam-se as causas, de modo a facilitar a visualização de todas as causas do efeito e permitir um ataque preciso ao âmago da questão com ferramentas e mecanismos adequados, para eliminar de vez os gargalos e suas fragilidades.

4. A última etapa consiste em analisar minuciosamente as inúmeras causas de cada efeito encontrado, agrupando-as por categorias, as comumente conhecidas por 5 emes: Método, Mão-de-obra, Material, máquina e meio ambiente.

Cumpridas estas quatro etapas é só arregaçar as mangas e mãos a obra.

Para a implementação do diagrama Espinha de Peixe não há limites. As empresas que preferem ir além dos padrões convencionais, podem identificar e demonstrar em diagramas específicos a origem de cada uma das causas do efeito, isto é, as causas das causas do efeito. A riqueza de detalhes pode ser determinante para uma melhor qualidade dos resultados do projeto. Quanto mais informações sobre os problemas da empresa forem disponibilizadas maiores serão as chances de livrar-se deles.