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A Socialização das Perdas

Quarta, 1 de Outubro de 2008
“O homem esquece mais facilmente a morte do pai do que a perda do patrimônio.”
(Maquiavel)

Vinte anos após o crash da Bolsa, em 1987, os mercados financeiros globais voltaram a estremecer. Desta vez, os efeitos mais devastadores não foram sobre os países emergentes. A “bola da vez” não foi o México, a Rússia ou o Brasil, como outrora, ou a China, que certamente ainda terá esta experiência, mas os Estados Unidos.

Operações financeiras sem lastro e estupidamente alavancadas, sobrevalorização de ativos, expansão irracional do mercado de derivativos e otimismo exacerbado, transformaram o patrimônio de muitos investidores em pó. Seria a derrocada do capitalismo? A resposta é: não!

O capitalismo nunca esteve tão forte. E ficará ainda mais. O american way of life, representado pela sociedade de consumo, está chegando com décadas de atraso aos países emergentes. Para alguns, significa comer o que não comiam. Para outros, comer mais e melhor. Daí a explosão dos preços agrícolas. Para outros, comprar produtos, satisfazer a vaidade, buscar conforto e lazer e alcançar status.

Em nossa nação, uma legião de miseráveis está galgando um degrau na pirâmide social. Os países que formavam a “cortina de ferro” caminham a passos largos para mitigar seu atraso imposto pela Guerra Fria. Na China, troca-se com satisfação a liberdade de expressão política pela liberdade de aquisição de bens. E ainda há todo o continente africano a ser explorado, evidentemente se seus habitantes não morrerem antes de fome, guerra ou doença, não necessariamente nesta ordem.

Capitalismo e socialismo, nestes novos tempos, não são antagônicos, mas complementares. A evolução do capitalismo será a possibilidade de todos terem oportunidades de consumo a partir da iniciativa privada e não estatal. O comunismo pelo consumismo. Marx deve estar se revirando no túmulo...

1995. O Brasil instituiu o Proer – Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional. Dinheiro público injetado em instituições financeiras falidas para evitar um colapso no sistema financeiro. Ao custo estimado de 2,5% do PIB, o Banco Central assumiu os passivos de sete bancos, entre eles Nacional, Econômico e Bamerindus, cujos ativos foram transferidos a preço de banana para Unibanco, Excel e HSBC, respectivamente.

2008. O Fed, Banco Central norte-americano, adota a mesma receita para resgatar a seguradora AIG, as instituições de crédito hipotecário Fannie Mae e Freddie Mac, viabilizar a aquisição do Merrill Lynch pelo Bank of America, e dar liquidez ao mercado, numa cruzada de centenas de bilhões de dólares para varrer de circulação papéis podres transacionados. É a socialização das perdas. Os grandes prejuízos que estão sendo realizados são o reverso dos grandes lucros auferidos por poucos investidores no passado. Parte substancial destas perdas está pulverizada nas mãos de pequenos investidores, inclusive trabalhadores que detinham ações das companhias que foram à bancarrota. Dinheiro que muda de mãos, nada mais.

É dever de qualquer Estado construir mecanismos de regulação capazes de proteger não apenas a integridade do sistema, mas também de pequenos investidores que não dispõem de informações privilegiadas e estruturas de hegde para confrontar momentos de instabilidade como estes, quando grandes especuladores deixam um rastro de destruição pelo caminho.

Fundos auto-sustentáveis devem ser criados. Formados a partir de um pequeno percentual das transações realizadas diariamente e geridos pela autoridade monetária, podem simbolizar a tranqüilidade necessária e suficiente ao mercado nos períodos de crise. Mas que fique claro: mesmo estes fundos estarão sendo bancados, em última instância, pelo contribuinte, ainda que em doses homeopáticas.

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Vendedor Saudável

Quarta, 12 de Setembro de 2007
"A primeira das riquezas é a saúde."
(Ralph Waldo Emerson)

A maioria das publicações direcionadas aos profissionais de vendas aborda temas de caráter profissional. Falam sobre competências técnicas, como negociação e oratória; competências comportamentais, como persistência e comprometimento; e competências pessoais, como empatia e persuasão. E ainda que de forma crescente o equilíbrio entre trabalho e família esteja na pauta dos articulistas, questões práticas como os cuidados com a alimentação são negligenciados.

O propósito deste artigo é apresentar aos vendedores algumas dicas práticas para uma vida mais saudável.

1. Para todos os profissionais
O sono é uma demanda biológica para a restauração física. Mas a quantidade de horas de repouso é variável de acordo com o biorritmo de cada pessoa. Assim, descubra qual o número de horas necessário para que você sinta plena disposição para o trabalho no dia seguinte. Identifique também qual o melhor horário para seu descanso. Em ambos os casos, mantenha a regularidade.

Lembre-se de dormir em um ambiente escuro, silencioso, aconchegante, com temperatura e ventilação adequadas. E, antes de deitar-se, evite atividade física intensa, refeições pesadas, consumir álcool e assistir a programas de televisão agitados.

Uma das regras básicas para uma vida saudável está na mudança dos hábitos alimentares. Você deve realizar ao menos três refeições diárias, sendo o café da manhã uma das mais fundamentais. Além dele, o almoço e o jantar são igualmente imprescindíveis. Se puder incluir um lanche no período da tarde, seu organismo também agradecerá, pois o ideal é não ficar mais do que quatro horas em jejum.

Mas quantidade não é sinônimo de qualidade. Ao contrário, o ideal é comer pouco, tendo atenção ao teor calórico de suas refeições. Busque uma dieta balanceada, evitando frituras, gorduras e carnes vermelhas, dando preferência a legumes, peixes e carnes magras. Substitua refrigerantes por sucos. No lanche da tarde, basta uma fruta, iogurte ou barra de cereal.

A higiene é outro fator relevante para se evitar a ocorrência de DVA's, ou seja, doenças veiculadas por alimentos. Trata-se de distúrbios provocados por fungos, bactérias e vírus que se desenvolvem devido ao armazenamento ou descongelamento inadequado de alimentos e que levam à intoxicação alimentar, causando cefaléias e problemas no trato gastrointestinal (constipação, diarréia, gastrite). Portanto, sempre lave as mãos antes das refeições. E evite beber líquidos diretamente em latas e garrafas, a menos que tenham sido bem lavadas.

Como a boa saúde começa pela boca, carregue consigo um nécessaire contendo escova, creme e fio dental. E utilize-os a cada nova ingestão de alimentos.

Nosso corpo é formado por 65% de água, em média, sendo que sua participação no sangue é de 83%. A água atua na regulação da temperatura corpórea pela respiração, além de transportar nutrientes e eliminar toxinas através da urina. Por isso, no decorrer de sua jornada de trabalho, procure beber dois litros de água, no mínimo. Mas faça-o gradualmente, à razão de um copo de 250 ml por hora, pois este é o índice de boa absorção pelo organismo. Fuja do consumo compulsivo de café e, evidentemente, de bebidas alcoólicas.

Aliada a todos estes cuidados, a realização de uma atividade física regular é imperativa. Sedentarismo e doenças coronarianas andam de mãos dadas. Praticar esportes também é um excelente meio para largar o cigarro.

Por fim, coloque em sua agenda a prática de um check-up anual, pois a prevenção é mais barata e menos traumática do que um eventual e inesperado tratamento.

2. Para quem trabalha na rua
Os vendedores que atuam em trabalho externo estão sujeitos ao stress proporcionado pelo trânsito, além da poluição, desconforto causado pelo calor e dificuldades para alimentar-se adequadamente.

Algumas sugestões:

  • Leve uma pequena garrafa com água fresca para hidratar-se enquanto dirige;



  • Use protetor solar;



  • Mantenha no carro ou em sua pasta executiva (ou bolsa) uma loção anti-séptica para limpeza das mãos antes das refeições;



  • Não fuja do café da manhã, ainda que este seja representado por apenas um copo de leite e um pão com manteiga;



  • Cuidado com a tentação de visitar lanchonetes e padarias, comendo frituras e lanches rápidos altamente calóricos;



  • Para almoçar, escolha estabelecimentos que você conheça e confie na higiene e preparo dos alimentos; do contrário, não hesite em visitar a cozinha e observar suas condições;



  • Se você leva marmita, evite alimentos à base de ovos, como maioneses, que podem se deteriorar rapidamente devido ao calor;



  • Prefira as carnes grelhadas para reduzir a ingestão de gorduras;



  • Habitue-se a comer saladas e verduras in natura - são mais nutrientes do que as refogadas - e utilize molhos leves como tempero;



  • Consuma carboidratos com moderação; entre arroz, massas e pães, escolha apenas um deles a cada refeição;



  • Planeje suas visitas determinando previamente as rotas a serem seguidas a fim de reduzir o tempo despendido no trânsito;



  • Diante de congestionamentos ou trânsito intenso, procure relaxar ouvindo música ou refletindo sobre seu trabalho, traçando metas e estratégicas mentalmente;



  • Se você utiliza transporte coletivo, aproveite para ler uma revista ou um livro durante seu deslocamento fazendo, assim, com que o tempo passe mais rápido enquanto investe em seu aprendizado.


3. Para quem trabalha em escritório
Àqueles envolvidos em atividades internas, há outros focos de tensão e desconforto que afetam a qualidade de vida. Por isso:

  • Resista ao impulso de beber café toda hora, cultivando prudência em seu consumo;



  • Quer você trabalhe intensamente no computador ou ao telefone, faça pausas estratégicas de trinta segundos a cada meia hora e pausas mais longas, de até cinco minutos, em intervalos de duas horas; nestes momentos, respire profundamente, observe sua postura, movimente-se, provoque mudanças visuais ou de intensidade luminosa, de modo a elevar seu nível de atenção e de energia;



  • Avalie as condições de sua mesa de trabalho, procurando conservar o ambiente limpo e organizado;



  • Atenção a aspectos ergonômicos, como a posição do monitor, teclado e mouse, bem como sua postura, apoio de pés e braços, e até a qualidade, dimensões e regulagem de sua cadeira.


Finalmente, relembrando um ensinamento de Robert Cooper, especialista em inteligência emocional e neurociência da liderança, administre a transição de seu ambiente profissional para o familiar. Assim, ao chegar em casa, estabeleça uma zona intermediária de até quinze minutos, período no qual deverá apenas cumprimentar carinhosamente seus familiares com no máximo vinte e cinco palavras. Procure desacelerar. Tome um banho, troque suas roupas, beba algo. Está comprovado que situações de conflito e argumentos prejudiciais começam ou se ampliam nos primeiros quinze minutos após o regresso ao lar.

Siga estas dicas e desenvolva outras, alinhadas com seus princípios e realidade, em direção a uma vida mais saudável.

Tom Coelho - Economista pela FEA/USP, Publicitário pela ESPM/SP e especialização em Marketing pela MMS/SP e em Qualidade de Vida no Trabalho pela FIA-FEA/USP.

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Maratona da Vida

Quinta, 31 de Maio de 2007
A cena é já velha conhecida de todos nós. O semáforo fecha, os carros param e uma pessoa, jovem ou idosa, circula pelo corredor formado por entre os veículos depositando objetos de toda ordem sobre o espelho retrovisor: balas, canetas, flanelas, adesivos. Enfim, qualquer coisa que possa receber o valor de R$ 1,00 estampado num pedaço de papel xerocopiado várias vezes com mensagens de "estou desempregado", "garantir o sustento de minha família" e "Deus lhe abençoe".

Dia destes flagrei-me conversando com meu lado mais cartesiano, aquele que sublima a matemática existente por trás das notas musicais e da geometria das construções. Os números, quando não manipulados, mentem jamais. O cálculo dispensou uso de máquina: observei um garoto percorrer 10 veículos. Considerando-se uma distância média de 2,5 metros por veículo (seu comprimento acrescido da distância mantida para o colega posicionado adiante), temos uma distância percorrida de 25 m. Porém, o garoto percorria, a cada semáforo fechado, quatro vezes esta distância para distribuir, retornar, recolher e posicionar-se no ponto de partida uma vez mais. Ou seja, são 100 m por semáforo fechado. Tomando-se um intervalo de 2 minutos entre duas paradas, o garoto percorre este trajeto 30 vezes em uma hora. Fazendo-o por 6 horas ao longo do dia, temos a surpreendente marca de 18 Km diários. Uma meia-maratona!

Sem preciosismos, podemos julgar o garoto do exemplo acima muito lépido e argumentar que, na verdade, o trajeto percorrido não passa da metade do exposto. Continuamos com 9 km diários, sob sol e chuva, descaso e arrogância, medo e intolerância.

Este é um exemplo cristalino da Economia informal que toma conta deste país. Há toda uma indústria paralela por trás desta mendicância: do fornecedor de balas, canetas, flanelas e adesivos, ao fornecedor do papel xerografado e de embalagem plástica que compõe o tal kit.

É evidente que sempre haverá quem argumente que tais pessoas gostam de exercer esta "profissão", que na verdade não querem procurar um "emprego" legítimo. Ainda que isso seja um fato, em meu entender não generalizado, a resposta a asserções deste gênero veio estampada nas manchetes dos jornais do dia 24/06/03. Tumulto no Rio de Janeiro onde 15.000 pessoas se espremeram como em latas de sardinhas numa fila para se candidatarem a vagas, incertas em quantidade e data para início, para atuarem como varredores de rua, os garis. Por um salário equivalente a US$ 7,00 diários, pessoas com nível superior de instrução acamparam por até dois dias para pleitear a segurança de um emprego.

Diante deste quadro, pode parecer contestação filosófica, bravata pseudo-intelectual, mas não há como deixar de se questionar: Que diabos de país é este que estamos construindo?

Em 19/09/2002 escrevi um artigo intitulado "Um Voto na Esperança". Não foi um texto muito difundido, até porque muito perecível. As eleições estavam próximas. Nele, eu falava sobre a retórica do "Brasil, país do futuro" e ilustrava nosso atraso sócio-econômico representado por nossa 65a posição no ranking de desenvolvimento humano (IDH-ONU) e nossa majestosa 4a colocação no Índice de Gini, que mede concentração de renda, no qual perdemos apenas para os paupérrimos africanos Serra Leoa, República Centro-Africana e Suazilândia.

Nove meses depois, transcrevo trechos daquele artigo:

"Não quero parecer teórico. Mas os números acima estão refletidos na tragédia social que nos abate hoje. Desemprego, violência, crianças nas ruas, epidemias, são subprodutos de um mal maior: o modelo econômico adotado por nossos governantes e a gestão pública praticada neste país. O Estado brasileiro se desenvolveu e esqueceu a nação, esqueceu o cidadão.

Acredito que meio século deve ter sido minimamente suficiente para sepultar a idéia de "fazer o bolo crescer para depois repartir". O Brasil já não pode mais ser o país do futuro porque está paulatinamente corroendo o entusiasmo e a esperança no seio de cada cidadão. Parafraseando Shakespeare, "nós sabemos o que somos, mas não o que podemos ser."

As eleições de outubro próximo simbolizam uma vez mais um marco na condução dos rumos deste país. E não estou falando apenas de eleição presidencial, mas em todos os níveis (não prospera o Gabinete sem o Parlamento). Democracia não se fala. Pratica-se. Cada povo tem o governo que merece e nenhum governo pode ser melhor do que a opinião pública que o apóia.

Uma vez mais, vemos desfilando candidatos que prometem construir pontes mesmo quando não há rios. Pessoas que serão eleitas não pela defesa de argumentos, mas pela venda eficiente de ilusões. Os homens são todos parecidos em suas promessas, só diferem nas realizações. O roubar pouco é culpa, o roubar muito é grandeza: o roubar com pouco poder faz os piratas, o roubar com muito poder, os Alexandres. Todo homem é uma caricatura da época em que vive; muito poucos são capazes de ter idéias além da época. Muito poucos têm perfil para serem estadistas.

Há um provérbio japonês que diz: nenhum de nós é tão inteligente quanto todos nós. O simples fato de eu e você, leitor, ter acesso a um computador e à internet, credencia-nos a compor a base mais estreita da pirâmide. E, por conseguinte, impõe-nos uma responsabilidade cívica de promover o debate como formadores de opinião que somos.

A felicidade baseia-se na eliminação de três fatores principais: doença, pobreza e conflito. E embora o mundo de hoje praticamente imponha um ideal de auto-sustentação, através do qual as pessoas são impingidas a cada vez mais prescindir de seus governos, especialmente nos países subdesenvolvidos, a regulação estatal será sempre essencial para aplacar o sofrimento dos pequenos ante as tolices cometidas pelos grandes. Camponeses pobres, reino pobre. Segurança para alguns, insegurança para todos. Ninguém come macroeconomia.

Se a igualdade não é possível, que as desigualdades sejam amenizadas. Se a justiça plena é inatingível, que as injustiças sejam abrandadas. Se as idéias não são convergentes, que os conflitos sejam arrefecidos. Sendo nosso povo tão tolerante, que a esperança não lhes seja extirpada."

Pois bem. Foi com curiosidade, e alegria, que vi após a eleição Lula proclamar que "a esperança vencera o medo". E eu, revestido de esperança, aguardei a virada do ano e os famigerados 100 primeiros dias de governo, acreditando que algo mudaria.

Porém, 176 dias se passaram. E em nome da Macroeconomia, da credibilidade e do capital internacional, da gestão responsável das contas públicas e mais uma série de argumentos, nada mudou. Não pretendo debater Economia, pois academicamente abdiquei da mesma em favor de outros temas que me são mais aprazíveis. Compreendo o porquê de muitas ações e medidas tomadas, justificáveis num primeiro momento, porém não mais agora. A falta de ousadia mínima, a hesitação subserviente, o medo contumaz, implicarão na retomada do discurso de "dividir o bolo depois". Só que até lá, todos terão morrido. De fome, de desilusão, de desesperança.

Pouco me importa os rótulos. Sou, aliás, contrário ao uso deles. Podem chamar de Estado Social-Democrata, de Estado Keynesiano, de Estado do Bem-Estar Social. Chamem como quiserem. Se desejarem uma sugestão, qualifiquem de Estado Empreendedor. Mas que se faça algo! A iniciativa privada não tem mais fôlego para, com uma carga tributária superior a 40%, executar ações que cabem ao Governo. As empresas de grande porte fecharam 400.000 postos de trabalho ao longo dos últimos 10 anos e respondem por apenas 2,3% da força de trabalho ocupada. São as pequenas e médias empresas que sustentam este país e que de forma assistencialista procuram conceder benefícios aos seus funcionários e adotar entidades por uma questão de ética e responsabilidade social. Alguns dirigentes são maçons, outros rotarianos, outros contribuem em suas igrejas. Fazem o que o Estado não faz - mas deveria. Gastam-se bilhões com juros e com uma série de outras contas, mas não se pode canalizar recursos para incentivar a produção, para fazer a transposição das águas do São Francisco, para dar oportunidade de trabalho a essa gente boa que só quer trabalhar.

Não tenho respostas. Pensei que as tivesse. Também não fiz a chuva grossa. Estou apenas atrás do melhor guarda-chuva. E não apenas para mim...

Tom Coelho, com graduação em Economia pela FEA/USP, Publicidade pela ESPM/SP e especialização em Marketing pela MMS/SP e em Qualidade de Vida no Trabalho pela FIA/USP, é empresário, consultor, escritor e palestrante, Diretor da Infinity Consulting, Diretor do Simb/Abrinq e Membro Executivo do NJE/Fiesp.

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Vivo descarta fusão com a TIM por causa de compra da Telefônica

Sexta, 25 de Maio de 2007
O presidente da Vivo, Roberto Lima, disse hoje que a concorrência entre a empresa e a TIM continua forte mesmo depois da compra de parte da Telecom Itália pela Telefônica. Além da empresa de telefonia fixa, a Telefônica detém metade das ações da Vivo, enquanto a Telecom Itália é controladora da TIM.

Em audiência no Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), Lima declarou não achar possível a fusão das duas empresas de telefonia celular no Brasil em um futuro próximo. "Nós não temos qualquer informação nesse sentido, isso não está na pauta."

De acordo com Lima, a estratégia agressiva adotada pela Vivo no Dia das Mães mostra que a empresa continua competindo fortemente com a principal rival. Ele lembrou que, com a utilização da tecnologia GSM, no início deste ano, a empresa passou a oferecer celulares a preços mais baixos.

Sem citar números, Lima informou que o desempenho da Vivo no Dia das Mães foi positivo. "Voltamos com força ao mercado depois de um ano e meio arrumando a casa", declarou, depois de participar de audiência pública no Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).

Durante da audiência, o presidente da Telefônica, Antônio Carlos Valente, reafirmou que a administração da TIM e da Vivo continuará sendo feita separadamente.

Em reposta ao conselheiro Ricardo Cueva, que declarou que a operação causará "grande concentração econômica", Valente disse que os executivos da empresa não participarão de decisões estratégicas na TIM. "Desde o início, tomamos a decisão de, nos países em que houver sobreposição entre as empresa, nós não participaremos de nenhuma reunião", afirmou.

Convergência

Na audiência, Lima e Valente voltaram a defender mudanças na legislação do setor para permitir a convergência entre diferentes serviços, como telefonia, internet e televisão a cabo. "O arcabouço legal tem que ser mudado sob pena de ser atropelado", afirmou Lima.

Para Valente, a regulação deve ser a mesma para diferentes tecnologias (como cabo ou satélite) e não deve limitar a participação do capital estrangeiro, como hoje acontece na televisão a cabo, que deve ser controlada por brasileiros. "A regulação deve ser livre, mais flexível, de forma a incentivar a inovação e alcançar os benefícios que a sociedade brasileira precisa", disse.

Fonte: Folha Online

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Terceiro Setor - Surgimento e Regulação no Brasil

Terça, 8 de Maio de 2007
Recentes pesquisas apontam que o Terceiro Setor gastou no Brasil cerca de 10,9 bilhões de reais em despesas operacionais no ano de 1995, o que corresponde a 1,5% do PIB daquele ano. Esse número, embora relevante, está muito aquém cia representatividade do Terceiro Setor em países desenvolvidos (Nos Estados Unidos, o Terceiro Setor representa 6,3% do PIB) e explicita oportunidades de crescimento no campo econômico.

Na esfera política, o modelo neoliberal de Boa Governança apregoado pelo chamado Consenso de Washington mostrou-se inconsistente ao sustentar que mercados abertos e competitivos trariam prosperidade aos países mais pobres.

Em face do reposicionamento do papel do Estado e do fortalecimento da sociedade civil organizada, as empresas privadas não raro passaram a incluir em seus objetivos institucionais aquilo que se convencionou chamar de "responsabilidade social", conceito que se originou do entendimento da distinção entre empresa e negócio.

Por derradeiro, em que pesem os recentes esforços representados pela edição das leis 9.608/98 (dispõe sobre o serviço voluntário) e 9.790/99 (dispõe sobre a qualificação de pessoas jurídicas de direito privado sem fins lucrativos), o TERCEIRO SETOR carece, no Brasil, de uma legislação sistematizada e moderna que incentive a participação dos atores sociais na execução e financiamento de projetos que busquem dar cumprimento aos objetivos fundamentais da República, previstos no artigo 32 da Constituição, quais sejam a construção de uma sociedade livre, justa e solidária, a erradicação da pobreza e da marginalização, a redução das desigualdades sociais e regionais e a promoção do bem de todos, sem qualquer tipo de discriminação.