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Mercados Preditivos: uma ferramenta essencial para vencer em mercados altamente competitivos

Segunda, 8 de Setembro de 2008
Mercados altamente competitivos e dinâmicos, como TI e Telecom, deveriam utilizar mais as técnicas de Forecasting. Surpresas desagradáveis poderiam ser evitadas com redução de riscos e maior assertividade das áreas de negócio, principalmente, com a aplicabilidade da ferramenta Mercados Preditivos.


1. Mercado Preditivo
Mercado Preditivo é um tipo de mercado que combina técnicas do mercado de apostas e do financeiro com o objetivo de prever eventos futuros. É uma ferramenta útil que contribui para a empresa enxergar novos ângulos competitivos, novos mercados, novas parcerias, quer seja na criação de “oceanos azuis”1, nas etapas para desenvolvimento de produtos ou na formação de redes de valor para parceiros.

Como funciona?

Os participantes devem ter um mínimo de conhecimento sobre o que vai ser perguntado. O objetivo é gerar informações de alta qualidade, fazendo prognósticos de eventos.

As decisões são individuais, sendo que os participantes são estimulados pela competição num ambiente de apostas. As premiações são recomendadas e, normalmente, baseiam-se na performance de cada participante.

A internet, intranet e portais B2B são ambientes apropriados para a aplicabilidade de Mercados Preditivos.

Vantagens e Aplicabilidade
Apesar de pouco utilizada no Brasil, esta ferramenta tem vantagens que incluem a opinião assertiva de um grupo de especialistas (e não apenas de 1 ou 2 profissionais) a custos reduzidos e maior qualidade das respostas, se comparados com os métodos de pesquisa convencional.

Além de Inteligência Competitiva, a ferramenta Mercado Preditivo pode ser utilizada em projetos de Inteligência de Clientes, de Produtos e de Parceiros Estratégicos.

No setor de TI e Telecom, empresas como Google, Microsoft, Nokia e Motorola já utilizaram essa ferramenta, sendo que a tendência é a expansão do seu uso no ambiente empresarial, incluindo a aplicabilidade em eventos já iniciados e não apenas em eventos futuros.

A Business Week e o Boston Consulting Group fizeram uma pesquisa divulgada, recentemente, pela mídia das 50 empresas mais inovadoras. Das quatro empresas citadas acima que utilizam a ferramenta Mercados Preditivos, três delas estão entre as TOP 50 do ranking de 2008: Google (2º), Microsoft (5º) e Nokia (10º).


2. REVIE – Rede de Valor para Inteligência Empresarial
O Mercado Preditivo é uma ferramenta de link para a construção da REVIE (Rede de Valor para Inteligência Empresarial) e representa um modelo de evolução dos métodos de pesquisa convencional, contribuindo com maior assertividade na construção de cenários com recomendações.

A Rede de Valor para Inteligência Empresarial (REVIE) é uma rede formada pela empresa, clientes e parceiros estratégicos (fornecedores, distribuidores, provedores de serviços) com o objetivo não só de reunir a informação e integrar os dados, mas de criar e partilhar o conhecimento com um nível de colaboração em que os ganhos e resultados sejam maximizados.

Figura 1 – REVIE (Rede de Valor para Inteligência Empresarial)



A REVIE é uma rede com o objetivo de agregar valor para as empresas no curto, médio e longo prazo em quatro eixos: produto, concorrência, clientes e parceiros estratégicos. Por ser uma Rede de Valor para Inteligência Empresarial (REVIE), a colaboração é uma das principais características dessa rede. Colaboração não apenas intra-empresarial, mas envolvendo desde clientes a parceiros/fornecedores. Esta é a principal diferença entre a REVIE e o Business Intelligence (Inteligência de Negócios).

O conhecimento e a colaboração são a base da Rede de Valor para Inteligência Empresarial (REVIE). A inovação e a criação de valor (para os clientes, empresa e acionistas) – os resultados.


3. Análises “What-IF” e Cenários Analíticos com Recomendações
Além dos Mercados Preditivos, a construção de cenários com recomendações e as análises “What-If” destacam-se, também, como métodos para Forecasting.

A análise “What-If” é um método de manipular modelos quantitativos de situações de negócio na qual se especificam valores de decisão alternativos e hipóteses do ambiente. O software resolve o modelo e mostra os resultados preditivos (Davis & Kotteman, 1994).

O problema alertado por esses autores é que o usuário fica com uma ilusão de controle da situação e de que tudo se resolve com as análises “What-If”; o que é incorreto, pois programa nenhum substitui a capacidade analítica. As análises “What-If” são insumos para construir cenários analíticos com recomendações; ambos se complementam, sendo possível fazer recomendações sem as análises “What-If”.

Trabalhei em alguns projetos para clientes em que estruturei as análises de Forecasting num cenário de recomendações sem utilizar as análises “What-If”. Foram feitas projeções dos próximos passos da concorrência, dos parceiros em potencial e de crescimento de soluções no mercado. Os resultados para as empresas: investimentos assertivos para desenvolver novos negócios, respostas rápidas às ações dos concorrentes, criação de rede de valor para parcerias estratégicas e modelos de negócio colaborativos.


4. Forecasting: uma análise no mercado de Telecom
Como o mercado de Telecom funciona, na maioria dos casos, com foco em ações imediatistas do tipo “apagando incêndio”, o que temos hoje é a aplicabilidade do cenário conclusivo, e não de Forecasting.

Hoje, poucos profissionais trabalham no nível de Inteligência Antecipativa. Isso inclui, também, empresas prestadoras de serviços de Inteligência Competitiva.

Quem acaba fazendo este trabalho é o consultor de negócios (às vezes terceirizado) ou o gerente de desenvolvimento de negócios, de produto; diretor nas médias empresas etc.

É importante alertar que a Inteligência Antecipativa, utilizando as técnicas de construção de cenários analíticos com recomendações para as empresas, pode ser estruturada no curto prazo, não só no longo prazo.

As empresas de Telecom deveriam estimular mais as atividades de Forecasting nas equipes de nível ‘especialistas e consultores’ das áreas de Negócio, Estratégia e Inteligência Competitiva/BI, com trabalho em conjunto de equipes multi-funcionais.

Os ganhos para a empresa são maximizados, incluindo agilidade na entrega do projeto, redução de custos com serviços de consultoria e maior conhecimento partilhado entre as equipes envolvidas.

Em Inteligência de Clientes, empresas, como a OI, utilizam modelos preditivos de aquisição e churn, mas ainda há um longo caminho a ser percorrido pelas empresas de Telecom.


5. Exemplo de Mercado Preditivo e a correlação com a opinião de especialistas e outros mercados



A figura mostra que “Saddam Security” (Segurança de Sadam – mercado preditivo: preço do contrato/pacto pagando $100 se Saddam for deposto) teve um movimento muito próximo à opinião de especialistas (Will Saletan’s “Saddameter” – estimou a probabilidade dos EUA irem para a guerra no Iraque) e aos preços do petróleo (correspondia à confusão no Oriente Médio). Esse gráfico mostra que os políticos e as autoridades utilizam muito mais do que métodos convencionais de pesquisa para avaliar as chances nas eleições e as escolhas governamentais. (SNOWBERG, E; WOLFERS, J; ZITZEWITZ, 2004)

Para a aplicabilidade de Mercados Preditivos no ambiente empresarial, a intranet ou mesmo os blogs podem ser utilizados para a construção de uma networking de especialistas com o objetivo de verificar, por exemplo, quais são as soluções com maior potencial de crescimento para futuros investimentos da empresa. Ou imagine um grupo de clientes pré-selecionados pela empresa, participando de um mercado preditivo com o objetivo de trazer novas idéias para o lançamento de um novo produto ou ampliar a utilização de um serviço já existente.

Depois das etapas de coleta e tabulação (processo on-line e automatizado por software), podemos fazer também correlações com dados do mercado/macro-econômicos ou pesquisas convencionais encomendadas.

O campo de oportunidades é imenso e, com os avanços da Web 2.0 e dos modelos de negócios colaborativos, o uso da ferramenta Mercado Preditivo já é uma realidade no campo de batalha empresarial; não apenas Forecasting.

BIBLIOGRAFIA
- BALCEIRO, R. B. ; ÁVILA, G. M. ; CAVALCANTI, M. C. B. A função logística nas redes de valor. Trabalho apresentado no V SIMPOI 2002 – Operações e Redes Produtivas: Integração e Flexibilidade (Congresso). São Paulo: Fundação Getúlio Vargas, out. 2002.
- CHAVES, B. B. Mercados Preditivos – o novo aliado das corporações. TerraForum Consultores, 2008. Disponível em: <http://www.terraforum.com.br/sites/terraforum/Biblioteca/MercadosPreditivos.pdf>. Acesso em: 29/05/2008.
- KIM W. C; MAUBORGNE R. Blue Ocean Strategy: How to Create Uncontested Market Space and Make Competition Irrelevant. Harvard Business School Press, 1 edition, 2005.
- MCGREGOR, J. The World's 50 Most Innovative Companies. Business Week, 04/2008. Disponível em: <http://www.businessweek.com/magazine/toc/08_17/B4081best_companies_at_innovation.htm?chan=magazine+channel_top+stories>. Acesso em: 06/2008.
- SNOWBERG, E; WOLFERS, J; ZITZEWITZ, E. Information (in) Efficiency in Prediction Markets. Wharton School, University of Pennsylvania, 2004.
Disponível em: <http://finance.wharton.upenn.edu/~rlwctr/papers/0502.pdf>. Acesso em: 06/2008.
- TAPSCOTT, D. ; TICOLL, D; LOWY, A. Capital digital – dominando o poder das redes de negócios. São Paulo: MAKRON Books, 2001.
- TEIXEIRA, D. R. Inteligência Empresarial: muito além do BI. 2008. Disponível em: <http://dramos-teixeira.blogspot.com/2008/05/inteligncia-empresarial-muito-alm-do-bi_20.html>. Acesso em: 06/2008.
- WATKINS, J. H. Prediction Markets as an Aggregation Mechanism for Collective Intelligence, 2007. Disponível em: <http://public.lanl.gov/jhw/Publications_files/HCS_PM-1.pdf>. Acesso em: 05/2008.

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Inteligência Empresarial: muito além do BI

Quinta, 4 de Setembro de 2008
No cenário hipercompetitivo do ambiente empresarial, as táticas de guerrilha ganham projeção e seguidores cada vez mais fiéis. Dentre as técnicas para vencer a batalha predominam respostas rápidas ao mercado, parceiras estratégicas, grande conhecimento dos clientes, investimentos na mídia não-convencional e ações que surpreendam o cliente e também o concorrente.

Há 50 anos, no surgimento do Marketing, já se falava em satisfazer as necessidades dos clientes; a partir da década de 90, exceder as expectativas dos clientes e encantá-los passou a ser o foco. Mais recentemente, gurus de MKT e Estratégia levantam a bandeira para a importância das empresas em ‘criar as necessidades’ nos clientes, desenvolvendo produtos/serviços que, além de competitivos, devem ser inovadores.

Para que as empresas alcancem seus objetivos e saiam vitoriosas do campo de batalha diário, a proposta dessa abordagem é que seja trabalhada e desenvolvida uma ‘Rede de Valor para Inteligência Empresarial’ com foco:

- no mercado/concorrência;
- nos produtos/serviços;
- nos clientes e
- nas parcerias estratégicas.

Não é novidade que a Inteligência é Multi: multi-facetada, multi-áreas e multi-informação. Entretanto, a Inteligência Empresarial vai muito além das ferramentas de Business Intelligence, podendo até mesmo sobreviver sem elas.

Dimensão da REVIE
Paper Inteligência Empresarial, Rede de Valor e Estratégia – 05/2008 2

A Rede de Valor para Inteligência Empresarial (REVIE) é uma rede formada pela empresa, clientes e parceiros estratégicos (fornecedores, distribuidores, provedores de serviços) com o objetivo não só de reunir a informação e integrar os dados, mas de criar e partilhar o conhecimento de forma colaborativa para que os ganhos e resultados sejam maximizados.

Inteligência Empresarial

Por ser uma Rede de Valor para Inteligência Empresarial (REVIE), a colaboração é uma das principais características dessa rede. Colaboração não apenas intra-empresarial, mas envolvendo desde clientes a parceiros/fornecedores. Esta é a principal diferença entre a REVIE e o Business Intelligence (Inteligência de Negócios).

O conhecimento e a colaboração são a base da Rede de Valor para Inteligência Empresarial (REVIE). A inovação e a criação de valor (para os clientes, empresa e acionistas) – os resultados.

É uma relação win-win em que a empresa e os parceiros estratégicos ganham vantagem competitiva, agregam maior valor ao negócio e inovam com resultados eficientes. Já os clientes, contribuem e interagem com a empresa, de maneira eficiente, quer seja na concepção ou no desenvolvimento das soluções ou mesmo na fase do pós-lançamento, tendo vantagens como agilidade no lançamento dos produto/serviço e soluções mais personalizadas.

É importante que a empresa agrupe os parceiros estratégicos e diferencie esse grupo dos demais parceiros que podem contribuir e fazer parte da rede, mas não no nível de interação dos parceiros estratégicos.

As áreas de negócio das empresas devem liderar a “rede de inteligência” com apoio das áreas técnicas de Business Intelligence/Datawarehousing e Tecnologia.

A hipercompetição já domina o campo de batalha juntamente com produtos similares, clientes cada vez mais exigentes e menos fiéis. Dentre as ações estratégicas, ganham importância a Web 2.0, customer experience dentre outros.

Empresas – deixem as armas convencionais de lado!

As táticas de guerrilha aliadas à construção de uma Rede de Valor para Inteligência Empresarial criam ângulos competitivos com inovação e resultados.

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NÃO DISCUTA. NEGOCIE!

Quarta, 27 de Agosto de 2008
Recentemente liguei a uma companhia telefônica para cancelar os serviços de banda larga. Decidi tomar tal medida depois de ter ligado para tentar uma condição mais justa, devido ao fato de o valor do serviço fornecido ser o dobro do praticado no mercado e a velocidade disponibilizada, três vezes mais lenta que a dos concorrentes. Aguardei pacientemente as várias quedas de ligações, esperei uma infinidade de tempo e repeti redundantemente meus dados (número de telefone, CPF, endereço, tipo sanguíneo, nome do animal de estimação, resultado do jogo e aí por diante).

Apesar de tudo, no final de horas de conversa e lutas contra a má vontade e desinteresse da empresa, recebo a confirmação de que não poderia ser feita muita coisa para melhorar, no entanto, me dariam um desconto por apenas seis meses para eu pensar. O desconto é interessante, mas por prazo determinado e mantendo as características anteriores, ou seja, eu continuaria depois a pagar mais, por menos.

Após refletir com meus botões, liguei para realizar então o cancelamento daquele serviço. E volta a demora que já conhecemos. Fui direcionado finalmente à responsável pelo cancelamento e “retenção” de clientes. Respondi tudo novamente e confirmei meu interesse em desistir do serviço. Nesse momento, os profissionais tentam de alguma forma nos convencer a ficar com os serviços. Aí foi minha surpresa.

A responsável pelo atendimento fazia comentários como “O Sr. quer realizar o cancelamento mesmo com o desconto que foi fornecido anteriormente? Mas ainda tem cinco meses para usar!”. Explicava que não adiantam cinco meses se em três anos a empresa sugou os recursos explicitamente e mesmo quando tentei manter o relacionamento, não obtive uma sugestão digna, competitiva ou definitiva. Obtive uma proposta “provisória”, sendo que após o prazo teria que ligar novamente e por aí vai. Tempo é dinheiro!

Em determinado momento, percebi que a responsável pelo atendimento parecia levar o assunto para o lado pessoal. Não aceitava minha decisão e acabava sendo agressiva e prepotente em suas argumentações, tentando sair “vitoriosa”, me vencendo pelo cansaço, através de uma possível desistência e não por uma vitória digna, por ter me convencido que o serviço, atendimento e investimento eram melhores.

Detalhes à parte, depois de literalmente perder grande parte da manhã tentando o cancelamento, sou informado que tenho que enviar uma carta, com cópia do contrato social da empresa, etc, etc, etc. É incrível como é tão fácil adquirirmos serviços de algumas empresas, sem ter que assinar ou comprovar algo, apenas com o “número do protocolo”, porém, para cancelá-los é quase impossível.

Não sei até quando algumas empresas terão esta postura de informar que não existe nenhuma condição diferenciada, quando o cliente liga (principalmente antigo) solicitando uma proposta mais interessante para manter os serviços. No entanto, quando definitivamente fica insatisfeito com tanta falta de atenção, consideração e respeito e deseja cancelar os serviços, oferecem condições inimagináveis. Já passei por várias situações como essa e sinceramente, preferi optar por outra empresa, pois o serviço pode ter um custo, mas o respeito pela dignidade do cliente não há o que pague.

Já no caso da companhia acima mencionada, se a mocinha tivesse mais equilíbrio emocional, jogo de cintura e interesse em me reconquistar e manter o relacionamento, em vez de tentar travar uma batalha agressiva e sem agregar valor, talvez eu tivesse mudado de idéia simplesmente pela comodidade.

Agora, estou satisfeito com a nova opção que fiz. No entanto, tudo pode mudar futuramente. Se isso acontecer, quem sabe a atendente e responsável pela “retenção” de clientes esteja mais interessada em desenvolver um bom trabalho e com profissionalismo, evitando discussões e apenas praticando três coisas simples: ouvindo, entendendo e negociando.

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As Faces da Inteligência: como direcionar a sua organização e definir o perfil profissional

Sexta, 22 de Agosto de 2008
A aplicabilidade da Inteligência não deve se limitar a grandes organizações. É essencial que cada empresa, seja uma grande corporação ou PME (pequena e média empresa), construa o seu modelo de Inteligência.

É crescente o número de organizações que investem em Inteligência para reduzir os riscos na tomada de decisão, melhorar o desempenho da equipe de vendas e MKT, neutralizar o avanço da concorrência e, mais recentemente, buscar na inovação o diferencial competitivo para agregar valor ao negócio.

O objetivo da Inteligência é transformar informação subjetiva e desagregada em vantagem competitiva para agregar valor aos negócios. A aplicabilidade da Inteligência, dessa forma, não deve se limitar a grandes organizações. É essencial que cada empresa, seja uma grande corporação ou PME (pequena e média empresa), construa o seu processo de Inteligência, definindo o foco inicial de atuação bem como o desenvolvimento e a implementação do modelo (in-house, terceirizado ou híbrido).

Nos últimos sete anos, a Inteligência foi adquirindo vários adjetivos e hoje tem a sua própria ‘sopa de letras’: Inteligência Estratégica, Inteligência Tática, Inteligência Competitiva, Inteligência Antecipativa, Inteligência de Vendas etc. Hoje, Inteligência é sinônimo de ‘bom negócio’, de diferencial competitivo, sendo que algumas empresas já incluíram a palavra no slogan, incluindo as PMEs (pequenas e médias empresas) de segmentos de mercado bem variados, como um instituto de beleza de São Paulo que escolheu como slogan ‘salão inteligente’.

Dentre as PMEs (pequenas e médias empresas), uma operadora de telecomunicações com forte atuação nas regiões Sul e SE inovou no segmento de Telecom, utilizando técnicas especializadas de IM (Inteligência de Mercado) como geomarketing para alcançar o diferencial competitivo nos negócios.

Outra empresa do segmento de TI – Terceirização de Serviços utilizou a Inteligência Competitiva recentemente para decidir se lançaria ou não uma solução de DMS (Serviços de Gerenciamento de Desktops) no mercado brasileiro.

O estudo de IC (Inteligência Competitiva) mapeava o mercado e principais concorrentes que a empresa enfrentaria no BR, além de construir um cenário analítico com recomendações para a empresa. Para isso, foi feito um levantamento do mercado de Outsourcing, Infra-Estrutura de TI e Managed Services (tamanho do mercado, projeções de crescimento, tendências etc.). Sobre a concorrência, o foco da busca de informação foi no faturamento, portfolio de soluções, parcerias estratégicas, estratégias go-to-market e análise Swot.

Quando cruzamentos certeiros começam a ser feitos pelos profissionais de Inteligência e Estratégia, o estudo fica mais interessante e útil. Nesse caso, um deles foi comparar o estágio de maturidade da solução dos concorrentes com uma projeção de crescimento da solução a ser lançada.

Como resultados, a empresa decidiu não lançar a solução por uma série de fatores levantados no estudo de IC (Inteligência Competitiva) como mercado consolidado com fortes players e projeção de crescimento baixa para a solução nos próximos 3 anos.


O Cosmo da Inteligência associada aos negócios
O foco na Inteligência Estratégica (IE) é na tomada de decisão orientada ao futuro e na redução dos riscos (AQPC, 1999).

A Inteligência Tática foca o presente, provendo informações para o monitoramento do ambiente organizacional em ‘tempo real’ (AQPC, 1999). Já a Inteligência Competitiva (IC), independente de ser tática ou estratégica, engloba informações específicas sobre o mercado e a concorrência.

Pesquisa

A prática da pesquisa torna-se uma importante aliada da Inteligência, provendo dados quanti e qualitativos para a construção de cenários analíticos, essenciais para a Inteligência Estratégica.

Inteligência, estratégia e tática

Lesca (2003) também agrupa a Inteligência na dimensão Tempo em:
- Inteligência Antecipativa: relacionada ao futuro.
- Inteligência Situacional: focada no presente.
- Inteligência Retrospectiva: direcionada ao passado.
Aplicabilidade da dimensão tempo na Inteligência Competitiva:

Inteligência Competitiva

O lançamento inesperado de um produto do concorrente no mercado vai demandar um estudo de Inteligência Situacional, podendo envolver as razões pelas quais o concorrente tomou a decisão (Inteligência Retrospectiva) e quais serão os seus próximos passos (Inteligência Antecipativa).

Se houve o fracasso de um serviço num nicho de mercado, por exemplo, é necessário focar, primeiramente, na Inteligência Retrospectiva para aprender com os erros. Razões do fracasso podem ser mensuradas atribuindo peso a itens pré-selecionados pelas áreas envolvidas.

A busca contínua pela inovação das LOB´s (Linhas de Negócios) e a redução de surpresas (tecnológicas, sobre tendências de mercado etc) são alguns exemplos de aplicabilidade da Inteligência Estratégica Antecipativa (IEA) nas organizações.

Lesca (2003) define a Inteligência Estratégica Antecipativa (IEA) como o processo coletivo, proativo e contínuo pelo qual os profissionais da organização coletam (de forma voluntária) e utilizam informações pertinentes relativas ao seu ambiente sócio-econômico e às mudanças que podem nele ocorrer, visando:

- criar oportunidades de negócios;
- inovar;
- adaptar-se à evolução do ambiente;
- evitar surpresas estratégicas desagradáveis e
- reduzir riscos e incerteza em geral.

Empresas de TI e Telecom deveriam ver a Inteligência Estratégica Antecipativa (IEA) como fator-chave na gestão da inovação e diferenciação, principalmente das LOB´s (Linhas de Negócios). Atualmente, as iniciativas nesse sentido são isoladas no Brasil, mas já há um esforço de comunicação e MKT de multinacionais como IBM e SAP no mercado.

“Inovação que faz a diferença” foi definida pela IBM como um dos três valores fundamentais da empresa e já faz parte do discurso de vendas da empresa.


Definindo os perfis dos Profissionais de Inteligência
A capacidade analítica é, sem dúvida, o diferencial de trabalho em Inteligência. O profissional de Inteligência é peça essencial não apenas para montar o ‘quebra-cabeça’ da área, mas para ‘retroalimentar’ o fluxo de informações, atentando-se principalmente para a identificação de oportunidades, redução de riscos e antecipação de problemas e ameaças.

Há três perfis de profissionais a serem destacados:

1. Planilheiro
Profissional que faz ‘input de dados’, criação de planilhas podendo também ser responsável pela concepção dos números. É capaz de fazer algum tipo de análise quantitativa, mas sem complexidade.
-Posicionamento na empresa: operacional.

2. PP (Passado/Presente)
É capaz de analisar os números e cruzar dados/informação, relacionando o passado/ presente. Alguns profissionais dessa categoria chegam a fazer recomendações, mas sem análise aprofundada e detalhamento de cenários.
- Posicionamento na empresa: tático.

3. Visionário
Profissional que, além de analisar os dados quantitativos, o passado/presente, se diferencia pela posição inovadora e visionária com foco na Inteligência Antecipativa, construindo cenários analíticos com recomendações para as empresas.
- Posicionamento na empresa: tático-estratégico.

É importante ressaltar que os três perfis de profissionais são importantes para uma organização. O que irá variar é o número de profissionais com as características de cada perfil bem como a sua alocação nas áreas de Inteligência.

Uma pequena empresa, por exemplo, poderá optar por terceirizar os serviços de um profissional estrategista e visionário, acumulando também as funções de um analista PP (Passado/Presente). Ou mesmo um gerente de Inteligência, numa média empresa, poderá exercer as funções dos profissionais PP (Passado/Presente) e Visionário.

Independente do perfil de profissional (planilheiro, PP ou visionário) e orientação da Inteligência (Competitiva Situacional, Estratégica Antecipativa etc), o importante é a conscientização das organizações, sejam grandes ou PMEs (pequenas e médias empresas), que a estruturação da Inteligência não é modismo e, muito menos, se limita a grandes corporações.

As áreas de pesquisa das empresas e os serviços terceirizados nessa área já representavam parte do ‘quebra-cabeças’ da Inteligência Organizacional anos atrás. O que houve foi uma profissionalização gradativa do trabalho de Inteligência e dos seus profissionais, essencial para a sobrevivência das organizações na nova era do conhecimento, na qual hoje impera o avanço da competitividade e a busca contínua pela inovação.

Referências Bibliográficas:
- FREITAS, H. M. R. ; JANISSEK-MUNIZ, R. Uma proposta de plataforma para Inteligência Estratégica. In: Congresso Ibero Americano de Gestão do Conhecimento e Inteligência Competitiva, 2006, Curitiba PR. Anais do Congresso Ibero Americano de Gestão do Conhecimento e Inteligência Competitiva.
- LESCA, H. Veille stratégique: La méthode L.E.SCAnning®. Editions EMS. 2003.
- AMERICAN PRODUCTIVITY & QUALITY CENTER (APQC). Strategic and Tactical Competitive Intelligence for Sales and Marketing, 1999.

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Dicas para ser reprovado numa entrevista de emprego – parte 2

Sexta, 22 de Agosto de 2008
Ainda está nervoso?
Calma, calma. Estou aqui para ajudá-lo. No primeiro texto falamos sobre comportamentos. Lembra? Chicletes, celulares, acompanhantes e procedimentos inconvenientes. Chegou a hora de falar sobre aparência, algo que envolve todo o conjunto: vestimentas, perfumes, aparência física, etc.
Insisto para que preste atenção a este comportamento e não corra riscos. Você é bom! Só precisa aumentar suas chances de sucesso frente à acirrada competição que, mais do que nunca, se intensifica no mercado global.

- Comparecer à entrevista vindo direto da balada
No meu tempo dizia-se noitada... Bem, não faz muito tempo assim. Enfim, as impressões que ficam ainda são as mesmas. Comparecer à entrevista com a cara amassada no meio da semana pode assustar o selecionador. Cheirando a álcool, então, nem merece comentários.

- Comparecer de chinelo de dedo
A mocinha era linda e super descolada, mas a vaga era para recepcionista de uma rede internacional de hotéis. A questão é que depois da entrevista inicial ela deveria seguir imediatamente para uma segunda etapa do processo no próprio hotel. Sinto muito, mas chão de mármore e arabescos não combinam com chinelos de dedo. O candidato deve estar preparado para causar uma boa impressão em qualquer ambiente. Aparência conta sim!

- Vestimentas muito ousadas ou extravagantes
Decotes, saia e calças muito justas, tecidos transparentes e cores berrantes.
Como citei anteriormente, a aparência conta muito no momento da entrevista. As empresas procuram por pessoas sóbrias e capazes de executar atividades que contribuam para o crescimento da organização. Aí você pergunta: vão me julgar pela roupa? Sim! Eles ainda não te conhecem, não sabem da sua capacidade. De acordo com suas roupas podem fazer outro juízo de você. Portanto, procure trajar-se de forma conservadora. Mas lembre-se de se sentir à vontade e manter seu estilo, sem exageros.

- Cuidado para não exagerar no perfume
Realmente perfume é algo muito pessoal. Inclusive certos tipos, que exigem hora e lugar para serem usados. Minha amiga Iolanda Moura, por exemplo, recentemente tirou minhas dúvidas e até sugeriu uma lista de fragrâncias e como usá-las de forma adequada. Bem, se você não tem ninguém para orientá-lo o melhor é lembrar que quando estamos em busca de emprego vamos lidar com vários tipos de pessoas e freqüentar diversos ambientes. Portanto, seja marcante, mas por seu conteúdo.

Hoje ficamos por aqui. Sim, vale lembrar que muitas vezes uma aparente e pequena agência de empregos pode ter como cliente empresas multinacionais. Pense nisso!