Marcus Guimarães
Segunda, 25 de Agosto de 2008
O que é o ponto de equilíbrio dentro do conceito de finanças?
Equilíbrio pode ser definido como a igualdade absoluta ou aproximada, entre
forças opostas. Assim, ponto de equilíbrio na contabilidade é o ponto
(momento) em que as receitas se igualam a todas as despesas.
Toda a empresa com uma estrutura financeira organizada conhece seu
fluxo de caixa, seu balanço patrimonial, seu demonstrativo de
resultado do exercício (DRE) e, também, seu ponto de equilíbrio. Assim como
toda a família que tenha uma estrutura financeira estabilizada deve conhecer seu
ponto de equilíbrio.
O planejamento financeiro familiar é de vital importância para que a
família possa viver com tranqüilidade, o conhecimento sobre o ponto de
equilíbrio pode facilitar o controle de seu orçamento. Orçamento, esta é a
palavra chave que pode explicar a necessidade do ponto de equilíbrio.
Após alguns meses de análise sobre o fluxo financeiro familiar, já é possível
saber quais são os itens que mais contribuem para o acumulo de despesas,
historicamente os principais itens que geram despesas são: Imóvel, Transporte e
Alimentação.
Para que seja possível chegar ao ponto de equilíbrio, é necessário estipular um
orçamento para cada item, principalmente para os itens mais geradores de
despesa, vamos à prática:
Faça uma média de seu gasto mensal com alimentação, estipule para o orçamento
deste item 20% a menos e fique rígido com este orçamento. A última semana do
primeiro mês será de “vacas magras”, mas se continuar com este raciocínio nos
próximos meses você já terá se educado e os 20% não farão falta. Faça este
procedimento com os demais itens. Se você tem alguma dificuldade com as
finanças, logo estará igualando suas receitas e despesas, comece esta redução
com base no ponto de equilíbrio.
A busca pelo ponto de equilíbrio não pode se limitar até este ponto, os cortes
devem ser feitos até se ter uma sobra no orçamento. O ponto de equilíbrio pode
ser perigoso se você se basear somente nele, o objetivo desta análise é você
saber qual o seu limite (de despesas), porém você não pode se valer sempre deste
limite, deve buscar a sobra, a reserva de riqueza, o investimento.
Lembre, a balança tem que pesar para o seu lado, diminua consumos, corte gastos
desnecessários e faça com que as receitas transbordem do seu bolso.
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Mateus Paulini
Quarta, 20 de Agosto de 2008
Mudamos de endereço, agora o Portal da Administração se chama Adm Today e é
acessado através do endereço:
http://www.admtoday.com .
Já disponibilizei algumas de várias mudanças que serão feitas. Para começar,
mudanças referentes á divulgação dos colunistas já estão funcionando. Sempre que
acessado o site ( http://www.admtoday.com
) serão mostrados os 10 últimos artigos e seus respectivos autores.
Outra questão importante a ser comentada é a busca da qualidade do conteúdo
publicado no Adm Today, continuarei rígido na seleção dos artigos e dos novos
colunistas que quiserem participar. Sempre privilegiando a qualidade ao invés da
quantidade, e este será o principal diferencial do Adm Today em relação aos
demais sites referentes aos temas ligados á Administração de Empresas.
Também não existirá definição de dias fixos para publicação de artigos para
colunistas (como ocorre atualmente). Á partir de agora os artigos podem ser
enviados á qualquer data que serão publicados assim que recebidos.
Agradeço á todos a atenção e dedicação, e lembrem-se o Portal da Administração
agora é chamado de Adm Today e seu endereço de acesso é:
http://www.admtoday.com
Caso houver algum feedback sobre as mudanças, não hesite em enviar.
Espero que todos gostem das mudanças.
Grande abraço,
Mateus Paulini
Adm Today
http://www.admtoday.com
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Jerônimo Mendes
Terça, 12 de Fevereiro de 2008
Com relação ao mundo corporativo, costumo dizer o seguinte: manda quem pode, obedece quem precisa, muda quem tem juízo. Essa última parte é por minha conta, mas eu já pensei diferente no passado. Reconheço que é bem mais fácil pensar assim depois de certa idade, quando você sabe exatamente o que quer e, principalmente, quando você trabalha de cabeça erguida, graças ao seu esforço, dedicação e, sem dúvida, um pouco de sorte. Dessa forma, pensar diferente é um exercício gratificante para não se deixar escravizar apesar da necessidade que, na maioria dos casos, sempre fala mais alto.
Entender o ditado requer interpretação em três etapas. "Manda quem pode" é algo típico da Idade Média, quando os senhores feudais dominavam vastas propriedades de terras e os servos e vassalos viviam à mercê do seu temperamento nada amistoso, portanto, qualquer descontentamento era sinônimo de ameaça e, para evitar conflitos, cuja pena máxima era a perda de proteção ou a expulsão do feudo, a alternativa mais sensata era obedecer. Assim foi no tempo da escravidão, quando os reis, imperadores e senhores de engenho detinham a propriedade do indivíduo, de papel passado, em regime absoluto de escravidão. Durante essa fase repugnante da nossa história, isso era comum.
"Obedece quem precisa" surgiu mais adiante quando Frederick Taylor, o precursor da administração científica do trabalho, instituiu o conceito de chefia e organização e instituiu, de forma veemente e unilateral, que alguns nascem para mandar, outros para fazer. Naturalmente, quem nascia para a execução morreria sob esse estigma e poderia se tornar um obediente operário até o fim da vida. Por essa razão, Taylor era meio paranóico, obcecado por controle e produtividade.
"Muda quem tem juízo" é a minha praia, por assim dizer. Considero a melhor atitude para se livrar do ditado original. Embora eu tenha sido forçado à mudança há algum tempo e isso tenha me proporcionado um bem danado, eu posso dizer que se trata de um dilema difícil de ser solucionado e isso não é privilégio de poucos, ao contrário, é o caso da maioria dos profissionais do mundo moderno.
A mudança é o caminho mais adequado para livrá-lo dessas tolices que mancham o mundo corporativo e para colocar todo o seu potencial em prática num lugar onde você possa ser tratado, literalmente, como ser humano. Você é a única pessoa capaz de reverter o quadro depreciativo que pintam a seu respeito e a respeito do seu trabalho, por mais esforçado que você tente parecer.
De acordo com pesquisa divulgada na Revista Negócios (Edição n. 3, maio de 2007), o ambiente de trabalho se tornou fonte de infelicidade para presidentes e diretores de grandes empresas e, por experiência própria, estendo essa infelicidade geral para outros níveis hierárquicos que sofrem diferentes tipos de pressão por resultados cada dia mais insaciáveis.
Ainda segundo a pesquisa, realizada com mais de mil executivos de 350 empresas, a angústia da vida executiva é algo digno de reflexão. Dentre os principais resultados obtidos, a pesquisa aponta que 84% dos executivos se dizem infelizes no trabalho, 54% que se dizem insatisfeitos com o tempo dedicado à vida pessoal e 35% deles apontam os problemas com o chefe como a crise mais marcante da sua vida, o que não é tanta novidade assim.
Por um lado, o excesso de trabalho, por outro, a falta dele. Ambos têm a ver com a dignidade humana, relegada com freqüência ao segundo plano. Albert Camus, filósofo francês, lembra que não existe dignidade no trabalho quando este não é aceito livremente. Pior ainda quando não é aceito de forma alguma.
Concordo plenamente com o escritor James Hunter, autor de O Monge e o Executivo, quando diz que "os seres humanos têm um profundo anseio por significado e propósito em sua vida e retribuirão a quem os ajudar a atender a esta necessidade. Eles querem acreditar que o que estão fazendo é importante, que serve a um desígnio e que agrega valor ao mundo". Isso vale para o mais simples dos mortais.
Meu pai ficou praticamente 30 anos na mesma empresa repetindo esse ditado e por vários lugares onde passei havia sempre um insatisfeito que parecia ter assumido o lugar dele, mas não o condeno. Ele foi feliz do seu jeito e, apesar dos revezes, sobreviveu e conseguiu criar os filhos com dignidade.
Embora as circunstâncias mudem e as oportunidades sejam freqüentes, muitos profissionais ainda se submetem a essa filosofia de vida, por medo ou insegurança, enquanto o verdadeiro potencial vai lhe escapando pelo vão dos dedos sem que o mesmo seja capaz de esboçar a mínima reação. Isso soa um pouco deprimente.
O fato de não ter conseguido livrar-me definitivamente desse ditado me fez reconstruí-lo a fim de torná-lo mais digerível e para repensar a maneira de ver o mundo. Leva tempo para conseguirmos destruir alguns paradigmas plantados em nossa cabeça involuntariamente. Hoje, cada vez que alguém dispara essa máxima perto de mim, eu complemento: "e muda quem tem juízo".
Graças a Deus, conheço um numero razoável de profissionais que deram a volta por cima e, a despeito de todas as dificuldades encontradas no caminho, tiveram a coragem de reposicionar-se no mercado para conquistar um lugar ao sol, optando, em muitos casos, por uma renda menor ao reconsiderar o fato de que o dinheiro jamais conseguirá compensar a ausência de paz de espírito.
O mundo é repleto de oportunidades e, por menos conhecimento que alguém possa apresentar sobre determinado assunto, existe uma força sobrenatural dentro de cada ser humano capaz de transformá-lo em exímio conhecedor daquilo que ele estiver realmente determinado a realizar. É praticamente impossível o universo não trabalhar a seu favor se você estiver convicto de que as adversidades são condições temporárias e que a força de vontade e a determinação são as únicas virtudes capazes de recolocá-lo num ambiente mais merecedor da sua energia, da sua inteligência e da sua valiosa companhia.
Olhe ao redor e admire a legião de profissionais que abriram mão de um cargo altamente promissor em grandes corporações e seus respectivos benefícios em troca de mais dignidade, mais qualidade de vida e mais tempo para a família. E mais, quantos amigos e colegas de trabalho pararam de brigar consigo mesmo, com o chefe e com a conta bancária partindo para uma missão diferente muito antes de você esboçar a primeira reclamação.
Existem inúmeras empresas onde o ditado prevalece, por pouco tempo, creio eu. Hoje, manda quem pode, obedece quem precisa e muda quem tem juízo, pois é necessário evitar ambientes onde o regime feudal deixou resquícios. Assim sendo, quero compartilhar algumas dicas que poderão ajudá-lo no seu ritual diário de crescimento e desenvolvimento pessoal. Espero que sejam úteis.
1. Ninguém tem o direito de ferir a sua dignidade; quando sentir que o ambiente está afetando a sua auto-estima e a sua dignidade, ou você muda de ambiente ou enfrenta o problema ou pára de reclamar para sofrer menos do que o necessário; a primeira é mais gratificante;
2. Considere que poucos líderes estão preparados para enfrentar o diálogo aberto e consistente quando alguém questiona o clima organizacional; quando isso ocorre, geralmente eles são pegos de surpresa; você conhece algum chefe propenso a admitir sua maneira equivocada de conduzir a equipe?
3. Mudar é mais difícil do que se imagina; é muito mais prático suportar a pressão e chorar sozinho do que perder o emprego, o crachá e o plano de saúde, portanto, releve certas coisas e seja menos rígido na avaliação; digo isso porque já fui mais rígido do que o necessário e isso não me ajudou em nada, ao contrário, paguei um preço alto;
4. Lembre-se que nem tudo é para sempre e, felizmente, a vida é feita de mais momentos alegres do que tristes.
A angústia da vida profissional é eterna. Por mais recompensadora que possa parecer, a aposentadoria será o início de novos dilemas que surgirão com a idade e com a eterna necessidade de se sentir útil perante a sociedade. Como diz o César Souza, autor de Você é o tamanho dos seus sonhos, se você não existisse, o universo não seria o mesmo. Portanto, pare de sofrer com coisas pequenas e comece a provar a si mesmo que você é superior a tudo isso.
Nada resiste ao trabalho e ao desejo irreversível de subir na vida. Se você mantiver uma postura irreparável no caminho e assumir o compromisso de crescer e de aprender todos os dias até o fim da vida, ainda que você tenha de cair e levantar inúmeras vezes, seus pais, seus verdadeiros amigos e, principalmente, sua família, agradecem, de coração. Pense nisso e seja feliz!
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Quinta, 31 de Maio de 2007
No final da década de 1980, circulava entre os fãs de ficção científica a seguinte história: em uma conferência, pouco depois do lançamento de seu livro Neuromancer, o escritor americano William Gibson teria sido abordado por ninguém menos que Marshall McLuhan, que lhe disse: "Você realizou meu sonho."
Esse encontro não é citado em nenhum texto biográfico referente aos dois escritores - porque provavelmente jamais ocorreu. McLuhan morreu em 1980, três anos antes de Gibson concluir o que é até hoje considerada sua obra-prima. Mas si non è vero, è bene trovato: o livro de Gibson descrevia pela primeira vez (na literatura de ficção científica ou fora dela) a possibilidade de um mundo completamente interconectado: a comunicação universal, sem fronteiras, propiciada pelo ambiente virtual e surreal que Gibson chamou de ciberespaço - uma realidade consensual, ou, mais adequadamente, em suas próprias palavras, "uma alucinação consensual"*.
O advento do ciberespaço seria, para muitos desses fãs, uma interpretação bastante adequada do conceito mais famoso do professor canadense Marshall McLuhan: a aldeia global - precisamente o "sonho" que Gibson teria realizado ao construir o mundo de Neuromancer.
Um sonho que não era novo. Desde a publicação, em 1964, de Understanding Media, pelo menos um conhecido escritor já havia tentado dar vida ao conceito de aldeia global: Arthur C. Clarke. Conhecido mundialmente como o autor da história que deu origem ao filme 2001 - Uma Odisséia no Espaço, de Stanley Kubrick, Clarke escreveu diversos livros de ficção que abordam com detalhes a idéia da comunicação instantânea universal. Mas sua contribuição mais importante à viabilização de uma futura aldeia global não se deu exatamente pela via da literatura.
A Visão de Clarke - Comunicação Limpa e Sem Obstáculos
Autor, entre outros livros, de Encontro com Rama e A Cidade e as Estrelas, Clarke é conhecido como criador de mundos fantásticos e utópicos. Contudo, o que pouca gente sabe é que este inglês radicado no Sri Lanka, além de escritor, é físico e matemático, e contribuiu ele próprio com a ciência ajudando a desenvolver o radar durante a Segunda Guerra Mundial e criando em 1945 o conceito do satélite de órbita geoestacionária, que revolucionaria as comunicações em escala global.
Talvez por isso, antes de William Gibson, nenhum outro escritor tenha se interessado tanto pela idéia de comunicação instantânea universal. Em diversos de seus livros de ficção, como Terra Imperial e 3001 - a Odisséia Final, ele descreve sociedades em que todos os habitantes do globo estão interligados constantemente, e em obras de divulgação científica, como Um Dia na Vida do Século XXI, escrito em 1986, conceitos como e-learning (educação à distância) e teleconferências utilizando realidade virtual são descritos como lugares-comuns em 2019.
É nesse livro, aliás, que Clarke deixa clara sua afinidade com as idéias de McLuhan, ao citar parte de um discurso que realizou em 1983 na Organização das Nações Unidas, no Dia Mundial das Telecomunicações:
A tão anunciada Aldeia Global já está quase conosco, mas durará apenas um breve momento na história da humanidade. Antes de percebermos que chegou, será suplantada - pela Família Global.*
A idéia de Família Global, uma extensão do conceito de McLuhan, parece evocar uma sensação de belonging, de pertencimento, a um grupo unido e fechado, que convive em harmonia e protege seus membros - uma visão de mundo coerente com o momento histórico em que Arthur C. Clarke (nascido em 1917) foi criado. Hoje, num mundo no qual, entre muitas outras noções, o conceito de família começa a ganhar contornos mais fluidos, as palavras de Clarke parecem transmitir uma mentalidade ainda ligada de modo inconsciente ao passado. Como Bruce R. Powers observa no prefácio a The Global Village - Transformations in World Life and Media in the 21st Century, "as pessoas passam suas vidas criando simulações razoáveis do que foi feito na era precedente. (...) O homem do século dezenove vivia na Renascença. Nós vivemos no século dezenove."* Depois do advento da Web e da nova economia global, essa afirmação de Powers pode estar datada, mas ainda fazia sentido na época do discurso de Clarke - assim como na época em que ele escreveu a maioria de seus livros.
Clarke vislumbra efetivamente um futuro onde o mundo se tornou uma aldeia global, mas nessa aldeia, as casas são todas limpas e assépticas. As histórias de seus livros não excluem guerras e catástrofes, mas os conflitos ocorreram no passado, e o homem soube aprender com seus erros e construir uma civilização mais avançada, sem fome e miséria, e onde a doença e a morte não foram erradicadas, mas estão praticamente sob controle. Mesmo os erros e as imperfeições são previstos e calculados. Um wishful thinking característico da ficção científica de caráter utópico, herdeira do pensamento de H.G.Wells - não por acaso um socialista científico, que acreditava que o progresso da ciência traria o bom senso às mentes dos cidadãos, e conseqüentemente a paz e o bem-estar geral a todas as sociedades humanas.
McLuhan - Totalidade com Variedade
Em nenhum momento ao longo de Understanding Media McLuhan nos dá uma definição precisa do que é a aldeia global. No prefácio, ele diz que:
Hoje, depois de mais de um século de tecnologia elétrica, projetamos nosso próprio sistema nervoso central num abraço global (itálico nosso), abolindo tempo e espaço. Estamos nos aproximando rapidamente da fase final das extensões do homem: a simulação tecnológica da consciência, pela qual o processo criativo do conhecimento se estenderá coletiva e corporativamente a toda a sociedade humana*.
E, mais adiante:
Eletricamente contraído, o globo já não é mais do que uma aldeia*. A velocidade elétrica, aglutinando todas as funções sociais e políticas numa súbita implosão, elevou a consciência humana de responsabilidade a um grau dos mais intensos. É este fator implosivo que altera a posição do negro, do adolescente e de outros grupos. Eles já não podem ser contidos, no sentido político de associação limitada. Eles agora estão envolvidos em nossas vidas, como nós na deles - graças aos meios elétricos.
Se na primeira afirmação McLuhan alude a um "abraço global" que uniria todas as pessoas numa espécie de consciência coletiva, na segunda ele complementa essa idéia mencionando a inclusão das minorias na vida cotidiana de todos, por intermédio de meios que em seu tempo eram apenas elétricos (rádio e TV), e hoje são eletrônicos (Internet).
McLuhan e Clarke parecem concordar quanto ao abraço global, mas é no chamado "fator implosivo" que as diferenças se estabelecem - precisamente porque McLuhan não descarta as diferenças, sejam sociais, culturais ou raciais, ao contrário de Clarke, que prefere esquecê-las em detrimento de um pretenso governo mundial. Clarke não é racista (vários de seus protagonistas são negros, como os personagens de O Fim da Infância e Rama II), mas advoga a idéia de um grande direcionamento das culturas para um único vetor - o das nações mais avançadas tecnologicamente. Em seus livros, países tão distantes e diferentes entre si como Sri Lanka, África do Sul e Fiji encontram-se inteiramente colonizados pela cultura dos Estados Unidos e da Europa, a ponto de as raras manifestações culturais locais serem tratadas como superstições ou, na melhor das hipóteses, como curiosidades históricas que eventualmente podem ser dignas de registro em museus ou bancos de dados.
McLuhan vê parte desse processo (a invasão da tecnologia em todos os recantos do mundo) como inevitável, mas está bem ciente de suas armadilhas, como a alienação, a julgar pela seguinte afirmação:
Não estamos mais bem preparados para enfrentar o rádio e a televisão em nosso ambiente letrado do que o nativo de Gana em relação à escrita, que o expulsa de seu mundo tribal coletivo, acuando-o num isolamento individual. Estamos tão sonados em nosso novo mundo elétrico quanto o nativo envolvido por nossa cultura escrita e mecânica.*
A Visão de Gibson - Comunicação Global Sim, Mas Com Ruído
Alienação é uma das palavras-chave para se compreender o universo supertecnológico criado por William Gibson em suas histórias. Desde contos como Johnny Mnemonic (1981), em que o personagem-título é na verdade um misto de yuppie com ciborgue, mais preocupado em apresentar um bom desempenho nos negócios (no seu caso, transferência de dados através de um disco rígido implantado em seu cérebro) do que com as conseqüências morais ou mesmo puramente físicas de seus atos, até a recente "Bridge Trilogy" (composta pelos romances Virtual Light, Idoru e All Tomorrow's Parties), Gibson descreve uma realidade que é a epítome do pós-moderno, dentro da qual se movimenta como ninguém: o universo cyberpunk.
Embora fruto de um movimento, criado no começo da década 1980 com outros autores*, a visão de mundo cyberpunk foi melhor definida por Gibson em Neuromancer: o melhor e o pior dos mundos possíveis; o charme das tecnologias do mais alto nível convivendo numa nem sempre agradável simbiose com a sujeira punk das ferramentas obsoletas e maquinário sucateado. A reinvenção, ou, para utilizarmos um termo pós-moderno, o sampleamento de velhas técnicas para quem não tem dinheiro para pagar os confortos da sociedade futura. O mundo cyberpunk é um mundo dividido (mal) entre os muito ricos, que dispõem de acesso fácil à comunicação instantânea universal e os muito pobres, os mendigos e loucos da aldeia global, que lutam nos subterrâneos por esse acesso, criando tribos e subculturas que trocam informações entre si sem parar, fomentando guerrilhas midiáticas não muito diferentes das que vemos atualmente (vide as atividades recentes dos coletivos Luther Blissett e Wu-Ming, na Itália). É a aldeia global possível.
Quando Gibson concluiu Neuromancer, em julho de 1983, a Internet havia sido criada exatamente seis meses antes - em 1o. de janeiro, a ARPANet migrou para o protocolo TCP/IP, dando origem à rede mundial de computadores. Mas a World Wide Web, que só seria criada em 1990, não passava de mera especulação - assim como o ciberespaço vislumbrado por Gibson. Mas o fator humano já estava lá - o espírito punk de "no future", tomado de empréstimo dos ingleses e metamorfoseado para as necessidades de um possível século XXI, onde quem tem tecnologia (ou domina o seu uso, seja oficialmente, como as megacorporações, seja subterraneamente como o grupo pós-hacker dos Panther Moderns, que cria sua própria tecnologia ou sucateia a já existente) tem tudo, e quem não a possui é um pária. Ou seja, não só não há justiça social como não há futuro no futuro.
As grandes guerras podem até ter acabado no mundo de Neuromancer, mas deixaram profundas seqüelas em níveis macro e microeconômicos, e a sociedade não parece ter aprendido com os erros do passado. É uma aldeia malgré elle même, parafraseando Moliére. Mais ou menos como o mundo em que vivemos.
Gibson exerce uma função profética bastante semelhante à de McLuhan ao criar o conceito de aldeia global em Understanding Media. E, entre os escritores de ficção científica, é ele quem parece ter melhor compreendido que o McLuhan quis dizer, criando em Neuromancer um mundo praticamente todo interconectado, onde as minorias têm vez e voz (a um ponto tal que coloca talvez até mesmo em discussão a definição de minorias) e as casas dessa aldeia são regidas acima de tudo pelo paradigma da variedade. Ninguém é igual a ninguém, ou por outra: em termos de posse e utilização de tecnologias, uns são mais iguais que outros.
Conclusão: O Presente - Nem Isto Nem Aquilo
A Internet e a sua interface gráfica, a World Wide Web, estão evidentemente muito mais para os sonhos de William Gibson do que os de Arthur C. Clarke - mas o ciberespaço, a realidade consensual tal como imaginada por Gibson ainda não existe, e talvez nunca venha a existir.
A Web é a terceira margem do rio que corta a aldeia global de McLuhan. Ela ainda está apenas no começo de suas possibilidades - que já estão sendo discutidas por escritores da chamada segunda geração cyberpunk, como Neal Stephenson, em Snow Crash, e por Bruce Sterling, antigo parceiro de Gibson, que acabou se tornando o ideólogo dos cyberpunks e de uma nova geopolítica tecnológica, discutida tanto sob a forma de ficção (como em Zeitgeist, de 1999) quanto sob a chancela bastante interessante da não-ficção em seu recém-lançado Tomorrow Now - numa tradução literal para o português, O Amanhã Agora. Um amanhã cuja única certeza é que ele não será jamais aquele que imaginamos em nossos sonhos, mas que Clarke e Gibson, de maneiras bem diferentes, ajudaram a moldar. Com as bênçãos de Marshall McLuhan.
Referências Bibliográficas
BLISSETT, Luther, (2001) Guerrilha Psíquica São Paulo: Conrad Editora
CLARKE, Arthur C., (1989) Um Dia Na Vida Do Século XXI Rio De Janeiro: Nova Fronteira
CLARKE, Arthur C., (1999) 3001 - A Odisséia Final. Rio De Janeiro: Nova Fronteira
GIBSON, William, (1981) Burning Chrome New York: Ace Books
GIBSON, William, (1984) Neuromancer New York: Ace Books
MCLUHAN, Marshall, (1964) Understanding Media New York: Mc-Graw-Hill Book Company
MCLUHAN, Marshall, (1969) Os Meios De Comunicação Como Extensões Do Homem São Paulo: Cultrix
MCLUHAN, Marshall Et POWERS, Bruce R., (1989) The Global Village - Transformations In World Life And Media In The 21st Century New York: Oxford University Press .
Fábio Fernandes é mestrando em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PUC/SP.
Fonte: GHREBH - http://revista.cisc.org.br
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Administrador
Sexta, 13 de Abril de 2007
Contingência quer dizer alguma coisa incerta ou eventual, que pode ou não acontecer.
A verdade ou falsidade será conhecida pela experiência e não pela razão.
As organizações complexas levaram a uma nova teoria. A estrutura de uma organização e seu funcionamento são dependentes de interface com o ambiente externo.
Diferentes ambientes requerem diferentes relações organizacionais para uma ótima eficácia. É necessário um modelo apropriado para cada situação. Diferentes tecnologias conduzem a diferentes desenhos organizacionais. Variações na tecnologia conduzem a variações na estrutura organizacional.
Estudos demonstram a questão do impacto ambiental sobre a estrutura e funcionamento da organização.
Se o comportamento causa mudança no ambiente, a mudança ambiental será contingente em relação ao comportamento.
A nova etapa da Abordagem Contingencial divide-se em teorias:
TEORIA CLÁSSICA: é a organização de um regime fechado, rígido e mecânico sem conexão com seu ambiente exterior. A preocupação dos autores clássicos era encontrar a melhor maneira de organizar, valendo para qualquer tipo de organização. Nessa teoria clássica aplica-se o bom senso. O que valia para uma organização valia para as demais.
TEORIA DAS RH: Nessa teoria a maior preocupação era o comportamento humano e o relacionamento informal e social dos participantes dos grupos sociais que determinam o comportamento individual. O que era válido para uma organização humana era válido para as demais.
TEORIA DA BUROCRACIA: Foi trazida das obras de MAX WEBER; preocupado com os aspectos internos e formalidades de um sistema fechado, na divisão do trabalho, no poder da autoridade, na imposição de regras e disciplina. Buscando um caráter racional, legal, impessoal e formal para a máxima eficiência. Com essa teoria inicia-se a crítica da organização burocrática.
TEORIA ESTRUTURALISTA: O conceito de organização e do homem são amplificados numa tentativa de integração entre as abordagens clássicas e humanisticas a partir de uma moldura da Teoria da Burocracia. Os Estruturalistas desenvolvem análises comparativas das organizações facilitando a localização de características organizacionais.
TEORIA NEOCLÁSSICA: Marca um retorno dos clássicos atualizados inovando e adaptando a mudança. Utilizando velhos conceitos de uma teoria que é a única que apresenta um caráter universal.
TEORIA COMPORTAMENTAL: é uma teoria deixada como herança da teoria das RH; ela ampliou o conceito do comportamento social, comparando estilo tradicional de Administração com o moderno estilo na compreensão dos conceitos de comportamento de motivação. Para mudar uma organização e para se adaptar à dinâmica é preciso mudar o comportamento dos seus participantes e suas relações.
TEORIA DE SISTEMAS: Ela desenvolveu ampla visão de organização seguindo uma preocupação com a construção de modelos abertos. O sistema se divide em subsistemas que tem organizações inter-relacionados e o supra sistema com os subsistemas e com a organização como um todo.
TEORIA DA CONTINGÊNCIA: Onde ocorreu o deslocamento da visualização de dentro para fora da organização. Tudo depende das características ambientais para a organização. Os sistemas culturais afetam as organizações.
Essa teoria é um passo além da teoria de sistemas em Administração. Ela procura compreender como operam outras organizações.
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