Marcelo Miyashita
Segunda, 25 de Agosto de 2008
Networking não é um acontecimento, é um processo. Muita gente só pensa na
sua rede de contatos quando precisa desesperadamente: uma meta de vendas para
cumprir ou a necessidade de um novo emprego. Infelizmente, ocorre na maioria dos
casos. A pessoa torna-se impertinente, irrelevante e, ainda por cima, pedinte. O
verdadeiro networking ocorre justamente pela via contrária, pela via do
oferecimento de ajuda, tempo, disponibilidade e proximidade. É praticar o velho
lema "ajude para ser ajudado".
Esse é o desafio do networker. Não dá para ajudarmos todos nossos contatos e nem
tomarmos café com todo mundo todo mês, então, precisamos encontrar fórmulas que
viabilizem essa prática. Primeiro, é preciso compreender que nossos contatos não
são iguais. Aliás, há uma escala de proximidade que deve estar clara: rede de
contatos, rede de conhecidos e rede de amigos. Com os contatos tivemos
exatamente isso: um contato. Nada mais. É o que acontece quando trocamos cartões
num evento ou quando alguém entra em contato conosco via e-mail. Já conhecidos
são pessoas mais próximas - não só temos seu contato, mas também as conhecemos e
somos reconhecidos por elas. É um grupo bem menor. E, claro, temos amigos, além
de familiares e parentes. Claro que vamos sempre priorizar os mais próximos no
nosso dia-a-dia. Ligamos, enviamos e-mails e, naturalmente, damos mais atenção e
ajuda para eles. Somos networkers com amigos pois é a essência do relacionamento
humano.
O ponto que precisa de mobilização e cuidado são as redes de contatos e
conhecidos. Não dá para manter relações com todos como mantemos com os amigos.
Até porque um bom networker consegue chegar no que chamo escala dos cinco (50
amigos, 500 conhecidos e 5000 contatos). Então, a questão é como praticar
networking com as redes de conhecidos e, principalmente, com as de contatos. É
preciso utilizar um pouco da base do conceito de marketing de relacionamento
praticado pelas organizações. Elas estabelecem esse follow-up em massa por meio
de ações de comunicação e atividades presenciais segmentadas. Por esse caminho
e, sempre fornecendo algo relevante e interessante, é possível nos mantermos
ativos com nossos contatos e conhecidos.
A internet tem ajudado muito nesse follow-up. Claro, é preciso praticar com
inteligência. Volta e meia eu recebo contatos de pessoas que simplesmente
perguntam: E aí? Tudo bem, como vão as coisas? E só. Ou pior, "oi, tudo bem,
indica o meu CV para seus amigos?" (?!). O fenômeno dos blogs tem demonstrado um
bom caminho. Muitos profissionais, ao criarem e manterem blogs relevantes, bem
posicionados, encontram um bom motivo para, por meio de uma prestação de
serviços, manterem-se ativos e gerando conhecimento para seus contatos e
conhecidos. É preciso compreender que a prática do networking exige preparação e
manutenção de serviços, seja por meio de um blog, seja promovendo encontros
temáticos, seja, simplesmente, atuando como conector entre as pessoas - levando
indicações e ajudando as pessoas, para não só pedir, mas também ajudar.
As redes sociais na internet (orkut, plaxo, linkedin) ajudam a manter os dados
dos contatos e conhecidos atualizados. Nesse sentido, é uma boa ferramenta, mas,
como disse, isso resolve parte do trabalho. Não adianta ter os dados limpos e
atualizados se não há uma mobilização disposta a servir aos contatos e
conhecidos.
Rede do Bem
Ser relevante é fundamental para manter a permissão ativa e só conseguimos isso
quando prestamos serviços para nossos contatos. Só para exemplificar, eu tenho
vários grupos de contatos, mas, nos últimos anos, um grupo foi ganhando forma e
representatividade: meus alunos. Como leciono há 11 anos e aplico cursos abertos
e in company há muito tempo também, fui formando muitos alunos. Exatos 3.409
alunos que crescem a cada nova turma ou curso que aplico. É uma massa crítica,
atuante no mercado, em posição de média gerência para alta, e muitos com poder
de contração e seleção em suas empresas. Todos, praticamente, preocupados com
sua carreira e seu crescimento profissional.
Com meus alunos formei o que chamamos de Rede do Bem. Uma rede colaborativa e
fechada (só entra na lista quem é aluno) de trocas de vagas de emprego, em que
os alunos que contratam priorizam e valorizam os colegas alunos nos processos
de seleção. É uma fórmula simples, baseada no envio de boletins via e-mail a
cada 15 dias. De 2006, quando a rede foi criada, para cá, foram distribuídas
entre os alunos 1.272 vagas de emprego! Ou seja, a cada quinzena eles recebem um
comunicado com uma média de 20 vagas de emprego ofertadas pelos próprios alunos
para os alunos. Por meio da Rede do Bem, consigo manter contato relevante e
pertinente com eles de uma forma que não conseguiria se não buscasse prestar um
serviço interessante e válido.
Por isso tudo que praticar networking dá muito trabalho. E a prática correta é
totalmente inversa à percepção que algumas pessoas têm: não se faz networking
explorando seus contatos para pedir coisas. Networking se faz ajudando,
fornecendo, informando e prestando serviços. Mobilizando-se para as pessoas,
conseguindo se manter interessante e não interesseiro. O networker é como um
líder: trabalha para servir seus contatos e consegue com eles mais envolvimento,
comprometimento e colaboração.