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PROBLEMA SEU

Segunda, 6 de Outubro de 2008
Quando eu era coordenador de atendimento de uma grande empresa multinacional, uma das minhas atribuições era atualizar as informações da unidade no notebook de última geração do diretor, um luxo naquela época. Ele sabia fazer pouca coisa naquele notebook, porém sua especialidade era abrir e fechar planilhas de Excel, além de torrar nossa paciência quando os resultados não eram atingidos. Na época não era nem notebook, era laptop mesmo, mas tudo bem.

Embora eu desejasse atirá-lo com freqüência pela janela toda vez que era chamado na sala, aprendi muito com ele, o que fazer e que o não fazer em situações semelhantes. Eu também não entendia muito de planilha Excel, mas, graças ao bom Deus, tinha um colaborador que era muito melhor do que eu nesse sentido e ele dava conta do recado, motivo pelo qual eu me confortava diante do caos. Essa é apenas uma das vantagens de você manter na equipe pessoas melhores do que você, sem medo de ser feliz.

O diretor mantinha em torno de cinqüenta relatórios naquele maldito notebook, todos em Excel, com informações sobre vendas, margens e resultados de cada vendedor, gerente de área, ponto de venda, segmento de negócio, cidade e estado. Cada vez que um vendedor ou gerente aparecia por perto, ele chamava o sujeito e abria o famigerado notebook para testar o camarada. Espontaneamente, ninguém aparecia, mas, em último caso, ele mandava chamar um “Cristo”.

Era tanta informação que ficávamos sempre em dúvida se realmente ele utilizava tudo aquilo. O fato é que ele fazia questão de manter as planilhas em dia, primeiro, para manter o status de ser o único diretor no Brasil com notebook e, segundo, para evitar o dissabor de não ter os dados da unidade quando convocado para uma reunião de ultima hora na matriz.

Certa vez ele me chamou na sala para testar a minha paciência. Era mais ou menos em torno de oito horas da noite, estávamos todos cansados, véspera de aumento de preços, o clima foi pesado durante o dia todo, mas isso não tinha a menor importância para ele.

- Jerônimo, antes de ir embora atualize todos os relatórios do notebook para mim. Devo viajar amanhã cedo e quero esse notebook na minha mesa amanhã cedo antes de sair, entendeu? - Mas chefe, retruquei, são oito horas, são cinqüenta planilhas, leva tempo, importação de dados etc.

- Problema seu! Eu vou para casa assistir o Jornal Nacional e tomar meu uísque, mas você pode ficar aqui durante a noite. Falta ainda quinze horas para o vôo, se vire. Na hora eu me lembrei da janela, da mãe dele e da minha família, mas mantive a calma, afinal ele era pesado e eu não ganhava tão mal assim.

Eu conhecia os principais relatórios analisados por ele, portanto, pedi ao meu colaborador que atualizasse em torno de seis planilhas, as mais importantes, dentre elas a receita e a margem, por área, vendedor e produto, o que levou em torno de duas horas. Durante a noite rezamos para ele não abrir as outras.

No dia seguinte, às oito horas da manhã, lá estava eu com o notebook na sala do diretor e aquela vontade danada de atirá-lo na sua cabeça. – Aqui está chefe, como o senhor pediu. – Muito bom! Esse é o meu garoto! Disse ele, com aquele sorriso hipócrita.

De fato era problema meu, portanto, para tudo na vida existe uma ou mais saídas. Nunca se apavore diante de uma situação como essa. Mantenha a calma, exercite a criatividade, faça o melhor que puder com os recursos que você tem e o tempo se encarrega do restante. O ser humano possui uma capacidade fantástica de resolver problemas dessa natureza. Pense nisso e seja feliz!

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PESQUISA: DISCUSÃO EM GRUPO

Sexta, 5 de Setembro de 2008
Técnica de pesquisa qualitativa que reúne grupos de 8 a 12 pessoas. Também chamada de entrevista focalizada em grupo (focus group), consiste em uma técnica de pesquisa em que um grupo de respondentes é recrutado na população. A pesquisa acontece em uma sala onde as pessoas são reunidas para discorrer sobre um assunto. Essa conversa é conduzida por um profissional chamado Moderador.

O moderador possui um roteiro para conduzir a discussão, que deve durar exatamente duas horas. O roteiro é uma lista de tópicos organizados em uma seqüência lógica que será seguida pelo moderador. O roteiro garante que a discussão percorra um determinado caminho e que os assuntos sejam discutidos na ordem predefinida. Um bom roteiro conduz a conversa de forma que o moderador praticamente não precise interferir nos assuntos. O moderador aproveita o próprio discurso dos respondentes para passar ao próximo tópico. As mudanças não são perceptíveis aos respondentes. No início da sessão, os participantes estão mais tensos e tendem a pensar muito antes de falar, por este motivo o roteiro deverá iniciar a discussão com assuntos mais impessoais. Esta fase inicial é chamada de aquecimento. Após quinze a trinta minutos de discussão em grupo, os participantes ficam mais à vontade e suas respostas são mais espontâneas. Os objetivos primários e secundários serão organizados no roteiro de forma que o grupo atinja o objetivo principal da pesquisa exatamente após uma hora de discussão. É quando o grupo está funcionando espontaneamente e ainda não está cansado. Nos trinta minutos finais tem início o distanciamento dos objetivos da pesquisa em direção a alguns dos objetivos secundários. É feito assim para que os respondentes percebam que a discussão está se encerrando.

As salas onde acontecem as discussões em grupo podem ser salas comuns ou salas especialmente preparadas para esse tipo de pesquisa. Essas salas especiais são conhecidas como salas de espelho. Elas diferem de uma sala comum porque têm uma ligação com outra sala. As duas salas se comunicam através de um espelho, o qual permite que se veja apenas um lado. As salas de espelho contam com equipamentos de vídeo e som para registrar a discussão. Os consumidores são informados, antes, sobre a gravação e a existência de pessoas atrás do espelho. Em salas comuns são instalados sistemas de circuito fechado de TV para que os observadores e o cliente acompanhem a discussão em uma outra sala.

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Acredite ou não: você faz a diferença

Quinta, 21 de Agosto de 2008
Não importa o que você faça: atendimento, vendas ou qualquer outra atividade. Certifique-se de que sua marca esteja encantando quem estiver do outro lado. Atender é conquistar, a base do espetáculo é fazer as pessoas dizerem “uau!” Se isso ocorre, você atingiu a sua meta, se não você perdeu uma grande chance de fazer a diferença.

Eu estava de férias em um dos parques da Disney World. Como sempre acontece nesses momentos, me distrai e perdi o mapa das atrações. Queria muito participar do próximo show. Como não havia tempo o suficiente para retornar a loja e pegar um novo mapa, perguntei a uma mocinha que fazia a limpeza do parque para onde deveria me dirigir. Ela parou o que estava fazendo encostou a vassoura e o equipamento coletor de lixos em local seguro e com toda a delicadeza deste mundo me indicou as coordenadas.

Ela assegurou-se de que eu chegaria mesmo a tempo no local. Caminhou ao meu lado por alguns metros e confirmou a direção que eu deveria seguir. Por alguns instantes, ela deixou de ser uma agente de limpeza para se tornar a minha guia. Foi tão atenciosa que me fez dizer “uaaau!”. Que pessoa maravilhosa: pensei comigo mesmo. Lembro-me de tê-la perguntado sobre sua nacionalidade. Ao que com sorriso nos lábios ela respondeu: “sou da Disney e estou ao seu dispor”. Precisa dizer algo mais?

Também não posso me esquecer quando estava embarcando em um avião em Hong Kong. Eu tinha trabalhado mais de quinze horas por dia naquela semana e sentia-me exausto e louco para chegar em casa, tomar um banho e deitar na minha cama. Ainda era madrugada quando entrei no avião. O vôo estava lotado e, naturalmente, todos, inclusive a tripulação, deviam estar exaustos naquela madrugada chuvosa. Assim que o avião levantou vôo, eu, inadvertidamente, pressionei o botão de chamado de serviço de bordo.

Claro que os atendentes logo que perceberam aquele chamado deviam ter pensado: quem era o chato que não podia esperar o avião se estabilizar. Eu não havia percebido que havia feito aquilo. Porém, logo veio uma bem vestida, sorridente e bem humorada comissária – parecia que ela estava em um parque da Disney, tamanha a sua cordialidade. Aproximou-se e curvou suavemente as pernas evitando falar comigo na vertical. Com voz amistosa completou: “O senhor deve estar precisando de algo, como posso servi-lo?” Fiquei surpreso e disse que estava tudo bem e que eu não necessitava de nada. Ela então, discretamente, apagou o sinal de chamada e concluiu: “não se preocupe essas coisas acontecem. Estou ali atrás e se precisar conte comigo”.

Todo esse processo não durou mais que dois minutos. Parecia que ela havia ensaiado o atendimento várias vezes e não desejava que nada desse errado. Como de fato não deu! Para ela, ser ainda madrugada não tinha a menor importância, o seu objetivo era encantar os passageiros, como de fato me encantou. Algum tempo depois eu tive que voltar a Hong Kong. Adivinha por qual companhia eu voei? Acertou se respondeu a mesma. Mas, afinal de contas, por que eu me tornei um cliente fiel a eles? Porque aquela educadíssima e bem preparada comissária conseguiu se vender muito bem. Ela devia saber que o cliente antes de comprar um produto tem que comprar quem o atende.

Um outro exemplo encantador de atendimento ocorreu comigo quando fui ao shopping comprar um presente para a minha esposa. Eu estava com pressa e assim que avistei a primeira loja dei uma paradinha diante da vitrine. Logo se aproximou uma elegante moça estendeu a mão direita e disse: “Boa tarde, meu nome é Simone Seixas, estou notando que o senhor está interessado em algo especial. Tenho várias outras preciosidades nos expositores internos. Que tal entrarmos para que eu possa mostrá-las ao senhor?”. Percebi que estava falando com uma pessoa muito simpática, comunicativa, de ótima aparência e disposta a me ajudar. Foi batata! Ela além de me vender um caríssimo colar conseguiu me transformar em seu agente de marketing. Hoje, enquanto ela dorme, eu faço propaganda de graça para ela.

O que há em comum nos três casos relatados? Provavelmente, muitos fatores. Porém, todas as três atendentes sabiam que não estavam competindo com o concorrente ao lado e sim com os níveis de habilidade dos funcionários dele. Se fosse tudo pelo preço todo mundo compraria o produto mais barato e ponto-final! Mas não é pelo preço e nunca foi, é pelo valor. E o valor é determinado pela pessoa e pelas habilidades que o profissional tem para apresentar o seu produto, para abordar corretamente o cliente, para prospectar novos negócios, para superar possíveis objeções, para interagir oferecendo alternativas e, acima de tudo, fidelizar o cliente.

Agindo assim, competir fica fácil. Faça apenas um trabalho melhor de atendimento do que o do concorrente e verá como os resultados, também, serão diferentes. E quer saber mais? Você já fez isso no passado? Você já deu um atendimento exemplar e acabou encantando o cliente? Você ainda se lembra como fez isso? Posso lhe garantir que foi agregando mais valor que a outra pessoa do concorrente. Provavelmente, naquela ocasião você deve ter agido com mais entusiasmo e nem quis saber do concorrente. Você apenas “mandou ver”, deu o melhor de si e tudo funcionou muito bem.

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Como Investir em Treinamento

Sabado, 19 de Julho de 2008
"Todos nós adoramos vencer,
mas quantas pessoas adoram treinar?"
(Mark Spitz)

A atividade de treinamento é inerente ao mundo corporativo. Algumas empresas a entendem como imprescindível para o desenvolvimento de seus colaboradores, elevando a produtividade com impacto positivo na última linha do balanço. Já outras companhias a enxergam como símbolo de desperdício - de tempo e dinheiro. E outras tantas apenas a realizam para colorir suas estatísticas de responsabilidade social corporativa a fim de concorrer a prêmios e ganhar títulos.

O fato é que o treinamento é primordial para capacitar, desenvolver, integrar e estimular as pessoas, permitindo-lhes realizar mais com menos, ensinando-as a trabalhar mais inteligentemente. Todavia, um programa formatado sem planejamento pode mesmo representar tempo, dinheiro e energia jogados ao vento.
Como Investir em Treinamento
Por isso, uma questão recorrente é: Como realizar um treinamento produtivo?


1. Palestra ou Treinamento?

O primeiro passo é compreender as diferentes abordagens possíveis.

Uma palestra caracteriza-se por ser um evento de curta duração, podendo se estender desde apenas quinze minutos até duas horas, sendo que convencionalmente gira em torno de 75 a 90 minutos.

Em regra, a palestra é proferida por um único ministrante que a apresenta em formato de monólogo, ainda que muitos profissionais façam uso de diversos recursos para interagir com a platéia, admitindo sua participação.

Diante do tempo disponível, uma palestra tem alcance reduzido, abordando diversos assuntos superficialmente, exceto se o tema for muito específico e de cunho técnico ou científico. Todavia, no universo empresarial, a palestra tem o poder de agir com caráter de sensibilização, buscando promover a reflexão, surpreendendo, provocando e estimulando as pessoas a saírem da zona de conforto para atentar sobre novas possibilidades.

Já um treinamento consiste em um trabalho de maior profundidade que demanda maior dedicação. Evidentemente que a carga horária recomendada depende de variados fatores, podendo transitar de um mínimo de oito horas até cerca de 100 horas ou mais, divididas em módulos exercitados no decorrer de semanas ou meses. Entretanto, diante das dificuldades de agenda das empresas, é comum observarmos a realização de treinamentos com carga de 8 a 16 horas, num sistema de imersão total (cursos de um ou dois dias integrais) ou parcial (cursos de meio período ou realizados à noite).

Um treinamento pode ser conduzido por um único facilitador, não sendo raro dois ou mais profissionais trabalharem em conjunto. Enquanto uma palestra pode ser apresentada para um público diminuto ou para grandes platéias, um treinamento, a fim de ser bem sucedido, deve considerar grupos menores, com um máximo de 50 participantes por turma, sendo desejável até a metade deste número em muitos casos.

O propósito de um treinamento é mais do que sensibilizar. Espera-se desenvolver nos participantes a habilidade de desempenhar uma determinada tarefa com desenvoltura e segurança. Isso justifica a recomendação de grupos menores, pois um treinamento deve contemplar a realização de atividades individuais e coletivas para fixação dos conceitos ilustrados. Não basta ao participante ouvir e falar. É imprescindível fazer.

Há outras modalidades de trabalho derivadas das anteriores, como por exemplo, os chamados workshops, que nada mais são do que mini-treinamentos com cerca de quatro até oito horas de duração.

Entre contratar uma palestra ou um treinamento, a empresa deve considerar seus objetivos e orçamento. Assim, para divulgar um novo conceito, reforçar um procedimento ou festejar uma conquista, a contratação de um palestrante é suficiente e adequada. Já para a implantação de projetos e desenvolvimento de competências, um treinamento faz-se necessário.


2. Planejando o Evento

Qualquer que seja a modalidade de trabalho escolhida, a ausência de um planejamento detalhado é o caminho mais curto para o fracasso. É dentro deste contexto que colhemos tempo perdido, investimento sem retorno e funcionários desestimulados.

O filme "Como Fazer o Treinamento Valer a Pena", distribuído com exclusividade no Brasil pela Siamar, apresenta uma eficiente metodologia de planejamento para eventos de treinamento corporativo. A proposta básica consiste em gerenciar o antes, o durante e o depois do evento.


2.1. Antes do Evento

É responsabilidade do gestor levantar necessidades e objetivos que pretende atingir. Isso já sinalizará inicialmente qual modalidade de trabalho contratar.

Se o motivo for premiar os resultados alcançados pela força de vendas, a melhor opção é uma palestra com abordagem motivacional e até lúdica, pois o momento é de celebração. Porém, se os resultados estão insatisfatórios, a mesma palestra com perfil motivacional deve primar pelo conteúdo, buscando de forma envolvente apresentar técnicas que possam ser colocadas em prática com o intuito de auxiliar na reversão dos resultados adversos.

O local do evento também é importante. Muitos trabalhos podem ser realizados in company, dentro das instalações da própria empresa, minimizando custos com deslocamento e infra-estrutura. Contudo, treinamentos com imersão merecem um ambiente neutro, fora dos muros da corporação, para incentivar os participantes a se desligarem da rotina e entregarem-se de corpo e alma à atividade.

A contratação da empresa ou profissional que conduzirá o trabalho deve considerar formação, experiência, referências e, em especial, capacidade de personalização do serviço. Converse com o profissional. Observe se há a preocupação em conhecer o perfil dos participantes e os objetivos delineados pela empresa. Nada leva mais ao descrédito que uma apresentação que nitidamente não foi preparada para a audiência que a assiste. São os famosos "enlatados", trabalhos padronizados que são indistintamente levados à apreciação de empresas de todos os portes, de todos os segmentos e para públicos de todas as idades, graus de escolaridade e níveis hierárquicos. A customização é um fator crítico de sucesso, pois cada empresa e cada público têm características próprias que exigem abordagens diferenciadas.

Definidos tipo de evento, objetivos e empresa contratada, é fundamental orientar e aconselhar os colaboradores. O grande erro neste estágio reside em enviar as pessoas para o treinamento sem prepará-las. Por isso, explique a necessidade do evento. Diga abertamente porque a empresa está investindo tempo e dinheiro na atividade. Demonstre claramente suas expectativas de melhoria no desempenho. E, sempre que possível, explicite como será feito o acompanhamento pós-evento, evidenciando que a proposta básica é utilizar efetivamente o aprendizado no dia-a-dia da empresa. Isso derruba a mística de que a atividade é um mero evento social, desconectado da realidade da companhia e que no dia seguinte não se lembrará de nada do que foi visto.


2.2. Durante o Evento

Há uma regra entre os organizadores de evento que diz: "Só termina quando acaba". De fato, até que todos tenham partido, nenhum detalhe pode ser negligenciado. Isso envolve, por exemplo, a estrutura física. Cadeiras desconfortáveis, baixo índice de luminosidade, ar condicionado desregulado, acústica deficiente, são fatores que comprometem a atenção dos participantes.

Os equipamentos solicitados pelo palestrante ou facilitador devem ser previamente checados. Atenção com pilhas e baterias usadas, pois podem falhar no momento da apresentação, prejudicando a qualidade do áudio. A sugestão é utilizar sempre peças novas.

Horários precisam ser respeitados e intervalos regulares devem ser previstos para café e refeições, sempre com escolha de cardápio adequado. Em treinamentos com imersão, é comum e mesmo aconselhável a realização de uma confraternização. Mas esta deve ocorrer apenas ao final do encontro, nunca na noite anterior ao último dia de evento, por exemplo, pois os efeitos de uma noite com poucas horas de sono e o provável consumo de álcool impactarão negativamente no rendimento da equipe.

Uma ocorrência comum observada é a ausência de um colaborador no evento sob a alegação de que gostaria de participar, mas sua caixa de entrada está cheia. Barreiras ambientais desta espécie precisam ser superadas com a ajuda da liderança. Agendas devem ser flexibilizadas, escalas remanejadas, todos os esforços empreendidos no sentido de possibilitar a inclusão de pessoas identificadas como target para o treinamento.

Por fim, não meça esforços no sentido de subsidiar o evento com a máxima qualidade. É lamentavelmente comum encontrarmos materiais pirateados sendo utilizados o que denota grande incoerência com o propósito do treinamento e possivelmente com a própria carta de valores da companhia.


2.3. Após o Evento

Concluída a atividade é importante verificar se as metas foram atingidas. O primeiro instrumento é uma pesquisa de satisfação que deve idealmente ser aplicada ainda durante o evento, ao seu término. Pesquisas respondidas posteriormente perdem em representatividade, posto que deixam de captar o momento vivenciado pelo participante.

Uma segunda mensuração deve investigar se houve melhora no desempenho e na produtividade em decorrência do treinamento realizado. Porém, isto só é possível se um pré-teste tiver sido realizado antes do evento.

Nesta etapa, cabe novamente ao líder identificar no colaborador as vantagens do treinamento, demonstrando-lhe pontualmente o progresso auferido. É a hora certa para recompensá-lo, sempre ressaltando que a remuneração financeira não é o único e nem sempre o melhor expediente para reconhecer e fidelizar talentos.

Mas como o trabalho não cessa, é significativo também reafirmar periodicamente os conceitos e aprendizados, a fim de promover a melhoria contínua. Um bom instrumento de apoio, nestes casos, pode ser o e-learning.


3. Conclusão

A realização de palestras e treinamentos é uma atribuição das corporações. Afinal, considerando-se a crise do ensino em nosso país e um modelo de desenvolvimento sócio-econômico que transfere muitas responsabilidades do Estado para as empresas, o trabalho de capacitação dos trabalhadores ganha relevância como pré-requisito na busca pela competitividade.

Mas sem planejamento adequado que identifique por que fazer o treinamento, quando e onde realizá-lo, quem participará, quem ministrará, quanto será investido, como será mensurado o resultado e o que empresa e colaboradores ganharão com a atividade, corre-se o risco de efetivamente ver tempo e dinheiro desperdiçados.

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AS FASES DA VIDA PROFISSIONAL

Segunda, 7 de Abril de 2008
De acordo com o escritor e conferencista Robert Wong, autor de O Sucesso está no Equilíbrio (Ed. Campus), a vida profissional passa por cinco fases distintas: Emprego > Profissão > Carreira > Vocação > Missão. É o que ele chama de Pirâmide de Realização no Trabalho ao estabelecer um paralelo com a Pirâmide da Hierarquia das Necessidades de Maslow, o psicólogo nova-iorquino que mapeou as necessidades humanas.

Isso significa que, num intervalo de 30 a 40 anos, a vida profissional pode oscilar em diferentes fases até que a pessoa encontre definitivamente a sua verdadeira missão, o que não é tão simples e vale a pena explorar um pouco mais, afinal, a escada corporativa é composta de inúmeros degraus e subi-la por inteiro requer habilidades que vão muito além do diploma e da experiência.

Durante os primeiros anos da vida profissional, ainda que você tenha cursado algo que nada tem a ver com a sua vocação, o que você realmente deseja é encontrar um bom emprego e esse é o caminho natural. Depois de um tempo você se questiona se bons empregos existem, porém, nessa fase, o importante é conseguir uma oportunidade para mostrar o potencial e tentar a tão sonhada independência financeira que o livrará, por ora, das amarras familiares, ou seja, das garras do pai e da mãe.

Num segundo momento o emprego não é suficiente para aplacar o seu crescente desejo de realização e a sua ilimitada necessidade de recursos financeiros, portanto, a consciência passa a pressioná-lo por mais crescimento profissional - poder, dinheiro e status - e você faz de tudo para encontrar uma profissão digna, capaz de lhe proporcionar valor, identidade e, principalmente, uma vida mais confortável sob todos os aspectos.

Aos poucos você vai entendendo os meandros da vida corporativa, levando muitas marteladas na cabeça, afinando o jogo de cintura e, então, bem mais experiente, conclui que o investimento realizado na Faculdade foi insuficiente. Pois bem, é hora de partir para uma especialização ou, quem sabe, para um negócio por conta própria, portanto, sua profissão está em fase de desenvolvimento.

De fato, o reconhecimento das escolhas erradas, a automotivação e a predisposição para novos desafios são as melhores alternativas para livrá-lo do marasmo e da procrastinação além de injetar ânimo na profissão que você escolheu (ou seus pais escolheram por você), mas ainda não lhe proporcionou o devido respeito e o mínimo sentido de realização.

Como se trata de um processo longo de evolução, certamente chegará o dia em que você encontrará a profissão ideal, porém à medida que o tempo vai passando, as necessidades mudam e as prioridades também, portanto, está mais do que na hora de você abraçar uma carreira sólida. Sob perspectivas nem sempre animadoras, você se divide entre subir a escada corporativa, na mesma empresa, e a mudança de emprego, sob novas perspectivas, afinal, qualquer mudança tende a ser positiva.

Construir uma carreira leva a um novo processo de desgaste, pois a zona de conforto atingida em determinado momento da vida é uma das maiores tentações do ser humano. Leva tempo para você aceitar o fato de que aquele cargo, aquela empresa ou aquele salário não mais satisfazem suas necessidades de status e de realização, mas enquanto o dinheiro estiver pingando regularmente na sua conta bancária, de quinze em quinze dias, a mente tende acomodá-lo até que você seja realmente defenestrado da empresa.

Apesar de tudo, graças aos conselheiros invisíveis, aos investimentos em cursos de especialização, aos idiomas que você agregou na consciência e, principalmente, aos resultados que você proporcionou, sua carreira vai indo muito bem. Como todo profissional em ritmo de extrema competitividade, foi necessário deslocar alguns concorrentes diretos, agüentar humilhações constantes do chefe, trocar de emprego várias vezes e, por fim, abrir mão de alguns princípios universais para quebrar determinadas barreiras e ser reconhecido perante a alta direção e isso faz parte do aprendizado.

Num dia qualquer você acaba se arrependendo de ter utilizado certas ferramentas e de ter tomado algumas atitudes impensadas para crescer no mundo corporativo e então, de maneira consciente, tenta compensar a sociedade com trabalhos voluntários, doação de parte da fortuna, utilização de um discurso mais ameno e solidário na sociedade e, tão importante quanto, passa a tratar os amigos, a esposa, os filhos e netos de forma mais amigável.

Antes de sua carreira chegar ao fim talvez você realmente encontre a vocação, a quarta etapa da Pirâmide de Realização no Trabalho. Lamentavelmente, a maioria dos profissionais espera a aposentadoria para de dedicar àquilo que os levará a uma vida plena de realizações. Toda pessoa tem sua própria vocação, dizia Emerson. O talento é a vocação. Ao encontrá-la, o pensamento se alinha com a sabedoria divina, a vida entra no eixo da prosperidade e o trabalho passa a ter mais dignidade e mais sentido de realização. E, segundo Albert Camus, o grande filósofo francês, "não existe dignidade quando seu trabalho não é aceito livremente".

Haverá o dia em que você encontrará a sua verdadeira missão e esse é o grande desafio. Espero que você não leve mais do que dez ou vinte anos a fim de aproveitar ao máximo o que a vida lhe oferece. A missão pessoal é um projeto de vida, uma experiência enriquecedora que acompanha o ser humano durante a existência, uma causa nobre que serve de base para o desenvolvimento pessoal e profissional.

Quando falo em missão pessoal durante as minhas palestras, muitos me olham com cara de desdém e imagino que fiquem pensando: quanta bobagem! Contudo, a missão pessoal permite concentrar esforços numa única direção, amplia o sentido de vocação, realça os pontos fortes do ser humano e, principalmente, estimula o sentido de realização.

Agora você já sabe o que fazer. Cada fase da escada corporativa é um desafio altamente estimulante. Como diria Robert Wong, não importa em que posição da pirâmide você está tampouco se você esteve no topo e agora não está mais. É possível que durante a vida profissional você alterne várias vezes entre a base e topo da pirâmide, por inúmeras circunstâncias que nem sempre dependem do seu controle. O que importa é não perder de vista o topo e persegui-lo com todas as suas forças.

Por fim, lembre-se, quando você perde os documentos ou apenas a carteira de identidade, perde também a referência, o rumo e, temporariamente, a motivação. Para recuperá-los, a dor de cabeça é imensa. Com a missão pessoal não é diferente. Você demora a encontrá-la, mas quando a encontra não quer perdê-la nunca mais. Pense nisso e seja feliz.