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Agregando valor com as políticas da organização

Terça, 15 de Julho de 2008
AGREGUE VALOR SEMPRE A alta direção das organizações que se propõem a atender as normas de qualidade e de meio ambiente têm, entre outras atribuições, que estabelecer políticas. Estas políticas são a expressão do pensamento e crenças que valorizam, acreditam e devem ser difundidas em toda a organização, junto aos clientes e mesmo para a sociedade, em especial aquela que compõem a sua circunvizinhança. Portanto, representam anseios e expectativas que interferem diretamente na forma de agir e nos objetivos estabelecidos, ou seja, nas relações e negócios da empresa. Determinam a imagem e como a organização gostaria de ser vista internamente e externamente. Tanto é assim que, tais normas requerem que, estas políticas sejam desdobradas em objetivos. Não se buscam mais a memorização por parte dos funcionários e gestores, atém mesmo porque muitas vezes não ocorria à compreensão do que era repetido (não se permitia esquecer vírgulas, lembra-se?). O desdobramento em objetivos implica na necessidade de ações para alcançar a crença exposta nas políticas transformando-os em valores para a organização.

Uma vez que as organizações tornam público o texto destas políticas estabelece um compromisso de atendê-las. A divulgação deve extrapolar os limites impostos pelos muros das instalações, como no caso especifico da norma de meio-ambiente e, porque não na política de qualidade também. A norma de meio-ambiente requer uma divulgação especifica para a comunidade em que a organização está inserida. As organizações têm cumprido estas exigências. O que chama a atenção é que em muitas delas isto é um ato mecânico que pode ser verificado através de um check-list. O que é proposto em tais políticas somente é comprovado enquanto for possível respaldar nos requisitos das respectivas normas. Quando a direção vai além e manifesta o desejo de superar a norma (consciente deste fato ou não), é impossível encontrarmos algum tipo de comprovação destas ações (supondo que sejam realizadas). Usualmente os gestores de qualidade e meio-ambiente mantém a postura técnica e perdem-se na postura estratégica. É preciso que se reposicionem e façam da política e seus desdobramentos um diferencial da organização.

Costuma-se dizer que as normas são o mínimo que as organizações devem atender. Então, porque a insistência de ficar preso às entrelinhas ali descritas? Deve-se colocar efetivamente em prática estes compromissos assumidos publicamente, superá-los e renová-los constantemente. A sociedade agradece por ser beneficiada. As organizações que o fazem são aquelas que tendem a perpetuar. Pense nas políticas da sua organização e convoque a alta direção para transformá-la em realidade. Os benefícios para o desempenho dos negócios começarão a surgir. Deixe de lado os atos mecânicos e reflita sobre o papel que a sua organização desempenha. Os seus produtos, serviços e processos têm impacto na sociedade nunca se esqueça disto. O lucro proveniente do investimento é conseqüência das ações tomadas pelos gestores. A sociedade valoriza aquelas organizações que provêem valor e, a política é a forma com que se expressam estes valores. Os acionistas ficarão satisfeitos com os resultados que serão proporcionados.

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Mulheres, estou chocada!

Sabado, 8 de Março de 2008
Artigo publicado em homenagem ao dia das mulheres.

Estamos no séc. XXI, em 2008. A força da mulher se consolida.  Enfrentamos alguns obstáculos, mas nada que se compare ao passado. Acompanhe, a seguir, o massacre emocional instituído por três respeitados pensadores sobre as mulheres.

Lutero, um famoso teólogo alemão, reformador e protestante que influenciava a mente das pessoas no século XVI, afirmava:
- "O pior adorno que uma mulher pode querer usar é ser sábia".

Já no séc. IV a.C., Aristóteles, filósofo grego, um respeitado guia intelectual de Alexandre, o Grande, afirmava:
-"A natureza só faz mulheres quando não pode fazer homens. A mulher é, portanto, um homem inferior."

No século XVI, o Rei da Inglaterra e chefe da Igreja Anglicana, Henrique VII, afirmava:
- "As crianças, os idiotas, os lunáticos e as mulheres não podem e não têm capacidade para efetuar negócios."

O tempo passou e vivemos uma outra era. A dinâmica atual sugere mulheres livres, atuantes, empenhadas, escrevendo uma nova história.

Os pensadores atuais são unânimes em aplaudir a força e capacidade da mulher mundial. Atualmente, o valor da mulher é reconhecido, porém, pergunto-me, por que o índice de mulheres deprimidas, ansiosas e emocionalmente estressadas é tão acentuado?

Estamos livres, mas presas aos nossos estados fóbicos.
Estamos lindas, mas feias para nós mesmas.
Somos amadas, mas nos rejeitamos.
Desenvolvemos inúmeras capacidades, mas parece que nos falta a paz.
Administramos agendas, mas boicotamos nossas emoções.
Controlamos grandes negócios, contudo maior é nossa tristeza.
Somos confiantes nas estratégias profissionais, mas inseguras quanto à vida pessoal.
Conquistamos o reconhecimento, mas sentimo-nos vazias.

Por que vivemos essa dualidade?

Talvez, porque, apesar dos tempos serem outros, ainda guardamos, inconscientemente, memórias emocionais daquela época. Através da memória coletiva ou da memória individual.

Quando nossa memória fica presa ao passado, temos a sensação da dualidade. Sabemos quem somos, o que fazemos e qual nossa missão. Porém, involuntariamente, sentimos que algo nos prende. Questionamos, inclusive, nossa liberdade. Aprisionamo-nos em culpa e medo. Sufocamos. Entretanto, inacreditavelmente, a vida nos convida a seguir. E, seguimos, mas muitas vezes, espiamos a nossa volta, à procura da energia pesada que tem o poder de nos deprimir.

Mulheres, nossa luta é de séculos, nossa missão é desenvolver a auto-estima coletiva. Os tempos já foram muito difíceis. Sugiro que todas nós, cada uma, no seu momento, solte a energia proveniente de crenças negativas em relação a nossa condição de mulher.Precisamos, juntas, criar um inconsciente coletivo livre. Só assim, aos poucos, seremos, individualmente, mais tranqüilas.

A liberdade, muitas vezes, é conquistada após muitos séculos, portanto, valorizemos o que já foi feito e sejamos felizes!

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COMO VAI A SUA CULTURA DE PLANEJAMENTO CORPORATIVO ?

Terça, 12 de Junho de 2007
Planejar é inerente à Gestão Corporativa. Não importa o tamanho do negócio. Em todas as empresas é requisito básico. Alguma vez você já se perguntou o que diferencia empresas do mesmo ramo com resultados e crescimento tão diferentes ? Certamente uma das razões estará no planejamento.

Não basta ter um excelente planejamento se não soubermos gerir os instrumentos à disposição dos gestores. Aqui falamos em planejamento d e amplo significado e abrangência. Aliás, muito além do significado comum conhecido pelas pessoas.

AVALIE VOCÊ MESMO COMO VAI A SUA CULTURA DE PLANEJAMENTO CORPORATIVO

Aqui segue um roteiro básico. A Cultura do Planejamento estará disseminada em sua empresa quando:

1. Os gestores dispuserem de adequado Sistema de Informações Gerenciais consolidando os resultados mensais comparados entre previsto e realizado, proveniente dos diversos Instrumentos de Apoio à Gestão e Decisão.

2. O corpo gerencial tomar decisões e referenciar atos e ações sempre através deste sistema.

3. Seus colaboradores tiverem acesso a estes dados e informações e entenderem seu significado e importância para a gestão.

4. Os integrantes de a empresa falarem a mesma linguagem corporativa ao defender pontos de vista ou tomar alguma decisão significativa, levando em conta os resultados obtidos e medidos através dos Instrumentos Gerenciais.

5. A equipe de vendas puder avaliar individualmente se os resultados que atingiu são bons ou não para a empresa.

6. Cada colaborador puder agir voltado para resultados e tiver consciência de onde, quando e quanto estará agregando em valores ao negócio.

Planejar, em gestão corporativa, significa exercer a possibilidade de ver à frente, à frente dos outros, poder antecipar decisões, decidir rápido e assertivamente, definir rumos, delinear estratégias, antever oportunidades ou ameaças, negociar municiado dos dados adequados, perceber fronteiras mais distantes que os concorrentes.

PLANEJAMENTO CORPORATIVO

Estrategicamente pode significar estar muito à frente dos outros e dos concorrentes.

O estranho nisso tudo é que ainda encontramos empresas de porte expressivo, já maduras, sem adequados instrumentos de planejamento, ausência de cultura de planejamento e pouco domínio dos princípios que regem o Planejamento Corporativo e sua gestão.

TIPOS DE PLANEJAMENTO CORPORATIVO

Quais deles você já implementou em sua empresa ? Aqui citamos os principais que, dependendo do estágio e porte da empresa, podem ter diversos desdobramentos e níveis diferenciados de detalhamento:

1. Plano de Negócios (ou do Negócio). Conhecido como Business Plan. Antecede à implantação de um negócio. Ou pode tratar de um Plano de Expansão ou Plano de Viabilidade Econômico-Financeira para obtenção de recursos no mercado.

2. Planejamento Estratégico (diagnóstico que visa estabelecer onde estamos, para onde vamos e todas as variáveis que podem influenciar, proteger ou atrapalhar a trajetória da empresa)

3. Planejamento Orçamentário (receitas, despesas, investimentos, fluxo de caixa)

4. Planejamento Operacional ou de Produção (PCP)

5. Planejamento de Marketing

6. Planejamento de Vendas

7. Há uma série de outros, alguns em forma de desdobramentos dos principais como Plano de Metas (regionais, departamentais, setoriais e até os individuais)

A boa Gestão Corporativa pressupõe o domínio de uso destes instrumentos gerenciais, que funcionam melhor quando são suportados por instrumentos de apoio, entre eles:

1. Indicadores Desempenho (geral, específicos ou setorizados)

2. Indicadores de Desempenho de Mercado ou do Segmento

3. Benchmarking (comparativo entre empresas do setor)

RESUMINDO

Implementar um Sistema de Planejamento, composto de diversos Instrumentos de Apoio à Tomada de Decisão, é mais um processo do que simplesmente implantação um novo método de trabalho. Somente com o tempo e muita dedicação sua empresa terá disseminado os conceitos e a cultura do Planejamento Corporativo.

Oportunamente nos deteremos de forma detalhada em cada tipo de Planejamento Corporativo.

Autor - João Carlos DOMANSKI, Administrador e Consultor de Gestão, sócio fundador da SYNERGIA CONSULTING, dedicada a desenvolver soluções diferenciadas para empresas que buscam a melhoria contínua através da qualidade da gestão e superação de resultados.

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Diversificar ou Focar?

Quarta, 30 de Maio de 2007
Uma das questões que mais afetam as organizações, é a das decisões voltadas à diversificação ou não das suas atividades. Acompanhando diferentes casos em situações e ramos diversos, pude constatar que este processo é difícil, lento e muito meticuloso, por se tratar de uma modificação contundente. Muitas empresas não estão preparadas estruturalmente e muito menos financeiramente para gerar uma nova frente de trabalho.

A diversificação, seja ela unilateral ou multilateral, requer decisões extremamente fortes e centradas, e que seus representantes possuam total gabarito para sustentar uma nova situação e desta prosperar, sem "afundar" a primeira.

As decisões de diversificação, surgem por motivos múltiplos, podendo ser financeiros, estratégicos, de risco, de emergência ou de investimento, entre outros, mas de uma forma ou de outra, deverão ser realizadas de maneira planejada, pois a diversificação causa para muitos a perda de direcionamento e foco em seu campo de atuação, fazendo com que a primeira organização acabe por sustentar a segunda e por fim, ambas acabam por sucumbir e fechar.

Um exemplo bem claro, aconteceu junto a uma empresa no ramo de prestação de serviços que assessorávamos. Em seu campo de atuação a empresa possuía uma posição privilegiada, e seus administradores focavam todas as possíveis ações com a intenção de promover e alavancar. Esta tática foi dando certo, ao passo que sua expansão se deu de forma rápida e eficaz, dominando a cidade em que se situava e expandindo para outras, com um ótimo feedback.

Assim se sucedeu, até o ponto em que um de seus sócios resolveu diversificar. Com a expansão da empresa inicial e com a confiança da estabilidade financeira e econômica, resolveu investir em um produto de commodity, que possui em todo o mundo uma forte influência de cartéis que regulamentam e controlam o setor. A compra da nova empresa gerou um alto desprendimento financeiro, proveniente de um empréstimo requerido à primeira empresa. Com a aquisição, reformas foram realizadas e novos processos organizacionais foram surgindo.

Com o novo empreendimento, este sócio acabou se afastando da sua área inicial, sobre a qual detinha o conhecimento e o know how, dedicando-se à atual atividade. Nós, como assessoria, a todo momento o alertávamos dos possíveis problemas a serem originados por essa fase e que a diversidade do grupo deveria se dar de forma a atingir o seu segmento de atuação e não realizar uma mudança radical em campos diferentes. Infelizmente, obcecado pela empresa adquirida, o mesmo não nos deu ouvidos e continuou a investir em seu novo negócio.

Durante o primeiro ano, inúmeras dificuldades surgiram como esperado. Por se tratar de um segmento altamente controlado e influenciado por inúmeros outros representantes de grande força e poder, nosso cliente deparou-se com a necessidade de novamente diversificar dentro da sua nova organização. Porém, esta diversificação acarretou em mais investimentos que até então deveriam ser realizados pela primeira empresa, já que a segunda, ainda não estava com uma situação econômica estável, a ponto de assegurar melhorias e benefícios.

Assim se sucedeu, aportes e mais aportes de capital diante de todo tipo de dificuldade passada. Em meio a esta situação, resolvi esclarecer algumas dúvidas técnicas/profissionais junto ao meu professor de marketing, em meu MBA, busquei aclarar certas nuanças mercadológicas e principalmente discutir o caso em questão, para saber se o que inicialmente havíamos conversado com o cliente estava certo, e em um âmbito mais global, quais seriam as possíveis ações a serem realizadas e se o desfecho poderia ser melhorado. Em meio a esta reunião, constatei que a nossa atitude estava correta, sendo o diversificar ou focar uma questão extremamente importante organizacionalmente falando, pois muitas empresas diversificam e perdem o seu foco inicial, prejudicando suas bases e sua estrutura como um todo. Após esta discussão, pude ainda participar de uma mesa redonda com professores que conversavam sobre este tema, e acabaram por me elucidar informações de grande valia e principalmente me lançaram idéias que culminaram com meus pensamentos sobre o tema.

Assim, voltando ao cliente, com uma situação já avançada diante de seu negócio, de forma a mostrar que os acontecimentos estavam a um passo extremamente caótico, a decisão foi tomada: para não perder o patrimônio, prestígio e principalmente, arruinar com a primeira empresa, foi necessário reorganizar o foco, voltar atrás e se desfazer do segundo empreendimento antes que esse viesse a arruinar todo o grupo. Assim se deu, a empresa voltou a focar-se em seu ramo inicial, buscando diminuir as perdas e alcançar novamente sua posição no seu mercado de atuação.

É claro, que este é um caso de insucesso diante de um diversificação que mostrou um despreparo e uma miopia organizacional e culminou em inúmeros prejuízos, muitos desses irreversíveis a curto prazo. Porém é sabido que esta é uma tônica em muitos mercados e a falta de foco transforma verdadeiras fortalezas em pequenas barricadas altamente frágeis e suscetíveis a alterações de mercado e concorrência.
Por isso, quanto pensar em articular novos investimentos organizacionais, pese sempre quais os pontos que poderão a todo momento interferir em seu novo campo de atuação e principalmente avalie a sua capacidade técnica/profissional para atuar em um novo ramo, pois engana-se aquele que acha que porque obtêm sucesso em um tipo de segmento, conseguirá em qualquer outro, já que são inúmeras situações superadas e experimentadas que fizeram de seu trabalho um sucesso.

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As Cores na Mídia

Quarta, 30 de Maio de 2007
O trabalho apresentado é a síntese da tese de doutorado apresentada ao Programa de Comunicação e Semiótica da PUC-SP. Nela, trato das intenções no uso da cor como informação e apresento um instrumento teórico para a análise e a elaboração de produtos jornalísticos que utilizam imagens em cores. Apresento e justifico um novo domínio para a cor, dirigindo a sua atenção para a informação produzida pela mídia jornalística, definindo-o como cor-informação. Com essa abordagem, esta pesquisa realiza uma análise crítica e demonstrativa de como uso da cor deveria estar a favor da formação do indivíduo consumidor dos produtos da mídia mas, ao contrário, tem determinado adesões a ideologias ou a finalidades que estão fora das intenções primeiras da informação ou da comunicação, além de algumas distorções, exageros, preconceitos e outras anomalias nas notícias publicadas.A cor é, certamente, um dos mediadores sígnicos de recepção mais instantânea na comunicação jornalística e, mesmo assim, sua expressão não vem sendo utilizada com muita eficiência e respeito aos critérios que definem o jornalismo de qualidade.

Considera-se a cor como informação todas as vezes que sua aplicação é responsável por organizar e hierarquizar informações ou lhes atribuir significado, seja sua atuação individual e autônoma, ou integrada e dependente de outros elementos do texto visual em que foi aplicada.

A consciência de que a cor pode incorporar significados às informações que são coloridas aumenta a responsabilidade do jornalista e/ou do designer de notícia. Há de se ressaltar que, no exercício de sua função, o comunicador social responde às intenções embutidas nas diretrizes editoriais que são, por sua vez, intenções daqueles que detêm os meios de comunicação.

A precisão da informação dependerá da história da cor, do conhecimento pelo receptor da informação dessa história e do contexto criado pela apresentação da notícia para "empurrar" a cor para o significado que se espera que ela venha a formar. Será quase sempre um jogo entre uma macro e uma micro-história da cor, um jogo entre significados permanentes e temporários, entre signos fortes e signos fracos.

É muito comum, a partir da constatação de que em vários casos pode não haver correspondência entre o texto jornalístico e a composição visual que a acompanha (ou lhe dá suporte), surgirem questionamentos sobre a intencionalidade de tal dissonância e, conseqüentemente, sobre a ética jornalística. Como processo de investigação e análise da produção, deve-se primeiramente avaliar se há ou não correspondência entre os níveis de leitura. A seguir, caso seja constatado dissonância, tentar colocar à prova se ela ocorre intencionalmente. Por fim, é preciso deduzir qual foi a intenção que direcionou o trabalho. É imperioso, de todo modo, ter-se em conta que a dissonância pode não ser intencional - provocada, por exemplo, por qualquer espécie de erro - ou ser intencional, mas não ser consciente.

O que realmente me interessa é sublinhar que são muito mais perceptíveis as impropriedades jornalísticas - que vão da ideologia ao preconceito - quando elas ocorrem nos textos do que nas imagens. E mais nas imagens (como representação figurativa) do que no uso de cores. Até a notícia chegar ao receptor, várias etapas se sucederam, cada uma delas um pouco responsável pela mediação.

Quanto a isso, a primeira constatação que fiz - e que motivou este trabalho - foi a de que as cores só têm esse poder de, subterraneamente, incrementar valores às mensagens porque os métodos, os comportamentos e as intenções no seu uso não são conhecidos da sociedade consumidora da mídia.

Nas várias relações e em diversas proporções entre intenções e responsabilidades, temos, de um lado, a geração de informação, compreensão e formação - ações positivas - e, de outro, a geração de desinformação, de incompreensão e de deformação - ações negativas dos atos de comunicação. Tornar a informação mais ou menos credível pode, intencionalmente, fazer parte dos objetivos daquele gesto de informação, mas pode também ser resultado de uma composição visual não intencional, por sua vez descuidada e até mesmo irresponsável. Se intencional, o julgamento se volta para a própria intenção e, conseqüentemente, para o autor ou emissor, já que o uso da cor-informação será considerado correto na sua formulação. No caso contrário, o julgamento se volta mais para a mensagem, considerada sua incorreção no uso da cor-informação, independente de o resultado da composição visual ser positivo ou negativo, segundo a deontologia do receptor crítico, o que depende do compartilhamento ou não do ponto de vista moral, ético e repertorial entre o emissor e o receptor daquela informação.

Algumas ações negativas:

A Saturação - O que podemos notar, em vários produtos do jornalismo desse período até o momento atual, é a saturação de imagens e a saturação de cores, um aumento da quantidade de imagens coloridas que não correspondem a um aumento na qualidade da informação. Nessa direção, podemos constatar que, se, por um lado, as cores são componentes ativos e amplificadores do fenômeno contemporâneo da saturação de imagens, de outro é possível distinguir, como ações negativas, alguns casos em que a cor é, por si, a responsável direta pela saturação da imagem.

A quantidade e a intensidade de cores apenas criam condições para a saturação das cores, que só se efetua definitivamente com a desvinculação entre cores e significados, ou seja, entre as cores e toda a história, simbologia e capacidade comunicativa que elas deveriam nos proporcionar. Nas publicações marcadas pela saturação de cores, uma circularidade perniciosa envolve o seu público consumidor e os responsáveis pela produção dessas informações publicadas: esse público está despreparado para assimilar menos passivamente a cor-informação; a mídia, por sua vez, considera desnecessário o esforço para utilizar a cor-informação mais elaborada; a mídia considera conveniente não formar o seu público consumidor capaz de receber cor-informação; o público consumidor não sente a necessidade e não cobra da mídia essa formação, aceitando o uso banalizado da cor.

Portanto, a realidade mediada deve atribuir à cor funções e ações diferentes, devidamente hierarquizadas e organizadas, solicitando tempos e níveis diversos de comprometimento com o olhar, a recepção, a reflexão e a interpretação, o que por certo exigirá um receptor apto e preparado para esse comportamento. A mídia, como um todo, e não como esforços isolados, por sua vez, deve também se qualificar para conduzir essa informação. O leitor, o telespectador e o internauta saturados são leitores indiferentes à cor-informação, embora passivamente sensíveis a ela. Essa passividade é a mantenedora da postura acrítica.

A saturação leva ao caos da informação e a composição visual, seja ela uma tela ou uma página, perde a capacidade de organizar e hierarquizar a informação. Todos os elementos da composição se confundem, e a riqueza intersemiótica se decompõe na neutralização da capacidade de significação. Muitas vezes, confunde-se autonomia e interatividade do processo de leitura com falta de orientação e direcionamento, e nessa confusão se dá uma profusão caótica de cores.

A Redução - A redução de cores, como, de forma geral, de todos os códigos de comunicação, é regida pelo princípio da economia de sinais levada a cabo pelos meios de comunicação de massa.

Com as cores, a redução do número de significantes e significados corresponde a uma simplificação dos símbolos utilizados, o que é conveniente para garantir a maior sobreposição de repertórios. A utilização repetida da mesma carga semântica sobre uma cor vai estereotipá-la e aprisioná-la a um conteúdo único. O receptor, acostumado àquela ligação entre cor e significado reduzido, pode estranhar a mensagem que tenha feito outra referência, por mais contextualizada e adequada que seja a relação entre a informação como um todo e a cor como parte dela.

O máximo de alcance e da simplificação redutora se dá com a globalização da comunicação, na qual se inserem com grande ênfase os produtos da World Wide Web. Embora o acesso a informações de todo o mundo seja um projeto louvável e que tem facilitado o rápido desenvolvimento de grande parte do conhecimento atual, não podemos ignorar a cultura reducente dos códigos utilizados e o prejuízo na competência comunicacional dela derivada.

O nivelamento a um repertório mínimo de cores leva a interpretações imediatas e impede que o receptor procure (com um pouco de esforço intelectual) compreender o universo cromático de outras culturas, de outras sociedades, de outras camadas sociais, de outros receptores diferentes de si. Nivelada, reduzida e globalizada, a cor deixa de comunicar além da paleta reduzida de significantes e de significados.

A letargia da mídia diante do potencial uso da cor é apenas reflexo do ritmo a que ela foi submetida e que desfavorece o aprofundamento da cor e também de todos os demais códigos utilizados na comunicação

A Neutralização - Princípio primordial para o êxito da atividade jornalística visual: informações iguais devem receber o mesmo tratamento gráfico; informações diferentes devem receber tratamento gráfico diferente. Qualquer inversão nesse ordenamento é prejudicial à informação, levando, em última instância, à sua deformação e, no caso da cor, à sua depreciação e desvalorização. A recepção diacrônica, linear e desprovida de variações rítmicas, seja ela oral, escrita, visual ou intercódice, inviabilizaria a comunicação.

A Maquiagem/camuflagem - Muitas vezes, intencionando valorizar suas imagens, e, por extensão, acreditando poder valorizar o produto jornalístico, recorre-se a algumas manipulações cromáticas da aparência natural dos objetos. Pode-se considerar que essa manipulação, tanto na captação da imagem, com uso de filtros ou iluminação diferenciada, quanto no tratamento na edição gráfica, é uma ação negativa, desde que ela maqueie ou camufle a informação e crie uma outra aparência que não corresponda à realidade do objeto em foco, principalmente por apresentar essa nova aparência como analógica à real.

A Deformação - É a mais conhecida e combatida ação negativa da cor. Alteram-se as cores, muitas vezes de forma sutil, outras de forma extremada. Com essa alteração, deforma-se a imagem original e normalmente valores negativos são incorporados. Dependendo da expectativa dos receptores daquela informação, a deformação pode ser bem ou mal recebida, o que me leva a considerar que a deformação pode ser tanto uma ação positiva quanto uma ação negativa, quando se altera a informação original, induzindo o leitor a incorporar valores depreciativos ou positivos que interfiram na sua liberdade interpretativa.

Ações positivas

A Antecipação - De todas as combinações de sobreposições entre os sistemas de códigos utilizados pelo jornalismo, o significante de maior influência no direcionamento da notícia é certamente o originado na cor. Podemos considerar que a cor se antecipa aos outros códigos e delimita um número de significantes retirados de seu repertório (armazenamento de experiências e de dados sobre as cores). Na seqüência, os outros sistemas são recebidos à luz desse repertório delimitado pela cor e somente um será concretizado, direcionando a interpretação da notícia. Quanto mais força determinada cor-informação tiver dentro do repertório (principalmente pela repetição), maior será a brevidade da sua recuperação pela memória e maior a antecipação no direcionamento da mensagem.

Considerando a dinâmica atual para a exibição e o consumo de notícias, a antecipação e o direcionamento da informação, caso não respondam às intenções manipuladoras de uma das ações negativas, podem ser usados principalmente para o melhor aproveitamento do tempo. O leitor ou telespectador, imediatamente informado sobre o tema, o enfoque ou o objeto tratado pela notícia, direciona o esforço de compreensão para os outros códigos, principalmente para o texto verbal escrito ou oral.

A Discriminação/diferenciação - A diferenciação cromática de um objeto ou de parte de uma informação visual se dá em parâmetros contrastantes em relação aos demais elementos do campo visual. É por meio dela que um projeto pode estabelecer diferenças, contribuir para a organização das informações, selecionar a parte do todo e ressaltá-la, hierarquizando tanto em níveis de importância quanto em seqüência de leitura (principalmente em composições visuais complexas). Por extensão, a discriminação contribui para relacionar elementos que não são apresentados simultaneamente, fazendo "ponte" entre essas informações, o que facilita a identidade visual de alguns produtos.

A Condensação e a Intensificação - Como versão positiva da redução, a condensação se refere à ação da cor capaz de concentrar em si a essência do discurso geral da matéria jornalística. A densidade adquirida não é restrita a um aspecto resumido, mas ao todo ampliado. A recepção da cor-informação condensada deve propor uma ampliação do discurso e abrir conexões com o mundo imaginativo.

Sem descartar a idéia de que o universo semiótico das cores na mídia seja fruto de sistemas operando em simultaneidade, apresento um instrumento tanto para a análise quanto para a produção dos textos da mídia em que a cor seja um importante elemento de significação. Denominei esse instrumento de Modelo Ontogênico das Cores (Esquema 1).

Esquema 1.

Enquanto a reprodução de formas e texturas exige o aprendizado para o reconhecimento, quando reduzidas às técnicas de reprodutibilidade técnica, as cores provocam as mesmas ações biofísicas de recepção que teriam no mundo natural. Ao passar por todo o processo de produção e de recepção de imagens, a cor pode incorporar valores, regras e códigos constituídos por sistemas ou por campos semânticos de origens diversas (religiosa, política, técnica, etc). Como cada código, sistema ou campo interfere diretamente na maneira como a cor se manifesta (restringindo-a ou conformando-a), muitas vezes a vinculação original fica obscurecida. Ainda assim, a ação da cor sobre o receptor se dará da mesma forma, pelos mesmos canais de recepção e intelecção. Até uma cor resplandecer com vigor na tela ou na página impressa, ela passa por uma série seletiva de adequações, tanto na produção quanto na recepção da informação. Os resultados dessas adequação aos códigos, sistemas ou campos utilizados, formam camadas de significação que determinam a estrutura narrativa de determinado produto da comunicação. Tais camadas são sobrepostas umas às outras, de forma que às vezes só se pode perceber a camada mais superficial, enquanto outras vezes as camadas são transparentes a ponto de a cor-informação ser praticamente análoga à do mundo da primeira realidade.

Ao nos depararmos com um texto cultural da mídia, será então necessário distinguir a participação de cada um desses camadas - que funcionam como filtros - na construção da expressão da cor.

Se alguém observar atentamente o Umwelt em que ele próprio está inserido e procurar distinguir os diversos usos das cores e os "saberes" que se ocupam dos dados necessário para a aplicação e para o conhecimento do universo cromático, se dará conta da grande dimensão formada pela rede de conexões entre os vários campos semânticos e os sistemas de representação, reprodução e transmissão de informações cromáticas. O modelo proposto organiza em subsistemas todos os campos semânticos que são fontes de alimentação do repertório da cor.

Defini quatro subsistemas que serão representados posteriormente por quatro camadas do modelo, segundo as semelhanças e diferenças entre os campos semânticos que formam o repertório da cor.

1) Mundo natural.

O subsistema Mundo Natural é composto pelas imagens naturais. Não todas, mas aquelas que surgem a partir dos referentes naturais do mundo físico, ou dos referentes que foram produzidos pela ação humana, e que podem ser compreendidos como imagens de ambientação.

2) Homem

No modelo, o subsistema Homem é incorpora as capacidades humanas para a percepção, compreensão, organização e transmissão de informações cromáticas e as formas como essas capacidades podem variar em cada grupo diferenciado.

Fazem parte ainda desse subsistema as imagens mentais - semiconscientes, oníricas, alucinatórias, imagens do pensamento, com função referencial ou com função na elaboração, reprodutivas ou antecipatórias.

3) Produção

Um terceiro subsistema para alimentação do repertório das cores é o obtido pela produção humana. Trata-se de todos os objetos criados pelo homem que, conforme suas funções e objetivos, podem constituir campos semânticos específicos. São exemplos de campos semânticos os que tiveram procedência na arte, no artesanato, na indústria, na moda, no design, na mídia (como produção), nos jogos lúdicos e esportivos, no folclore e nas festas populares.

4) Discurso

O quarto subsistema para alimentação do repertório das cores é o obtido por meio de discursos de toda espécie, sendo os principais os oriundos dos exercícios do saber (como a filosofia, a ciência e a educação), da comunicação (como conhecimento compartilhado), da religião, da política e do conhecimento mágico (principalmente da mitologia). Como os discursos são localizados diacronicamente, historicamente e geograficamente, uns podem se sobrepor aos outros e até mesmo definir diferenças culturais.

A base de alimentação da informação jornalística é a realidade. Reproduzindo essa idéia, o modelo tem como alicerce o subsistema Mundo e os campos semânticos que nele estão inseridos. As informações que recebemos por meio da mídia foram, de certa forma, emitidas pelo mundo real e transcodificadas para os códigos inteligíveis que têm (ou deveriam ter) a função de organizar os dados para a assimilação do público. A forma como se dá essa transcodificação pode ser estruturada a partir das camadas que são sobrepostas às informações de base, do subsistema Mundo. A participação de sistemas e campos semânticos e os níveis de intervenção em cada uma destas camadas representadas pelos filtros determinarão o resultado da intermediação, projetado em um sistema simbólico de cores. Ou seja, o sistema simbólico de cores é a soma de todos os outros subsistemas que são colocados sobre os dados do mundo natural. Ele é a instância estruturada de descrição estruturada de todas as ações de organização das informações cromáticas de determinado fato.

Antes de determinar quais são (do ponto de vista do investigador) ou serão (do ponto de vista do produtor) as cores utilizadas em determinada informação da mídia e as relações que formam o seu sistema simbólico, a informação proveniente das camadas do modelo passa ainda por mais dois filtros. O primeiro é regido pela linha editorial e, portanto, diz respeito às intenções dos atos de informação; o segundo é regido pelos recursos disponíveis e pelas limitações técnicas de reprodutibilidade da informação cromática. No modelo, os dois filtros serão considerados filtros de ações, pois é nesta instância de geração da informação cromática que se fazem presentes as ações positivas e as ações negativas.

Essa investigação sobre os antepassados das cores é particularmente importante para determinar quais campos semânticos e comportamentos dos filtros serão utilizados no modelo de cores de determinada cultura. Trata-se de resgatar a natureza cultural da cor. É preciso dominar os códigos específicos da cultura cromática de cada sociedade, se quisermos analisar a sua aplicação. Estudar o estado atual de uma publicação implica considerar a cultura da cor como resultado desse percurso histórico. Como a cultura é dinâmica, alguns textos culturais vão para o centro do sistema, ou seja, estarão em melhores condições de comunicação, enquanto outros migram para a periferia do sistema, onde são enfraquecidos, podem cair no esquecimento ou até mesmo deixar de existir.

Ao utilizar o Modelo Ontogênico como instrumento para organizar a investigação, é preciso observar que, caso a análise seja voltada para um recorte de tempo específico, remoto, será necessário obter o sistema simbólico e os filtros de ação válidos naquele momento de geração e de publicação das informações em estudo. Caso contrário, corre-se o risco de utilizar um sistema obsoleto ou inadequado para a investigação que se propõe fazer.

Referências Bibliográficas

Flusser, Vilém, (1983) Pós-história: vinte instantâneos e um modo de usar. São Paulo: Livraria Duas Cidades.

Guimarães, Luciano, (2001) A cor como informação: a construção biofísica, lingüística e cultural da simbologia das cores. São Paulo: Annablume.

Lotman, Iurij, (1981) Ensaios de Semiótica Soviética. Lisboa: Horizonte.

Pross, Harry, (1987) Introducción a la ciência de la comunicación. Barcelona: Anthropos.

Romano, Vicente, (1993) Desarrollo y progreso: por una ecología de la comunicación. Barcelona: Teide.

Serva, Leão, (2001) Jornalismo e desinformação. São Paulo: Senac

Luciano Guimarães é jornalista e designer. Doutor em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP. Professor do curso de Comunicação Social da Universidade Estadual Paulista (Unesp-campus de Bauru)

Fonte: GHREBH - http://revista.cisc.org.br