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O Consumerismo e os direitos do Consumidor

Terça, 11 de Março de 2008
No dia 15 de março de 1962, o presidente norte-americano John Kennedy, frente às repercussões do escândalo da Talidomida, medicamento que causava defeitos nos filhos de mulheres grávidas que o utilizavam, enviou uma mensagem ao congresso, propondo o reconhecimento de quatro direitos básicos do consumidor: o direito à segurança, à informação, à escolha e a ser ouvido. Tal data representou um marco nas relações entre empresas e seus consumidores, proporcionando o surgimento de regras e legislação específica voltada para a proteção dos direitos dos consumidores. Em virtude da importância da mensagem do presidente norte-americano, o dia 15 de março foi instituído como sendo o dia Internacional dos Direitos do Consumidor.

A preocupação com a transparência das relações entre aquele que oferece um produto e aquele que o compra, porém, data de tempos mais remotos. São conhecidas as normas citadas no código de Hamurabi (olho por olho etc..), que regulamentavam direitos e obrigações de classes especificas, como médicos, construtores de barcos e pedreiros. Por exemplo, se a casa caísse e causasse apenas danos materiais, o construtor deveria restaurá-la sem ônus para o proprietário. Mas, se a casa ruísse com gente dentro e o proprietário morresse no desastre, o construtor era condenado à morte; se o filho do proprietário morresse, quem pagava era o filho do construtor, e assim por diante.  Na Roma clássica também houve leis que regulamentavam o comércio e procuravam criar responsabilidade pela integridade das mercadorias. E ao longo da Idade Média os crimes contra os direitos dos consumidores também eram punidos com o rigor apimentado pela severidade da época. São tempos que não voltam.

Com o advento da Revolução Industrial e da produção em massa no séc. XIX, as pessoas começaram a se preocupar com possíveis abusos por parte de quem oferecia os produtos, mas foi apenas no inicio dos 1900 que os consumidores começaram efetivamente a se organizar em busca de seus direitos, dando inicio ao Consumerista. Com raiz na palavra inglesa consumerism, o Consumerismo é definido como o movimento de consumidores que questionam a produção, a comunicação em massa, as técnicas de marketing, a periculosidade dos produtos colocados no mercado, a qualidade das mercadorias e das informações fornecidas pelos fabricantes, entre outros itens das relações de consumo. Com o crescimento do mercado consumidor, o movimento começou a ganhar respaldo legal e apoio de organismos governamentais, iniciando-se primeiramente nos Estados Unidos e irradiando-se para os demais países.

Vários eventos foram importantes para o crescimento do Consumerismo, como a já citada mensagem do presidente Kennedy em prol dos direitos básicos do consumidor e a criação, no ano de 1960, da International Organization of Consumers Unions (IOCU), por organizações de associações de consumeristas dos países industrializados como Estados Unidos, Austrália, Holanda, Reino Unido e Bélgica, que tinha como principal proposta a troca de informações entres organizações que realizavam testes comparativos de produtos.

No Brasil, o Consumerismo tem seu representante no movimento iniciado na década de 1980, com a criação do PROCON e das primeiras legislações que procuravam estabelecer direitos e obrigações para consumidores e comerciantes e fabricantes. A Constituição Brasileira, promulgada em 1988, em suas Disposições Transitórias, estabeleceu que cabe ao Estado promover a defesa do consumidor. Determinava também que fosse elaborado um Código de Defesa do Consumidor. O Código foi aprovado no Congresso Nacional e promulgado pelo presidente Fernando Collor no dia 11 de setembro de 1990, sob a Lei nº 8.078. A legislação abrange questões como qualidade dos produtos e serviços, contratos de adesão, publicidade e responsabilidade do fabricante e do distribuidor, e impõe sanções aos infratores que vão desde a aplicação de multa até detenção.

O CDC (Código de Defesa do Consumidor) é uma das mais importantes legislações em vigor no país, e nos seus quase 20 anos de existência promoveu a mudança das relações entre o consumidor brasileiro e os produtores e prestadores de serviços. Embora ainda não seja respeitado de todo, é inegável sua importância para o amadurecimento das relações de consumo, garantido ao consumidor o exercício da cidadania e o crescimento das próprias empresas.

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PARCERIAS E ALIANÇAS ENTRE CONCORRENTES: UM GRANDE NEGÓCIO

Sexta, 28 de Dezembro de 2007
A necessidade de uma incessante busca por redução de custos e aumento de receitas, que proporcionem resultados mais interessantes aos olhos dos acionistas, obrigam as empresas a reverem seus conceitos tradicionais e adotar uma postura menos agressiva em relação à concorrência. Assim é que, deixando de lado as rixas e as desavenças geradas pela acirrada disputa por uma fatia do mercado, elas se unem em torno de um único objetivo: o de concretizar alianças e parcerias para a realização de negócios de interesse comum, que resultem em benefícios para as partes envolvidas.

Infelizmente tal procedimento ainda não é consenso num mercado onde ainda existem empresas que não admitem qualquer possibilidade de negociação com outros concorrentes. Uma postura arrogante e soberba ou simplesmente conservadora, não importa, pois o fato é que tal intransigência acaba por determinar um pior desempenho dos negócios e dos resultados dessas empresas. Culpa de uma visão míope e distorcida de determinados empresários e líderes que não conseguem enxergar o óbvio. Mesmo por que, as parcerias desse tipo não implicam em expor suas estratégias e outras informações sigilosas aos concorrentes, o que, afinal de contas, acaba se constituindo em uma outra grande vantagem do mecanismo.

Um exemplo de parceria que vem se concretizando entre empresas concorrentes de determinado segmento de mercado com a economia mundial em ascensão é o ramo das exportações para os diferentes cantos do planeta. É uma parceria que pode muito bem ser encarada como uma terceira empresa tratando e cuidando exclusivamente da elaboração de metas e objetivos ligados às vendas dos produtos das duas parceiras para o exterior, bem como dos financiamentos, dos prazos, das negociações com os portos para os embarques dos produtos e outros assuntos burocráticos pertinentes, tudo com a finalidade de ganhar em qualidade e reduzir custos.

Outro exemplo interessante é a parceria formada entre as empresas montadoras do setor automobilístico no mundo que fundiram os segmentos de compras de autopecas e os de fabricação de câmbio e motores, objetivando uma redução de custos e a obtenção de outras vantagens com o compartilhamento das autopeças, a troca de informações e experiências, além do aumento do poder de barganha frente aos seus fornecedores comuns. Com isso, as parceiras conseguem enormes ganhos em qualidade e no custo final de produção, sem que com isso tenham que abrir mão das configurações e características que marcam seus respectivos produtos.

E o setor farmacêutico não deixa por menos. Embarca na onda propondo a formação de um grande bloco de farmácias, que passariam a adotar uma mesma marca, com o objetivo de obter consideráveis ganhos em escala, nas compras dos medicamentos e outros produtos comercializados pelo setor. O sucesso é garantido, pois compras em grandes quantidades sugerem melhores preços e a conseqüente redução dos custos.

Ganham os consumidores que passarão a dispor de produtos mais baratos nas prateleiras, ganham as empresas associadas que, com isso, poderão abiscoitar uma generosa fatia do mercado. E perde quem ficar de fora.

Portanto, o melhor que as outras empresas tem a fazer no momento é aderir ao "movimento", se quiserem praticar os mesmos preços da concorrência associada, para não sofrer os dissabores de grandes prejuízos com a perda de sua carteira de clientes.

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Teorias Clássicas da Comunicação

Quinta, 31 de Maio de 2007
HIPODÉRMICA
("Bullet theory")
EMPÍRICO-EXPERIMENTAL
("da persuasão")
ABORDAGEM DE CAMPO
("dos efeitos limitados")
Teoria Hipodérmica
Bala: o público é direta e pessoalmente 'atingido' pela mensagem
Efeito: teoria da propaganda
Anos 20 e 30: Public Opinion (Lippman), The Rape of the Masses (Chakotin), Psychology of Propaganda (Doobs), Propaganda Technique in the World War (Lasswell), ...
Sociedade de massa
Sociedade de Massa
Séc. XIX - Industrialização
Gemeinschaft x Gesellschaft
Isolamento e alienação
Homogeneidade (Gasset) e simplicidade (Simmel)
Massa como agregado de alvos das mensagens da propaganda (Wright Mills)
Inoculação
Modelo da Teoria Hipodérmica
Influenciado pela psicologia behaviorista
"Estímulos e resposta parecem ser as unidades naturais em cujos termos pode ser descrito o comportamento" (Lund, 1933) e "os efeitos, em sua maior parte, não são estudados, são dados como certos" (Bauer, 1964)
Modelo de Lasswell
Superação da Teoria Hipodérmica ('48)
Define setores específicos de pesquisa

Communication Research
Abordagens Empíricas:
- Psicológico-experimentais (indivíduo)
- Sociológicas
(coletivo)
Abordagens Funcionais:
- Estrutural-funcionalismo
(visão sistêmica)
Teoria da Persuasão
Conjunto grande de micropesquisas
Considera a complexidade da relação emissor-mensagem-destinatário
Estuda a eficácia persuasiva dos mm
- Características do destinatário
- Organização da mensagem
Audiência
Motivação - interesse na informação
- Geladeira para esquimó
Exposição seletiva
- Horário político obrigatório (só vejo o meu)
Percepção seletiva
- Detonar o "inimigo"
Memorização seletiva
- Bartlett - esquecemos logo os "contra"
- Sleeper - latência - aumenta com o tempo
Mensagem
Credibilidade do comunicador
Ordem da argumentação
- Primacy - mais eficazes no início
- Recency - mais eficazes por último
Integralidade da argumentação
- Contrário/instruído - melhor expor ambos
Explicitação das conclusões
- Maior conhecimento - menor explicitação
Abordagem de Campo
Dentro da linha da CR, é a primeira de orientação nitidamente sociológica
Percebe a massa como qualitativamente diferente da soma dos indivíduos
Trata da "influência" dos media nas relações comunitárias
2 linhas: composição dos públicos e
mediação social do consumo
Pesquisas sobre o Consumo
Tentam compreender:
- a preferência do público
- a relevância teórica dos problemas
- a adequação metodológica
Propondo:
- análise do conteúdo
- características do público
- estudo das satisfações
Contexto social e efeitos
Eficácia persuasiva só tem sentido quando relacionada ao contexto (Lazarsfeld, 1940; Janowitz, 1948)
Os media atuam dentro de limites
Importância dos líderes de opinião
- Líder local (gemeinschaft)
Generalista
- Líder cosmopolita (gesellschaft)
Competência específica
Contexto social e efeitos
Two-step flow of communication
Contexto social e efeitos limitados
Cristalização e emersão das opiniões
Limitações da Abordagem
Rádio - penetração qualitativa e quantitativamente limitada, frente à interação social.
Opinion sharing

TV - dos anos 40 aos 60 ganha níveis de penetração muito superiores aos do rádio e do cinema.
Opinion giving

Conclusão?
Abordagem de Campo destaca:
- Não-linearidade da CM e de seus efeitos
- Seletividade inerente à sua dinâmica
Conclusões divergentes da Teoria da Persuasão
- Métodos direcionam resultados
População (amostra) selecionada
Escolha de temas (superficiais/profundos)
(Hovland, 1959)

O Prof. Eufrásio Prates é Compositor Musical pela FAAM-SP-Faculdade de Artes Alcântara Machado e Mestre em Comunicação pela UnB, autor do livro "Passeio-relâmpago pelas idéias estéticas ocidentais" e ministra as disciplinas de "Teorias de Comunicação" e "Estética e Indústria Cultural" no IESB-Instituto de Educação Superior de Brasília. É também Diretor-Administrativo da ABSB-Associação Brasileira de Comunicação e Semiótica e Vice-Coordenador do NTC-Brasília-Centro de Estudos e Pesquisas em Novas Tecnologias, Comunicação e Cultura.
e-mail: eufrasioprates@usa.net

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Teoria dos 4 P’s: Este troço ainda vale?

Quinta, 31 de Maio de 2007
Criada na década de 50, a Teoria dos 4 P's foi, durante todos estes anos, a base do marketing pois, através destas variáveis, se poderia administrar o composto mercadológico de uma empresa. E, para refrescar a memória, quais são estas variáveis ?

· PRODUTO

· PREÇO

· PROMOÇÃO

· PONTO DE VENDA (ou Canal de Distribuição)

Administrando com parcimônia estes 4 P's, uma empresa poderia ter sucesso na sua empreitada de conquista de mercado. E, a primeira vista, nada mais certo pois, se você tiver o produto certo, com o preço certo, corretamente promovido e distribuído, o que pode dar errado ?

Muita coisa. E é sobre estas muitas coisas que queremos falar.

A medida que o mundo evoluiu, os conceitos mudaram e o consumidor começou a se tornar melhor informado e, consequentemente, passou a gastar seu dinheiro com mais critério. Eu costumo dizer que o marketing se baseava na ignorância dos clientes, e como era bom !!!

Bastava dizer que o nosso sabão em pó tem nova formulação (agora com Lipolase, lembra ?) e a clientela se mandava para o Ponto de Venda para comprar esta nova maravilha.

Hoje em dia, há escolas de marketing que agregaram muito mais P's à teoria original e tem gente trabalhando com até 18 P's (Posicionamento, Poder Público, Public Opinion - senão não dá certo o P -, Pessoas - tem a ver com endomarketing-, e por aí vai).

Só que ainda estamos usando P's. Ainda estamos usando a terminologia e as definições criadas em 1950 e que não servem mais para o mundo de hoje. E que quero propor, não é apenas um jogo de palavras ou a substituição de uma palavra pela outra. Na realidade, palavras são símbolos fortes e exprimem conceitos e dão significados a ações e atitudes.

Na minha opinião, deveríamos promover a revolução na base mudando os conceitos. Vamos hoje apenas analisar o conceito PRODUTO, deixando para outras ocasiões PREÇO, PROMOÇÃO e PONTO DE VENDA.

UTILIDADE no lugar de PRODUTO

A coisa é simples. Quando você tem um produto, você idealizou uma coisa que você quer que alguém compre. E você vai fazer todo o esforço possível e imaginário para vender este produto (não importa o que seja). Mas a grande questão é: O cliente quer, ou precisa, naquele momento ???

Vamos fazer um teste para que você entenda o conceito de UTILIDADE, propondo a seguinte pergunta:

Quem, das empresas abaixo, é um concorrente direto da FORD ?

a) GENERAL MOTORS;

b) GOMES DE ALMEIDA FERNANDES (construtora);

c) ESTELA BARROS TURISMO;

Se você respondeu a alternativa a) (GM) você acertou. Mas se respondeu a b) ou a c) também acertou. Como uma construtora ou uma agência de turismo podem ser concorrentes de um carro ? Simples. Hoje o cliente tem uma maior poder de escolha sobre onde vai gastar o dinheiro que tem e, assim, pode-se optar de, ao invés de trocar de carro, ir com toda a família para a Disney pois, naquele momento, esta ação terá maior utilidade para quem compra.

Por isso, a guerra do marketing ficou mais intensa. Porque hoje a FORD teria de, primeiro convencer o cidadão da UTILIDADE de trocar de carro, para depois convencê-lo que o seu modelo é a melhor opção.

E isto serve para qualquer tipo de produto ou serviço, não importa o mercado ou o país.

Portando, você não deve mais pensar que sua empresa fabrica PRODUTOS para serem consumidos. Ela deve fabricar UTILIDADES que o cliente reconhece com indispensáveis para sua vida. Ao criar este conceito, ainda que momentâneo, você tem a certeza de que um carro, como no caso do exemplo, ele vai comprar. Agora a batalha pode ser outra.

Mas este tipo de conceito, nos remeterá a um outro:

Mas que preço o camarada está disposto a pagar por este PRODUTO (ops, desculpe) UTILIDADE ?

O VALOR NO LUGAR DO PREÇO

Na parte anterior, fizemos uma análise de porque o conceito de PRODUTO deveria ser trocado pelo conceito de UTILIDADE para uma modificação radical da TEORIA DOS 4 P's.

Nesta, faremos uma análise do conceito PREÇO.

Queremos começar a nossa análise fazendo uma indagação:

- Quanto custa um copo de água mineral em qualquer esquina ?

Por volta de R$ 0,70.

Mas quanto valeria este copo de água para quem está no Deserto do Saara, sob um sol abrasador ?

Muito mais do que isto.

E é este o ponto. Quando o consumidor reconhece o valor daquilo que está comprando, o preço passa a ter uma valor secundário (note que eu disse secundário e não inexistente), nas transações comerciais.

O grande desafio do marketing moderno - moderno porque é praticado dentro de um mercado atual e altamente competitivo -, é de criar valores que possam deixar o cliente cada vez menos sensível ao preço.

Alguns de vocês poderão me perguntar:

"Mas como, se o mercado todo está comprando PREÇO ? "

Não é verdade. Se assim o fosse, não se fabricariam carros de luxo, não se construiriam imóveis de alto padrão, pais não procurariam escolas de bom nível para seus filhos e você andaria com o porta luvas de seu caro cheio de chocolates que compraria em uma oferta de farol de 10 X R$ 10,00 (não é barato ???)

O problema é que o marketing das companhias (entenda-se da comunicação às vendas) não está preparado para vender valor. Muitos vendedores e muita gente dentro da empresa não conhece a fundo o que fabrica, como fabrica, porque vende e como vende. Equipes de vendas inteiras estão despreparadas para vender valor, por não saberem agregar valor. E vão para a estratégia do preço. Porque é mais fácil e dá resultado mais rápido.

Em muitos casos que já tive a oportunidade de intervir, basta que o comprador cite o nome de nosso concorrente para que nosso vendedor abra a temporada dos descontos.

Um dia, na padaria perto de casa, onde tomo café, vi duas pessoas conversando ao meu lado. Não me intrometi porque estava atrasado e não queria abrir um debate aquela altura da manhã. Mas percebia-se que eram dois vendedores e um disse para o outro:

"Na próxima concorrência vou jogar o preço lá embaixo. Você sabe, né ? É preciso ganhar o cliente."

Aí um caso típico de quem não sabe - ou até pior, não tem - valor nenhum para vender e vai usar o preço como uma ferramenta para atrair o cliente.

Mas sabe o que ele vai atrair. FREGUÊS. Este comprará a oportunidade enquanto ela durar e vai pular para outra oferta melhor assim que ela surgir. Ou então vai todo o santo dia chantageá-lo com a ameaça de um concorrente com preço menor.

Uma coisa muito perigosa tem acontecido no varejo. Tradicionais fabricantes tirando dinheiro de sua verba de publicidade, que serve para criar conceitos de marca e valor, para direcioná-las para descontos na rede varejista, para que estes possam repassar aos consumidores que, por sua vez terão preço mais baixos. Pode ser uma estratégia suicida, pois em alguns casos ganhar no volume pode não ser tão compensador assim.

Muitas empresas desconhecem que produtos têm curva de elasticidade, ou seja, se houver diminuição de preço, haverá aumento de venda. Mas esta curva não é linear e não se aplica a todo o tipo de produto. E nem de serviço.

Para resumir, se você muda o conceito de sua empresa para que passe a produzir, não PRODUTOS e sim UTILIDADES, o seu cliente vai lhe dar mais VALOR e vai ficar mais sensível ao PREÇO.

Isto não é uma tarefa fácil, mas para isto você está aí. Para criar estes diferenciais.

COMUNICAÇÃO NO LUGAR DA PROMOÇÃO

Depois de analisarmos os dois primeiros "P's" do marketing - Produto e Preço -, e verificarmos que estes conceitos podem ser trocados por UTILIDADE e VALOR, vamos dar uma olhada em um outro "P" - PROMOÇÃO -, e entender sua nova conceituação, dentro deste novo panorama.

Segundo o Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, PROMOÇÃO é o ato de PROMOVER que, por sua vez, significa:

"Dar impulso à, favorecer o progresso de, fazer avançar."

Em suma, toda e qualquer iniciativa no sentido de dar impulso ao estoque das companhias foi qualificado de PROMOÇÃO. E, dentre as inúmeras ferramentas, a PROPAGANDA é uma das mais utilizadas. Claro que as ações de ponto-de-venda, as ações de merchandising e outros tipos de atrativos que induzem o cliente a comprar, também estão envolvidas por este "P", dentro do que se convencionou chamar de Composto Promocional.

Todavia, desde que a Teoria dos 4 "P's" foi criada, até hoje, muita coisa mudou. Mas o conceito não.

Senão vejamos. Quando a Teoria dos 4 P's foi idealizada, estávamos em meados do século passado - longe não ??? -, e as condições para a propagação das mensagens eram completamente diferentes. Naquela época, o rádio e a televisão, que começavam a se mostrar, aliados ao cinema, eram os grandes disseminadores do American Way of Life, um estilo de vida consumista e que foi sendo rapidamente absorvido pelos outros países, inclusive o Brasil. Havia uma clara preocupação nas empresas em oferecer novidades, estimular o consumo, criar novas modas e demandas para que seus estoques abaixassem. E tome propaganda.

A mídia utilizada (rádio, TV, cinema e revistas) atuava como o Grande Irmão - lembra-se do livro 1984, de George Orwell ? -, e despejava sobre o público indefeso, e ávido por novidades, estímulos do tipo:

"COMPRE ! COMPRE ! COMPRE !"

E o pessoal disparava para as lojas, os mercados e as butiques para desfrutar das maravilhas prometidas pelos objetos de desejo.

Só que isto foi mudando. As mulheres queimaram os sutiãs em praça pública, iniciando o movimento de libertação feminina que tirou a mulher do estigma de dona de casa consumista e a inseriu dentro do mercado com uma nova roupagem. Os movimentos de contra-cultura - hippies, e outros -, foram despertando uma nova consciência de como lidar com o ter e o ser modificando a ordem das coisas.

O consumidor foi ficando mais bem informado e mais crítico e, principalmente, mais cético com relação à propaganda, começando, inclusive, a desconfiar dela. A comunicação que era absolutamente unilateral (a empresa fala e o consumidor escuta), passou a ser bidirecional (onde os dois falam e escutam). Serviços de Atendimento ao Consumidor (SAC's) utilizando-se dos recursos do telemarketing receptivo com ligação gratuita (0800), links de comunicação via INTERNET, ombudsmen e outras formas de poder ouvir e interpretar os anseios dos clientes e suas reinvindicações colocaram o composto de comunicação em um outro patamar.

Hoje, quando uma empresa duvida da eficácia de sua propaganda, pode ter certeza de que ela está com um mínimo de razão. Pois o peso dos meios modificaram-se e, nem sempre, o velho mix de propaganda convencional ainda funciona.

Para se ter sucesso no processo de comunicação com o mercado, é preciso olhar as mídias com uma nova óptica e procurar tirar o máximo de sinergia entre elas. Aliar os benefícios da eletrônica, com o melhor da rede, salpicando com um sistema bem estruturado de telemarketing prospectivo e de marketing direto ativo, podem otimizar resultados e, o que é melhor, fidelizar clientes. Que é o que as empresas têm procurado, sem muito sucesso, em um ambiente com excesso de oferta.

Isto significa fundamentalmente planejar. Não aqueles compêndios de 500 páginas com milhões de gráficos multicoloridos que ficam lindos quando projetados no Power Point. Mas saber o que quer, como conseguir e, principalmente, como aferir se está indo bem.

DISPONIBILIDADE NO LUGAR DO PONTO-DE-VENDA

Nos três últimas partes, procuramos analisar como a Teoria dos 4 "P's" - Produto, Preço, Promoção e Ponto-de-venda -, estaria ultrapassada em função das mudanças conceituais e culturais que vêm acontecendo no mundo. Vimos como o conceito PRODUTO pode, e deve, ser substituído por UTILIDADE, PREÇO por VALOR e PROMOÇÃO por COMUNICAÇÃO. Nos resta ver agora como vai se comportar o conceito PONTO-DE-VENDA dentro desta mudança de foco analítico sobre os termos tradicionais do marketing.

Como já salientamos, quando a Teoria dos 4 "P's" foi desenvolvida, estávamos em um tempo onde o conceito do "american way of life" vinha sendo vendido para o mundo e, dentro deste conceito, "ir às compras", era mais do que uma necessidade. Era uma forma de mostrar seu "poder de consumo". E poder ostentar, perante os olhos maravilhados da vizinhança, o quão cheio estava o seu carrinho de supermercado, como é bonito seu carro novo, como você pilota bem o novo cortador de grama, ou como está chique seu cabelo depois que você comprou aquele novo secador, e assim por diante. Resumindo, "ir às compras" se tornou um ritual que se devia praticar periodicamente para agradecer os "Deuses do Consumo".

Mas, com o risco de parecer repetitivo, os tempos foram mudando e os valores também. Com as atribulações do dia-a-dia, com todas as preocupações com segurança, com as mudanças dos hábitos de consumo, "ir às compras" já não é tão essencial assim. E, para muitos, se tornou um martírio. Pensando nisto, várias empresas começaram a transformar o ato de comprar em atividades de recreação e lazer - nos shoppings centers as áreas de alimentação e lazer têm espaço cativo. As facilidades do "Delivery" começam a ser oferecidas para que as pessoas não precisem se preocupar em buscar suas compras. Compras via catálogos se tornam práticas cada vez mais comuns e a coisa vai. Com a facilidade de se comprar, criada pela rede, o conceito de "ponto-de-venda" sofre, definitivamente, um baque. De repente, o tal do "ponto-de-venda" passa a ser uma tela de computador e as transações podem ser feitas com muito mais comodidade. Então, se o "ponto-de-venda" era o local onde se disponibilizavam mercadorias para o consumo, com estas mudanças, O que passa a ser o conceito "PONTO-DE-VENDA" ?

É sobre esta óptica que acho que este conceito deve ser mudado para 'DISPONIBILIDADE". Ao pensar, hoje, estrategicamente no seu negócio, não importa qual seja ele, você deve ter em mente não um canal de venda, mas uma forma de DISPONIBLIZAR para o cliente sua UTILIDADE. Isto pode ser determinante no entendimento de VALOR que o cliente possa vir a fazer. Assim você deve sempre descobrir como, onde, de que jeito e a que tempo o cliente quer receber sua utilidade e fazer o máximo para colocar, a tempo e a hora, aquilo que ele encomendou.

Ao raciocinarmos dentro desta nova proposta, que tem por objetivo repensar a Teoria dos 4 "P's", teríamos:

1) Apresentar ao mercado uma UTILIDADE;

2) Vender seu VALOR;

3) COMUNICAR-SE com os clientes no sentido de reavaliar sistematicamente sua UTILIDADE;

4) DISPONIBILIZAR sua UTILIDADE de qualquer maneira para comodidade do cliente;

Ao mudarmos os paradigmas (usar esta palavra já está se tornando um paradigma) e adotarmos uma nova forma de pensamento, usando novas palavras que traduzem novos conceitos, estaremos dando um verdadeiro salto qualitativo no sentido de repensar nossos próprios negócios e dar um novo rumo às nossas companhias.

Isto nos remete para um repensar inteiro sobre nossas estratégias de marketing e não agir de forma pontual como estamos agindo atualmente.

O que vemos é que empresas vão para a Internet praticar e-commerce, sem se estruturar em logística. Fazem propaganda dando descontos para aumentar as vendas, sem se preocupar em agregar valor ao produto. Ainda entendem seus produtos como sendo algo intocável, que levou anos e anos para ser desenvolvido e não é qualquer pessoa que vai dizer se ele bom ou ruim. Principalmente quem não entende do assunto !!!

Segundo John Kenneth Galbrait: "As empresas nascem para poder propciar a plena satisfação de seus clientes. O lucro ou prejuízo que ela obtém desta atividade, mostra o quão bem ou mal ela faz isto."

Sidney Coldibelli é presidente da Inteligência de Marketing Ltda

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Fazendo a Diferença

Quinta, 31 de Maio de 2007
Um dos maiores benefícios da Internet é, sem dúvida, a troca de conhecimento. Em meus artigos, tenho procurado expor minha experiência e meu ponto de vista e, de forma enriquecedora, tenho recebido e-mails de profissionais que contam sua própria experiência, solicitam esclarecimentos e produzem uma ampla reflexão de minha parte sobre o que realmente está incomodando o mercado.

Quando me perguntam o que pode ser feito para captar novos clientes ou recuperar os clientes inativos, enquanto acreditam estar fazendo tudo certo, minha resposta é sempre a mesma: não há uma solução única para todos.

Procuro ajudar propondo questões que façam as empresas refletirem sobre suas ameaças e suas oportunidades, seus pontos fortes e fracos. A partir do entendimento da situação, do estabelecimento dos objetivos a serem alcançados e do comprometimento da organização com o processo de mudança, torna-se muito mais fácil vislumbrar os caminhos que podem ser seguidos e traçar uma estratégia adequada a cada caso.

Mas há uma sugestão que dou a todos, não importando o ramo de atividade ou para que problemas buscam solução: façam diferente!

A percepção de valor dos clientes em relação a marcas, produtos ou serviços de uma empresa deve ser diferenciada em relação à concorrência. Se sua marca é percebida por seu cliente como tão boa quanto a do concorrente, ofereça motivos para que ele escolha a sua e não migre.

Pergunte-se:
. Por que meus clientes escolheram minha empresa?
. Por que meus clientes permanecem com minha empresa?
. Por que meus clientes abandonaram minha empresa?

Inicialmente você pensará nas respostas mais óbvias: qualidade, preço, atendimento, variedade, comodidade e hábito. Mas os serviços agregados aos produtos têm maior valor percebido do que apenas o produto oferecido. Já não mais se compram produtos na concepção física da palavra. Tudo o que os clientes compram são serviços capazes de atender às suas necessidades, que podem ser entregues por pessoas, empresas ou produtos. Entendendo isso, as empresas podem decidir o foco do seu empreendimento: orientar-se para os clientes, criando vínculos de envolvimento, ou para os produtos.



O que sua empresa faz de diferente?


. Oferece um serviço que nenhum concorrente oferece? Ou faz exatamente o que todos fazem e fica brigando no quesito preço?
. Oferece algum benefício extra? Ou acha que seu preço está tão justo que não há margem para inovar?
. É flexível e passível a mudanças ou os procedimentos são rígidos para todos os clientes?
. Ouve seu cliente? Você pode transformar um cliente aborrecido em um cliente fiel. E ele pode ser uma fonte de idéias revolucionárias.
. Está empenhada em resolver os problemas de seus clientes? Ou oferece a eles apenas a solução mais adequada para sua empresa?
. Surpreende seus clientes? Mais do que atender às necessidades e aos desejos de seus clientes, tente surpreendê-los, satisfazê-los acima de suas expectativas, deixá-los marcados com ótimas impressões sobre sua empresa e sua marca.
. Já experimentou ser cliente de sua própria empresa? Procure se colocar no lugar do seu cliente, em todas as situações que ele possa passar por um "momento da verdade" com sua empresa. Seja crítico e observador. Acima de tudo, seja honesto consigo mesmo e exija de sua empresa o mesmo que você exige em suas relações comerciais, como cliente.
. Aprende com seus clientes? Se você investe no conhecimento acerca de seus clientes mas não aprende nada com as informações obtidas, prepare-se para perdê-los para a concorrência. Relacionamentos duradouros são construídos na base do aprendizado, da confiança e do respeito.

Sua empresa se preocupa com o que a concorrência faz de diferente?

Depois de ter uma boa idéia do que sua empresa faz, não faz ou deveria fazer de diferente para conquistar e manter a lealdade de seus clientes, que tal dar uma olhada na concorrência?

. Quem são seus concorrentes?
. Seus concorrentes estão com problemas internos? (Em caso afirmativo, provavelmente os clientes estão insatisfeitos. Aproveite!)
. Sua empresa pode fazer pelos clientes deles mais do que eles fazem?
. Os clientes dos concorrentes estão predispostos a serem desleais?
. Estão vulneráveis às ações de sua empresa?
. O que os clientes deles compram e por quê?
. Os clientes estão pagando mais ou menos do que deveriam?
. Estão satisfeitos com o atendimento?
. Quais os valores percebidos pelos clientes em relação às empresas e às marcas?
. Os negócios de seus concorrentes estão focados nos clientes ou nos produtos?
. Quais suas estratégias de fidelização?
. Quais são as vantagens de sua empresa em relação a cada concorrente?
. E as desvantagens?
. Quais são as ameaças e as oportunidades que o mercado apresenta?
. Seu próprio cliente está na concorrência?

Fazer a diferença é um trabalho permanente de pesquisa, reflexão e criatividade. Não podemos nos deixar iludir por sucessos ocasionais. Algumas ações podem ter surpreendido os clientes e realmente ter feito a diferença - mas por um determinado período de tempo, até que a concorrência resolva copiar ou que deixe de ser uma surpresa. Não deixe seu cliente se cansar de você. E não dê chance à concorrência de surpreender os seus clientes antes de você.

Cristina Moutella - Comunicação em mídias interativas. Gestão de projetos web e conteúdos.
Site: http://cmoutella.sites.uol.com.br