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CONQUISTAR É CONTINUAR A VENDER

Sabado, 17 de Maio de 2008
Atuar com vendas é algo motivador, delicado e que proporciona o desenvolvimento constante de novas estratégias de abordagem, negociação e fidelização. Exige que o profissional conheça cada vez mais seus clientes e produtos e possa agregar valor durante a negociação, na venda, pós-venda e em todas as demais áreas correlacionadas ao processo.

Em um mercado repleto de opções deve-se tentar estreitar o relacionamento com o cliente para que se consiga obter uma preferência inicial, uma lembrança, pois torná-lo fiel é quase impossível, mas para vir a ser a referência ou a preferência de compra basta empenho, dedicação, interesse, pró-atividade, qualidade dos produtos e serviços, atenção especial, bem como mensurar constantemente qual a percepção de satisfação existente.

Algumas empresas confundem fidelizar com "aprisionar". Oferecem condições supostamente interessantes aos clientes, desde que mantenham exclusividade por um período determinado (12, 18, 24 meses). Obrigar não é fidelizar. Fidelizar é oferecer condições aos clientes de forma que sintam satisfação, desejo e interesse em utilizar determinados produtos ou serviços. Obrigar os clientes a utilizarem os produtos ou serviços que não atendam às suas necessidades e expectativas, é como praticar um crime de cárcere privado. Ou seja, manter os clientes sem a opção de adquirir produtos e serviços que atendam suas necessidades e possuam a qualidade necessária para que realizem suas atividades profissionais ou pessoais. Nesse caso, ficam privados de livre escolha, e além de estarem sendo prejudicados de alguma forma, ainda são obrigados a pagar multas pela falta de capacidade das empresas que oferecem tais produtos e serviços.

Cliente insatisfeito, obrigado a utilizar qualquer produto jamais oferecerá feed backs positivos ao mercado. E é de fato comprovado que a "propaganda" realizada através de "depoimentos" proporciona resultados (positivos ou negativos) com maior amplitude. Na maioria das vezes é muito mais viável a empresa rever seus conceitos e abrir algumas exceções para solucionar pequenas falhas, que deixá-las se tornarem grandes problemas. É como um incêndio que pode começar com uma simples faísca.

Como sua empresa tem atuado no mercado? Estreitando o relacionamento ou aprisionando seus clientes?

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GERAÇÃO DIPLOMA

Segunda, 17 de Março de 2008
De acordo com o escritor e historiador português João Pedro Ribeiro que viveu no Século XIX, doutor em Cânones pela Universidade de Coimbra, a palavra "diploma" é originária do grego e significava o conjunto de duas tabuinhas ou, em tempo futuro, de duas placas de bronze ligadas entre si, sobre as quais os romanos transcreviam o texto das constituições imperiais toda vez que se atribuía o direito de cidadania a um militar que se distinguia por seus feitos honrosos.

Na Grécia Antiga, a palavra diploma significava basicamente um pedaço de papel (papiro ou pergaminho), dobrado em duas partes. O diploma era utilizado como salvo-conduto para os funcionários públicos se locomoverem de um local para outro, uma espécie de passaporte nos dias de hoje. Gaius Suetónius Tranquillus, historiador latino do Século I, classificava como diploma "todos os atos imperiais divulgados em forma de documento dobrado em duas partes".

A partir da queda do Império Romano até o período da idade Média, também conhecida como Idade das Trevas, o termo diploma caiu em desuso. Com o fim da Idade Média, os humanistas, sobretudo os historiadores, ressuscitaram o vocábulo, praticamente ignorado durante esse período, levando-se em conta, por imposição da Igreja Católica, que somente os Padres, Bispos, Papas e religiosos nomeados por eles tinham livre acesso ao conhecimento.

Durante o Renascimento as universidades passaram a utilizar o termo como certificado de conhecimento, conferido por uma instituição de respeito em virtude dos ensinamentos adquiridos por alguém e com o devido reconhecimento de quem lhe conferiu o saber. Do Renascimento em diante, a palavra diploma passou a designar, num sentido genérico, todo o ato escrito que assenta num for­mulário e que deriva de uma chancelaria, eclesiástica ou civil, ou aquele que foi lavrado por determinação ou intervenção de uma instituição qualificada.

Até a metade do século passado, o diploma era símbolo de status e de reconhecimento conferido para poucos privilegiados. Em 1890, o Brasil contava com apenas 2.300 estudantes matriculados em escolas de nível superior. Antes disso, as instituições de ensino superior eram de origem católica ou criadas pelas elites locais, em geral apoiadas por governos estaduais ou instituições privadas com prioridade na disseminação de conhecimento para os próprios "filhinhos de papais", de políticos e outros apadrinhados.

A partir da Constituição Federal de 1891 - que descentralizou o ensino superior, delegou-o para os governos Estaduais e permitiu a criação de instituições privadas - o ensino recebeu uma nova conotação e cresceu de forma vertiginosa.  Em 1915, o número de alunos matriculados somava mais de 10 mil. Em 1930, quase 20 mil. Em menos de 20 anos foram criadas 27 novas instituições de ensino superior no país. E saiba que a gratuidade no ensino público superior foi instituída somente a partir de 1950.

De acordo com o relatório Mapa do Ensino Superior Privado, de autoria da Professora Doutora Gladys Beatriz Barreyro, divulgado pelo INEP - Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, em 2004 o Brasil contava com mais de 4 milhões de alunos matriculados em mais de 2000 instituições de ensino superior, públicas e privadas, tais como: universidades, centros universitários, faculdades, faculdades integradas, institutos e centros de educação tecnológica.

A rede de ensino superior no Brasil oferece anualmente em torno de 2.500.000 vagas, de norte a sul do país, distribuídas por mais de 18.600 mil cursos de graduação presenciais, para todos os gostos, rendas e classes, sem contar ainda os cursos de ensino à distância reconhecidos pelo Governo Federal. Trata-se de uma verdadeira indústria do diploma, um símbolo de prestígio muito perseguido nas duas últimas décadas do século passado.

Algumas palavras do meu pai permanecem vivas ainda hoje na minha mente. Eu devia ter uns dez ou doze anos de idade e não cansava de ouvi-lo repetir: - estude, meu filho, estude, para conseguir um diploma, arranjar um bom emprego e gozar de todos os benefícios para o resto da sua vida. E assim ocorreu durante vinte e quatro anos, desde o primeiro ano do ensino fundamental até a conclusão do mestrado.

Naquela época o segundo grau era mais do que suficiente. Nos dias de hoje, até mesmo um diploma de doutor não garante a sobrevivência. Ao contrário, quanto maior o título, menor a possibilidade de conquistar uma vaga no mercado de trabalho que busca a simplicidade para enxugar custos e garantir a competitividade no mundo globalizado.

Quando eu concluí o segundo grau, me disseram que era necessário curso superior. Depois de apresentar o diploma da faculdade fui aconselhado a buscar uma especialização. Paralelamente, me exigiram inglês, espanhol e outros cursos de desenvolvimento pessoal e profissional. Agora me dizem que o mandarim está na moda e vale a pena arriscar umas palavras em chinês por conta da globalização e do crescimento econômico da China.

Até há pouco tempo eu imaginava que isso não tinha limites. Depois de tudo isso, a tendência é voltar ao passado, pois não há espaço nem reconhecimento para tantos graduados, especialistas, mestres, doutores e pós-doutores no mercado de trabalho. Um diploma de técnico é mais do que aconselhável no momento em que o "espetáculo do crescimento econômico" tende a fazer alegria dos bancos, das indústrias e do comércio em geral.

O Brasil transborda de filhos da Geração Diploma, a geração estimulada a correr atrás de um canudo a partir da década de 1980 pelo fato de as grandes empresas, principalmente multinacionais, restringirem o acesso de profissionais sem curso superior aos cargos de liderança. Por conta da falta de diploma, milhares de profissionais perderam o emprego e milhares de diplomados foram contratados pela metade do salário, ainda que a qualidade do ensino seja questionável, mas o fato é que diploma traduz esforço e, supostamente, competência.

A questão mais intrigante vem depois da conquista do diploma: e agora, o que é que eu faço com isso? Outras questões serão o martelo da sua consciência onde quer que você vá, em cada projeto que você participa, em cada entrevista de emprego, em cada momento em que você é submetido a um teste de integridade, quando se vê obrigado a provar ao mundo que o seu diploma tem valor e o esforço de tantos anos não foi em vão.

Conquistar um diploma é o sonho de consumo da juventude globalizada e, obviamente, um objetivo importante a ser perseguido. Entretanto, mais importante que a obtenção de um diploma é escolher a profissão que reflete a sua verdadeira vocação. Assim, quando o canudo vier, você poderá rir do sofrimento acumulado durante quatro a seis anos de estudo, além de vislumbrar um futuro promissor dentro da profissão que escolheu e aprendeu a amar por conta de um diploma que lhe conferiu, além do título, sentido de realização.

Um simples diploma não garante o sucesso de ninguém, mas a dedicação existente por trás de um diploma faz muita diferença. É a dedicação, e não o título, que vai atestar a sua capacidade de realização no mundo.

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ATENDIMENTO COMPETITIVO: COMO SEUS COLABORADORES PODEM GERAR VALOR AO SEU NEGÓCIO

Quinta, 7 de Fevereiro de 2008
Sergio Zyman, ex-Diretor de Marketing da Coca-Cola, costuma dizer "marketing tem a ver com lucro, com resultados". Na visão dele, gerenciar a demanda é o principal objetivo do marketing, ou seja, fazer com que mais pessoas comprem o seu produto, mais vezes e por mais dinheiro.

Contudo, é fato que os consumidores não são mais os mesmos. "Não faz tanto tempo assim. Coisa de 20 anos atrás, todos se referiam ao público-alvo de uma marca mencionando dados demográficos, tipo 'mulheres casadas, entre 20 e 40 anos, das classes A e B, moradoras das grandes cidades, usuárias de sabão em pó'. Hoje em dia, você sabe, esse conceito está caducando", afirma o consultor Luiz Alberto Marinho.

Os consumidores hoje estão mais cuidadosos antes de tomarem suas decisões de compra, querem tudo barato, para ontem, e não se importam com quem lhes dá isso. "Por quê? Falta de relevância e ausência de qualquer outro benefício valioso. E se faltam essas coisas, o preço rapidamente se torna um substituto", observa Zyman.
ATENDIMENTO COMPETITIVO: COMO SEUS COLABORADORES PODEM GERAR VALOR AO SEU NEGÓCIO
Pense bem e responda: Que diferenciais você possui em relação aos seus concorrentes? Qual o nível do atendimento que você dispensa aos seus consumidores? Não adianta se iludir ou, pior ainda, tentar iludir seus clientes: ou você atende muito bem (e os valoriza) ou você atende mal. E lamento dizer, mas grande parte das empresas (talvez até mesmo a sua) enquadra-se na segunda categoria.

O atendimento ao cliente é a coisa que transforma a satisfação do cliente em intenção de compra e repetição de compra. "O atendimento ao cliente é o tipo mais importante de publicidade de todos", afirma Zyman.

No entanto, para que o atendimento realmente alcance os objetivos do marketing, é necessário que as empresas invistam em seus colaboradores. A Sociedade Americana de Treinamento e Desenvolvimento descobriu que empresas que investem cerca de US$ 1.500 por colaborador em treinamento todo ano vêem um aumento de 24% nos lucros. No maior banco privado do Brasil, o Bradesco, a atenção voltada à área de treinamento e desenvolvimento impressiona: com investimento de R$ 63 milhões este ano (acima da média anual, de R$ 50 milhões), a instituição oferece 1,5 mil cursos, desde línguas e informática até MBA. "Retenção de talentos é uma área pouco desenvolvida no Brasil", reconhece José Galló, presidente da Lojas Renner. O primeiro passo para mudar é considerar os recursos humanos como estratégicos. "Só então você se mostra realmente preocupado em retê-los."

Colaboradores, assim como os clientes, desejam que você supere expectativas em termos de valores, benefícios, diferenciais e relevância. Faça isso e seus negócios crescerão. Deixe isso pra lá e será exatamente o que os clientes farão com sua marca.

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O que é a Base da Pirâmide?

Quinta, 11 de Outubro de 2007
De acordo com as estatísticas cerca de quatro bilhões de pessoas vivem hoje no mundo com menos de dois dólares por dia. Durante os últimos 50 anos programas do Banco Mundial, dos governos das grandes nações, agências de desenvolvimento e ONGs das mais diversas, vêm assistindo essa enorme massa humana, sem, no entanto conseguir erradicar a pobreza e dar mobilidade social a todas essas famílias que formam o que os economistas chamam de: a Base da Pirâmide.

A frustração diante dessa incapacidade é que faz C.K. Prahalad iniciar seu livro "The Fortune at the Bottom of the Pyramid", com uma simples e revolucionária proposição: "Se nós pararmos de pensar nos pobres como vítimas ou como um fardo e começarmos as reconhecê-los como empreendedores resilientes e criativos e consumidores, um mundo novo de oportunidades se abrirá."

De tão óbvia essa constatação chega a ser aparentemente absurda, mas Prahalad comprova em sua tese que esses quatro bilhões de pobres podem ser o motor para um novo círculo virtuoso para o comércio e a prosperidade globais.

A um só tempo desse desafio surgirão importantes inovações nas relações comerciais, nas indústrias e nas prestadoras de serviços que, para atender as demandas dos existentes na base da pirâmide terão de rever conceitos e trabalhar de uma forma colaborativa com organizações da sociedade civil e governos locais para servir seus clientes. Além disso, o desenvolvimento de mercado na base da pirâmide criará também milhões de empreendedores novos neste nível.

Prahalad apresenta sua visão para solução do problema como uma ação que envolve as seguintes partes:

  • Empresas privadasBase da Pirâmide



  • Agências de desenvolvimento e auxilio



  • Consumidores da Base da Pirâmide



  • Empreendedores da Base da Pirâmide



  • Sociedade Civil e governos locais.


Ele define os Doze princípios da Inovação para os Mercados da Base da Pirâmide como sendo as seguintes atitudes:

1. Concentre suas energias em preço-desempenho de produtos e serviços.

2. A inovação requer soluções híbridas (misturando velhas e novas tecnologias)

3. Como os mercados da Base da Pirâmide são imensos, as soluções por ele desenvolvidas devem ser escaláveis e transportáveis entre países, culturas e idiomas diferentes.

4. Redução da intensidade de recursos. Todas as inovações devem observar a conservação dos insumos (eliminar, reduzir, reciclar)

5. O desenvolvimento do produto deve começar por um profundo entendimento da funcionalidade, não apenas da forma.

6. Construção de infra-estrutura logística e de produção.

7. Adequar o trabalho necessário às aptidões existentes. O projeto deve levar em conta os níveis de qualificação, infra-estrutura deficiente e dificuldades de acessar serviços em áreas remotas.

8. Educar os consumidores ao uso dos produtos.

9. Os produtos devem funcionar em ambientes hostis (barulho, poeira, poluição, oscilações de voltagem, etc)

10. Interface de uso adaptável devido à heterogeneidade dos consumidores da base

11. Método de distribuição deve ser desenvolvido para alcançar tanto mercados rurais e urbanos.

12. Foco na ampla arquitetura do sistema (a plataforma) a fim de possibilitar a fácil incorporação de novas particularidades.

Aprofundando-se nas análises de C.K. Prahalad vamos descobrir algumas aplicações básicas e inovadoras para utilização junto ao mercado que está na Base da Pirâmide

· Esta estrutura fornece um ímpeto para uma participação mais ativa do setor privado em construir um sistema de marketing que transforme a base da pirâmide.

· Ajuda a reconsiderar e mudar a opinião, suposições e ideologias por muito tempo arraigadas.

· Fornece indícios para o desenvolvimento de produtos e serviços para os consumidores da Base da Pirâmide.

Benefícios do pensamento da Base da Pirâmide
Mesmo sendo em menor quantidade, existe dinheiro na Base da Pirâmide e movimentar essa quantia na direção do consumo exige atitudes diferenciadas.

Não podemos pensar em uma abordagem convencional. Devemos pensar em uma venda porta-a-porta, (como as Mulheres da Avon), quando os vendedores (as) difundem qualidade e avalizam marcas com maior eficiência por estarem no mesmo nível social, sendo portanto melhor aceitos.

A dualidade valor da marca e valor do dinheiro está arraigada junto as categorias de consumidores mais pobres. Tanto por serem mais fiéis quanto por necessidade de aplicar bem seus poucos recursos.

Ao contrário da visão popular, os consumidores da Base da Pirâmide estão se conectando e usando redes revelando que eles acolhem mais rapidamente tecnologias avançadas e apresentam uma maior demanda reprimida nesse segmento de mercado, tanto que as empresas de informática trabalham com ofertas de baixo custo e longo prazo e têm uma resposta imediata.

Condições para o desenvolvimento da Base da Pirâmide
O autor ensina que os pobres não podem participar dos benefícios da globalização sem um envolvimento ativo do setor privado e sem o acesso a produtos e serviços que representam os padrões globais de qualidade.

Mas é inegável que o mercado da Base da Pirâmide se abre como  espaço para expansão do setor privado e como um fórum para inovações. Portanto, quem quiser chegar até aqui devem abandonar as soluções velhas e experimentadas em outros estratos sociais.

Por tudo isso, os mercados da Base da Pirâmide devem se transformar numa parte integral do trabalho e negócio do setor privado. Devem estar em suas metas e não podem ser deixados e tratados apenas como uma iniciativa de Responsabilidade Social das empresas.

Ou seja, devem ser visto como novas oportunidades de bons negócios e não somente como uma atitude de benemerência.

Colaborador: Andrei Lima

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Por que o Brasil não cresce ?

Sexta, 22 de Junho de 2007
Segundo o Goldman & Sachs, de Nova York, se o Brasil crescesse a 4% aa daqui até o ano 2050 ele se tornaria a 5ª maior economia do mundo, passando à frente de todas as economias européias. O Brasil tem potencial para crescer 4,5% aa considerando os atuais fatores de produção.

O Brasil não cresce porque possui uma enorme dívida pública que não para de crescer. E não pára de crescer porque temos a mais alta taxa de juros do mundo. FHC deixou que essa dívida chegasse a 64% do PIB, quando era 30% no início do seu governo. No momento que a dívida externa se estabilizava FHC aumentava a taxa de juros para estabilizar o Real. Ao manter as taxas na estratosfera a dívida cresceu de R$60 bi para R$890 bilhões. O governo Lula conseguiu estabilizar a dívida pública em torno de 50% do PIB mas às custas de elevado superávit primário, mantendo as taxas de juros elevadas (mas muito menos que o governo anterior). Resultado disso tudo : baixas taxas de crescimento do PIB, desde a explosão da dívida externa dos anos 80.

Ou seja, desde que elevadas dívidas (no início : setor privado, depois pública) externas e internas, se tornaram graves problemas para o Estado brasileiro, o Brasil parou de crescer. Dívidas que foram contraídas pelos governos militares nos anos 70 e estouraram como bola de neve a partir dos 80 quando o governo Reagan sobe artificialmente as taxas de juros (passaram de uma média de -3,4% nos anos 70 para até +27,5% aa em 1982), provocando recessão na América Latina e comprometendo o crescimento econômico do Terceiro Mundo. A partir daí o Terceiro Mundo fica nas mãos dos banqueiros internacionais.

Em 1980, segundo o Banco Mundial, os países do Terceiro Mundo totalizavam uma dívida externa de cerca de 530 bilhões de dólares. Vinte anos mais tarde, no fim do ano 2000, esta atingia cerca de 2,05 trilhões de dólares : quatro vezes mais.

Entre 1980 e 2000, o Terceiro Mundo pagou a seus credores um pouco mais de 3,45 trilhões de dólares (se considerarmos os países do ex-bloco do Leste europeu são mais 640 bilhões) ou 4,1 trilhões para o conjunto da Periferia, o total do Terceiro Mundo. Logo, o Terceiro Mundo pagou mais de seis vezes o que devia, para ficar quatro vezes mais endividados. O Plano Marshall, plano de ajuda econômica dos EUA aos países destruídos pela Segunda Grande Guerra, representava 12,5 bilhões de dólares de 1948, o que significa hoje, com dólares de 2001, cerca de 78,5 bilhões de dólares. Entre 1980 e 2000 os povos do Terceiro Mundo enviaram aos credores do Centro (países desenvolvidos) 43 Planos Marshall. O montante total da ajuda pública ao desenvolvimento - APD (doações ou empréstimos concedidos pelos países da OCDE aos países do Terceiro Mundo em condições mais favoráveis, ou seja, inferior às taxas de mercado) oscila entre 40 e 50 bilhões de dólares. Em 2000, o serviço da dívida do Terceiro Mundo elevou-se a cerca de 315 bilhões (+61 bilhões do bloco Leste). O desequilíbrio é gritante : o Terceiro Mundo pagou seis vezes o que recebeu em APD.

A partir dos anos 90, as taxas de juros internacionais estabilizam-se e o montante da dívida externa pára de crescer ou cresce muito pouco, mas também não diminui. O que aconteceu foi que boa parte da dívida externa se transformou em dívida interna e agora nós devemos aos nossos próprios banqueiros. Antes nossos esforços estavam concentrados em conseguir dólares para pagar a dívida externa: tínhamos que gerar excedentes exportáveis sacrificando o consumo interno e até aumentando nossos problemas sociais (a taxa de mortalidade infantil chega a aumentar nos anos 80). Agora nossos esforços estão concentrados no governo federal (que assumiu a dívida do setor privado e dos Estados) para pagar a dívida pública. E o governo federal foi aumentando a carga tributária para fazer frente às despesas desta maldita dívida.

No início do governo FHC a carga era de cerca de 26% do PIB (histórica desde os anos 70) - no final de seu governo a carga tributária chegava a 36% do PIB, aumentando sobremaneira os impostos indiretos (que representam 2/3 da receita do governo) e, portanto passando estes encargos para a maioria da população brasileira (a classe média e a população mais pobre paga mais impostos do que os mais ricos - aumentando a regressividade dos impostos e contribuindo para a maior concentração de renda). O item de maior despesa do governo são os serviços da dívida (juros e amortização). Enquanto o governo federal paga cerca de R$160 bilhões com estes serviços (uma espécie de transferência de renda às avessas - são os 7 milhões mais ricos que recebem), ele gasta R$40 bilhões com os aposentados, R$20 bilhões com a saúde e R$10 bilhões com a educação. Os cerca de 40 milhões de brasileiros que são beneficiados com o Bolsa-Família recebem cerca de 5% dos gastos com a dívida. O governo Lula alterou muito pouco este quadro, mas pelo menos não o agravou. Em seus 3,5 anos de governo a dívida interna cresceu de R$890 bilhões para R$1 trilhão - apenas R$110 bilhões - e a carga tributária aumentou para cerca de 37% do PIB, muito pouco em relação ao crescimento do governo anterior. O problema é que a dívida pública continua sendo o maior pepino para ser resolvido e, como vimos a sua importância e impacto sobre as políticas públicas compromete toda a sociedade. Como o governo tem grande peso na economia, ao aumentar suas despesas com os serviços da dívida pública (que não pára de crescer) , provoca em conseqüência corte em seu orçamento; daí acaba por diminuir os investimentos produtivos que poderia realizar em energia, transportes, infra-estrutura, etc.

Enfim, o governo para manter estáveis os "fundamentos macroeconômicos" atuais, necessita manter certos indicadores que acabam comprometendo o crescimento econômico. Por exemplo, para atingir as metas de inflação em um ambiente de câmbio flutuante e livre mobilidade de capitais, o governo "necessita" de manter altas taxas de juros, para evitar fuga de capitais. A combinação de altas taxas de juros com baixo crescimento econômico do PIB, faz com que a estabilização da dívida como proporção do PIB (em torno de 50%) só seja possível se obtiver um elevado superávit primário. Para manter alto superávit primário é necessário que a carga tributária continue alta. Daí o governo fica preso nesta armadilha - para manter um superávit primário alto, em torno de 4,5% do PIB, os juros reais continuam em torno de 10% - e aí a economia cresce pouco, não passa dos 3,5% aa. Dentro desta lógica interna, ceteris paribus, pode-se dizer então que se quiséssemos um crescimento do PIB em torno de 4,5% aa, teríamos que afrouxar a política fiscal e monetária, reduzindo o superávit primário para 3% e a taxa de juros real para 6% aa, mantendo ou até reduzindo a dívida pública como proporção do PIB a longo prazo. Esta é uma estratégia keynesiana que poderia dar sustentabilidade à alternativa do crescimento econômico, usando a fórmula s = [ ( r - g) / (1 + g) ] b4 (sendo r a taxa real de juros, g a taxa de crescimento real do PIB e b o superávit primário como proporção do PIB) defendida por dois professores pesquisadores do CNPq (José Luís Oreiro - UFPR e Luiz F. Paula - UERJ). Esta alternativa ainda acena com a possibilidade de redução da carga tributária a longo prazo, o que poderia dar mais sustentabilidade à política macroeconômica do próximo governo.

Daniel Miranda Soares - economista, mestre pela UFMG e UFV, professor do Unilestemg