Tom Coelho
Terça, 4 de Novembro de 2008
“Em uma crise, quando as pessoas são forçadas a escolher entre diversos tipos de
ação,
a maioria escolherá a pior ação possível.”
(Lei de Rudin)
É sempre assim. Quando uma crise qualquer ecoa em uma empresa, quem paga o pato
é o cafezinho! Explico-me.
Tenho conduzido processos de reestruturação em empresas ao longo dos últimos
anos. E o receituário para corporações em conflito passa necessariamente pela
redução de custos.
Assim, procuro focar os cortes em ações significativas, atacando desperdícios e
despesas supérfluas, revendo contratos de fornecimento, cuidando com atenção das
despesas financeiras e, em especial, coibindo abusos da alta gestão por meio de
uma nova cultura. Isso significa separar gastos pessoais de corporativos, no
caso de pequenas e médias empresas, e adotar critérios mais rigorosos para
pagamento de bônus e concessão de benefícios, nas empresas de grande porte.
Todavia, há ainda quem inicie um plano de estabilização pela extinção do café
servido na copa, seguido da suspensão de treinamentos e programas de qualidade
de vida, meio ambiente e sustentabilidade, propaganda e promoção, e até pesquisa
e desenvolvimento. Claro que no final da linha está projetada uma indefectível
onda de demissões, varrendo a empresa e assombrando os trabalhadores.
Em tempos de crise propalada como a que ora experimentamos, quando a panacéia
toma conta não apenas dos mercados financeiros, mas também da cabeça dos
gestores de empresas, cegando-lhes diante da realidade dos fatos e ceifando-lhes
a racionalidade, há que ter ponderação, bom senso, prudência e visão de futuro.
Porém, a posologia míope adotada por muitos gestores coloca em um mesmo saco
despesas operacionais e investimentos. Os aumentos de produtividade auferidos
por meio de programas de capacitação são esquecidos. Os ganhos intangíveis de
médio e longo prazo decorrentes de programas de qualidade de vida são
desconsiderados. A melhoria na imagem institucional em função de ações
relacionadas ao desenvolvimento de uma cultura de sustentabilidade é ignorada.
Iniciativas que demandaram meses ou anos para serem planejadas, estruturadas
e implementadas são abortadas. Assim, jogam no lixo não somente o investimento
realizado, mas também o entusiasmo, o comprometimento e as expectativas das
pessoas envolvidas. A mudança nas regras do jogo desequilibra o sistema. A
confiança, esteio das relações, é abalada com severidade.
No exato momento em que a comunicação precisa ser reforçada, campanhas
publicitárias são suspensas. Quando novas tecnologias e processos precisam
florescer, a inovação recrudesce.
Por fim, ocorrem as demissões irracionais, úteis apenas para enviar cérebros que
conhecem o negócio, o mercado e a empresa para os braços da concorrência.
Não estou minimizando a conjuntura atual, mas apenas lhe conferindo a dimensão
adequada. A economia sofrerá uma contração graças ao princípio da profecia
auto-realizável: o pessimismo vai permear todo o sistema, reduzindo crédito,
investimento e consumo em cadeia.
Algumas atividades sofrerão retração decorrente de menor demanda; a agricultura
poderá sofrer perdas se, por ocasião da colheita, os preços vigentes não
remunerarem o maior custeio atual da safra; há empresas que pagarão o preço por
terem apostado em operações com derivativos quando deveriam ter focado sua
atividade-fim. Mas não me venham com essa balela de real depreciado porque a
cotação do dólar está há meses aquém de um patamar mínimo aceitável, nem com
essa retórica de depressão econômica mundial iminente.
O que falta aos gestores – públicos e privados – é primeiro questionar onde, de
fato, a crise está aportando. Depois, identificar as oportunidades ocultas. E,
finalmente, diante da necessidade de ajustes, procurar cortar as gorduras – e
não a carne.
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Raúl Candeloro
Sexta, 17 de Outubro de 2008
No Gestão em Vendas da semana passada abordamos os 3 tipos básicos para a
formação de preço: precificação por custo, por comparação dos concorrentes e por
valor para o cliente.
Nesta semana vamos aprofundar-nos no assunto preço, analisando um de seus lados
que é pouco comentado – o desconto. Descontos fazem parte do modelo de
precificação de uma empresa e como tal devem ser encarados. As 7 principais
formas de desconto são:
1. Desconto por quantidade: é o incentivo dado para o comprador que,
quanto mais compra, maior o desconto dado. Embora a princípio possa parecer que
perca um pouco da lucratividade por produto ou serviço, na verdade recuperará no
volume, por aumentar o valor médio de cada compra (muitas vezes chamado de
‘ticket médio’).
2. Desconto por forma de pagamento: desconto oferecido para o cliente que
utilizar a forma de pagamento mais interessante a você (pagar à vista; pagar em
cartão etc). Perde-se um pouco da lucratividade no preço da venda, mas ganha-se
na diminuição da inadimplência e no recebimento mais rápido, gerando fluxo de
caixa positivo.
3. Desconto para “pacotes de produtos ou serviços”: É o que tecnicamente
convencionou-se chamar de cross sell - desconto oferecido incentivando que o
comprador adquira outros produtos ou serviços da empresa ao mesmo tempo. Ao
invés de aumentar sua participação de mercado, você aumenta sua participação no
orçamento total do cliente, fazendo com que ele passe a comprar mais de você.
Além disso, já está comprovado que quanto maior o mix de compras, maior a
fidelidade do cliente.
4. Lei do Contraste: o consultor de vendas César Frazão ensina esta
estratégia em seus treinamentos. O vendedor demonstra ao cliente produtos ou
serviços similares bem mais caros ou qualquer oferta que seja a mais alta da
empresa, mesmo que não seja aquilo que o cliente esteja realmente procurando. Em
seguida, mostra o produto ou serviço ideal, aquele que o comprador tem
interesse. Como a referência do cliente ficou no preço mais alto que foi
mostrado, quando o vendedor falar o preço do produto/serviço que ele quer,
dificilmente será pedido desconto, pois para o consumidor já está “barato”. É a
melhor forma de negociar porque o desconto dado é mental e simbólico, não um
desconto real.
5. Brindes: Por terem um custo que deve ser de alguma forma embutido no
preço, brindes também podem ser considerados descontos. A estratégia correta
neste caso é, no lugar de oferecer descontos, oferecer um brinde que tenha baixo
custo para sua empresa mas alto valor percebido pelo cliente. Por exemplo: não
adianta investir R$200 em um
“brinde” quando na verdade R$100 em desconto no preço final tem mais valor para
o cliente. Neste caso sua empresa estaria perdendo lucratividade. O brinde ideal
é aquele que tem um alto valor para o cliente e um custo para a empresa menor do
que se desse o desconto.
6. Programas de fidelização: são cupons, créditos, pontos, milhagens
etc., oferecidos ao cliente incentivando uma posterior compra da mesma empresa.
Essa estratégia é muito usada por restaurantes, principalmente os de entrega à
domicilio: pedimos comida chinesa e ganhamos cupons de descontos para serem
usados na próxima compra. Empresas aéreas usam a mesma tática: oferecem milhas
para que, da próxima vez, você opte por voar naquela mesma empresa aérea para
ganhar uma passagem grátis. Perde-se um pouco da lucratividade na próxima
compra, mas ganha-se no aumento da freqüência.
7. Bonificação: esta última é a mais velha de todas. Ao invés de você dar
um desconto de 5% ao cliente, você dá 5% de bonificação a mais. Se ele comprou
100, você dá 105. A sacada aqui está no fato de que você agrega valor, ‘treina’
o cliente a pagar preço cheio e oferece em troca algo que para você é mais
barato (se você parar para pensar, os 5% extra só tem seu custo interno, sem
margem, enquanto que um desconto de 5% sobre o valor total daria um valor maior
por causa da margem de lucro).
Esses são os 7 tipos básicos de desconto. A maior parte das empresas não pára
para pensar como usá-los afeta realmente a lucratividade e o posicionamento
estratégico. Dar desconto por bonificação, brindes, volume, ou cross selling
certamente vai influenciar seu faturamento mas, principalmente, afetará também a
forma como você é visto no mercado. E não só por clientes: a forma escolhida
para negociar influencia decisivamente a maneira como seus vendedores vão se
comportar.
Por isso é fundamental que o preço definido para seu produto ou serviço seja
comunicado corretamente aos clientes e, principalmente à equipe de vendas. Antes
de vender para o cliente temos que vender para nossos funcionários pois se os
vendedores não concordarem com o preço, não conseguirão justificá-lo para o
cliente, perdendo vendas.
Ao precificarmos um produto ou serviço, estamos criando uma imagem, um
posicionamento. Sair dando descontos da forma errada não só prejudica a imagem
como pode ser a ruína de toda a estratégia. As coisas têm que estar todas
coordenadas.
A utilização de descontos pode ser muito atrativa e funciona para o aumento das
vendas. Porém, esse desconto também tem que ser calculado e ter um limite, senão
pode chegar ao ponto de descobrir que está praticamente “pagando” para que seus
clientes comprem.
Não se esqueça que testar todas essas estratégias para seus produtos ou serviços
é muito importante, pois empresas diferentes reagem diferentes a cada uma dessas
ações. Implemente, teste, faça alterações, calcule e identifique quais são mais
adequadas para a sua empresa.
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Raúl Candeloro
Terça, 14 de Outubro de 2008
Como gestores de vendas, sabemos que o preço é muito importante em qualquer ato
de compra e venda. Definir o preço certo para nossos produtos e serviços é mais
complicado do que parece. Há muito estudo sobre essa área em qualquer bom livro
de administração e também de marketing, já que o preço faz parte do composto de
marketing – os quatro Ps – preço, produto, ponto-de-venda e promoção.
Para atribuirmos um preço aos nossos produtos e serviços, é necessário o estudo
de uma série de variáveis: a demanda (quantidade de pessoas que querem comprar o
produto/serviço), o ciclo de vida (se o produto/serviço é novo, está em
crescimento, etc.), os fatores demográficos e os psicológicos, e a elasticidade
do preço (quão sensível ao preço é a demanda).
Cada uma dessas variáveis deve ser constantemente analisada ao longo dos anos.
Muitas empresas (e gerentes) não percebem a grande diferença que o preço correto
de seus produtos e serviços faz na lucratividade da empresa, e acabam não
dedicando tempo e pessoas para isso.
Outro erro comum, principalmente na área de vendas, é achar que quem tem de
pensar estrategicamente no preço é somente o dono da empresa. Os gerentes e
vendedores não entendem que grande parte da informação relevante para a correta
formação de preços está em suas mãos, já que são os responsáveis pelo contato
direto com o cliente, entendendo seus desejos e principalmente, sua percepção de
valor. Infelizmente, o que temos visto são vendedores que só pensam em dar
descontos, sem entender como isso influencia a lucratividade da empresa.
Veja que esse “despertar” para a importância do constante estudo da formação de
preços em sua empresa é fundamental para seu sucesso em vendas.
Então, como atribuir o preço correto ao produto ou serviço?
A formação de preço pode ter diferentes abordagens. Vamos a elas:
- Preço calculado sobre o custo: como princípio de toda empresa com fins
lucrativos, o preço de seus produtos e serviços deve cobrir os custos fixos
(custos que você terá, não importa a quantidade produzida/ofertada/ vendida,
como salários administrativos, aluguel, etc.) e variáveis (custos que variam de
acordo com a quantidade, como comissões de vendas, compra de matéria-prima,
etc.), e ainda obter um determinado lucro.
Com essa estratégia, o preço é determinado justamente calculando-se todos os
custos que envolvem o produto ou serviço, tanto de produção como de
comercialização, e somando-se a porcentagem desejada de lucro. A soma desses
fatores resultará no preço de venda.
Apesar desse cálculo ser bastante fácil, essa estratégia apresenta uma grande
limitação que é não levar em consideração os clientes/demanda da empresa. Isso
pode acarretar dois problemas: você poderá vender seu produto ou serviço por um
preço menor do que seus clientes pagariam (perdendo lucro) ou poderá vender por
um preço maior do que deveria (perdendo vendas e não corrigindo o custo de seus
produtos/serviços para que você possa de fato ter uma margem de lucro sobre
eles).
- Preço em comparação com a concorrência: os concorrentes têm uma grande
importância na formação dos preços. Essa estratégia leva em consideração custos,
preços e reações dos preços dos concorrentes. Deve ser usada por empresas que
têm produtos ou serviços muito parecidos com seus concorrentes, impossibilitando
criar uma diferenciação de valor que justifique um preço mais alto.
Produtos ou serviços similares devem ter preços próximos, ou os vendedores terão
de estar muito bem treinados para lidar com as objeções de compradores. Se a
estratégia da empresa for ganhar fatia de mercado, ou incomodar seus
concorrentes, o melhor será oferecer um produto ou serviço melhor, e vender por
um preço menor ou igual aos concorrentes.
O grande cuidado que se deve tomar é também conhecer os custos dos concorrentes,
além do preço. Muitas vezes esses custos são menores, o que possibilita oferecer
um preço mais baixo. Se sua empresa acompanhar, poderá perder grande parte da
margem de lucro e até ter prejuízo.
- Preço via valor do cliente: é a determinação de preço baseada no valor
que o produto/serviço tem para o cliente: quanto ele está disposto a pagar pelas
vantagens e benefícios ofertados. Aqui, conta muito o valor da marca e o que ela
significa em termos de qualidade e confiabilidade.
Estima-se quanto seus clientes estão dispostos a pagar e depois compara-se ao
custo do produto/serviço para saber se o projeto é viável ou não. Na maioria das
vezes, quando o que você está vendendo tem de fato atributos importantes e
oferece benefícios (e você desenvolve uma estratégia correta de valor de marca),
você descobrirá que muitos de seus clientes se disporiam a pagar mais (ou
precisam ser “treinados” a valorizar e pagar mais).
Sabemos que muitas pessoas, inclusive nós mesmos, não compram sempre as coisas
mais baratas em um supermercado ou em uma loja de roupas, por exemplo. Também,
na maioria das vezes, não compram o carro mais barato ou viajam para o hotel
mais barato. Há outras coisas que influenciam o ato da compra além do preço,
mesmo sendo ele tão decisor. A análise correta é: dentro do que seus clientes
querem, dentro das suas expectativas e dos seus desejos, qual é o preço mais
apropriado?
Acompanhe na próxima semana a continuação sobre a importância, as estratégias e
maneiras de ter uma correta formação de preços. Por enquanto, vá pensando na
maneira como a sua empresa tem formado seus preços.
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Eugen Pfister
Quarta, 17 de Setembro de 2008
Em princípio não há nada de errado! Aliás, conforme o caso, ela chega a ser um
fato propício, positivo, a indicar uma situação de excelência em equilíbrio
dinâmico. Ou seja, uma condição sujeita a aperfeiçoamento e manutenção
periódica. Mas parece que a ordem é malhar o conforto, como se o estilo de vida
ideal fosse viver na zona do desconforto.
Então, bom mesmo é dormir numa cama de faquir; banho de chuveiro só com água
gelada mesmo no inverno; almoçar jiló, quiabo, escarola e tomar chá de boldo.
Ou, dentro da Organização, trocar toda e qualquer ferramenta gerencial que
estiver dando certo para testar outras ainda não validadas e que nos darão dor
de cabeça, estresse, custos de implantação e incertezas quanto aos resultados.
Ao passageiro que assim pensa desejo boa viagem.
Para variar, os criadores de modismos e os que lhes dão ouvidos insistem em
violentar o simples, barato e correto senso comum que recomenda que “nem tanto
ao mar nem tanto a terra”. Em outras palavras, a questão não é mudar e sim
melhorar.
Será que não estamos confundindo ansiedade, necessidade de adrenalina,
personalidades estressadas por natureza, inquietação com criatividade,
empreendedorismo e melhoria continua?
Quando se atinge um patamar de excelência é possível alcançar os objetivos com
menos sangue, suor e lágrimas. Em geral, nós ocidentais admiramos a elegância
das artes marciais do oriente, o auto controlado do Samurai, a sapiência Zen,
mas parece que só podemos vivenciá-las se estivermos com os nervos na flor da
pele.
Isso é um equívoco. A excelência pessoal e organizacional não exclui harmonia,
paz, tranqüilidade e serenidade, pelo contrário, eles são essências para quem
busca a excelência.
O desconforto é aceito voluntariamente desde que tenha data de início e de
término e, acima de tudo, que os esforços desprendidos deságüem num paraíso de
confortos.
Sim, falo de saúde, educação dos filhos, casa própria, viagens, carros último
tipo, bons restaurantes, aposentadoria e outras comodidades que a vida oferece.
Excetuando que tem vocação para Sisifo que, condenado pelos deuses para a
eternidade a rolar um pesado rochedo montanha acima, para ter que repetir o
mesmo ato no dia seguinte porque a pedra rolava durante a noite morro abaixo,
ninguém pensa em estresse eterno.
Portanto, os investimentos que fazemos em nossas carreiras e os esforços
organizacionais para aperfeiçoar a qualidade visam a zona de conforto e não o
desconforto como estilo de vida.
Então, caro leitor, fique ligado e escute com um ouvido as histórias dos gurus e
com o outro ouvido e órgãos do sentido, preste atenção no chamado da vida. A
tempestade é bem vinda apenas porque a ela sucede à bonança.
Sangue, suor e lagrimas: tudo bem, mas apenas na medida do inevitável. Depois,
sombra e água fresca.
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Charlyton Vasconcelos
Quarta, 27 de Agosto de 2008
Os filósofos buscam constantemente soluções para os problemas que o correm em
seu meio podendo ser externo ou até mesmo interno. Eles buscaram em sua época o
que as organizações buscam constantemente: planejamento, organização das
tarefas, direção e controle, porém vemos que em um período tão desglobalizado,
houve mais resultados positivos do que muitas empresas que existem hoje em dia.
Merece referências a influência dos filósofos gregos, como Platão (429 a.C. 347
a.C.) discípulo de Sócrates, e Aristóteles (384 a.C. 322 a.C.), discípulo de
Platão. Ambos deixaram contribuições para o pensamento administrativo do Século
XX. Platão preocupou-se com os problemas de natureza política e social
relacionados ao desenvolvimento do povo grego. Aristóteles impulsionou o
pensamento da Filosofia e no seu livro Política estudou a organização do Estado.
Outros filósofos deixaram importantes contribuições para a formação do
pensamento administrativo: Nicolau Maquiavel (1469 – 1527) historiador e
filósofo político italiano, seu livro mais famoso, O Príncipe (escrito em 1513 e
publicado em 1532) refere-se à forma de como um governante deve se comportar.
Segundo Maximiano (2000, p.146), Maquiavel pode ser entendido “como um analista
do poder e do comportamento dos dirigentes em organizações complexas”. Certos
princípios simplificados que sofreram popularização estão associados a Maquiavel
(observa-se o adjetivo maquiavélico):
- “Se tiver que fazer o mal, o príncipe deve fazê-lo de uma só vez. O bem deve
fazê-lo aos poucos”.
- “O príncipe terá uma só palavra. No entanto, deverá mudá-la sempre que for
necessário”.
- “O príncipe deve preferir ser temido do que amado.”
Francis Bacon (1561 – 1626) filósofo e estadista inglês, considerado um
dos pioneiros do pensamento científico moderno, fundador da Lógica Moderna
baseada no método experimental e indutivo (do específico para o geral). Segundo
Chiavenato (1983, p.22) com Bacon é que encontra-se a preocupação com a
separação experimental do que é essencial em relação ao que é acidental.
Antecipou-se ao princípio da Administração “prevalência do principal sobre o
acessório”.
René Descartes (1596 – 1650) filósofo, matemático e físico francês,
considerado fundador da Filosofia Moderna, celebrizado pela sua obra “O Discurso
do Método”, em que descreve os principais preceitos do seu método filosófico,
hoje denominado “método cartesiano” cujos princípios são:
- Princípio da Dúvida Sistemática ou da Evidência – não é verdadeiro até
que se saiba com evidência, ou seja, como realmente verdadeiro.
- Princípio da Análise ou da Decomposição - dividir e decompor cada parte
de um problema para analisar as suas partes separadamente.
- Princípio da Síntese ou da Composição – processo racional que consiste
no ordenamento dos pensamentos, dos mais fáceis e simples para os mais difíceis
e complexos.
- Princípio da Enumeração ou da Verificação – em tudo fazer recontagens,
verificações e revisões de modo a tornar-se seguro de não ter havido qualquer
omissão durante o processo de raciocínio (checklist).
Thomas Hobes (1588 – 1679) filósofo e teórico político inglês, segundo o
qual o homem primitivo era um ser anti-social por definição, atirando-se uns
contra os outros pelo desejo de poder, riquezas e propriedades – “o homem é o
lobo do próprio homem”. O Estado surge como a resultante da questão, que, de
forma absoluta, impõe a ordem e organiza a vida social.
Karl Marx (1818 – 1883) e Friedrich Engels (1820 – 1895) propuseram uma
teoria da origem econômica do Estado. Chiavenato (1983, p.23) escreve que, de
acordo com Marx e Engels a dominação econômica do homem pelo homem é a geradora
do poder político do Estado, que vem a ser uma ordem coativa imposta por uma
classe social exploradora. No Manifesto Comunista, ainda segundo Chiavenato,
Marx e Engels afirmam que a história da humanidade sempre foi a história da luta
de classes, resumidamente, entre exploradores e explorados.
Adam Smith (1723 – 1790) filósofo e economista escocês, considerado como
criador da Escola Clássica da Economia, em 1776 publica a sua obra “Uma
investigação sobre a natureza e as causas da riqueza das nações”, mais conhecido
como A Riqueza das Nações, já abordava o princípio da especialização dos
operários e o princípio da divisão do trabalho em uma manufatura de agulhas para
destacar a necessidade da racionalização da produção. Conforme Chiavenato (1983,
p.30), para Adam Smith, a origem da riqueza das nações reside na divisão do
trabalho e na especialização das tarefas, preconizando o estudo dos tempos e
movimentos, pensamento que, mais tarde, Frederick Winslow Taylor e o casal Frank
e Lilian Gilbreth viriam a desenvolver, fundamentando a Administração
Científica.
Todo indivíduo necessariamente trabalha no sentido de fazer com que o rendimento
anual da sociedade seja o maior possível. Na verdade, ele geralmente não tem
intenção de promover o interesse público, nem sabe o quanto o promove. Ao
preferir dar sustento mais à atividade doméstica que à exterior, ele tem em
vista apenas sua própria segurança; e, ao dirigir essa atividade de maneira que
sua produção seja de maior valor possível, ele tem em vista apenas seu próprio
lucro, e neste caso, como em muitos outros, ele é guiado por uma mão invisível a
promover um fim que não fazia parte de sua intenção. E o fato de este fim não
fazer parte de sua intenção nem sempre é o pior para a sociedade. Ao buscar seu
próprio interesse, freqüentemente ele promove o da sociedade de maneira mais
eficiente do que quando realmente tem a intenção de promovê-lo. (“Adam Smith, A
Riqueza das Nações, Livro IV, capítulo 2”).
David Ricardo (1772 – 1823) economista britânico, em sua obra “Princípios de
Economia Política e Tributação”, publicada em 1817, tratava de teorias cujas
bases residiam nos seus estudos sobre a distribuição da riqueza a longo prazo.
Segundo David Ricardo o crescimento da população tenderia a provocar a escassez
de terras produtivas. Tal Como Adam Smith, Ricardo admitia que a qualidade do
trabalho contribuía para o valor de um bem. O trabalho era visto como uma
mercadoria. Uma importante contribuição sua foi o princípio dos rendimentos
decrescentes, devido à renda das terras. Tentou deduzir uma teoria do valor a
partir da aplicação do trabalho. Ricardo tornou-se o clássico por excelência da
Economia, apesar de se inspirar em grande parte da sua análise na obra de Adam
Smith acabou por criticá-lo. Alterou o conceito de valor de uso de Adam Smith
definindo-o como a Utilidade, ou seja, a capacidade do produto satisfazer as
nossas necessidades. Como contribuições para a formação do pensamento
administrativo, resumidamente, é possível destacar: suas posições a respeito do
custo do trabalho e sobre os preços e mercados.
John Stuart Mill (1806 – 1873) filósofo e economista britânico publicou
“Princípios de Economia Política” onde, segundo Chiavenato (1983, p.31)
apresenta um conceito de controle objetivando evitar furtos nas empresas.
Acrescenta duas qualidades importantes, a fidelidade e o zelo.
A partir do Séc. XX poderemos verificar no pensamento de Peter Drucker a
crescente preocupação com as novas formas de atuação do administrador enquanto
individuo e da administração enquanto prática para que tal indivíduo alcance e
desenvolva a felicidade, zelo, controle do trabalho, utilidade do valor, a
ordem, a organização, e outros aspectos já evidenciados pelos filósofos
clássicos diante de um mundo tão complexo como o que vivenciamos hoje, chamado
de mundo globalizado.
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