Jerônimo Mendes
Sexta, 22 de Agosto de 2008
Lealdade é uma virtude difícil de ser praticada no mundo corporativo, pois só
existe lealdade quando nos mantemos fiéis a nós mesmos. Ela depende de uma série
de fatores arraigados desde a infância: o meio onde fomos criados, a nossa
história pessoal e, principalmente, os valores e princípios adotados pelos
nossos pais no convívio familiar.
Lealdade significa ser verdadeiro consigo mesmo. Quando isso ocorre, fica mais
fácil adotar essa virtude no relacionamento com as demais pessoas ao nosso
redor. Infelizmente, em razão da competição desenfreada que vivemos no mundo
corporativo, a lealdade é colocada em segundo plano com muita facilidade quando
a nossa ambição é desmedida ou atuamos num ambiente sob pressão.
Lealdade é diferente de fidelidade. A primeira exige, antes de tudo, a verdade
consigo mesmo; a segunda exige também a verdade com as pessoas com as quais nos
relacionamos. Entretanto, não existe lealdade sem fidelidade e vice-versa,
motivo pelo qual as duas virtudes são difíceis de serem praticadas.
Ser leal a alguém, ao país ou a uma empresa significa que você nunca irá
prejudicá-los, haja o que houver. Você pode mudar de companheiro, de cargo ou de
empresa, mas a lealdade pressupõe que o compromisso seja verdadeiro até o fim,
caso contrário, os princípios são prejudicados.
Por várias empresas onde passei, conheci poucos profissionais capazes de manter
a lealdade. O discurso era bom, entretanto, a lealdade caía por terra na
primeira discussão com o chefe ou quando, diante da possibilidade de ascensão a
um novo cargo, a oportunidade era dada para outro. Para muitos, a lealdade acaba
no dia da demissão, quando entra em cena o espírito de vingança. Aquilo que você
defendeu durante muito tempo passa a ser motivo para difamação.
Em muitos casos a deslealdade era justificada mediante a confusão entre
valores e princípios, o que induz ao raciocínio incorreto de determinada
situação. Coisas do tipo “eu ganho pouco”, “a empresa não merece a minha
lealdade”, “vou garantir o meu, o resto que se dane” ou ainda “se todo mundo
faz, porque eu não posso fazer” eram comuns.
A máxima bíblica continua a mesma, depois de dois mil anos: “você não pode
servir a dois senhores ao mesmo tempo”. Isso vale para os relacionamentos
conjugais, para as amizades e para o trabalho. Entretanto, falamos do ser
humano, sujeito a falhas e desvios de qualquer natureza, refém do meio e das
percepções equivocadas ao longo da sua experiência pessoal e profissional,
sensível às pressões do mundo dominado por valores equivocados.
Diante das dificuldades existentes para se dominar essa virtude especial, quero
compartilhar algumas lições que me permitiram alinhar os valores com a minha
conduta por todos os lugares onde passei. Cada pessoa constrói a sua própria
história e o que vale para mim pode não valer para outros, entretanto, como foi
dito anteriormente, princípios são inegociáveis.
No mundo corporativo, a lealdade será reconhecida em ações simples, tais como:
não falar mal da empresa e dos colegas diante dos outros; defender os colegas e
a empresa mediante comentários maldosos; honrar o compromisso e a palavra
assumida desde o começo; demonstrar interesse e dedicação pelas coisas da
empresa; manter-se fiel aos princípios, independente das circunstâncias. Não
existe lealdade parcial. Você é leal ou não. Pense nisso e seja feliz!
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Fernando Gomiero
Sexta, 30 de Maio de 2008
Imagine os prejuízos, tanto os materiais como os de imagem, que as empresas
sofrem a cada vez que algum de seus líderes ou colaboradores acende um cigarro.
Fatores como distração, perdas de tempo, desconcentração, ausências por
problemas de saúde e risco de incêndio, entre outros, além dos inevitáveis
confrontos entre o grupo dos fumantes e o dos não fumantes, acabam por promover
um verdadeiro "racha" dentro da organização. Então será possível imaginar também
o tamanho do estrago provocado pelo consumo do álcool e das drogas nas empresas.
No atual mundo globalizado em que vivemos, a necessidade de resultado nas
empresas impõe uma pressão cada vez maior sobre os empreendedores, líderes e
colaboradores. Tão forte que, muitos, principalmente entre os integrantes dos
dois últimos grupos, são induzidos a novos hábitos não aconselháveis, tendo em
vista seus efeitos nocivos à saúde, o que representa uma enorme interferência
negativa nos lucros e resultados das empresas.
O estresse provocado pelas pressões no trabalho, pela necessidade de se
atualizarem através da leitura de uma quantidade sempre crescente de livros e
revistas, pela interferência do trabalho na vida pessoal e pelo próprio trânsito
alucinante que são obrigados a enfrentar no dia-a-dia, tem uma influência
extremamente negativa sobre o lado emocional dos profissionais, que, não raras
vezes, buscam refúgio no cigarro, no álcool ou até mesmo nos entorpecentes.
E o hábito resulta em enormes danos à saúde e na conseqüente queda de rendimento
no trabalho, principalmente daquelas pessoas que, sem forças para fugir da
dependência química, se entregam ao vício. Além da inevitável deterioração do
relacionamento de todo o grupo e queda da produtividade.
Para as empresas as conseqüências e expectativas futuras não são mais
animadoras. Elas acabam por perder aqueles grandes talentos que se rendem às
sensações de um prazer ilusório. Em nome de um pretenso relaxamento pelas
drogas, eles perdem a capacidade de raciocinar, a persistência e perspicácia, a
criatividade e a competência para a dependência química, alienando-se
completamente de seus ideais. O resto não é difícil imaginar.
Por isso é que, preocupadas com o alto índice de dependentes químicos entre seus
profissionais, inúmeras organizações partiram para a implementação de programas
e projetos especialmente voltados ao tratamento e reabilitação dos mesmos, além
da prevenção de futuras novas ocorrências. Uma cartilha esclarece sobre os
riscos das drogas, de modo que todos tenham consciência de seus efeitos
devastadores sobre a saúde do ser humano e sua vida pessoal, afetiva e
profissional. Atividades de apoio e alternativas diversas, como sessões de
reflexão, atividades físicas, lazer, boa alimentação, adoção de horários
flexíveis, restabelecimento do equilíbrio emocional com o apoio de psicólogos e
especialistas no assunto, estímulo à formulação de idéias e sugestões, enfim,
mecanismos que auxiliem líderes e colaboradores a se afastarem do vício e
auxiliá-los a encontrar sua forma preferida de relaxamento, que, ao mesmo tempo,
não represente riscos para sua saúde.
Então, é preciso encarar o fato de que não há muito tempo a perder com
ponderações. Urge que as empresas que ainda não o fizeram, ataquem o problema de
frente e se engajem nessa luta, criando mecanismos que ajudem a libertar seus
profissionais dos vícios que tantos prejuízos trazem para a saúde, a vida
profissional, pessoal e afetiva. Ou elas tendem a amargar enormes dores de
cabeça com os problemas institucionais, além das pioras significativas de seus
lucros e resultados futuros. Quer dizer: é preciso agir com rapidez e precisão;
corrigir e prevenir para não sucumbir!
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Wagner Campos
Segunda, 10 de Março de 2008
Durante séculos os homens dominaram as sociedades. Sempre foram líderes, reis, guerreiros. Conquistaram aldeias, reinados inimigos e até continentes. Considerando as enormes responsabilidades guerreiras, intelectuais e de lideranças, contavam com a submissão de suas mulheres (literalmente suas, pois em alguns casos eram mais do que uma). Mulheres sem poder e sem liberdade. A fragilidade feminina não proporcionava posições de destaque, respeito, decisão ou liderança.
Homens atuam nos mais variados segmentos, "suportando" pressões no trabalho, viagens, happy hour com clientes, conversas sobre futebol, etc., enquanto as mulheres "apenas" realizam suas atividades profissionais e depois têm o "prazer" de ficar em casa com a família e realizando "pequenos" afazeres como arrumar as crianças, preparar as refeições, cuidar das roupas de todos e "implicar-se" desnecessariamente com detalhes relacionados a alguns pertences que deixamos pela casa, não jogados como elas vêem, mas de fácil acesso para quando precisarmos utilizá-los. (Homens não podem ficar se apegando a detalhes aos quais as mulheres se prendem inutilmente...).
Enquanto trabalhamos arduamente somos obrigados a conviver com mulheres incríveis que de alguma forma apresentam uma enorme vontade de superar nosso reinado através de sua admirável determinação.
Relacionemos algumas conquistas femininas alcançadas nos últimos séculos, tanto no Brasil quanto no mundo.
Enquanto seus maridos iam para a guerra, as mulheres foram sendo obrigadas a assumir os negócios da família e a posição dos homens no mercado de trabalho. Pelo fato de muitos maridos falecerem ou voltarem impossibilitados de trabalhar após o combate, elas sentiram-se na obrigação de deixar a casa e os filhos para levar adiante os projetos e as atividades que eram realizadas pelos esposos.
Em 1827 foi determinada a primeira lei sobre educação das mulheres, permitindo que freqüentassem as escolas elementares. Em 1879 tiveram autorização do governo para freqüentar o ensino superior e eram criticadas pela sociedade. Em 1932 Getúlio Vargas dá o direito de voto às mulheres. Em 1914 a primeira jornalista do Brasil, Eugênia Moreira, aos 16 anos escreve artigos em jornais afirmando que "a mulher será livre somente no dia em que passar a escolher seus representantes". Declarou-se em 1945 a igualdade de direitos entre homens e mulheres. (Não é que a mocinha conseguiu prever o que iria acontecer?).
Em 1974, Izabel Perón tornou-se a primeira mulher presidente. Roseana Sarney em 1994 é a primeira mulher eleita governadora de um estado brasileiro, o Maranhão, e ainda conseguiu ser reeleita em 1998. Uma mocinha conhecida como Coco Chanel que havia saído de um orfanato no interior da França, com seu jeito despojado de se vestir anunciou as grandes mudanças que viriam a ocorrer nos guarda-roupas femininos. Aboliu os espartilhos, os vestidos com armações e os cabelos postiços, deixando-os na altura do pescoço (assim surgiu o famoso corte Chanel).
Vários estudiosos afirmam que a grande virtude das mulheres é colocar a liderança como uma orientação e que homens e mulheres podem ser igualmente eficientes.
Empresas de Recursos Humanos reconhecem grandes vantagens na contratação de uma mulher em vez de um homem.
Segundo afirmam essas empresas, as mulheres:
- São mais persistentes numa negociação; - Trabalham em equipe; - Fazem planejamento a longo prazo; - Preocupam-se com detalhes, etc. - Estão começando a servir como modelo na hora de contratar.
Finalmente compreendi como as mulheres têm tanto para falar, discutir e participar. Ficou difícil para o sexo masculino ter que lutar de igual para igual no mercado de trabalho e muitas vezes aceitar sair na pior. A luta pela igualdade das mulheres trouxe um constante desafio para os homens.
É "insuportável" comprovar que as mulheres estão conquistando cada vez mais os cargos de liderança. É "insuportável" aceitar que além de toda jornada de trabalho externo, assumem uma nova jornada dentro de casa, e no final percebemos que por mais que nos esforcemos, elas se dedicam mais, trabalham mais e ainda têm disposição para nos dar atenção e carinho.
É "insuportável" saber que entre milhares de pessoas em todo o mundo, nós, homens, somos a minoria. No entanto, é preciso dar o braço a torcer reconhecendo que aprendemos muito com as mulheres que nos deram a vida, a educação, o exemplo, o carinho e formaram nossos valores pessoais.
Tanta determinação, dedicação, energia e pró-atividade das mulheres se devem a séculos de batalhas das quais não participarmos com o mesmo empenho. Lutas em busca de espaço, respeito e dignidade. O resultado destas conquistas femininas não envolve valor financeiro, mas um valor inestimável: seu amor próprio.
É gratificante reconhecer que em meio a tantas batalhas que se fizeram necessárias para essas conquistas, as mulheres ainda mantêm consideração pelos homens e não propõem como maior objetivo superar o sexo masculino, e sim desfrutar do mesmo espaço!
Parabéns a todas essas INCRÍVEIS MULHERES, pois INSUPORTÁVEL mesmo, seria não podermos participar de suas vidas e conquistas!
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Raúl Candeloro
Quarta, 27 de Fevereiro de 2008
O fabuloso texto de Platão, "A Alegoria da Caverna", conta a história de um grupo de pessoas que nasceu agrilhoado às paredes de uma caverna cujo túnel de acesso possuía uma curva que impedia a visão direta do mundo exterior. Deste, só visualizavam as sombras das pessoas, animais e utensílios que cruzavam a entrada. Por terem nascido nesse ambiente e não conhecerem outra coisa, os habitantes desta caverna substituíam as sombras pela realidade, pois era tudo que conheciam.
No texto, Platão descreve o que aconteceria se algum dos prisioneiros fosse libertado. Ele caminharia em direção à entrada da caverna, por onde entra a luz, e ficaria cego pela luz do Sol (representando aqui a luz da verdade). Aos poucos seus olhos se acostumariam à luz e, surpreso, ele descobriria que fora da caverna existia um mundo real. Que as sombras que sempre tinham visto na caverna eram apenas representações da realidade. E voltaria correndo contar aos outros a novidade.
Acomodados e acostumados às sombras, segundo Platão, ele seria inevitavelmente morto pelos que não querem acreditar na verdade, que não conseguem nem aceitar que ela seja verdade. A luz inicial, que provoca a cegueira, é tão dolorosa que a maioria das pessoas não tem coragem de enfrentá-la. Preferem ficar na escuridão, na ignorância e no conforto, mesmo que errados.
O raciocínio livre hoje em dia é uma raridade, poucas são as pessoas que conseguem ver além da mediocridade que os cerca. Pensar e mudar dói. Leva um tempo para acostumar-se com a realidade e com a verdade que muitas vezes choca. É muito mais cômodo ficar dentro da caverna, no mundinho que sempre conhecemos, achando que aquela nossa versão da realidade é a verdadeira. Ou que é verdade o que nos chega filtrado pela televisão, pelos jornais, pelas revistas. Somos manipulados por interesses, recebendo de maneira 'mastigada' uma versão distorcida dos fatos, e confundimos as sombras publicadas com a verdade e a realidade.
Se não engano, foi o filósofo armênio Gurdjieff que, em um de seus escritos, disse acreditar na reencarnação, mas de uma maneira diferente. Não como planta ou animal nem outra pessoa, mas como você mesmo. Ou seja, você deveria viver sua vida novamente, até acertá-la, tomando as decisões difíceis que evitou, por preguiça, acomodação, medo ou ignorância, reencarnando eternamente como você mesmo, castigado e proibido de evoluir, por não ter tomado as decisões que deveria.
É uma forma interessante de ver as coisas, pois o obriga a pensar nas suas decisões de maneira completamente diferente, sabendo que, se você não fizer a coisa certa, vai ter que voltar e voltar e voltar até acertar e viver de verdade. Ou seja, é preciso sair da caverna, encarar a luz da verdade, acostumando-se a pensar livremente, sem as amarras criadas pela educação, família, pressões da sociedade e, ultimamente, pela mídia também.
Significa ficar em pé e não viver de joelhos, ou arrastando-se. Significa nascer original e morrer original, porque a maioria das pessoas nasce original e morre uma cópia. Significa fazer algo de valor com sua vida, deixar sua marca neste mundo, ser humano como só você pode ser. Significa arriscar-se a sair da caverna, a ficar momentaneamente cego, a enfrentar as críticas e dúvidas dos descrentes, dos ignorantes, dos acomodados. Significa viver a vida de forma valente, como um herói ou heroína, seja quais forem suas condições e sua realidade. Significa ter um ideal, uma aspiração, um projeto de vida, e dedicar-se a melhorar sua vida e a dos outros, por mais duro que seja. Significa testar-se, descobrir seus limites, viver plenamente, não economizar-se para amanhã. Estar vivo é um presente, temos a obrigação de agradecer a dádiva com honra. Viva de maneira correta e corajosa desta vez - agora! lembre-se: se você não tomar estas decisões, é bem capaz que tenha que voltar, e voltar, e voltar, até acertar. Por que não ter a coragem de acertar agora?
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Lindberg Revoredo
Domingo, 24 de Fevereiro de 2008
A "inovação" e seu conceito equivocado têm sido propagados como a panacéia para o sucesso das empresas, como único remédio para a sua sobrevivência nestes tempos de competição desenfreada. O que todos estão pensando pelo que se ouve e se lê é que a empresa que mais "inventar" coisas novas, produtos novos, estará à frente da concorrência.
Uns sugerem inovações "radicais", se referindo à necessidade de inventos de produtos radicalmente diferentes, para vencer a concorrência. A todo o momento todos falam que a única salvação da empresa é inventar produtos "radicalmente novos". Porém, neste remédio há, no mínimo, um erro de fórmula.
O "P" de P&D é sempre o de pesquisa aleatória de "novidades" e "inovações" e não de "P" de pesquisa do valor desejado do consumidor - Outros falam que é preciso incrementar a velocidade e intensidade de produção do departamento de P&D, mas o "P" é sempre o de pesquisa de novas invenções "radicais", aleatórias, e não o "P" de pesquisa (ou de prospecção usando diversas técnicas) para conhecer a escala de valor desejado do consumidor, que revela a forma perfeita de como se faz o produto mais vendável. Não sabem que é exatamente por isso que os custos em P&D crescem e os lucros diminuem.
A "inovação" com baixa, alta ou nenhuma tecnologia é um segundo movimento.
Eles não compreendem que esta P&D com "P" de pesquisa de produtos, de invenção de produtos, acompanhada de seu "D" de desenvolvimento, é um segundo movimento, após saber qual o produto, qual a "inovação" a ser criada e sua receita perfeita de como ele é, revelada por quem precisa dele, por quem vai usá-lo, extraída de sua escala de valor desejado para todos os produtos.
A partir daí, sim, as cabeças pensantes dos inventores, do pessoal do departamento de P&D tem um norte seguro para onde direcionar a sua verve criativa, inventiva, tendo certeza absoluta de que caminham para uma solução técnica comercializável.
O que realmente importa não é a engenhosidade da invenção, a alta tecnologia empregada, mas a pertinência de sua aplicação para dar a solução perfeita desejada pelo comprador.
Para muitos, Peter Drucker e Theodore Levitt estão esquecidos ou ainda desconhecidos - Ao consumidor pouco importa conhecer a tecnologia do produto. O que ele quer é a satisfação de sua necessidade da forma mais perfeita segundo o seu julgamento de valor.
O que parece claro é que muitos esqueceram ou ainda não conheceram até os princípios mais básicos da ciência da comercialização, do marketing, ensinados por alguns verdadeiros cientistas e mestres desta matéria, como Peter Drucker e Theodore Levitt: que somente o consumidor sabe a forma de minha empresa e meus produtos, o modelo que a torna mais lucrativa, mais ágil e mais eficaz. Entender que o consumidor tem de ser o consultor permanente sobre todas as coisas da empresa, porque só ele sabe o modelo perfeito de todas as empresas e de todos os produtos.
Porque a "inovação" é feita para que ele a compre e o consumidor só compra o que quer. Só compra o produto que mais perfeitamente atende às suas necessidade, aos seus desejos. Ninguém pode obrigar alguém a comprar o que não quer.
O problema das empresas voltadas à "inovação" é que elas não sabem qual "inovação" o consumidor deseja - Que importa toda a minha criatividade para a inovação, se eu não sei o que o consumidor deseja que eu invente? Se eu não sei exatamente como é a "inovação" que o consumidor deseja?
O que as empresas tem de fazer é encontrar todas as maneiras possíveis (e, aí sim, ela tem de ter conhecimento, criatividade e feeling) para "extrair" (esta é a palavra precisa) do consumidor este modelo perfeito de como deve ser feito o seu produto. E esta é a parte mais difícil de toda a estória
Na verdade o consumidor não quer "inovações", mas soluções objetivas para seus problemas - O consumidor não quer exatamente "inovação" ou "inovações". O que ele quer são coisas que atendam aos desejos que ele mais valoriza, sejam elas novas ou velhas. As pessoas compram por valor desejado, não por ânsia de meras "novidades".
Exemplos comprobatórios do que falamos. Teorias que não são comprovadas na prática, pelos fatos, não são ciência. Princípios científicos quando aplicados, sempre funcionam e trarão sempre os mesmos resultados. E para que nos serviriam teorias que não são ciência?
Uma grande "inovação" velha: O motor "flex", bicombustível - Exemplo de que "inovação" não consiste somente de novas idéias: O Ford modelo "T" de 1908 era "flex", bicombustível. Funcionava a álcool e a gasolina. O motor "flex" de hoje (feito com nova tecnologia, mas utilidade para o consumidor igual), para o consumidor é uma "novíssima" "inovação" que vem atender ao seu valor desejado de poder optar entre dois combustíveis e fugir do alto preço da gasolina quando lhe der vontade.
Uma "desinovação" de grande sucesso: a calculadora pessoal - Outro exemplo de "desinovação" de grande sucesso: a calculadora de seis dígitos da Casio. Esta gigante japonesa surgiu no final dos anos 50 e nos 60 era líder do mercado de calculadoras eletrônicas. Em 1970 ela se viu apertada por mais de 40 concorrentes e em vez de fazer uma "inovação" "nova", ou um aprimoramento em suas calculadoras que tinham 8 dígitos, criou um modelo com menos 2 dígitos, sem casas decimais, menos funções e ao preço de 100 dólares, a Casio Mini (eu tive uma quando garoto). Antes da Casio Mini o preço de uma calculadora chegava a milhares de dólares.
Estaria o conceito equivocado da "inovação" entranhado na natureza do homem?
Reportagens comentam que nem os vendedores acreditavam no produto. Pelo visto nesta época já existia esta mentalidade equivocada da tal "inovação" e seu conceito - que o cliente só compra invenção nova e com a mais alta tecnologia. Também lá, ninguém conhecia o princípio lapidar da comercialização que ensina a razão pelas quais as pessoas compram: a sua percepção de valor.
Em apenas um ano venderam-se dois milhões de unidades. A Casio Mini foi a primeira das calculadoras pessoais. Segundo a revista exame, a estratégia da Casio sempre foi baseada "na criatividade e na intuição" de seu diretor (não havia pesquisa ou outro método de estudo da escala de valor do consumidor).
Sempre chamo isso de "inovação" à procura de valor. Ou "roleta russa" empresarial. Você escolhe.
Podemos repetir? As pessoas não compram inovações, mas valor desejado, cujo valor está condicionado ao seu poder aquisitivo, às circunstâncias, à maneira de usar o produto, etc. Esta "desinovação" aleatória criada por seu diretor, forçado pelas pressões da concorrência, "por acaso", "por sorte", como dizem as pessoas que crêem em sorte ou azar, "acertou" em cheio no item de valor desejado da escala de muitas pessoas para o produto calculadora: preço baixo, portabilidade e adequação ao uso.
Grandes "inovações" que ninguém comprou porque não precisava delas - Veja estes exemplos de grandes "inovações" que ninguém quis. Que não serviam para nada. Mas eram grandes inovações, grandes inventos! Mas não eram um valor desejado pelas pessoas e por isso ninguém comprou. E inovação que o consumidor não deseja, não vende.
O vídeo fone. Que maravilha. O telefone com vídeo, com uma telinha na qual você é visto e vê a pessoa que está falando do outro lado da linha. À primeira vista, qualquer pessoa diria na posição de vendedor, que seria um produto de sucesso. Mas o vendedor não sabe qual é o produto de sucesso, o produto que vende. Só o comprador é quem sabe.
Por incrível que pareça, o vídeo-fone não era um item de valor desejado da escala de valor do consumidor para o produto telefone.
Na posição de vendedor as pessoas tem um modo de pensar. Na posição de comprador, tem outro completamente diferente. É um caso perfeito de dupla personalidade. Dr. Jeckyll e Mr. Hyde.
Faz mais ou menos 40 anos que foi inventado e até hoje ninguém quis ter um vídeo-fone. Coloque-se agora na posição de usuário do vídeo-fone e você vai entender, fácil, porque foi um grande fracasso.
Primeiro, por que todas as pessoas, do Oiapoque à Sibéria, são sempre inseguras com sua aparência. As pessoas sempre se acham menos bonitas em imagens de qualquer mídia. A grande maioria das pessoas tem obsessão por privacidade. O vídeo-fone residencial tocaria como o telefone comum, também em horas impróprias, quando as pessoas estão em seu relax, sem maquiagem, de bermudas e sem camisa. E a obsessão cada vez maior nos dias de hoje pela segurança? Estranhos ligando para sua casa por engano ou por más intenções e te vendo na telinha?
Precisa falar mais? Uma "inovação" maravilhosa, mas que não era um item da escala, da "lista" de valor desejado do consumidor para o produto telefone.
Categorias:
Pesquisa, Inovação, Pesquisa de Mercado, Peter Drucker, Necessidade do Cliente, Theodore Levitt, Desenvolvmento, Departamento de Pesquisa e Desenvolvimento, Escala de Valor, Tecnologia do Produto, Percepção de Valor,
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