Jerônimo Mendes
Segunda, 27 de Outubro de 2008
Enquanto os verdadeiros culpados pela crise financeira mundial não encontram
culpados mais fáceis de serem punidos, vamos extrair algumas lições da crise
antes que ela interfira definitivamente em nossas vidas e provoque estragos
maiores do que aquele que já surrupiou 50% da nossa mísera poupança aplicada na
bolsa de valores.
De fato, não é necessário entender muito de economia ou de finanças para saber
que o principal culpado pela crise financeira atual chama-se consumo
irresponsável norte-americano, aliado ao capitalismo selvagem alimentado pela
ganância das instituições financeiras que estimula a realização o sonho de
consumo dos emergentes, também de maneira irresponsável.
Parafraseando o comandante Rolim Amaro, ex-presidente da TAM, “em crises
financeiras mundiais não existem culpados”, mesmo porque eles nunca serão
encontrados, mas existem lições a serem aprendidas. Lições que há muito tempo já
foram assimiladas pelos homens mais ricos do mundo, que sabem como ninguém
extrair o melhor das crises para se tornar ainda mais ricos.
O fato é que uma crise dessa proporção vai afetar, como sempre, as camadas menos
favorecidas da população: os pobres, os miseravelmente pobres, os emergentes e,
em parte, a classe média. Nessa hora, há uma tendência de todos tentarem se
proteger do reflexo, principalmente aqueles que têm pouco a perder. Como diria o
célebre escritor La Fontaine, há mais de trezentos anos, “os pequenos sofrem com
a tolice dos grandes.”
No caso do Brasil, somos doutores em crises financeiras, caos e planos
econômicos. Sobrevivemos aos Planos Cruzado, Cruzado Novo, Bresser, Verão,
Collor, Collor II e Real, tablita, URV, maxidesvalorização do real, apagão e
outras parafernálias econômicas; portanto, nada mais nos assusta. A capacidade
de conviver com a incerteza e de prosperar diante dela é apenas um dos motivos
pelos quais os executivos brasileiros são cada vez mais requisitados no
exterior.
Falar em crise não basta; esconder-se debaixo da mesa, também não; antecipar o
sofrimento para ver se passa mais rápido, menos ainda. Antes que ela entre de
cabeça na sua vida para subtrair o pouco que você conquistou com muito esforço,
aqui vão algumas reflexões úteis para reduzir a ansiedade geral:
1. Não ignore a crise. Pense nas sábias palavras de Arkad, o homem mais
rico da Babilônia: é melhor uma pequena cautela do que um grande remorso. Pare
de sonhar e acreditar no governo que afirma ter tudo sob controle enquanto o
mundo inteiro desaba. Não seja um otimista irresponsável. É óbvio que a crise
vai passar; mas, a que custo e em quanto tempo nenhum espertalhão se atreve a
dizer.
2. Não superestime a crise. O mundo não acabou na crise de 1929 nem
durante a grande depressão dos anos subseqüentes; também não implodiu durante a
crise do petróleo, em 1973. Da mesma forma, o Brasil não acabou quando o
Presidente Sarney decretou a Moratória, em 1987 nem quando um ex-metalúrgico
assumiu o governo e passou a contrariar a premonição dos empresários na época.
Toda crise tem seu remédio cujo tempo se encarregará de aplicar.
3. Aperte o cinto. Não é hora de sair fazendo dívidas ou de assumir
compromissos a perder de vista. O momento requer sabedoria, além de cautela.
Vivemos um período de total incerteza em relação ao futuro econômico do mundo.
Portanto, enquanto as coisas não se acalmam, procure conter o impulso do
consumo. A velha máxima continua a mesma: poupar em tempo de vacas gordas para
sobreviver em tempo de vacas magras.
4. Continue trabalhando. Nada de berço esplêndido, a despeito de todo o
dinheiro que você possa ter no banco. Quer seja empresário, quer seja empregado,
lembre-se: nada supera o trabalho. É na crise que a oportunidade aparece. Dê o
melhor de si e agora, mais do que nunca, não perca o seu objetivo e o seu
cliente de vista.
Por fim, lembre-se de que você está no Brasil e, graças a Deus, o que não falta
nesse país é trabalho. Se você depender do governo para colocar a vida nos
trilhos, pode se considerar um bom escravo porque ela não vai além do que o
governo ditar como verdade. Faça o seu caminho e não olhe para trás. De acordo
com Francis Bacon, político e filósofo inglês, “tudo o que a mente agarra com
avidez e tudo em que ela se demora com singular satisfação deve ser tomado com
desconfiança.” Pense nisso e seja feliz!
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Tom Coelho
Segunda, 20 de Outubro de 2008
“Quando falares, procura que as tuas palavras sejam melhores que o teu
silêncio.”
(Provérbio Indiano)
Tratando-se de comunicação, é impossível deixar de abordar a importância de
aprender a falar em público.
Pesquisas feitas em diversos países indicam que o medo de falar em público é tão
significativo que chega até a superar o medo da morte!
Independentemente de sua posição profissional ou social, em algum momento será
necessário falar para uma platéia. Pode ser durante uma reunião na empresa, na
apresentação de um trabalho acadêmico, durante um evento social ou mesmo em
ocasiões informais com os amigos.
A boa notícia é que todos nós podemos aprender técnicas para falar em público,
superando receios e constrangimentos, alcançando êxito na transmissão da
mensagem.
Em 1998 eu nem sequer imaginava que um dia poderia seguir uma carreira como
palestrante profissional. Na ocasião, enquanto empresário, identifiquei a
necessidade de melhorar minha comunicação e procurei o Instituto Reinaldo Polito
para fazer seu Curso de Expressão Verbal. Muitos foram os ensinamentos que
guardo comigo e aplico até hoje. E, embora não seja o propósito desta obra,
gostaria de compartilhar algumas dicas práticas que aprendi com meu mestre e
amigo Reinaldo Polito, indiscutivelmente a maior referência em oratória de
nossos tempos.
1. Domine o tema. Procure falar a respeito de um assunto sobre o qual você
tenha domínio. Pode ser fruto de sua experiência pessoal, acadêmica ou
profissional. O fato é que conhecer o assunto com certa profundidade torna sua
exposição mais original, espontânea e cadenciada, conferindo-lhe maior
tranqüilidade e credibilidade. Em 2005, após apresentar a palestra “Sete Vidas”,
na Adidas do Brasil, o presidente da empresa, Marcelo Ferreira, solicitou-me uma
palestra sobre administração do tempo. Na ocasião, informei-o de que esse tema
não constava de meu portfólio e que precisaria prepará-lo. Durante seis meses li
uma variedade de livros sobre o assunto até estar pronto para discorrer sobre o
tema. Hoje esse é um de meus objetos de estudo favoritos e a palestra
“Construindo um Dia de 30 Horas” um dos temas mais requisitados.
2. Conheça seus ouvintes. Saiba previamente com quem irá falar e busque
informações sobre seu perfil. Cada audiência demanda uma abordagem
diferenciada, porque tem características e expectativas próprias. Imagine como
dirigir-se a estudantes e executivos, jovens e idosos, pós-graduados e pessoas
com menor instrução. A linguagem e os exemplos seguramente serão distintos em
cada situação.
3. Conheça o espaço físico. Visite com antecedência o ambiente no qual
irá discursar. Avalie suas dimensões e o impacto sobre a acústica, a disposição
dos assentos em relação ao palco ou ao local em que você ficará postado, o
índice de luminosidade, as áreas de circulação. Mais do que tudo isso, perceba o
ambiente a fim de sentir-se confortável no momento da exposição. Em 2006, na
Celulose Nipo-Brasileira (Cenibra), fui convidado a ministrar a palestra de
encerramento da Sipat. O local era improvisado, a fim de permitir a participação
de um maior número de colaboradores e a tela de projeção era diretamente afetada
pela luz do sol. Por conhecer essa situação previamente, alterei o conteúdo de
minha apresentação, excluindo imagens e vídeos que não seriam visíveis naquelas
condições, sem prejuízo à mensagem final.
4. Use a roupa certa. Terno e gravata para homens, tailleur para as mulheres,
certo? Não necessariamente. Dependendo das características do evento, um
traje mais informal pode ser recomendável e garantia de sucesso. Já participei
de convenções de empresas nas quais substituí o conjunto camisa social, gravata
e paletó pela camiseta com o tema do evento. Isso gera proximidade e sinergia
com os participantes.
5. Dê colorido à sua voz. Uma palestra tem como característica o fato de
ser, em essência, um monólogo, ainda que o conferencista utilize recursos
variados, incluindo a participação da platéia. Por isso, durante a exposição,
alterne a entonação e a velocidade da voz, ora falando mais alto, ora
sussurrando; ora discorrendo pausadamente, ora acelerando as frases.
6. Pronuncie bem as palavras. Além de pronunciar as vogais em ditongos e
os “r” e “s” em finais de palavras, atente para evitar o uso de cacofonias como
“né”, “ããã”, entre outros, uma vez que estes podem comprometem a qualidade da
comunicação. Procure sempre aprimorar sua dicção, articulando com correção
palavras e sons.
7. Cuidado com o vocabulário. A linguagem utilizada na comunicação deve
estar alinhada ao perfil dos participantes. Assim, jargão profissional e termos
técnicos podem ser utilizados com seus pares, mas são inadequados para uma
audiência heterogênea. Além disso, tenha atenção especial em relação às regras
gramaticais, conjugação de verbos, concordância, coesão e coerência textual.
8. Use a expressão corporal. Albert Mehrabian, professor emérito de
psicologia da Universidade da Califórnia (UCLA), conduziu a partir de 1967
estudos que originaram a Teoria 7-38-55, publicada no Journal of Consulting
Psychology com o título “Inference of attitudes from nonverbal communication in
two channels”. O estudo indica que no processo de comunicação, somente 7% do
impacto da mensagem decorre de seu conteúdo, 38% da comunicação verbal
(intensidade e velocidade da voz) e 55% da linguagem não-verbal (gestos,
postura, contato visual). Portanto, o sucesso da comunicação interpessoal não
está naquilo que você diz, mas em como diz.
9. Conquiste a atenção dos ouvintes. Olhe com atenção para a platéia,
percorrendo todo o ambiente. Movimente-se para alterar o campo visual de
atenção. Aproxime-se das pessoas e procure interagir com elas. Perceba os sinais
emitidos, de interesse ou dispersão em sua mensagem, alterando, assim, a
abordagem, seja por meio de inflexão de voz ou de mudança no foco temático. A
ordem é persuadir e cativar o público. E lembre-se: os primeiros minutos de sua
exposição são fundamentais. É o momento em que as pessoas estão mais desarmadas
e suscetíveis a serem conquistadas por você. Em minhas palestras, costumo aliar
recursos audiovisuais a fim de ganhar a atenção dos participantes com sons e
imagens que se integrem à minha voz e ao conteúdo transmitido.
10. Cultive o bom humor. Conduza sua apresentação com naturalidade e
descontração, transmitindo a mensagem desejada de forma agradável, com
tranqüilidade e toques de bom humor. Um semblante sereno e um sorriso autêntico
são capazes de quebrar resistências, mudar opiniões e romper barreiras
aparentemente intransponíveis.
11. Cuidado com piadas e desculpas. Bom humor não remete necessariamente
a contar piadas. Todavia, caso deseje fazê-lo, evite piadas de cunho político e
religioso, pois é grande o risco de agradar a alguns e ferir outros tantos.
Também é aconselhável evitar desculpar-se em razão de problemas físicos, por
exemplo. Se estiver resfriado, ao desculpar-se por seu estado no início da
apresentação, fará com que a audiência concentre-se ainda mais em seu problema,
o qual poderia até passar despercebido.
12. Planeje o discurso. Começo, meio e fim. Definir uma estrutura lógica
para sua apresentação ajudará você a concatenar suas idéias, facilitando o
entendimento da platéia. Faça a abertura informando sobre o que irá falar,
desenvolva o raciocínio e conclua, trazendo um pequeno resumo antes do
fechamento. Se pretender apresentar uma solução para um problema, informe antes
qual é o problema.
13. Fale de improviso. Esse é um reforço da recomendação inicial de se
dominar o assunto que será abordado. É importante ter uma estrutura de discurso
mentalmente definida, conforme mencionado, mas não se apegue a isso como
cartilha, e sim como um guia. Esteja livre para mudar o conteúdo e a ordem de
sua apresentação. E lembre-se de que imprevistos ocorrem, como problemas
técnicos com equipamentos que podem interferir em seu desempenho.
14. Responda a perguntas. Coloque-se sempre disponível para responder aos
questionamentos dos participantes. É evidente que para fazê-lo você deverá
dominar o tema, mostrando-se preparado para um eventual debate, inclusive
oriundo de uma platéia hostil. Mantenha a serenidade e não se acanhe em declinar
de perguntas para as quais desconhece a resposta. Demonstre uma postura segura.
Momentos preciosos tenho vivenciado ao término de minhas palestras quando há a
oportunidade de interagir de perto com os presentes. Minha experiência tem
demonstrado que o questionamento de um corresponde à dúvida de outros,
permitindo-me, inclusive, escrever posteriormente sobre o assunto em pauta.
15. Capriche no encerramento. Uma mensagem poderosa e consistente ao
término de sua apresentação poderá ganhar a simpatia dos ouvintes, inclusive
daqueles que estiveram reticentes ao longo de toda a explanação. Sempre finalizo
minhas palestras declamando um poema com texto alinhado ao tema apresentado.
Conforme relatei no início, meu intuito foi somente compartilhar algumas
sugestões. Essas dicas e muitas outras podem ser encontradas com maior
detalhamento e riqueza de exemplos nas obras do professor Reinaldo Polito.
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Jerônimo Mendes
Segunda, 8 de Setembro de 2008
De acordo com o dramaturgo irlandês Oscar Wilde, “quando os deuses querem nos
punir, eles atendem às nossas preces”. Nesse sentido, o próprio autor teve a
máxima comprovada mediante os escândalos que se sucederam por suas atitudes nada
convencionais, depois de conquistar fama e glória no mundo artístico e literário
de sua época. Entretanto, seu legado literário é inquestionável.
De fato, com relação ao ditado, você faz um esforço considerável, estuda,
imagina aquele momento único, atropela os companheiros e ignora as regras, se
necessário, mas não perde de vista o objetivo. Toda energia e motivação
canalizada para conquistar o que você tanto almeja na vida pessoal e
profissional tende a morrer no minuto seguinte com o desejo. E por tudo aquilo
que havia imaginado, e levou anos para conseguir, a prática revela-se diferente.
Em muitos exemplos, o desejo atendido transforma-se em frustração absoluta. Como
a ambição é desmedida e as necessidades humanas são ilimitadas, novos desafios
nascem imediatamente após o atendimento da última prece. Por fim, ainda temos
que nos esforçar para mantê-los vivos, além de encontrar forças e motivação para
perseguir o próximo objetivo.
O emprego dos sonhos, ora existente em nossa cabeça, passa a ser um martírio
no momento em que nos deparamos com ele. Tudo o que foi mencionado a respeito do
cargo ou da profissão desejada, nos livros de auto-ajuda e nas revistas
especializadas, muda com facilidade no momento em que passamos a ocupar a
cadeira do ex-colega de trabalho, do ex-chefe ou de alguém que foi demitido pela
mesma razão que pode ser usada contra nós no futuro.
O volume de dinheiro com que sonhamos a vida inteira é motivo para dor de cabeça
depois de conquistado. Não sabemos o que fazer com ele, e pior ainda, nossa
ansiedade e insegurança tornam-se perturbadoras pelo simples medo de perdê-lo
considerando que somos vítimas de todo tipo de aproximação indesejada, falsas
amizades, abordagens inesperadas e achaques de toda ordem para os quais não
temos a mínima habilidade de lidar.
A mulher do próximo é sempre mais atraente, mais inteligente, mais elegante,
mais bonita e mais sexy até o dia em que nos engraçamos com ela. Com a beleza e
a sensualidade surgem as discussões, as mentiras, a extravagância, a falta de
consistência, a traição, a ruína, por vezes, a morte. Apesar do risco, prevalece
o impulso. Somos criaturas moldadas pela mão dura da vida, cujo instinto
primitivo se revela facilmente ao menor sinal de vacilo.
Toda coisa tem dois lados: um bom e um mau. Não se pode lutar contra isso, para
o nosso próprio bem. “Nenhum homem teve jamais uma ponta de orgulho que não lhe
fosse prejudicial”, segundo Edmund Burke, filósofo e político irlandês,
portanto, não podeis fazer o mal sem padecê-lo. É a lei da compensação.
Nossa inconsistência faz com que imaginemos que poder, dinheiro e status são
coisas admiráveis. Contudo, o presidente da empresa pagou caro pelo cargo mais
desejado. Custou-lhe, no mínimo, o direito de ir e vir despreocupado pelas ruas,
a paz de espírito, a qualidade de vida, a alegria do convívio familiar.
A grama do vizinho é sempre mais verdinha, entretanto, se tivermos a
oportunidade de experimentá-la, podemos senti-la amarga, áspera, muito distante
daquilo que imaginamos. Somente quando isso ocorrer saberemos dar valor para os
bens que são nossos de verdade, aqueles que são amealhados com base em nossa
conduta ética e moral.
Você nunca saberá exatamente o que se passa do outro lado, portanto, não
critique, não cobice, não prejulgue nem tire conclusões precipitadas a respeito
do que você não faz a mínima idéia de como funciona. Seja grato pelo que você
tem e não deixe de perseguir a felicidade nas pequenas coisas. Não pergunte a si
próprio se você é feliz, caso contrário, você deixará de sê-lo.
As palavras de Friedrich Hölderlin, poeta e romancista alemão, encerram a nossa
lição: “o homem é um Deus quando sonha e um mendigo quando reflete; e, quando o
entusiasmo acaba, ele fica ali parado, como um filho desgarrado, expulso da casa
paterna, observando o miserável centavo que a compaixão jogou em seu caminho”.
Pense nisso e seja feliz.
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Gilclér Regina
Segunda, 1 de Setembro de 2008
A conquista da América, a chegada do homem à Lua, a construção de Brasília, o
fim do apartheid na África do Sul, entre tantos outros feitos memoráveis só se
tornaram realidade graças à ousadia de grandes sonhadores.
Cristóvão Colombo, John Kennedy, Juscelino Kubitschek e Nelson Mandela sonharam
com a cabeça nas nuvens e os pés no chão. Sonharam com os olhos bem abertos.
Tachados de visionários, acreditaram nos sonhos e traçaram planos para
realizá-los, envolvendo outras pessoas na mesma causa. Eles ultrapassaram
obstáculos e com muita determinação mudaram a história de seus tempo.
O Brasil também testemunhou a vitória de um realizador de sonhos, um menino
pobre do interior de Pernambuco, retirante, que um dia sonhou ser Presidente da
República...
Empresas vencedoras e profissionais de sucesso são frutos de sonhos bem
sonhados e muito bem executados.
Muitas pessoas tem sonhos, acredito que todo o ser humano os tenha, mas, muitas
vezes são consumidos pela rotina, sufocados pelo peso dos afazeres diários e
acabam ficando no meio do caminho.
Quantos hoje moram onde não querem, fazem o que não gostam, aturam um chefe
insuportável, não se relacionam bem em casa, convivem pouco com os filhos e
equilibram-se numa corda bamba de um salário que mal dá para cobrir as despesas?
Outros tantos talvez tenham cultivado sonhos que viraram pesadelos e estão
decepcionados com o trabalho, afundados em prestações da casa própria, acuados
pela violência, atolados em dívidas do cartão de crédito, desgastados com a
ginástica do orçamento para manter as aparências...
Mergulhadas no ópio da rotina, as pessoas negligenciam seus sonhos e vão
perdendo a capacidade de sonhar. Levam suas vidas sem direção, sobrecarregadas e
insatisfeitas, escravas de suas construções burocráticas, na fantasia de que um
dia tudo mude se ganharem na loteria...
Como estarão estas pessoas nos próximos anos? Já imaginou como será sua vida
dentro de alguns anos? Acordará ao lado de quem ama? Sairá feliz para trabalhar?
Estará ajudando sua empresa com garra e energia? Estará fazendo o que gosta?
Morando onde quer?
Se não houver ações claras e direcionadas da sua parte, não se iluda: tudo pode
continuar exatamente do jeito que está.
O sonho é uma metáfora. Foi idealizado para resgatar a capacidade de sonhar com
os olhos bem abertos na construção da sua vida, seu presente e seu futuro. Para
empreender mudanças temos que entender o mundo... E ele não faz nada por você,
mas se você mudar, aí sim, o mundo muda com você.
Os realizadores de sonhos não apenas sonham, mas lutam tenazmente por eles,
acreditam que podem transformar seus projetos em realidade, começando por
acreditar mais em si mesmos e no seu potencial. Você pode inventar o futuro que
merece. Lembre-se que o maior pesadelo é perder a capacidade de sonhar, é não
ter mais sonhos.
Quero ainda lembrar a letra da música "Sonhos" do cantor Peninha, que diz: "Tudo
era apenas uma brincadeira. E foi crescendo, crescendo, me absorvendo... E de
repente eu me vi assim, completamente seu".
Muitas pessoas tem sonhos grandes... E ganham salários pequenos! Preferem
reduzir o tamanho dos sonhos ao invés de aumentar o tamanho dos salários...
Esqueceram que é simplesmente impossível aumentar o tamanho do seu dinheiro ou
de sua felicidade reduzindo o tamanho dos seus sonhos.
Pense nisso, um forte abraço e esteja com Deus!
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Raúl Candeloro
Quinta, 28 de Agosto de 2008
Existem dois momentos do ano em que todo mundo pára para repensar sua vida.
Alguns de maneira mais rápida e superficial, outros de forma mais profunda. Mas
não há como fugir: tanto na virada do ano quanto no seu aniversário, é
impossível não dar um suspiro, pensar em como o tempo passa rápido, em tudo o
que aconteceu e no que ainda está por vir. Essa também é uma boa hora de
estabelecer metas e ver se atingimos aquelas que havíamos dito que atingiríamos
no ano passado. Gosto muito de uma frase de Earl Nightingale, que diz que a
felicidade é a realização progressiva de uma meta valiosa. Vou aproveitar para
falar sobre metas, porque não acredito que exista sucesso sem metas.
Metas sempre foram importantes, mas a comprovação mais radical disso foi
publicada por Mark McCormack, no seu livro O que Não Ensinam em Harvard. Posso
já ter falado sobre isso antes, mas sempre vale a pena repetir. Perguntaram a
todos os MBAs de Harvard que estavam se formando: “Você tem objetivos
claros e definidos, colocados no papel, com um planejamento para atingi-los?”.
3% dos graduandos tinham metas, haviam colocado no papel e se planejado para
alcançá-las. 13% tinham metas, mas não haviam colocado no papel. 84% não tinham
meta alguma. Dez anos depois, os pesquisadores foram verificar como estava a
vida profissional dos entrevistados. Veja que interessante: descobriu-se que os
13% com objetivos ganhavam, em média, duas vezes mais do que os 84% sem
objetivos. Mas o mais impressionante é que os 3% com objetivos no papel (e
planejamento) ganhavam dez vezes mais do que os outros 97% juntos.
Mesmo assim, continuamos vendo profissionais de vendas “brincando” de metas e
gerentes “brincando” de cobrá-las. Exemplo típico: outro dia eu estava dando uma
palestra em uma empresa cuja meta para o ano é faturar X milhões. O presidente
da empresa abriu o encontro falando sobre a meta. O diretor comercial abriu
minha palestra falando sobre a meta. No meio da palestra, fiz uma dinâmica
rápida sobre estabelecimento de metas. Pedi que os vendedores fizessem uma lista
de suas metas para o ano. Todo mundo olhou como se estivesse falando grego (em
janeiro, em uma empresa-líder no Brasil no seu ramo e ninguém tem meta?).
Expliquei rapidamente como estabelecer algumas metas e dei cinco minutos para
fazerem sua lista. Ao final do tempo, pedi que lessem a lista. Nenhum deles
colocou “ajudar minha empresa a faturar x milhões” – que era o único motivo pelo
qual estavam todos ali. Ao cobrar isso da turma, um dos vendedores mais
veteranos ainda teve o descaramento de dizer: “Mas eu coloquei na minha lista”.
“É mesmo?”, perguntei – “deixe-me ver”. E fui até sua mesa. O papel estava em
branco. O vendedor ficou vermelho, lógico, porque não esperava que eu fosse
conferir. Os amigos e colegas tirando sarro e rindo. E o gerente dele ali, na
frente. Vendedor mal-educado é como criança mal-educada: a culpa não é da
criança, é dos pais. Mesma coisa com um vendedor.
A verdade é que as pessoas não estabelecem objetivos por várias razões. A
primeira, e talvez principal, é que não acham que seja importante. O estudo de
Harvard mostra que é com certeza. A segunda razão é que simplesmente não sabem
estabelecer metas. Algumas pessoas têm sonhos, devaneios e fantasias e acham que
são metas. “Gostaria de ser rico”, por exemplo, não é uma meta. Uma meta é
clara, específica, objetiva, por escrito e com data. Terceiro, as pessoas têm
medo de colocar uma meta e não conseguir atingi-la porque isso é frustrante.
Então muitas pessoas preferem a mediocridade da acomodação ao risco (e a
recompensa) de ter planos e metas. Quarto, e último, as pessoas têm medo da
rejeição e do ridículo, de passar vergonha em público por ter estabelecido uma
meta e não tê-la atingido. Mas em um ambiente positivo, com um gerente
inteligente, o não-atingimento de uma meta pode ser uma ferramenta muito valiosa
de desenvolvimento para o vendedor – basta fazer as perguntas certas e agir
corretivamente.
A verdade é que metas e objetivos nos dão um senso de propósito, de direção. Ao
atingir suas metas, você vai sentir-se mais energizado, mais confiante, capaz de
buscar desafios ainda maiores. Mais importante de tudo: ao estabelecer suas
metas, você assume o controle da sua vida. Pense em como isto é importante: se
você não estabelecer suas metas, alguém vai estabelecê-las por você. E essa com
certeza não é a marca de um vendedor campeão.
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