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No Topo do Mundo

Quinta, 28 de Agosto de 2008
“Nenhum homem é uma ilha.”
(Thomas Morus)

Muitos foram os esportes que já pratiquei. De futebol e basquete, à natação e canoagem, passando por tae kwon-do, esgrima e até pára-quedismo. Mas uma modalidade em especial não ousei exercer: o alpinismo.

Vejo cenas de expedições à Cordilheira do Himalaia e fico imaginando a sensação sublime de auto-realização daqueles que chegam ao cume do Monte Everest, ou seja, literalmente ao topo do mundo.

Tive a oportunidade de assistir ao relato de um jovem montanhista canadense, Jamie Clarke, reproduzido num filme intitulado exatamente “No Topo do Mundo”, distribuído com exclusividade no Brasil pela Siamar, um de meus principais parceiros. E gostaria de compartilhar algumas lições que pude extrair desta experiência.

1. Não há êxito sem preparação. Um alpinista enfrenta, por meses e até anos, um longo processo de preparação, do corpo e da mente. Tudo isso para desfrutar a glória de chegar ao cume e lá permanecer por não mais do que dez minutos.

2. Siga suas paixões sem obsessão. A persistência e a obstinação são ingredientes para o sucesso. Quando nos apaixonamos por uma idéia nutrimos uma capacidade ímpar de envolvimento e comprometimento. Mas a obsessão cega os olhos, subtrai a racionalidade, gera compulsão que conduz ao conflito e à derrota.

3. Escolhas envolvem lucidez e visão de futuro. O filme apresenta um momento no qual um alpinista encontra-se a apenas uma hora de escalada do topo. Porém, se prosseguir, não terá tempo (o anoitecer se aproxima) e forças para voltar. Neste momento, ele decide retornar, preservando sua vida. Um passo atrás que, com olhos voltados para o futuro, simboliza um avanço e não um retrocesso. Nossas ambições devem estar sempre à altura de nossa capacidade.

4. O foco deve estar no caminho. Embora haja um objetivo maior, é a soma de cada passo, a transposição de cada adversidade, que nos direciona à meta. É o que chamo de “passos de bebê”. Após o engatinhar, a criança descobre que há um novo mundo para ser visto a partir de outra perspectiva. E, entre uma queda e outra, a busca pelo equilíbrio sobre suas pernas é premiada com o cumprimento do objetivo traçado: andar.

5. Reconhecer os erros leva ao aprendizado. Precisamos ser honestos diante de situações adversas. O apresentador conta que, durante uma expedição, o papel higiênico acabou antes do previsto, tornando-se a fonte de conflitos e discórdias. Na verdade, tratava-se apenas de um subterfúgio, uma forma de mascarar questões maiores que estavam sendo negligenciadas. Temos o hábito de evitar os problemas reais e tornar pessoais temas que precisam ser debatidos em busca de soluções.

6. Ou você enfrenta o medo ou o medo vence você. O maior desafio de um alpinista é o medo. O medo da mudança, o medo da insegurança, o medo das circunstâncias. O medo de tomar uma decisão, de dar um passo adiante, causa paralisia e mata o progresso. Você faz o que lhe amedronta e ganha coragem depois. Não antes.

7. Um forte propósito é a melhor fonte de motivação que podemos ter. John, o alpinista que preferiu trilhar o caminho de volta a poucos metros do topo, é vencido pelo cansaço e pela fragilidade do corpo em sua jornada. Recostado em uma rocha, com a neve encobrindo suas pernas e minando o restante de suas forças, a morte o espreita quando sua equipe decide fazer uma ligação via satélite para sua casa. O telefonema providencial, conectado ao rádio de comunicação, encontra sua esposa e filhas pequenas que, com palavras de amor, fazem-no relembrar do compromisso assumido de voltar para sua família com vida. São estas palavras e memórias que, como combustível, incendeiam suas células, possibilitando-lhe retornar à base. O que importa na vida não são as promessas que fazemos, mas as que cumprimos.

8. Nunca escalamos sozinhos. Este não é um esporte individual. A vitória é fruto de um trabalho de equipe. Dos guias e estrategistas, dos colegas que acampam nas bases. Da mão que prepara um café para acalentar o frio e das vozes que calam o silêncio da noite com frases de incentivo. Tal qual no mundo corporativo, é preciso olhar para baixo e agradecer. Sempre.

Ao término do filme, sinto-me transformado. Continuo não tendo o preparo físico e as vivências de um alpinista. Mas em minha mente passo a compreender que também tenho meu próprio topo para escalar. Minhas montanhas são outras. Nem melhores, nem piores. Nem mais altas, nem mais baixas. Apenas são as minhas, aguardando-me por desafiá-las, agora mais consciente sobre como fazê-lo.

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Paternalismo Corporativo

Terça, 9 de Outubro de 2007
"Onde quer que você veja um negócio de sucesso, pode acreditar que ali houve, um dia, uma decisão corajosa." (Peter Drucker)

O fenômeno é observado geralmente em pequenas empresas. Um funcionário recém-admitido, ao término de sua primeira semana de trabalho, vai ao encontro do diretor. Adentra a sala meio cabisbaixo, trazendo nas mãos contas de luz e água atrasadas, e a notícia: o corte no fornecimento não passa do dia seguinte.

Desempregado que esteve nos últimos meses, sente-se hoje feliz com a oportunidade de trabalhar. Mas como as despesas familiares não dão trégua e dinheiro emprestado é mercadoria escassa, não vê alternativa diferente de solicitar ao patrão um adiantamento salarial.

O empresário recebe as tais contas, acessa a internet, faz o pagamento e imprime os comprovantes. Aquela agonia acabou. Um motivo a menos para angústia.

Mas o que denota uma ação admirável e atéPaternalismo Corporativo socialmente responsável, pode simbolizar um preocupante padrão de conduta na gestão dos negócios: o paternalismo corporativo.

O empresário ou executivo que faz da exceção uma regra, atendendo a todas as demandas de sua equipe, coloca em risco a perenidade e o sucesso do próprio negócio. Neste processo, cargos e funções atribuídos deixam de ser respeitados, metas carecem de ser cumpridas, resultados ficam comprometidos. Decorre um natural relaxamento e acomodação, redução de responsabilidades, perda de produtividade, ausência de empenho.

A postura assemelha-se a de um pai superprotetor, que acolhe os filhos, enlaçando-os e reconfortando-os diante das dificuldades, tomando-lhes a frente em todas as decisões. Acreditam estar, desta forma, contribuindo com sua formação, sem perceber que os está privando do aprendizado necessário, da experiência que precisa ser vivida, da dor que pede enfrentamento para fortalecer e elevar.

Este paternalismo pode representar metas de vendas não atingidas por sucessivos meses, sob a alegação de que o mercado está em momento adverso ou porque a conjuntura econômica é desfavorável, quando o problema pode estar na equipe que deveria ser substituída. Pode significar problemas de qualidade no processo produtivo justificadas pela procedência das matérias-primas ou por mau uso dos clientes, quando os padrões e procedimentos deveriam apenas ser seguidos. Pode expressar colaboradores desmotivados justificando insatisfação com a remuneração ou a política de benefícios, quando há carência de profissionais com orgulho de pertencer.

Aos gestores que se identificam dentro deste perfil vale meditar sobre o porquê de tal comportamento. Pode ser fruto de insegurança, sinalizando o imperativo da aceitação e do reconhecimento, ou reflexo de arrogância, característica dos orgulhosos que se acreditam donos da palavra. Para os primeiros, falta-lhes a iniciativa; aos segundos, a humildade. Para todos, recomenda-se tomar decisões com coragem, sem confundir apoio com subserviência, pois as conseqüências podem ser a paralisia, o atraso e a falência da atividade empresarial.

Tom Coelho - Economista pela FEA/USP, Publicitário pela ESPM/SP e especialização em Marketing pela MMS/SP e em Qualidade de Vida no Trabalho pela FIA-FEA/USP.

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Downsizing (Achatamento)

Segunda, 19 de Março de 2007
O Downsizing é uma técnica que tem como objetivo a racionalização da empresas, esta técnica foi desenvolvida a partir de uma alternativa sustentável contra o excesso de burocracia.

Nos anos 80, as empresas criaram estruturas gigantescas e com o acirramento da concorrência internacional obrigou as corporações a realizar um grande esforço para melhorar a produtividade de suas operações. Entretanto, quase todo o galho de produtividade dos "colarinhos azuis" (engenharia, manufatura, produção, vendas, etc.), estava sendo anulado pela falta de desenvolvimento do "colarinho branco" (finanças, contabilidade, jurídico, assessoria, RH e etc.) em parte pelo excesso de burocracia.

E para competir numa era em que a velocidade e a flexibilidade são os dois requisitos chave. As corporações através de uma alternativa sustentável contra o excesso de burocracia e um esforço para melhorar a produtividade de suas operações foram forçadas a reestruturar-se, num processo designado downsizing que significa a redução radical do tamanho da empresa. O Downsizing é uma técnica que tem como objetivo a racionalização da empresas, geralmente através do delayering (redução dos níveis hierárquicos) ou da venda de negócios não estratégicos. As empresas ganham flexibilidade e perdem burocracia e ficam mais próximas do mercado e dos clientes.

No Curto Prazo envolve demissões, achatamento da estrutura organizacional, reestruturação, redução de custos, e racionalização.

No Logo Prazo revitaliza a empresa com a expansão do seu mercado, desenvolver melhores produtos e serviços, melhorar a moral dos funcionários, moderniza a empresa e principalmente, mantê-la enxuta, de fora que a burocracia não venha a se instalar novamente, uma vez amenizadas as pressões.

O downsizing é uma técnica voltada para eliminação da burocracia corporativa desnecessária e sustentada nos quadros administrativos representados pela gerencia, assessoria, pessoal de controle e pessoal de apoio. Trata-se de um projeto de racionalização planejado em todas as suas etapas, que deve estar consistente com a visão estratégica do negocio e cuja meta global e construir uma organização o mais eficiente e capaz possível, para instituir praticas que mantenham a organização mais enxuta possível. Ela foca o centro da pirâmide hierárquica.

O Downsizing requer um projeto de racionalização planejado e de acordo com a visão estratégica dos negócios, as metas globais da organização, e a partir da definição clara de seus objetivos.

. Redução de custos

. Rapidez na tomada de decisão

. Resposta mais rápida as ações do concorrente

. Comunicação menos distorcida e mais rápida

. Manutenção da orientação para a ação com menos análise e paralisia

. Promoção das sinergias dentro da empresa

. Elevação da moral na gerencia geral

. Criação do foco nas necessidades do cliente, e não nos procedimentos internos.

. Aumento da produtividade dos gerentes

O downsizing é um projeto que deve ser planejado em detalhes e antecipadamente, tentando evitar os altos custos humanos envolvidos.

O objetivo do downsizing é o desmantelamento da burocracia corporativa, como forma de aprimorar o desempenho da organização.