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Como Falar em Público

Segunda, 20 de Outubro de 2008
“Quando falares, procura que as tuas palavras sejam melhores que o teu silêncio.”
(Provérbio Indiano)

Tratando-se de comunicação, é impossível deixar de abordar a importância de aprender a falar em público.

Pesquisas feitas em diversos países indicam que o medo de falar em público é tão significativo que chega até a superar o medo da morte!

Independentemente de sua posição profissional ou social, em algum momento será necessário falar para uma platéia. Pode ser durante uma reunião na empresa, na apresentação de um trabalho acadêmico, durante um evento social ou mesmo em ocasiões informais com os amigos.

A boa notícia é que todos nós podemos aprender técnicas para falar em público, superando receios e constrangimentos, alcançando êxito na transmissão da mensagem.

Em 1998 eu nem sequer imaginava que um dia poderia seguir uma carreira como palestrante profissional. Na ocasião, enquanto empresário, identifiquei a necessidade de melhorar minha comunicação e procurei o Instituto Reinaldo Polito para fazer seu Curso de Expressão Verbal. Muitos foram os ensinamentos que guardo comigo e aplico até hoje. E, embora não seja o propósito desta obra, gostaria de compartilhar algumas dicas práticas que aprendi com meu mestre e amigo Reinaldo Polito, indiscutivelmente a maior referência em oratória de nossos tempos.

1. Domine o tema. Procure falar a respeito de um assunto sobre o qual você tenha domínio. Pode ser fruto de sua experiência pessoal, acadêmica ou profissional. O fato é que conhecer o assunto com certa profundidade torna sua exposição mais original, espontânea e cadenciada, conferindo-lhe maior tranqüilidade e credibilidade. Em 2005, após apresentar a palestra “Sete Vidas”, na Adidas do Brasil, o presidente da empresa, Marcelo Ferreira, solicitou-me uma palestra sobre administração do tempo. Na ocasião, informei-o de que esse tema não constava de meu portfólio e que precisaria prepará-lo. Durante seis meses li uma variedade de livros sobre o assunto até estar pronto para discorrer sobre o tema. Hoje esse é um de meus objetos de estudo favoritos e a palestra “Construindo um Dia de 30 Horas” um dos temas mais requisitados.

2. Conheça seus ouvintes. Saiba previamente com quem irá falar e busque informações sobre seu perfil. Cada audiência demanda uma abordagem diferenciada, porque tem características e expectativas próprias. Imagine como dirigir-se a estudantes e executivos, jovens e idosos, pós-graduados e pessoas com menor instrução. A linguagem e os exemplos seguramente serão distintos em cada situação.

3. Conheça o espaço físico. Visite com antecedência o ambiente no qual irá discursar. Avalie suas dimensões e o impacto sobre a acústica, a disposição dos assentos em relação ao palco ou ao local em que você ficará postado, o índice de luminosidade, as áreas de circulação. Mais do que tudo isso, perceba o ambiente a fim de sentir-se confortável no momento da exposição. Em 2006, na Celulose Nipo-Brasileira (Cenibra), fui convidado a ministrar a palestra de encerramento da Sipat. O local era improvisado, a fim de permitir a participação de um maior número de colaboradores e a tela de projeção era diretamente afetada pela luz do sol. Por conhecer essa situação previamente, alterei o conteúdo de minha apresentação, excluindo imagens e vídeos que não seriam visíveis naquelas condições, sem prejuízo à mensagem final.

4. Use a roupa certa. Terno e gravata para homens, tailleur para as mulheres, certo? Não necessariamente. Dependendo das características do evento, um traje mais informal pode ser recomendável e garantia de sucesso. Já participei de convenções de empresas nas quais substituí o conjunto camisa social, gravata e paletó pela camiseta com o tema do evento. Isso gera proximidade e sinergia com os participantes.

5. Dê colorido à sua voz. Uma palestra tem como característica o fato de ser, em essência, um monólogo, ainda que o conferencista utilize recursos variados, incluindo a participação da platéia. Por isso, durante a exposição, alterne a entonação e a velocidade da voz, ora falando mais alto, ora sussurrando; ora discorrendo pausadamente, ora acelerando as frases.

6. Pronuncie bem as palavras. Além de pronunciar as vogais em ditongos e os “r” e “s” em finais de palavras, atente para evitar o uso de cacofonias como “né”, “ããã”, entre outros, uma vez que estes podem comprometem a qualidade da comunicação. Procure sempre aprimorar sua dicção, articulando com correção palavras e sons.

7. Cuidado com o vocabulário. A linguagem utilizada na comunicação deve estar alinhada ao perfil dos participantes. Assim, jargão profissional e termos técnicos podem ser utilizados com seus pares, mas são inadequados para uma audiência heterogênea. Além disso, tenha atenção especial em relação às regras gramaticais, conjugação de verbos, concordância, coesão e coerência textual.

8. Use a expressão corporal. Albert Mehrabian, professor emérito de psicologia da Universidade da Califórnia (UCLA), conduziu a partir de 1967 estudos que originaram a Teoria 7-38-55, publicada no Journal of Consulting Psychology com o título “Inference of attitudes from nonverbal communication in two channels”. O estudo indica que no processo de comunicação, somente 7% do impacto da mensagem decorre de seu conteúdo, 38% da comunicação verbal (intensidade e velocidade da voz) e 55% da linguagem não-verbal (gestos, postura, contato visual). Portanto, o sucesso da comunicação interpessoal não está naquilo que você diz, mas em como diz.

9. Conquiste a atenção dos ouvintes. Olhe com atenção para a platéia, percorrendo todo o ambiente. Movimente-se para alterar o campo visual de atenção. Aproxime-se das pessoas e procure interagir com elas. Perceba os sinais emitidos, de interesse ou dispersão em sua mensagem, alterando, assim, a abordagem, seja por meio de inflexão de voz ou de mudança no foco temático. A ordem é persuadir e cativar o público. E lembre-se: os primeiros minutos de sua exposição são fundamentais. É o momento em que as pessoas estão mais desarmadas e suscetíveis a serem conquistadas por você. Em minhas palestras, costumo aliar recursos audiovisuais a fim de ganhar a atenção dos participantes com sons e imagens que se integrem à minha voz e ao conteúdo transmitido.

10. Cultive o bom humor. Conduza sua apresentação com naturalidade e descontração, transmitindo a mensagem desejada de forma agradável, com tranqüilidade e toques de bom humor. Um semblante sereno e um sorriso autêntico são capazes de quebrar resistências, mudar opiniões e romper barreiras aparentemente intransponíveis.

11. Cuidado com piadas e desculpas. Bom humor não remete necessariamente a contar piadas. Todavia, caso deseje fazê-lo, evite piadas de cunho político e religioso, pois é grande o risco de agradar a alguns e ferir outros tantos. Também é aconselhável evitar desculpar-se em razão de problemas físicos, por exemplo. Se estiver resfriado, ao desculpar-se por seu estado no início da apresentação, fará com que a audiência concentre-se ainda mais em seu problema, o qual poderia até passar despercebido.

12. Planeje o discurso. Começo, meio e fim. Definir uma estrutura lógica para sua apresentação ajudará você a concatenar suas idéias, facilitando o entendimento da platéia. Faça a abertura informando sobre o que irá falar, desenvolva o raciocínio e conclua, trazendo um pequeno resumo antes do fechamento. Se pretender apresentar uma solução para um problema, informe antes qual é o problema.

13. Fale de improviso. Esse é um reforço da recomendação inicial de se dominar o assunto que será abordado. É importante ter uma estrutura de discurso mentalmente definida, conforme mencionado, mas não se apegue a isso como cartilha, e sim como um guia. Esteja livre para mudar o conteúdo e a ordem de sua apresentação. E lembre-se de que imprevistos ocorrem, como problemas técnicos com equipamentos que podem interferir em seu desempenho.

14. Responda a perguntas. Coloque-se sempre disponível para responder aos questionamentos dos participantes. É evidente que para fazê-lo você deverá dominar o tema, mostrando-se preparado para um eventual debate, inclusive oriundo de uma platéia hostil. Mantenha a serenidade e não se acanhe em declinar de perguntas para as quais desconhece a resposta. Demonstre uma postura segura. Momentos preciosos tenho vivenciado ao término de minhas palestras quando há a oportunidade de interagir de perto com os presentes. Minha experiência tem demonstrado que o questionamento de um corresponde à dúvida de outros, permitindo-me, inclusive, escrever posteriormente sobre o assunto em pauta.

15. Capriche no encerramento. Uma mensagem poderosa e consistente ao término de sua apresentação poderá ganhar a simpatia dos ouvintes, inclusive daqueles que estiveram reticentes ao longo de toda a explanação. Sempre finalizo minhas palestras declamando um poema com texto alinhado ao tema apresentado.

Conforme relatei no início, meu intuito foi somente compartilhar algumas sugestões. Essas dicas e muitas outras podem ser encontradas com maior detalhamento e riqueza de exemplos nas obras do professor Reinaldo Polito.

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Inventores do Além

Sexta, 12 de Setembro de 2008
“Projetar um avião não é nada.
Construir um é alguma coisa.
Fazê-lo voar é tudo.”
(Otto Lilienthal)

Numa palestra sobre empreendedorismo um senhor na platéia ergue o braço e pergunta ao conferencista:

– Tenho um invento fantástico! Como consigo financiamento para produzi-lo?

– Qual é o produto? – pergunta o palestrante.

– Não posso contar. É segredo...

Resignado, o palestrante responde:

– Você pode procurar uma empresa de venture capital e apresentar seu projeto. Se for convincente, pode conseguir que invistam em sua empresa.

– Ah, mas que garantia tenho de que não roubarão minha idéia?

Você acaba de conhecer uma categoria singular de empreendedores. Eles não têm aparência de Professor Pardal, como nosso imaginário costuma postular, mas a presunção de que suas idéias são originais, seus inventos são exclusivos, e seus projetos serão capazes de mudar o mundo e o curso da história. Entretanto, como não dispõem de capital próprio para tocar adiante, buscam desordenadamente investidores – ou incautos – acreditando ser possível persuadi-los sem ao menos dizer do que se trata.

Vamos por partes. É preciso inicialmente compreender a diferença entre invenção e inovação. No primeiro caso, estamos diante de algo inédito, inusitado, seja um produto, um serviço ou um processo, decorrente de uma constatação, de mera observação ou empirismo, concebido com uma finalidade útil e percebido como tal. Já a inovação está associada à evolução de algo existente, que pode ser feito de maneira melhor, mais rápida ou mais barata.

Dentro deste contexto, é coerente notarmos que as inovações são muito mais freqüentes que as invenções, embora não menos importantes. E que inovações sucessivas podem conduzir a tal grau de desenvolvimento que, no limite, o paradigma vigente seja rompido dando espaço a um novo paradigma – e a uma possível invenção.

Olhe ao seu redor neste instante. Talvez você esteja diante de um teclado ergonômico sem fio, que sucedeu um teclado convencional com fio, cujo bisavô foi uma máquina de escrever – e cujos bisnetos serão um teclado virtual projetado sobre sua mesa ou um eficiente comando de voz.

Seu monitor de LCD widescreen com 19 polegadas já foi uma tela plana de 15 polegadas que sucedeu grandes e pesados monitores com visor em fósforo verde. E sua multifuncional, quase em desuso, já deixou sem emprego o fax que mandou para a aposentadoria o telex.

Diante destas e tantas outras evidências há momentos em que chegamos a pensar que tudo já foi inventado. Este era o pensamento de Charles Duell, diretor do Departamento de Patentes dos Estados Unidos, em 1899, ao propor o fechamento da sessão de registro de novas patentes. Contudo, produtos são lançados todos os dias desafiando esta tese. Ora muda a capacidade de armazenamento, ora as funcionalidades, ora o design. E você pode participar deste admirável mundo novo, desde que se conscientize de algumas prerrogativas básicas.

1. Pesquise sobre sua idéia. Antes de acreditar piamente que está diante de algo incrível, consulte o “Deus Google”, e não apenas ele, no seu e em outros idiomas, para se certificar de que não haja nenhum similar.

2. Passe pela peneira do mercado. Supondo que você transpôs a etapa anterior é hora de saber se existe viabilidade comercial para seu invento. Para tanto, você terá que levar sua proposta ao mercado. E não adianta restringir-se aos amigos mais próximos e familiares. Sua mãe certamente achará a idéia maravilhosa, pois ela sempre soube que o filho era um gênio. Mas a prova de fogo passa por um bom coach ou um mentor – um empresário ou professor em quem você confie, por exemplo – e o consumidor final.

3. Analise a viabilidade econômica. Há pouco você pode ter descoberto a viabilidade comercial de seu futuro negócio, ou seja, se produzido, haverá demanda. Porém, é preciso investigar se há viabilidade econômica, isto é, se o custo de produção permite uma oferta constante e a preços competitivos. Lembre-se de que o mundo não tem mais fronteiras e que há países com vantagens comparativas decorrentes de legislação, acesso a crédito barato e abundante e menores custos com mão-de-obra e carga tributária.

4. Registre e/ou patenteie. Contrate uma empresa idônea para a tarefa jurídica de proteger seu invento no INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial). Trata-se de uma autarquia séria, porém carente de estrutura, onde os processos demoram a ser julgados. Portanto, quanto antes você fizer isso, melhor. Ademais, se possível, faça o depósito do registro também no exterior. A verdade é que o desrespeito a direitos autorais e patentes em nosso país é crítico – vide o sucesso da pirataria. Assim, esteja preparado para brigar constantemente na justiça para fazer valer seus direitos, sem qualquer garantia de indenização. Mas é preferível ter a patente a não tê-la. Afinal, você não quer ser o próximo Kane Kramer, o britânico que concebeu a primeira versão do iPod há três décadas e não ganhou um centavo com isso porque deixou de renovar sua patente por falta de dinheiro.

5. Prepare um Plano de Negócios. Este será seu instrumento para vender seu projeto a fundos de investimentos, empresas de capital de risco ou mesmo instituições financeiras. Todo mundo sabe que um plano de negócios é apenas um guia que vale mais pelo treino de pensar o empreendimento do que pelos seus números em si. Aliás, digo que os planos são grandes exercícios de chutometria: gastam o dobro do tempo, o triplo de recursos e alcançam metade dos resultados esperados. Mas é assim que o jogo é jogado.

Neste processo, o maior erro que você pode cometer é pensar como o personagem real do início do texto com seu medo de falar sobre a idéia ou invento. Vai levar o projeto para o cemitério e ser enterrado com ele – um inventor do além-túmulo. Jamais verá o avião construído e nunca terá o privilégio da sensação suprema de voar.

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Como Investir em Treinamento

Sabado, 19 de Julho de 2008
"Todos nós adoramos vencer,
mas quantas pessoas adoram treinar?"
(Mark Spitz)

A atividade de treinamento é inerente ao mundo corporativo. Algumas empresas a entendem como imprescindível para o desenvolvimento de seus colaboradores, elevando a produtividade com impacto positivo na última linha do balanço. Já outras companhias a enxergam como símbolo de desperdício - de tempo e dinheiro. E outras tantas apenas a realizam para colorir suas estatísticas de responsabilidade social corporativa a fim de concorrer a prêmios e ganhar títulos.

O fato é que o treinamento é primordial para capacitar, desenvolver, integrar e estimular as pessoas, permitindo-lhes realizar mais com menos, ensinando-as a trabalhar mais inteligentemente. Todavia, um programa formatado sem planejamento pode mesmo representar tempo, dinheiro e energia jogados ao vento.
Como Investir em Treinamento
Por isso, uma questão recorrente é: Como realizar um treinamento produtivo?


1. Palestra ou Treinamento?

O primeiro passo é compreender as diferentes abordagens possíveis.

Uma palestra caracteriza-se por ser um evento de curta duração, podendo se estender desde apenas quinze minutos até duas horas, sendo que convencionalmente gira em torno de 75 a 90 minutos.

Em regra, a palestra é proferida por um único ministrante que a apresenta em formato de monólogo, ainda que muitos profissionais façam uso de diversos recursos para interagir com a platéia, admitindo sua participação.

Diante do tempo disponível, uma palestra tem alcance reduzido, abordando diversos assuntos superficialmente, exceto se o tema for muito específico e de cunho técnico ou científico. Todavia, no universo empresarial, a palestra tem o poder de agir com caráter de sensibilização, buscando promover a reflexão, surpreendendo, provocando e estimulando as pessoas a saírem da zona de conforto para atentar sobre novas possibilidades.

Já um treinamento consiste em um trabalho de maior profundidade que demanda maior dedicação. Evidentemente que a carga horária recomendada depende de variados fatores, podendo transitar de um mínimo de oito horas até cerca de 100 horas ou mais, divididas em módulos exercitados no decorrer de semanas ou meses. Entretanto, diante das dificuldades de agenda das empresas, é comum observarmos a realização de treinamentos com carga de 8 a 16 horas, num sistema de imersão total (cursos de um ou dois dias integrais) ou parcial (cursos de meio período ou realizados à noite).

Um treinamento pode ser conduzido por um único facilitador, não sendo raro dois ou mais profissionais trabalharem em conjunto. Enquanto uma palestra pode ser apresentada para um público diminuto ou para grandes platéias, um treinamento, a fim de ser bem sucedido, deve considerar grupos menores, com um máximo de 50 participantes por turma, sendo desejável até a metade deste número em muitos casos.

O propósito de um treinamento é mais do que sensibilizar. Espera-se desenvolver nos participantes a habilidade de desempenhar uma determinada tarefa com desenvoltura e segurança. Isso justifica a recomendação de grupos menores, pois um treinamento deve contemplar a realização de atividades individuais e coletivas para fixação dos conceitos ilustrados. Não basta ao participante ouvir e falar. É imprescindível fazer.

Há outras modalidades de trabalho derivadas das anteriores, como por exemplo, os chamados workshops, que nada mais são do que mini-treinamentos com cerca de quatro até oito horas de duração.

Entre contratar uma palestra ou um treinamento, a empresa deve considerar seus objetivos e orçamento. Assim, para divulgar um novo conceito, reforçar um procedimento ou festejar uma conquista, a contratação de um palestrante é suficiente e adequada. Já para a implantação de projetos e desenvolvimento de competências, um treinamento faz-se necessário.


2. Planejando o Evento

Qualquer que seja a modalidade de trabalho escolhida, a ausência de um planejamento detalhado é o caminho mais curto para o fracasso. É dentro deste contexto que colhemos tempo perdido, investimento sem retorno e funcionários desestimulados.

O filme "Como Fazer o Treinamento Valer a Pena", distribuído com exclusividade no Brasil pela Siamar, apresenta uma eficiente metodologia de planejamento para eventos de treinamento corporativo. A proposta básica consiste em gerenciar o antes, o durante e o depois do evento.


2.1. Antes do Evento

É responsabilidade do gestor levantar necessidades e objetivos que pretende atingir. Isso já sinalizará inicialmente qual modalidade de trabalho contratar.

Se o motivo for premiar os resultados alcançados pela força de vendas, a melhor opção é uma palestra com abordagem motivacional e até lúdica, pois o momento é de celebração. Porém, se os resultados estão insatisfatórios, a mesma palestra com perfil motivacional deve primar pelo conteúdo, buscando de forma envolvente apresentar técnicas que possam ser colocadas em prática com o intuito de auxiliar na reversão dos resultados adversos.

O local do evento também é importante. Muitos trabalhos podem ser realizados in company, dentro das instalações da própria empresa, minimizando custos com deslocamento e infra-estrutura. Contudo, treinamentos com imersão merecem um ambiente neutro, fora dos muros da corporação, para incentivar os participantes a se desligarem da rotina e entregarem-se de corpo e alma à atividade.

A contratação da empresa ou profissional que conduzirá o trabalho deve considerar formação, experiência, referências e, em especial, capacidade de personalização do serviço. Converse com o profissional. Observe se há a preocupação em conhecer o perfil dos participantes e os objetivos delineados pela empresa. Nada leva mais ao descrédito que uma apresentação que nitidamente não foi preparada para a audiência que a assiste. São os famosos "enlatados", trabalhos padronizados que são indistintamente levados à apreciação de empresas de todos os portes, de todos os segmentos e para públicos de todas as idades, graus de escolaridade e níveis hierárquicos. A customização é um fator crítico de sucesso, pois cada empresa e cada público têm características próprias que exigem abordagens diferenciadas.

Definidos tipo de evento, objetivos e empresa contratada, é fundamental orientar e aconselhar os colaboradores. O grande erro neste estágio reside em enviar as pessoas para o treinamento sem prepará-las. Por isso, explique a necessidade do evento. Diga abertamente porque a empresa está investindo tempo e dinheiro na atividade. Demonstre claramente suas expectativas de melhoria no desempenho. E, sempre que possível, explicite como será feito o acompanhamento pós-evento, evidenciando que a proposta básica é utilizar efetivamente o aprendizado no dia-a-dia da empresa. Isso derruba a mística de que a atividade é um mero evento social, desconectado da realidade da companhia e que no dia seguinte não se lembrará de nada do que foi visto.


2.2. Durante o Evento

Há uma regra entre os organizadores de evento que diz: "Só termina quando acaba". De fato, até que todos tenham partido, nenhum detalhe pode ser negligenciado. Isso envolve, por exemplo, a estrutura física. Cadeiras desconfortáveis, baixo índice de luminosidade, ar condicionado desregulado, acústica deficiente, são fatores que comprometem a atenção dos participantes.

Os equipamentos solicitados pelo palestrante ou facilitador devem ser previamente checados. Atenção com pilhas e baterias usadas, pois podem falhar no momento da apresentação, prejudicando a qualidade do áudio. A sugestão é utilizar sempre peças novas.

Horários precisam ser respeitados e intervalos regulares devem ser previstos para café e refeições, sempre com escolha de cardápio adequado. Em treinamentos com imersão, é comum e mesmo aconselhável a realização de uma confraternização. Mas esta deve ocorrer apenas ao final do encontro, nunca na noite anterior ao último dia de evento, por exemplo, pois os efeitos de uma noite com poucas horas de sono e o provável consumo de álcool impactarão negativamente no rendimento da equipe.

Uma ocorrência comum observada é a ausência de um colaborador no evento sob a alegação de que gostaria de participar, mas sua caixa de entrada está cheia. Barreiras ambientais desta espécie precisam ser superadas com a ajuda da liderança. Agendas devem ser flexibilizadas, escalas remanejadas, todos os esforços empreendidos no sentido de possibilitar a inclusão de pessoas identificadas como target para o treinamento.

Por fim, não meça esforços no sentido de subsidiar o evento com a máxima qualidade. É lamentavelmente comum encontrarmos materiais pirateados sendo utilizados o que denota grande incoerência com o propósito do treinamento e possivelmente com a própria carta de valores da companhia.


2.3. Após o Evento

Concluída a atividade é importante verificar se as metas foram atingidas. O primeiro instrumento é uma pesquisa de satisfação que deve idealmente ser aplicada ainda durante o evento, ao seu término. Pesquisas respondidas posteriormente perdem em representatividade, posto que deixam de captar o momento vivenciado pelo participante.

Uma segunda mensuração deve investigar se houve melhora no desempenho e na produtividade em decorrência do treinamento realizado. Porém, isto só é possível se um pré-teste tiver sido realizado antes do evento.

Nesta etapa, cabe novamente ao líder identificar no colaborador as vantagens do treinamento, demonstrando-lhe pontualmente o progresso auferido. É a hora certa para recompensá-lo, sempre ressaltando que a remuneração financeira não é o único e nem sempre o melhor expediente para reconhecer e fidelizar talentos.

Mas como o trabalho não cessa, é significativo também reafirmar periodicamente os conceitos e aprendizados, a fim de promover a melhoria contínua. Um bom instrumento de apoio, nestes casos, pode ser o e-learning.


3. Conclusão

A realização de palestras e treinamentos é uma atribuição das corporações. Afinal, considerando-se a crise do ensino em nosso país e um modelo de desenvolvimento sócio-econômico que transfere muitas responsabilidades do Estado para as empresas, o trabalho de capacitação dos trabalhadores ganha relevância como pré-requisito na busca pela competitividade.

Mas sem planejamento adequado que identifique por que fazer o treinamento, quando e onde realizá-lo, quem participará, quem ministrará, quanto será investido, como será mensurado o resultado e o que empresa e colaboradores ganharão com a atividade, corre-se o risco de efetivamente ver tempo e dinheiro desperdiçados.

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O quê determina o sucesso de um profissional?

Quarta, 30 de Abril de 2008
Entende-se que todos nós aspiramos à realização pessoal como uma necessidade básica da vida, sendo que a condição de uma pessoa realizada envolve muitos aspectos, entre os quais a vida profissional. Normalmente possuímos certo modelo do que seja alguém de sucesso na nossa área de atuação, e buscamos fazer as coisas certas para que nós mesmos alcancemos esse nível de satisfação pessoal. Mas o quê determina o sucesso de um profissional?

Para entender alguns dos fatores que podem ou não levar uma pessoa ao sucesso na carreira escolhida, vamos generalizar e classificar os administradores brasileiros em dois grupos definidos. Aqueles que estão inseridos no contexto das modernas práticas administrativas, aqui apontados como profissionais bem sucedidos, e a grande massa que gravita nas margens desse foco de modernidade e realização profissional. Estes últimos não são pessoas sem qualificação ou sem formação acadêmica. Dos que saem das faculdades de administração e das escolas de negócios (business schools), quantos destes realmente irão se tornar profissionais de sucesso? O sucesso, no meio empresarial, pode ser entendido pela capacidade que um individuo possui de construir uma carreira e obter reconhecimento do mercado, e o critério utilizado aqui se resume apenas nesse ponto e no ideal que todo estudante de Administração de Empresas possui, o de alcançar um alto grau diretivo em uma grande organização.

Vamos considerar que o profissional de sucesso ocupa seu primeiro cargo de gerência antes dos trinta anos, alcança uma diretoria aos quarenta e termina a carreira como consultor ou palestrante renomado. Ele vive na prática todos aqueles conceitos aprendidos na faculdade e lê toda a imensa literatura que está sendo construída para ele, os livros de auto-ajuda motivação pessoal que encontram em qualquer conto oriental ou experiência de vida uma aplicação prática no mundo dos negócios, passando pelos decálogos e mandamentos das pessoas de sucesso. Em contrapartida, temos os demais profissionais que não são executivos de grandes empresas, os que alcançam e mantém por muitos anos um cargo de gerência em uma empresa de porte pequeno a médio, que concluem um curso superior aos trinta anos porque descobriram estar desatualizado no mercado, que também lêem as histórias de monges e generais, e procuram adaptar os conceitos áureos da administração à realidade de suas empresas, amputando aqui e inventando ali. Ambos os tipos são administradores de empresas, mas parecem estar presos a duas realidades diferentes, como os dois lados da moeda. E vale a pena fazer a pergunta: o quê determina o destino que está reservado a determinado individuo? Idade? Formação? Oportunidades? Ou será simplesmente o fator sorte atuando?

A citação mais popular de Peter Drucker diz que o futuro deve ser realizado por nós mesmos. Planejamento pessoal é determinante para o sucesso, a construção de metas e objetivos claros fazem com que nós sigamos um caminho que leve a um futuro promissor. Para um administrador de empresas, é fácil conceber isso. Mas para uma pessoa que nunca ouviu falar em Planejamento, Estratégia e em Objetivos e Resultados, pode parecer algo inalcançável estabelecer um plano de vida e conseguir adaptá-lo de acordo com as mudanças do ambiente. A menos que possua um feeling natural muito forte, o individuo sem noções básicas de Administração vai ouvir falar e não vai conseguir assimilar esses conceitos de maneira produtiva. Surge uma nova aplicação da teoria da predestinação, onde uma pequena parcela da sociedade nasce para administrar. Talvez Bill Gates seja um desses eleitos.

A verdade é que, por mais que nos esforcemos, inevitavelmente poucos de nós chegarão de fato ao sucesso, tal como foi apresentado. O motivo mais óbvio e plausível é que as grandes organizações seguem à risca a lei de Malthus: o número de profissionais que entram no mercado tem crescimento em uma progressão quase geométrica, sendo que as vagas para executivos de sucesso crescem aritmeticamente, se é que crescem. Se voltarmos para a pergunta feita há pouco, o quê determina o sucesso na carreira de Administrador de empresas, dentro desse cenário extremamente competitivo? A resposta é complexa. Alguns elementos para o sucesso profissional foram apresentados aqui. Estabelecer metas, ter um certo planejamento, saber identificar as oportunidades, possuir formação acadêmica. Vários livros tentam passar fórmulas de sucesso com base nas experiências vividas por seus autores, mas o quê é válido para um, pode não ser para outro. A fórmula para alcançarmos aquilo que aspiramos, como profissionais e como seres humanos, talvez seja produto de nossa vontade, a vontade de fazer um algo acontecer. E para isso, devemos começar entendendo a questão principal do tema: o quê é Sucesso para cada um de nós?

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O que uma orquestra tem a ensinar às empresas!

Terça, 8 de Abril de 2008
Palestrante defende transferência de práticas do meio musical para o organizacional

No final de fevereiro, a Filarmônica de Nova York esteve na Coréia do Norte, para uma apresentação que marcou a tentativa de resgate das relações diplomáticas entre esse país e os Estados Unidos. Situações como essa mostram como o concerto de uma orquestra pode adquirir significado muito maior que o de mera sessão de entretenimento. Há quem veja a dinâmica das orquestras como algo de grande valia inclusive para o ambiente empresarial.

"Em 1998, Peter Drucker, um dos maiores gurus da Administração, já dizia que no século 21 as empresas seriam como orquestras", lembra Alexander Baer, palestrante motivacional e professor convidado da FGV Management. Segundo o palestrante, as etapas entre a afinação dos instrumentos e o gestual do maestro contêm boas práticas nas quais organizações de todo tipo podem se espelhar. "Uma orquestra não tem uma segunda chance", frisa. Para exemplificar isso dinamicamente, Baer trouxe para suas palestras sobre o tema os músicos e o maestro, que se encarregam de ilustrar o que é dito pelo palestrante com a execução de peças bem conhecidas do público.

Em meio aos apontamentos feitos por Baer nesses eventos, constam as ferramentas de gestão e os equipamentos utilizados pelas empresas. De acordo com o palestrante, ajustá-los à realidade do negócio é um dos primeiros passos a se tomar. "As organizações precisam 'afinar' melhor seus profissionais, instrumentos, gestão e sua comunicação", sugere. Outra recomendação é a de que se sigam com esmero normas do mercado, regimentos internos e o planejamento estratégico - tal qual fazem os músicos com suas partituras.

Ainda no que diz respeito ao planejamento estratégico, Baer acrescenta: é fundamental que toda a equipe esteja ciente do rumo futuro que a empresa quer tomar e do papel de cada funcionário para consegui-lo. "O que seria de uma orquestra se não houvesse sintonia entre os músicos e eles não soubessem que obra tocar, quando, onde, para quem e como?", compara o palestrante.

O paralelo não pára por aí. Uma orquestra é feita de músicos com talentos individuais e coletivos divididos entre os diversos naipes de instrumentos. Assim como as empresas são feitas por colaboradores com talentos individuais e coletivos, distribuídos por departamentos que precisam estar em perfeita sintonia sistêmica e estratégica, afirma Baer.

Ele também chama a atenção, entre outros elementos, para o desempenho do maestro - em alusão ao equilíbrio e à liderança pelos quais os executivos devem primar. "O maestro usa a batuta geralmente na mão direita para expressar as normas e procedimentos, enquanto a mão esquerda clama pelo amor e pela paixão, que devem estar presentes no momento certo do desenrolar da obra musical", descreve. "Razão e emoção andam juntas, inclusive dentro das empresas - isso nenhum líder pode ignorar. O mais indicado é se valer da melhor combinação entre elas", finaliza o palestrante.