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Pare de reclamar!

Terça, 8 de Julho de 2008
Como é desagradável na vida convivermos com pessoas que tem o hábito de reclamar, de lamentar, de suspirar constantemente sob o "peso da vida"...

E como é pior ainda quando nós mesmos começamos a sucumbir a este triste vício de comportamento.

Quando reclamamos, o fazemos através de palavras, gestos e emoções. É todo um processo de desgaste e perda de energia, tanto para o que reclama quanto para o que ouve. Nosso semblante, nosso coração, enfim, todo o nosso bem-estar é "envenenado" quando começamos com as reclamações e lamentações.

Verdade já foi dita, e que seja mil vezes repetida: Em qualquer área da vida, reclamar não leva ninguém a nada, falar que "a situação está preta, a crise está pegando, a vida é um fardo pesado e etc. de nada serve, a não ser para desgastar e dissipar energia que poderia ser usada para mudar as coisas.

Se algo em sua vida não vai bem, em relação ao trabalho ou a alguém de seu convívio, não só reclame, mas procure criar caminhos para a mudança. Reclamar é diferente de reivindicar mudança. Quem reclama só quer falar, lamentar, refletir sobre "com a vida é ingrata". Quem reivindica quer mudança, tomada de atitude, modificação de algo em si mesmo, no outro ou no ambiente ao redor.

Na vida pessoal e na carreira é inegável que sempre haverá convívio; seja entre duas, dez ou cem pessoas diferentes. E há coisas nos outros e na "vida" que certamente não vão nos agradar, assim como haverá coisas em nós que não agradarão a muitos.

Sei que você leitor, provavelmente já leu sobre este tema em muitos artigos e pode estar se perguntando: E daí, não é novidade nenhuma que reclamar é perda de tempo!

Concordo, não é novidade; assim como não é novidade que devemos nos exercitar mais, comer menos, ser mais pacientes, evitar beber muito e etc. São coisas que sabemos, mas das quais nos esquecemos, talvez até mesmo por já estarmos cansados de saber.

Então o que eu quero propor nesta semana é uma breve reflexão sobre isto, e embora meus textos sejam muito focados em gestão de carreira, creio que pensar este tema traz benefícios para a vida como um todo.

Vamos pensar sempre se estamos "reclamando por hábito", ou "reivindicando mudanças" para melhor e criando condições para isto. Às vezes até parece que é a mesma coisa quando olhamos de longe; mas de perto faz uma diferença enorme!

Até mais!

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QUANTO VALE O BOM ATENDIMENTO?

Segunda, 19 de Novembro de 2007
É inegável que todos querem ser bem atendidos e nos sentirmos respeitados e valorizados. Na pirâmide da Hierarquia das Necessidades de Maslow são contempladas várias necessidades onde a base inicia-se pelas necessidades fisiológicas e em seguida passa para as necessidades de segurança, relacionamento, estima e realização pessoal. Já no início do século ele defendia esta teoria e para este artigo em particular contemplaremos o nível de "estima" abordava questões como auto-estima, confiança, respeito dos outros e respeito aos outros.

Para tudo o que fazemos estamos sujeitos ao valor agregado do serviço e do atendimento. Se vamos a um restaurante, além de ter uma boa refeição e apresentar boa higiene queremos ser bem atendidos pelo garçom. Se vamos comprar um veículo esperamos que o vendedor tenha flexibilidade e simpatia para nos oferecer e atender nossos anseios, principalmente por se tratar de um valor expressivo. Caso estejamos aproveitando e vendendo nosso carro, queremos respeito e não a sensação de estarmos sendo enganados ou fazendo um mau negócio. Para viagens aéreas ou de ônibus queremos tranqüilidade, bom atendimento, agilidade etc. Se vamos ao banco, médico, supermercado, feira ou em qualquer lugar onde adquira-se um produto ou serviço espera-se obter uma solução para seu problema ou interesse atrelada ao respeito e sentimento de satisfação.
Atendimento
No entanto há muitas empresas que apesar de realizarem treinamentos específicos a suas equipes, não acompanham o andamento, não possuem um feed back dos clientes (pacientes no caso de dentistas, médicos etc.). Diferentemente de décadas atrás onde as ofertas eram pequenas para vários tipos de produtos e o médico ou dentista era "da família" hoje existem centenas de opções. Há locais mais próximos, produtos mais baratos, entregas mais rápidas, agendamento de horários mais flexíveis, filas menores devido a divisão de itens nos carrinhos de supermercados, entre tantas outras razões que podem levar. E justamente esta falta de acompanhamento é crucial para que mantenha os clientes atuais e conquiste novos sem muitas dificuldades.

Milhares de pessoas deixam de comprar determinado bem ou serviço em um local por não se sentirem respeitadas ou bem atendidas, trocam de médicos e dentistas devido às recepcionistas, secretárias ou ajudantes não terem cordialidade, empresas buscam outros prestadores de serviços por não estarem satisfeitos com o resultado ou andamento dos serviços realizados.

O atendimento perfeito faz parte de um ciclo que não pode ser quebrado em hipótese alguma. Acomodar por acreditar que a marca ou produto é bom ou a especialidade é excelente é dar motivos para perder bons clientes e bons negócios.

Se a marca ou produto são bons, há ainda mais motivos para agregar valor através de um excelente atendimento aproximando o cliente e tentando mantê-lo e ainda obter indicações de novas oportunidades. O mesmo se refere para qualquer prestação de serviços.

Reconhecer os pontos de necessidade de melhoria e agir sobre eles é imprescindível para o desenvolvimento da empresa. Ouvir críticas, sugestões e novas idéias pode ser o ponto chave para manter a sobrevivência ou ampliar o sucesso da empresa. Quando há reclamações, há oportunidade de serem realizadas melhorias e atender expectativas do cliente. Quando não há reclamações e apenas insatisfações, dá divulgação negativa da imagem da empresa, piora dos resultados e perda de oportunidade de melhoria em todas as áreas envolvidas.

Bom atendimento é relacionamento. Se existir insatisfação neste relacionamento a reação será a busca de outra parceria, ou seja, outra empresa, serviço ou profissional. E no final todos perdem. O cliente perde a tranqüilidade e terá o transtorno em buscar outra empresa ou profissional para atendê-lo, a empresa perde um cliente potencial ou passa a ter alguém divulgando negativamente seus produtos e serviços e os colaboradores da empresa deixam de ser treinados adequadamente e perdem a oportunidade de obter um desenvolvimento pessoal e profissional ainda mais adequado, para realizar com sucesso as atividades as quais são designados.

O custo do bom atendimento não é de se mensurar. No entanto, o custo do mau atendimento é muito fácil. Verifique quanto o cliente consumia por mês e por ano depois multiplique por cinco anos. Você obterá um determinado valor. Considerando que cada cliente insatisfeito divulgue negativamente sua insatisfação para outros sete possíveis clientes, multiplique o valor obtido anteriormente por doze (meses) e logo em seguida por cinco (anos). Com isso já podemos ter uma idéia de quanto pode custar um bom e mau atendimento.

Para reconquistar seu cliente poderá ser muito mais demorado e oneroso. Resultado: investir em qualidade em atendimento e treinamento técnico é bem mais viável. Como diz o ditado: "é melhor prevenir do que remediar".

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Tempos de Intimidade com o Cliente

Quinta, 31 de Maio de 2007
Os consumidores quando buscam produtos ou serviços no mercado, no mínimo esperam receptividade das pessoas que fazem o atendimento, através de: atenção, simpatia, prestatividade, cordialidade, interesse sincero em ajudar e um ambiente agradável. Desejam, um preço justo e facilidade na hora de pagar. Quando algo não sai de acordo com estas expectativas; um pedido de desculpas e a solução do problema, sempre de acordo com as escolhas do cliente, são o mínimo que se espera da pessoa que o atende, enfim, os clientes querem ser respeitados.

Podemos afirmar que o momento da verdade é todo momento de contato entre o cliente e a empresa. No entanto, a complexidade do atendimento não se limita a cumprimentar o cliente que se aproxima: Bom dia! Boa tarde! Boa noite! Este é o primeiro passo a ser dado: perceber o cliente, sua importância, tratá-lo como importante e único. Todas as pessoas querem se sentir assim e se estendem aos detalhes de infra e da supra-estrutura oferecidas; a qualidade das informações, a tecnologia e acima de tudo, quem está prestando os serviços: as pessoas que prestam o atendimento.

Frederick D. Wiersema, um dos grandes estudiosos deste final de século sobre relacionamento com o cliente, salienta que há mais de duas décadas é uma triste verdade no mundo dos negócios: os clientes se tornam cada vez mais exigentes, e os fornecedores precisam mudar para acompanhar seu ritmo. No início da década de 80, muitas empresas tiveram que admitir que não sabiam fabricar produtos duráveis ou prestar serviços confiáveis. Elas iniciaram a Primeira Etapa da busca de valor. Uma geração de gerentes trabalhou para apagar os problemas com a qualidade, melhorar a regularidade e ter como objetivo operações com zero defeito.

O bom funcionamento passou a ser norma. Mas em vez de saciar a fome do cliente, ele só serviu para aumentar os apetites, aguçados pelo valor e ávidos por comodidade, preços mais baixos e uma torrente de produtos e serviços inovadores. Assim, surgiu a Segunda Etapa, o apogeu da reengenharia. Gerentes audaciosos reprojetaram radicalmente os processos de negócios e desenvolveram a sua capacidade de saciar o apetite cada vez maior dos clientes. As atividades dispendiosas foram abolidas; os custos, reduzidos. O desenvolvimento de produtos se acelerou e proliferou, criando mercados e necessidades inteiramente novos.

Hoje, a busca pela criação de valor está entrando na chamada Terceira Etapa: a mudança para a intimidade com o cliente. Wiersema nos revela que os clientes continuam a elevar o nível de suas exigências, mas o alcance dessas exigências vai além do melhor preço e do melhor produto. Hoje, mais do que nunca, os clientes têm fome de resultados - resultados superiores - dos produtos que utilizam. E a intimidade com os clientes lhes proporciona isso. Os clientes de hoje querem exatamente a escolha certa de produtos ou serviços que os ajude a obter exatamente a solução total que eles têm em mente.

O autor, através de seus estudos, enfatiza que os clientes recusam radicalmente o anonimato e diz (1996:14): "Esqueça a tentativa de satisfazê-los com um tratamento genérico ou um serviço padrão - independentemente de falhas. Não pense em oferecer produtos de tamanho único - por mais brilhante que seja em termos de tecnologia. E eles não toleram o fornecedor que aperta a mão e desaparece após a venda. Não espere escapar às conseqüências de uma atitude do tipo boa sorte e se vire. Ninguém voltará a comprar o seu produto ou serviço".

Muitas empresas oferecem o melhor produto, o melhor preço ou a maior comodidade. Mas a principal mudança - aprender a personalizar os seus projetos de negócios de forma imaginativa e irresistível - lhes escapa. Essas empresas talvez não sejam capazes de reorientar suas culturas para valores de partilha e confiança. Talvez elas não sejam capazes, sequer, de escolher clientes que mereçam o tipo de colaboração de serviço que um a empresa que pratica a intimidade com o cliente pode oferecer. Ou talvez a dificuldade é de natureza tecnológica: com sistemas de informações defasados, faltam-lhes dados sobre o cliente que reúnam condições de oferecer valor e resultados superiores.

O principal caminho das soluções sob medida é o atendimento ajustado ao cliente. Assim, Wiersema identifica através de três exemplos, visões distintas sobre o atendimento sob medida. Primeiro, exemplifica através de uma solução customizada para a construção de uma nova casa pela construtora japonesa Sumitomo Forestry: "Você se senta em frente a um terminal do sistema CAD-CAM da empresa e constrói na tela, a casa dos seus sonhos: configura o layout, o telhado e as diversas instalações entre as milhares de opções contidas no banco de dados do computador. Ao terminar, o sistema imprime uma lista completa dos materiais necessários e soma os seus custos. Paralelamente, o computador produz um formulário de pedido e encaminha o seu projeto a uma equipe de construção, que logo o transformará em realidade" (Wiersema, 1996:59).

Além da customização no atendimento o cliente recebe exatamente a casa que deseja e paga bem menos do que se tivesse contratado os serviços de uma empresa tradicional e a mudança pode ser feita na metade do tempo. A Sumitomo oferece aos seus clientes exatamente aquilo de que eles necessitam a partir de um cardápio à la carte, composto por milhares de pratos.

O segundo exemplo está relacionado com a empresa Levi Strauss, importante fabricante de roupas e fornecedor da linha mais popular de calças que o mundo conhece. A empresa estava querendo criar um novo visual que atraia a atenção dos consumidores. Em vez de oferecer opções prontas, os estilistas e profissionais de marketing chegaram a uma visão para o novo estilo: o brim desbotado - uma tendência de moda que dominou durante quase uma década o segmento de trajes esportivos no Estados Unidos. Neste caso a empresa e os seus clientes avaliaram as necessidades para chegar a uma solução adequada específica: acabamento individualmente projetado.

Finalizando, o autor traz o exemplo do Massachusetts General Hospital (MGH), de Boston, que recorre a Baxter Internacional em busca de auxílio para seus grandes problemas de abastecimento. Sua intervenção melhorou a eficiência operacional do MGH, reduzindo custos e os estoques através de uma solução integrada. O melhor resultado foi em relação ao atendimento dos pacientes que não ficou comprometido.

Wiersema nos mostra que as soluções sob medida estão invadindo o mercado e faz o seguinte comentário (1996:61): "Em vez de apresentar soluções sob medida, outras empresas estão preocupadas em fazer o contrário: impõem medidas arbitrárias. Elas aumentam ou diminuem as necessidades de seus clientes, de modo a ajustá-las às suas soluções prontas". Na realidade as empresas devem fazer o possível para encontrar e oferecer o produto ou o serviço exato que atenda às reais necessidades do cliente que, de maneira geral, vai querer sentir-se especial, perceber que o produto que escolheu é, de certa forma, único.

Esse novo cliente vai exigir monitoramento constante, e muita intimidade por parte das empresas. É nessa atividade que entra o Customer Relationship Management, ou CRM, que são procedimentos de gestão voltados ao desenvolvimento de estratégias que visam a obtenção de lealdade e retenção de verdadeiros clientes.

É importante ressaltar que ao examinarmos cada um desses três modelos descritos por Wiersema, devemos ter em mente que nenhum deles é intrinsecamente mais valioso do que os demais. O mais importante, para determinada empresa que busca a excelência em atendimento, é encontrar o estilo de soluções sob medida que se enquadre nas suas capacidades e satisfaça às autênticas aspirações de seus instáveis clientes dessa virada de século.

Paulo Cézar Ribeiro da Silva é Prof. da Faculdade São Geraldo - Cariacica - ES - Mestre em Gestão Empresarial - Fundação Getúlio Vargas

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Avaliando a qualidade do serviço de academia de ginástica: estudo de caso - academia do biocor

Quarta, 30 de Maio de 2007
RESUMO

O objetivo deste artigo é avaliar a qualidade dos serviços prestados pela Academia do Biocor, verificando se seus clientes detectam um desempenho melhor ou igual às suas expectativas. A pesquisa foi realizada com 16 alunos com aplicação do SERVQUAL - instrumento de mensuração da qualidade em serviço. Os resultados encontrados mostram que a empresa pesquisada satisfaz os clientes em alguns itens das cinco dimensões da qualidade (confiabilidade, tangibilidade, sensibilidade, segurança e empatia) e, ao mesmo tempo, tem uma avaliação negativa em outras dimensões, com exceção da confiabilidade e da empatia. Conclui-se que ações de melhoria devem ser tomadas para satisfazer completamente os clientes em situações que competem mais à segurança e tangibilidade.

Palavras-chave: Qualidade do serviço. Expectativa. Desempenho. Academia de Ginástica. SERVQUAL.


1 INTRODUÇÃO

Com a constante entrada de academias de ginástica no mercado da capital mineira e o aumento gradativo de pessoas que as procuram para a prática de atividade física em busca de saúde, qualidade de vida e bem-estar, manter a sobrevivência destas empresas só é possível quando se busca incessantemente a adequação entre o que é oferecido e o que os alunos necessitam ou esperam.

O profissional de marketing precisa sempre direcionar suas ações para os sentimentos do cliente, não só durante a utilização do serviço oferecido, mas também no processo de avaliação que este faz em relação ao atendimento às suas expectativas. A satisfação ou insatisfação do cliente determina-se na relação direta entre expectativas e desempenho percebido.

Superar as expectativas do cliente com a prestação de um serviço é imprescindível para garantir o encantamento. As empresas prestadoras de serviço devem cuidar para que os serviços oferecidos representem verdadeiramente o desempenho esperado e atendam as necessidades de seus clientes.

Percebe-se, mais intensamente nos dias de hoje, a necessidade de personalizar a oferta do serviço aos clientes no intuito de satisfazê-los e oferecer-lhes qualidade. Para tanto, é necessário conhecer os atributos que os mesmos julgam ser importantes na de prestação do serviço e suas expectativas. Considerando a concorrência no mercado de academias de ginástica, quanto mais o serviço prestado se aproximar das expectativas do aluno, mais qualidade será percebida e conseqüentemente, mais satisfeito esse aluno estará.

O objetivo deste trabalho consiste em avaliar a qualidade dos serviços prestados pela Academia do Biocor, comparando a expectativa dos alunos com o desempenho da empresa, detectando se a empresa está ou não satisfazendo-os.

A hipótese nula a ser testada consiste em verificar se a relação entre expectativas e desempenho está sendo satisfatória em todas as dimensões da qualidade na opinião dos alunos da Academia do Biocor.

2 Marketing

De acordo com Kotler e Armstrong (1998, p.3) marketing define-se como "o processo social e gerencial através do qual indivíduos e grupos obtêm aquilo que desejam e de que necessitam, criando e trocando produtos e valores uns com os outros".

Las Casas (2006) compartilha deste enfoque, acrescenta e define o marketing como uma área do conhecimento que reúne as relações de troca orientadas para satisfazer as necessidades e desejos dos consumidores, visando alcançar determinados objetivos da organização ou do indivíduo, considerando o mercado e o impacto que estas relações causam no bem-estar da sociedade.

Conforme Kotler (1998) o conceito mais básico inerente ao Marketing é o das necessidades humanas, que são estados de carência percebida, de privação de alguma satisfação básica. Ainda segundo o autor os desejos são carências por satisfações específicas para atender às necessidades, e são moldados pela cultura e pelas características pessoais. As demandas consistem nos desejos respaldados pela habilidade e disposição de comprá-los.

Portanto, as empresas que se orientam para marketing empenham-se ao máximo em conhecer as necessidades, desejos e demandas de seus clientes. Além disso, ela também prioriza conceitos como o valor, a satisfação e a qualidade.

Valor é a satisfação das exigências do consumidor ao menor custo possível de aquisição, propriedade e uso. Segundo Lovelock e Wright (2005, p.25)

[...] as empresas criam valor oferecendo os tipos de serviços que os clientes necessitam, apresentando acuradamente suas capacidades e realizando-as de maneira agradável e conveniente por um preço justo.

A satisfação depende do desempenho do serviço percebido com relação ao valor relativo às expectativas do cliente. Para Kotler (1998, p.53) "a satisfação é o sentimento de prazer ou de desapontamento resultante da comparação do desempenho esperado pelo produto (ou resultado) em relação às expectativas da pessoa".

A qualidade começa com as necessidades do cliente e termina com a satisfação dele, ou seja, conforme afirma Lovelock e Wright (2005), a qualidade está relacionada ao grau em que o serviço satisfaz os clientes ao suprir suas necessidades, desejos e expectativas.

Para Las Casas (2006) o desafio do marketing consiste em entender o consumidor, conhecer suas expectativas antes, durante e depois da compra, e identificar tanto as necessidades e desejos quanto às satisfações ou insatisfações pelo consumo dos serviços oferecidos.

3 Marketing de serviços

O setor de serviços vem se despontando na economia mundial com uma expressiva representatividade. Segundo afirmam Lovelock e Wright (2005, p.5), "os serviços constituem o grosso da economia de hoje, não só no Brasil, onde respondem por 55 % do Produto Interno Bruto (PIB), mas também no mundo".

O serviço, segundo Kotler e Armstrong (1998), é toda atividade ou benefício, essencialmente intangível, que uma parte pode oferecer à outra e que não resulta na posse de algum bem.

De acordo com Grönroos (1993, p.36):

O serviço é uma atividade ou uma série de atividades de natureza mais ou menos intangível - que normalmente, mas não necessariamente, acontece durante as interações entre clientes e empregados de serviço e/ou recursos físicos ou bens e/ou sistemas do fornecedor de serviços - que é fornecida como solução ao(s) problema(s) do(s) cliente(s).

O serviço, segundo Kotler (1998), caracteriza-se pela intangibilidade, inseparabilidade, variabilidade e perecibilidade. Diferentemente dos produtos, os serviços não podem ser tocados; normalmente são produzidos e consumidos simultaneamente; têm potencial de variabilidade no desempenho, pois dependem de quem os executa e de onde são prestados; e não há possibilidade de serem estocados.

O que se observa hoje, com o aumento da competitividade, é a exigência dos consumidores por mais e melhores serviços. Com isto, ocorre uma mudança na perspectiva a respeito de como os profissionais de marketing das empresas de serviços devem gerenciar a organização. Para se obter vantagem competitiva é preciso oferecer um serviço com diferenciais, como a qualidade, o atendimento, a entrega, entre outros.

O marketing de serviços tem como foco principal o processo de compra do consumidor, tornando essencial o entendimento da escolha por determinado serviço, consumo e avaliação da satisfação pós-compra. Conforme Bateson e Hoffman (2001), entender a ligação entre processos de escolha e avaliação é extremamente importante, uma vez que os consumidores satisfeitos são necessários para a repetição dos negócios.

Com o objetivo de buscar a fidelidade dos clientes, os profissionais de marketing devem estar atentos às atividades que antecedem à compra do serviço e aos motivos que levam à tomada de decisão dos consumidores por aquela determinada empresa. Ainda segundo Bateson e Hoffman (2001), essa decisão é acompanhada por um conjunto de expectativas sobre o desempenho do serviço. Além disso, a avaliação pós-compra, que acontece enquanto o consumidor interage com o prestador de serviços, resulta na satisfação ou insatisfação.

Segundo Mowen e Minor (2003), a satisfação é a atitude geral sobre um produto ou serviço após a sua aquisição e uso. É o julgamento de avaliação posterior à compra.

A satisfação do cliente e a qualidade dos serviços estão entrelaçadas. A maioria dos especialistas concorda que a satisfação do cliente é uma medida de curto prazo, específica para a transação, enquanto a qualidade do serviço é uma atitude formada por uma avaliação do desempenho geral de longo prazo. Contudo, ambos os conceitos estão baseados na relação expectativa do cliente e desempenho percebido.

4 Qualidade do Serviço

Conforme Lovelock e Wright (2005), a qualidade define-se como o "grau em que um serviço satisfaz os clientes ao atender suas necessidades, desejos e expectativas". Nas palavras de Juran (1974) citado por Pitombo (2002), na definição baseada em usuário, entende-se qualidade como a capacidade de satisfazer as necessidades do consumidor.

Segundo Grönroos (1993, p.54) a qualidade percebida é determinada "pela diferença (gap) entre a qualidade esperada e a qualidade experimentada". Com base nesse conceito, Kotler (1998) define a satisfação como a função de desempenho e expectativas percebidos. Se o desempenho não alcançar as expectativas, o cliente ficará insatisfeito. Se o desempenho alcançar as expectativas, o cliente ficará satisfeito. Se o desempenho for além das expectativas, o cliente ficará altamente satisfeito ou encantado.

As expectativas são essenciais para a satisfação do cliente, e é a partir do conhecimento delas é que se busca alcançar um serviço de qualidade. Las Casas (2006) define serviço de qualidade como sendo aquele em que o cliente fica satisfeito com os resultados obtidos, de acordo com suas expectativas. Segundo o autor, muitas empresas buscam superar as expectativas dos clientes causando o encantamento dos mesmos.

Conhecendo as expectativas de seus clientes, a empresa poderá prestar serviços de maneira a superá-la. Sendo assim, a satisfação do cliente em relação a um serviço utilizado é um conceito subjetivo, pois, as expectativas e percepções a respeito do mesmo variam de cliente a cliente. Porém a qualidade "intrínseca" do serviço prestado resulta do nível de desempenho do sistema de operações quando comparado com padrões pré-estabelecidos pelas empresas do setor avaliado.

Diversos autores afirmam que a qualidade é considerada uma resposta subjetiva do consumidor sobre o desempenho do prestador de serviços. Sendo assim, trata-se de um julgamento pessoal, conceito altamente relativo, formado por cada cliente.

A qualidade pode ser definida como a capacidade que um serviço tem de corresponder satisfatoriamente às necessidades do cliente quando esse serviço lhe é prestado.

Em um mercado competitivo, onde o avanço tecnológico e os mercados globalizados tornam a sobrevivência das empresas cada vez mais difícil, a diferenciação da qualidade em serviços é fator determinante e pode gerar um aumento de fatia de mercado e significar a diferença final entre o sucesso e o fracasso de uma organização.

Hoje em dia, independentemente do tamanho das organizações, a qualidade do serviço pode ser a fórmula de sucesso para crescer e enfrentar as concorrentes. No que se refere à qualidade do serviço, Kotler e Armstrong (1998) deixam claro que esta é uma das principais formas de uma empresa se diferenciar no mercado.

Para Parasuraman, Zeithalm e Berry (1988) citado por Pitombo (2002), qualidade percebida é uma forma de atitude, relacionada, mas não equivalente à satisfação, e resultante da comparação de expectativas com percepções de desempenho. Segundo esses autores as diferenças entre as expectativas do cliente e o desempenho real na prestação de serviços fundamentam sua percepção de qualidade e normalmente caracteriza uma lacuna ou hiato de qualidade, do ponto de vista do consumidor.

Lovelock e Wright (2005) afirmam que quando os clientes avaliam a qualidade do serviço antes de comprá-lo, o julgamento é realizado em função das suas necessidades individuais, experiências passadas, recomendações de terceiros e propaganda do fornecedor. Após comprarem e consumirem o serviço, os clientes comparam a qualidade esperada com o que efetivamente receberam. Conforme estes autores, a qualidade é dita superior quando o desempenho do serviço surpreendeu e encantou o cliente por ter ficado acima dos seus níveis de serviço desejado, e ela é dita adequada quando fica dentro da zona de tolerância para o cliente.

Contudo, se a qualidade real cai abaixo do nível de serviço adequado esperado pelos clientes, os autores supracitados dizem que ocorre uma discrepância, ou lacuna na qualidade, entre o desempenho do fornecedor de serviço e as expectativas do cliente.

As sete lacunas descritas por Lovelock e Wright (2005) são: 1) no conhecimento, diferença entre o que o fornecedor acredita que o cliente espera e as reais necessidades e expectativas dos clientes; 2) nos padrões, diferença na percepção do fornecedor sobre as expectativas dos clientes e os padrões de qualidade estabelecidos para entrega; 3) na entrega, diferença nos padrões especificados e o desempenho do fornecedor; 4) nas comunicações internas, diferença do que se promete em relação às características do produto, desempenho e nível de qualidade com o que realmente é entregue; 5) nas percepções, diferença entre o que é entregue e o que os clientes percebem; 6) na interpretação, diferença entre o que a campanha promocional promete e aquilo que o cliente acha que foi prometido; 7) no serviço, diferença entre o que os clientes esperam receber e suas percepções do serviço entregue.

Além de julgar a qualidade do serviço pelas lacunas, os clientes também podem utilizar 5 dimensões como critérios: confiabilidade, tangibilidade, sensibilidade, segurança e empatia (PARASURAMAN; ZEITHALM; BERRY, 1988 citado por PITOMBO, 2002; LOVELOCK; WRIGHT, 2005). Las Casas (2006) compartilha deste enfoque e descreve as seguintes dimensões: 1) confiabilidade refere-se à prestação do serviço de forma segura e correta; 2) tangibilidade representam o escritório, layout, equipamentos e máquinas utilizados, aspectos de higiene e aparência dos funcionários; 3) a sensibilidade refere-se à capacidade de prestar serviços com boa vontade e prontidão; 4) segurança envolve o conhecimento e cortesia dos funcionários com os clientes; 5) empatia é definida como a provisão de cuidados e atenção individual aos clientes.

Os autores, Parasuraman, Zeithaml e Berry propuseram um instrumento denominado SERVQUAL que tem o objetivo de mensurar a percepção de qualidade em serviços. O modelo utiliza um formato de comparação entre expectativas e percepções estruturado sobre as cinco dimensões descritas anteriormente, e pode ser adaptado ou suplementado para atender às características ou necessidades específicas do pesquisador.

A escala consiste em um questionário elaborado em duas seções: uma correspondente às expectativas, com 22 afirmativas que procuram delinear as expectativas gerais do respondente em relação ao serviço a ser investigado e a outra seção busca medir o julgamento do usuário sobre o serviço prestado pela empresa específica que está sendo avaliada.

As Academias de Ginástica que desejam fornecer qualidade em serviço precisam realizar um contínuo de pesquisa que forneça aos gerentes de marketing informações úteis e oportunas sobre satisfação, expectativas e percepções sobre a qualidade (LOVELOCK; WRIGHT, 2005).

5 ACADEMIA de ginástica

A valorização da beleza e a busca por uma vida mais saudável confirmam a expectativa de que o mercado da atividade física desponta como uma das maiores tendências de comportamento para o século XXI.

Nos dias de hoje, é bastante discutido e levado em consideração a importância e benefícios da atividade física. As pessoas estão conscientes de que a prática de atividades físicas pode proporcionar uma vida social mais ativa, além de conquistar seu bem-estar, saúde e qualidade de vida. A demanda por locais em que as pessoas possam se entreter, comunicar e exercitar com total segurança, orientados e assistidos por profissionais e empresas especializados, como as academias de ginástica, vem aumentando.

Surgida no Brasil, em moldes comerciais, no ano de 1914, através do japonês Conde Maeda Koma, oferecendo apenas artes marciais, as academias foram evoluindo e aumentando o número de serviços. Hoje, diversas academias oferecem um vasto rol de atividades, entre elas: ginástica (nos mais diversos estilos), musculação, dança, artes marciais, capoeira, natação, spinning, pilates, corrida, escalada, etc.

Conforme cita Capinussú e Da Costa (1989, p.31), de acordo com a Resolução n.º 104963, do Ministério do Trabalho, publicada no Diário Oficial da União, de 10 de fevereiro de 1984, à página 2112, Seção I ACADEMIA pode ser conceituada como:

[...] a empresa que se dedica a ministrar cursos de ginástica, balé, danças, musculação, lutas e cultura física de modo geral, lecionados por professores diplomados em Curso Superiores de Educação Física, além da aplicação de duchas, saunas e massagens, mediante orientação de médicos diplomados em Medicina Desportiva.

Conscientes de que se trata de um mercado promissor e da crescente demanda pelo serviço de atividade física, é cada vez maior o número de empreendedores que investem nesse segmento.

Em função do crescente surgimento de academias, é necessária a aplicação do marketing para obter um diferencial e estar sólido nesse mercado disputado, uma vez que diante de toda essa oferta, os consumidores se tornaram mais exigentes. Como cita Pereira (1996, p.23) "o marketing é um importante aliado que vem revolucionando o ambiente das academias em todos os aspectos que lhe são pertinentes, e é uma nova tendência".

O marketing bem desenvolvido e eficaz é aquele que procura analisar e interagir perfeitamente, consumidor-produto. No caso das academias, os produtos são os serviços oferecidos.

De acordo com Contursi (1986) citado por Magro (2002)

Uma academia oferece 'produtos' em forma de programas de ginástica, facilidades e/ou serviços do tipo estética, luta, dança, natação, etc. Seu principal objetivo é satisfazer as necessidades de seus clientes.

É importante identificar quais são os fatores relevantes que levam as pessoas a procurarem a academia de ginástica. Quando decidem escolher uma academia é preciso averiguar se os serviços prestados satisfazem às suas necessidades, desejos e expectativas.

Atentas a essa realidade, as academias devem focar exclusivamente o aluno, orientar suas energias para oferecer um serviço de qualidade. Porém, não basta tentar atraí-lo apenas pela beleza dos professores, ou com um método exclusivo de atividade física; é necessário ter consciência que por trás de tudo, há uma empresa cercada de técnicas, máquinas e funcionários, os quais são garantia dessa qualidade.

O propósito de todo empreendimento, bens ou serviços, é criar e manter clientes satisfeitos. Um dos grandes atributos existentes no sucesso de um processo de compra está ligado ao relacionamento duradouro entre empresa e consumidor (ENGEL; BLACKWELL; MINIARD, 2000).

Desta forma, a avaliação da qualidade dos serviços prestados pelas academias de ginástica deve ser planejada e implementada, buscando efetivamente a satisfação de seus clientes e a sua fidelização.

6 metodologia

Este trabalho teve início com uma pesquisa exploratória qualitativa, que permitiu um aprofundamento sobre a qualidade em serviços e identificação dos determinantes da qualidade aplicáveis à organização de serviço em estudo. Através de uma entrevista em profundidade com clientes de academias, foi feito um levantamento de quais são os atributos relevantes que são imprescindíveis encontrar em uma qualificada academia de ginástica.

Conforme Malhotra (2006, p.163) a entrevista em profundidade é:

[...] uma entrevista não-estruturada, direta, pessoal em que um único respondente é testado por um entrevistador altamente treinado, para descobrir motivações, crenças, atitudes e sentimentos subjacentes sobre um tópico.

O instrumento de avaliação da qualidade em serviço - SERVQUAL - foi adaptado do original, com base nas informações coletadas nessa pesquisa qualitativa preliminar, e então aplicado através de uma pesquisa descritiva quantitativa aos clientes da Academia do Biocor. Essa adaptação à realidade do serviço estudado se faz necessária conforme seus idealizadores propõem para ajustar seu entendimento ao contexto específico, uma vez que pode ser aplicada numa ampla variedade de empresas de serviços.

O SERVQUAL é um instrumento composto por 22 questões que mede expectativas e percepções sobre dimensões críticas da qualidade de um determinado serviço.

As dimensões da qualidade utilizadas neste artigo estão baseadas no instrumento SERVQUAL desenvolvido por Parasuraman, Zeithaml e Berry em 1988 e são: tangibilidade, confiabilidade, segurança, sensibilidade e empatia.

Cada questão foi desenvolvida no formato de duas afirmações, uma com referência à expectativa (E) do serviço de academias de ginástica e a outra à percepção (P) da qualidade da Academia do Biocor.

Foi adotada uma escala do tipo Likert com sete pontos, sendo "1" equivalente a discordo totalmente e "7" a concordo totalmente. Todas as questões foram escritas no formato afirmativo para facilitar o entendimento e avaliação pelos alunos pesquisados.

Para verificar a aplicabilidade do modelo SERVQUAL adaptado proposto para a avaliação da qualidade do serviço foi utilizado o estudo de caso. O trabalho foi realizado na Academia do Biocor Instituto, em Nova Lima - MG. A Academia atende aos pacientes do hospital, que são encaminhados para a reabilitação física, aos funcionários e aos moradores dos bairros vizinhos.

A pesquisa foi aplicada em 16 alunos. A amostra coletada não faz parte do grupo de pacientes da reabilitação física, e os alunos escolhidos para a pesquisa são clientes importantes para a manutenção da academia e que buscam além do bem-estar, saúde e qualidade de vida, uma vida social mais ativa.

A análise estatística constou da comparação de médias de amostra relacionada utilizando a planilha Microsoft Excelâ, que serviu de apoio para calcular a medida de dispersão, as médias e o Tcalculado (Tc), obtido para cada questão para a comparação com o Ttabelado (Tt). O Tt utilizado para este trabalho é equivalente a 2,602, obtido na Tabela Student com Grau de Liberdade 15 e Nível de Significância referente a 5%.

7 resultados e discussão

A discrepância entre a expectativa dos clientes e a percepção de desempenho da Academia do Biocor pode ser verificada na Tabela 1. Nota-se que, para a maior parte das questões (12), a percepção dos clientes tem sido inferior à sua expectativa.

Tabela 1 - Teste estatístico por comparação de médias


Questão (Q)


Tt


Tc


Comparação de Tt e Tc


Necessidade

de intervenção

1 - Ótima administração


2,602


3,75


Rejeição


Sim

2 - Estrutura física adequada


2,602


3,38


Rejeição


Sim

3 - Utilização de sistemas informatizados


2,602


0,85


Aceitação


Não

4 - Espaço físico arejado, limpo, iluminado e bem sonorizado


2,602


3,79


Rejeição


Sim

5 - Higiene em todos os ambientes e materiais de ginástica


2,602


4,06


Rejeição


Sim

6 - Boa localização


2,602


-1,96


Aceitação


Não

7 - Preço justo


2,602


0,00


Aceitação


Não

8 - Estacionamento disponível para clientes


2,602


5,64


Rejeição


Sim

9 - Disponibilidade de professores formados, qualificados e atenciosos


2,602


1,60


Aceitação


Não

10 - Aceitação de serviço de personal trainner


2,602


-0,21


Aceitação


Não

11 - Incentivo a avaliação física periodicamente


2,602


1,08


Aceitação


Não

12 - Aparelhos modernos, seguros e adequados


2,602


2,93


Rejeição


Sim

13 - Manutenção constante nos aparelhos de ginástica


2,602


4,21


Rejeição


Sim

14 - Materiais adequados para a prática de atividade física


2,602


3,75


Rejeição


Sim

15 - Oferecimento de aulas diferenciadas e criativas


2,602


2,78


Rejeição


Sim

16 - Oferecimento de aula experimental


2,602


2,41


Aceitação


Não

17 - Horários convenientes


2,602


-1,38


Aceitação


Não

18 - Promoção de eventos sociais


2,602


-0,17


Aceitação


Não

19 - Comunicação ao público e propaganda


2,602


3,43


Rejeição


Sim

20 - Lanchonete


2,602


5,13


Rejeição


Sim

21 - Oferecimento de serviço de massagem


2,602


4,93


Rejeição


Sim

22 - Serviço de Reclamação do Aluno


2,602


1,04


Aceitação


Não

FONTE: Dados da pesquisa

Para a apresentação dos resultados obtidos na pesquisa, vale ressaltar que, se o valor do Tc se encontrar na região de aceitação da Hipótese nula (H0), com valor menor que +2,602 e maior que -2,602, pode-se dizer que o cliente está satisfeito com o serviço prestado pela Academia do Biocor, e se o valor do Tc se encontrar na região de rejeição de H0, com valor maior que +2,602 e menor que -2,602, deve-se haver uma intervenção gerencial, buscando melhorar a qualidade do serviço prestado.

Verifica-se que a avaliação dos alunos foi satisfatória em dez questões, sendo estas pertencentes às dimensões confiabilidade, tangibilidade, sensibilidade, segurança e empatia.

Na dimensão Confiabilidade, os alunos avaliam que na Academia existe registro preciso de seus dados com a utilização do sistema informatizado (Q3), uma relação preço x benefício (Q7) satisfatória, um incentivo à avaliação física periódica (Q11) que garante uma prática de atividade física segura e interesse em ouvi-los através do Serviço de reclamação do aluno (Q22).

Quanto à dimensão Tangibilidade a satisfação dos alunos restringe-se à boa localização da Academia (Q6). Isto se deve ao fato dos pesquisados serem funcionários e moradores dos bairros vizinhos.

A dimensão Sensibilidade tem um ponto forte para a empresa na avaliação dos alunos referente ao oferecimento de aula experimental (Q16), comprovando que a Academia está pronta para servir se o aluno realmente se identificar e adaptar ao serviço oferecido.

Os alunos avaliam a dimensão Segurança satisfatória quanto à disposição de funcionários formados, qualificados e atenciosos (Q9). Ter uma equipe formada por profissionais assim caracterizados garante tranqüilidade e confiança aos alunos na execução de suas atividades físicas.

Todas as questões consideradas dentro da dimensão Empatia apresentaram satisfação dos alunos. Eles percebem cuidados e atenção individual da empresa, conforme avaliado nas questões de serviço de personal trainner (10), oferecimento de horários convenientes para todos os alunos (Q17) e promoção de eventos sociais (Q18).

Como existem vários itens que causam insatisfação na qualidade dos serviços da Academia do Biocor, é imprescindível a análise e intervenção em cada questão que gera alta expectativa dos alunos em relação ao serviço prestado e que está apresentando baixo desempenho.

Deste modo, na dimensão Segurança o item Ótima administração (Q1) precisa de atenção especial da administração da academia que deve focar mais o cliente, de forma que haja uma maior interação, consideração e troca de informações. A questão Manutenção constante nos aparelhos de ginástica (Q13) julgada insatisfatória pelos alunos não é realidade na Academia, e para reverter esta avaliação as informações dentro da academia precisam ser mais disseminadas.

Referindo-se à dimensão Sensibilidade, a Academia deve avaliar a importância do Oferecimento de aulas diferenciadas e criativas (Q15) e Oferecimento de serviço de massagem (Q21) através de uma pesquisa mais específica sobre o assunto, uma vez que não possui profissionais, equipamentos e salas disponíveis.

A dimensão Tangibilidade teve maior incidência de questões que foram avaliadas insatisfatórias. A seguir encontram-se as intervenções gerenciais sugeridas pela pesquisadora em relação às questões dessa dimensão.

Para atuar sobre o problema da Estrutura física adequada (Q2), Espaço físico arejado, limpo, iluminado e bem sonorizado (Q4), Aparelhos modernos, seguros e adequados (Q12), Materiais adequados para a prática de atividade física (Q14), uma opção é a empresa verificar a possível existência de falta e/ou modernização de equipamentos de ginástica, iluminação e som adequados ao ambiente.

A questão Higiene em todos os ambientes e materiais de ginástica (Q5) pode ser melhorada com ampliação do turno de trabalho do funcionário existente ou remanejamento de outro funcionário, dentro das possibilidades de custeio da Academia, para que seja suficiente a limpeza do local das atividades físicas durante os três períodos de funcionamento.

Considerando o valor de Tc elevado e de destaque da questão Estacionamento disponível para clientes (Q8), recomenda-se providenciar local adequado para que os alunos estacionem sem tarifa.

A Academia do Biocor tem uma Comunicação ao público e propaganda (Q19) quase inexistentes, porém para gerar credibilidade aos alunos e construir uma imagem sólida da empresa ela deveria investir em informativos internos e propagandas em outdoor em seus arredores, a partir de um estudo de viabilidade financeira da empresa.

A insatisfação com a questão Lanchonete (Q20) pode ser resolvida com a instalação de uma mini-lanchonete terceirizada, minimizando os custos para a Academia e oferecendo alimentação saudável para seus alunos durante todo período de funcionamento das atividades.

8 conclusão

O objetivo do artigo foi alcançado, uma vez que foi possível avaliar a qualidade dos serviços da Academia do Biocor, destacando os itens que os alunos julgam estar satisfeitos e insatisfeitos.

Considerando a dimensão Confiabilidade, consistentemente mostrada como a dimensão mais importante segundo os estudiosos, os alunos julgaram estar satisfeitos com todas as questões, desde a utilização de sistema informatizado, preço justo, incentivo à avaliação física até o serviço de reclamação do aluno. Isto significa que os alunos percebem que a Academia presta serviço de forma confiável e cuidadosa.

A partir dos resultados obtidos e análise dos dados, conclui-se que questões que geraram insatisfação e que merecem melhoria urgente referem-se às seguintes dimensões:

- Segurança: referente à Administração (Q1).

- Tangibilidade: referente a Aparelhos modernos, seguros e adequados (Q12), Higiene em todos os ambientes e materiais de ginástica (Q5) e Estacionamento (Q8).

Para a Academia do Biocor atender as expectativas de seus alunos é preciso que as sugestões de melhorias sejam implementadas pela organização buscando solucionar os pontos críticos apontados com relação à qualidade do serviço oferecido.

Pode-se concluir que a Academia do Biocor deve ter ações de melhoria, porém as questões que demandam investimento precisam ser analisadas e planejadas previamente.

REFERÊNCIAS BILIOGRÁFICAS

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PEREIRA, Marynês Monteiro Freixo. Academia! Estrutura Técnica e Administrativa. Rio de Janeiro: Editora Sprint, 1996. 199 p.

Daiane Miranda de Freitas é Graduada em Administração na UFV e aluna do Curso de Especialização em Marketing e Comunicação do Uni-BH.

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Orientação para vendas

Sexta, 23 de Março de 2007
Atualmente, pode-se ver a mesma empresa praticando diferentes filosofias de marketing ao redor do mundo e ver empresas usando filosofias diferentes do marketing em um mesmo mercado: Orientação para produção, Orientação para produto, Orientação para vendas, Orientação para cliente, Orientação de Marketing Socialmente Responsável e Orientação para Marketing Holístico.

A Orientação para Vendas significa que o propósito da empresa é vender o que fabrica e não vender o que o mercado (o cliente) deseja, ou seja, a preocupação com o curto prazo, não se interessando se o cliente ficou ou não satisfeito.

A partir do início do século XX e, sobretudo, após a Primeira Guerra Mundial, a venda se tornou uma preocupação essencial para a maioria das empresas. Esse tipo de orientação durou de 1900 a 1949, cuja ênfase era o desenvolvimento de técnicas de vendas para escoar o grande número de produtos produzidos e que não encontravam um mercado cativo ou permanente, ou seja, é a concentração das atividades de marketing na venda dos produtos disponíveis. O motivo principal desta evolução foi o começo da sociedade da abundância (affluent society) e o cliente, solicitado por múltiplos produtores que lhe ofereciam, em quantidades praticamente ilimitadas, os seus bens e serviços, tornou-se para as empresas o recurso mais importante.

Nesta época começaram a aparecer os primeiros sinais de excesso de oferta e os fabricantes preocuparam-se em produzir em série. Assim, a oferta superou a procura e os produtos acumularam-se em estoques, o que levou algumas empresas a usar técnicas de vendas bem mais agressivas, ou seja, a ênfase na comercialização das empresas era totalmente dirigida às vendas, em termos de um esforço agressivo de venda e promoção. A orientação para venda significa que o propósito da empresa é vender o que fabrica e não vender o que o mercado (o cliente) deseja, ou seja, a preocupação com o curto prazo, não se interessando se o cliente ficou ou não satisfeito.

Infelizmente, muitas empresas ainda se orientam para vendas, e a conseqüência disso é que as pessoas freqüentemente identificam marketing com venda agressiva e propaganda, o que é uma grande inverdade, pois a venda é apenas um aspecto do marketing! As técnicas de produção fizeram e fazem ainda tais progressos e os capitais são abundantes, fazendo com que a capacidade de produção da maior parte das empresas esteja limitada apenas pelas suas capacidades de venda.

Há ocasiões em que uma orientação para vendas é adequada. Exemplo: as lojas às vezes têm um excesso de oferta de mercadorias antigas e, para vendê-las, baixam o preço para criar procura. Outro exemplo: um médico pode tentar vender a seus pacientes a idéia de se exercitarem regularmente e comerem alimentos mais nutritivos para ficarem mais saudáveis. No entanto, os clientes/pacientes podem não querer fazer isso ou achar que não precisam disso para sobreviver, porém o médico pode acreditar que 'vender' essa idéia seria bom e para isso vai tentar convencer os pacientes a mudar suas atitudes.