Tom Coelho
Segunda, 4 de Agosto de 2008
"Faça de seu corpo um lugar melhor para viver." (Sylvia Duailibi)
O advento das Olimpíadas de Pequim poderá suscitar-lhe desde o interesse em invadir madrugadas para acompanhar o desempenho dos atletas brasileiros até a curiosidade por conhecer algumas modalidades esportivas. Mas o melhor efeito colateral será despertar em você o desejo por exercitar-se.
Embora a atividade física seja muitas vezes praticada com finalidade estética, por proporcionar a redução do peso corporal, é em verdade um poderoso instrumento de prevenção da saúde, propiciando o aumento da capacidade respiratória, circulatória e da densidade óssea (combate à osteoporose), além de atenuar os índices de estresse e ansiedade, contribuir com a criatividade e a memória, e promover a elevação da autoconfiança e da auto-estima.
Nossos ancestrais precisavam caminhar em busca do alimento, obtendo-o através da caça, pesca ou coleta. O desenvolvimento da sociedade criou a figura do sedentário, ou seja, daquele que produz seu sustento trabalhando sentado. Hoje, praticamos o sedentarismo com naturalidade, enxergando o movimento como supérfluo. Deslocamo-nos sobre rodas, caminhamos por esteiras e escadas rolantes, usamos controles remotos. Substituímos jogos ao ar livre por videogames, passeios pela televisão.
Para a prática esportiva há dois pré-requisitos básicos: prazer e regularidade. E um decorre do outro.
O primeiro passo é descobrir uma atividade alinhada ao seu perfil de modo que a pratique de forma despretensiosa. Você até poderá competir em torneios, participando de ligas segmentadas por sexo e idade, conquistando troféus e medalhas e cultivando novas amizades. Porém, atente para não fazer da busca pela excelência um fim em si mesmo ou o prazer poderá dar lugar à angústia e à frustração. Esta é uma atribuição para esportistas profissionais.
O condicionamento do corpo pode ser realizado em academias, em casa ou em áreas públicas. Você pode optar por atividades aeróbias (corrida, bicicleta, esteira), aquáticas (natação, hidromassagem), de resistência muscular (musculação) ou para flexibilidade (alongamento, yoga).
Seqüências preliminares de alongamento são essenciais. A elasticidade muscular prepara o corpo para a atividade física, permitindo que todo seu potencial seja alcançado, evitando o encurtamento dos músculos, o que acarreta acúmulo de tensão e dores intensas, em especial na musculatura da coluna para quem permanece por longos períodos na mesma posição, como em frente ao computador ou dirigindo.
Alongue-se antes e depois da atividade física. Antes, para se aquecer; depois, para relaxar a musculatura.
Quando em exercício, concentre-se no que está fazendo. Isso significa não ficar lendo enquanto pedala na bicicleta, ouvindo música enquanto caminha ou vendo TV enquanto corre na esteira. O foco de sua atenção deve estar na atividade. Sinta sua movimentação muscular, acompanhe sua respiração.
Nada de praticar exercícios em locais com poluição intensa, como ruas e avenidas movimentadas. Prefira horários com menor tráfego, áreas arborizadas quando disponíveis ou deixe para se exercitar em casa. Fuja também do calor excessivo, para não sofrer desidratação, beba água e isotônicos, e utilize roupas leves que facilitem a transpiração, bem como calçados adequados.
Coma uma pequena porção de algum alimento rico em carboidrato trinta minutos antes das atividades físicas. Isso vai melhorar seu rendimento. E nunca se exercite em jejum para evitar hipoglicemia, cãibras e arritmias causadas pela queda de potássio no sangue.
Meça a freqüência cardíaca em repouso pela manhã, após os treinamentos. Caso observe sua elevação, isso pode indicar que a atividade física está sendo realizada em excesso.
Por fim, a regularidade traz mais benefícios à saúde do que a intensidade da atividade física. O ideal seriam trinta minutos diários de atividade. Mas você pode optar pela prática duas ou três vezes por semana.
Seja paciente com seu corpo, ouça sua respiração e monitore sua freqüência cardíaca. E, faça uma avaliação cardiovascular, respiratória e ortopédica antes de iniciar qualquer atividade física, incluindo um teste ergométrico conduzido por um cardiologista habilitado. Assim você alcançará o melhor dos títulos: o de campeão em saúde!
|
Charlyton Vasconcelos
Segunda, 28 de Julho de 2008
A administração é pertinente a todo o tipo de empreendimento humano que reúne, em uma única organização, pessoas com diferentes saberes e habilidades, sejam vinculados às instituições com fins lucrativos ou não. A administração precisa ser aplicada aos sindicatos, às igrejas, às universidades, aos clubes, agências de serviço social, tanto como nas empresas, sendo responsável pelos seus desempenhos.
Segundo Drucker (2001), os administradores que entenderem os princípios essenciais da administração e trabalharem por eles orientados, serão bem-formados e bem-sucedidos.
A administração trata dos seres humanos. Sua tarefa é capacitar as pessoas a funcionar em conjunto, efetivar suas forças e tornar irrelevantes suas fraquezas. É disso que trata uma organização, e esta é a razão pela qual a administração é um fator crítico e determinante. Hoje em dia, praticamente todos nós somos empregados por instituições administradas, grandes ou pequenas, empresariais ou não. Dependemos da administração para nossa sobrevivência. E a nossa capacidade de contribuição à sociedade também depende tanto da administração das organizações em que trabalhamos quanto de nossos próprios talentos, dedicação e esforço.
 A administração está profundamente inserida na cultura, porque ela trata da integração das pessoas em um empreendimento comum. O que os administradores fazem na Alemanha Ocidental, no Reino Unido, nos EUA, no Japão, ou no Brasil é exatamente o mesmo. Como eles fazem é que pode ser bem diferente. Assim, um dos desafios básicos que os administradores enfrentam em países em desenvolvimento é descobrir e identificar as parcelas de suas próprias tradições, história e cultura que possam ser usadas como elementos construtivos da administração. A diferença entre o sucesso econômico do Japão e o relativo atraso da Índia é explicado em grande parte, porque os administradores japoneses conseguiram transplantar conceitos administrativos importantes para seu próprio solo cultural e fazê-los crescer.
Toda empresa requer compromisso com metas comuns e valores compartilhados. Sem esse compromisso não há empresa, há somente uma turba. A empresa tem de ter objetivos simples, claros e unificantes. A missão da empresa tem de ser suficientemente clara e grande para promover uma visão comum. As metas que a incorporam devem ser claras, públicas e constantemente reafirmadas. A primeira tarefa da administração é pensar, estabelecer e exemplificar esses objetivos, valores e metas.
A administração deve também capacitar a empresa e cada um de seus componentes a crescer e se desenvolver à medida que mudem necessidades e oportunidades. Toda empresa é uma instituição de aprendizado e de ensino. Treinamento e desenvolvimento precisam ser instituídos em todos os níveis da sua estrutura - treinamento e desenvolvimento incessantes.
Toda empresa é composta de pessoas com diferentes capacidades e conhecimento, que desempenham muitos tipos diferentes de trabalho. Deve estar ancorada na comunicação e na responsabilidade individual. Todos os componentes devem pensar sobre o que pretendem alcançar - e garantir que seus associados conheçam e entendam essa meta. Todos têm de considerar o que devem aos outros - e garantir que esses outros entendam. E todos têm de pensar naquilo que eles, por sua vez, precisam dos outros - e garantir que os outros saibam o que se espera deles.
Nem o nível de produção nem a "linha de resultados" são por si sós, uma medição adequada do desempenho da administração e da empresa. Posição no mercado, inovação, produtividade, desenvolvimento do pessoal, qualidade, resultados financeiros, todos são cruciais ao desempenho de uma organização e à sua sobrevivência. Também as instituições não-lucrativas precisam de medições em algumas áreas específicas às suas missões. Tanto quanto um ser humano, uma organização também necessita de diversas medições para avaliar sua saúde e seu desempenho. O desempenho tem de estar entranhado na empresa e na sua administração; precisa ser medido, ou ao menos julgado, além de ser continuamente melhorado.
Finalmente, a única e mais importante coisa a lembrar sobre qualquer empresa é que os resultados existem apenas no exterior. O resultado de uma empresa é um cliente satisfeito. O resultado de um hospital é um paciente curado. O resultado de uma escola é um aluno que aprendeu alguma coisa e a coloca em funcionamento dez anos mais tarde. Dentro.
A administração para Drucker (2002) é considerada como uma "arte liberal". É "arte" porque, como vimos, é prática e aplicação e é "liberal" porque trata dos fundamentos do conhecimento, autoconhecimento, sabedoria e liderança. As origens do conhecimento e das percepções estão nas ciências humanas e sociais, nas ciências físicas e na ética, que devem estar focados sobre a eficiência e os resultados das organizações.
Categorias:
Administrador, Administração de Empresas, Peter Drucker, Empresa, Organização, Posição no Mercado, Inovação, Produtividade, Desenvolvimento do Pessoal, Qualidade, Resultados Financeiros,
|
Tom Coelho
Quarta, 9 de Julho de 2008
"Necessário é que se reformem as instituições humanas. Isso depende da educação.
Não da educação que faz homens instruídos, mas daquela que forma homens de bem."
(Allan Kardec)
Primeiro foi o "RH Operacional", um velho conhecido dos profissionais da
área. Trata-se do lendário DP, ou Departamento de Pessoal, berço dos
recursos humanos, vinculado a questões meramente burocráticas. Um legado
getulista, das conquistas perpetradas pela CLT e das garantias constitucionais.
Depois surgiu o "RH Gerencial", com foco nas pessoas, recebendo inclusive
denominações como "talentos humanos" ou "gestão de pessoas". O intuito era
valorizar o "capital humano" como grande diferencial competitivo.
Mais recentemente entrou em cena o "RH Estratégico", uma versão com
título pomposo e finalidade de aproximar o departamento das decisões
corporativas, deixando de ser mero coadjuvante.
Estas três visões de RH coexistem, embora o operacional, eminentemente técnico,
viceje na maioria das empresas. Se o gerencial humanizou as corporações, o
estratégico voltou a distanciá-las das pessoas, diante da preocupação com o
negócio e o resultado traduzido pelo azul na última linha do balanço.
Ainda que harmonizar estes três papéis seja um caminho digno de ser perseguido,
um quarto propósito necessita ser considerado. Eu o chamo de "RH Educador" e seu
preceito básico é instruir os colaboradores não apenas para a empresa, mas para
a vida.
A razão é simples. Educar para a empresa contempla o justo objetivo de buscar a
lucratividade. E educar para a vida respeita os imperativos individuais e
sociais, suprindo um vácuo há muito deixado pelas instituições públicas e
continuamente absorvidas pelas organizações privadas.
São missões deste RH Educador promover a qualidade de vida, mediante refeições
nutricionalmente balanceadas e campanhas permanentes de combate ao alcoolismo,
tabagismo e outras drogas. Desenvolver competências técnicas, comportamentais,
relacionais e valorativas através de programas de treinamento em todos os níveis
hierárquicos. Estimular atividades culturais e práticas de responsabilidade
socioambiental. Ensinar planejamento financeiro para o bom equilíbrio do
orçamento familiar. E estes são apenas alguns exemplos.
O RH não é mais ou menos importante do que qualquer outra divisão dentro de uma
companhia, mas igualmente relevante, dentro de uma visão sistêmica. Porém, é o
único que pode ser o esteio de transformações edificantes, porque não usa
cimento e areia, números e dados como matéria-prima, mas corações e mentes.
|
Jerônimo Mendes
Segunda, 17 de Março de 2008
De acordo com o escritor e historiador português João Pedro Ribeiro que viveu no Século XIX, doutor em Cânones pela Universidade de Coimbra, a palavra "diploma" é originária do grego e significava o conjunto de duas tabuinhas ou, em tempo futuro, de duas placas de bronze ligadas entre si, sobre as quais os romanos transcreviam o texto das constituições imperiais toda vez que se atribuía o direito de cidadania a um militar que se distinguia por seus feitos honrosos.
Na Grécia Antiga, a palavra diploma significava basicamente um pedaço de papel (papiro ou pergaminho), dobrado em duas partes. O diploma era utilizado como salvo-conduto para os funcionários públicos se locomoverem de um local para outro, uma espécie de passaporte nos dias de hoje. Gaius Suetónius Tranquillus, historiador latino do Século I, classificava como diploma "todos os atos imperiais divulgados em forma de documento dobrado em duas partes".
A partir da queda do Império Romano até o período da idade Média, também conhecida como Idade das Trevas, o termo diploma caiu em desuso. Com o fim da Idade Média, os humanistas, sobretudo os historiadores, ressuscitaram o vocábulo, praticamente ignorado durante esse período, levando-se em conta, por imposição da Igreja Católica, que somente os Padres, Bispos, Papas e religiosos nomeados por eles tinham livre acesso ao conhecimento.
Durante o Renascimento as universidades passaram a utilizar o termo como certificado de conhecimento, conferido por uma instituição de respeito em virtude dos ensinamentos adquiridos por alguém e com o devido reconhecimento de quem lhe conferiu o saber. Do Renascimento em diante, a palavra diploma passou a designar, num sentido genérico, todo o ato escrito que assenta num formulário e que deriva de uma chancelaria, eclesiástica ou civil, ou aquele que foi lavrado por determinação ou intervenção de uma instituição qualificada.
Até a metade do século passado, o diploma era símbolo de status e de reconhecimento conferido para poucos privilegiados. Em 1890, o Brasil contava com apenas 2.300 estudantes matriculados em escolas de nível superior. Antes disso, as instituições de ensino superior eram de origem católica ou criadas pelas elites locais, em geral apoiadas por governos estaduais ou instituições privadas com prioridade na disseminação de conhecimento para os próprios "filhinhos de papais", de políticos e outros apadrinhados.
A partir da Constituição Federal de 1891 - que descentralizou o ensino superior, delegou-o para os governos Estaduais e permitiu a criação de instituições privadas - o ensino recebeu uma nova conotação e cresceu de forma vertiginosa. Em 1915, o número de alunos matriculados somava mais de 10 mil. Em 1930, quase 20 mil. Em menos de 20 anos foram criadas 27 novas instituições de ensino superior no país. E saiba que a gratuidade no ensino público superior foi instituída somente a partir de 1950.
De acordo com o relatório Mapa do Ensino Superior Privado, de autoria da Professora Doutora Gladys Beatriz Barreyro, divulgado pelo INEP - Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, em 2004 o Brasil contava com mais de 4 milhões de alunos matriculados em mais de 2000 instituições de ensino superior, públicas e privadas, tais como: universidades, centros universitários, faculdades, faculdades integradas, institutos e centros de educação tecnológica.
A rede de ensino superior no Brasil oferece anualmente em torno de 2.500.000 vagas, de norte a sul do país, distribuídas por mais de 18.600 mil cursos de graduação presenciais, para todos os gostos, rendas e classes, sem contar ainda os cursos de ensino à distância reconhecidos pelo Governo Federal. Trata-se de uma verdadeira indústria do diploma, um símbolo de prestígio muito perseguido nas duas últimas décadas do século passado.
Algumas palavras do meu pai permanecem vivas ainda hoje na minha mente. Eu devia ter uns dez ou doze anos de idade e não cansava de ouvi-lo repetir: - estude, meu filho, estude, para conseguir um diploma, arranjar um bom emprego e gozar de todos os benefícios para o resto da sua vida. E assim ocorreu durante vinte e quatro anos, desde o primeiro ano do ensino fundamental até a conclusão do mestrado.
Naquela época o segundo grau era mais do que suficiente. Nos dias de hoje, até mesmo um diploma de doutor não garante a sobrevivência. Ao contrário, quanto maior o título, menor a possibilidade de conquistar uma vaga no mercado de trabalho que busca a simplicidade para enxugar custos e garantir a competitividade no mundo globalizado.
Quando eu concluí o segundo grau, me disseram que era necessário curso superior. Depois de apresentar o diploma da faculdade fui aconselhado a buscar uma especialização. Paralelamente, me exigiram inglês, espanhol e outros cursos de desenvolvimento pessoal e profissional. Agora me dizem que o mandarim está na moda e vale a pena arriscar umas palavras em chinês por conta da globalização e do crescimento econômico da China.
Até há pouco tempo eu imaginava que isso não tinha limites. Depois de tudo isso, a tendência é voltar ao passado, pois não há espaço nem reconhecimento para tantos graduados, especialistas, mestres, doutores e pós-doutores no mercado de trabalho. Um diploma de técnico é mais do que aconselhável no momento em que o "espetáculo do crescimento econômico" tende a fazer alegria dos bancos, das indústrias e do comércio em geral.
O Brasil transborda de filhos da Geração Diploma, a geração estimulada a correr atrás de um canudo a partir da década de 1980 pelo fato de as grandes empresas, principalmente multinacionais, restringirem o acesso de profissionais sem curso superior aos cargos de liderança. Por conta da falta de diploma, milhares de profissionais perderam o emprego e milhares de diplomados foram contratados pela metade do salário, ainda que a qualidade do ensino seja questionável, mas o fato é que diploma traduz esforço e, supostamente, competência.
A questão mais intrigante vem depois da conquista do diploma: e agora, o que é que eu faço com isso? Outras questões serão o martelo da sua consciência onde quer que você vá, em cada projeto que você participa, em cada entrevista de emprego, em cada momento em que você é submetido a um teste de integridade, quando se vê obrigado a provar ao mundo que o seu diploma tem valor e o esforço de tantos anos não foi em vão.
Conquistar um diploma é o sonho de consumo da juventude globalizada e, obviamente, um objetivo importante a ser perseguido. Entretanto, mais importante que a obtenção de um diploma é escolher a profissão que reflete a sua verdadeira vocação. Assim, quando o canudo vier, você poderá rir do sofrimento acumulado durante quatro a seis anos de estudo, além de vislumbrar um futuro promissor dentro da profissão que escolheu e aprendeu a amar por conta de um diploma que lhe conferiu, além do título, sentido de realização.
Um simples diploma não garante o sucesso de ninguém, mas a dedicação existente por trás de um diploma faz muita diferença. É a dedicação, e não o título, que vai atestar a sua capacidade de realização no mundo.
|
Jerônimo Mendes
Segunda, 3 de Março de 2008
Durante muito tempo você foi o queridinho do chefe e todas as suas idéias eram extremamente bem-vindas. Algumas eram até aplaudidas, pois sempre chegavam num momento em que a sua área estava sob a mira da diretoria e, graças a uma nova idéia - sua, é óbvio, afinal, você ama o trabalho e não pensa em outra coisa - seu chefe sobreviveu e você também embora ele tenha copiado sua idéia descaradamente. Ele até falou em off para você: - fique tranqüilo, estamos juntos nessa!
Entretanto, de um tempo para cá, seu chefe anda meio macambúzio e, por alguma razão, adivinhe, ele se tornou menos acessível e evita olhar nos seus olhos ainda que a conversa entre vocês seja inevitável. De fato, ele sempre arranja tempo para todo mundo, inclusive para os seus subordinados, menos para você, e quando você parte para o contra-ataque e decide arrancar aquele tão esperado feedback, recebe o misterioso chavão: - hoje não dá, conversaremos mais adiante, quando chegar a hora.
Resignado, você volta para a mesa de trabalho e continua firme no micro quando aparece a secretária com aquele sorriso sarcástico acompanhado de notícia ruim: - o chefe disse que o relatório está uma porcaria e se você não tem condições de fazer algo melhor, avise. No fundo você quer pegá-lo pelo pescoço e atirá-lo do décimo andar, o relatório, não o chefe, porém agüenta firme, olha para o relógio e pensa positivamente: bom, são apenas 19 horas, posso ficar um pouco mais e dar um jeito nisso ainda hoje.
O dia termina e você vai para casa, abraça a esposa, dá um beijo nas crianças e, obviamente, todos notam que você não está feliz embora disfarce com aquele sorriso amarelado para não trazer mais preocupação do que o necessário, porém você lembra que é humano e as emoções, positivas ou negativas, são parte integrante da natureza humana.
Enquanto todos dormem você passa a noite absorvendo as grandes lições de Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas, do inesquecível Dale Carnegie, enquanto sua consciência trabalha desesperadamente para mudar de idéia: não é comigo, eu mereço ser feliz, vai passar, Deus é pai, eu me amo, eu me aprovo, adoro meu chefe, eu sou bom, meu nome é trabalho e tantos outros mantras que você se propõe a repetir durante o trajeto de casa para o trabalho a fim de se sentir confiante e mais animado para o dia seguinte, afinal, chefe também tem lá o seu inferno astral e, se Deus quiser, amanhã será mais tranqüilo.
Ao chegar ao estacionamento você percebe que sua vaga está muito bem ocupada por outro veículo. Por certo, algum desavisado deve ter colocado o carro no seu lugar. Ao consultar o vigia, ele sorri e delicadamente sugere que você estacione em outro local. Você esbraveja, elogia a mãe do chefe, que nada tem a ver com isso, e segue normalmente para a entrada do edifício depois de caminhar mais de duzentos metros debaixo de chuva, entretanto, o importante é ter chegado no horário.
Pacientemente, depois de espremer a água da barra da calça no cesto de lixo, você liga o micro e percebe que a senha de acesso foi alterada sem o seu conhecimento. Depois de algumas justificativas sem pé nem cabeça por parte do pessoal da informática, alguém decide liberar uma senha provisória enquanto você tenta convencer a si mesmo que a mesma foi digitada incorretamente três vezes, é óbvio, portanto, o computador foi bloqueado.
Aos poucos você se deu conta de que um dos subordinados não está na sala e ao perguntar por ele, outra decepção. Acredite ou não, ele foi convidado para uma reunião com o seu chefe. - Mas como? Você vai tirar satisfações com a secretária e questiona o fato de não ter sido convocado. A resposta está na ponta da língua: - você não estava na sala e chefe não pode esperar. De qualquer forma, você sugere participar da reunião e é imediatamente barrado pela primeira dama da empresa: - nem pensar, my friend, você não foi convidado.
Quando a reunião termina você está no banheiro e, por coincidência, entra o chefe, cantarolando. A fim de aproveitar a presença do magnânimo, você dispara: - chefinho, da próxima vez eu quero ser chamado para a reunião, afinal, ainda sou o responsável pelo departamento, ou não sou? Outra resposta, ou melhor, outra pergunta cruel: - por acaso você está querendo me desafiar?
De fato, você se convence que a situação não é boa. Há tempos você está se sentindo isolado, tem almoçado sozinho, os colegas não são mais os mesmos e você é o último a tomar conhecimento dos fatos. Aliás, faz tempo que você não recebe uma nova missão e suas idéias são literalmente engavetadas. No sábado houve mais um churrasco na casa do chefe e você não foi convidado nem para lavar os espetos. Para completar, a apenas um ano da aposentadoria, você foi convidado a trabalhar no interior do Acre, com direito a 3% de aumento. Mudança por sua conta, é claro. Todo encontro com o chefe desperta um sentimento profundo de depressão e a certeza de que o amanhã nunca será como antes.
Qualquer um dos fatos mencionados exala um cheiro inconfundível de fritura exposta no ar. Fritura é uma maneira deselegante, cruel, desleal, por vezes criminosa, de as empresas eliminarem alguém do mundo corporativo. Digamos que é uma espécie de BBC - Big Brother Corporativo, onde o chefe passa a te odiar, por alguma razão, e os colegas te invejam, mas dizem que te amam e torcem por você, apenas para se proteger, ficar com a sua vaga e livrar-se do próximo paredão.
A expressão fritura é ligeiramente grotesca, mas continua em voga na maioria das corporações, públicas e privadas, apesar dos generosos investimentos em treinamento e desenvolvimento de lideranças. Está diretamente associada à falta de transparência e de respeito pelo ser humano. A demissão pura e simples soa mais prática e menos dispendiosa, para ambos os lados.
Se um dia ocorrer contigo, não esmoreça e lute até o fim. Existem várias maneiras de se defender e amenizar o calor da fritura embora na maioria dos casos o desfecho seja irreversível. Quando a situação lhe parecer insustentável, faça um favor a si mesmo e tome a atitude mais louvável que alguém pode tomar numa situação como essa: mude enquanto é tempo. Existem inúmeras empresas onde a sua energia, o seu tempo e o seu talento serão mais bem aproveitados. Por fim, as palavras de Albert Camus, escritor e filósofo francês, são muito apropriadas para encerrar o tema: "não existe dignidade no trabalho quando nosso trabalho não é aceito livremente".
|
| |