Theodore Levitt, professor de Administração de empresas da Universidade de Harvard, escreveu em 1979 o artigo Marketing Success Through Differentiation (Sucesso no Marketing Através da Diferenciação), onde apresentava o conceito de níveis do produto.

O primeiro nível seria o produto básico ou genérico. "Para o comprador em potencial, o produto constitui um agrupamento complexo de satisfações de valor. A coisa genérica não é em si o produto; é meramente, como no pôquer, as apostas sobre a mesa - o mínimo necessário, no início, para dar ao produto uma chance de participar do jogo. É jogando que se obtêm os resultados, e em negócios isto significa conquistar e manter clientes", afirma.
DIFERENCIAIS COM PRAZO DE VALIDADE
Depois, vem o produto esperado, representando as condições mínimas de compra do produto - uma série de atributos e condições que os compradores normalmente esperam ao realizar a compra. Para ele, o consumidor, individual ou industrial, nunca compra apenas o produto genérico. Isso porque o mínimo de diferenciação já eleva o produto ao nível de produto esperado.

Em seguida, aparece o produto ampliado, que excede as expectativas do cliente, com diferenciais em relação ao produto esperado. E, por fim, o produto potencial, abrangendo todas as possíveis ampliações e transformações a que o produto possa sofrer no futuro.

Contudo, como afirma Sergio Zyman, ex-Diretor de Marketing da Coca-Cola, "infelizmente, a preferência do cliente tem prazo de validade: a preferência de hoje se torna o preço de entrada de amanhã".

Em termos mais práticos, isso significa que o produto ampliado de hoje, torna-se o produto esperado de amanhã. O diferencial de mercado do presente será apenas o pré-requisito do futuro. E a distância entre ambos é cada vez menor. Pense, por exemplo, na evolução do telefone celular, dos microcomputadores, do acesso a internet, dos produtos eletrônicos em geral.

As empresas devem constantemente avaliar o mercado, a concorrência e o comportamento dos consumidores para analisar e compreender quais são os reais diferenciais de mercado, o que os consumidores enxergam atualmente como produto esperado e produto ampliado e posicionar o seu produto ou serviço da maneira mais adequada. Mas não existe um limite ou uma linha de chegada. É um processo cíclico e permanente. "Marcas são como músculos: exercite-os, alongue-os e mantenha-os em movimento, e eles terão uma vida mais longa e saudável. Deixe que eles fiquem sedentários, e eles atrofiarão", afirma Sergio Zyman.