Jerônimo Mendes
Segunda, 28 de Janeiro de 2008
É impossível acreditar que o ser humano seja fruto do acaso ou que alguns nasceram para sofrer e outros para ser felizes. Esse pensamento é típico da Idade Média, mais ou menos até o século XIV, quando algumas seitas rebeldes e contrárias à posição da Igreja Católica, começaram a quebrar a premissa bíblica do castigo associado ao trabalho e, embora entendessem o trabalho como uma tarefa "penosa e humilhante", o mesmo devia ser procurado como penitência para o "orgulho da carne".
Durante o período do Renascimento, quando o homem deixou de ser um animal teórico para se tornar um sujeito ativo, constituinte e criador do mundo, as razões para trabalhar passaram a estar no próprio trabalho e não fora dele, por gosto pessoal e afinidade. Dessa forma, o trabalho já não recaía somente sobre os escravos e, portanto, era uma questão de opção ou aceitação, ou até mesmo de predestinação, também para os homens livres.
Matinho Lutero, líder da Reforma Protestante, foi quem desassociou esse conceito equivocado do trabalho ligado ao castigo, à tortura e à predestinação do ser humano. Ele entendeu o trabalho como a base e a chave da vida, portanto, a profissão passou a resultar de uma vocação, sendo o trabalho o caminho religioso para a salvação. Assim, o trabalho passou a ser entendido como uma virtude. Aliás, segundo Max Weber, foi Lutero quem desenvolveu o conceito de vocação - no sentido de uma tarefa de vida, de um campo definido a trabalhar - ao longo da primeira década de sua atividade como reformador.
E o que tudo isso tem a ver com você? Há um bocado de gente que se diz feliz fazendo coisas muito distantes da sua real natureza. Pessoas que sorriem durante o dia e choram durante a noite ao lembrar que, no dia seguinte, devem voltar a fazer algo detestável e sem sentido, pessoas cuja segunda-feira é um martírio e sexta-feira é pura alegria.
Durante minhas palestras costumo brincar que se alguém levanta na segunda-feira pela manhã, indignado e já pensando na sexta, possivelmente está no lugar errado. Alguns me olham desconfiados, outros indignados, porém a maioria começa a refletir sobre a sua real situação e volta para casa cabisbaixa, pensativa e disposta a mudar essa realidade. O problema é que no dia seguinte você estará no mesmo lugar, convivendo com as mesmas caras, o mesmo chefe e os mesmos objetivos, a menos que você comece a reavaliar profundamente suas habilidades, características e virtudes que o levarão a produzir mudanças significativas no modo de pensar e agir. E isso poderá ocorrer no mesmo local onde você se encontra, sem necessariamente ter que mudar de emprego ou de profissão.
Gosto muito do Emerson, pensador americano e profundo conhecedor da alma humana, quando diz: "Todo homem tem sua própria vocação. O talento é a vocação. Há uma direção em que todo o espaço está aberto para ele. Ele tem faculdades que silenciosamente o atraem naquela direção em um esforço sem fim. Ele é como um navio em um rio; obstáculos vêm em sua direção de todos os lados, exceto um; daquele lado todos os obstáculos são retirados e ele desliza serenamente sobre um canal que se aprofunda, até um mar sem limites."
Talvez você esteja se perguntando, todos os dias, quando chega ao local de trabalho ou depois de uma discussão acalorada com o chefe: o que eu estou fazendo aqui? Se isto for verdade, comece a traçar um plano definitivo para sair do marasmo e dar uma guinada importante na vida, aquela que vai lhe proporcionar uma existência digna, rica e em consonância com os seus valores e virtudes.
Qual é o meu lugar no mundo? Faço essa pergunta todos os dias, quando levanto e quando me deito, para não perder de vista a minha missão de "semear conhecimento e gerar prosperidade para o maior número de pessoas possível, por meio de bons exemplos, disciplina, otimismo e consideração pelo próximo."
Se você ainda não encontrou a verdadeira vocação, não se desespere, continue perseguindo a felicidade nas pequenas coisas e lute o tempo todo contra aquela voz interior pessimista que tenta dizimar suas esperanças de encontrar a profissão ideal e fazer do mundo um ambiente melhor.
As palavras de Robert Wong, autor de O Sucesso está no Equilíbrio, são muito apropriadas nesse sentido: todas as pessoas começam com um emprego, depois adotam uma profissão, em seguida perseguem uma carreira, com o tempo encontram a verdadeira vocação e, por fim, assumem uma missão definitiva que os levará a uma vida plena de realizações. Encontrar a missão é uma seqüência de perdas e ganhos, erros e acertos, um processo de aprendizado constante.
Você possui características singulares e virtudes que outras pessoas nem imaginam, cada qual com seu talento ou uma habilidade inconfundível. E, além do mais, existe um mundo aberto a qualquer iniciativa que agregue valor à vida das pessoas, não importa se você é médico, professor, advogado, enfermeiro ou gari. O importante é que você acrescente amor, paixão e determinação em todas as suas ações.
Como lembra Joseph Campbell, autor de O Poder do Mito: "A vida é uma grande escada corporativa. Depressão é quando você chega ao final e descobre que ela está encostada na parede errada." Depois de 70 ou 80 anos mal vividos, sobra pouco tempo para o arrependimento e não é fácil dar a volta por cima. O que você vai fazer com essa idade, ao olhar para trás e pensar que a vida poderia ter sido diferente? Suicidar-se? Portanto, sempre é tempo de retomar o caminho e cultivar exemplos que deixarão seus filhos orgulhosos e comprometidos com o bem-estar da humanidade. O que você vai ser quando crescer? Como você gostaria de ser lembrado daqui a 30 ou 40 anos?
Seja íntegro, disciplinado, cultive o dom do relacionamento saudável, comprometa-se a crescer e aprender todos os dias da sua vida e, mais importante ainda, não perca de vista seus objetivos.
Pense nisso e seja feliz!
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Tom Coelho
Terça, 9 de Outubro de 2007
"Onde quer que você veja um negócio de sucesso, pode acreditar que ali houve, um dia, uma decisão corajosa." (Peter Drucker)
O fenômeno é observado geralmente em pequenas empresas. Um funcionário recém-admitido, ao término de sua primeira semana de trabalho, vai ao encontro do diretor. Adentra a sala meio cabisbaixo, trazendo nas mãos contas de luz e água atrasadas, e a notícia: o corte no fornecimento não passa do dia seguinte.
Desempregado que esteve nos últimos meses, sente-se hoje feliz com a oportunidade de trabalhar. Mas como as despesas familiares não dão trégua e dinheiro emprestado é mercadoria escassa, não vê alternativa diferente de solicitar ao patrão um adiantamento salarial.
O empresário recebe as tais contas, acessa a internet, faz o pagamento e imprime os comprovantes. Aquela agonia acabou. Um motivo a menos para angústia.
Mas o que denota uma ação admirável e até socialmente responsável, pode simbolizar um preocupante padrão de conduta na gestão dos negócios: o paternalismo corporativo.
O empresário ou executivo que faz da exceção uma regra, atendendo a todas as demandas de sua equipe, coloca em risco a perenidade e o sucesso do próprio negócio. Neste processo, cargos e funções atribuídos deixam de ser respeitados, metas carecem de ser cumpridas, resultados ficam comprometidos. Decorre um natural relaxamento e acomodação, redução de responsabilidades, perda de produtividade, ausência de empenho.
A postura assemelha-se a de um pai superprotetor, que acolhe os filhos, enlaçando-os e reconfortando-os diante das dificuldades, tomando-lhes a frente em todas as decisões. Acreditam estar, desta forma, contribuindo com sua formação, sem perceber que os está privando do aprendizado necessário, da experiência que precisa ser vivida, da dor que pede enfrentamento para fortalecer e elevar.
Este paternalismo pode representar metas de vendas não atingidas por sucessivos meses, sob a alegação de que o mercado está em momento adverso ou porque a conjuntura econômica é desfavorável, quando o problema pode estar na equipe que deveria ser substituída. Pode significar problemas de qualidade no processo produtivo justificadas pela procedência das matérias-primas ou por mau uso dos clientes, quando os padrões e procedimentos deveriam apenas ser seguidos. Pode expressar colaboradores desmotivados justificando insatisfação com a remuneração ou a política de benefícios, quando há carência de profissionais com orgulho de pertencer.
Aos gestores que se identificam dentro deste perfil vale meditar sobre o porquê de tal comportamento. Pode ser fruto de insegurança, sinalizando o imperativo da aceitação e do reconhecimento, ou reflexo de arrogância, característica dos orgulhosos que se acreditam donos da palavra. Para os primeiros, falta-lhes a iniciativa; aos segundos, a humildade. Para todos, recomenda-se tomar decisões com coragem, sem confundir apoio com subserviência, pois as conseqüências podem ser a paralisia, o atraso e a falência da atividade empresarial.
Tom Coelho - Economista pela FEA/USP, Publicitário pela ESPM/SP e especialização em Marketing pela MMS/SP e em Qualidade de Vida no Trabalho pela FIA-FEA/USP.
Categorias:
Colaboradores, Cargos, Funcionário, Tomada de Decisão, Processo Produtivo, Paternalismo, Paternalismo Corporativo, Quebra de Regras, Gestão do Negócio, Funções, Meta de Venda, Conjuntura Econômica, Remuneração, Política de Benefícios,
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Administrador
Sexta, 25 de Maio de 2007
Tornar-se a quinta maior franquia de alimentação do Brasil exigiu da Rei do Mate muita capacidade de adaptação. O primeiro desafio foi transformar o perfil tradicional da casa de chás entre a Ipiranga com a Av. São João, em São Paulo, em uma rede com identidade para satisfazer clientes de todo o país. O segundo foi perceber as oportunidades de um mercado que se expandia por todo o mundo: a alimentação saudável.
Vencidas as primeiras etapas, a Rei do Mate agora investe em surpreender os clientes, abrindo lojas onde eles menos esperam. Além das lojas em shoppings e outros locais comuns, franquias foram abertas em hospitais, na sede do São Paulo Futebol Clube, na unidade flutuante das barcas da Baía de Guanabara, na Central Globo de Produções (Projac) e, mais recentemente, nas dependências da Lustres Yamamura, maior loja de iluminação decorativa do país.
"Nosso objetivo foi ir aonde o cliente está. Nas barcas, por exemplo, as pessoas que estão indo para o trabalho de manhã ou voltando para casa à tarde geralmente têm pressa, e a viagem é um momento de espera que elas podem aproveitar para se alimentar. Nos hospitais, onde fomos os primeiros a entrar, percebemos a preocupação em buscar alternativas para melhorar um atendimento que até então era precário. Na Yamamura, as pessoas passam horas escolhendo lustres, então entramos com um serviço para os clientes espairecerem", diz Antônio Carlos Nasraui, diretor comercial e de marketing da rede.
A Rei do Mate foi fundada na década de 70 pelo pai de Nasraui, que já possuía comércio no centro da cidade. A primeira unidade vendia apenas mate, em quatro sabores. Na faculdade de Economia, Nasraui escreveu sua monografia de conclusão de curso e, quando se formou, resolveu colocar a idéia em prática. Entrou como sócio do pai e a primeira franquia da Rei do Mate foi aberta em 1992. Hoje, a rede possui 222 franquias e quatro lojas próprias em 17 Estados.
A expectativa é manter o ritmo de crescimento dos últimos quatro anos - de 20 a 30 novas lojas abertas anualmente - e chegar a 2010 com mais de 300 franqueadas.
Para expandir, Nasraui precisou formatar a identidade visual da empresa, criar novos sabores de mate e oferecer variedade na alimentação. Atualmente a Rei do Mate tem produtos para todos os tipos de público. "O pessoal mais velho prefere o mate puro, com limão, mais tradicional. A geração mais nova já gosta mais das receitas arrojadas de mate com açaí e guaraná, com maracujá e leite condensado, com frutas", diz Nasraui.
O mais novo lançamento da empresa é o mate energético, receita desenvolvida em parceria com a Red-Bull e dirigida ao público jovem. O objetivo foi buscar o líder de mercado no segmento de energéticos para lançar uma bebida moderna.
O carro-chefe do sucesso da rede é a comida saudável. A Rei do Mate aproveitou o crescimento de uma geração que evita alimentos gordurosos ou com conservantes. Cerca de 95% dos produtos oferecidos pela empresa são assados, sem gordura, destinados à geração saúde. As bebidas seguem a mesma linha sem conservantes, tanto para o mate quanto para isotônicos, água de coco e sucos.
Para moldar essa identidade foi necessário muito trabalho. "Nosso maior desafio foi formatar um negócio que pudesse sair do centro de São Paulo. Nascemos na São João, gente de toda a cidade saía de onde fosse pra tomar mate lá, era uma loja muito conhecida, mas com padrão de centro e que só vendia mate. Hoje estamos nos melhores shoppings do Brasil e para isso tivemos que reformular nosso perfil para atingir um faturamento maior. Buscamos produtos que não descaracterizassem o negócio, que estivessem em harmonia com o que já oferecíamos. Não podíamos viver de um produto só", diz Nasraui.
A Rei do Mate mostrou bons resultados não só na ampliação da rede, mas na manutenção do negócio. Cerca de 50% do crescimento no ano passado veio do crescimento de franqueados da rede, que estão abrindo novas lojas. A primeira franquia da rede, feita em 1992, no Shopping Penha, continua em funcionamento. "Isso dá uma credibilidade muito grande e mostra que estamos no caminho certo. Ter parceiros de mais de uma década nos deixa muito orgulhosos", diz Nasraui.
Para adquirir uma franquia da Rei do Mate é preciso passar por um processo de seleção. Segundo Nasraui, para fazer parte da rede é preciso ter perfil empreendedor e vontade de trabalhar. "Não pode encarar o negócio como um 'pé-de-meia' em que a pessoa passa no final do mês para pegar o dinheiro. Ela precisa ter controle, acompanhar o negócio de perto, não necessariamente atrás do balcão o dia inteiro, mas tem que estar à frente do seu negócio", diz.
A Rei do Mate oferece treinamento administrativo e operacional e também dá apoio na avaliação do ponto. Nas lojas de São Paulo o treinamento é feito em uma loja própria. Em outros estados um supervisor é enviado para dar apoio na unidade a ser inaugurada. O supervisor viaja com antecedência, treina a equipe, inaugura a loja e ainda acompanha o andamento do negócio por uma semana. O treinamento completo dura cerca de 20 dias. Segundo Nasraui, o importante é o candidato à franquia saber que vai precisar operar seu negócio e que não pode encará-lo com um simples investimento. "Queremos empreendedores de verdade", diz.
Fonte: Empreendedor
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