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Plano de Marketing

Sexta, 25 de Abril de 2008
Ao elaborar um plano de Marketing pode-se compreender a importância que existe em estar envolvido completamente com estudo e Pesquisa, o mercado não para e seus concorrentes sempre irão buscar estar um passo à frente, com produtos melhores, com uma Marca muito mais presente na mente do consumidor e conseguindo a fidelização do público-alvo.

Um bom plano de Marketing tem natureza operacional, dividido em 5 etapas:
Plano de Marketing
- Informações de mercado: nesta etapa ocorrem as coletas de dados, a busca por informações que dêem ao profissional de Marketing um direcionamento de quais ferramentas usar para elaborar e compreender o mercado, a concorrência e o público que pretende atingir;

- Estratégias de Marketing: este é o momento onde são definidas as estratégias, é um ponto onde o profissional de Marketing busca adequar as estratégias ao produto, empresa e mercado;

- Mix de Marketing: o Composto mercadológico é elaborado com base nos 4 P´s (Produto, Comunicação, Distribuição e Preço), com informações precisas e estratégias bem elaboradas é facilmente simples de ser criado, é necessário conhecer bem a cadeia de fornecedores, a empresa, os Canais a serem usados etc.;

- Implementação: este é o ponto mais delicado, colocar toda a estrutura já montada para funcionar exige atenção, um planejamento de ações muitas bem organizadas e consome investimentos que devem ter retorno positivo ao longo da sua vida útil;

- Controle e realimentação: nada pode ser feito sem que haja um controle, usar as ferramentas corretas para medir o desempenho da organização, as mudanças do mercado e as melhorias que podem ser feitas com base no feedback do consumidor são fundamentais e geram um ciclo evolutivo, os profissionais de Marketing sabem da importância deste ponto e procuram não deixar brechas para a concorrência superar sua empresa.

Muito mais do que um planejamento, o plano de Marketing é a base para que uma nova linha de produtos ou serviços e Marca, voltados para que todos os pontos levantados no planejamento acabem por atingir suas metas.

Quando um plano de Marketing não sai como planejado pode-se dizer que o marqueteiro não sabe como elaborar um, não conhece o mercado e muito menos a empresa, por isso sempre fracassam e levam as empresas consigo.

Os profissionais de Marketing sabem muito bem quais pontos são importantes, mesmo sabendo que todos são importantes, ele dá prioridade àqueles pontos onde a concorrência já tem experiência ou pode vir a usar como ponto de ataque em sua estratégia, por isso é muito importante que o profissional de Marketing saiba entender os dados que recebe em suas mãos e dê Valor para o aprendizado contínuo.

Um plano de Marketing é composto pelas seguintes partes:

- Resumo executivo e sumário;
- Situação atual de Marketing;
- Análise de oportunidades e questões;
- Objetivos;
- Programas de ação;
- Demonstrativo de resultados projetados;
- Controles.

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UMA COISA DE CADA VEZ

Segunda, 14 de Abril de 2008
Durante muito tempo eu trabalhei com um colega que mantinha uma técnica interessante para selecionar projetos e se livrar dos problemas relacionados à sua área. Como se tratava do todo-poderoso da área comercial e tudo tinha que passar pelo seu crivo, ele formava sempre três pilhas de documentos devidamente organizadas sobre a mesa de trabalho.

A pilha do lado esquerdo dizia respeito aos documentos ou projetos recebidos durante a semana, ou seja, os casos urgentes. A pilha do meio referia-se aos projetos que foram urgentes um dia, agora nem tanto, já que há mais de uma semana ninguém cobrava nada. Por fim, a pilha do lado direito, com o dobro de documentos contidos na pilha do meio, esquecidos ali há mais de um mês, sinal de que o nível de urgência havia sido rebaixado para irrelevante. Como ele sempre dizia, "se alguém reclamar, os projetos estão por aqui, caso contrário, não devem ser muito importantes".

Particularmente, eu ficava indignado com tal atitude e considerava aquilo um absurdo, mas o fato é que eu saí da empresa há alguns anos e o indivíduo continua por lá utilizando a mesma técnica, com um pouco mais de velocidade, em razão da globalização e da competitividade, segundo me dizem os remanescentes da época, mas o fato é que ele resistiu bem mais do que eu. Provavelmente, a técnica funciona de alguma maneira, caso contrário, ele já teria sido descoberto. E ele ainda tinha uma grande vantagem sobre mim, conseguia assimilar todas as imposições da matriz sem o menor questionamento.

Durante anos eu lutei, e agora reluto para evitar uma recaída, contra um hábito extremamente nocivo para o desenvolvimento profissional e pessoal do ser humano, a procrastinação. Em poucas palavras, procrastinação é o hábito de se deixar para depois ou para o dia seguinte ou para algum dia, quando sobrar tempo, o que pode ser realizado imediatamente ou em prazo definido, se houver boa vontade e predisposição para o planejamento.

Tudo o que acontece na sua vida está diretamente relacionado com os seguintes pontos: a sua capacidade de atrair coisas boas ou coisas ruins, dependendo do seu estado de espírito; a sua capacidade de realizar a contento aquilo que lhe é atribuído em troca de um benefício ou de uma remuneração; a sua criatividade e a sua capacidade para enfrentar as adversidades que surgem com freqüência no seu caminho todas as vezes que você encontra-se devidamente bem instalado na sua zona de conforto pessoal e profissional.

Imaginemos que você contemple todas as competências mencionadas anteriormente e, ainda assim, sua vida exiba um verdadeiro cabedal de dificuldades, tais como: acúmulo de dívidas no cartão de crédito, limite inteiramente tomado no cheque especial, pressão familiar para redução da carga horária de trabalho, queda no volume de vendas e, por conseqüência, não atingimento das metas, e o que é pior, seu chefe vive perguntando quanto tempo falta para você se aposentar apesar de você ter entrado na empresa há pouco tempo.

Embora a maioria dos profissionais não acredite tanto na sua formidável capacidade de realização, por razões de ordem familiar, histórica e cultural, o seu potencial de criatividade para solução de problemas é inesgotável. Sua dificuldade maior está na falta de disciplina, de organização, de planejamento e, em boa parte dos casos, na sua baixa auto-estima proporcionada por expectativas muito elevadas em relação ao trabalho e à própria vida pessoal.

Alimentar expectativas elevadas não é o problema. A questão é o que fazer e como se preparar para atingir essas expectativas sem parecer prepotente, ganancioso nem ambicioso demais. A pressão exercida pela sociedade sobre o ser humano é digna de reflexão, mas o que você gostaria mesmo é viver de maneira simples, no campo ou na beira do mar, desfrutando das maravilhas da natureza, mas enquanto isso não é possível a vida vai lhe castigando em todos os sentidos.

De fato, a sociedade recomenda que sejamos fortes, apresentáveis, sorridentes, bem-relacionados e, acima de tudo, bem-sucedidos. Isso nos impõe uma sobrecarga violenta de trabalho, além da emocional, praticamente incompatível com a nossa capacidade de resposta. Resultado: frustração, estresse, pressão alta, cara feia todas as manhãs, dívidas, doenças de todos os tipos, pedidos e mais pedidos de licença, demissão ou afastamento.

A tentação de parecermos o que não somos sempre nos persegue e, no fundo, acabamos dando um jeito para tudo, porém o custo é elevado. Por conta da nossa eterna necessidade de querer ser e de ter sempre mais do que o necessário, sacrificamos a saúde, o relacionamento conjugal, o crescimento dos filhos, enfim, o convívio familiar, e não vivemos a vida plenamente.

Tenho pensado muito a respeito de tudo isso, todos os dias, antes de dormir e depois de acordar. Por que vivemos dessa forma? O que precisamos para ter qualidade de vida? Por que assumimos tantos compromissos que não temos condições de cumprir? Quanto vale tomar um bom café da manhã ao lado da família ou fazer aquela viagem que há anos estamos adiando por conta da pressão que a sociedade nos impõe? Embora a sociedade imponha uma série de restrições e de obrigações, cabe a nós a decisão de aceitar aquilo que não condiz com a nossa maneira de ser, pensar e agir.

Assim sendo, quero compartilhar minha experiência com vocês, pois aprendi, a duras penas, que a melhor forma de equilibrar a vida pessoal e a vida profissional é estabelecer prioridades de acordo com a importância das nossas metas. Tentar abraçar o mundo com as pernas é um defeito, por vezes irremediável, que não levará você a lugar algum, portanto, as questões a seguir são fundamentais para ajudá-lo a recuperar o foco e manter acesa a esperança de uma existência mais digna e equilibrada.

1. Uma coisa de cada vez: não existe frustração maior do que várias coisas iniciadas e nenhuma encerrada com sucesso;

2. Crie metas mensuráveis: o segredo é fracionar a meta principal em pequenas metas seguidas de ações concretas e prazos específicos para conquistá-las;

3. Estabeleça prioridades: acredite no todo, mas dedique-se ao mais importante de acordo com cada momento da sua existência;

4. Você é totalmente responsável por sua vida: você não pode mudar as circunstâncias nem os acontecimentos ao seu redor, mas pode mudar a si mesmo.

De acordo com Mark Twain, escritor e conferencista norte-americano, o segredo de ir em frente está em começar e o segredo de começar está em repartir as tarefas complexas e esmagadoras em tarefas pequenas e administráveis e, então, começar pela primeira. Pense nisso e seja feliz!

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A alma da empresa

Quarta, 5 de Setembro de 2007
Que tal um ligeiro diagnóstico do seu empreendimento comercial? Depois de uma cuidadosa análise, imaginemos que os resultados são largamente favoráveis, com destaque para os seguintes procedimentos cuidados sempre com primor ao longo da história de sua empresa:

1. Ponto comercial bem localizado. Acesso fácil, fachada chamativa, boa comunicação visual e com fluxo regular de clientes.

2. Vendedores e atendentes bem-humorados, satisfeitos, prontos para prestar o melhor serviço aos clientes.

3. Variedade de produtos ajustada segundo o perfil médio dos consumidores da sua área de abrangência. Foco no foco do cliente.

4. Sistema de compra e de reposição eficiente. Bom nível de serviço e poucas rupturas de estoque.

5. Os colaboradores são treinados com freqüência, cujos ensinamentos enfatizam a importância do cliente, produtividade e a motivação.

6. Há uma dinâmica promocional bem acentuada. Ações promocionais bem organizadas, aproveitando de forma eficaz as principais datas e os eventos sazonais.

7. Como não está ligado a uma rede de loja, procura fazer parcerias confiáveis com seus principais fornecedores, negociando melhor suas compras, observando sempre a relação custo-benefício.

8. Trabalha no sentido de formar sua marca institucional de varejo, visando a criação de vínculos duradouros com os clientes.

Nosso diagnóstico até aqui está tudo bem. Tecnicamente sim, como se diz no esporte. Agora, vamos acessar o painel dos resultados e verificar se a empresa está crescendo, conquistando mais clientes, atraindo e retendo talentos. Sondar se o empreendimento é um bom lugar para comprar e para trabalhar. Transitar pelo interior da alma da empresa. Sentir o que passa pelo corpo, cérebro e coração das pessoas, individualmente e no conjunto, lugares em que a energia e a personalidade da empresa são formadas.

Grosso modo, uma unidade de negócios é composta por três grandes conjuntos:

» Estratégico - Medidas a serem tomadas no campo de "o que fazer" e sobretudo na construção de diferenciais.

» Operacional - Tudo o que diz respeito ao como fazer, por exemplo: nível de serviço, logística, abastecimento, atendimento e padrão de loja.

» Financeiro - Engloba todas as funções de engenharia financeira, crédito, meios de pagamento, controles, lucratividade e avaliação da vida financeira da empresa.

Por menor que seja uma empresa, não há mais condições de dirigir seus destinos sem um mínimo de instrumentos, sem algumas ferramentas de gestão. As aeronaves mais modernas se chocam no ar se estiverem com o transponder desligado, um pequeno aparelho cuja função é receber e transmitir informações permanentemente, pois, se ele estiver desligado, o avião perde a direção e se choca com outro, algumas vezes com um Boeing, causando vítimas. Feeling é importante, mas a informação segura e constante é indispensável.

Como constatamos, desde o início do levantamento, a empresa recebeu nota alta em praticamente todos os quesitos do conjunto B. Entretanto, as notas atribuídas ao conjunto C são classificadas apenas como razoáveis. E o conjunto A recebeu notas baixíssimas, próximas de zero, uma vez que a empresa não dá a devida importância aos aspectos estratégicos, como definição de rumos, diferenciais competitivos e na busca incessante da lucratividade. Nesses aspectos, o seu transponder está desligado, por isso trabalha com baixa rentabilidade e, conseqüentemente, não cresce.

Houve uma época em que o sucesso era mais fácil. Bastava que os produtos ou os serviços fossem bons, bonitos e baratos. Dentre vários outros detalhes, hoje é preciso acrescentar aos 3Bs um R, de Rápido. Não basta fazer bem-feito o essencial, é preciso fazer diferente dos concorrentes e de forma a satisfazer os anseios e os sonhos dos consumidores. É preciso ter interação com os clientes e construir um centro de relacionamento, não um simples local de compra.

Uma empresa lucrativa, simples e feliz. Excelente ambiente de trabalho. Local agradável para as pessoas concretizarem seus sonhos. Um verdadeiro laboratório de marketing em que são realizadas as melhores experiências antes, durante e depois da compra. Abertura total para ouvir as manifestações positivas e negativas dos clientes. Um organismo inteligente e disposto a se reinventar sempre, a fim de ficar o mais próximo possível do cliente, em termos físicos, psicológicos e sentimentais.

É preciso mudar, pois para quem faz as coisas sempre do mesmo jeito fica muito difícil obter resultados diferentes.

Autor: Moacir Moura é administrador de empresas, pós-graduado em Gestão Estratégica de Varejo. Palestrante e consultor especialista em Vendas, Liderança, Motivação, Gestão e Atendimento.

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Falta de foco é a principal vilã do tempo

Sexta, 15 de Junho de 2007
A falta de foco é um dos maiores inimigos do trabalhador do século XXI. Em todo o universo abrangente da gestão do tempo, o item mais difícil de ser combatido é a falta de foco. Esse problema é sutil, sorrateiro e precisa de uma grande força de vontade para ser vencido.

Uma recente pesquisa americana mostrou que um profissional só consegue permanecer focado em uma tarefa por ,no máximo, 11 minutos até que o telefone toque. Uma vez que ele pára um trabalho, custa, em média, 25 minutos até que a atenção se volte àquela primeira tarefa. Isso pode levar a uma perda de até suas horas diárias, devido à falta de foco e, conseqüentemente, acabada gerando uma desorganização no trabalho.

Algumas pessoas têm uma tendência natural a serem mais organizadas e a seguirem processos. Outras pessoas, por sua vez, são tão desorganizadas e avessas às regras que têm mais dificuldade para adquirir novos hábitos de produtividade. A explicação se dá ao fato de que o cérebro humano possui dois hemisférios, ligados entre si pelo corpo caloso. O hemisfério esquerdo, conhecido como consciente, é o responsável pelo raciocínio lógico. O hemisfério direito, conhecido como inconsciente, é o responsável pelo raciocínio criativo.

O hemisfério esquerdo é organizado, racional, lógico, analítico e se baseia no uso das palavras. Ele emite ordens e combina conceitos. O hemisfério direito é completamente diferente. É intuitivo, imaginoso e criativo. Ele usa a linguagem do visual, do auditivo e do sensitivo.

Pessoas com o hemisfério esquerdo predominante têm tendência a serem mais organizadas, analíticas e gostam de seguir processos. Conseguem facilmente seguir uma ordem para executar suas tarefas, são mais previsíveis, são pontuais e adorariam que o mundo fosse pontual.

Pessoas com hemisfério direito predominante possuem tendência a serem mais espontâneas, têm mais dificuldades com processos, são mais desorganizadas. São fãs de pilhas de papéis, e caixas de e-mail cheias, gostam de atender diversos projetos simultaneamente e têm uma facilidade enorme de se distraírem.

Não existe um hemisfério melhor que o outro. Ambos são igualmente importantes. O segredo é saber utilizar os dois a seu favor na hora de ganhar mais tempo no seu dia.

O cérebro é facilmente atraído por acontecimentos ao seu redor. Basta alguém no escritório iniciar uma música, um falatório ou alguma novidade e pronto, era essa a desculpa que você precisava para fugir da atividade por algo mais interessante. Veja algumas estratégias que podem ser adotadas para combater a falta de foco:

1) Priorize suas atividades.

Todos os conceitos de administração de tempo levam você a ter uma dia mais focado. Quando você se organiza, você define objetivos, se planeja e consegue saber o que precisa realmente fazer no seu dia. Liste todas as atividades e priorize numericamente. Siga essa ordem na execução das tarefas.

2) Operação Shutdown

Quando precisar se focar em alguma atividade, desligue completamente seu celular e telefone, televisão, msn, e-mail, feche a porta e peça para ninguém incomodá-lo até terminar. Quanto mais você se afastar das possíveis interrupções mais sucesso terá na sua concentração.

3) Para focar crie um padrão

Você pode ritualizar a sua concentração. Escolha uma música tranqüila que você goste e o ajude a relaxar. Alguns estudos de superlearning comprovam que a música barroca aumenta em 3 ou 4 vezes a concentração e a capacidade de absorção do cérebro. Toda vez que precisar se focar ouça sempre a música que o ajuda a se concentrar. Isso criará uma "ancora auditiva" e o colocará em estado de concentração muito mais rápido.

4) Respire

Antes de iniciar seu trabalho, relaxe por alguns minutos. Comece a respirar profundamente algumas vezes. Concentre-se apenas na sua respiração e no seu corpo. Deixe sua mente fluir naturalmente. A pressão diária acaba aumentando nossa adrelina e deixando nosso ritmo mais ansioso e agitado, o que propicia a falta de foco. Quando você respira e relaxa, você diminui sua ansiedade e aumenta sua capacidade de concentração.

5) Desligue seu e-mail.

Deixar o e-mail ligado diretamente é um vício perigoso e hoje posso afirmar que é um dos maiores causadores da falta de foco em seu ambiente. Estabeleça horários durante o dia para essa atividade, não deixe que a cada e-mail sua atenção seja desligada.

Pare um pouco e analise o momento anterior à leitura deste artigo, como você tem se concentrado? Que tal ganhar alguns minutos preciosos no seu dia, sendo mais focado? Quando você vai começar a focar no que é realmente importante na sua vida?

Cristian Barbosa é especialista em produtividade pessoal e empresarial. Sócio da POPCOM Blue Eagle, diretor executivo da Tríade do Tempo ( www.triadedotempo.com.br), empresa especializada em gestão de tempo e produtividade, master practtioner em Programação Neurolinguística, facilitador do programa de empreendedores do Sebrae/Onu - Empretec e facilitador da FranklinCovey Brasil. Também é autor do livro A Tríade do Tempo - A Evolução da Produtividade Pessoal, pela Editora Campus. www.christianbarbosa.com.br ou www.triadedotempo.com.br

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Semiótica

Quinta, 31 de Maio de 2007
A pretensão de apresentar a Semiótica em poucas linhas pode ter resultado em reprováveis simplificações. Um campo de conhecimento tão amplo e complexo exige certamente um espaço-tempo maior que o presente, motivo pelo qual este alerta introdutório faz-se necessário. Isto posto, nada mais adequado que procurar partir de questões centrais, indispensáveis para delinear um mapa hipertextual que permita uma orientação de novos navegantes pelos mares da assim definida ciência dos signos ou processos de significação.

Segundo Winfried Nöth (1995:19)"a semiótica é a ciência dos signos e dos processos significativos (semiose) na natureza e na cultura". A investigação semiótica abrange virtualmente todas as áreas do conhecimento envolvidas com as linguagens ou sistemas de significação, tais como a lingüística (linguagem verbal), a matemática (linguagem dos números), a biologia (linguagem da vida), o direito (linguagem das leis), as artes (linguagem estética) etc. Para Lúcia Santaella, ela "é a ciência que tem por objeto de investigação todas as linguagens possíveis" (1983:15).

Sua principal utilidade é possibilitar a descrição e análise da dimensão representativa (estruturação sígnica) de objetos, processos ou fenômenos em categorias ou classes organizadas. Como ela faz isso? De formas tão diversas que, neste momento, vale a pena um rápido passeio pelas ...

Origens da Semiótica

Muito antes que o termo "semiótica" fosse utilizado, já encontramos investigações a respeito dos signos. Tais origens se confundem com as da própria filosofia: Platão já se preocupou em definir o signo em seus diálogos sobre a linguagem. No séc. XVII, John Locke "postulou uma 'doutrina dos signos' com o nome de Semeiotiké" e, em 1764, Johann H. Lambert escreveu "um tratado específico intitulado Semiotik" (Nöth, 1995:20). O termo deriva etimologicamente do grego semeîon (signo) e sema (sinal), tendo originado diversos termos tais como semeiotica, semeiologia, sematologia, semologia etc. No entanto, só em 1964 é que Thomas Sebeok publicou uma coletânea chamada Approaches to semiotics, dando à palavra a forma plural que, no inglês, caracteriza a denominação de uma ciência.

Tal preocupação etimológica visa, além de elucidar o processo diacrônico sofrido pelo termo, abrir espaço para discutir duas grandes correntes do Século XX no campo do estudo dos signos: a semiologia e a semiótica. Embora ao final dos anos 60 tenha sido adotada a palavra "semiótica como termo geral do território de investigações nas tradições da semiologia e da semiótica geral" (Nöth, 1995:26), ainda hoje encontramos inclinações determinadas pelo que podemos chamar de ...

A Disputa do Século

Em paralelo com o desenvolvimento da "corrente semiótica" - inspirada na obra de Charles Sanders Peirce (1839-1914) - nasce no esteio do Curso de Lingüística Geral (1916) de Ferdinand de Saussure a semiologia como ciência geral dos signos. Para ser mais preciso, surgirão realmente duas correntes de estudos semióticos cuja preocupação com o signo é inferior à dos textos propriamente ditos e das estruturas menores dos signos verbais (semas, sememas, lexemas etc.): são elas a Semiótica Narrativa do Discurso (francesa) e a Semiótica da Cultura (russa). O que essas linhagens apresentam em comum são o enraizamento lingüístico e o caráter diádico de suas categorizações e classificações.

A semiótica peirceana apóia-se, como o semeîon platônico e o aristotélico, num esquema triádico, ao passo que a semiologia pós-saussureana vê o signo de forma dual. A posição da ciência do signo no conjunto com as demais ciências é outra divergência entre as duas correntes: a semiótica surge como uma "filosofia científica da linguagem" (Santaella, idem, 28) enquanto a semiologia é proposta inicialmente por Saussure como um ramo da psicologia social - a englobar a própria lingüística como um de seus ramos (Nöth, 1996:19)-, para a seguir sofrer uma tentativa de inversão quando Barthes sugere que a semiologia é que deveria ser um ramo da lingüística (Barthes, 1988:13).

Semioticistas e semiologistas entabulam uma disputa que leva cada lado a criar suas próprias definições para os termos semiótica e semiologia. Para os primeiros - majoritariamente de origem anglo-saxônica - a semiologia é tida como a ciência dos signos especificamente criados pelos homens, menos abrangente, portanto, que a semiótica. Para os semiologistas - geralmente oriundos de países românicos - "a semiótica é um sistema de signos com estruturas hierárquicas análogas à linguagem - tal como uma língua, um código de trânsito, arte, música ou literatura - ao passo que semiologia é a teoria geral, a metalíngua (...), que trata dos aspectos semióticos comuns a todos os sistemas semióticos" (Nöth, 1995:25-26).

A importância deste debate situa-se em explicitar ao leitor nossa opção pela semiótica pós-estruturalista, de inspiração peirceana, de Umberto Eco e Thomas Sebeok. As características que melhor diferenciam a corrente peirceana das demais é sua preocupação central com o signo, seu conceito triádico de signo (e não diádico, como as outras), sua fenomenologia supra-lingüística e a dinamicidade radical do processo semiósico.

Falemos, portanto e finalmente, dos ...

Conceitos básicos de uma semiótica pós-estruturalista

Para iniciar uma possível resposta à nossa questão pendente - apenas lembrando: como a semiótica pode ser útil para analisar os signos - impõe-se agora um maior detalhamento dos seus conceitos fundantes na obra de Peirce, suporte básico da semiótica pós-estruturalista.

Para este pensador, um signo é "algo que, sob certo aspecto ou de algum modo, representa alguma coisa para alguém" (Peirce, 1972:94, grifo nosso). Essa perspectiva triádica se multiplica profusamente na obra peirceana, motivo pelo qual pode ser fruto de uma...

Triadomania

A eleição das "trindades" como suportes classificatórios e categorizadores, é óbvio, antecede em milênios a obra peirceana, bastando lembrar Platão ou o catolicismo. Seja uma obsessão sua ou não (como ele mesmo admite), devemos nos lembrar que toda teoria procura reduzir, em maior ou menor grau, a multiplicidade e complexidade universais em um todo ordenado, que faça sentido. Neste sentido, a filosofia peirceana vai entender a realidade de forma pansemiótica - isto é, tudo como semioticamente analisável - e classificável fenomenologicamente segundo três categorias:

primeiridade - categoria do "desprevenido", da primeira impressão ou sentimento (feeling) que recebemos das coisas;
secundidade - categoria do relacionamento direto, do embate (struggle) de um fenômeno de primeiridade com outro, englobando a experiência analogística e
terceiridade - categoria de inter-relação de triplo termo; interconexão de dois fenômenos em direção a uma síntese, lei, regularidade, convenção, continuidade etc.
As qualidades puras, imediatamente sentidas, são típicas da primeiridade. As relações diádicas, analítico-comparativas, são exemplos de secundidade. As palavras, por se remeterem a algo para alguém, são fenômenos de terceiridade. Para que passemos agora da filosofia à semiótica, detalhemos melhor ...


O Signo peirceano e as tricotomias

O signo - que nesse universo vai do desenho infantil até o mais rigoroso tratado de lógica, incluindo o homem que os produz como um signo também - é concebido como uma tríade formada pelo representamen - aquilo que funciona como signo para quem o percebe -, pelo objeto - aquilo que é referido pelo signo - e pelo interpretante - o efeito do signo naquele (ou naquilo, podendo-se aí incluir os seres ou dispositivos comunicativos inumanos como os computadores) que o interpreta. Vale lembrar com Merrell (1998:49) que não devemos pressupor que o signo e seu objeto "são sempre entidades concretas - espaço-temporais - ou até objetos físicos. Peirce sempre cuidava para evitar esse erro". Em muitos casos podemos experimentar a concretude de signos, objetos e representamina embora em outros eles careçam de qualquer materialidade. Exemplo disso pode ser o signo "Pégasus", escrito nessa página. Embora ele esteja materialmente representado aqui, dele derivará na mente do leitor (com certeza quase absoluta) um signo mental de "cavalo alado" cujas partes e objeto referido carecem de concretude. Ainda assim, é inegável que no exemplo dado algo representou alguma coisa para alguém, o que atende plenamente à definição de signo. Passemos então a uma melhor definição das partes que o compõem:

O representamen é o sustentáculo de um signo ou aquilo que funciona como signo, remetendo a algo para um interpretante. É através dele que o signo se remete por alguma causa (seja a semelhança, indicação ou convenção) a um objeto.

Este objeto exterior ao signo, chamado de objeto dinâmico, é "espelhado" no interior do signo, "imagem" esta que se denomina objeto imediato.

Se encontramos duas facetas para o objeto (o objeto dinâmico e o imediato), para o interpretante (que muita gente confunde com um indivíduo, quando na verdade trata-se mais do resultado interpretativo em si mesmo) vamos encontrar três. A capacidade de um signo produzir algo numa mente qualquer, isto é, seu total potencial sígnico, é o interpretante imediato. Para que se dê um processo de semiose é necessário que esse potencial se realize, sempre parcial e singularmente, na mente de alguém ou de um dispositivo interpretativo, ou seja que se realize um interpretante dinâmico. Quando esse interpretante dinâmico atinge a terceiridade, isto é, quando engendra uma interpretação simbólica, caracteriza-se um novo signo "de caráter lógico [...] que Peirce chama de interpretante em si" (Santaella, 1983:82). Embora a composição de um signo não seja linearizável, propomos o esquema abaixo para facilitar a sua compreensão:

REPRESENTAMEN
suporte ou fundamento (material ou mental) do signo

OBJETO IMEDIATO
objeto dentro do signo ("especular")

OBJETO DINÂMICO
objeto fora do signo (referido)

INTERPRETANTE IMEDIATO
potencial de interpretações

INTERPRETANTE DINÂMICO
singularização do interpretante

INTERPRETANTE EM SI
novo signo (representamen) na mente

O processo de apreensão de um signo é chamado de semiose. Ela envolve um movimento espiralado, na medida em que toda apreensão sígnica pode tornar-se o reinício de uma nova semiose.

Para melhor compreender os tipos de signo segundo suas características referenciais e fenomenológicas, Peirce desenvolveu classes ou categorias, organizadas em tricotomias (taxonomias tríadicas).

A primeira tricotomia organiza os signos segundo as características do próprio signo, isto é, do representamen. O representamen foi dividido nas categorias de quali-signo, sin-signo e legi-signo. O quali-signo é uma qualidade sígnica, imediata, tal como a impressão causada por uma cor. É, na verdade, um pré-signo ou uma ante-materialidade sígnica de um signo. Tal qualidade apresentada num concreto qualquer, isto é singularizada ou individualizada, é já um sin-signo. Um sin-signo, por sua vez, pode gerar uma idéia universalizada - uma convenção substitutiva do conjunto que a singularidade representa - sendo assim um legi-signo.

Da relação entre o representamen e o objeto advém a segunda e mais importante tricotomia, no entender de Peirce: ícone, índice e símbolo. O ícone, de forma semelhante ao quali-signo, representa apenas uma parte da semiose na qual o representamen evidencia um ou mais aspectos qualitativos do objeto. Os retratos ilustram bem essa categoria. A iconicidade de um signo funda-se no que Nöth chama de "homologias estruturais", isto é, na semelhança entre representamen e objeto.

Se há uma relação direta entre estas duas partes do signo sem no entanto tratar-se de similaridade, falamos já da categoria dos índices. Uma nuvem escura pode significar chuva, embora sejam muito diferentes uma da outra. As relações orgânicas de causalidade são típicas dessa categoria, onde o representamen indica (para) o objeto. Outra característica dos índices é sua singularidade, o que na linguagem seria exemplificado pelos nomes próprios.

O nome de um objeto qualquer - "cadeira" por exemplo - refere-se não só a uma cadeira em particular ("esta cadeira", por exemplo, seria um índice) mas a uma idéia geral de "objeto composto de um assento sustentado a uma determinada distância do solo através de um ou mais pés e um encosto fixado angularmente em relação ao assento". Por este motivo, transcende a secundidade indiciática em direção à categoria simbólica. Os símbolos são arbitrários, no sentido de que são socialmente convencionados e mutáveis (cadeira no Brasil, chair na Inglaterra e chaise na França), mas não absolutamente acidentais ou arbitrárias - haja vista as homologias já descobertas entre as mais diversas línguas do planeta e a impossibilidade de alteração individual desses signos. Os tipos, generalidades e idéias são signos simbólicos pois não se restringem à singularidade. Ao contrário, abrem-se à multiplicidade e universalidade por seu alto grau de abstração. É claro que cada repetição da palavra cadeira neste texto apresenta-se singularmente. No entanto, Peirce denomina cada singularização de um símbolo como réplica do tipo original.

Analisemos, a título de exemplo dessas duas primeiras tricotomias, algumas características do signo abaixo:


Quanto à primeira tricotomia: este, como todo e qualquer outro signo, é qualissígnico na medida em que apresenta cores e formas a serem percebidas como algo (representamen). A imagem produzida pelos pixels de luz de seu monitor (ou da tinta no papel, no caso de versão impressa) é sinsígnica enquanto exemplar único (no seu computador ou papel). Se esse representamen for capaz de significar não apenas uma imagem específica de cruzes em cemitérios, mas todas as cruzes de qualquer cemitério, torna-se então um legi-signo. Como se pode ver, um signo pode acumular categorias dependendo da forma como ocorre o processo de semiose.

Quanto à segunda: essa foto representa uma cruz num cemitério por semelhança. A palavra "cruz", por exemplo, não se assemelha em nada ao objeto representado na foto. Já a foto, certamente, é um ícone por essa relação de similaridade entre representamen e objeto. Por outro lado, essa é uma imagem escaneada de uma foto que foi revelada de um filme batido no cemitério de Carinhanha-BA (uma das cidades mais importantes da região de Carinhanha-BA). Ainda que de forma mediata, há uma relação física (indicial) entre o objeto e o representamen (já que uma série de fótons foram refletidos pelo objeto representado no filme (negativo), que sofreu o processo físico de revelação e ampliação (positivo) que, por sua vez, foi escaneado também por meios físicos até se tornar essa imagem que você vê). A imagem, assim, indica a existência material de um cemitério em Carinhanha-BA (como você já deve estar desconfiando, eu nasci em Carinhanha). Além de índice, essa imagem da cruz pode significar uma característica da religião do morto: trata-se de um suposto cristão. A cruz da foto pode representar para alguém a própria doutrina cristã, tornando-se nesse caso específico um símbolo, isto é, uma representação abstrata, convencional, de algo. De novo encontramos a riqueza combinatória e interpretativa das categorias peirceanas.

A mais complexa e racional categorização dos signos - a terceira tricotomia - refere-se à relação entre representamen e interpretante, donde emergem o rema, o dicente e o argumento. A categoria remática engloba o que na lógica formal se chama de termo, isto é, um enunciado impassível de averiguação de verdade, descritivo como um nome ou palavra. A palavra "cruz", isolada e fora de qualquer contexto, é certamente um rema.

Caso faça parte de uma assertiva qualquer, classifica-se como dicente (ou dicissigno). Ao contrário do rema, o dicente parece pedir confirmação de veracidade: "essa cruz representada na foto está colocada sobre o túmulo do meu avô", "meu carro é azul-vandyke" ou "o nosso salário está alto demais". O dicente, enquanto secundidade e dialogicidade, é altamente informativo - ainda que exija averiguação, na medida em que não fornece os motivos pelos quais afirma algo.

Se fornecesse, já não seria dicente, mas argumento. Enunciados encadeados de forma a evidenciar a condição de verdade de uma conclusão, ou seja, discursos de caráter persuasivo ou silogismos formais, são exemplos de argumentos. Por exemplo: "a cruz da foto acima está colocada sobre o túmulo do meu avô porque a probabilidade de haverem escrito o seu nome, Sebastião dos Santos Farias, sobre um túmulo errado é deveras reduzida, especialmente considerando-se que o índice de mortalidade em Carinhanha dificilmente ultrapassa o de um morto por dia (já que a cidade conta com menos de 5000 habitantes) e, além disso, no dia do enterro de meu avô ninguém mais foi enterrado, excluindo-se assim a possibilidade de troca ou engano de túmulo". Esse foi um argumento (dedutivo e, devo confessar, pouco elegante quando comparado aos exemplos de Aristóteles ou Peirce).

Como lógico, Peirce se preocupa em classificar os argumentos e verificar sua condição de verdade. Ao lado das já conhecidas dedução e indução, identifica uma terceira operação lógica criativa (ainda que arriscada) chamada abdução. Se a dedução parte do geral para o particular e a indução percorre o caminho oposto, a abdução - também chamada, algumas vezes, de hipótese - afirma um caso a partir de uma regra e de um resultado. Assim temos:

"Dedução

Regra: todos os feijões deste pacote são brancos.
Caso: estes feijões são deste pacote.

\ resultado: estes feijões são brancos.

Indução

Caso: estes feijões são deste pacote.
Resultado: estes feijões são brancos.

\ regra: todos os feijões deste pacote são brancos.

Hipótese

Regra: todos os feijões deste pacote são brancos.
Resultado: estes feijões são brancos.

\ caso: estes feijões são deste pacote." (Peirce, 1972, 149-150)

Os argumentos dedutivos exigem um alto grau de informação, e portanto de esforço, para chegarem a pouco mais do que tautologias. E mesmo para esse pouco, estão já a fazer uso da indução. O alto grau de risco da indução, por sua vez, pede ao pesquisador criativo que o leve mais longe, que produza através da abdução, novas possibilidades de conhecimento, especialmente através de um resgate do uso de nossa capacidade intuitiva. Especialmente quando se trata de seu uso nas ciências ditas "humanas". A preocupação obsessiva com o método pode levar, como é bastante comum, a abordagens quantitativistas inadequadas para determinados "objetos" de pesquisa. De nossa parte, alertamos para o fato de que as propostas classificatórias semióticas exigem-nos o cotejo contextual, já que nenhum signo tem existência per si ou a priori, mas sempre relativamente a tal contexto.

Frente à complexidade de cada uma das tricotomias até aqui estudadas e tendo em vista um processo inverso de remontagem pós-esquartejante, Peirce propõe que do seu entrecruzamento combinatório resultariam não 27 (3 x 3 x 3 tricotomias), nem 45 (as 27 com os argumentos multiplicados por 3), mas 10 classes possíveis de existência de signos (Peirce, 1972:110). Estas combinações excluem, por insuficiência lógica/ontológica, categorias como quali-signos não icônicos, sin-signos simbólicos etc. São elas as ...

Dez classes trilegais, tchê: as combinações tricotômicas

Ainda que não tenhamos certeza de que os gaúchos tenham se inspirado em Peirce ao cunhar esta gíria, consideramos trilegais essas classes por permitirem que, ao olharmos para um determinado objeto de investigação, consigamos verificar como ele se compõe e articula. Uma inocente home-page internetiana pode esconder, por trás de fontes iconicamente curvilíneas, uma apologia a símbolos ciber-sensuais subliminares para o olho não conscientemente semiótico. Esse exemplo pode ser aprofundado através do conhecimento e aplicação da classificação combinatória dos três componentes básicos do signo, como segue (Nöth, 1995:93-94):

Quali-signo icônico remático: "é uma qualidade que é um signo". Ex.: sensação do vermelho.
Sin-signo icônico remático: "é um objeto particular e real que, pelas suas próprias qualidade, evoca a idéia de um outro objeto". Ex.: diagrama dos circuitos numa máquina particular.
Sin-signo indicial remático: "dirige a atenção a um objeto determinado pela sua própria presença" Ex.: grito de dor.
Sin-signo indicial dicente: além de ser diretamente afetado por seu objeto, "é capaz de dar informações sobre esse objeto". Ex.: cata-vento.
Legi-signo icônico remático: "ícone interpretado como lei". Ex.: diagrama num manual.
Legi-signo indicial remático: "lei geral 'que requer que cada um de seus casos seja realmente afetado por seu objeto, de tal modo que simplesmente atraia a atenção para esse objeto'"(Peirce). Ex.: pronome demonstrativo.
Legi-signo indicial dicente: "lei geral afetada por um objeto real, de tal modo que forneça informação definida a respeito desse objeto". Ex.: placa de trânsito.
Legi-signo simbólico remático: "signo convencional que ainda não tem o caráter de uma proposição". Ex.: dicionário.
Legi-signo simbólico dicente: "combina símbolos remáticos em uma proposição, sendo, portanto, qualquer proposição completa". Ex.: qualquer proposição completa.
Legi-signo simbólico argumento: "signo do discurso racional". Ex.: silogismo.
quali-signo ícone rema
sin-signo índice dicente
legi-signo símbolo argumento

É importante contextualizar todas essas classes e categorias no universo lógico peirceano, diverso do formalista aristotélico e do positivista-mecanicista. Ainda que para todos a lógica seja "a ciência formal das condições de verdade das representações", em Peirce enfatiza-se a limitação científica do tratamento do que deve ser e não do que é. Por este motivo, a semiótica não se confunde com uma ontologia, sendo melhor definida como ciência que estuda o real semiótico, isto é, o mundo das representações ou da linguagem. Mas, se como já sugerimos anteriormente, a ciência dos signos é uma ferramenta de grande utilidade, será que ela é disponibilizada com um ...

Manual de Instruções?

Por ter nascido num berço pragmaticista, muitos esperam que a semiótica venha com um manual de aplicação - e, de quebra, garantia de um ano após a aquisição - o que de fato não ocorre. As "ferramentas" da ciência dos signos se mostram úteis nos mais diversos campos de investigação justamente por sua abertura e amplitude. Mais do que descrever em quais classes ou categorias se inscrevem os signos, a semiótica permite a compreensão do jogo complexo de relações que se estabelecem numa semiose ou num sistema delas. Ao ordenar esse conjunto de relações, podemos antever o seu significado e aplicabilidade no mundo da(s) linguagem(ns). É nesse processo que os dados da realidade podem ganhar o status de informação, conhecimento e, em alguns casos, sabedoria.

O máximo que podemos fazer, neste sentido, é sugerir a leitura das análises apresentadas n'O Signo de Três, organizadas por Umberto Eco e Thomas Sebeok, no capítulo IV do Panorama da Semiótica de Winfried Nöth, no Conceito de Texto de Umberto Eco e em minha análise semiótica do filme "Couraçado Potemkin" (www.geocities.com/Eureka/8979/potemkin.htm). Os "surfistas da Internet" que me perdoem, mas daqui por diante abre-se o caminho para, abandonando a prancha até aqui utilizada, o mergulho dos interessados por essa poderosa ciência de compreensão do real semiótico.

E está, para o que nos propomos, de bom tamanho!

Bibliografia

BARTHES, Roland. Elementos de Semiologia. São Paulo, Cultrix, 1988.
ECO, Umberto e SEBEOK, Thomas (org.). O Signo de Três. São Paulo, Perspectiva, 1991.
ECO, Umberto. Conceito de Texto.
MERRELL, Floyd. Introducción a la Semiótica de C. S. Peirce. Maracaibo-Venezuela, Universidad del Zulia, 1998.
NÖTH, Winfried. A Semiótica no Século XX. São Paulo, Annablume, 1996.
NÖTH, Winfried. Panorama da Semiótica: De Platão a Peirce. São Paulo, Annablume, 1995.
PEIRCE, Charles S. Semiótica e Filosofia. São Paulo, Cultrix, 1972.
PEIRCE, Charles S. Semiótica. São Paulo, Perspectiva, 1987.
SANTAELLA, Lúcia. O que é Semiótica. São Paulo, Brasiliense, 1983.
SAUSSURE, Ferdinand de. Curso de Lingüística Geral. São Paulo, Cultrix, 1988.

O Prof. Eufrasio Prates é Compositor Musical pela FAAM-SP-Faculdade de Artes Alcântara Machado e Mestre em Comunicação pela UnB, autor do livro "Passeio-relâmpago pelas idéias estéticas ocidentais" e ministra as disciplinas de "Teorias de Comunicação" e "Estética e Indústria Cultural" no IESB-Instituto de Educação Superior de Brasília. É também Diretor-Administrativo da ABSB-Associação Brasileira de Comunicação e Semiótica e Vice-Coordenador do NTC-Brasília-Centro de Estudos e Pesquisas em Novas Tecnologias, Comunicação e Cultura.
e-mail: eufrasioprates@usa.net