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SER HUMANO OU SER PROFISSIONAL

Quinta, 10 de Janeiro de 2008
Por várias empresas onde passei havia sempre um adepto do seguinte discurso: eu não levo problemas do trabalho para casa e vice-versa; aqui na empresa eu sou profissional. Ao dizer aquilo o sujeito enchia a boca e estufava o peito enquanto eu tentava imaginar o tipo de mágica necessário para se conseguir desassociar o pensamento de ambientes tão intimamente ligados.

Como dizia a mestra Maria Schirato: você conhece alguma mãe que sai de casa contente para o trabalho ao deixar o filho na cama com 38 graus de febre? Você conhece algum profissional que volta para casa sorrindo, depois de levar uma babada inesquecível do chefe na frente dos colegas?

Assim como é no trabalho é na vida pessoal. Ambos demandam por responsabilidades, metas e objetivos, avaliações, solução de problemas e conflitos de toda ordem, negociações o tempo todo. Em casa é melhor, pois temos o direito de levantar um pouco mais tarde e trabalhar de cueca, se as esposas deixarem. E geralmente, com jeitinho, elas não contrariam.

Em todas as minhas palestras tenho defendido a indissociabilidade do ser humano no mundo pessoal e no profissional embora existam limites para ambos. É difícil acreditar que alguém possa ser diferente utilizando-se da mesma mente, repleta de histórias e de vícios, e do mesmo corpo.

Em outro artigo mencionei o caso de milhares de pessoas que saem de casa na segunda-feira, descontentes, já pensando na sexta-feira, com a terrível sensação de que a semana será um verdadeiro inferno. Apenas para relembrar, se isso acontece com você, possivelmente você está no lugar errado. Por essas e outras razões é que o imperdível happy hour faz muito sucesso. Ali, você está livre da hostilidade corporativa e pode até praticá-la utilizando-se do suave veneno comumente destilado nas mesas de bares e restaurantes na ausência do patrão, do chefe e dos desafetos.

Todos os dias, a despeito da infinidade de problemas que surgem com freqüência em sua vida, o ser humano tende a vestir a máscara da hipocrisia. Como sua mente não está preparada para ver somente o lado bom das coisas nem para se render diante dos fatos que parecem óbvios, e para os quais se exige boa dose de humildade, ele sai de casa imaginando o que fazer para evitar o encontro com o chefe ou para terminar aquele projeto que há mais de um mês foi solicitado ou ainda quando encontrar o colega com o qual ele não possui a menor afinidade - de fato, eles se odeiam, porém é melhor sorrir para manter o espírito de equipe.

Particularmente, acredito pouco nas pessoas e nos profissionais - e os profissionais são pessoas - que se dizem diferentes em casa e no trabalho. Tenho em mente a imagem daquele sujeito que foi eleito o empresário do ano, o líder do ano, o político do ano, a personalidade do ano, entretanto, sua vida pessoal é o caos. De dia sorri para a equipe, de noite enche os filhos de palavrões.

"Na ocorrência de coisas desagradáveis entre vizinhos, o medo chega rápido ao coração e exagera o efeito na outra parte; mas ele é um mau conselheiro e todo homem é na verdade fraco e na aparência forte. A si mesmo, ele parece fraco; aos outros, formidável.", afirmava Emerson.

Se "somos aquilo que fazemos repetidamente" e repetidamente nossa maior preocupação é concentrar energia no sucesso alheio e nos defeitos alheios, não importa o ambiente em que nos encontramos, seremos sempre personagens movidos ao equívoco permanente, com pouca capacidade de discernimento e com tendência ao pré-julgamento, na ponta da língua e no fundo da mente.

O mundo espera muito de nós, portanto, é necessário manter-se fiel ao nosso elemento de vida, a verdade. Quando você se mantém fiel a si mesmo e a consciência está em sintonia com o seu coração, as decisões fluem com mais naturalidade e senso de justiça. Neste caso, não importa o campo de batalha.

Convenhamos, é extremamente difícil ser justo e manter a tranqüilidade sob pressão, quando o emprego está em jogo, quando as contas estão vencidas ou quando a família está desunida. Poucos de nós foram treinados para enfrentar as adversidades com a serenidade que tanto almejamos. E ainda exigimos firmeza e equilíbrio por parte dos filhos, dos amigos e dos colegas. Nem sempre aquele que nos aconselha utiliza o mesmo conselho para resolver os próprios dilemas.

Todo ser humano é refém dos próprios pensamentos, portanto, todo pensamento é também uma prisão. Ele tem o dom de escravizar a si mesmo e de antecipar problemas que nunca acontecem da forma como imagina, o que o leva à demissão antes da hora, ao pré-julgamento, ao desequilíbrio físico e psicológico, ao sofrimento desnecessário.

Definitivamente, não há como separar o lado humano e o profissional. O que muda é a percepção do ambiente, a forma como abordamos determinados assuntos e os limites que conseguimos impor a nós mesmos para conservar o caráter e a reputação em ambientes distintos, mas complementares.

Depois de quarenta e poucos anos de vida, e muita martelada na cabeça, posso dizer que aprendi um bocado nesse mundo corporativo, motivo pelo qual divido com vocês algumas dicas que podem ajudá-lo a equilibrar os dois lados, com menos sofrimento e mais discernimento, se julgar conveniente aplicá-las por livre e espontânea vontade em sua vida pessoal e profissional.

Acredite ou não, elas funcionam muito bem se você tiver a humildade de olhar para dentro de si mesmo a fim de manter a integridade em ambientes que exigem, de maneira equânime, princípios e valores inegociáveis, caso contrário, isto não lhe servirá para nada. Pense no seguinte:

1) Você conhece milhares de pessoas, mas conta nos dedos aqueles que realmente pode chamar de amigos. Não existe esse negócio de amigos na vida pessoal e amigos no trabalho. Amigos são amigos e ponto final, no trabalho ou fora dele;

2) O ser humano é indissociável, portanto, as emoções da relação pessoal e profissional estão intimamente ligadas. Procure equilibrar os dois lados, pois ambos precisam de você e vice-versa;

3) Mais importante do que a pressão exercida no trabalho, acredite, existe vida fora dele. A família te espera em casa de braços abertos, desde que você adote na íntegra o conceito de família; para onde você corre quando perde o emprego? Eu corri para os braços da minha querida esposa e dos meus filhos quando aconteceu comigo e, graças a Deus, fui muito bem recebido;

4) Não seja pedante e não deixe que a fama lhe suba à cabeça. Quanto maior o cargo, maior o tombo, mais difícil a recuperação. Poucos estão preparados para recomeçar a caminhada depois de perder o crachá, o plano de saúde, o vale-refeição e, principalmente, o sobrenome da empresa; no fim das contas, o que conta mesmo é o seu sobrenome de nascença;

5) Trate bem as pessoas, independentemente do nível hierárquico, o delas e o seu. Em cargos de liderança, se tiver que demitir alguém, seja direto, gentil e transparente, mas não tripudie, é um momento difícil para ambos, a menos que você seja desprovido de hormônios;

6) Felizmente, o mundo corporativo sobrevive sem você, portanto, não o carregue nas costas nem se deixe escravizar por uma quantia de dinheiro que nunca será suficiente para compensar o tempo e a saúde que você perde enquanto tenta provar para a família e para o chefe o quanto você é capaz; entretanto, enquanto estiver a serviço de alguém, dê o melhor de si, seja leal e íntegro;

Por fim, lembre-se: não se trata de fazer a família entender o quão importante o trabalho é para você, mas o quão importante você é para a família e para as empresas que confiam no seu trabalho. Pense nisso, sofra menos, seja mais humano, mais ativo, constituinte e criador do mundo. Seja feliz!

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Como construir seu negócio antes de deixar o seu emprego

Quinta, 6 de Setembro de 2007
Assim como mergulhar de um trampolim de 10 metros (daqueles utilizados nos saltos ornamentais) pela primeira vez, deixar um trabalho estável para abrir seu próprio negócio pode ser algo um tanto assustador. É necessário estar preparado para este grande salto antes de simplesmente "pular sem olhar para baixo". Sendo assim existem maneiras seguras de alcançar o sucesso e aumentar as possibilidades de ser bem sucedido na abertura do novo negócio.

Para alcançar os objetivos é preciso antes de tudo determinar até que ponto é possível manter as duas coisas, conseguindo extrair o melhor de ambos os mundos.

Por que não utilizar a rede de relacionamentos criada ao longo de sua carreira de empregado e executivo até conseguir firmar seu novo empreendimento? Muitas das coisas que funcionam e que não funcionam em um empreendimento pode ser bem analisado nesta fase inicial, antes de se comprometer em tempo integral com este novo negócio. A idéia é tentar alcançar uma renda mínima suficiente para atender a manutenção de seu padrão de vida, antes de dar o pulo.

Seu Negócio



Não é um objetivo fácil de ser atingido, mas vale a pena o esforço.

Fazendo essa transição com naturalidade, tudo acontecerá mais facilmente, mesmo sendo sua primeira experiência como empreendedor.

Segue uma relação de dez perguntas a serem feitas, cujas respostas determinarão a hora exata de sair do trabalho para se dedicar 100% ao seu novo negócio.

1. Você tem um bom produto ou serviço a ser oferecido?
Uma idéia, uma amostra, um protótipo ou o simples gosto (ou aptidão) não contam. É necessário ter uma real oportunidade de negócio, que possa (ou deva) já entrar em funcionamento. Se possível, deve ser testado, e estar amparado por um sólido plano de negócios. Não vale a pena deixar o trabalho estável apenas por ter uma boa idéia na cabeça. Por isto é preciso planejar com segurança. Tenha, de antemão, uma visão clara dos custos do produto, para se possa ter uma idéia da rentabilidade do negócio como um todo. Conhecer bem todos os custos e despesas envolvidos (mesmo que superestimados no início) é fundamental para o sucesso do empreendimento.

2.Existem clientes reais?

Independente se os clientes são usuários finais, distribuidores, varejistas ou outras empresas. É preciso avaliar se de fato eles existem e têm interesse em comprar seu produto ou serviço. De nada adianta ter uma excelente idéia, se o publico consumidor não se interessar por ela.

3.Seu novo negócio possui um caixa suficiente para sustentar o negócio durante um longo período de baixa?
Com o negócio em funcionamento é necessário avaliar se o caixa é suficiente para suportar um longo período de recessão. Muitas empresas simplesmente quebram por não ter um caixa suficiente, mesmo que estejam vendendo bem. Avaliar e dimensionar com segurança o caixa da empresa fará com que você verifique melhor a sustentabilidade do negócio antes de abandonar seu emprego.

4.Seu negócio próprio será mais agradável e trará mais satisfação que o seu emprego?
Isto é mais fácil para as pessoas que simplesmente odeiam seu trabalho do que é para aqueles que se sentem satisfeitos no trabalho atual. É necessário ter uma paixão e entusiasmo excepcional pelo novo negócio, senão estará condenado ao fracasso. Isto é sempre verdadeiro se você for o responsável pelas vendas, por exemplo. É necessário amar o seu produto e ter certeza que ele é a melhor opção disponível. A atitude do proprietário afeta a empresa inteira.

5.Já fez uma análise da concorrência?
Se seu grande concorrente tiver recursos ilimitados, pode criar uma barreira de entrada para o seu produto, afetando assim a sustentabilidade de seu negócio. Por isto é importante manter os olhos abertos para a concorrência, sabendo diferenciar o seu produto e defender-se de eventuais ataques que possam acontecer. Por exemplo, na hora em que estiver tudo pronto para entrar em ação, o concorrente pode, simplesmente, baixar o preço do produto ou serviço, tornando sua entrada no mercado inviável.

6.O negócio não irá à quebrar nos próximos três anos?

Esta é uma realidade triste, mas verdadeira. A maioria das empresas não consegue alcançar uma vida muito longa. Na verdade, cerca de 50% dos novos negócios fecham suas portas ao final do segundo ano. Há muitas razões para que uma companhia feche suas portas, mas não alcançar lucro é obviamente o principal. Aqui é importante avaliar como o negócio está indo, saber ler o mercado e verificar se sua empresa está bem sucedida e preparada para eventuais crises. Não existe nada pior do que abrir uma empresa, o que por si só gera grandes expectativas e ter que fechar as portas dois ou três anos depois, para encarar novamente o mercado de trabalho.

7.Você tem a disciplina necessária para ser o dono do próprio negócio e seu próprio patrão?
Não possuir a disciplina necessária para manter ou perder a paixão pelo seu negócio pode fazer com que as coisas não saiam como esperado, tornando-se um desastre. Ser empreendedor é matar um leão por dia, literalmente. Quando se é empregado você se preocupa apenas em receber seu salário no final do mês. Como dono não. Precisa estar de olho nas vendas, pagar as contas, os salários, os impostos e ter controle sobre tudo o que gira em torno de sua empresa.

8.Você transformou-se em um especialista na sua área?
Deixar uma carreira de 20 anos na indústria de seguro para começar uma confecção pode ser arriscado. Todo conhecimento e expertise acumulados ao longo da carreira podem não ser suficientes para manter seu empreendimento. As habilidades são outras e o próprio ambiente do negócio é diferente. Neste caso é aconselhável tentar abrir um negócio numa área mais próxima de sua especialidade, desta forma a transição será facilitada. Além disto você irá aproveitar a credibilidade alcançada ao longo da carreira para tornar seu negócio sustentável.

9.Você tem um boa rede de contatos na área?
Uma rede de contatos produtiva é um grande recurso ao construir um novo negócio. Se você conhece as pessoas certas, nos lugares certos relacionados ao seu negócio, isto pode ser uma vantagem inicial para desenvolver sua nova empresa. Trabalhar o networking sempre é uma alternativa saudável para a organização e pode sempre representar novos clientes e novas vendas. Use sua rede para divulgar sua empresa e os resultados virão.

10.Você tem, e aceita conselheiros?
Escolha pessoas que podem lhe ajudar no seu desenvolvimento pessoal e também no desenvolvimento do seu negócio. Conselheiros, sejam eles outros empresários ou mesmo consultores podem fazer a diferença para o desenvolvimento de sua empresa. Estes conselheiros podem também ajudar a determinar quando incrementar ou encerrar seu negócio.

É necessário um auto-conhecimento muito grande para determinar a hora certa de sair do emprego e se dedicar integralmente a seu novo empreendimento. Por isto mesmo, é bom procurar desenvolver o novo negócio sob circunstâncias experimentais tanto quanto possível, ainda mantendo o seu trabalho. Você terá assim, mais tranqüilidade para desenvolver a nova empresa. Pode ser que nesta fase, o negócio não renda o esperado, mas sem dúvida neste período ele estará criando uma base sustentável para crescer de forma consistente no futuro.

Portanto a principal dica é: tente desenvolver seu empreendimento até chegar ao ponto em que você se veja forçado escolher entre seu emprego e o negócio.

Colaborador: Andrei Lima