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Plano de Marketing e Comunicação - Alta Afinidade com Baixa Dispersão

Quarta, 17 de Outubro de 2007
Estratégia de comunicação tem por objetivo comunicar de forma clara e compreensiva  a proposta de valor da empresa, ou seja, "o que" a empresa através de seus produtos e serviços tem para oferecer para seu público alvo(clientes).

A estratégia de comunicação também deve telegrafar o posicionamento da empresa. Uma combinação entre: a) a identidade da empresa;  b) imagem que a empresa tem perante o mercado e c) proposta de valor materializada através de seus produtos e serviços.

Muita calma nesta hora!
- Esta é "A hora" de investir uma boa parte da sua verba destinada a marketing e comunicação.

É fundamental obter o máximo de indicações formais de que a empresa esta realmente pronta para "vocalizar" sua essência para seus clientes, sem causar "dissonância cognitiva", em bom português, evitar uma reação negativa ou pior ainda, uma reação de descrédito quando a mensagem chegar aos ouvidos dos clientes.

Compreender o "arsenal" das ferramentas de comunicação disponíveis ou tecnicamente falando, o "mix de comunicação" disponível é o primeiro passo antes de colocá-lo em uso.

"Cada ferramenta de comunicação atua como um 'amplificador' que entrega a mensagem "da Empresa" aos ouvidos do público alvo com maior ou menor intensidade e com mais ou menos ruído"

"Focar em táticas de comunicação que tenham maior afinidade com o público alvo e menor dispersão é fundamental para eficiência do plano."

CONSTRUINDO UM PLANO DE COMUNICAÇÃO EFICAZ
Plano de Marketing
Seguindo a metáfora do "amplificador" para explicar novos conceitos .... - existem também interferências, ou seja, várias empresas utilizando-se do mesmo 'amplificador' (share of voice), o que significa que a voz "da Empresa" ou sua forma de expressão tem que ser transmitida alta e claramente (stopping power)  para se sobressair (breakthrough the clutter) a dos concorrentes que muitas vezes estão investindo mais dinheiro (share of investment) e acabam por chegar a um número maior de clientes (reach) e também com maior freqüência. (frequency).

Conhecer bem o púbico alvo nesta fase é fundamental para que o volume de investimento possa impactá-los de forma eficiente, ou seja, você pode comprar um "amplificador" só para você (roadblock), o que custa caro, mas definitivamente será mais eficiente.

Um plano de comunicação eficiente deve cercar "orbitar", o público alvo, ou seja, deve- -se mapear com maior precisão possível os "pontos de contato" com este público para GARANTIR AFINIDADE  e priorizar os investimentos no mix de comunicação EVITANDO DISPERSÃO.

Focar em táticas que tenham maior afinidade com o público alvo e menor dispersão é fundamental para eficiência do plano.

O próximo passo é definir o conjunto de atividades que serão destinados de forma equilibrada para cada um dos três pilares:  "construção da marca", "geração de demanda" e ao "desenvolvimento dos canais de vendas" e assim decidir quanto investir em cada um dos três pilares conforme as prioridades da empresa.

Glossário: Desmistificando qualquer complexidade
* As palavras em inglês a seguir são simplesmente referência, já que estas terminologias nasceram nos Estados Unidos, não representam nenhum nível adicional de complexidade.

Mix de comunicação
Representa o conjunto de ferramentas que serão utilizadas num plano de mídia.

Above the Line e Below the Line
É uma linha divisória entre ações relacionadas à mídia tradicional, normalmente mídias de alto alcance (ver reach) versus atividade, não mídia, que estão mais 'próximas' do contato físico com o publico alvo. Ex. "above the line" - anúncios de TV, revista... "below the line" - evento, material de ponto de venda, programas de afinidade.

Share of Voice

Representa o "nível de exposição" da empresa num determinado meio de comunicação. Normalmente compara-se a empresa com outras empresas da mesma indústria ou segmento de mercado
Exemplo: Quanto a "Empresa" aparece nas mídias versus seus principais concorrentes ou ainda outras empresas que pertencem ao mesmo ecossistema.

Break Through the Clutter
Representa a eficiência da criação e do planejamento de mídia. Em todas as mídias a "Empresa" estará competindo pela atenção do leitor. Tanto criação quanto plano de mídia devem buscar fazer com que este leitor "pare" no anúncio da "Empresa".

Stopping Power
Capacidade de o anúncio impactar/parar do público alvo, atrair sua atenção a ponto de fazer com que ele leia o anúncio.

Share of Investment (SOI)
Quantidade de investimento da "Empresa" relativa ao investimento total da indústria.

Reach e Frequency
Percentual de pessoas, no target (afinidade com publico alvo definido), atingidas por um plano de mídia, e o número de vezes que será impactado na mídia.

IMPORTANTE
Considerações sobre "reach e frequency" - metodologia criada nos anos 70. Os meios de comunicação de hoje, como a Internet por exemplo e logo-logo a TV digital, não existiam naquela época. Portanto este método deve ser seguido, quando seguido, com muita cautela. - Não é uma regra que garante o sucesso do plano, muito pelo contrário é uma regra que pode "queimar" literalmente seus investimentos extremamente rápidos. - As agências tradicionais, que seguem o modelo ultrapassado de montar um plano de mídia gostam desta regra porque conseguem alocar maior volume de dinheiro em ações tradicionais  "above the line", onde se cria um filme de TV, por exemplo, e se gasta a maioria do investimento do cliente com o mínimo esforço. Já o  "below the line" dá trabalho, é menos rentável e muito mais difícil de implementar. Na maioria das vezes que um plano de comunicação não gera nenhum efeito é porque esta observação importante foi negligenciada.

"Um plano de comunicação efetivo também deve mapear os hábitos dos clientes para impactá-los durante seu dia".

Exemplo : Público alvo é aqui representado pelo 'Pedrinho'
1. Acorda pela manda e liga o rádio na estação de notícias
2. Dirige até o trabalho ouvindo rádio, numa via com muitos Outdoors
3. Chega ao trabalho e acessa o site de Noticias e Saúde
4. Lê seu jornal preferido.
5. Dá uma olhada na sua revista semanal e mensal que carrega na sua pasta
6. Checa seu e-mail pessoal
7. Abre sua correspondência com várias malas diretas de várias empresas
8. Volta do trabalho pela mesma via com Outdoors só que agora ouve música
9. Chega em casa, liga TV para ver o jornal e assistir novela.
10. Depois da novela, vai ao cinema.

Colaborador: Nori Lucio Jr.

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A Propaganda na Vazante da "Infomaré"

Quinta, 31 de Maio de 2007
Resumo

Este artigo pretende fazer uma reflexão sobre origem sistêmica da Internet, sua adoção pelo marketing e a tímida tentativa da publicidade em agregar e conceber a Web como uma nova e importante mídia. Apresenta-se uma exposição sobre o surgimento da preocupação com a integração das ciências no contexto e abordagem proposta pela Teoria Geral dos Sistemas (sistema aberto), do biólogo alemão Ludwig Von Bertalanffy. O fenômeno da Internet tornou possível a democratização da informação e abriu para o marketing significativas fronteiras para uma maior aproximação com o consumidor, através de suas estratégias de relacionamento, logística e interatividade. No entanto, a publicidade ainda não conseguiu criar uma linguagem e uma forma adequada de mensagem para esse novo meio.

Palavras-chave: Sistema, Interatividade, Internet, Marketing, Propaganda.

1 INTRODUÇÃO

Nas páginas finais do século XX uma palavra dominou os diversos textos da economia, da comunicação, da sociologia e entrou nos dicionários: "globalização". O significado disso é o resultado da busca do homem por um mundo imaginário, das práticas utópicas, ou um elo perdido, onde não havia fronteiras. Milton Santos definiu a globalização como algo que constitui o estado supremo da internacionalização, a ampliação em "sistema-mundo" de todos os lugares e de todos os indivíduos, mesmo que em graus diversos. Assim, com a unificação do planeta, a Terra torna-se um só e único mundo e assiste-se a uma refundição da "totalidade-terra". É o retorno para a origem, o princípio conceitual de mundo, ou pelo menos na formulação sistêmica de mundo, em que o todo contém e está contido nas partes. A idéia de sistema lembra conectividade, integração e universalidade.

O sistema-mundo se completa através da informatização, tornando possível a permeabilização das fronteiras sociais e organizacionais. O advento da Internet traz nas suas ondas grandes transformações para o marketing e a publicidade. Democratiza a informação e aproxima os indivíduos e organizações, numa revolução nunca antes vista, ou prevista pelo homem. A criação do ciberespaço, um sistêmico virtual, um mundo que reproduz o próprio mundo no contexto da virtualidade e da eliminação dos limites do tempo e do espaço físico. A propaganda, que soube traduzir e utilizar de forma invejável as linguagens da mídia impressa e eletrônica, como poderosas ferramentas de comunicação, agora está diante de uma tecnologia multimidiática de última geração e não consegue desenvolver uma linguagem adequada às características do meio. Apenas se aproveita de ferramentas inconsistentes, que se ajustam melhor à força de venda e aos leilões virtuais, repetindo o que o marketing de vendas já tem feito.

Com toda essa gama de transformações, questões se multiplicam e buscam respostas. Neste ambiente ciberespacial qual será o papel do marketing e especificamente da propaganda? Uma nova propaganda deverá ser inventada, ou não terá futuro na rede?

2 proposição sistêmica, ciência e MERCADO

Na década de 40, um biólogo alemão chamado Ludwig Von Bertalanffy, em suas imersões científicas e filosóficas, encontrava-se diante de um pontual questionamento: a divisão da ciência em inumeráveis disciplinas, que geravam novas sub-disciplinas. Em conseqüência, alertava ele que o físico, o biólogo, o psicólogo e o cientista social estavam encapsulados em seus universos privados (sistema fechado), inviabilizando o repasse da palavra de um casulo ao outro. Ele percebeu que era necessário estudar não somente partes e processos isoladamente, mas também buscar soluções para os decisivos problemas e na ordem que os unifica, resultante da interação dinâmica das partes, tornando diferente o comportamento dessas quando tratadas de forma isolada e quando tratadas no todo.

O biólogo acabou por provocar uma desorganização das idéias que teimavam em reforçar o conceito "algoritmo" que garantia a sobrevivência dos sistemas fechados, isolados e refratários. Ele defendia a legitimidade em exigir-se uma teoria de princípios universais aplicáveis aos sistemas em geral. Pensava ele que se os teóricos quisessem aplicar o modelo dos sistemas abertos era preciso chegar à generalização da própria teoria que estava relacionada não a unidades físicas, mas a unidades biológicas. Assim, Bertalanffy postulou na década de 60 uma nova teoria chamada Teoria Geral dos Sistemas, cujo conteúdo é a formulação e derivação dos princípios válidos para os "sistemas" de forma geral. No entanto, a teoria geral dos sistemas não consiste na busca de vagas e superficiais analogias. Ela consegue se afastar da lógica da física, ou da matemática, para se instalar na lógica heurística.

A proposta sistêmica é capaz de transcender aos problemas exclusivos de cada ciência e proporcionar princípios, sejam físicos, biológicos, psicológicos, sociológicos ou modelos gerais para todas as ciências envolvidas, de modo que as descobertas efetuadas em cada ciência podem ser utilizadas pelas demais. Essa teoria demonstra o isomorfismo das várias ciências, possibilitando maior aproximação entre as suas fronteiras e suprimindo os espaços vazios entre as mesmas. Os sistemas não podem ser plenamente compreendidos apenas pela análise separada e exclusiva de cada uma de suas partes. Tudo isso está baseado na compreensão da dependência recíproca entre todas as disciplinas e na necessidade de sua integração (Chiavenato, 2000).

Os princípios do reducionismo, do pensamento analítico e do mecanicismo são substituídos pelos princípios opostos: expansionismo e o pensamento sintético. O expansionismo dita que todo o fenômeno é parte de um fenômeno maior. Assim sendo, o desempenho de um sistema depende de como ele se relaciona com o seu entorno do qual é parte. O que realmente acontece é uma mudança de ponto de vista, pois a visão focada nos elementos fundamentais, presente no estruturalismo, volta-se para o todo. Como exemplo, a releitura da lei da gravitação permitiu, além de uma aplicação à maçã de Newton, encontrar razoável explicação no sistema planetário, ou no fenômeno das marés. Não importa o tamanho do sistema que avaliamos, importa o grau de complexidade e sua representatividade nas nossas indagações.

2.1 As fronteiras do sistema

No contexto da administração a proposta sistêmica foi bastante útil para que se pudesse perceber a necessidade de buscar o equilíbrio entre as empresas e o ambiente do seu entorno, uma vez que o sistema e o ambiente encontram-se inter-relacionados e interdependentes. A organização é um sistema criado pelo homem e que mantém uma dinâmica interação com os atores externos, sejam eles fornecedores, concorrentes, clientes, entidades sindicais, ONGs e governo. A idéia do marketing, em que as variáveis controláveis precisam se harmonizar, ou responder satisfatoriamente às variáveis incontroláveis, desenhou o conceito de sistema aberto, onde é constituído um todo sinérgico, entendido como dupla capacidade de influenciar o meio externo e ser por ele influenciado.

As transações entre organização e ambiente são efetivadas pelos elementos situados nas fronteiras organizacionais, em que a comunicação exerce seu papel fundamental. O grau de abertura do sistema em relação ao ambiente é definido pela permeabilidade de suas fronteiras. A interface se configura através dessas fronteiras, sendo a área ou canal entre os diferentes componentes sistêmicos, através da qual a informação é transferida, bem como o intercambio de energia, matéria ou informação.

Um campo estreitamente ligado à teoria dos sistemas é a comunicação, que devido ao desenvolvimento das mídias pode ter dado origem a um novo ramo da física. A noção geral da teoria da comunicação é a de informação. O fluxo da informação corresponde a um fluxo de energia, que vai e que volta ao ponto de partida com forças e velocidades distintas. A quantidade de informação transportada em uma mensagem, ou em uma resposta é uma decisão entre duas alternativas, tais como real e virtual. A comunicação é pré-condição para a interação entre atores sociais e organizacionais e ela só se torna possível por meio da elaboração de uma linguagem comum, um código comum e uma construção simbólica.

O grande desafio da comunicação é estabelecer e manter uma constante sintonia entre o emissor e o receptor, garantindo o máximo de fidelidade e o mínimo de ruído entre ambos. Porém, o objetivo básico na comunicação é tornarmos-nos agentes influentes, é afetarmos os outros, nosso ambiente físico e nós próprios (Galindo, 2002, p. 49).

Um outro aspecto que precisa ser lembrado é o conceito quantitativo que se instalou no ambiente de trocas no período de crescimento da produção industrial, ou seja, o consumo de massa. Por esse contexto passou um conjunto de idéias multiplicadoras no campo da comunicação mediada. A comunicação foi em busca de uma audiência de muitos milhares, ou até milhões de consumidores, que formavam uma atraente pluralidade de destinatários. Condição ideal para se estabelecer efetivas estratégias para produtos de massa - um imenso conjunto homogêneo de consumidores.

No entanto, a partir dos anos 80 o conceito de mercado massificado não resistiu à proposta das estratificações sociais, da individualidade e da personalidade, além da elevada competitividade entre as marcas. A heterogeneidade do consumo vence. Produtor e emissor se diferenciam para não perder o vínculo com aqueles que possuem a experiência da marca e com a marca. Os produtos, antes destinados ao grande público, agora precisam segmentar seu alvo. Se na era da massificação as ofertas se reduziam a poucos fornecedores para muitos consumidores, hoje o mercado é diametralmente oposto: muitos fornecedores para poucos consumidores - estamos na era da especialização e projetos diferenciados, do mercado customizado. Ocorreu um deslocamento da visualização de dentro para fora dos produtores e emissores - a ênfase é colocada no entorno, no ambiente e nas demandas individuais sobre a dinâmica das organizações.

O advento da tecnologia e das telecomunicações foi decisivo para que se empreendessem significativas alterações na percepção e na relação de espaço e de tempo, no ambiente social e organizacional. A informação em tempo real propiciou a experiência pessoal de viver o mundo na sua instantaneidade, que altera nossa compreensão do presente e do passado. Se entramos na era da mediação instantânea, também estamos migrando do produto pronto para consumir para o produto que deverá ser produzido com a intervenção do consumidor. Alvin Tofler, no seu livro "A Terceira Onda", já havia previsto o surgimento prossumer ( prossumidor).

3 Sistema aberto, internet e INTERATIVIDADE

Voltando a Bertalanffy e sua Teoria dos Sistemas, vamos encontrar elos proféticos que desencadearam estruturas mecânicas (sistema fechado) até que se chegasse ao mundo da alta tecnologia e da Internet (sistema aberto). O fenômeno da Internet teve origem numa decisão do exército americano, que o concebeu para permitir que laboratórios dispersos geograficamente pudessem acessar os supercomputadores concentrados em alguns locais, bem como facilitar a correspondência entre pesquisadores - ainda de forma hermética e sigilosa. Logo depois da fase militar, a expansão da rede se deve ao movimento de estudantes e pesquisadores envolvidos nas trocas comunitárias e na democratização do saber. Um sistema fechado que se abre para as demandas macro ambientais, pressionado por essas.

Essa construção cooperativa e espontânea de um gigantesco sistema internacional de correio eletrônico paralelo só foi descoberta pelo público no final dos anos 80. A partir daí a rede começou a ser explorada por negociantes que disputaram entre si a venda do acesso, a organização das visitas, a pilhagem do conteúdo, sua transformação em um novo local para publicidade e transações econômicas. (Lévy, 1999, p. 126).

O processo inicial de expansão da Internet não dependeu de nenhum governo ou grupo empresarial. Tudo ocorreu no contexto acadêmico, onde a necessidade de transporte da informação fez com que as pesquisas tecnológicas pudessem aperfeiçoar o sistema. Nos anos 90 surge a teia que dá início ao sistema on-line. Berners-Lee (apud Cabral, 2002, p.23) defende que a Web é uma criação mais fundamentada no social do que na técnica. "Eu a construí para um efeito social - ajudar as pessoas a trabalharem juntas - e não como um brinquedo tecnológico. A finalidade última da Web é ajudar a melhorar a 'teia' de nossa existência no mundo".

A relevância da informação agora é que ela acontece numa escala mundializada, onde os dados e as mensagens são transmitidos por longas distâncias com incrível facilidade. Segundo dados do IBOPE NetRatings, estima-se que em todo o mundo já existam cerca de 450 milhões de internautas, sendo 295 milhões deles ativos. O Brasil é atualmente um dos países com maior número de internautas: 18 milhões de usuários da internet com computador em casa. Em fevereiro de 2005, 11 milhões fizeram uso da web em suas residências. Contabiliza-se aproximadamente 30% de visitantes a páginas com conteúdo multimídia e rádios on-line e 70% dos que acessam esse tipo de site possuem conexão rápida.

Com isso, as distâncias deixam de ser traduzidas pela leitura do tempo e do espaço para serem eclipsadas pela proliferação de redes de comunicação eletrônica. Pessoas localizadas em diferentes partes do mundo podem interagir e agir através de estruturas de interação quase mediada. (Thompson, 1998).

A cada minuto que passa, novas pessoas passam a acessar a Internet, novos computadores são interconectados, novas informações são injetadas na rede. Quanto mais o ciberespaço se amplia, mais ele se torna "universal", e menos o mundo informacional se torna totalizável. O universal da cibercultura não possui nem centro nem linha diretriz.É vazio, sem conteúdo particular. Ou antes ele aceita todos, pois se contenta em colocar em contato um ponto qualquer com qualquer outro, seja qual for a carga semântica das entidades relacionadas (Lévy, 1999, p. 111).

A idéia de interatividade nasceu com o homem civilizado, por causa da necessidade de compartilhamento do ambiente físico e simbólico entre os indivíduos. A relação face a face, a forma de interação que prevaleceu até a invenção da escrita, proporcionou a evolução e a renovação do conhecimento por milênios. A partir do século XV, a criação e o desenvolvimento dos meios de comunicação serviram para projetar novas maneiras de agir e de interagir entre as pessoas. Podemos considerar que o desenvolvimento dos meios realmente significou uma revolução para a comunicação humana, pois, se no primeiro momento tínhamos a informação com o próprio homem, cuja base era uma comunicação lingüística e, portanto, limitada a uma forma de expressão, passamos em um segundo momento para uma informação redigida, armazenada e intermediada por instrumentos tecnológicos, impressos e eletrônicos.

Segundo Thompson (1998), isso fez com que a interação se dissociasse do ambiente físico, gerando novas formas de relacionamento. Ele distinguiu três tipos de interação: "face a face", "interação mediada" e "interação quase mediada". No primeiro os indivíduos compartilham, pela co-presença, da mesma referência de tempo e espaço, enquanto na interação mediada há a necessidade de alguma forma de mídia: telefone, carta, e-mail, blog. A interação mediada se caracteriza pelos contextos espaciais e temporais distintos para os participantes da comunicação, portanto limitada no conteúdo e na forma.

Por sua vez, a interação quase mediada é aquela que conheceu grande evolução, pois se caracteriza pelos meios de comunicação de massa - úteis às demandas do sistema econômico. Nesta, as formas simbólicas são produzidas para atingir a um número indefinido de receptores potenciais. A televisão, o rádio, o jornal, a revista, o livro, entre outros, tornaram-se os principais meios utilizados para este sistema monológico de comunicação. O rádio, entre os meios de comunicação de massa, pode ser considerado o mais antigo meio interativo, e que mais se aproximou da forma dialógica de interatividade, colocando a voz do ouvinte no ar, participando com suas opiniões e pedindo música.

Dentre as novas tecnologias midiáticas, podemos afirmar com maior certeza que a Internet representa o grande avanço no processo de interação, por sua capacidade bidirecional do fluxo de comunicação. Ela é capaz de comportar todas as formas multimidiáticas e permitir que os participantes façam diversas intervenções no sistema, de maneira personalizada. A Internet é considerada um meio menos invasivo do que as outras mídias eletrônicas, uma vez que o internauta é menos passivo que o ouvinte e o telespectador. O emissor depende da ação do receptor para que seja percebido e explorado (Galindo, 2002).

As transformações provocadas pela Web estão alterando de maneira significativa as formas de produção e comunicação, traçando novos destinos para as estratégias de marketing. O desperdício verificado na propaganda de massa do passado está dando lugar ao processo de relacionamento interativo com o consumidor. O mercado de massa está sendo estilhaçado pelo impacto do cometa Internet que cruza velozmente o ciberespaço.

3.1 A propaganda na Internet

Em sua complexidade sistêmica o marketing soube identificar e desenvolver a capacidade de se apropriar da tecnologia da Internet e efetivar suas estratégias e táticas, através dos bancos de dados, do fluxo da informação, da inteligência competitiva, da pesquisa e da logística. O marketing expande sua percepção e operacionalização, através de suas novas formas: marketing direto, marketing de relacionamento, marketing individualizado, marketing viral, marketing one-to-one, e-marketing. Dessa forma, o processo de comercialização dos produtos tornou-se mais ágil e eficaz.

No entanto, a propaganda como a mais sofisticada ferramenta do marketing até então não encontrou na Web um caminho próprio. Por outro lado, a Internet não se mostrou um veículo eficiente como outros meios de comunicação de massa convencionalmente utilizados pela propaganda, como a TV, o rádio, a revista, o jornal e o outdoor. A possibilidade de se alcançar o grande público pela Internet é muito reduzida, pois a distribuição da informação se dá através de conexões comunitárias (raramente massivas), também pelo fato da mensagem não solicitada ser facilmente recusada.

Segundo Rapp & Collins (1991), depois de anos de estagnação, a indústria da propaganda está diante de um futuro obscuro e incerto. As agências procuram fazer uma adaptação de forma intermitente a uma mudança profunda, que configura a subdivisão do mercado de massa em centenas de mercados menores, bem como o desenvolvimento das novas formas de comunicação. Com isso, estabelece-se uma exigência para com os publicitários no sentido da focalização desses consumidores específicos de modo muito preciso, com o recurso de mídias específicas.

Para sobreviver além do futuro próximo, os publicitários e suas agências precisam adaptar-se ao fato de que os anunciantes estão confiando muito mais nos bancos de dados, na gestão de relacionamento e na possibilidade do consumidor acessar seu site em busca de informações sobre os produtos ofertados e dos produtos personalizados a serem propostos pelo próprio comprador. Isso significa uma releitura das formas publicitárias existentes. Se antes os criativos tinham trinta segundos e centímetros de coluna para convencer o potencial consumidor a decidir por uma determinada marca, hoje a Internet oferece um grande volume de informações e a possibilidade de interação e modificação do produto desejado. De certa forma essa revolução está colocando em xeque a necessidade de mensagem publicitária na rede.

Quanto maior a comunidade mais estreito - mais especializado - o seu foco deve ser. O mesmo vale para a propaganda. Qual a diferença entre hoje e 20 anos atrás? Hoje temos mais mídia. Temos mais comunicação. Temos mais opções para a nossa propaganda. Então, como seria a sua propaganda hoje? Ela teria um foco mais estreito? (Al Ries & Trout, 2001, apud Galindo, 2002, p. 193).

É correto dizer que um simples e belo anúncio de página dupla em uma revista de circulação nacional, ou um criativo comercial de trinta segundos veiculado em uma novela de grande audiência não são mais suficientes. Muitas outras possibilidades midiáticas estão à disposição das organizações e indivíduos para que possam decidir sobre seus objetivos.

Todas as pesquisas sociológicas referentes à mídia constatam a mesma coisa: o consumidor está ficando com raiva dos anúncios, foge dos comerciais, passa correndo as páginas publicitárias dos jornais, não memoriza mais, a publicidade torna-se transparente (Toscani, 1996, p. 28).

A propaganda tenta se estabelecer numa rede de muitos nós, onde a convergência das mídias projeta um novo cenário, para se adequar ao denominado marketing de nicho, ou marketing customizado. Todavia, ela tem mais do que a função de ofertar um ótimo produto, com um preço atraente e uma distribuição correta. As empresas querem mais do que as vendas eventuais, elas querem que seus produtos sejam percebidos através de um programa de aproximação e relacionamento com os consumidores. As marcas, produtos e serviços são pressionados, conforme a natureza do consumo e da concorrência, a adotarem o papel de comunicadores efetivos.

Gilberto Gil pergunta em sua música "Na Internet": "Com quantos megabytes se faz uma jangada, um barco que veleje, que veleje nesse infomar, que aproveite a vazante da infomaré". Parece ser a mesma questão que habita a cabeça dos publicitários quando o assunto é essa nova mídia.

Do código binário à hipermídia, percebe-se que a Internet se assemelha ao sistêmico que forma os oceanos, que produz energia pelos fluxos e correntes marítimas. De sua força percebida nas marés forma-se a "vazante", provocando o alagamento de suas margens, gerando subsistemas agregados. O excedente que forma a "vazante" representa muito mais uma maneira de ocupar espaços, uma vez que eles estão lá, mas resulta em uma pouca eficiência e exaustão do próprio meio, e pela busca de novos paradigmas, mas a energia não é a mesma provocada pelo movimento ondulatório. O aproveitamento de uma "onda" se faz pelo movimento e direção do empuxo. O produto da "vazante" não consegue, porém, reproduzir a força do mar.

A proposta da Internet ainda não encontrou uma ressonância concreta entre os publicitários - encontra oportunistas que aproveitam o cochilo da tecnologia vigilante para exercitar sua capacidade de apropriação e depois abandono. O surgimento de técnicas incrementais - Display advertising, Desktop search, RSS, E-mail- Banners, Intermercial, Cookie, Patrocínio (sponsorship), Referrals, Rich media, Search advertising, Slotting fees, Classificados e leilões, CPA, CPI e CPM (Notas) - possibilitam o aproveitamento de novidades para mais uma tentativa de colocar a propaganda na "jangada que veleje nesse infomar", na esperança que uma nova onda seja a descoberta definitiva de uma linguagem própria e adequada ao meio. Do ponto de vista econômico a Internet não conseguiu convencer as agências de propaganda, uma vez que o resultado financeiro proporcionado pelo comissionamento da mídia de massa é o que garante a sobrevivência e o status do negócio.

Estar na rede é sinônimo de participação e competitividade no ambiente de trocas, tanto global como local. É estar disponível para o cliente 24 horas por dia para sua intervenção no produto e na comunicação. Traduz a possibilidade de empresas, produtos e serviços garantirem visibilidade e o reconhecimento necessário para a conquista e manutenção de seu cliente. A convergência de diversas mídias é um dos maiores diferenciais trazidos pelo fenômeno da Internet.

O marketing e a propaganda agora contam com o recurso desta ferramenta multimidiática: resultado da soma de imagens, textos e sons de maneira simultânea, com o recurso da interatividade em tempo real. Contudo é preciso considerar que a Internet é um ambiente social, uma comunidade bastante sensível e nada tolerante aos comportamentos que violam o direito dos usuários. As reações são muito negativas à propaganda invasiva. Entre os formatos mais rechaçados na rede estão as mensagens que formam o chamado efeito spam, ou o envio de uma mesma mensagem para vários mailing lists e grupos, impondo aos usuários o múltiplo recebimento da mesma mensagem. O spam além provocar o aumento de tráfego na rede, rouba tempo e paciência do usuário. Isto impõe aos publicitários a necessidade de conhecerem profundamente a cultura da rede, com suas próprias normas de conduta e uma forte intolerância ao uso desrespeitoso.

3.2 A possibilidade interativa

A Internet tem como uma de suas principais características a interatividade, onde o usuário não pode ser considerado um simples receptor de mensagens, pois ele passa a ser um produtor, numa atitude mais ativa do que o telespectador, o ouvinte e o leitor. A bordo de sua jangada feita de gigabytes ele cria sua rota para velejar sobre quantos oceanos e mares desejar.

O marketing se vale muito da combinação entre interatividade e multimídia, que faz da rede um ambiente importante para as estratégias de conquista de consumidores através da troca de informações e de seus produtos. Para o internauta existe uma diferença concreta entre o receptor de mensagens comerciais nos veículos convencionais e a sua participação na rede, pois na Web todos possuem o mesmo nível, todos são usuários. Não existe hierarquia como na mídia de massa, mas uma relação mais próxima da interação face a face.

No intercâmbio comunicativo de uma interação face a face, o fluxo de comunicação tem mão dupla: uma pessoa fala, a outra responde, e assim por diante. Em outras palavras, os intercâmbios numa interação são fundamentalmente dialógicos. (Thompson, 1998, p. 31)

Pode-se afirmar que o fluxo tradicional da comunicação mediada sofre uma inversão no ambiente de rede, pois a forma convencional que estabelece a unilateralidade da mensagem é descartada e o consumidor deixa de ser apenas um receptor para movimentar-se em direção ao produto demandado. A propaganda na Internet já está menos focada no processo de divulgação de produtos e serviços e mais voltada para o volume de informações interativas, que proporcione grande envolvimento com o internauta. A rede é um espaço de experimentação e informação sobre os itens de consumo procurados, configurando-se como um sistema de troca e interface, reduzindo o papel da própria propaganda como é produzida hoje. A interatividade aplicada à comunicação é o conceito que pressupõe haver receptores e emissores simultaneamente, sem distinção hierárquica. Ambos interferem na mensagem. Há uma troca, com freqüência desejada pelas partes, numa relação dialógica para o intercâmbio da informação.

4 conclusão

A proposta sistêmica de Bertalanffy provocou uma transformação no conceito de isolamento defendido pelos cientistas das mais diversas disciplinas. A Teoria Geral dos Sistemas teve sua decisiva contribuição na redução das distâncias e do tempo, e aproximação dos pesquisadores, além de garantir a concepção de um novo mundo em que se percebe o macro-sistema constituído de sistemas e esses de subsistemas, onde a inter-relação entre as partes garante que o todo é mais do que a sua simples soma. A teoria dos sistemas expressa o surgimento de uma preocupação universal, transcendendo as fronteiras e tornando-as permeáveis. As organizações, a sociedade e o sistema de trocas foram beneficiados pela perspectiva da fecundidade mútua. O advento da Internet, essa rede que cobre todo o planeta com um número incalculável de informações transportadas por distâncias as mais diversas e improváveis, trouxe a multiplicidade e também a unicidade. O marketing encontrou na rede um recurso promissor na busca pela customização, migrando da massificação para o relacionamento um-a-um. Enquanto isso, a propaganda vive dias de dúvida quanto ao seu futuro neste meio, mas com a sinalização possível da interatividade. Sem quase concluir, uma pergunta continua sem resposta: com quantos gigabytes será construída a jangada publicitária que "veleje" nesse "infomar" e não se contente com a vazante da "infomaré"?

Notas

1. Classificados e leilões - A empresa on-line lista produtos ou serviços específicos do anunciante (classificados de emprego, listas de imóveis, de carros, de leilões, paginas amarelas).

2. CPA (custo por ação) - O anunciante paga apenas quando a propaganda produz alguma ação. Esta pode ser a compra do produto, o preenchimento de um formulário ou qualquer outra determinada pelo cliente.

3. CPI (custo por impressão)- É usado para mensurar valor e custo de uma campanha específica de e-marketing. A técnica é aplicada a banners, links em texto, spam e e-mails autorizados pelo destinatários (essa forma, entretanto, é mais comumente cobrada em bases de CPA).

4. CPM (custo por mil)- Custo de mil exibições. A melhor forma de venda pelas empresas on-line, que recebem toda vez que a propaganda é exibida.

5. Cookie - Uma ferramenta bastante útil para a criação de relacionamentos entre visitantes de web sites e seus mantenedores.

6. Display advertising - (principalmente os baners-padrão, retangulares, e os skycrapers) - o anunciante compra um espaço para exibir um banner (display), um logo estático ou hiperlincado, em uma ou mais das paginas da empresa on-line.

7. Desktop search - Aplicativo criado para fazer buscas dentro do computador do usuário, e-mails, arquivos, logs de conversação e histórico de páginas visitadas.

8. E-mail- Banners - São links ou patrocínios que aparecem nas comunicações por e-mail, sejam newsletters, sejam campanhas de marketing e outras.

9. Intermercial - São animações para a web, com 5 a 10 segundos de duração, que ocupam a tela inteira e são exibidas antes que o conteúdo que o usuário deseja visitar seja trazido à tela de seu computador pessoal.

10. Patrocínio (sponsorship) - O anunciante patrocina áreas de público-alvo definido do site ou de e-mails. O patrocínio geralmente contém alguns elementos de banner.

11. Referrals - Direcionamento de leads qualificados ou consultas de compras. Exemplos: uma concessionários de carro recebe uma consulta qualificada de compra; feches pagos quando o usuário se registra ou solicita cartão de crédito ou se inscreve em sorteios ou outros serviços.

12. Rich media - Peça que permite ao usuário ver e interagir com produtos ou serviços (por exemplo, uma descrição multimídia do produto ou um test-drive virtual). Os interstitials, como os que surgem na transição entre duas páginas ou conteúdo, foram consolidados na categoria de rich média; suas formas incluem splash screens, pop-ups windows e superstitials.

13. RSS - Formato padronizado de XML (Extensible Markup Language), usado para compartilhamento de conteúdos.

14. Search advertising - Inclui: [listas pagas: links em textos aparecem no topo ou na lateral do resultado da busca por palavras-chave específicas. Maior preço, melhor o posicionamento. Mas o anunciante paga apenas quando o usuário clica no link]; [Busca contextual: links em texto em artigos baseados no contexto em vez de uma palavra-chave pedida pelo usuário. Da mesma forma, o pagamento só ocorre quando o link é clicado]; [Otimização: modifica um site visando facilitar a indexação automática do domínio pelos portais de busca];

15. Slotting fees - O anunciante garante uma posição premium da propaganda ou a exclusividade na categoria de produto ou serviço.

Referências bibliográficas

BERTALANFY, Ludwig Von. Teoria geral dos sistemas. Rio de Janeiro: Editora Vozes Ltda, 1968.

CABRAL, Rayane Becke. Comunidades virtuais: colaboração e integração no portal culturagalega.org. Florianópolis, 2002. 78p. Tese (Mestrado em Engenharia de Produção). Universidade Federal de Santa Catarina.

GALINDO, Daniel dos Santos. Propaganda Inteira e Ativa. São Paulo: Futura, 2002.

LÉVY, Pierre. Cibercultura. São Paulo: Ed. 34, 1999.

LÉVY, Pierre. O que é virtual?São Paulo: Ed. 34, 1996.

MATTELART, Armand. Comunicação-mundo. Petrópolis: Vozes, 1999..

RAPP, Stan e COLLINS, Tom. Quinta geração do marketing: maximarketing II. São Paulo: Makron Books/McGraw-hill, 1991.

SANTOS, Milton. Técnica, espaço, tempo: globalização e meio técnico-científico informacional. São Paulo: Hucitec, 1996.

TOSCANI, Oliviero. A publicidade é um cadáver que nos sorri. Rio de Janeiro: Ediouro, 1996.

bibliografia

BAUDRILLARD, Jean. A Sociedade de Consumo. Lisboa: Edições 70, 1991.

DRUCKER, Peter. Prática de Administração de Empresas. São Paulo: Fundo de Cultura, 1978.

GIACOMINI, Gino. Consumidor versus Propaganda. São Paulo: Summus, 1991.

KOTLER, Philip. Administração de marketing. São Paulo: Prentice Hall, 2000.

MADIA DE SOUZA, Francisco. Introdução ao Marketing de 6a Geração. São Paulo: Makron Books, 1994.

MCKENNA, Regis. Marketing de Relacionamento. Rio de Janeiro: Campus, 1997.

NEGROPONTE, Nicholas. A Vida Digital. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

Revista Meio&Mensagem. Nº 1158. 16 de maio de 2005. São Paulo: M&M.

Admir Borges, consultor empresarial na área de atendimento ao cliente e Coordenador e Professor de Pós-graduação de Marketing e Comunicação da Uni-bh, Universidade Fumec. e IEC-PUC.

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O que os Livros Não Falam Sobre Liderança

Quinta, 31 de Maio de 2007
Tente folhear um típico livro de negócios e verá que abordagens do tipo "trabalho em equipe", "cultura corporativa", "serviço ao cliente" e até "liderança" são comuns nos mesmos. No entanto, poucos abordam "o como" e expressões do tipo "atenção", "carinho", "ética", "toque", "olhar", "empatia" raramente aparecem.

O que, então, significa liderar nos dias de hoje? Qual o segredo de alguns de nossos principais líderes? Vamos nos concentrar no território nacional: o que Norberto Odebrecht, Bernardinho, Antonio Maciel Neto, Luiza Helena, Dorothéa Werneck, Luiz Martins têm em comum?

Além de outras qualidades, nos relacionamentos com suas equipes, eles:

· São excepcionais educadores, ou seja, líderes em busca da formação de líderes;

· Extraem o máximo de sua equipe, instigando cada um a dar o melhor de si;

· Constroem o seu carisma através de uma impecável autenticidade;

· Entendem a diversidade. Não pasteurizam a motivação, particularizam a empatia.

Você, amigo que está lendo esse artigo, já pensou como conseguir que alguém faça algo? Imagine que algo aqui represente resultado e você é um líder. Pois bem, existe um único meio: conseguir que a outra pessoa queira fazer.

Freud disse que tudo em você e em mim emana de dois motivos: a necessidade sexual e o desejo de ser importante, que podemos traduzir como a "ânsia de ser apreciado". Essa "ânsia" é que nos faz procurar roupa de última moda, admirar carros e celulares modernos e falarmos sobre a inteligência de nossos filhos.

Cabe ao verdadeiro líder, portanto, possuir habilidade em despertar o entusiasmo entre seus liderados através da apreciação e do encorajamento.

Somos brasileiros, adoramos esporte e de vitórias, não é mesmo? Como eram bons nossos domingos pela manhã na época de Ayrton Senna! Parecia um prenúncio de quão satisfatória seria a semana quando nosso campeão subia ao podium, em grande parte das vezes, no topo!

É o mesmo que sentimos com nosso vôlei! Desde que Bernardinho assumiu a seleção masculina, em 2001, o time só deixou quatro grandes títulos escaparem - foi vice da Copa dos Campeões 2001, na Liga Mundial 2002, na Copa América 2005 e bronze no Pan 2003. Ou melhor, em 16 competições, vimos 16 pódios e 12 primeiros lugares!!
E a equipe de Bernardinho sempre deu a entender que só a medalha de ouro interessava em Atenas 2004, ainda mais após as campanhas decepcionantes de Atlanta 1996, ainda com a "Geração de Ouro", em Sydney 2000, com vários integrantes da equipe que hoje forma a Era Bernardinho. Em ambas as edições, o Brasil caiu nas quartas-de-final.

O que aconteceu da liderança anterior para a atual? Os atletas cresceram de tamanho? A rede abaixou? Não! O clima que sabiamente foi plantado aos bem sucedidos atletas não foi de dinheiro, fama, etc. (praticamente todos já tinham alcançado esse estágio) e sim de que "entraremos para a história do voleibol mundial de todos os tempos".

Cabe sempre ao líder buscar argumentos e desafios para que seus liderados queiram fazer.

Antonio Maciel Neto, ex-presidente da Ford do Brasil, teve comprometimento de tal tamanho que chegou a ir para a televisão, anunciando seus produtos e sua campanha. "Pura auto promoção" diriam alguns. Agora, tentem visualizar o impacto desse comprometimento sob a ótica de um líder dentro da empresa! A Ford poderia ter contratado qualquer "rostinho de destaque da novela das oito", não é mesmo? O que aconteceu: a Ford atingiu, pela primeira vez desde 1995, resultado positivo, trabalha atualmente em regime de três turnos na unidade de Camaçari produzindo os modelos Fiesta, Fiesta Sedan e EcoSport.

Em ambos os exemplos, a concorrência está de olho. Os italianos, russos e todo o mundo estão estudando as jogadas ensaiadas, posicionamento em quadra, etc. da seleção de Bernardinho. As outras montadoras lançam novos carros e buscam ações para minar o avanço da Ford do Brasil. Será que eles conseguirão? Será que seus liderados irão conseguir fazer a diferença? É muito mais do que trabalhar pois, muitos trabalham arduamente e não conseguem resultados...

Caro líder, antes de culpar sua equipe pelos maus resultados (e não há meio mais capaz de matar as ambições de um homem do que a crítica de seus superiores), além de oferecer seu apoio, tente preocupar-se com o desenvolvimento de seus liderados. Compartilhe com inteligência e sensibilidade seu conhecimento, contato visual, toque e palavras. Qual foi a última vez que você indicou um livro ou um filme aos seus liderados? Como você tem dirigido palavras e olhares a eles?

Jamais limite-se ao escalão imediatamente abaixo do seu. Desperte o querer fazer para TODOS em sua empresa. Tenha absoluta certeza de que o mundo está em evolução e a extinção de raposas e tubarões do mundo corporativo é uma realidade.

Dill Casella (www.dill.com.br) é Engenheiro Civil, pós graduado em Marketing, especialização em Desenvolvimento Gerencial e Empreendedorismo pela FDC e Practitioner pela SBPNL. Com mais de 15 anos em cargos de liderança de empresas de primeira linha, realiza palestras em vendas, atendimento ao cliente, liderança e motivação. Também é compositor, músico, escritor e ator amador.

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Metas: Uma Questão de Atitude!!!

Quinta, 31 de Maio de 2007
2002: A seleção brasileira era penta!!! Pentacampeã no Japão!!! Que felicidade!! Nenhuma outra seleção sequer foi tetracampeã!! E nós, naquele momento, naquela madrugada, penta!!

Tenho uma imagem na minha mente muito prazerosa e emocionante de nossos craques, comandados por Ronaldinho Gaúcho, embalando o super samba do Zeca Pagodinho: "Deixa a vida me levar, vida leva eu..." Do ponto de vista emocional, comemorativo, do marco para o esporte, tudo foi perfeito!! A canção foi (e ainda é) um sucesso nacional; a mensagem é que vai contra qualquer princípio de composição de metas. "Deixar a vida levar", não soa como uma falta de plano de vôo, de destino, de pista conhecida para aterrissagem?

O leitor mais "idoso", digo, provido de mais vivência (para não dizer "velho") pode lembrar da Campanha da Fraternidade de 1980, cujo principal objetivo era discutir a migração interna e suas conseqüências, com o seguinte questionamento: "Para onde vais?". Lembram-se? Havia sim, ali, uma preocupação, mesmo que subliminar, com as metas das pessoas que deixavam seus estados para começarem vida nova em outros lugares. Quais eram seus propósitos? Como iriam reestruturar suas vidas? O que fazer? Como fazer? Por quê?...Atual, né?

Todo crescimento, todo projeto, começa com um SONHO. Muitos sonham em TER outros em SER. A lógica, no meu ponto de vista, requer primeiramente o SER para, depois, a arquitetura do TER.

O SER, que nesse contexto refere-se à capacidade, é o resultado da aptidão somada ao treino, exercício ou prática. É lógico que SER requer também uma exagerada dose de ATITUDE!!!

São muitos os exemplos da "equação" CAPACIDADE = TALENTO + PRÁTICA + ATITUDE. Eu lembro de alguns (Pelé, Ronaldo(s), Ayrton Senna, The Beatles, U2, Marilyn Monroe, Jorge Gerdau, Ricardo Semler, Norberto Odebrecht...).

Todo SONHO, transforma-se em desejo e, simplesmente, não passará de desejo sem a construção de metas claras e bem estruturadas para que possam virar realidade!!!

Muitas são as metodologias para escrever metas. A que mais me agrada é a do SMART!!

No SMART, a meta precisa ser eSpecífica, Mensurável, Atingível, Relevante e ter um Tempo (data) de finalização. Somente atendendo a todos os itens ela poderá ser considerada uma meta bem escrita (definida)!!

Mas o principal problema da meta não está em escrevê-la e sim em defini-la... É isso mesmo!! Eis o que eu queria dizer: O QUE definir como meta?? Muitas pessoas simplesmente não sabem o que fazer ou para onde ir, ou como disse no início do artigo, onde aterrissar o avião de suas vidas. Vivem um dia após o outro...Trabalham (e trabalham muito!!) com o objetivo de sobreviver e pagar suas contas no final do mês.

O dia a dia vai passando, os campeonatos e as novelas também e a construção do futuro fica ao acaso!!!

Há algum tempo li uma frase num livro do César Souza: "Invente seu futuro ao invés de ficar tentando adivinha-lo"...Caso contrário, simplesmente acompanhe o final da novela da sua vida...

Dill Casella (www.dill.com.br) é Engenheiro Civil, pós graduado em Marketing, especialização em Desenvolvimento Gerencial e Empreendedorismo pela FDC e Practitioner pela SBPNL. Com mais de 15 anos em cargos de liderança de empresas de primeira linha, realiza palestras em vendas, atendimento ao cliente, liderança e motivação. Também é compositor, músico, escritor e ator amador.

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Marketing Pessoal

Quinta, 31 de Maio de 2007
Fatos recentes me fizeram relembrar o grande Comandante Rolim Amaro. Em uma das suas famosas "Carta do Presidente" que eram distribuídas aos passageiros da TAM, ele dizia que "mais importante do que saber começar algo era saber terminá-lo". Nesta carta o saudoso Comandante falava com propriedade que sempre lhe foi peculiar, sobre o comportamento dos colaboradores da TAM que eram despedidos. A empresa havia criado um carta demissional onde os colaboradores poderiam descrever tudo o que estavam sentindo. Estas cartas eram analisadas por uma equipe de especialistas em Gestão de Pessoas que esperavam adquirir com estes relatos informações que permitissem construir um melhor relacionamento e sistema de trabalho. A grande surpresa fôra descobrir que o conteúdo destas cartas eram de um rancor maior que o esperado a um ex-colaborador. Elas vinham recheadas de acusações pessoais, intrigas sobre o comportamento de outros companheiros e toda a sorte de maldade contra antigos lideres. O livro com todas as cartas do Comandante Rolim poderá ser adquirido em qualquer livraria e certamente é uma leitura obrigatória aos jovens executivos que não tiveram a chance de acompanhá-las através de suas viagens. Mas o motivo que me levou escrever este artigo sobre marketing pessoal é para uma situação não citada pelo Comandante. Os que demitem-se de algum cargo. Estamos sempre aprendendo e levamos anos preparando para sermos contratados, mas esquecemos de nos prepararmos para sermos demitidos. Quando vamos a uma entrevista de emprego ou a um novo encontro amoroso é sempre uma grande preparação: banho demorado, perfume, currículo impecável, hálito refrescante etc. Fazemos de tudo para impressionarmos e para gerarmos grande expectativa no outro. Passada esta fase e conquistado nosso objetivo começamos a abrir nossa guarda. Muitas vezes não era o que esperávamos e que criamos uma expectativa maior do que realmente encontramos. Sabemos que a medição de qualidade é justamente isso. Qualidade pode ser definida como o alcance a expectativa gerada por nosso cliente. Alguns podem acomodar-se com a situação, outros podem ter uma ânsia maior e nem sempre esperam o devido tempo para os acontecimentos, entre diversos outros tipos de comportamento. Esqueçamos os acomodados, estes certamente poderão ser objeto de um novo artigo. Concentremos nos mais ansiosos e não nos esqueçamos que somos nós quem criamos/concebemos esta expectativa. Suponhamos que este indivíduo simplesmente decidiu sair da empresa ou do relacionamento. Decisão tomada, o que ele deveria fazer ?

A resposta parece óbvia. Vamos até a empresa ou ao nosso parceiro e verbalizamos o que estamos sentindo e pomos um ponto final no assunto. Mas infelizmente nem sempre isso acontece, alguns colaboradores começam a tentar cravar esta demissão para conseguir algum beneficio legal. Outros tentam usar de toda a esperteza de sentimentos no mesmo sentido, ou seja, penalizar a outra parte para que ela aceite a demissão e assim o mesmo tenha algum beneficio. Mas e os que simplesmente desaparecem ? Inicialmente parece um pouco improvável mas alguém já teve a curiosidade de ver a quantidade de abandonos de empregos ? Comecem a passar os olhos para este item. Aí pergunto, o que leva alguém a esconder-se de uma responsabilidade. Esta pergunta é feita nos três casos. Aos que estão tentando cravar a demissão por meio de comportamentos duvidosos, os que estão se vitimando e aos que desaparecem. Imaginem esta situação na vida privada de cada um. Imaginem se a cada problema ou desilusão que encontrássemos pela frente simplesmente pudéssemos deletá-la, apagá-la ou simplesmente driblá-la. O grande problema é que estamos lidando com pessoas, seres humanos que devem ser respeitados. Se não estamos mais interessados em algo devemos utilizar do mesmo expediente que utilizamos para inicia-lo, relembrando a frase do Comandante Rolim "mais importante do que saber começar algo era saber terminá-lo". Acabou ? Sem novela mexicana, mas hombridade, caráter e coragem para enfrentar o problema. Necessitamos de brasileiros capazes de encarar estas demissões da vida. Sinto saudade do Comandante Rolim Amaro. Era um homem que sabia começar e terminar tudo o que se envolvia. É um exemplo de marketing pessoal, por ter sido humano, autêntico e por nunca ter escondido-se no anonimato. Lembre-se que um cliente falando mal tem a força de mais de 100 clientes falando bem. Então, o que queremos ?

Quando forem demitidos ou demitir-se, sempre encare de frente esta situação. Colabore com seu biógrafo, pois, sempre haverá alguém capaz de lembrar de suas grandes ações e das fugas que denigrem a inteligência e a capacidade humana dos outros. Tenho saudade do Comandante !

Carlos Eduardo Munhoz, administrador de empresas, MBA pela FGV e professor universitário.