Daniela Ramos Teixeira
Segunda, 8 de Setembro de 2008
Mercados altamente competitivos e dinâmicos, como TI e Telecom, deveriam utilizar mais as técnicas de Forecasting. Surpresas desagradáveis poderiam ser evitadas com redução de riscos e maior assertividade das áreas de negócio, principalmente, com a aplicabilidade da ferramenta Mercados Preditivos.
1. Mercado Preditivo Mercado Preditivo é um tipo de mercado que combina técnicas do mercado de apostas e do financeiro com o objetivo de prever eventos futuros. É uma ferramenta útil que contribui para a empresa enxergar novos ângulos competitivos, novos mercados, novas parcerias, quer seja na criação de “oceanos azuis”1, nas etapas para desenvolvimento de produtos ou na formação de redes de valor para parceiros.
Como funciona?
Os participantes devem ter um mínimo de conhecimento sobre o que vai ser perguntado. O objetivo é gerar informações de alta qualidade, fazendo prognósticos de eventos.
As decisões são individuais, sendo que os participantes são estimulados pela competição num ambiente de apostas. As premiações são recomendadas e, normalmente, baseiam-se na performance de cada participante.
A internet, intranet e portais B2B são ambientes apropriados para a aplicabilidade de Mercados Preditivos.
Vantagens e Aplicabilidade Apesar de pouco utilizada no Brasil, esta ferramenta tem vantagens que incluem a opinião assertiva de um grupo de especialistas (e não apenas de 1 ou 2 profissionais) a custos reduzidos e maior qualidade das respostas, se comparados com os métodos de pesquisa convencional.
Além de Inteligência Competitiva, a ferramenta Mercado Preditivo pode ser utilizada em projetos de Inteligência de Clientes, de Produtos e de Parceiros Estratégicos.
No setor de TI e Telecom, empresas como Google, Microsoft, Nokia e Motorola já utilizaram essa ferramenta, sendo que a tendência é a expansão do seu uso no ambiente empresarial, incluindo a aplicabilidade em eventos já iniciados e não apenas em eventos futuros.
A Business Week e o Boston Consulting Group fizeram uma pesquisa divulgada, recentemente, pela mídia das 50 empresas mais inovadoras. Das quatro empresas citadas acima que utilizam a ferramenta Mercados Preditivos, três delas estão entre as TOP 50 do ranking de 2008: Google (2º), Microsoft (5º) e Nokia (10º).
2. REVIE – Rede de Valor para Inteligência Empresarial O Mercado Preditivo é uma ferramenta de link para a construção da REVIE (Rede de Valor para Inteligência Empresarial) e representa um modelo de evolução dos métodos de pesquisa convencional, contribuindo com maior assertividade na construção de cenários com recomendações.
A Rede de Valor para Inteligência Empresarial (REVIE) é uma rede formada pela empresa, clientes e parceiros estratégicos (fornecedores, distribuidores, provedores de serviços) com o objetivo não só de reunir a informação e integrar os dados, mas de criar e partilhar o conhecimento com um nível de colaboração em que os ganhos e resultados sejam maximizados.
Figura 1 – REVIE (Rede de Valor para Inteligência Empresarial)

A REVIE é uma rede com o objetivo de agregar valor para as empresas no curto, médio e longo prazo em quatro eixos: produto, concorrência, clientes e parceiros estratégicos. Por ser uma Rede de Valor para Inteligência Empresarial (REVIE), a colaboração é uma das principais características dessa rede. Colaboração não apenas intra-empresarial, mas envolvendo desde clientes a parceiros/fornecedores. Esta é a principal diferença entre a REVIE e o Business Intelligence (Inteligência de Negócios).
O conhecimento e a colaboração são a base da Rede de Valor para Inteligência Empresarial (REVIE). A inovação e a criação de valor (para os clientes, empresa e acionistas) – os resultados.
3. Análises “What-IF” e Cenários Analíticos com Recomendações Além dos Mercados Preditivos, a construção de cenários com recomendações e as análises “What-If” destacam-se, também, como métodos para Forecasting.
A análise “What-If” é um método de manipular modelos quantitativos de situações de negócio na qual se especificam valores de decisão alternativos e hipóteses do ambiente. O software resolve o modelo e mostra os resultados preditivos (Davis & Kotteman, 1994).
O problema alertado por esses autores é que o usuário fica com uma ilusão de controle da situação e de que tudo se resolve com as análises “What-If”; o que é incorreto, pois programa nenhum substitui a capacidade analítica. As análises “What-If” são insumos para construir cenários analíticos com recomendações; ambos se complementam, sendo possível fazer recomendações sem as análises “What-If”.
Trabalhei em alguns projetos para clientes em que estruturei as análises de Forecasting num cenário de recomendações sem utilizar as análises “What-If”. Foram feitas projeções dos próximos passos da concorrência, dos parceiros em potencial e de crescimento de soluções no mercado. Os resultados para as empresas: investimentos assertivos para desenvolver novos negócios, respostas rápidas às ações dos concorrentes, criação de rede de valor para parcerias estratégicas e modelos de negócio colaborativos.
4. Forecasting: uma análise no mercado de Telecom Como o mercado de Telecom funciona, na maioria dos casos, com foco em ações imediatistas do tipo “apagando incêndio”, o que temos hoje é a aplicabilidade do cenário conclusivo, e não de Forecasting.
Hoje, poucos profissionais trabalham no nível de Inteligência Antecipativa. Isso inclui, também, empresas prestadoras de serviços de Inteligência Competitiva.
Quem acaba fazendo este trabalho é o consultor de negócios (às vezes terceirizado) ou o gerente de desenvolvimento de negócios, de produto; diretor nas médias empresas etc.
É importante alertar que a Inteligência Antecipativa, utilizando as técnicas de construção de cenários analíticos com recomendações para as empresas, pode ser estruturada no curto prazo, não só no longo prazo.
As empresas de Telecom deveriam estimular mais as atividades de Forecasting nas equipes de nível ‘especialistas e consultores’ das áreas de Negócio, Estratégia e Inteligência Competitiva/BI, com trabalho em conjunto de equipes multi-funcionais.
Os ganhos para a empresa são maximizados, incluindo agilidade na entrega do projeto, redução de custos com serviços de consultoria e maior conhecimento partilhado entre as equipes envolvidas.
Em Inteligência de Clientes, empresas, como a OI, utilizam modelos preditivos de aquisição e churn, mas ainda há um longo caminho a ser percorrido pelas empresas de Telecom.
5. Exemplo de Mercado Preditivo e a correlação com a opinião de especialistas e outros mercados

A figura mostra que “Saddam Security” (Segurança de Sadam – mercado preditivo: preço do contrato/pacto pagando $100 se Saddam for deposto) teve um movimento muito próximo à opinião de especialistas (Will Saletan’s “Saddameter” – estimou a probabilidade dos EUA irem para a guerra no Iraque) e aos preços do petróleo (correspondia à confusão no Oriente Médio). Esse gráfico mostra que os políticos e as autoridades utilizam muito mais do que métodos convencionais de pesquisa para avaliar as chances nas eleições e as escolhas governamentais. (SNOWBERG, E; WOLFERS, J; ZITZEWITZ, 2004)
Para a aplicabilidade de Mercados Preditivos no ambiente empresarial, a intranet ou mesmo os blogs podem ser utilizados para a construção de uma networking de especialistas com o objetivo de verificar, por exemplo, quais são as soluções com maior potencial de crescimento para futuros investimentos da empresa. Ou imagine um grupo de clientes pré-selecionados pela empresa, participando de um mercado preditivo com o objetivo de trazer novas idéias para o lançamento de um novo produto ou ampliar a utilização de um serviço já existente.
Depois das etapas de coleta e tabulação (processo on-line e automatizado por software), podemos fazer também correlações com dados do mercado/macro-econômicos ou pesquisas convencionais encomendadas.
O campo de oportunidades é imenso e, com os avanços da Web 2.0 e dos modelos de negócios colaborativos, o uso da ferramenta Mercado Preditivo já é uma realidade no campo de batalha empresarial; não apenas Forecasting.
BIBLIOGRAFIA - BALCEIRO, R. B. ; ÁVILA, G. M. ; CAVALCANTI, M. C. B. A função logística nas redes de valor. Trabalho apresentado no V SIMPOI 2002 – Operações e Redes Produtivas: Integração e Flexibilidade (Congresso). São Paulo: Fundação Getúlio Vargas, out. 2002. - CHAVES, B. B. Mercados Preditivos – o novo aliado das corporações. TerraForum Consultores, 2008. Disponível em: <http://www.terraforum.com.br/sites/terraforum/Biblioteca/MercadosPreditivos.pdf>. Acesso em: 29/05/2008. - KIM W. C; MAUBORGNE R. Blue Ocean Strategy: How to Create Uncontested Market Space and Make Competition Irrelevant. Harvard Business School Press, 1 edition, 2005. - MCGREGOR, J. The World's 50 Most Innovative Companies. Business Week, 04/2008. Disponível em: <http://www.businessweek.com/magazine/toc/08_17/B4081best_companies_at_innovation.htm?chan=magazine+channel_top+stories>. Acesso em: 06/2008. - SNOWBERG, E; WOLFERS, J; ZITZEWITZ, E. Information (in) Efficiency in Prediction Markets. Wharton School, University of Pennsylvania, 2004. Disponível em: <http://finance.wharton.upenn.edu/~rlwctr/papers/0502.pdf>. Acesso em: 06/2008. - TAPSCOTT, D. ; TICOLL, D; LOWY, A. Capital digital – dominando o poder das redes de negócios. São Paulo: MAKRON Books, 2001. - TEIXEIRA, D. R. Inteligência Empresarial: muito além do BI. 2008. Disponível em: <http://dramos-teixeira.blogspot.com/2008/05/inteligncia-empresarial-muito-alm-do-bi_20.html>. Acesso em: 06/2008. - WATKINS, J. H. Prediction Markets as an Aggregation Mechanism for Collective Intelligence, 2007. Disponível em: <http://public.lanl.gov/jhw/Publications_files/HCS_PM-1.pdf>. Acesso em: 05/2008.
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Marcelo Miyashita
Segunda, 25 de Agosto de 2008
Networking não é um acontecimento, é um processo. Muita gente só pensa na
sua rede de contatos quando precisa desesperadamente: uma meta de vendas para
cumprir ou a necessidade de um novo emprego. Infelizmente, ocorre na maioria dos
casos. A pessoa torna-se impertinente, irrelevante e, ainda por cima, pedinte. O
verdadeiro networking ocorre justamente pela via contrária, pela via do
oferecimento de ajuda, tempo, disponibilidade e proximidade. É praticar o velho
lema "ajude para ser ajudado".
Esse é o desafio do networker. Não dá para ajudarmos todos nossos contatos e nem
tomarmos café com todo mundo todo mês, então, precisamos encontrar fórmulas que
viabilizem essa prática. Primeiro, é preciso compreender que nossos contatos não
são iguais. Aliás, há uma escala de proximidade que deve estar clara: rede de
contatos, rede de conhecidos e rede de amigos. Com os contatos tivemos
exatamente isso: um contato. Nada mais. É o que acontece quando trocamos cartões
num evento ou quando alguém entra em contato conosco via e-mail. Já conhecidos
são pessoas mais próximas - não só temos seu contato, mas também as conhecemos e
somos reconhecidos por elas. É um grupo bem menor. E, claro, temos amigos, além
de familiares e parentes. Claro que vamos sempre priorizar os mais próximos no
nosso dia-a-dia. Ligamos, enviamos e-mails e, naturalmente, damos mais atenção e
ajuda para eles. Somos networkers com amigos pois é a essência do relacionamento
humano.
O ponto que precisa de mobilização e cuidado são as redes de contatos e
conhecidos. Não dá para manter relações com todos como mantemos com os amigos.
Até porque um bom networker consegue chegar no que chamo escala dos cinco (50
amigos, 500 conhecidos e 5000 contatos). Então, a questão é como praticar
networking com as redes de conhecidos e, principalmente, com as de contatos. É
preciso utilizar um pouco da base do conceito de marketing de relacionamento
praticado pelas organizações. Elas estabelecem esse follow-up em massa por meio
de ações de comunicação e atividades presenciais segmentadas. Por esse caminho
e, sempre fornecendo algo relevante e interessante, é possível nos mantermos
ativos com nossos contatos e conhecidos.
A internet tem ajudado muito nesse follow-up. Claro, é preciso praticar com
inteligência. Volta e meia eu recebo contatos de pessoas que simplesmente
perguntam: E aí? Tudo bem, como vão as coisas? E só. Ou pior, "oi, tudo bem,
indica o meu CV para seus amigos?" (?!). O fenômeno dos blogs tem demonstrado um
bom caminho. Muitos profissionais, ao criarem e manterem blogs relevantes, bem
posicionados, encontram um bom motivo para, por meio de uma prestação de
serviços, manterem-se ativos e gerando conhecimento para seus contatos e
conhecidos. É preciso compreender que a prática do networking exige preparação e
manutenção de serviços, seja por meio de um blog, seja promovendo encontros
temáticos, seja, simplesmente, atuando como conector entre as pessoas - levando
indicações e ajudando as pessoas, para não só pedir, mas também ajudar.
As redes sociais na internet (orkut, plaxo, linkedin) ajudam a manter os dados
dos contatos e conhecidos atualizados. Nesse sentido, é uma boa ferramenta, mas,
como disse, isso resolve parte do trabalho. Não adianta ter os dados limpos e
atualizados se não há uma mobilização disposta a servir aos contatos e
conhecidos.
Rede do Bem
Ser relevante é fundamental para manter a permissão ativa e só conseguimos isso
quando prestamos serviços para nossos contatos. Só para exemplificar, eu tenho
vários grupos de contatos, mas, nos últimos anos, um grupo foi ganhando forma e
representatividade: meus alunos. Como leciono há 11 anos e aplico cursos abertos
e in company há muito tempo também, fui formando muitos alunos. Exatos 3.409
alunos que crescem a cada nova turma ou curso que aplico. É uma massa crítica,
atuante no mercado, em posição de média gerência para alta, e muitos com poder
de contração e seleção em suas empresas. Todos, praticamente, preocupados com
sua carreira e seu crescimento profissional.
Com meus alunos formei o que chamamos de Rede do Bem. Uma rede colaborativa e
fechada (só entra na lista quem é aluno) de trocas de vagas de emprego, em que
os alunos que contratam priorizam e valorizam os colegas alunos nos processos
de seleção. É uma fórmula simples, baseada no envio de boletins via e-mail a
cada 15 dias. De 2006, quando a rede foi criada, para cá, foram distribuídas
entre os alunos 1.272 vagas de emprego! Ou seja, a cada quinzena eles recebem um
comunicado com uma média de 20 vagas de emprego ofertadas pelos próprios alunos
para os alunos. Por meio da Rede do Bem, consigo manter contato relevante e
pertinente com eles de uma forma que não conseguiria se não buscasse prestar um
serviço interessante e válido.
Por isso tudo que praticar networking dá muito trabalho. E a prática correta é
totalmente inversa à percepção que algumas pessoas têm: não se faz networking
explorando seus contatos para pedir coisas. Networking se faz ajudando,
fornecendo, informando e prestando serviços. Mobilizando-se para as pessoas,
conseguindo se manter interessante e não interesseiro. O networker é como um
líder: trabalha para servir seus contatos e consegue com eles mais envolvimento,
comprometimento e colaboração.
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Sérgio Dal Sasso
Segunda, 28 de Julho de 2008
1- O que é networking? Networking se confunde com marketing pessoal? "Networking" no mundo atual e competitivo se resume numa única frase: É o exercício da necessidade de se fazer competente e percebido nos meios que atuamos. Vejo o marketing pessoal como um adicional que envolve a arte do saber se relacionar, pois a imagem e qualidade no se comunicar (verbalização e construção da lógica nos contatos de aproximação) podem gerar pelo marketing pessoal um diferencial que alimente o sucesso nas relações.
2- Por que fazer networking? Já houve um tempo aonde podíamos se dedicar mais as nossas atividades técnicas, aonde a formação e o conhecimento eram os fatores principais de procura e garantia de bons contatos. No mundo atual, pela própria existência de grandes disponibilidades de potencial humano em todos os segmentos... Deter o conhecimento já não é garantia de resultados. Em todas as atividades temos que sair das "zonas do conforto" pela procura dos mercados, das relações, e dos meios de suporte e visibilidade ao que nos propomos. Quanto aos diplomas e nossa sabedoria, que garantem a potencialidade do exercício das funções, podem até serem esquecidos nas gavetas, no caso de não conseguirmos "plantar bases" que façam com que as pessoas percebam nossas existências.
3- Como se constrói um bom networking? A primeira barreira é a quebra dos paradigmas que nos impedem a evolução do ser expositivo, do saber se comunicar, do se mostrar interessante a ponto de conseguir criar vínculos. Num processo natural é preciso entender que sonhos exigem mudanças de hábitos e muitas vezes quebras dos medos, dos fatores que nos impedem de sermos pessoas que de fato integrem visões e percepções com atitudes, ações e resultados.
Nosso "networking" se inicia quando iniciamos os passos para cultivar pessoas, ligando-as a um processo seletivo pela afinidade. Sua profissão acontece quando o foco do que se pretende estiver ligado a um plano seletivo de busca capaz de gerar quantidade com qualidade. Toda perfeição e resultados nesse sentido vêm da pratica, do exercício contínuo do usar, traduzindo do esforço algo a ser incluído dentro das nossas qualidades de forma natural e espontânea.
4- Nos dias atuais, um bom networking é essencial para o profissional alavancar a carreira? Sem dúvida 100% necessário, pois o isolamento e a ausência de um comportamento pró-ativo serão sempre eliminatórios no mundo aonde cada vez mais temos que adicionar valores ao que já somos.
5- Se possível, algumas dicas de como usar seu networking e não confundí-lo com relacionamento de amizade. - Bons contatos não são só determinados por pessoas iguais em afinidades, e sim pelo enriquecimento da nossa capacidade, para poder satisfazer aos grupos heterogêneos com os quais vamos ter que conviver.
- Saber lidar com um "Bom dia Senhor", tanto quanto, com um "Fala Cara... ta na Boa" depende das aptidões que adquirimos pela evolução natural e espontânea com terceiros, para somar, ampliar e complementar ao que somos e pretendemos ser.
- A Internet contribui hoje para trazer mais possibilidades de contatos, mas seu uso para um bom "Networking" tem que estar incluído de foco e busca adequada dos grupos e segmentos que preiteamos para nossas inclusões. "É preciso ser participativo em fóruns de discussão e canalizando pessoas interessantes para perto de você. Só assim é possível construir um diferencial competitivo para oportunidades futuras de carreiras".
- Na arte do contato, iniciamos, desenvolvemos, decepcionamos e ficamos decepcionados, surpreendemos e somos surpreendidos, até que as conquistas, sempre em processo de reciclagem pelo entra e sai, gerem fatores de dependência mutua e necessidade de compartilhamento, para adição aos processos de comprometimento e cumplicidade dos grupos e seus interesses.
6 - Fique à vontade para acrescentar o que julgar necessário. Mais do que ser um bom sujeito ou um profissional capaz, se de fato somos é porque temos apoio e aval daqueles que nos envolvemos, pois longe de tapinhas nas costas e de sorrisos do tipo "comercial de pasta dental", nosso grau de liderança e conquistas tem a ver com os alicerces de sustentação: pelas aprovações, troca de valores e aceitabilidade.
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Jerônimo Mendes
Segunda, 7 de Julho de 2008
De acordo com Jeffrey Gitomer, autor de A Bíblia de Vendas, "fazer contatos é
mera questão de ser amigável, de ter capacidade para se entrosar e de estar
disposto a dar algo de valor primeiro". Quando você conseguir combinar esses
três atributos, terá descoberto o segredo que há por trás dos poderosos contatos
que levam a relacionamentos ainda mais valiosos.
De fato, no mundo dos negócios, as pessoas preferem fazer negócios com
amigos, portanto, para galgar a escada do sucesso, muito mais do que estratégia,
novas técnicas e formação educacional, você precisa mesmo é de amigos. E amigos
de verdade, independentemente do grau de interesse, vão querer ajudá-lo sempre,
por toda a vida.
Isso funciona muito bem entre turcos, libaneses, gregos, japoneses e judeus,
basta observar. Você já testemunhou alguém dessa origem pedindo esmolas no
sinaleiro? De uma forma ou de outra, eles estão sempre se ajudando, além de
levantar cedo, não ter vergonha de ir para trás do balcão para vender roupas,
fritar pastel ou ainda colher alfaces às cinco da manhã para vender na feira.
Em geral eles são muito unidos e, por ter vivido uma experiência amarga no
passado – por conta de guerras, distanciamento da terra natal e perseguições de
toda ordem - sabem que a união é um dos pilares da sobrevivência e também da
prosperidade. Nós, brasileiros, por razões históricas, somos muito
individualistas e acabamos competindo conosco mesmo e nunca tivemos uma cultura
voltada para a união e o bom relacionamento. Em geral, temos dificuldades
enormes de aplaudir o sucesso alheio, de ajudar e de torcer pelos amigos.
A questão é: até que ponto seus contatos são bons e podem ajudá-lo a subir na
escada da vida? Eu, por exemplo, conheci um bocado de gente durante a minha
trajetória de vida pessoal e profissional, nas empresas onde trabalhei, nas
universidades onde lecionei e durante as palestras em que ministrei. Entretanto,
se alguém me perguntar quão importante isso foi para estabelecer um
relacionamento duradouro, creio que somente o tempo poderá responder a essa
pergunta.
Quando você está tentando estabelecer contatos sólidos e duradouros, você deve
estar disposto a oferecer algo de valor primeiro. Como fazer isso? Toda vez que
encontrar alguém, em vez de ficar paparicando e tecendo elogios falsos
simplesmente para agradar, disponha-se a ouvir mais e a ajudar de alguma forma.
Pergunte sempre: como é que você pode fazer com que a pessoa se sinta bem depois
de um simples contato contigo?
Essa simples lição faz você crescer em todos os sentidos. Fazer com que os
outros se sintam bem, estar disposto a ajudá-los mediante um simples conselho e
oferecer algo de valor sem pretensão de ganhar algo em troca é uma poderosa
forma de ampliar o seu networking. Esse é um dos motivos pelo qual eu adotei o
firme propósito de escrever e enviar uma mensagem de valor para milhares de
pessoas semanalmente.
Penso que quanto mais pessoas estiverem afinadas com a minha forma de pensar e
de agir, maior o meu nível de relacionamento e o número de contatos sólidos
estabelecidos. Não faço isso toda semana para ganhar dinheiro e ficar rico, mas
para que minhas mensagens sejam lidas no Brasil inteiro. De alguma forma, penso
que o meu nível de relacionamento vai melhorar a cada dia. Leva tempo para
construir uma boa rede de contatos.
Para Charlie "Tremendous" Jones, "a diferença entre sua situação atual e sua
situação daqui a um ano será determinada pelas pessoas que você conhece e pelos
livros que você lê." Com base nisso, tenha em mente o seguinte: a questão não é
apenas quem você conhece, mas quem, de fato, conhece você. Criar valor para as
pessoas na vida e no trabalho é também criar referência. Ser referência para os
amigos e para os negócios é uma excelente maneira de aumentar o poder do seu
networking.
Uma pergunta fundamental: como é que você gostaria de ser lembrado com
freqüência? Como alguém que reclama ou alguém que resolve problemas, atrai
coisas boas e gera valor para as pessoas ao seu redor? Quando você procura
agregar valor ao mundo, as pessoas que fazem parte do seu círculo de
relacionamentos são afetadas positivamente. Pode levar tempo, mas um dia elas
acabam te dizendo isso, o que, por si só, compensa todo o esforço.
Proporcionar valor às pessoas significa, antes de tudo, oferecer primeiro antes
de pedir. Em outras palavras, significa ajudar os outros para que, um dia,
quando necessário, eles também se sintam inclinados a ajudá-lo. Nesse sentido,
você precisa estabelecer um terreno comum, uma forma de aproximação com a pessoa
que você deseja ter no seu círculo de relacionamentos. A melhor forma de fazer
isso é oferecer valor primeiro.
Empregos, oportunidades de negócios, coisas boas em geral, surgem para aqueles
que possuem elevado grau de relacionamento. Não adianta se rebelar contra isso.
Por mais que você trabalhe, estude e se esforce, lembre-se de que a maioria das
vagas disponíveis nas empresas é preenchida através de networking, ou seja, por
indicação de amigos infiltrados dentro das empresas. O mesmo vale para os
negócios.
As coisas que você diz e escreve e as perguntas que você faz combinadas com sua
crença, paixão e atitude, são fundamentais para ampliar o seu nível de
relacionamento. Confesso que melhorei bastante nesse sentido, mas ainda tenho
muito que aprender. Ser conhecido entre amigos, clientes e fornecedores é um
pré-requisito valiosíssimo para melhorar o seu networking.
Por fim, deixo aqui algumas dicas que aprendi a utilizar para ampliar o meu
networking. Espero que isso o ajude de alguma forma. Leia e não esqueça que
adicionar o meu e-mail e o meu site na sua lista de contatos. Não quero perder o
contato contigo nos próximos 60 anos. Temos muito em comum e podemos nos ajudar
mutuamente.
1. Quanto mais pessoas estiverem afinadas com o seu jeito de pensar e agir, mais
chances você terá de ampliar o seu networking;
2. Não tenha medo ou vergonha de estabelecer um contato, mas tenha bom-senso;
respeite a privacidade e a agenda de quem você deseja fazer contato;
3. Para fazer amigos e bons contatos, seja simples, sincero, jogue limpo e
ofereça algo de valor primeiro;
4. Não se esqueça dos seus amigos de infância, de escola e de faculdade;
interesse-se por eles e não perca o contato; o mundo é redondo e um dia você hão
de se encontrar novamente;
5. Se você tem o hábito de oferecer algo de valor para pessoas ao seu redor,
seguramente elas desejarão fazer parte da sua rede.
Por fim, as palavras de Gitomer encerram a nossa lição de hoje: "coisas boas vem
para os que têm paciência e adotam medidas consistentes e persistentes para
conseguir o que querem." Quanto maior for a sua rede de contatos, maior a chance
de você obter ajuda e crescer profissionalmente.
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Sérgio Dal Sasso
Terça, 4 de Março de 2008
Nota: Entrevista Sérgio Dal Sasso e José Augusto Minarelli para o portal da FEA-USP - Faculdade de Economia e Administração. Jornalista Responsável: Elea Cassettari
Com a crescente competitividade profissional, os quesitos que impulsionam uma pessoa a ser bem-sucedida vão muito além da formação acadêmica e cultural. Uma das ferramentas com cada vez mais importância para determinar novas oportunidades de carreira é a rede de contatos ou networking.
Sérgio Dal Sasso, formado em Administração pela FEA-USP, hoje educador profissional, afirma que a partir da década de 90, o mercado passou a exigir mais produção em menos tempo, o que pede uma maior e melhor integração entre os profissionais. Por causa disso, um bom relacionamento interpessoal se tornou essencial para o desenvolvimento de qualquer carreira.
Para ele, o networking começa desde antes da faculdade, quando uma boa rede é medida pela quantidade de contatos que alguém possui. Com o passar dos anos, o fator quantidade muda para qualidade. "O objetivo final é ter a maior quantidade possível de contatos com qualidade", afirma Dal Sasso.
A importância do networking vai além, como lembra José Augusto Minarelli, orientador profissional, que ressalta que hoje isso é um dos fatores de empregabilidade. "A partir de sua rede, você recebe novas informações, fica sabendo sobre eventos, compra e vende serviços, recebe e dá indicações", explica.
Segundo Minarelli, mais essencial que expandir sempre uma rede de contatos é sua manutenção feita em momentos posteriores ao primeiro encontro com o profissional. Para isso, deve-se mostrar ao contato que ele é valorizado, pois "a valorização da fonte faz com que ela se sinta bem para aconselhar, indicar e informar". Além disso, ele frisa que o fato de que todos os contatos são muito importantes, independentemente do nível sócio-econômico e profissional de cada um.
Há quem considere o networking uma prática exploratória usada por pessoas interesseiras. Tanto Dal Sasso quanto Minarelli, porém, ressaltam que a rede é uma troca de conhecimentos e favores entre indivíduos: as duas pessoas se beneficiam na relação e costumam ter um real interesse uma pela outra. "A grande vantagem do networking é que você dá e recebe ajuda gratuitamente", diz Minarelli, enquanto que Dal Sasso lembra que "estar sozinho é ter mais riscos".
Uma das dicas que os dois profissionais deram para expandir a rede profissional é identificar onde estão as pessoas certas e participar desse meio, tanto pessoal quanto virtualmente. Para um primeiro contato, Minarelli aconselha fazer uma abordagem "simples, educada e direta", além de apresentar um cartão de visitas com nome, profissão, telefone e e-mail para a pessoa ter acesso ao profissional.
A Internet contribui hoje para trazer mais possibilidades de contatos, como lembra Dal Sasso. "É preciso ser participativo em fóruns de discussão e puxar as pessoas interessantes para perto de você. Só assim é possível construir um diferencial competitivo para oportunidades futuras de carreira", explica.
Outro ponto essencial para expandir uma rede de contatos é o profissional variar o grupo de pessoas com quem convive e buscar se apresentar a desconhecidos. Caso contrário, como afirma Minarelli, as pessoas tendem sempre a permanecer junto aos mesmos contatos. "É importante sempre conhecer pessoas novas. Quem conhece mais gente tem mais possibilidades", afirma.
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