Avatar

A Teoria dos 2 Fatores

Quarta, 17 de Setembro de 2008
Um dos temas que mais me pedem ao dar palestras é “motivação”.Talvez fosse interessante revermos uma das teorias mais antigas que existe sobre a motivação das pessoas no trabalho – a Teoria dos Dois Fatores, de Frederick Herzberg.

No seu livro A Motivação para Trabalhar (The Motivation to Work), Herzberg resumiu os resultados da pesquisa que fez, na qual perguntava aos funcionários de empresas o que os motivava a trabalhar e o que os desmotivava. Ele desenvolveu o que chamou de fatores motivacionais (que motivam as pessoas a trabalhar) e higiênicos (usando higiene no sentido de fatores de manutenção, que não trazem necessariamente satisfação, mas que provocam insatisfação e desmotivação quando não presentes).

Com base no trabalho de Herzberg, podemos criar uma tabela simples para entender melhor o assunto. Esses são os itens que mais desmotivam e os que mais motivam as pessoas no trabalho (em ordem de prioridade e importância dentro de cada grupo):

Fatores desmotivacionais (higiênicos)

- Normas da empresa
- Supervisão
- Relacionamento com o chefe
- Condições de trabalho
- Salário
- Relacionamento com os colegas

Fatores motivacionais

- Conquistas
- Reconhecimento
- Trabalho sendo realizado
- Responsabilidades
- Avançar na carreira
- Crescimento pessoal

Embora existam críticas à teoria (a principal é que é natural do ser humano achar que a culpa da desmotivação é sempre dos outros – dê uma olhada na lista e note como todos os fatores desmotivacionais são externos), uma empresa que queira analisar por que sua equipe não está tão motivada quanto deveria tem aqui uma lista simples, para começar.

Para Herzberg, a direção da empresa não tem de dedicar-se apenas a diminuir os fatores desmotivacionais, mas também a investir nos fatores motivacionais se quiser que a sua equipe produza com todo o potencial.

Veja que se falarmos especificamente de equipes de vendas, comissão (que faz parte de salário) é apenas uma das 12 opções que um gerente tem para motivar a sua equipe. Ou seja, não adianta apenas pagar bem se depois todo o resto está errado e também não adianta ter um ótimo ambiente de trabalho, mas sem perspectivas de crescimento (ou pagando mal). Equilibrar tudo isso é o desafio do bom líder e a diferença entre uma equipe com o freio de mão puxado e uma equipe de vendedores 100% engajada, produtiva e estimulada a vender mais e atender melhor os seus clientes.

Palestra motivacional só para comemorar resultados – antes é preciso arrumar a cozinha.

Avatar

A Teoria dos 2 Fatores

Terça, 6 de Maio de 2008
Um dos temas que mais me pedem ao dar palestras é "motivação".Talvez fosse interessante revermos uma das teorias mais antigas que existe sobre a motivação das pessoas no trabalho - a Teoria dos Dois Fatores, de Frederick Herzberg.

No seu livro A Motivação para Trabalhar (The Motivation to Work), Herzberg resumiu os resultados da pesquisa que fez, na qual perguntava aos funcionários de empresas o que os motivava a trabalhar e o que os desmotivava. Ele desenvolveu o que chamou de fatores motivacionais (que motivam as pessoas a trabalhar) e higiênicos (usando higiene no sentido de fatores de manutenção, que não trazem necessariamente satisfação, mas que provocam insatisfação e desmotivação quando não presentes).

Com base no trabalho de Herzberg, podemos criar uma tabela simples para entender melhor o assunto. Esses são os itens que mais desmotivam e os que mais motivam as pessoas no trabalho (em ordem de prioridade e importância dentro de cada grupo):

Fatores desmotivacionais (higiênicos)

- Normas da empresa
- Supervisão
- Relacionamento com o chefe
- Condições de trabalho
- Salário
- Relacionamento com os colegas

Fatores motivacionais

- Conquistas
- Reconhecimento
- Trabalho sendo realizado
- Responsabilidades
- Avançar na carreira
- Crescimento pessoal

Embora existam críticas à teoria (a principal é que é natural do ser humano achar que a culpa da desmotivação é sempre dos outros - dê uma olhada na lista e note como todos os fatores desmotivacionais são externos), uma empresa que queira analisar por que sua equipe não está tão motivada quanto deveria tem aqui uma lista simples, para começar.

Para Herzberg, a direção da empresa não tem de dedicar-se apenas a diminuir os fatores desmotivacionais, mas também a investir nos fatores motivacionais se quiser que a sua equipe produza com todo o potencial.

Veja que se falarmos especificamente de equipes de vendas, comissão (que faz parte de salário) é apenas uma das 12 opções que um gerente tem para motivar a sua equipe. Ou seja, não adianta apenas pagar bem se depois todo o resto está errado e também não adianta ter um ótimo ambiente de trabalho, mas sem perspectivas de crescimento (ou pagando mal). Equilibrar tudo isso é o desafio do bom líder e a diferença entre uma equipe com o freio de mão puxado e uma equipe de vendedores 100% engajada, produtiva e estimulada a vender mais e atender melhor os seus clientes.

Palestra motivacional só para comemorar resultados - antes é preciso arrumar a cozinha.

Avatar

As Pedras do Sucesso

Sabado, 3 de Maio de 2008
Estamos sempre em processo de transformação, incluindo aquelas que motivam que nos fazem crescer, e aquelas que queremos esquecer, do tipo idade que não volta. Ao longo dos anos passamos por oportunidades que quando percebidas podem resultar em sucessos ou fracassos.

O poder da percepção com exercícios práticos geram ações continuadas, que podem definir o índice dos acertos a serem somados na sua trajetória.

Uma visão clara e objetiva dos instrumentos necessários do sucesso que se pretende deverá ser desenvolvida ao longo da sua vivencia e experiência. O tempo necessário para a realização destes objetivos dependerá da atitude, vontade e quebra de barreiras que intimidam a pratica das ações.

Quando era mais novo, acreditava ser a competência, a pedra fundamental para que pudesse alcançar o topo dos meus sonhos, do meu sucesso.

Com todo e qualquer aspirante ao mercado de trabalho, iniciei meu aprendizado buscando informações que somassem ao processo de capacitação de forma a despertar interesse de potenciais compradores do meu "suposto" potencial.

Era preciso dispor de condições mínimas para ser pretendido frente aos outros. Por ter feito uma faculdade de primeira linha, não tive muitos problemas para conquistar o meu primeiro emprego.

Alguns meses se passaram e fui percebendo a distancia existente entre o possuir um conjunto de diplomas e a sua capacidade de realizar ações condizentes com a sua função empresarial. A primeira lição estava aprendida, estar capacitado para ser selecionado era muito diferente do que ser competente para continuar empregado.

Algumas promoções me fizeram acreditar que estava no caminho certo, afinal tinha conquistado a admiração do chefe e ainda estava crescendo e vencendo a concorrência interna.

Sem perceber, a cada passo produzia um distanciamento maior em relação aos que ficavam, satisfazia a um e ignorava os outros dez. Um dia aquele que sempre acreditou em mim, partiu para outras conquistas, fiquei com outros e com o clima que tinha criado.

Não suportei, troquei de empresa, mas apreendi que competência não poderia ser autodefinida por si ou mais alguém, mas pelo conjunto de pessoas que nos assistiam ou dependiam de nossas realizações. A vivência estava mostrando que o "eu" deveria ser substituído e somado com o "nós".

Não foi fácil entender que precisava dos outros, que o resultado da competição dependia da qualidade de todos e que todos acima da empresa, tinham objetivos e sonhos da mesma forma que você. É fato confesso, que a idéia do coletivo veio inicialmente pela necessidade de se preservar, buscando pela evolução do relacionamento, uma maior segurança para as conquistas futuras.

Os primeiros frutos desta nova atitude resultaram em ganhos pessoais, aumentando significativamente à vontade de estar no negocio, ampliando o comprometimento por participar com a sua parte na parte dos outros e se preocupando com este fato.

Ao longo deste aprendizado, fui percebendo que empresas morriam, não tanto pela ausência de mercados, de produtos, de tecnologia, mas pelo entendimento de que mesmo tendo objetivos pessoais, às vezes tão diferentes, tínhamos que ter conjuntos homogêneos que propiciassem meios para nossas realizações.

A evolução deste relacionamento fez com que percebesse que no fundo tínhamos construções maiores para nossas vidas e que o negócio era parte da passagem destas realizações. Estando na organização vivíamos um meio que propiciava a continuidade e assim deveríamos nos unir, trocando conhecimentos, desenvolvendo soluções, aplicando-as sempre com a certeza que os resultados viriam na forma de uma maior referência de mercado e que isso, diretamente somaria para a equipe que vinha produzindo o feito.

A redução dos ciclos trouxe a obrigatoriedade de se criar, de se realimentar diariamente. A administração do tempo e o crescimento das famílias (relações) passaram a ser chave de êxito para a continuidade dos nossos negócios e carreiras. Nossos negócios e carreiras dependem do "bem estar diário", da disposição pelo avançar, da evolução do nosso equilíbrio frente a todas as situações reais que vivenciamos.

Avatar

Um Olhar mais amplo Sobre o Mercado de Premiação e Incentivo

Quinta, 31 de Maio de 2007
Há algum tempo o mercado de marketing de incentivo vem passando por uma reacomodação, ou seja, uma revisão em seu modelo, tanto no que se refere à premiação, quanto ao conteúdo e abordagem das próprias campanhas e eventos. Isso é uma demonstração de amadurecimento e do desejo de tornar o mercado muito mais profissionalizado, bem equipado, e alinhado com as necessidades dos clientes. As campanhas, por exemplo, deixam de ser apenas uma "carinha bonita" para a mecânica e a mensuração de desempenhos, para serem, verdadeiramente, ferramentas gerenciais.

Não basta apenas motivar pessoas, é preciso aparelhá-las para o cumprimento das metas e desafios. Já foi o tempo em que as campanhas começavam com uma meta e terminavam com um prêmio. Hoje, é preciso rechear esses dois pólos com instrumentos que levem os profissionais ao cumprimento e superação de suas metas. Estamos falando de informação.

Por outro lado, estamos falando também de tecnologia para a gestão das campanhas e do desempenho dos profissionais, de modo a orientar estratégias, peças e ações mais focadas e assertivas. Quer dizer, estamos trazendo a inteligência dos programas de loyalty/relacionamento para dentro das campanhas. Assim, reduzimos custos, focamos o trabalho, falamos de maneira mais dirigida e personalizada, aperfeiçoamos os processos e ficamos sabendo com precisão de onde vem o resultado e para onde devemos direcionar os esforços.

Com isso, as empresas de marketing de incentivo deixam de ser apenas fornecedores, tornando-se parceiros e consultores de motivação e desempenho. E, nessa linha, as campanhas também passam a adotar uma visão estratégica mais ampla, oriunda das ferramentas de RH, de desenvolvimento de pessoas e de comportamento - visão também utilizada pelos programas de endomarketing.

Como se pode ver, o marketing de incentivo evolui, inova, cresce com mais consistência e profissionalismo, agregando valor através desta visão holística, de 360º, para atender o cliente numa necessidade mais ampla do que apenas cumprir ou superar metas, até porque, para atingir seus objetivos através da motivação das pessoas, é importante olhar para dentro da empresa, conhecer bem seus processos, produtos, o clima organizacional e, principalmente, a concorrência, os clientes e o mercado como um todo. Não se pode olhar apenas para a maneira pela qual as pessoas se motivam a correr atrás de metas e objetivos.

Pontos positivos e negativos

Enquanto existirem empresas que buscam resultados através da valorização das pessoas, haverá espaço para o marketing de incentivo profissional, maduro, parceiro do cliente. Um dos mais importantes pontos positivos neste aspecto é exatamente como o mercado tem crescido e aberto espaço para tantas novas empresas e fornecedores da indústria - palestrantes, empresas de treinamento motivacional, eventos, espaço em hotéis para o segmento corporativo, viagens, diversificação nos produtos de premiação.

Hoje, temos representatividade no mercado e nas entidades de classe. Temos espaço nas mais variadas mídias, incluindo veículos especializados. O que pode ser mais positivo que o reconhecimento do mercado, que a abertura do mercado dos clientes já incluindo em seus budgets anuais ações de incentivo, motivação e desenvolvimento de pessoas?

Isso leva a um tipo de projeto muito menos "purpurina", como se fazia no princípio dos anos 90, e muito mais de conteúdo, focado no negócio, nas estratégias das empresas, nas competências.

De negativo, falta ainda maior união dos players em torno de causas mais nobres, porque o incentivo, em sua essência, é uma ferramenta nobre, atua no âmago das pessoas, mudando atitudes e comportamentos, gerando resultados elevados.

Faltam, ainda, investimentos maiores em tecnologias de gestão, atualização, benchmarking e, ao final, a consciência geral de quanto o incentivo pode contribuir para melhorar as pessoas e as empresas, através de atitudes e pensamentos positivos, grandiosos, nobres.

O futuro

Dentro das perspectivas de maior interesse dentro do marketing de incentivo, as ferramentas que têm mais espaço para desenvolver-se e ganhar ainda mais projeção, são as de premiação, mais especificamente os cartões, principalmente os de compra. Com a iminente criação de um marco regulatório para esta modalidade de incentivo, todo o setor será beneficiado. A premiação através de cartões será sustentada por uma legislação propulsora deste desenvolvimento sustentável e as lacunas existentes hoje serão, de fato, preenchidas pela legitimação de mecanismos de tributação.

A partir daí, teremos, em primeiro lugar, uma depuração do próprio mercado, onde irão permanecer os mais éticos e profissionais, aqueles que olham muito mais para o mercado do que apenas para o seu negócio. Depois, teremos uma aceitação maior por parte dos clientes, sobretudo daqueles que atuam regidos pelos mesmos princípios e os mesmos valores, o que levará a um crescimento consistente e sustentado.

Pensamos também que o mercado vai continuar evoluindo e procurando novas alternativas mais criativas, tecnológicas e surpreendentes, pois o marketing de incentivo, como de resto todas as ferramentas de comunicação, só sobrevive e cresce à medida que evoluem em matéria de criatividade.

Criatividade e inovação são, ao final, o norte, as palavras de ordem e os parâmetros de qualidade. Com o marco regulatório e a conseqüente retomada do crescimento sustentável da premiação o futuro terá seu foco nos produtos de compras. Dentro destes, vemos o amadurecimento no negócio de catálogos on-line, em que os premiados trocam seus pontos acumulados em campanhas por uma variedade de bens com a comodidade do recebimento em casa.

Também temos mercado para que as empresas estimulem seus funcionários em temas específicos como saúde e bem estar, ginástica, construção da casa própria, cultura, entre outros. Para atender a esta demanda surgem os cartões de compras temáticos, com redes de compra segmentadas. A segmentação da rede pode ser por uma loja específica ou ramos de atividades.

No futuro, enfim, a premiação terá a identidade da necessidade do premiado.


Jorge Medauar é diretor de criação e Ana Cristina Pereira é coordenadora de produtos de premiação da Incentive House, uma empresa do grupo Accor

Avatar

Maslow e Marketing

Quinta, 31 de Maio de 2007
1.  INTRODUÇÃO

São vários os fatores que interferem no comportamento de compra e que afetam a escolha do consumidor por determinado produto ou marca. Fatores culturais, sociais, familiares, econômicos e psicológicos agem em conjunto de forma a tornar complexo a identificação do fator preponderante em uma decisão de compra. No mundo atual, com as arenas cada vez mais competitivas, o conhecimento destes torna-se primordial na busca da tão almejada vantagem competitiva pelas empresas e organizações.

Tal conhecimento é fundamental para a compreensão das necessidades e desejos de determinados grupos e para a determinação de mercados-alvo a serem atendidos por uma empresa, bem como, na definição de estratégias e compostos de marketing que deverão ser utilizados (Sandhusen, 1998).

Os fatores psicológicos muitas vezes são negligenciados pelas empresas que não dispõem de profissionais capacitados para interpretá-los e conhecê-los mais profundamente. Na maioria das vezes aqueles que lidam mais diretamente com o consumidor, também não estão preparados e se prendem ao preço do produto, considerando-o como fator determinante na decisão de compra. Esquecem que não só o preço agrega valor ao cliente, mas também o serviço (por exemplo: o bom atendimento). Fatores psíquicos também influenciam a decisão de compra por determinadas marcas de produtos independentes de seu preço. O preço elevado, muitas vezes, acaba sendo o fator determinante que leva à aquisição daquele produto e não de outro mais barato, na medida em que atua elevando a auto-estima de quem o utiliza.

Este artigo tem por objetivo refletir sobre estes fatores psicológicos que interferem no comportamento de compra do consumidor, através do estudo da teoria motivacional de Maslow. É nosso intuito fazer uma análise dos pressupostos fundamentais desta teoria, refletindo em novas possibilidades de seu uso, pela empresas e pelos profissionais de marketing, indo além dos conceitos simplistas da hierarquia das necessidades.

2. DESENVOLVIMENTOe você estiver interessado em Psicologia, Liderança e Motivação, visite o Portal da Psique.

Diversos são os fatores que influenciam ou determinam a aquisição de um produto por um consumidor. Churchill & Peter (2000) descrevem o processo de compra de produtos ou serviços definindo-o em cinco etapas: reconhecimento da necessidade, busca de informações, avaliação das alternativas, decisão de compra e avaliação pós compra (ver FIGURA 1).

Segundo eles o reconhecimento de uma necessidade pode advir de estímulos internos (fome, sede, cansaço ou interesses pessoais) ou externos (comerciais em geral, incentivo de outras pessoas etc.).

Os autores acima citados, dizem que quando os estímulos ou impulsos são internos ao indivíduo são chamados de motivação.

A teoria da motivação de Maslow é citada pela maioria dos autores expressivos na área de marketing como Kotler (1998); Churchill & Peter (2000) e também por Sandhusen, (1998); Semenik & Bamossy, (1995). Para esses autores o conhecimento desta teoria é necessária ao profissional de marketing, visando a compreensão dos fatores psicológicos determinantes do comportamento humano e, portanto, do comportamento de compra do consumidor.

Deste modo, Kotler (1998:173) afirma que "a teoria de Maslow ajuda o profissional de marketing entender como vários produtos se ajustam aos planos , metas e vidas dos consumidores potenciais".

Esta teoria é fundamental para a compreensão dos fatores que motivam o comportamento, impulsionando o indivíduo a agir. A teoria motivacional possibilitaria a compreensão, principalmente, da primeira etapa do processo de compra descrito acima: o reconhecimento da necessidade.

2.1. Teoria da Motivação de Maslow

Maslow procurou compreender e explicar o que energiza, dirige e sustenta o comportamento humano. Para ele, o comportamento é motivado por necessidades a que ele deu o nome de necessidades fundamentais. Tais necessidades são baseadas em dois agrupamento: deficiência e crescimento. As necessidades de deficiência são as fisiológicas, as de segurança, de afeto e as de estima, enquanto que as necessidades de crescimento são aquelas relacionadas ao auto-desenvolvimento e auto-realização dos seres humanos (HUITT,1998).

Para ele tais necessidades apresentam-se numa hierarquia de importância e premência, conforme ilustrado na FIGURA 2.

Figura 2 - Hierarquia das Necessidades - Pirâmide Motivacional

necessidades de auto realização

necessidade de estima

necessidades de amor/sociais

necessidades de segurança

necessidades fisiológicas

Fonte: Adaptado de Chiavenato, 1994. p.170

As necessidades fisiológicas se referem às necessidades biológicas dos indivíduos, como a fome, a sede, o sono. São as mais prementes e dominam fortemente a direção do comportamento caso não estejam satisfeitas:

"Se todas as necessidades estão insatisfeitas e o organismo é dominado pelas necessidades fisiológicas, quaisquer outras poderão tornar-se inexistentes ou latentes. Podemos então caracterizar o organismo como simplesmente faminto, pois a consciência fica quase inteiramente dominada pela fome. Todas as capacidades do organismo servirão para satisfazer a fome..."(Maslow, 1975:342)

Se você estiver interessado em Psicologia, Liderança e Motivação, visite o Portal da Psique.

Assim, uma pessoa dominada por esta necessidade tende a perceber apenas estímulos que visam satisfazê-la, sua visão de presente e futuro fica limitada e determinada por tal necessidade.

Maslow (1975:343) ressalta que é impossível a uma pessoa faminta pensar em liberdade, amor, sentimentos humanitários e respeito, pois tais conceitos e sentimentos "não enchem o estômago".

As necessidades de segurança surgem na medida em que as necessidades fisiológicas estejam razoavelmente satisfeitas. Levam a pessoa a proteger-se de qualquer perigo, seja ele real ou imaginário, físico ou abstrato. Semenik & Bamossy (1995) enfatizam que todo ser humano necessita de abrigo e proteção para o corpo e de manutenção de uma vida confortável. Assim, como na necessidade fisiológica, o organismo pode ser fortemente dominado por tal necessidade, que passa a dirigir e a determinar a direção do comportamento.

Tendo satisfeitas as necessidades acima, surgem as necessidades de amor, afeição e participação. Segundo Maslow (1975) esta se refere à necessidade de afeto das pessoas que consideramos (namorado, filhos, amigos). São necessidades sociais presentes em todo ser humano: "... a pessoa passa a sentir, mais intensamente do que nunca, a falta de amigos, de um namorado, de um cônjuge ou de filhos (...) seu desejo de atingir tal situação será mais forte do que qualquer coisa no mundo" (Maslow, 1975: 350). Para ele a frustração dessas necessidades levam à falta de adaptação e a psicopatologias graves.

As necessidades de estima se referem às necessidades ou desejos das pessoas de uma auto-avaliação estável, bem como, uma auto-estima firme. A satisfação desta necessidade gera sentimentos de auto-confiança, de valor, de capacidade e sentimento de utilidade. Sua frustração leva a sentimentos de inferioridade, fraqueza e desamparo (Maslow, 1975:351).

As necessidades de auto-realização são necessidades de crescimento e revelam uma tendência de todo ser humano em realizar plenamente o seu potencial. "Essa tendência pode ser expressa como o desejo de a pessoa tornar-se sempre mais do que é e de vir a ser tudo o que pode ser" (Maslow, 1975:352). O aparecimento desta necessidade supõe que as anteriores estejam satisfeitas.

Diferentemente das necessidades anteriores, a necessidade de auto-realização não se extingue pela plena saciação. Quanto maior for a satisfação experimentada por uma pessoas, tanto maior e mais importante parecerá a necessidade (Hampton,1992).

Além da auto-realização, posteriormente, Maslow acrescentou à sua teoria, o desejo de todo ser humano de saber e conhecer e de ajudar os outros a realizar seu potencial.

Há assim, uma necessidade natural do ser humano de buscar o sentido das coisas de forma a organizar o mundo em que vive. São necessidades denominadas cognitivas e inclui os desejos de saber e de compreender, sistematizar, organizar, analisar e procurar relações e sentidos (Maslow, 1975:354). Tal necessidade viria antes da auto-realização, enquanto que a necessidade de ajudar os outros a se auto-desenvolver e a realizar seu potencial - a que ele deu o nome de transcendente - viria posteriormente à auto-realização. (Huitt, 1998)

Maslow (1975) ressalta que existem certas condições para que as necessidades fundamentais possam ser satisfeitas: A liberdade de falar e agir como se deseja, desde que não se fira o direito alheio, liberdade de auto-expressar-se, de investigar e procurar informações, de se defender e buscar justiça, equidade e ordem dentro do grupo são exemplos de condições prévias para que sejam satisfeitas as necessidades fundamentais. Para Maslow, sem essas precondições seria impossível a satisfação das necessidades.

Maslow, entretanto, conclui que sua teoria motivacional não é a única a explicar o comportamento humano, pois nem todo comportamento é determinado pelas necessidades. Afirma ainda que as necessidades fundamentais são em grande parte inconscientes. Para ele fatores sócio-culturais influenciam na forma ou objetos com que os homens buscam satisfazer suas necessidades, mas não modificam substancialmente a hierarquia motivacional proposta.

2.2. Teoria da Motivação e sua Utilização no Marketing

Conforme afirmamos acima, a teoria da motivação é bastante conhecida e utilizada pelos profissionais de marketing para o conhecimento do comportamento do consumidor. Conforme exemplificam Churchill & Peter (2000), os fabricantes de roupas devem estar atentos, não só para atender a necessidade de vestir-se dos consumidores, mas também às suas necessidades sociais, poderíamos acrescentar também o atendimento da necessidade de estima. Assim, quando os profissionais de marketing utilizam a imagem da Angélica em roupas e calçados infantis estariam, não só atendendo a uma necessidade mais básica de vestir-se, mas também a uma necessidade social (pertencer e ser aceita pelo grupo) e, na medida em que é aceita pelo grupo a criança sente elevada sua auto-estima. Portanto, através de um único produto se atenderia a três necessidades da criança (e/ou de seus pais).

As necessidades fisiológicas e de segurança são consideradas mais básicas (biológicas e instintivas), sendo as mais primitivas do ser humano. São essenciais para a sobrevivência de qualquer indivíduo ou organismos, mas fatores psicológicos e inconscientes interferem no modo como cada indivíduo irá buscar a satisfação dessas necessidades. Podemos pensar em uma necessidade exagerada por mecanismos de segurança (cadeados, alarmes contra roubos etc.), uma pessoa pode estar sendo motivada a adquiri-los por fatores psíquicos como uma neurose. Uma pessoa também é muitas vezes levada a alimentar-se exageradamente por compulsão por comida (há pessoas que também aumentam o apetite quando ansiosas), ou ser levada a matar sua fome com um Big Mac por necessidade de prestígio social, que se relaciona-se com a auto-estima, conforme salientamos acima.

Podemos afirmar então que mesmo necessidades mais básicas como as fisiológicas, as de segurança e também as necessidades sociais são influenciadas por fatores psíquicos e não podem ser dissociados na compreensão do comportamento do consumidor.

São esses fatores que explicam, principalmente, a procura por determinadas marcas (Zoomp ou Coca-Cola pelos jovens, BMW por um executivo ou uma roupa do Digimon pelas crianças).

As necessidades de auto-estima e de auto-realização são consideradas mais elevadas, relacionadas a fatores psicológicos e não biológicos ou instintivos. Churchill & Peter (2000) consideram que tais necessidades são buscadas pelos consumidores através da compra de marcas que oferecem prestígio, da busca de cursos universitários, da participação em organizações beneficientes dentre outros.

Acreditamos, no entanto, que a teoria de Maslow nos possibilita compreender os fatores psicológicos que interferem em todo processo de compra desde o reconhecimento de uma necessidade até a decisão e avaliação no pós compra e, não só no reconhecimento de necessidades, conforme analisaram Churchill & Peter (2000).

2.3. Para Além da Hierarquia das Necessidades

Afirmamos acima que a teoria de Maslow nos permite compreender também os fatores psicológicos que interferem não só na detecção do consumidor de que existe uma necessidade, mas em todo o processo da compra.

Para a compreensão deste pressuposto é necessário ir além do que os autores de marketing relatam sobre a teoria de Maslow. Percebemos que assim como na administração de empresas, essa teoria é analisada de forma simplista por essa categoria de profissionais ( e muitas vezes por psicólogos), presos somente à uma análise restrita da hierarquia das necessidades.

A afirmação de Maslow (1975:360) no que se refere as condições fundamentais para a realização destas necessidades não são comentadas ou consideradas nas reflexões dos diversos teóricos que estudam sua teoria: "A liberdade para falar e agir como se deseja, desde que não se fira o direito alheio, liberdade de auto-expressar-se, de investigar e procurar informações, de se defender e buscar justiça, equidade e ordem dentro do grupo são exemplos de condições prévias para que sejam satisfeitas as necessidades fundamentais" (Maslow, 1975: 360). Para o ele isto decorre em função de desejos que se encontram intimamente ligados às necessidades, estes se traduzem no desejo de saber e conhecer que expressam uma busca constante do ser humano em dar significado às coisas.

Portanto, mais do que atender a uma necessidade, um produto ou serviço deve proporcionar as condições acima, buscando não só a satisfação do cliente, de suas necessidades e desejos, mas superando, podendo, dessa maneira, criar mais valor à ele. Podemos citar, como exemplo: quando adquiro um produto e nele vem especificado de forma clara seus ingredientes, validade, data de fabricação, modo de utilizá-lo, um telefone para atendimento ao cliente (que funcione de forma eficaz); poderíamos afirmar que as condições acima estariam sendo proporcionadas, portanto estaria motivada a utilizar e comprar novamente o produto. Um exemplo claro, vivenciado pela autora será descrito a seguir: "Fui abordada por um representante da editora Globo em minha casa para assinar novamente o gibi Turma da Mônica. O gibi atende a algumas necessidades que considero importantes (como lazer, desenvolvimento da leitura e melhoria na interpretação de texto, auxiliando o processo cognitivo da criança). Como estava um pouco relutante o vendedor me disse que também receberia, via correio, uma fita de vídeo da Turma da Mônica. Como sei que o meu filho adora desenhos resolvi assinar a revista. As revistas chegavam sem data específica e às vezes atrasavam, meu filho cobrava a fita que não chegava. Resolvi então ligar para o serviço de atendimento ao consumidor e não obtive solução, disseram-me que o vendedor estava enganado, mas que iriam enviar o vídeo. Nada Veio e meu filho me cobrou novamente. Tentei novamente, mas não resolveram meu problema e passava horas esperando ser atendida - e nada - entrei no site da Turma da Mônica e coloquei a minha decepção, e nada, nenhuma resposta me foi dada. Conclusão: não quero mais assinar nenhuma revista que seja desta editora."

O exemplo pessoal acima demonstra que o produto atendia perfeitamente as necessidades da consumidora, no entanto, condições essenciais como a de busca de justiça, auto-expressar-se e ser ouvido, conforme nos diz Maslow, não foram asseguradas o que gera uma desmotivação em relação àquele produto e/ou em relação à empresa. Tal fato interferiu na avaliação pós-compra levando a uma insatisfação com a troca realizada e, provavelmente interferirá numa decisão de compra futura.

Maslow possuía uma visão humanista, assim como Carl Rogers, acreditando no potencial de auto-realização de todo ser humano. Sabia que algumas condições eram fundamentais para alcançar esta realização e o desenvolvimento sadio do ser humano: consideração, empatia e congruência (autenticidade). Queremos ser considerados, aceitos e respeitados, necessitamos ser escutados (empaticamente, com o outro se colocando em nosso lugar), buscamos a autenticidade, desejamos ser tratados com transparência e veracidade. Este é outro aspecto desconsiderado na compreensão da teoria de Maslow.

A compreensão destes pressupostos acima é essencial, não só para aquele que lida mais diretamente com o consumidor, como nas estratégias de marketing a serem adotadas pelas empresas. São aspectos importantes das relações interpessoais que devem ser considerados, pois o serviço e atendimento prestado pela empresa também agrega valor ao cliente.

Um exemplo: quando alguém vai ao Banco e enfrenta uma fila enorme durante 20, 30 minutos ou mais, sente-se desconsiderado, suas necessidades não foram ouvidas pela empresa, portanto, seu relacionamento com o Banco começa a ficar frágil. Quando nos prometem algo (como no caso da fita de vídeo acima) e aquilo não é cumprido, também sentimos desconsiderados, percebemos que a empresa não foi autêntica, transparente conosco. Esse deve ter sido o sentimento do sujeito que colocou fogo em seu carro em plena rua na cidade de São Paulo (conforme noticiário da TV): não foi considerado, não foi escutado, não tiveram com ele uma relação autêntica e congruente.

Escutar o cliente é fundamental, compreendendo o que está por trás de sua fala e de suas atitudes, pois quanto mais o conhecermos melhor poderemos atender aos seus desejos e necessidades e, "superar a concorrência".

Portanto, assim como nas relações interpessoais, acreditamos na necessidade de humanização, principalmente dos serviços e atendimentos prestados ao consumidor. Tal tipo de relação não só levaria a empresa ou organização a uma vantagem competitiva, mas contribuiria para uma vida mais saudável, psicologicamente falando, para o ser humano. Neste sentido a fidelização do cliente, buscada pelas empresas nos dias atuais, ocorreria naturalmente, sem grandes esforços.

Assim, os profissionais de marketing devem, não só conhecer a teoria de Maslow, conforme orientam os autores acima citados, mas compreendê-la mais profundamente de forma a considerar o consumidor como um ser humano: respeitando-o na elaboração e consecução de suas estratégias e compostos de marketing.

3. CONCLUSÃO

Em tempos de intensa competitividade o conhecimento dos fatores que influenciam o comportamento do consumidor nas decisões de compra é fundamental para a sobrevivência das organizações.

Conforme analisamos acima, os fatores psicológicos interferem em todo processo de compra de um produto, portanto, devem ser bem compreendidos e interpretados pelos profissionais de marketing e por todo aquele que lida direta ou indiretamento com o cliente.

A teoria motivacional de Maslow possibilita a compreensão do ser humano e de suas necessidades e, mais do que isto, sua concepção humanista acredita no potencial de realização de todo ser humano. Para a realização de tal potencial condições prévias são fundamentais: consideração, respeito, transparência, liberdade de auto-expressão, justiça etc.

Esta teoria nos permite a compreensão do comportamento de compra do consumidor, desde a identificação de uma necessidade até a avaliação no pós-compra.

É necessário a compreensão mais profunda desta teoria, análises simplistas não permitem a sua perfeita utilização tanto na administração de empresas, quanto no marketing.

Acreditamos que outros aspectos psicológicos e cognitivos (analisados por outras teorias) também auxiliam na compreensão do comportamento humano, mas ultrapassam ao limite de estudo proposto neste artigo.

4. BIBLIOGRAFIA

CHIAVENATO, I. (1994). Gerenciando pessoas: o passo decisivo para a administração participativa. São Paulo: Makron Books.

CHURCHILL, G. A. & PETER, P. (2000). Marketing: criando valor para o cliente. São Paulo: Saraiva.

HAMPTON, D. R. (1992). Administração contemporânea: teoria, prática e casos. São Paulo: McGraw-Hill.

HUITT, W. G. (1998). Maslow's hierarchy of needs, obtida via internet. http://chiron.valdosta.edu/whuitt/col/regsys/maslow.htm.

KOTLER, P. (1998). Administração de marketing: análise, planejamento, implementação e controle. São Paulo: Atlas.

MASLOW, A. H. (1975). Uma teoria da motivação humana. In: BALCÃO, Y.; CORDEIRO, L. L. (org.). O comportamento humano na empresa (pp. 337-366). Rio de Janeiro: FGV.

SANDHUSEN, R. (1998). Marketing básico. São Paulo: Saraiva.

SEMENIK, R. J.; BAMOSSY, G. J. (1995). Princípios do marketing: uma perspectiva global. São Paulo: Makron Books.

BIOGRAFIA

Magali é psicóloga formada pela Pontifícia Universidade Católica de MG (PUC-MG), Pós-graduada em Didática do Ensino Superior pela Universidade Católica de Brasília e Mestranda em Administração Estratégica em Negócios pela CNEC/Varginha - MG. Professora de Psicologia Aplicada à Administração no Instituto de Ensino Superior Cenecista - INESC/Unaí - MG. Sua área de interesse em pesquisa é Administração de Recursos Humanos e Comportamento Organizacional.