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A Arte da Possibilidade

Sexta, 9 de Maio de 2008
"Para gerenciar uma equipe, você utiliza os músculos e a razão.
Para liderar de verdade, use também o coração."
(Abraham Shashamovitz)

Num ano de Olimpíadas, prepare-se para uma overdose de artigos, debates e ensaios lastreados em temas esportivos. As empresas acreditam-se modernas, atuais, antenadas com o momento ao optarem por atletas, técnicos, comentaristas e toda sorte de profissionais - ou ex-profissionais - vinculados ao esporte como a solução mágica para questões do mundo corporativo.

É inegável que podemos encontrar no desporto grandes metáforas à realidade de empresas e profissionais. Assim, Ayrton Senna era exemplo de excelência; Robinho, sinônimo de ousadia; Oscar Schimidt, ícone da obstinação; Pelé, referência em marketing pessoal. As corporações também podem alcançar inspiração nas lições de gerenciamento e liderança legadas por Vince Lombardi (ex-técnico de futebol americano) ou, mais recentemente, Bernardinho, coach da vitoriosa equipe de vôlei masculino do Brasil, dentre tantos outros exemplos.

Embevecidos que ficamos com as fascinantes conquistas perpetradas pelos atletas, diante de sua superação e espírito de cooperação que envolve e transforma uma equipe, deixamos de notar que a realidade do universo empresarial é evidentemente distinta, muito mais complexa, de modo que muitas lições apenas não são aplicáveis e ponto.

Nos esportes, há regras claras e um ou mais juízes preparados para emitir um parecer instantâneo, ainda que por vezes inidôneo. Já o mercado insiste em burlar leis, romper contratos, ignorar regras. E a justiça, por sua vez, tem braços largos, porém lentos; olhos abertos, porém vendados.

Foi dentro deste contexto que encontrei uma metáfora mais adequada para argüir sobre liderança empresarial. Ela advém de uma outra arte: a música.

Observe uma orquestra. Seja ela uma orquestra de câmara (formada por poucos membros), uma sinfônica (mantida por uma instituição pública) ou filarmônica (sustentada por recursos privados), é constituída por diversos músicos e variados instrumentos, divididos em quatro grandes grupos: cordas, madeiras, metais e percussão, cada qual produzindo isoladamente um som característico.

Enquanto num esporte coletivo a equipe pode alcançar a vitória graças a um lampejo de genialidade ou sorte de um único atleta, mesmo com uma atuação medíocre em toda a partida, numa orquestra todos contribuem com o êxito do resultado final. Por isso, o produto que entregam é uma "sinfonia", ou seja, todos emitindo o mesmo som.

Este objetivo é alcançado através da mediação de um personagem em particular. Trata-se do maestro, aquele mesmo que permanece em destaque durante a apresentação, tem sua foto estampada na capa de CD's e DVD's, profere palestras e concede entrevistas, mas que curiosamente é o único músico que não emite um único som.

Aprendi com Benjamin Zander, regente da Orquestra Filarmônica de Boston desde sua fundação, em 1979, que o papel do líder não é conquistar poder, mas tornar os outros poderosos. Permitir aos seus colaboradores que se transformem num novo tipo de ser, migrando do individual para o coletivo, de um ser isolado para um ser conectado.

No vídeo "A Arte da Possibilidade", distribuído com exclusividade no Brasil pela Siamar, Zander compartilha suas experiências, instruindo-nos que um regente é um arquiteto das possibilidades do grupo. Sua missão é explorar estas possibilidades, mergulhando no âmago de cada membro de sua orquestra com o intuito de desvendá-los, ou seja, remover-lhes a venda que encobre o talento e o potencial de cada músico.

Costumo dizer que o líder é aquele capaz de conduzir as pessoas juntas e em direção a uma mesma visão, levando-as até onde não iriam se estivessem sozinhas. Ele vislumbra qualidades extraordinárias em pessoas comuns, potencializando-as, permitindo-lhes oferecer ao mundo o que têm de melhor. Não se trata de persuasão, mas de inspiração. Inspiração que nutre o entusiasmo, estimula a criatividade e promove a excelência.

Seguro de que todos podem fazer a diferença, Ben Zander estabeleceu um interessante critério para motivar seus pares. Ele sempre confere a nota máxima em uma audição preliminar, exatamente quando o músico está mais sensível e inseguro. Depois, solicita a cada músico que lhe escreva uma carta justificando como fará para merecer tal avaliação ao final de um semestre. O propósito é dar ao profissional uma dimensão de suas possibilidades de realizar e não a mera expectativa de alcançar. Afinal, é preciso fazer silenciar aquela voz na cabeça que em situações críticas procura nos constranger e apequenar, sentenciando: "Você não vai conseguir!".

Analogamente, muitas são as oportunidades no cotidiano das empresas para valorizar e elevar seus colaboradores. Porém, não raro continuamos a testemunhar líderes que criticam em público e elogiam em particular, quando deveriam fazer o inverso. Líderes que ocultam os acertos e expõem os erros - jamais os próprios. Cultivam o "não", afastando o "sim" do mapa de possibilidades.

Entre uma orquestra e outra, os instrumentos são os mesmos, mas os músicos não. Por isso algumas melodias falam mais alto ao coração.

É preciso compartilhar a visão, cultivar o brilho nos olhos, promover o relacionamento. Liderar não é verbo intransitivo. Se o líder está sozinho, ele não está liderando ninguém.

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A Cadeia de Suprimento como fator de competitividade

Terça, 4 de Março de 2008
Quando o consumidor adquire um produto, dificilmente consegue imaginar todo o processo necessário para que aquele determinado bem pudesse chegar às suas mãos. Partindo das fontes da matéria-prima, passando pelas fábricas dos diversos componentes que podem formar uma geladeira um automóvel, pela manufatura do produto, distribuidores, até finalmente chegar até as mãos do consumidor através de um varejista, existe todo um processo de Logística que recebe o nome de Cadeia de suprimento.

Para entender melhor como se desenrola esse processo, vamos analisar uma geladeira que pode estar à venda em qualquer uma das diversas lojas de eletrodomésticos. A geladeira é formada por diversos componentes que são produzidos por varias indústrias diferentes, como o compressor. Por sua vez, a fábrica dos compressores também necessita de itens que são fornecidos por outras empresas, como fios, metais, um ou outro tipo de plástico, e assim por diante. A cadeia de suprimento típica abrange todo esse processo, onde fornecedores de matéria-prima entregam diversos tipos de insumos para a indústria principal (no exemplo anterior, a fabrica de geladeiras), e também para os fabricantes de componentes que participam da fabricação do produto em questão. A indústria fabrica o produto, que então é distribuído para varejistas, atacadistas ou distribuidores, dependendo da situação. Finalmente, as lojas varejistas, que foram abastecidas diretamente pelo produtor ou por intermediários, entregam o produto ao consumidor final. E há ainda alguns casos em que, além das etapas citadas, existe a Logística Reversa e algumas operações de pós-venda.A Cadeia de Suprimento como fator de competitividade

Ao longo do tempo, a cadeia de suprimentos sofreu diversas transformações em sua forma, sempre originadas da necessidade de maior competitividade e redução de custos. Há algumas décadas, a as grandes industrias produziam grande parte dos componentes utilizados na fabricação de seus produtos, seja porque conseguiam produzi-los a um custo baixo ou porque não gostavam da idéia de ficar dependentes de fornecedores. Com o tempo, a necessidade de uma maior competitividade fez com que as empresas passassem a se preocupar com aquilo que elas realmente conseguiam fazer bem, criando diferenciais que seus concorrentes não possuíam e transferindo para terceiros tudo aquilo que não estivesse em sua Competência central, core competence, de acordo com o conceito de Porter.

Assim, criou-se uma corrente de empresas que colaboram umas com as outras e onde a integração decorrente dessa relação deve estar fundamenta no ganha-ganha, onde todos os participantes da cadeia de suprimento devem ganhar com o processo, e não apenas o mais forte, em detrimento dos mais fracos. Mas, para atingir esse nível de integração, é necessário que todas as empresas envolvidas estejam comprometidas com o objetivo final. A integração exige vários esforços conjuntos, como a construção de um sistema de informações que interligue todos os parceiros da cadeia, além de um sistema de custos que atenda os objetivos pretendidos e que seja transparente e eficaz. Se bem gerenciada, a cadeia de suprimento transforma-se em um importante diferencial para a empresa.

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CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO REVERSOS (CDRs)

Terça, 30 de Outubro de 2007
A distribuição representa para a empresa o último passo antes de colocar o produto à venda no mercado. Distribuição é "o conjunto de atividades entre o produto pronto para o despacho e sua chegada ao consumidor final" MARTINS e CAMPOS ALT (2005, p. 312). Essas atividades constituem os canais de distribuição diretos.

Muito se fala sobre os canais de distribuição diretos no processo logístico de uma empresa, já que esses canais são os responsáveis pela comercialização e entrega de produtos ao consumidor ou cliente final. Esses canais não prevêem o retorno dos produtos comercializados à empresa que os fabricou, pois esse processo representa o inverso da função desses canais.

Nesse contexto surgem os chamados canais de distribuição reversos, ou simplesmente CDRs, que constituem todas as etapas ou meios necessários para o retorno de uma parcela dos produtos comercializados, seja devido a defeitos de fabricação, prazo de validade vencido, ciclo de vida útil encerrado ou reaproveitamento de embalagens, ao ciclo produtivo da empresa.
Supply Chain
Segundo Leite (2003), CDRs são as etapas, formas e meios em que uma parcela dos produtos comercializados, com pouco uso após a venda, com ciclo de vida ampliado ou depois de extinta a sua vida útil, retorna ao ciclo produtivo ou de negócios, podendo assim  agregar valor através de seu reaproveitamento.

A utilização desses canais pode representar uma importante vantagem competitiva para empresas, pois podem transmitir ou projetar na empresa a imagem de preocupação com a conveniência de seus consumidores e com questões ambientais, já que o retorno de embalagens, por exemplo, diminui o impacto dos famosos 'lixões' no ambiente urbano. "A competição é um fator tão importante em mercados externos quanto no mercado nacional" (BALLOU, 1993, p. 377).

"Os canais reversos de alguns materiais tradicionais são bem conhecidos há alguns anos, como, por exemplo, o dos metais em geral, e eles representam importantes nichos de atividade econômica" (LEITE, 2003, p. 4). Outro exemplo de canal de distribuição reverso é o processo de reciclagem de papel e de embalagens descartáveis, que constituem fonte de renda para muitos indivíduos e oportunidade de marketing social para muitas empresas através da rotulação 'ecologicamente correta'.

Os canais de distribuição reversos podem ser classificados em duas categorias, ou seja, pode ser de pós-consumo ou de pós-venda.

Autores: Alan A. A. Bezerra, Anderson J. Gomes, Claudinei F. Vieira, Cleyton L. Dada, Ednilson B. de Oliveira.

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Pequena empresa pode inovar com apoio instituicional

Quarta, 12 de Setembro de 2007
Chamada pública do Sebrae e Finep oferece R$ 26 milhões de recursos não-reembolsáveis; projetos aprovados em 2005 são desenvolvidos com bom desempenho.

Os interessados em apresentar propostas à chamada pública 04/2007, lançada pelo Sebrae e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), têm até o dia 10 de outubro para fazê-lo. A chamada tem como objetivo o apoio a projetos de inovação tecnológica nas micro e pequenas empresas.

São R$ 26 milhões de recursos não-reembolsáveis divididos em duas linhas de ação. A primeira linha, que conta com R$ 18 milhões de recursos, é voltada para projetos de inovação tecnológica de micro e pequenas empresas inseridas em Arranjos Produtivos Locais (APL). Esse grupo deve ser formado, no mínimo, por três empresas com domicílio na área de abrangência do APL.

A segunda linha, com R$ 8 milhões, deve apoiar grupo de micro e pequenas empresas com atuação no âmbito das prioridades estabelecidas na Política Industrial Tecnológica e de Comércio Exterior (Pitce), lançada em 2004 pelo governo federal. São exemplos os setores de biotecnologia, semicondutores, software, fármacos e medicamentos, energias renováveis.

As propostas devem ser enviadas pela internet até as 18h, horário de Brasília, do dia 10 de outubro. Para isso, os interessados precisam preencher o formulário de apresentação de propostas disponível nas páginas do Sebrae (www.sebrae.com.br) e da Finep (www.finep.gov.br).

Além disso, é obrigatório o envio de uma cópia do recibo eletrônico e de duas cópias impressas da proposta, assinadas pelos representantes legais das instituições envolvidas e pelo coordenador do projeto. Essa cópia impressa deve ser enviada até o dia 11 de outubro para o endereço estabelecido na chamada pública.

No ano passado, 98 projetos foram apoiados em 20 unidades da Federação. O gerente da Unidade de Acesso à Inovação e Tecnologia do Sebrae Nacional, Paulo Alvim, destaca que a meta deste ano é receber cerca de 500 propostas. "Até agora, já recebemos 200. Com a mobilização dos estados vamos atingir a meta e devemos apoiar cerca de 100 projetos", diz.

Desenvolvimento Tecnológico

Os projetos da chamada de 2006 já foram contratados e os de 2005 estão em andamento. Os resultados são positivos. Em Santa Catarina, por exemplo, o gestor de convênios de chamada pública do Sebrae, Marcos Regueira, aponta dois projetos que estão sendo desenvolvidos com bom desempenho.

Um deles é o desenvolvimento de um cremador de pequenos animais, como frango, peru e porco. "Hoje, esses animais quando morrem por conta de doenças são enterrados, o que não elimina a possibilidade de contaminação do restante da produção", diz Regueira.

A proposta do cremador foi apresentada pela Fundação de Apoio à Pesquisa e ao Desenvolvimento do Agronegócio (Fapeagro) e é desenvolvida pela Embrapa - Suínos e Aves, de Concórdia (SC). Até agora, dois protótipos já foram construídos.

Outro destaque é o projeto de regeneração da areia de fundição. Depois de utilizada em moldes na indústria de fundição, a areia fica contaminada por metais pesados, como cobre e chumbo, e por fenol. A idéia do projeto é regenerar essa areia, deixando-a livre dessas substâncias cancerígenas para que seja reaproveitada.

Regueira conta que hoje as pequenas empresas de fundição pagam R$ 40 pela tonelada de areia e R$ 160 para fazer o descarte da tonelada de areia contaminada. "Com o sistema, pretende-se regenerar até 97% da areia usada, o que vai gerar economia e benefício ao meio ambiente", destaca. Segundo Regueira, grandes empresas já fazem esse processo por meio de equipamento importado da Itália. O projeto foi apresentado pela Sociedade Educacional de Santa Catarina de Joinville (SC).(Giovana Perfeito / Agência Sebrae)

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O Marketing e a Crise Ecológica

Quinta, 31 de Maio de 2007
A crise ecológica, cujos efeitos foram e estão sendo transferidos para o Brasil de forma muito rápida, atinge nos últimos tempos sua fase crítica, pois existe um alto índice de sensitividade e conscientização social a respeito deste problema.

Nas grandes áreas urbanas a crise é sentida, visualizada, discutida e criticada por pessoas e grupos sociais de todos os níveis econômicos, profissionais ou educacionais.

O desequilíbrio, porém, não permanece nas áreas metropolitanas ou nas grandes metrópoles como São Paulo e Rio de Janeiro, ao contrário, estendendo-se até áreas de baixa densidade populacional, nas quais a fauna e a flora, e grandes recursos naturais são objeto do ataque do progresso, ou são vitimados pela ação da tecnologia, aplicada livremente com a ausência de qualquer tipo de controle.

Como decorrência de um volume substancial de críticas, relacionadas à crise ecológica, surgem explicações às vezes simplistas e na maioria superficiais sobre as origens ou fatos geradores da mesma. Muitas vezes atribui-se ao processo de marketing toda a responsabilidade.

Responsabilizam-se empresas, produtos, métodos de distribuição, propaganda, e em última instância, o próprio sistema de marketing corno principal gerador da crise ecológica.

Assumindo na medida do possível uma posição imparcial, o autor mercadólogo por opção, vocação e profissão (e ainda não arrependido de estudar, ensinar e praticar marketing) - tentará esclarecer alguns pontos complexos deste tema

A crise é mais sentida nas áreas urbanas.a atual e suas inter-relações com o processo desenvolvido pelo sistema de marketing.

Para desenvolver o tema será utilizada a seguinte estrutura: 1. definição da crise ecológica; 2. a crise ecológica e os indicadores sociais; 3. o marketing como gerador da crise ecológica (origens - efeitos) e 4. o marketing como redutor da crise ecológica (eco marketing).

Vários autores, entre os quais devem ser mencionados: Normam Kangum, Gerald Zaltman, Phillip KOTLER, Eugene Kelley, George Fisk, analisaram e procuram definir o significado da crise ecológica, principalmente sob a perspectiva e sob os prismas mais adequados ao mercadólogo. Destas várias análises e reflexões o autor procurou extrair uma síntese conceitual que pudesse refletir, também, algo de sua contribuição pessoal. Nesta tentativa, coloca-se também como objetivo básico definir de forma pragmática este conceito. A partir destas premissas define-se como crise ecológica: "um estado de natureza no qual, em virtude da aplicação não controlada da tecnologia, ocorrem danos dificilmente reparáveis ao equilíbrio ecológico do meio ambiente".

Estes danos, em geral, são relaciona- dos,como redução da qualidade de vida e podem ser exemplificados da seguinte maneira: pelas diversas formas de poluição, tais como a sonora, atmosférica, hidrológica e visual.

Outra forma de emergência da crise ecológica, ocorre através do uso indevido, abusivo, crescente e sem reposição de recursos naturais, tais como madeira, minerais, fauna fluvial, lacustre e marítima.

No contexto acima definido, é obvio que os princípios básicos de ecologia estão sendo violentados, pois parte-se de pressupostos falsos, que o mais importante desiderato do homem é consumir; que a produção deve e pode crescer sem cessar; que os recursos naturais são ilimitados, e que o homem não necessita adaptar-se ao meio ambiente e nem usar os recursos naturais de forma parcimoniosa (Normam Kangum - 1974).

Em um ambiente que apresenta de for- ma genérica a atitude filosófica, de sempre seguir para frente e para o alto, três fatores precisam estar presentes como .condicionantes harmoniosamente equilibrados, ou seja: maior população, maior produção e maior consumo.

A crise ecológica e os

indicadores sociais

Caso ocorra, o que é bastante comum, o desequilíbrio entre os três fatores acima mencionados, os indicadores sociais de qualidade de vida apresentam níveis decrescentes ou negativos inerentes à poluição atmosférica, ao congestionamento de trânsito, à poluição das bacias hidrográficas, ao excesso de ruídos, e ao aumento dos índices de criminalidade. Em um ambiente de indicadores sociais negativos, indivíduos e grupos humanos que vivem em áreas metropolitanas, "são agredidos pelo trânsito, sufocados pela fumaça, envenenados pelas águas, ensurdecidos pelo ruído e atemorizados pelo crime"(Nixon,'State of the Union , 1970).

Parece ser lícito, sob uma perspectiva um tanto ácida, mas objetiva, incriminar o processo de marketing como elemento indutor e catalisador dos fatores que geram a crise ecológica. Nesta conjuntura os responsáveis pela ação administrativa pressupõem que a função das empresas, e mais especificamente aquela do sistema de marketing, seja desempenhar o papel econômico de produzir bens e ser- viços, sem maiores reflexões ou considerações quanto ao equilíbrio ecológico. Neste estado de natureza, é evidente que o marketing -como sistema e processo- opera como um poderoso gerador da crise ecológica. Vejamos em detalhes como ocorrem estes eventos em alguns casos mais relevantes e atuais, tais como: embalagens, poluição sonora e atmosférica e uso de recursos energéticos.

Marketing como gerador

da crise ecológica

A natureza tem a capacidade de absorver os detritos e resíduos de produtos, os quais após o cicio conhecido em ecologia como biodegradação ou bioabsorção, são reutilizados sob novas formas de agregação como matérias-primas para a continuidade do ciclo industrial. Este processo, porém, nem sempre ocorre, porque determinados tipos de plásticos, metais e agregados químicos, desenvolvidos pela tecnologia moderna, não são biodegradáveis. Desta forma, uma enorme quantidade, em volume e peso, de embalagens criadas pelo novo sistema de invólucros e embalagens descartáveis, não são reabsorvidas.
Como resultado deste processo, os ecologistas afirmam que, dentro de cinqüenta anos, as grandes metrópoles serão grandes conglomerados urbanos, cercados de lixo e detritos por todos os lados, em outras palavras, serão ilhas humanas, num mar de resíduos da civilização consumerista. Os exemplos mais típicos desses produtos são os vasilhames descartáveis, e portanto, que não retomam para reutilização, os quais foram adotados muito recentemente como um elemento diferenciador do composto de marketing dos fabricantes de refrigerantes e cervejas. Em resumo, podemos afirmar que a conveniência mercadológica, criada pelas embalagens descartáveis, tornou-se rapidamente um problema de redução da qualidade do meio ambiente. Somente nos Estados Unidos, 45 milhões de toneladas de resíduos desta natureza são dispersados, de forma não homogênea, em locais próximos às grandes cidades, em parques nacionais e em pontos nos quais a beleza natural sofre o impacto antiestético da acumulação de resíduos.

Quanto à poluição sonora e atmosférica, os grandes responsáveis são os automóveis, uma vez que o nível de ruídos chega a atingir mais de 80 decibéis, os quais estão evidentemente muito além da capacidade humana em resistir ao ruído, que está em torno de 30 decibéis. A poluição atmosférica causada por automóveis e por exaustão industrial chegou ao nível crítico de 55,7 em junho de 1975 na área metropolitana de São Paulo, que possui um milhão e duzentos mil veículos e 33 mil indústrias (Veja, 30 de julho de 1975, página 51). A poluição atmosférica e sonora é, evidentemente, relacionada com o funcionamento da estrutura industrial e com a movimentação da fabulosa frota de veículos de São Paulo, ambas são causa e efeito da operação dos macro sistemas de marketing, os quais induzem a demanda de bens industriais e de consumo e exigem a movimentação de pessoas e veículos no espaço físico do meio urbano. Uma terceira forma de ata- que à ecologia, decorrente da hipertrofia dos sistemas de marketing, é a relaciona- da com a extravagância com que se usam os recursos energéticos derivados do petróleo, das reservas florestais, e mesmo das reservas hidrográficas.
Existe o perigo de que a curva de demanda energética atinja um ponto, no qual todas as formas energéticas foram exauridas pelo aumento indiscriminado da produção de energia, e pela explosão da oferta de veículos, aparelhos, máquinas, utilidades domésticas, etc., as quais consomem em escala megalópica energia produzida. É evidente que poucos dos executivos das empresas, que produzem estes geradores de poluição, de ruídos, e de consumo de energia, estão preocupa- dos com o custo social deste fenômeno. Nota-se, pois, que através desses exemplos, o processo de marketing apresenta-se como o grande gerador da crise ecológica.

Ecomarketing

Alguns autores, entre os quais destaca- se George Fisk, desenvolveram o conceito de Ecomarketing, ou seja, o provisionamento de estruturas e tecnologia orientadas pelo marketing, que serão compatíveis com o equilíbrio ecológico, permitindo ampla conveniência, uso de recursos não poluentes, reciclagem de materiais, replanejamento de produtos (reduzindo a demanda energética),expansão da tecnologia de recuperação e reciclagem de detritos de consumo e de indústria; todas essas formas representam o que se conhece modernamente como tecnologia benigna sob o ponto de vista ecológico. O marketing, neste caso, deverá operar como um poderoso redutor da crise ecológica contribuindo para estimular o retorno ao eco equilíbrio, ou seja, à condição na qual os sistemas não operam com tendência à extinção. Para atingir este estado, cabe ao mercadólogo a difusão de programas orientadores no que se relaciona com

: 1. Responsabilidade de consumo; 2. Campanhas de marketing; 3. Conscientização do custo social; 4. Expansão de produtos biodegradáveis; 5. Proibição de formas de consumo danosas à ecologia; 6. Expansão das inovações no campo de equipamentos antipoluentes.

É evidente que o tema escolhido para este artigo foi apenas abordado em suas características mais amplas, e sem o nível micro analítico que séria desejável. Vale, entretanto, o alerta para o desafio imperativo que o admirável mundo das últimas décadas do século XX coloca perante os empresários. Deve haver, porém, uma palavra de fé com relação à habilidade da tecnologia em suplantar todo o tipo de crises que foram até hoje criadas pelas suas próprias forças e pelas mãos daqueles que criam, dirigem e controlam o admirável mundo novo desta última fase do século XX.

Autor: A.Oliveira Lima
Fonte: Portal do Marketing