Fernando Gomiero
Domingo, 18 de Maio de 2008
Há várias empresas no mercado, que adotam a política de manter em seus quadros
parentes como pais, irmãos, filhos e netos. Elas retêm o controle, de geração em
geração, nas mãos dos seus, mas não raras vezes utilizando pessoas sem o
perfil ou despreparadas para os cargos de direção e liderança que ocupam.
Conclusão: Maus resultados e lucros pouco animadores. Ou até mesmo a bancarrota.
É claro, não se pode negar as evidências. Existem vários casos de empresas
"familiares" bem sucedidas, sem que para isso tivessem de abrir mão da
manutenção de familiares nos cargos estratégicos.
Então também não se pode afirmar que o fracasso de empresas comandadas por
parentes é uma regra no mercado. Ocorre porém, que o leque de opções para a
escolha de candidatos a cargos de direção, fora da família é infinitamente maior
do que dentro dela. E sem envolvimento emocional para atrapalhar, o risco de
erro será sempre menor.
Por isso, o empresário que adotar o modelo deverá estar sempre atento e
cercar-se de alguns cuidados para não cometer os mesmos erros das empresas que
fracassaram. Veja os tópicos mais importantes:
1. Não permitir que se misturem questões e interesses pessoais com os
assuntos profissionais. Principalmente aqueles que envolvem brigas, rusgas,
intrigas e preferências entre os familiares, que fatalmente irão interferir no
ambiente de trabalho, gerando animosidade, desmotivação e até mesmo inimigos
dentro da organização. O que, além de tudo, poderá resultar na divisão da
empresa por vários comandos rivais;
2. Jamais privilegiar alguém em detrimento de outrem, apenas porque aquele
alguém é da família. É preciso muita luta, transparência, comprometimento e
capacidade administrativa para merecer uma promoção. Todos devem ser tratados
com isonomia, sob pena de ocorrerem os mesmos problemas citados no item
anterior;
3. Não permitir em hipótese alguma confusões entre finanças da empresa e
finanças pessoais, em todos os níveis da organização. Pode virar rotina e
descambar para uma situação incontrolável;
4. Ficar atento para os pareceres dos consultores, dos sucessores e de outras
pessoas com cargo de direção ou que pelo menos façam parte do conselho de
administração, sem pertencerem à família, pois opiniões despojadas de outros
interesses são as mais claras e saudáveis. Devem ser bem-vindas;
5. Impor a obrigatoriedade de condutas e comportamentos condizentes com a
ética da moral e dos bons costumes. Pessoas gananciosas e prepotentes, da
família ou não, que tem o hábito de utilizar méritos de outras, apoderando-se da
autoria de uma boa idéia ou de um trabalho bem executado, por exemplo, ou de
pisar nos colegas para atingir seus objetivos profissionais não devem jamais ser
mantidas entre aqueles que lutam com lisura, competência e dedicação para
merecer uma promoção;
6. Aceitar o fato de que, numa empresa tipicamente familiar, seja por
deficiência técnica, por doença, por razões particulares ou por outro
impedimento qualquer, pessoas que hoje ocupam cargos estratégicos, algum dia
poderão não estar lá e também não existirem sucessores à altura dentro da
família. Isso quer dizer que, com o decorrer do tempo, a empresa pode
precisar de reforços fora da família e, assim, desencadear um processo de perda
da sua identidade de estrutura familiar. Porém não a estrutura organizacional, a
eficiência e a eficácia, desde que seus dirigentes sejam previdentes e
observadores, a fim de identificar deficiências, não só entre os membros
atuantes da família, mas também da população de possíveis sucessores, e quais
"estranhos" de dentro da empresa podem ser preparados para assumir em caso de
necessidade. Ou seja, antes que comece a acontecer é melhor estar preparado com
pessoas qualificadas e com os perfis requeridos para os cargos.
Sem outras considerações, a conclusão que fica é a seguinte: empresas familiares
ou não, o fato é que para serem bem sucedidas no mundo dos negócios, todas elas
devem escolher seus "homens" de confiança sem qualquer envolvimento emocional,
pelo menos para os chamados cargos estratégicos. E uma escolha com isenção total
de envolvimento emocional só poderá ser feita por pessoas de fora, quem sabe até
por executivos de outras empresas. Não concorrentes, é claro. Vale a pena
tentar!