Bruno Soalheiro
Terça, 8 de Julho de 2008
Como é desagradável na vida convivermos com pessoas que tem o hábito de
reclamar, de lamentar, de suspirar constantemente sob o "peso da vida"...
E como é pior ainda quando nós mesmos começamos a sucumbir a este triste vício
de comportamento.
Quando reclamamos, o fazemos através de palavras, gestos e emoções. É todo um
processo de desgaste e perda de energia, tanto para o que reclama quanto para o
que ouve. Nosso semblante, nosso coração, enfim, todo o nosso bem-estar é
"envenenado" quando começamos com as reclamações e lamentações.
Verdade já foi dita, e que seja mil vezes repetida: Em qualquer área da vida,
reclamar não leva ninguém a nada, falar que "a situação está preta, a crise está
pegando, a vida é um fardo pesado e etc. de nada serve, a não ser para desgastar
e dissipar energia que poderia ser usada para mudar as coisas.
Se algo em sua vida não vai bem, em relação ao trabalho ou a alguém de seu
convívio, não só reclame, mas procure criar caminhos para a mudança. Reclamar é
diferente de reivindicar mudança. Quem reclama só quer falar, lamentar, refletir
sobre "com a vida é ingrata". Quem reivindica quer mudança, tomada de atitude,
modificação de algo em si mesmo, no outro ou no ambiente ao redor.
Na vida pessoal e na carreira é inegável que sempre haverá convívio; seja
entre duas, dez ou cem pessoas diferentes. E há coisas nos outros e na "vida"
que certamente não vão nos agradar, assim como haverá coisas em nós que não
agradarão a muitos.
Sei que você leitor, provavelmente já leu sobre este tema em muitos artigos e
pode estar se perguntando: E daí, não é novidade nenhuma que reclamar é perda de
tempo!
Concordo, não é novidade; assim como não é novidade que devemos nos exercitar
mais, comer menos, ser mais pacientes, evitar beber muito e etc. São coisas que
sabemos, mas das quais nos esquecemos, talvez até mesmo por já estarmos cansados
de saber.
Então o que eu quero propor nesta semana é uma breve reflexão sobre isto, e
embora meus textos sejam muito focados em gestão de carreira, creio que pensar
este tema traz benefícios para a vida como um todo.
Vamos pensar sempre se estamos "reclamando por hábito", ou "reivindicando
mudanças" para melhor e criando condições para isto. Às vezes até parece que é a
mesma coisa quando olhamos de longe; mas de perto faz uma diferença enorme!
Até mais!
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Marizete Furbino
Quinta, 22 de Maio de 2008
"Viva!
Bom mesmo é ir à luta com determinação,
abraçar a vida com paixão,
perder com classe
e vencer com ousadia,
porque o mundo pertence a quem se atreve...
e a vida é "muito" para ser insignificante"
Charles Spencer Chaplin
Em meio à era da incerteza, nada estará garantido; assim, além de depararmos com
uma constante competição, deparamos também com desafios constantes; e para isso
teremos que ser sábios para transformar cada desafio em grande oportunidade de
aprendizado e de negócio.
Salienta-se que o seu sucesso dependerá muito da maneira como você irá enxergar
e encarar os desafios. Tudo dependerá de sua decisão. Pensando assim, a maneira
como você reage a este desafio, é determinante. Se lamentar o tempo todo,
provavelmente não irá enxergar as estratégias que terá que traçar e nem o
caminho a percorrer; assim, tudo ficará obscuro, levando-o ao fracasso. Caso
você se sinta realmente desafiado irá "abraçar" aquela causa, envidar esforços,
doar-se em demasia e então, além de enxergar o caminho de forma límpida,
identificando e entendendo cada desafio, enxergará e avaliará possíveis
determinantes, utilizando estratégias de forma a alcançar a superação; e isto
faz do desafio uma grande oportunidade de desenvolvimento e crescimento,
revertendo todo o quadro negativo.
Sabemos que as ameaças e os desafios são constantes, e que a competição é
diária. Em meio a esta era do terceiro milênio, não há como isentar-se destes.
Melhor política é, em vez de reclamar, fazer. Se for imprescindível enfrentar,
que enfrente de cabeça erguida, com garra e determinação; portanto, o
profissional deverá enxergar as ameaças bem como os desafios, encará-los de
frente, desvinculando de seu ser o medo, a insatisfação, a aflição, a angústia,
o sofrimento e todo "azedume" que porventura poderá surgir, pois, quando mal
conduzidos, os desafios , assim como as ameaças, se tornam fracassos.
Além de ter que banir o medo e a insegurança de sua vida profissional, é preciso
se antever aos fatos, enxergando o que ainda não foi visualizado por muitos,
trabalhando a imaginação, compilando a idéia, colocando-a em prática em prol da
agregação de valor do produto e/ou serviço, através do desejo aguçado e da
vontade de acertar, neutralizando a ansiedade, o que favorecerá bastante para a
construção de algo novo ou inusitado, fazendo assim o diferencial no mercado.
Pensando assim, sabemos que a maneira mais fácil de vencer um desafio reside
no amor. Sentir prazer e amor pelo que se faz é a chave de todo o negócio, pois,
quando você ama o que faz você desperta o querer que existe dentro de você e a
partir daí o caminho, além de ficar largo, fica límpido, fluindo força, coragem,
perseverança, determinação e otimismo; por conseguinte, não se deixando abater
diante das dificuldades, o que facilita todo o processo.
Somados a isso, o profissional, conhecedor de seus talentos, habilidades,
capacidades e conhecimentos, deverá confiar mais em si mesmo. A auto-confiança
torna-se fator sine qua non para se alcançar o sucesso. Além disso, devemos ter
sempre em mente que os desafios nos revelam oportunidades de desenvolvimento e
crescimento, o que contribui para nos tornarmos cada vez melhores no que
fazemos.
É preciso lembrar que o que irá determinar o nosso sucesso diante dos desafios
chama-se ação. Será a nossa ação que irá reverter todo o quadro presente
encontrado. Planejar ações de forma a agregar valor e fazer o diferencial no
mercado se torna imprescindível em meio a tantos desafios. Profissionais que não
se planejarem correrão sérios riscos de serem esmagados pelo mercado, pois o
planejamento é uma valiosa ferramenta de gestão.
Desta forma, ressalte-se também que o planejamento estratégico é de suma
importância, uma vez que servirá de bússola, dando rumo à caminhada,
proporcionando assim que o profissional seja ágil e pró-ativo, tendo sabedoria
para enfrentar as ameaças, aproveitando ao máximo as oportunidades encontradas
em meio à "destemperança" do mercado, visualizando e transformando seus pontos
fracos em fortes, mantendo o foco e o direcionamento em prol do almejado, mas
agindo com rapidez em meio às mudanças.
Por fim, deve-se adotar uma nova postura diante a tantos desafios; e isto se
torna, além de imprescindível, emergencial a qualquer profissional que deseja
pelo menos sobreviver no mercado competitivo.
À vista do exposto, é importante lembrar que para você vencer qualquer desafio e
/ou ameaça você depende de uma e única exclusiva pessoa: você.
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Jerônimo Mendes
Segunda, 19 de Maio de 2008
O mundo corporativo é semelhante a uma constelação onde algumas estrelas
brilham mais do que as outras. A maioria convive amistosamente e luta de forma
desesperada para brilhar nesse universo extremamente competitivo, porém algumas
vivem para ofuscar o brilho das estrelas menores a fim de se tornar o centro das
atenções ainda que isso acabe ofuscando o seu próprio brilho.
Em muitas empresas é possível encontrar essas superestrelas de ego
insustentável. Profissionais de todos os tipos, com ou sem diploma, experientes
ou não, amigos do patrão e da patroa, recomendados pelo presidente ou pela
esposa do presidente, estrelinhas recém-formadas com seus MBA's de consistência
duvidosa, bons de jogo de cintura e ótimos no discurso, principalmente quando há
platéia, e outros capazes de administrar o cinismo diante da desgraça alheia
fazem parte dessa constelação de superegos travestidos de líderes.
Provavelmente você já teve a oportunidade de conviver com algumas dessas
estrelas que receberiam com louvor o título de doutor "son of bitch" por sua
impressionante contribuição na geração da discórdia, no exercício da
humilhação e na destruição de valiosos talentos do universo corporativo contanto
que seu brilho fosse o mais notado pela alta administração.
Você não está livre de encontrar estrelas assim pela frente. Em geral, são
estrelas solitárias que aterrissam nos cargos mais cobiçados da empresa a peso
de ouro, prontas para cometer desvarios inexplicáveis em nome de uma suposta
necessidade de mudança. Infelizmente, muitas delas são produtos da mídia que
está sempre em busca de caras novas e polêmicas dispostas a arriscar toda sua
reputação em troca de uma autopromoção a qualquer custo.
Em alguns casos, o brilho dessas estrelas dura pouco, mas é suficiente para
provocar danos irreparáveis. Em outros, o brilho dura meses, anos ou décadas até
que sua real essência seja descoberta, depois de muitos estragos silenciosos na
empresa e na carreira de várias estrelas humildes que acabam ceifadas durante a
sua infeliz permanência no cargo.
Boa parte delas nunca será descoberta, pois é favorecida pela demanda
econômica, pelos resultados positivos que encobrem todo tipo de sacanagem e de
incompetência, pela exposição direta na mídia, pela intimidação de subordinados
e outras atitudes condenáveis que lhe conferem o poder de ser amadas e odiadas
ao mesmo tempo.
Outra parte das estrelas é conhecida dos acionistas que, quase sempre, fazem
vista grossa para o estilo truculento, pois uma mão-de-ferro traz resultados
favoráveis num universo onde o lucro é prioridade, portanto, os fins
justificam os meios. Além do mais, a procura é bem maior do que a oferta de
empregos e sempre haverá estrelas novas dispostas a pagar o alto preço do brilho
no mercado.
Infelizmente, não há como fugir dessas superestrelas que assombram o universo
corporativo ainda que você mude de vida, de emprego ou de cidade. Elas estão
sempre cruzando o seu caminho e quando você menos espera aparecem para testar
sua paciência, sua habilidade em lidar com o desconhecido e, principalmente, sua
predisposição para engolir sapos.
Como eu já escrevi em outro artigo, esse tipo de comportamento está presente nas
mais diferentes camadas da sociedade moderna, portanto, não seria diferente nas
empresas. O mais preocupante, em pleno século XXI, é que essas estrelas ainda
conseguem amealhar bajuladores, pois raramente brilham sem eles.
Conhece aquele sujeito especialista em tirar o sono dos colaboradores através de
pedidos impraticáveis, ordens e contra-ordens abomináveis apenas para ressaltar
quem é que manda e ainda esconder a sua inabilidade em lidar com a essência a
liderança? Um dia a clava do destino desce sobre sua cabeça e, segundo Napoleon
Hill, autor de A Lei do Triunfo, a clava não é feita de algodão.
Apesar de a convivência com elas ser praticamente inevitável, o lado bom de tudo
isso é que se pode aprender muito enquanto elas brilham e mais ainda quando o
brilho se apaga. Nenhuma delas resiste à clava do destino. Entretanto, nem
sempre a clava consegue remover a empáfia que brota novamente na constelação
mais próxima onde elas são acolhidas. Elas perdem o brilho, temporariamente, mas
não perdem a pose.
Eu tive a oportunidade de conhecer inúmeras estrelas de falso brilho ao longo da
minha vida profissional e, sem demagogia, posso dizer que aprendi muito com
essas verdadeiras pop stars corporativas, principalmente o que não fazer em
condição semelhante. No mínimo a gente tem boas histórias para contar durante as
aulas e palestras à luz da experiência vivida na carne.
A vingança é um objetivo dispensável, porém não dá para esconder a leve
satisfação de saber que algumas dessas superestrelas perderam o glamour ao longo
do caminho e hoje vivem normalmente sem o brilho do passado. Acredito que
algumas até se tornaram mais humildes em virtude dos revezes que a vida lhe
proporcionou, pois o tempo e o próprio universo se encarregaram de colocá-las no
seu devido lugar.
Todos os dias, em todos os lugares, em todas as empresas, milhares de estrelas
brilham e outros milhares se apagam no disputado universo corporativo. Uma parte
porque ascende rápido demais, sem experiência, sem humildade, sem formação
compatível, sem o mínimo traquejo para lidar com pessoas. Outra parte é vítima
desse complicado processo de alcançar o brilho e de sustentar o brilho por
esforço próprio e merecimento, algo que se constitui um perigo para quem brilha
por meios ilícitos, desonestos e outros indignos do seu merecimento.
Infelizmente, você não pode mudar esse processo, pois, em geral, é vitima dele.
Portanto, tomei a liberdade de compartilhar algumas lições que podem ajudá-lo a
compreender melhor esse ambiente para que você sofra menos e saiba como se
posicionar em situações semelhantes. Espero que sejam úteis e pare de se
lamentar com relação a isso, pois, como dizia Emerson, grande pensador
americano, "o descontentamento é a falta de confiança em si mesmo". Pense nisso
e seja feliz.
1. Nada é para sempre, exceto o caráter e a fé em si mesmo, portanto, paciência,
equilíbrio, discernimento e postura profissional são fundamentais para enfrentar
qualquer situação;
2. Ninguém pode feri-lo sem o seu consentimento, principalmente quando você tem
o hábito de fazer mais do que o necessário e de contribuir com o melhor de si;
3. Como diz o ditado, a melhor maneira de ganhar uma discussão é evitá-la,
portanto, desarme o seu espírito diante dos fatos; o humor das estrelas varia de
acordo com o próprio brilho e, obviamente, elas não brilham o tempo todo;
4. Faça o seu próprio caminho e nunca dependa de outras estrelas para brilhar; é
fato que algumas serão importantes na sua vida, mas é fato também que o brilho é
muito mais digno quando advém do seu próprio esforço;
5. Quando você estiver no topo e se tornar a estrela principal, lembre-se de que
o brilho é aparente, mas a sua condição interior - caráter e humildade - é o que
o tornará uma estrela duradoura.
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Alexander Baer
Quinta, 6 de Março de 2008
Hoje, uma das coisas que mais me impressionam é a falta de educação e de valores do ser humano. Não me faltam exemplos de pequenos e grandes atos em que vejo prevalecer o interesse pessoal em detrimento do respeito pelo outro ou pelo meio ambiente e imperar a Lei de Gerson - a lei de levar vantagem em tudo.
Vamos a situações que têm me causado repulsa nos últimos tempos. A começar pelo comportamento das pessoas no supermercado: aí observo vagas de estacionamento exclusivas de deficientes e idosos ocupadas, na maioria das vezes, por jovens saudáveis. No aeroporto, a prioridade na fila de embarque para os vôos (sempre anunciada) é de pessoas mais velhas ou com crianças, mas quem geralmente entra primeiro no avião são executivos apressados ou passageiros que temem perder a viagem. Nos ônibus, mais uma vez os idosos saem perdendo: eles normalmente têm que fazer o trajeto em pé enquanto indivíduos de bem menos idade seguem acreditando que merecem mais o conforto de irem sentados.
Nas ruas, noto gente ignorando as fezes deixadas por seus cães. Nos cinemas, apesar das advertências, celulares tocando alto e sendo atendidos para conversas sem importância. Dentro do avião isso também ocorre, mesmo quando a instrução para que os aparelhos sejam desligados já foi dada. No comércio, sobram episódios de atendentes sendo maltratados por clientes que se acham detentores absolutos da razão. E no trânsito... Como as pessoas se transformam! Como se acham poderosas dentro de um automóvel! Na praia, mais decepção: quanto lixo na areia, na água... Fico imaginando o "capricho" dos responsáveis por toda essa sujeira dentro de casa e a falta de educação e atenção com os seus entes queridos.
Bem, como eu disse logo de início, exemplos não faltam para lamentar - eu poderia encher muitas páginas com eles. Refletindo a respeito, pergunto-me onde foram parar os valores do homem. Não consigo compreender como as pessoas aceitam trocar cidadania, educação, gentileza e a possibilidade de estar em harmonia com seus pares pelo prazer sádico de obter vantagem sobre os outros de forma antiética.
Apesar de tudo isso, digo e repito, quantas vezes for necessário: os que cultivam educação, respeito e valores positivos colhem resultados melhores e duradouros para sua vida pessoal, profissional, familiar e comunitária, até porque, desse modo, conseguem manter uma boa imagem perante a sociedade. A fórmula para tanto é simples e, inclusive, muito antiga: respeitar e tratar os outros como você próprio gostaria de ser respeitado e tratado. Se todos seguissem essa regra, com certeza a maioria - se não a totalidade - dos conflitos do mundo estaria resolvida.
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Jerônimo Mendes
Quinta, 6 de Março de 2008
Depois de trinta anos bem vividos no mundo profissional e com mais uns trinta pela frente, posso dizer que conheço um pouco dos meandros que permeiam o ambiente corporativo. Dominá-lo por inteiro é um desafio considerável e duvido que isso seja possível em menos de trinta ou quarenta anos, pois o ser humano é surpreendente em todos os sentidos e quando você imagina que sabe tudo a seu respeito, coisas incríveis e inesperadas acontecem.
Durante a minha inesquecível jornada como empregado, principalmente nas décadas de 1980 e 1990, eu ficava chocado com a enxurrada de demissões que ocorriam em todas as empresas por onde passava e, independentemente das razões apresentadas, isso sempre me deixava consternado, pois eu sabia que, nessa hora, o senso de justiça raramente prevalecia.
Algumas eram cômicas, outras dolorosas, porém a maioria tinha pouco a ver com a origem do problema. O fato é que as demissões eram inevitáveis e aos poucos eu fui aprendendo a conviver com elas e extraindo lições que ainda hoje se mostram muito úteis na profissão de consultor e palestrante. No mínimo a gente diverte o público contando histórias. Infelizmente isso não me livrou da convivência com profissionais completamente despreparados para a arte de demitir.
Nesse período, conheci alguns seres inescrupulosos, de sangue frio, cujo maior deleite era demitir sorrindo, e outros que se diziam incapazes de demitir sem antes passar por um período de tensão involuntária. Outros nunca tiveram coragem de demitir alguém e muitos ainda preferiam transferir o problema para a turma do RH a fim de evitar o confronto com o profissional para o qual ele nunca foi capaz de prestar feedback, por medo, insegurança ou falta de liderança.
Demitir alguém e absorver a demissão é um processo delicado que exige equilíbrio e maturidade, tanto para quem demite quanto para quem é demitido. E, geralmente, essas virtudes nunca estão presentes quando mais precisamos delas, razão pela qual as demissões são verdadeiros desastres que destroem a auto-estima das pessoas em vez de projetá-las para um futuro melhor.
No início de 2000 eu vivi o período mais difícil da minha vida profissional quando, por determinação da matriz, recebi a triste notícia de que a área que eu coordenava seria transferida para outro estado. Em menos de três meses eu me vi obrigado a demitir quase toda a equipe que eu havia dado um duro danado para consolidar. Éramos praticamente uma família de vinte e uma pessoas - conceito equivocado e mais tarde reformulado - que se desmantelou da noite para o dia, onde eu, o paizão, pouco pude fazer pelos meus filhos, porém, graças ao talento natural e à incrível capacidade de adaptação do ser humano, todos sobreviveram.
Como dizia a inesquecível mestra Maria Schirato, autora de O Feitiço das Organizações, "empresa não é mãe". Você conhece alguma mãe que reúne os filhos no fim do expediente de sexta-feira para o seguinte comunicado: - meus filhos, a situação está muito complicada, os custos subiram assustadoramente e, por decisão da diretoria, vamos fazer uma reestruturação na família com redução de 20% do efetivo? Zezinho e Luizinho, vocês não fazem mais parte do quadro familiar.
De uma vez por todas, não existe esse negócio de empresa-mãe. Cada vez que alguém arrisca proferir uma barbaridade dessas na minha presença eu espremo a pessoa. Caso ela ainda não saiba, vai saber a diferença entre empresa e sua verdadeira mãe no dia do desligamento quando perder o crachá, o plano de saúde, o auxílio-combustível, o vale-refeição e aquela bendita cadeira onde ela acomodou confortavelmente o seu delicado traseiro durante mais de dez anos.
Parafraseando a mestra, mãe é aquela que divide o bife, põe mais água no feijão, tira da boca para dar aos filhos, salta no lago para salvar o filho mesmo sem saber nadar, se atira no rio para livrar o filho da voracidade do jacaré, protege o filho das atitudes violentas do pai e enfrenta três dias de fila para conseguir uma vaga na escola pública. Isso é mãe. O restante sofre de uma vontade danada de ser mãe de verdade, portanto, nenhuma empresa pode ser comparada a uma mãe ou a uma família.
Complicado mesmo é a vida do alienado, aquele que desconhece o limite entre o lado pessoal e o profissional feito o indivíduo que depois de vinte e poucos anos de bons serviços prestados na empresa, foi demitido. No dia seguinte lá estava ele na portaria, no horário de sempre, implorando para retornar ao local. Depois de muita conversa, ele foi autorizado a entrar por alguns minutos para atender suas necessidades, literalmente. Acreditem que o sujeito simplesmente não conseguia evacuar em casa, é mole?
Durante uma semana ele voltou ao local de trabalho, mais precisamente ao banheiro, para realizar a proeza de evacuar e ainda matar as saudades da tampa macia do vaso sanitário, acompanhado pelo segurança, é óbvio, o qual aguardava pacientemente o sujeito na porta do banheiro até que num determinado momento alguém decidiu que era hora de encerrar definitivamente o processo de simbiose do infeliz com a organização.
Quanta humilhação! Não é necessário chegar a tanto. Cá entre nós, o ser humano vale muito mais do que isso. Você conhece alguém que foi demitido e hoje se encontra na rua da amargura, passando fome ou mendigando? Fico feliz em saber que todos os meus ex-colaboradores, hoje grandes amigos, estão muito bem, obrigado, alguns até melhores do que eu, graças ao seu talento, esforço, um pouco de sorte e, é claro, uma pitada dos meus ensinamentos. Digo isso com orgulho e quando me lembro dá até um nó na garganta.
Com o tempo eu aprendi que toda demissão tem o seu lado estimulante e doce. Se você tiver consciência do que é capaz e acreditar piamente na volta por cima, infinitas possibilidades se abrem. Muitos profissionais confundem a relação e se entregam fervorosamente a uma convivência que eles insistem em chamar de família. Quando os laços familiares se rompem, o sujeito fica perdido e não sabe se vai para casa ou para o bar da esquina mais próximo. Eu chorei um tacho de lágrimas e voltei para casa o mais rápido possível quando ocorreu comigo. Graças a Deus fui muito bem recebido e ainda ganhei o melhor dos presentes, carinho e abraços, uma das razões pela qual sou fã da minha família.
Se algum dia você vivenciar algo parecido, quer na posição de demitido, quer na posição de cumpridor dessa difícil tarefa, lembre-se das minhas palavras. Por experiência própria, digo que você vai sobreviver tranqüilamente e ainda sair fortalecido para o próximo desafio. Pense nos amigos que passaram por situação semelhante e avalie o quanto eles evoluíram em todos os sentidos. A vida voltará ao normal muito antes do que você imagina.
Eis aqui algumas lições que me foram extremamente úteis nesse sentido e espero que sejam úteis se algum dia precisar delas ou quando tiver que socorrer um amigo. Torço para que você cresça profissionalmente, onde quer que esteja, porém tenha em mente que a concorrência no mercado de trabalho é acirrada e, muitas vezes, desleal, portanto, lembre-se:
1. Jamais lamente um fato como esse. Lamentar ou falar mal da empresa serve apenas para provocar insegurança nas pessoas que você ama e distanciamento dos admiradores do seu trabalho; o que você menos precisa nesse momento é de pensamentos e atitudes negativas;
2. Em momentos de crise, o importante é manter a lucidez e o equilíbrio; pare de se demitir mentalmente e sofrer por antecipação; se a demissão for inevitável, considere-a como uma nova oportunidade de apresentar seu talento e energia para quem realmente precisa deles, seja como patrão, seja como empregado;
3. Pense que sempre haverá espaço para pessoas que demonstram otimismo diante das adversidades, para quem cultiva o sorriso nos lábios e, principalmente, para quem sabe dizer "bom-dia", "por favor" e "obrigado";
4. Todas as empresas são carentes de bons profissionais, portanto, seja humilde e ousado ao mesmo tempo, mantenha contato com os amigos e conhecidos e não tenha vergonha de pedir, afinal, pedir não ofende; não mande o currículo para o RH, mande o currículo para um amigo que conhece alguém do RH; utilize a sua rede de contatos e pare de gastar com Xerox e papel;
5. Segundo Jack Welch, o executivo que revitalizou a GE, "até um pé no traseiro te empurra para frente", portanto, mãos à obra, currículo na mão esquerda, celular na mão direita, carro ou o vale-transporte que ainda sobrou, sua melhor roupa e muitos contatos, quantos forem possíveis e necessários;
6. Mantenha a fé, a esperança e o foco. Sem isso, não há currículo nem padrinho que dê jeito. Muito otimismo, pois como dizia a avó de um amigo meu, "é no andar da carruagem que as abóboras se ajeitam". Se você não acredita em si mesmo, por que alguém haveria de acreditar?
Penso que todos nascem para cumprir uma missão, seja ela qual for, portanto, é melhor que seja num lugar onde tenhamos o mínimo de dignidade e respeito. Pare de ser demitido, demita-se antes, não apenas da empresa, mas das coisas que você não tem a mínima vocação para desempenhar. Para Albert Camus, não existe dignidade no trabalho quando nosso trabalho não é aceito livremente.
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