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Quinta, 31 de Maio de 2007
Um dos aspectos essenciais na formulação da estratégia das empresas em particular da sua dimensão marketing, consiste na relação entre a empresa e o seu contexto ou ambiente.
Embora este seja bastante vasto, abrangendo o mais variado tipo de forças desde as de natureza econômica, social, tecnológica, política e legal, o aspecto determinante desse contexto é o conjunto das características mais relevantes do setor ou setores, também chamados de indústrias, nas quais a empresa desenvolve as suas atividades.
A estrutura de um setor influencia e determina as "regras do jogo concorrencial" de uma forma fundamental, bem como delimita as estratégias potenciais que a empresa pode vir a adotar e implementar. A intensidade concorrencial num setor não é um fator do acaso.
A concorrência numa indústria baseia-se na respectiva estrutura econômica e ultrapassa o comportamento das empresas que nela operam.
A intensidade concorrencial de um setor depende de cinco forças básicas: · O número de concorrentes e a sua rivalidade em determinado momento · A entrada de novos concorrentes · O poder de negociação dos clientes · O poder de negociação dos fornecedores · O aparecimento de produtos substitutos
É a partir da conjugação do impacto relativo de cada uma destas forças que é determinada a rentabilidade potencial do setor.
O objetivo estratégico de cada empresa, será o de encontrar uma posição nessa indústria que permita defender-se das cinco forças referidas ou influenciá-las a seu favor. Como todos os concorrentes conhecem, pelo menos superficialmente, a existência dessas forças, o importante, para a formulação da estratégia empresarial consiste numa análise profunda das raízes dessas forças. O conhecimento dessas raízes permite uma melhor utilização dos pontos fortes e a correção dos pontos fracos da empresa, permite identificar as alterações estratégicas mais aconselháveis e as áreas mais atraentes ou mais arriscadas resultantes da evolução da indústria.
Vejamos, de uma forma mais detalhada, os principais aspectos a considerar neste tipo de análise: · Número de concorrentes atuais e a sua rivalidade em determinado momento A rivalidade num setor existe porque um ou mais concorrentes se sentem pressionados, ou vêem oportunidades, para melhorar a sua posição. Em muitos setores "manobras" efetuadas por uma empresa têm efeitos significativos nas outras e, portanto, originam retaliação ou esforços para anular essas "jogadas". Este conjunto de ações e reações podem não deixar a empresa que iniciou o processo e a própria indústria/setor numa situação mais favorável.
Muitas formas de concorrência, principalmente as guerras de preços, são bastante instáveis e muito possivelmente deixam o setor em pior situação sob o ponto de vista de rentabilidade. Guerras de publicidade, por outro lado, podem expandir a procura e elevar o nível de diferenciação dos produtos da indústria, beneficiando todas as empresas. Uma rivalidade intensa é fruto de um certo número de fatores: Numerosos concorrentes ou com equilíbrio de forças - quando o número de empresas é elevado cada uma delas acredita que pode realizar determinadas jogadas sem serem notadas. Mesmo quando o número de empresas é reduzido, se existir equilíbrio de forças, estas podem estar dispostas a lutar entre si. Quando a indústria é concentrada, dominada por um reduzido número de empresas, estas podem impor a sua disciplina ou desempenhar um papel coordenador na indústria; Crescimento lento do setor - numa indústria/setor com uma taxa de crescimento reduzida, a concorrência transforma-se numa batalha pela conquista de quota de mercado para as empresas que procuram crescer; Elevados custos fixos ou de armazenagem - a existência de custos fixos elevados coloca pressão nas empresas para utilizarem a sua capacidade ao máximo o que conduz muitas vezes a reduções de preços quando existe capacidade em excesso.
Uma situação relacionada com elevados custos fixos é a de um produto que uma vez produzido é dificilmente armazenado ou em que a sua armazenagem é dispendiosa. Neste caso as empresas são tentadas a cortar os preços a fim de assegurarem as vendas; Inexistência de diferenciação ou custos de mudança - nos casos em que não existe diferenciação entre os produtos oferecidos numa indústria, a escolha por parte do cliente é feita na base do preço e serviço. A diferenciação de produtos, por outro lado, evita uma guerra concorrencial pois os compradores têm preferências e são leais a determinados produtores; Aumentos bruscos de capacidade - em indústrias em que as economias de escala obrigam a grandes incrementos da capacidade instalada, a adição de nova capacidade perturba periodicamente o equilíbrio entre a procura e a oferta nessa indústria. Verificam-se então períodos de sobrecapacidade e redução de preços; Diversidade de concorrentes - os concorrentes que atuam numa indústria podem diferir entre si nas estratégias, origens, personalidades e ter objetivos diferentes e modos distintos de concorrer. Dificilmente interpretam as intenções dos outros concorrentes não chegando a acordo quanto à definição das regras de jogo na indústria; Importância estratégica do negócio - a rivalidade numa indústria torna-se mais intensa se um certo número de empresas consideram muito importante a sua atividade nessa indústria. Nestas condições os seus objetivos podem ser, não só diferentes, mas também desestabilizadores pois têm um caráter expansionista e estão dispostos a sacrificar a sua rentabilidade; Elevadas barreiras de saída - barreiras de saída são fatores de ordem econômica, estratégica e até emocional, que fazem com que determinadas empresas permaneçam numa indústria, mesmo que obtenham uma baixa ou até negativa rentabilidade. As principais causas de barreiras de saída são: Ativos especializados - com baixo valor de liquidação ou elevados custos de conversão ou transferência; Custos fixos de saída - incluem indenizações, manutenção de peças de substituição,.Relações estratégicas - com outros negócios da empresa, em termos de imagem, marketing, acesso ao mercado de capitais,.Barreiras emocionais - a recusa por parte dos gestores em tomar decisões de saída, economicamente justificáveis, por razões de identificação com o negócio, lealdade, medo, orgulho,.Restrições de ordem social ou governamental Barreiras de entrada e de saída - o efeito conjunto das barreiras de entrada e saída constitui um aspecto importante da análise de um setor: · Entradas de novos concorrentes A entrada de novas empresas concorrentes num setor conduz ao aumento da capacidade instalada, ao desejo de ganhar quota de mercado e à aplicação de recursos, por vezes substanciais, nesse setor. A ameaça de entrada num setor depende das chamadas "barreiras à entrada" existentes e da reação dos concorrentes atuais. Se as barreiras forem elevadas e a reação esperada das empresas existentes for vigorosa a ameaça de entrada é reduzida, no caso contrário ela é elevada. Entre as principais barreiras de entrada destacam-se: Economias de Escala - as economias de escala traduzem-se na redução dos custos unitários de um produto (ou operação) com o aumento do volume produzido num determinado período de tempo. As economias de escala dificultam a entrada na medida em que força o novo concorrente ou a instalar uma maior capacidade de produção e a sustentar uma forte reação por parte das empresas já existentes, ou então a entrar na indústria numa escala inferior e colocar-se numa situação desvantajosa em termos de custos. As economias de escala podem existir em, praticamente, todas as funções da empresa: marketing, produção, abastecimentos, investigação e desenvolvimento, rede de prestação de serviços, etc.; Diferenciação de Produto - a diferenciação de produto significa que as empresas existentes têm uma imagem de marca e uma lealdade por parte dos clientes finais, resultantes de publicidade feita no passado, do serviço prestado ou simplesmente por terem sido as primeiras no setor. A diferenciação cria uma barreira na medida em que força os recém chegados a despender elevadas quantias para vencer a atual lealdade dos consumidores. Este esforço pode envolver investimentos importantes durante a fase de arranque e perdurar por um prolongado período de tempo; Necessidades de capital - a necessidade de investir elevados recursos financeiros para entrar no setor cria barreiras de entrada, particularmente se o capital for necessário para financiar publicidade inicial ou investigação e desenvolvimento; Custos da Mudança - os custos que um comprador tem de suportar ao mudar de um fornecedor para outro, constituem uma barreira à entrada. Estes custos podem incluir o treino de trabalhadores, novo equipamento, tempo despendido em testes de qualificação do novo fornecedor e até custos de ordem psicológica ao abandonar as relações com os anteriores fornecedores; Acesso a Canais de Distribuição - uma barreira de entrada pode ser constituída pela necessidade que a empresa recém chegada tem em assegurar a distribuição dos seus produtos. Na medida em que esses canais estão já a ser utilizados pela sua concorrência já instalada, a nova empresa tem de convencer aqueles a aceitar o seu produto através de maiores descontos, publicidade conjunta, que acabam por reduzir as margens possíveis; Desvantagens econômicas independentes do efeito de escala - as empresas já instaladas podem ter vantagens em termos de custos independentemente da sua dimensão. Por exemplo: · Know-how protegido através de patentes ou segredo; · Acesso privilegiado a matérias primas; · Localização favorável; · Subsídios do Governo. Curva de Experiência - em alguns setores existe a tendência para que os custos unitários do produto diminuam à medida que a empresa acumula experiência na sua produção. Os custos devido à melhoria dos métodos utilizados pelos trabalhadores (curva de aprendizagem, equipamento especializado, alterações no produto,.). A experiência pode reduzir os custos na produção, marketing, distribuição e em todas as outras áreas e operações da empresa. Por vezes atribui-se às economias de escala a redução de custos motivada pela experiência. Aquelas dependem, no entanto, do volume de produção por unidade de tempo e não da produção acumulada ao longo do tempo como a segunda. Se os custos diminuem com a experiência e se a empresa consegue manter como sua propriedade os efeitos da experiência, então estes constituirão uma barreira à entrada; Política do Governo - Um Governo pode limitar (ou até impedir) a entrada em muitas indústrias utilizando medidas de controle como licenças, acesso a matérias primas, combate à poluição,.; As expectativas no que diz respeito à reação das empresas existentes no setor face a uma empresa recém-chegada, influenciam a ameaça de entradas no setor. As seguintes condições permitem prever forte retaliação e mesmo o impedimento de entrada: Um passado de forte retaliação relativamente às empresas que pretendem entrar na indústria. As empresas instaladas possuem recursos substanciais para reagir (ativos líquidos em excesso, capacidade de endividamento não utilizada, capacidade produtiva em excesso, domínio dos canais de distribuição). As empresas instaladas estão fortemente comprometidas com a indústria, tendo elevados ativos fixos nela envolvidos. O crescimento da indústria é lento, limitando assim a sua possibilidade de "absorver" uma nova empresa sem afetar negativamente as vendas e rentabilidade das empresas instaladas. · Poder de negociação dos clientes Os clientes influenciam a concorrência na indústria na medida em que podem provocar a diminuição dos preços, exigem maior qualidade e nível de serviço e jogam os concorrentes uns contra os outros, à custa da rentabilidade da indústria/setor. Um grupo de clientes é poderoso se: · É concentrado ou compra grandes quantidades relativamente às vendas do produtor; · Os produtos comprados à indústria representam uma fração importante dos custos e compras do cliente; · Os produtos adquiridos são indiferenciáveis; · Depara com baixos custos de mudança; · A sua rentabilidade é baixa; · Constituem uma ameaça de integração a montante; · A qualidade do produto adquirido não é importante para a qualidade dos produtos fabricados pelos clientes; · Possuem informação completa (procura, preços, custos, rendimentos,.);
A seleção, por parte da empresa, do tipo de clientes a quem vender é uma decisão estratégica da maior importância. Uma empresa pode, por exemplo, melhorar a sua posição estratégica selecionando, para seus clientes, aqueles que tiverem menor poder.
· Poder de negociação dos fornecedores Os fornecedores podem exercer o seu poder sobre um setor ameaçando elevar os preços ou reduzir a qualidade dos seus produtos ou serviços. Um grupo de fornecedores é poderoso nas seguintes condições: · É dominado por um número reduzido de empresas e está mais concentrado do que a indústria que fornece; · Não depara com produtos substitutos; · A indústria abastecida não constitui um cliente importante para os fornecedores; · Os produtos fornecidos são diferenciáveis ou apresentam elevados custos de mudança. · Constituem uma ameaça de integração a jusante; Geralmente apenas se consideram como fornecedores outras empresas, no entanto, a mão de obra deve ser reconhecida, também, como um fornecedor que pode deter grande poder sobre os setores. O governo influencia diretamente muitos, senão todos, dos aspectos do setor de um modo direto e/ou indireto. Em muitos setores o governo é o cliente ou fornecedor e, muitas vezes, o seu papel é determinado mais por razões políticas do que por razões econômicas. A legislação governamental coloca também limites ao comportamento das empresas como clientes ou fornecedores. Assim, uma análise estrutural só está completa com a inclusão do diagnóstico da política atual e futura dos governos de uma nação ou de um bloco econômico. · Aparecimento de produtos substitutos Todas as empresas num setor estão em concorrência com empresas de outros setores que produzem produtos substitutos. Estes limitam a rentabilidade potencial de um setor colocando um teto nos preços que as empresas podem praticar. A identificação de produtos de substituição resulta da pesquisa de outros produtos que podem desempenhar a mesma função. Os produtos substitutos que merecem atenção especial são aqueles cuja relação preço/rendimento tem tendência a ser superior à dos produtos do setor, ou são produzidos em setores altamente rentáveis.Autor: Francisco Velez Roxo Fonte: Portal do Marketing
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O contexto
O último ano de século antepõe aos administradores de marketing urna questão transcendental, que pode ser verbalizada de forma superficial da seguinte maneira: "Sendo o marketing um conjunto sistêmico de métodos administrativos que foi aplicado em períodos de riqueza e afluência, sua validade e condições de aplicação não seriam legítimas e justificáveis no período atual, que é tipicamente de escassez?"
Seguindo o mesmo raciocínio "não seria,justificável,utilizar "todos e instrumentais marketing, que são catalisadores de consumo, em uma fase na qual é necessário conter o consumo supérfluo, economizar energia e usar com parcimônia matérias primas?"
Aqueles que concordam com as proposições acima, simplesmente diriam que "o marketing morreu, e que portanto deve descansar em paz".
As duas proposições acima são entretanto, a nosso ver, falaciosas, pois nada é mais legítimo do que a utilização do poder interpretador de marketing para orientar o consumo em fases de ajustamento e escassez.
O que é preciso, sem dúvida, é a adoção de novas perspectivas e o re-equacionamento das formas de uso das técnicas e do instrumental de marketing.
Devemos inicialmente aceitar o pressuposto segundo o qual as empresas são responsáveis pelo crescimento, bem estar e sobrevivência dos grupos sociais a que servem, fornecendo bens e serviços.
Em termos genéricos, se as empresas, usurpando de seu poder, explorarem em excesso clientes e segmentos de mercado, haverá uma concentração de renda nas mesmas com a conseqüente perda da capacidade de compra dos consumidores e usuários.
É também provável que o uso não controlado de bens e recursos econômicos leve à exaustão dos mesmos, tornando- -se irreversível a impossibilidade de continuar a produzir.
O marketing como redutor da crise
Colocadas a analisadas estas premissas, passaremos a examinar o objetivo central deste artigo, qual seja, a discussão das formas pelas quais o marketing pode ser utilizado como redutor da crise, e também como elemento primordial para o ajustamento às fases de escassez econômica que, segundo Wilfred Malenbauma antecedem e são pré-requisitos de fases de abundância; este autor ainda afirma que, aceitar como fatalismo a escassez econômica em caráter crônico, é um sintoma de indiferença, inépcia e incompetência. (Annals - American Academy of Political and Social Science - Junho 1975 - pág. 72).
Em primeiro lugar, o poderoso instrumental de pesquisa mercadológica deve ser orientado para a investigação em escala macroanálitica dos recursos econômicos disponíveis e para as taxas de utilização dos mesmos. Desta maneira, serão identificados os recursos econômicos escassos, o grau de consumo dos mesmos, e também o que é mais importante a capacidade tecnológica de reproduzi-los e de encontrar formas alternativas de reposição. Assim, a capacidade do sistema de informações de marketing estará sendo utilizada para proteger e não para espoliar indevidamente bens econômicos escassos e limitados.
Em segundo lugar, o sistema de marketing deverá identificar, tendo como premissa fundamental o conceito de cus- to social, -quais são as implicações macro mercadológicas da oferta e demanda de bens tais como: automóveis de alta potência, embalagens não biodegradáveis, consumo ostensivo de madeira, pro- dutos industriais causadores de poluição hidrológica, sonora e atmosférica, comunicação contrária à moral social, etc.
Em terceiro lugar, é necessário encontrar e formular diretrizes operacionais pa- ra o processo de marketing que eliminem as disfunções causadas pelo uso indevido, não ético, imediatista e oportunistico do poder de persuasão e distribuição do próprio sistema. Nesta linha de pensamento, é primordial tornar o marketing um sistema interpretador e orientador da oferta e demanda, fazendo com que o processo, em sua concepção genérica mais ampla, seja na realidade um conjunto integrado de instrumentais "que possa criar e resolver problemas relacionados com as opções maiores da sociedade" (Bagozzi - J.M., Vol. 39 - 1975 pp. 32-39). Reduzir esta proposição a seus termos principais, significa levar em consideração os impactos do processo mercadológico sobre a sociedade como um todo, e não avaliar apenas os benefícios de grupos particulares.
Em última instância, o mercadólogo como executivo ou planejador do processo tem que se conscientizar e avaliar quais serão as implicações de suas atividades sobre o grupo dos mais necessita- dos e dependentes de amparo na sociedade (Ex: os pobres, os desvalidos, os velhos, os desempregados e mesmo certos grupos sociais dos paises do terceiro mundo).
Esta visão do problema não é a nosso ver utópica, pois mercadólogos são também os executivos chefes das grandes instituições governamentais, os políticos, os líderes comunitários, enfim, aqueles que criam e são os responsáveis pela difusão de idéias e atitudes.
Em quarto lugar, é necessário que o conjunto de dispositivos e recursos de que dispõe o sistema de comunicações mercadológicas, não mais enfatize os aspectos puramente materialistas do consumo. Neste linha de raciocínio, deverá ocorrer uma mudança básica de orientação, ou seja, a ideologia aquisitiva na qual a satisfação pura e simples de desejos materiais é considerada como um objetivo primordial, precisa ser substitui- da pela consideração de que a essência do sistema econômico é o propósito social.
Desta forma, é óbvio que o poder de influência social da propaganda, o qual condiciona valores e estilos de vida, precisa ser racional e eticamente orientado para o consumo racional, para a difusão de programas e ideologias consistentes com os planos nacionais de desenvolvimento econômico e para os objetivos de conformidade de pensamento e ações que sejam consistentes com o momento atual da economia brasileira. O modelo global de comunicação mercadológica aqui proposto deve, evidentemente, oferecer e apresentar uma parcela substancial de utilidade informativa, o que vale dizer, conduzir os consumidores a melhores decisões econômicas (AAKERI MYERS - ADVERTING MANAGEMENT - 1975 - pág. 551).
Em quinto lugar, é recomendável que o marketing, como sistema e com o seu processo operacional, propicie a expansão de um tipo de comportamento social que recebeu de ETZIONI a denominação de "adaptação criativa" (ANNALS, AAPSS 420 - 7 - 1975 pág. 98 - 1 1 0). Este autor sustenta que as condições econômicas e sociais do mundo de hoje são diferentes daquelas de uma, duas, três ou quatro décadas atrás; ao afirma-las diferentes, ETZIONI não diz que as condições são necessariamente piores que as anteriores.
Para Etzioni, o hedonismo comercial, altamente dependente do progresso tecnológico e da afluência, deverá ser substituído por urna forma de hedonismo ideológico, que é mais orientado para prazeres coletivos comunitários, e, por- tanto, "nos materialistas. Um bom exemplo disto, é a participação em atividades mais sociais e menos conspícuas como concertos públicos, clubes esportivos, nos quais recursos econômicos são desfrutados por grandes grupos e não por pequenos grupos.
A responsabilidade social do marketing
As cinco proposições de natureza normativa acima examinadas, requerem, evidentemente, o desenvolvimento de um conjunto de proposições prescritivas e também concretas sobre a programação de diretrizes de marketing em um periodo de escassez. É óbvio e preliminar que os executivos de marketing tenham como premissa básica, que a eles é atribuída em primeiro lugar, a responsabilidade social, a qual muitas vezes pressupõe sacrifícios das empresas para proteger o mercado e a sociedade de desagregação, do caos e mesmo de um eventual colapso. (Morton Darow - 1974).
Nesta execução, o marketing adquire uma amplitude muito maior, analisando consenso de interesse público como denominadores de suas preocupações. A autoridade e o controle devem ser exerci- dos como padrões para o exercício das respostas às necessidades e requisitos da sociedade.
A análise de custos e benefícios dos programas empresariais deverá prover informações que propiciem a identificação de metas e prioridades, sempre levando em consideração uma harmonia ideal entre benefícios particulares e custos sociais. Nada deverá ser implementado contra o "interesse público".
A racional idade e a aplicação de tecnologia é fundamental para o desenvolvi- mento de uma política integrada de Marketing social, como a que foi acima exa- minada e proposta. Em termos objetivos, serão executados programas operacionais adaptados à situação da crise de escassez e relacionados com o impacto da ação mercadológica sobre produção e distribuição, o impacto do sistema de marketing sobre o meio ambiente e o seu equilíbrio ecológico; os reflexos das práticas promocionais sobre os valores sociais e as atitudes de consumo, e, finalmente, também quanto às previsões dos efeitos futuros da atividade mercadológica, principalmente no que se refere aos limites de crescimento e às limitações dos recursos econômicos de produção.Autor: A.Oliveira Lima Fonte: Portal do Marketing
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A cena é já velha conhecida de todos nós. O semáforo fecha, os carros param e uma pessoa, jovem ou idosa, circula pelo corredor formado por entre os veículos depositando objetos de toda ordem sobre o espelho retrovisor: balas, canetas, flanelas, adesivos. Enfim, qualquer coisa que possa receber o valor de R$ 1,00 estampado num pedaço de papel xerocopiado várias vezes com mensagens de "estou desempregado", "garantir o sustento de minha família" e "Deus lhe abençoe".
Dia destes flagrei-me conversando com meu lado mais cartesiano, aquele que sublima a matemática existente por trás das notas musicais e da geometria das construções. Os números, quando não manipulados, mentem jamais. O cálculo dispensou uso de máquina: observei um garoto percorrer 10 veículos. Considerando-se uma distância média de 2,5 metros por veículo (seu comprimento acrescido da distância mantida para o colega posicionado adiante), temos uma distância percorrida de 25 m. Porém, o garoto percorria, a cada semáforo fechado, quatro vezes esta distância para distribuir, retornar, recolher e posicionar-se no ponto de partida uma vez mais. Ou seja, são 100 m por semáforo fechado. Tomando-se um intervalo de 2 minutos entre duas paradas, o garoto percorre este trajeto 30 vezes em uma hora. Fazendo-o por 6 horas ao longo do dia, temos a surpreendente marca de 18 Km diários. Uma meia-maratona!
Sem preciosismos, podemos julgar o garoto do exemplo acima muito lépido e argumentar que, na verdade, o trajeto percorrido não passa da metade do exposto. Continuamos com 9 km diários, sob sol e chuva, descaso e arrogância, medo e intolerância.
Este é um exemplo cristalino da Economia informal que toma conta deste país. Há toda uma indústria paralela por trás desta mendicância: do fornecedor de balas, canetas, flanelas e adesivos, ao fornecedor do papel xerografado e de embalagem plástica que compõe o tal kit.
É evidente que sempre haverá quem argumente que tais pessoas gostam de exercer esta "profissão", que na verdade não querem procurar um "emprego" legítimo. Ainda que isso seja um fato, em meu entender não generalizado, a resposta a asserções deste gênero veio estampada nas manchetes dos jornais do dia 24/06/03. Tumulto no Rio de Janeiro onde 15.000 pessoas se espremeram como em latas de sardinhas numa fila para se candidatarem a vagas, incertas em quantidade e data para início, para atuarem como varredores de rua, os garis. Por um salário equivalente a US$ 7,00 diários, pessoas com nível superior de instrução acamparam por até dois dias para pleitear a segurança de um emprego.
Diante deste quadro, pode parecer contestação filosófica, bravata pseudo-intelectual, mas não há como deixar de se questionar: Que diabos de país é este que estamos construindo?
Em 19/09/2002 escrevi um artigo intitulado "Um Voto na Esperança". Não foi um texto muito difundido, até porque muito perecível. As eleições estavam próximas. Nele, eu falava sobre a retórica do "Brasil, país do futuro" e ilustrava nosso atraso sócio-econômico representado por nossa 65a posição no ranking de desenvolvimento humano (IDH-ONU) e nossa majestosa 4a colocação no Índice de Gini, que mede concentração de renda, no qual perdemos apenas para os paupérrimos africanos Serra Leoa, República Centro-Africana e Suazilândia.
Nove meses depois, transcrevo trechos daquele artigo:
"Não quero parecer teórico. Mas os números acima estão refletidos na tragédia social que nos abate hoje. Desemprego, violência, crianças nas ruas, epidemias, são subprodutos de um mal maior: o modelo econômico adotado por nossos governantes e a gestão pública praticada neste país. O Estado brasileiro se desenvolveu e esqueceu a nação, esqueceu o cidadão.
Acredito que meio século deve ter sido minimamente suficiente para sepultar a idéia de "fazer o bolo crescer para depois repartir". O Brasil já não pode mais ser o país do futuro porque está paulatinamente corroendo o entusiasmo e a esperança no seio de cada cidadão. Parafraseando Shakespeare, "nós sabemos o que somos, mas não o que podemos ser."
As eleições de outubro próximo simbolizam uma vez mais um marco na condução dos rumos deste país. E não estou falando apenas de eleição presidencial, mas em todos os níveis (não prospera o Gabinete sem o Parlamento). Democracia não se fala. Pratica-se. Cada povo tem o governo que merece e nenhum governo pode ser melhor do que a opinião pública que o apóia.
Uma vez mais, vemos desfilando candidatos que prometem construir pontes mesmo quando não há rios. Pessoas que serão eleitas não pela defesa de argumentos, mas pela venda eficiente de ilusões. Os homens são todos parecidos em suas promessas, só diferem nas realizações. O roubar pouco é culpa, o roubar muito é grandeza: o roubar com pouco poder faz os piratas, o roubar com muito poder, os Alexandres. Todo homem é uma caricatura da época em que vive; muito poucos são capazes de ter idéias além da época. Muito poucos têm perfil para serem estadistas.
Há um provérbio japonês que diz: nenhum de nós é tão inteligente quanto todos nós. O simples fato de eu e você, leitor, ter acesso a um computador e à internet, credencia-nos a compor a base mais estreita da pirâmide. E, por conseguinte, impõe-nos uma responsabilidade cívica de promover o debate como formadores de opinião que somos.
A felicidade baseia-se na eliminação de três fatores principais: doença, pobreza e conflito. E embora o mundo de hoje praticamente imponha um ideal de auto-sustentação, através do qual as pessoas são impingidas a cada vez mais prescindir de seus governos, especialmente nos países subdesenvolvidos, a regulação estatal será sempre essencial para aplacar o sofrimento dos pequenos ante as tolices cometidas pelos grandes. Camponeses pobres, reino pobre. Segurança para alguns, insegurança para todos. Ninguém come macroeconomia.
Se a igualdade não é possível, que as desigualdades sejam amenizadas. Se a justiça plena é inatingível, que as injustiças sejam abrandadas. Se as idéias não são convergentes, que os conflitos sejam arrefecidos. Sendo nosso povo tão tolerante, que a esperança não lhes seja extirpada."
Pois bem. Foi com curiosidade, e alegria, que vi após a eleição Lula proclamar que "a esperança vencera o medo". E eu, revestido de esperança, aguardei a virada do ano e os famigerados 100 primeiros dias de governo, acreditando que algo mudaria.
Porém, 176 dias se passaram. E em nome da Macroeconomia, da credibilidade e do capital internacional, da gestão responsável das contas públicas e mais uma série de argumentos, nada mudou. Não pretendo debater Economia, pois academicamente abdiquei da mesma em favor de outros temas que me são mais aprazíveis. Compreendo o porquê de muitas ações e medidas tomadas, justificáveis num primeiro momento, porém não mais agora. A falta de ousadia mínima, a hesitação subserviente, o medo contumaz, implicarão na retomada do discurso de "dividir o bolo depois". Só que até lá, todos terão morrido. De fome, de desilusão, de desesperança.
Pouco me importa os rótulos. Sou, aliás, contrário ao uso deles. Podem chamar de Estado Social-Democrata, de Estado Keynesiano, de Estado do Bem-Estar Social. Chamem como quiserem. Se desejarem uma sugestão, qualifiquem de Estado Empreendedor. Mas que se faça algo! A iniciativa privada não tem mais fôlego para, com uma carga tributária superior a 40%, executar ações que cabem ao Governo. As empresas de grande porte fecharam 400.000 postos de trabalho ao longo dos últimos 10 anos e respondem por apenas 2,3% da força de trabalho ocupada. São as pequenas e médias empresas que sustentam este país e que de forma assistencialista procuram conceder benefícios aos seus funcionários e adotar entidades por uma questão de ética e responsabilidade social. Alguns dirigentes são maçons, outros rotarianos, outros contribuem em suas igrejas. Fazem o que o Estado não faz - mas deveria. Gastam-se bilhões com juros e com uma série de outras contas, mas não se pode canalizar recursos para incentivar a produção, para fazer a transposição das águas do São Francisco, para dar oportunidade de trabalho a essa gente boa que só quer trabalhar.
Não tenho respostas. Pensei que as tivesse. Também não fiz a chuva grossa. Estou apenas atrás do melhor guarda-chuva. E não apenas para mim...
Tom Coelho, com graduação em Economia pela FEA/USP, Publicidade pela ESPM/SP e especialização em Marketing pela MMS/SP e em Qualidade de Vida no Trabalho pela FIA/USP, é empresário, consultor, escritor e palestrante, Diretor da Infinity Consulting, Diretor do Simb/Abrinq e Membro Executivo do NJE/Fiesp.
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Quinta, 3 de Maio de 2007
Entre fatores estratégicos importantes no sistema distributivo podem ser levantadas as seguintes questões:
- O número, o tamanho e a localização das unidades fabris atendem às necessidades de mercado,
- A localização geográfica dos mercados e os seus respectivos custos de abastecimento são compatíveis,
- A freqüência de compras dos clientes, o número e o tamanho dos pedidos justificam o esforço distributivo,
- O custo do pedido e o custo de distribuição estão em bases compatíveis com o mercado,
- Os métodos de armazenagem e os seus custos são justificáveis com os resultados operacionais gerados,
- Os métodos de transporte adotados são adequados,
Em conformidade com o potencial do mercado, é importante analisar a demanda de cada mercado atendido pela empresa e se o tipo de sistema de distribuição adotado é adequado.
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