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ESCOLHER, DECIDIR E MUDAR

Segunda, 22 de Setembro de 2008
A vida é uma sucessão de escolhas, decisões e mudanças para as quais somos empurrados com freqüência e ninguém pode cumprir o nosso papel nesse sentido. Somos inteiramente responsáveis por elas, portanto, além de ser uma necessidade permanente, escolher, decidir e mudar é a única certeza visível, uma verdade incontestável na vida pessoal e no mundo dos negócios.

De fato, diariamente somos obrigados a escolher, decidir e mudar, ou não, o que queremos para o momento seguinte, para o dia seguinte e, por vezes, para uma vida inteira, muitas vezes sob pressão, outras diante de oportunidades que podem transformar a nossa história e outras ainda quando a única alternativa nem sempre é aquela que oferece chance de nos trazer felicidade.

O fato é que precisamos escolher e decidir pelo menor custo possível, emocional, social ou financeiro, e isso determina o desenrolar dos acontecimentos, portanto, decidir é uma arte que deve ser aprendida e exercitada. Não há como fugir delas. Elas são as forças motivadoras que caminham ao nosso lado, silentes, para testar a nossa capacidade de realização no mundo.

Avalie o seu estado atual. Há algum tempo você escolheu o caminho, ou foi escolhido por ele, e decidiu seguir em frente. A partir desse momento sua vida tomou um novo rumo. A pessoa com que você vive, a casa onde você mora, a vida que você leva, o curso que você faz e a empresa onde você trabalha fazem parte das escolhas e decisões do passado, portanto, elas são a realidade presente.

O tempo passou e tudo o que você fez até aqui parece ter sido em vão. A vida lhe parece injusta, as dívidas se acumulam, o amor esfriou, o trabalho não faz o menor sentido. A pressão da sociedade é incompatível com a sua capacidade de absorção dos problemas e a vida continua batendo na sua cabeça. Entretanto, você já percorreu metade do caminho.

Apesar de tudo, quando o desespero bater à sua porta, lembre-se das três palavras mágicas capazes de transformar a sua vida: escolher, decidir e mudar. Embora estejam inteiramente relacionadas, elas apresentam significados e funções diferentes. De uma forma ou de outra, podem fazer a diferença na sua vida pessoal e profissional.

Escolher significa optar entre duas ou mais possibilidades antes de torná-la um hábito, uma mania, uma virtude: o bem e o mal; o certo e o errado; o preto, o branco e o vermelho. Decidir tem sua origem no latim decidere e significa cortar, romper, mudar definitivamente a condução de determinada situação ou a forma de algo que não interessa mais e, a partir daí, executar ou prender-se apenas àquilo que é essencial ou importante eliminando as demais alternativas. Mudar significa altera uma situação que já não corresponde mais às suas expectativas.

Escolher (livre arbítrio), decidir (romper o padrão) e mudar (entrar em ação) são direitos universalmente garantidos aos seres humanos em todos os cantos da Terra. A grande dificuldade é que para isso acontecer dependemos sempre de um fator motivador, geralmente quando a situação se torna insustentável.

Infelizmente, por razões que não vale a pena entender, você não muda o estado passado nem deve gastar tempo e energia sobre ele, entretanto, o futuro está em suas mãos. O estado presente é resultado de ações tomadas no passado e o estado futuro será resultado das ações que você está imaginando conscientemente enquanto lê esse texto.

Todas as pessoas passam por um momento na vida em que é necessário praticar o livre arbítrio, escolher o caminho menos doloroso e entrar em ação para mudar o estado das coisas. Você não precisa continuar levando uma vida medíocre, casado com a pessoa errada, trabalhando na empresa errada, suportando um chefe inescrupuloso ou fazendo o curso que não gosta apenas porque no passado você optou erradamente por isso.

Os erros são os maiores aliados do aprendizado e o mundo é um celeiro de oportunidades, cujas escolhas, decisões e mudanças são determinantes para a criação de uma nova perspectiva. Não se apavore pelas expectativas alheias em relação à sua pessoa. Quando você aprender a dizer não, eliminar o que não é essencial e der mais valor à sua capacidade de realização, escolher, decidir e mudar será apenas uma questão de hábito. Entretanto, os fatos não deixam de existir apenas porque são ignorados. Se você olhar apenas para o passado não conseguirá mudar o estado futuro.

De acordo com Albert Einstein, Premio Nobel de Física, “os problemas significativos que enfrentamos não poderão ser resolvidos pelo mesmo nível de pensamento que os criou”, portanto, dê o primeiro passo com fé, escolha um caminho, decida o que você realmente quer e mude sua vida antes que a mão dura do destino toque seus ombros.

Por fim, pare de mentir para si mesmo, de carregar os outros nas costas ou de agradar os outros apenas para se sentir mais integrante do meio enquanto a vida passa afortunadamente diante dos seus olhos. Você é especial e, tal como milhares de pessoas bem-sucedidas, você tem direito a ser feliz, você conta. Pense nisso e seja feliz!

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Super-homens ou Gestores

Sexta, 22 de Agosto de 2008
Programas de qualidade, de motivação, de liderança e tantos outros pautam o sucesso de implementação no comprometimento da direção / gestão das organizações. Não importa o segmento em que estas organizações atuem se não houver recursos e envolvimento de quem está sob o seu comando é certo que o caminho do fracasso está aberto. Uma questão que surge é como estes super-homens poderão cumprir tamanha missão. O fato é que ao ascenderem à tais posições tornam-se referência e suas decisões passam a ter impacto na vida de todos que estão interligados à hierarquia. O “andar de cima” transforma-se num paraíso e todas as preces são a ela dirigidas na expectativa de sucesso para as atividades que ocorrem. Se as vendas estão baixas é porque a direção não liberou recursos para aquele inovador programa de treinamento em vendas ou ainda não aprovou aquele novo recurso tecnológico a ser incorporado em nossos produtos para se igualar aos concorrentes. Se a qualidade não atinge os objetivos é porque não há comprometimento de todos e a direção deveria participar mais e dar exemplos. Se a motivação está em queda é devido ás atitudes da direção que deveria estimular a todos.

Afinal de contas, que tipo de super-homens são esperados para ocuparem as posições de decisão nas empresas? Deles tudo é esperado, tudo é solicitado. Acima somente Deus. Quando não podem resolver torna-se último recurso recorrer a Deus. Se bem que alguns gestores colocam-se lado a lado com Deus... Polêmicas à parte, gestores são seres humanos, limitados que são, e que, deveriam extrair resultados de suas equipes. Não são eles que fazem ou dizem como fazer. São eles que questionam sobre as melhores alternativas, dão diretrizes e provêem condições para se faça; mas como podem estar envolvidos em tantas responsabilidades sem terem conhecimentos e habilidades para todas? Qualidade, liderança, motivação, meio ambiente, engenharia, manutenção, compras, produção, vendas... a lista continua indefinidamente. Que resposta mágica é esperada para que sejam providos do dom divino de fazerem milagres?

É de nossas culturas que esperemos os líderes para agir. É expectativa que estes líderes chamem a responsabilidade para si. O problema é que todos os lados esperam demais uns dos outros. O líder espera que os seus liderados compreendam como que por encanto suas posições e como autômatos simplesmente façam, afinal de contas não há tempo a perder e não dá para ficar explicando tudo para todos. Os liderados, ainda que saibam como fazer, não se sentem autorizados, aguardam o líder supremo para agir conforme orientações. Afinal de contas, manda quem pode e obedece quem tem juízo, diz o ditado popular. Assim uns fingem aceitar outros fingem mandar. E quando os resultados não são satisfatórios volta a pergunta: como os líderes podem estar comprometidos com este programa?

Uma das grandes falhas dentro das organizações é tratar tais assuntos como programas, projeto, enfim uma caixa preta que será desvendada por especialistas quando o avião cair. Infelizmente é assim que ocorre. É preciso fazer com que tais conhecimentos venham a fazer parte do DNA da organização, ser efetivamente inseridos na cultura desta organização, serem respirados dia-a-dia em todos os ambientes e níveis hierárquicos. Para isto devem ser tratados como um meio e não como um fim. O primeiro impacto dos resultados de quaisquer destes programas em geral é alto, o problema está em sua continuidade. Sendo uma tarefa, uma atividade à parte, com os primeiros resultados deixam de ser prioridade e passam a ser executados apenas quando cobrado pelo cliente ou por alguém relevante. Se tornarem filosofia de trabalho, se a organização tiver formas de usar em suas ações rotineiras certamente a continuidade se dará. E como fazer isto?

A verdadeira missão do líder, do gestor, é assumir publicamente que confia e depende de sua equipe. As suas decisões são de fato baseadas nas informações que recebe. Portanto, necessita delegar e estar assessorado por pessoas competentes, que saibam como realizar cada um daqueles assuntos. O líder deve integrá-los à missão e planejamento estratégico da organização. Objetivos e metas devem ser estabelecidos. Porém, o principal objetivo é como usufruir dos benefícios destas metodologias ao longo do tempo. Com isto, uma oura decisão é sobre quais delas a organização fará uso. Ainda que seus clientes exijam é preciso avaliar possíveis conflitos e impactos com a filosofia presente e decidir sobre o que fazer. Decisão tomada, digamos pela implantação, é preciso estabelecer fases que iniciam com a própria implantação e vão à consolidação. Na implantação encontram-se os modelos difundidos que visam apresentar a metodologia e trazer os primeiros resultados. A consolidação, por sua vez, tem como objetivo tornar-se parte integrante da organização e deixar de ser a caixa-preta dos programas para transformar-se em atitude de cada um no dia-a-dia. A consolidação traz resultados de longo prazo e são pequenos ganhos que somados devem proporcionar resultados significativos para a organização.

Um ponto importante a se considerar é o fato de programas proporcionarem impactos – esta é a missão deles. Depois, devem ser substituídos pelas ações e, nesta hora, os profissionais competentes designados pelos líderes devem fazer valer o diálogo com todos os envolvidos considerando sempre as oportunidades para manter ativo os conceitos aprendidos e, continuamente capacitar novos participantes. É assim que se persiste uma filosofia de trabalho. Não podem ser deixado de lado porque todos acreditam no seu benefício. Portanto:

- O líder deve assumir que depende da equipe;
- O líder deve delegar e não tentar fazer;
- O líder deve ser assessorado por pessoas competentes e, são estas que deve escolher;
- A metodologia deve ser integrada à missão e ao planejamento estratégico;
- Objetivos e metas de longo prazo devem ser estabelecidos;
- Benefícios devem ser usufruídos ao longo do tempo, por muito tempo;
- Escolha as metodologias que se aplicam a sua organização e, faça com que seja a alma de tudo o que fizer;
- Lembre-se: programas são temporários e de alto impacto, consolidação é permanente e de resultados contínuos;
- Capacite continuamente os envolvidos e traga novos participantes;
- Acima de tudo acredite na metodologia.

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SER NATURAL E CARISMÁTICO

Segunda, 31 de Março de 2008
A palavra carisma tem sua origem no grego antigo e significa favor ou dom especial. Naquela época, acreditava-se que o dom era algo conferido por Deus a determinadas pessoas como um sinal de graça e, originalmente, era exemplificado pelo poder da cura e do talento para idiomas. Segundo o escritor americano Marc Myers, a palavra surgiu pela primeira vez em traduções gregas do Novo Testamento e entrou na língua inglesa em 1641, quando se retomaram os estudos da civilização e do grego antigos.

Sob caráter religioso, carisma - khárisma - significa crisma ou crismado, ou seja, aquele que recebeu uma graça ou um dom divino. Aliás, o termo carisma é um dos fundamentos do Catolicismo para indicar diversos dons conferidos pelo Espírito Santo para todos os engajados na missão de servir a Deus, portanto, para os católicos, carisma são dons especiais concedidos para o bem dos homens, para as necessidades do mundo e, em particular, para a edificação da Igreja.

Max Weber, o grande sociólogo alemão, foi o primeiro autor a utilizar a palavra carisma, na primeira metade do Século XX, em seus escritos sobre qualidades de liderança que arrebatam a imaginação das massas e inspiram inabalável aliança e devoção. A partir dele, a palavra passou a ser vinculada automaticamente a pessoas que estão expostas às massas ou multidões - líderes, artistas, políticos, empresários, religiosos - e exercem o dom de influência ou fascinação sobre o público.

De fato, a maioria dos seres humanos fica impressionada apenas com a presença das pessoas consideradas carismáticas em razão dos seus poderes mágicos de atração. Pessoas carismáticas gozam de uma personalidade distinta, cativante, capaz de satisfazer todas as necessidades alheias de motivação e reconhecimento embora não admitam tal condição de destaque ou superioridade.

Particularmente, entendo o carisma como o talento natural de influenciar pessoas e também de se promover por meio dele. Pessoas como Silvio Santos, Zilda Arns, Roberto Shinyashiki, Pelé, Oscar Schimidt, Max Gehringer e Hebe Camargo entre outros exprimem seu carisma com extrema naturalidade. As pessoas querem se aproximar delas, conversar com elas, tocá-las, ouvi-las, sentir-se parte integrante do seu universo e do seu apreço.

O poder do carisma é determinado pela capacidade de perpetuação dos indivíduos na face da Terra. Quando você pensa em carisma logo vem à mente Airton Senna, Elvis Presley, John Kennedy, Jesus Cristo, Madre Teresa de Calcutá, Mahatma Gandhi. Todos eles continuam exercendo influência sobre milhares de seguidores e admiradores anos depois do seu desaparecimento terreno. O que faz com que essas pessoas exerçam tanta influência sobre a humanidade?

Você pode atribuir diversos fatores às pessoas carismáticas, porém é necessário responder algumas perguntas muito simples antes de tentar entender os seus segredos: você já cruzou o caminho de algum ser carismático mal-humorado, triste, carrancudo ou que se extasie com a desgraça alheia? Você conhece algum ser carismático adepto da vingança, da fofoca, da lamentação, do pessimismo ou da síndrome do Hardy? Definitivamente, não!

Pessoas carismáticas são pessoas simples, porém iluminadas, dotadas de uma energia positiva e superior. Carregam na mente e na alma o sorriso aberto e cativante, o espírito do altruísmo e da docilidade. Entendem o seu papel como algo determinante para mudanças positivas e transformadoras no meio em que atuam, pois, involuntariamente, exercitam a sua vocação a serviço da humanidade com muita simplicidade.

O carisma está diretamente relacionado com a sorte, a prosperidade e o bem-estar. As pessoas em geral vivem à procura de super-heróis ou referências que possam resolver os seus dilemas ou lhes servir de exemplo. Sua esperança, por vezes equivocada, é a de que, associando-se a pessoas carismáticas, possam aprender os seus segredos ou, no mínimo, ficar parecidas com elas. Por isso, elas são copiadas e admiradas.

Durante muito tempo eu fui uma pessoa carrancuda, amarga e tomada de razão. O meu ponto de vista era sempre superior ao dos demais e, aqui entre nós, isso não me levou a lugar algum, exceto ao aprendizado, pelo qual não temos como escapar, a duras penas, graças à sabedoria divina. Você não faz idéia de quanto um ponto de vista unilateral e equivocado atrasa a sua vida. Você pode até estar certo, mas fazê-lo valer a qualquer custo, sem considerar as ponderações do lado contrário, tem um custo muito alto.

A minha primeira demissão foi uma das boas coisas que aconteceram depois de vinte e cinco anos pensando que a vida era somente trabalho e mais nada. Isso me ajudou muito a mudar a maneira de entender o mundo, de tratar as pessoas e de trabalhar melhor o meu lado carismático. Temos em mente que o carisma é uma qualidade maravilhosa que somente pessoas iluminadas dispõem, mas isso não é verdade.

Qualquer um pode trabalhar para tornar a personalidade mais atraente e carismática. O primeiro passo é tomar consciência de que isso é possível. Não é necessário imitar Ronald Reagan, Silvio Santos ou Jô Soares. Isso, possivelmente, nem combina com a sua experiência, biologia, cultura ou história pessoal. Somos seres únicos, dotados de características especiais, portanto, as qualidades que tanto buscamos (nos outros) estão adormecidas dentro de nós.

Ninguém obriga ninguém a ser carismático. A naturalidade é o que torna determinadas pessoas mais carismáticas que outras. Por experiência própria, quero compartilhar pequenas lições que aplico na minha vida pessoal e profissional e espero que isso o ajude a encontrar o seu lado carismático, afinal, como nunca me canso de repetir, o crescimento pessoal com base na experiência alheia é possível somente através do autoconhecimento, da humildade e da disciplina. Quer se tornar alguém carismático? Os seis pontos a seguir são um ótimo começo:

1) Tenha respeito e consideração pelas pessoas, independentemente do grau de escolaridade, sexo, cor, credo, cultura ou origem; respeito é uma condição universal para a sobrevivência das nações e do diálogo entre os povos;

2) Seja bem-humorado: o humor faz bem, revigora, atrai amigos, repele os inimigos;

3) Seja um otimista de carteirinha: ninguém consegue conviver com pessoas pessimistas, amargas, carrancudas que passam o tempo todo tentando contradizer a beleza do sol e da lua;

4) Torne-se um bom ouvinte: o que as pessoas mais precisam é de alguém que lhes dê ouvido e esperança;

5) Lembre-se dos nomes: o nome de uma pessoa é para ela o som mais doce e importante que existe, afirmava Dale Carnegie. Você pode estar perdido no meio do deserto, mas se alguém aparecer e gritar o seu nome, a esperança renasce e os olhos brilham, pois o seu nome é o seu bem mais precioso;

6) Sorria e humanize o que tem a dizer: trate as pessoas como se elas fossem mais importantes do que você, afinal, todos precisamos nos sentir especiais.

As palavras de Mark Twain, famoso escritor e conferencista, encerram a lição de hoje: "tudo o que você precisa na vida é de ignorância e confiança, e seu sucesso está garantido". Pense nisso e seja feliz!

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Abordagem por processos - a aposta continua

Terça, 11 de Março de 2008
O conceito de abordagem por processos foi proposto pela ISO 9001:2000 como um modelo para o gerenciamento dos sistemas da qualidade. O objetivo principal era construir um mapa das atividades que são realizadas nas organizações. Assim, deveria ser o contraponto ao modelo de tarefas (ou departamentos) proposto por Taylor e, adotado amplamente como referência pelos gestores. Com isto, conscientes ou não, a ISO 9001:2000 deveria questionar o modelo de gestão em vigor para cada uma das empresas certificadas. Parece que isto não deu muito certo. A iniciativa do uso da abordagem por processos teve um sucesso parcial - algumas poucas organizações assim se estruturaram, a grande maioria definiu uma caixa preta em seus manuais da qualidade e, outra parcele mantém uma relação conflituosa com os dois modelos de gerenciamento. O fato, porém, é que a nova ISO 9001:2008 manterá o requisito de abordagem por processos numa aposta que reflete a expectativa de sucesso futuro.

É preocupante observar o uso de modelos inadequados de abordagem de processos descritos nos manuais dos sistemas de qualidade de uma grande parcela das organizações certificadas. Não agregam valor para a organização. Tornaram-se um mal necessário. Uma parte simplesmente copiou ou adaptou a figura proposta para o modelo de gerenciamento da norma como se fosse válido para o seu próprio sistema da qualidade. Outras construíram modelos que mais expressam uma Torre de Babel em que os próprios gestores sentem muita dificuldade ao tentar explicá-los. E, verdade seja dita, se não conseguem fazê-lo, como poderão demonstrar resultados? Em resumo, fingem que atendem aos requisitos normativos enquanto conduzem a organização de acordo com o modelo em que acreditam. A conclusão é que os modelos de gerenciamento do sistema da qualidade estão dissociados do gerenciamento das estratégias. São dois grupos distintos de ação. No dia-a-dia prevalecem as bases das estratégias. Por ocasião das auditorias tenta-se adaptar as decisões ao modelo descrito no seu manual da qualidade. Ou melhor, tenta-se justificar. No fundo, todos questionam: porque mantemos dois modelos? O que eu quero utilizar é diferente daquele que a norma requer! Será?

O modelo de divisão por tarefas, embora tenha se tornado um paradigma de gestão, tem sido questionado para a adoção de outros modelos que hoje em dia são mais eficazes. A estruturação histórica adotada nas organizações deixa rastros de dúvidas aos gestores. A ISO 9001:2000 só fez aumentar este debate. No entanto, por questões de prazos e a necessidade de apresentar um certificado que avalize seus negócios fez com que qualquer coisa seja bem-vinda e, torna-se válida. Ainda que seja conflitante com os princípios adotados pela alta direção.

A proposta é que as organizações enxerguem o gerenciamento do sistema da qualidade como parte integrante do seu modelo de gerenciamento estratégico. O que é fato e verdade. A qualidade é um dos seus componentes e, assim deve ser vista, o tempo todo. O modelo de qualidade proposto é amplo e, passa por toda a organização. É preciso deixar de lado a idéia de inspeção e controle de qualidade como uma definição do conceito de qualidade. Quando realmente a gestão da qualidade fizer parte das estratégias da organização, o primeiro passo para um modelo efetivo estará dado.

O passo seguinte é descrever as unidades de gestão que contribuem para a qualidade estratégica requerida ou almejada. Tais unidades de gestão são chamadas na ISO 9001:2000, de processos. Para descrever as unidades de gestão é importante visualizar e compreender o negócio da empresa /organização, seus princípios e valores, o segmento em que atua considerando legislação e exigências do mercado. Depois, ordene-os numa seqüência lógica e, estabeleça a inter-relação entre elas de forma coerente e real. Não esqueça das unidades de gestão que serão utilizadas como apoio / suporte às unidades principais e também aquelas que serão base para o gerenciamento e monitoramento de todas as estratégias e gestão. Estará assim, construindo um modelo de abordagem por processos diferente da simples cópia da norma e, principalmente que se alinha estrategicamente com a gestão da organização. E, este é o verdadeiro objetivo.

Com um modelo de gestão efetivo e, que descreva verdadeiramente a estrutura adotada é, possível associar os requisitos normativos a cada um deles e, descrever cada unidade de gestão (processos) como realmente são conduzidas suas atribuições. Acrescente-se alguns requisitos de ordem técnica para evidenciar o sistema da qualidade e, teremos o manual de gestão da qualidade. Pronto para usar de fato e de direito! Mais do que descrever os requisitos da norma adotada é importante que esteja inserido no planejamento estratégico, reiteramos. Esta visão torna o sistema da qualidade gerenciado e monitorado pela direção e seus executivos em todos os níveis. Seus responsáveis, em cada unidade de gestão, irão adotar estratégias e decisões que vão de encontro às metas e objetivos junto aos clientes e acionistas. Estará configurado assim um sistema de qualidade que merece o certificado ISO 9001:2000 e, brevemente o novo certificado ISO 9001:2008!

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FRITURA EXPOSTA NAS EMPRESAS

Segunda, 3 de Março de 2008
Durante muito tempo você foi o queridinho do chefe e todas as suas idéias eram extremamente bem-vindas. Algumas eram até aplaudidas, pois sempre chegavam num momento em que a sua área estava sob a mira da diretoria e, graças a uma nova idéia - sua, é óbvio, afinal, você ama o trabalho e não pensa em outra coisa - seu chefe sobreviveu e você também embora ele tenha copiado sua idéia descaradamente. Ele até falou em off para você: - fique tranqüilo, estamos juntos nessa!

Entretanto, de um tempo para cá, seu chefe anda meio macambúzio e, por alguma razão, adivinhe, ele se tornou menos acessível e evita olhar nos seus olhos ainda que a conversa entre vocês seja inevitável. De fato, ele sempre arranja tempo para todo mundo, inclusive para os seus subordinados, menos para você, e quando você parte para o contra-ataque e decide arrancar aquele tão esperado feedback, recebe o misterioso chavão: - hoje não dá, conversaremos mais adiante, quando chegar a hora.

Resignado, você volta para a mesa de trabalho e continua firme no micro quando aparece a secretária com aquele sorriso sarcástico acompanhado de notícia ruim: - o chefe disse que o relatório está uma porcaria e se você não tem condições de fazer algo melhor, avise. No fundo você quer pegá-lo pelo pescoço e atirá-lo do décimo andar, o relatório, não o chefe, porém agüenta firme, olha para o relógio e pensa positivamente: bom, são apenas 19 horas, posso ficar um pouco mais e dar um jeito nisso ainda hoje.

O dia termina e você vai para casa, abraça a esposa, dá um beijo nas crianças e, obviamente, todos notam que você não está feliz embora disfarce com aquele sorriso amarelado para não trazer mais preocupação do que o necessário, porém você lembra que é humano e as emoções, positivas ou negativas, são parte integrante da natureza humana.

Enquanto todos dormem você passa a noite absorvendo as grandes lições de Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas, do inesquecível Dale Carnegie, enquanto sua consciência trabalha desesperadamente para mudar de idéia: não é comigo, eu mereço ser feliz, vai passar, Deus é pai, eu me amo, eu me aprovo, adoro meu chefe, eu sou bom, meu nome é trabalho e tantos outros mantras que você se propõe a repetir durante o trajeto de casa para o trabalho a fim de se sentir confiante e mais animado para o dia seguinte, afinal, chefe também tem lá o seu inferno astral e, se Deus quiser, amanhã será mais tranqüilo.

Ao chegar ao estacionamento você percebe que sua vaga está muito bem ocupada por outro veículo. Por certo, algum desavisado deve ter colocado o carro no seu lugar. Ao consultar o vigia, ele sorri e delicadamente sugere que você estacione em outro local. Você esbraveja, elogia a mãe do chefe, que nada tem a ver com isso, e segue normalmente para a entrada do edifício depois de caminhar mais de duzentos metros debaixo de chuva, entretanto, o importante é ter chegado no horário.

Pacientemente, depois de espremer a água da barra da calça no cesto de lixo, você liga o micro e percebe que a senha de acesso foi alterada sem o seu conhecimento. Depois de algumas justificativas sem pé nem cabeça por parte do pessoal da informática, alguém decide liberar uma senha provisória enquanto você tenta convencer a si mesmo que a mesma foi digitada incorretamente três vezes, é óbvio, portanto, o computador foi bloqueado.

Aos poucos você se deu conta de que um dos subordinados não está na sala e ao perguntar por ele, outra decepção. Acredite ou não, ele foi convidado para uma reunião com o seu chefe. - Mas como? Você vai tirar satisfações com a secretária e questiona o fato de não ter sido convocado. A resposta está na ponta da língua: - você não estava na sala e chefe não pode esperar. De qualquer forma, você sugere participar da reunião e é imediatamente barrado pela primeira dama da empresa: - nem pensar, my friend, você não foi convidado.

Quando a reunião termina você está no banheiro e, por coincidência, entra o chefe, cantarolando. A fim de aproveitar a presença do magnânimo, você dispara: - chefinho, da próxima vez eu quero ser chamado para a reunião, afinal, ainda sou o responsável pelo departamento, ou não sou? Outra resposta, ou melhor, outra pergunta cruel: - por acaso você está querendo me desafiar?

De fato, você se convence que a situação não é boa. Há tempos você está se sentindo isolado, tem almoçado sozinho, os colegas não são mais os mesmos e você é o último a tomar conhecimento dos fatos. Aliás, faz tempo que você não recebe uma nova missão e suas idéias são literalmente engavetadas. No sábado houve mais um churrasco na casa do chefe e você não foi convidado nem para lavar os espetos. Para completar, a apenas um ano da aposentadoria, você foi convidado a trabalhar no interior do Acre, com direito a 3% de aumento. Mudança por sua conta, é claro. Todo encontro com o chefe desperta um sentimento profundo de depressão e a certeza de que o amanhã nunca será como antes.

Qualquer um dos fatos mencionados exala um cheiro inconfundível de fritura exposta no ar. Fritura é uma maneira deselegante, cruel, desleal, por vezes criminosa, de as empresas eliminarem alguém do mundo corporativo. Digamos que é uma espécie de BBC - Big Brother Corporativo, onde o chefe passa a te odiar, por alguma razão, e os colegas te invejam, mas dizem que te amam e torcem por você, apenas para se proteger, ficar com a sua vaga e livrar-se do próximo paredão.

A expressão fritura é ligeiramente grotesca, mas continua em voga na maioria das corporações, públicas e privadas, apesar dos generosos investimentos em treinamento e desenvolvimento de lideranças. Está diretamente associada à falta de transparência e de respeito pelo ser humano. A demissão pura e simples soa mais prática e menos dispendiosa, para ambos os lados.

Se um dia ocorrer contigo, não esmoreça e lute até o fim. Existem várias maneiras de se defender e amenizar o calor da fritura embora na maioria dos casos o desfecho seja irreversível. Quando a situação lhe parecer insustentável, faça um favor a si mesmo e tome a atitude mais louvável que alguém pode tomar numa situação como essa: mude enquanto é tempo. Existem inúmeras empresas onde a sua energia, o seu tempo e o seu talento serão mais bem aproveitados. Por fim, as palavras de Albert Camus, escritor e filósofo francês, são muito apropriadas para encerrar o tema: "não existe dignidade no trabalho quando nosso trabalho não é aceito livremente".