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Escola Estratégica Configuracional

Quinta, 31 de Maio de 2007
Chegamos ao fim da jornada, na Escola Configuracional a décima e última das Escolas do Pensamento Estratégico, onde os processos de formação da estratégia nascem em função do conjunto de forças que configuram um estado de "estar" da organização ao invés de um estado de "ser", como nas outras escolas.

Para entendermos melhor as forças que moldam as configurações vamos analisá-las sob as perspectivas das:

1. Forças internas estruturantes: como os processos, tecnologia, conhecimento...

2. Forças internas de pressão: o conjunto de núcleos funcionais.

3. Forças ambientais: agentes de governança diretiva, de pressão e de controle (órgãos reguladores e fiscalizadores, mercado, sociedade ...

4. A combinação dessas forças formando configurações conceituais distintas.

Assim, a formação de estratégias surge como plano deliberado - consenso entre forças de poder (técnica ou de liderança) para o estabelecimento de padrões de comportamento ou de um plano emergente no qual a formação da estratégia é ditada pelos padrões e são entendidas como produto do estágio que se encontra a organização.

Num ambiente de mudanças a formulação da estratégia é ditada pelos conflitos decorrentes deste processo; já, em clima de estabilidade, as estratégias espelham a força dominante, seja ela de poder, processual, cognitiva, cultural, etc.

Premissas

Não existem premissas estabelecidas visto ser uma escola virtual, só existe na concepção de estudiosos ou consultores e também, por não existir uma força determinante que norteie a organização e consequentemente, a orientação na formação de estratégias.

Considerações

Esta Escola é eminentemente conceitual, posto que não vê a organização como resultante de um conjunto de elementos que se estruturam na formação de um sistema, cujo modelo possa ser definido por um desses elementos que assuma preponderância sobre os demais, caracterizando e individualizando as diversas formas de organização e sim, derivada da configuração constituída nos estágios de evolução (ciclo vida) ou por eventos em curso como os processos evolucionários de mudanças (incremental / quântica) ou ainda, por pressões externas motivadas por ambiente instável decorrente de mudanças indutoras de transformação ou que provoquem impacto (ordem política, econômica, de regulamentação...).

Aqui, encerro esta séria de artigos sobre as Escolas do Pensamento Estratégico, pedindo desculpas por equívocos cometidos e agradecendo à todos que me acompanharam e prestigiaram nesta empreitada, prometendo voltar breve para falarmos de planejamento estratégico.

Quero agradecer também aos leitores que gostam de atribuir notas no anonimato e dizer-lhes que este procedimento, pouco ou nada contribui no processo; prefiro um comentário, mesmo que destrutivo, pois "... quando partilho conhecimento, ele se desenvolve e valoriza, quem aceita o que digo não me ajuda a crescer, somente aqueles que me corrigem me propiciam chegar onde almejo" (Anônimo).

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Entre a Comunicação e a Semiótica, o Mundo

Quinta, 31 de Maio de 2007
1.Ciência e ciências

Objetividade e exaustividade constituem, há séculos, patrimônio e reivindicação das ciências exatas e aceitas. Desde o Iluminismo de Descartes exige-se da ciência que seja isenta de irregularidades e infensa a descontroles, seja reprodutível e acumulável na sua reiteração da verdade e explicação do universo a fim de, como certeza, ser capaz de repelir a dúvida, a desordem e, sobretudo, a instabilidade do mundo. Assim, a ciência deve repetir-se para solidificar-se enquanto crença e paradigma de uma comunidade. A força desse elo é inegável e, só como conseqüência dela, entendemos a importância de autores como Kuhn (1975) que realça o abalo da arquitetura científica ante a emergência de uma anomalia imprevista ou como Popper(1999) que, implacavelmente, colocou em ação o fantasma que corrói toda a crença científica, a falseabilidade .

Porém, esse indispensável "acordo de opiniões" (Peirce-C.P- 5.358-377) sofre tensões conforme se passe do parâmetro das ciências exatas para as ciências humanas e sociais e isso equivale a dizer que aqueles paradigmas de objetividade e exaustividade não se mantém ao passarmos de um bloco científico para outro. Sob essas tensões, várias questões se escondem. Seria possível atribuir qualificação científica para o estudo da sociedade e dos seus impasses? Como o social se submete àquele paradigma de objetividade que programa sua interpretação legítima? O paradigma de cientificidade seria capaz de inibir e constranger a dinâmica realidade social à certeza da interpretação a priori? É necessário aceitar que o estatuto científico do social depende de sua condição de ser inteligível, interpretável e, sobretudo, controlável por um sistema de ordem estabelecido ou coloca-se em questão a separação entre as ciências e a complexidade social? Submeter a certeza científica à vacilação, à mudança e à ambigüidade do social nos levaria a admitir a emergência de uma ciência impura ou menos ideal?

Nascida no século XIX, a jovem ciência social perfilou-se ao lado das ciências exatas e, para justificar sua credencial científica, foi compelida a tratar o homem e a sociedade, seus objetos fundamentais, como domínios controláveis, ordenados e dedutíveis teoricamente. Essa foi a meta que marcou as ciências humanas e sociais em busca da sua respeitabilidade científica. Ordenar, controlar, empiricizar, explicar, prever eram os verbos que pareciam nortear as ciências humanas e sociais no seu empenho para tornar-se científica. Não por acaso, o positivismo surgido no auge do século XIX e no cerne da sociologia de Augusto Conte, será um modelo de grande influência até o século XX em todos os redutos científicos que têm o homem e a sociedade como objetos de estudo.

Porém, como submeter a consciência e a liberdade humanas à análise e à síntese definitivas? Como fazer para transformar a mudança social, as mentalidades em suas sincronias de longa duração e todas as instabilidades do mundo e do homem em objetos científicos? Essas questões merecem ser objeto de reflexão, pois constituem o desafio enfrentado pelo século XX. Nesse sentido são conhecidos os esforços que se tornaram evidentes em posições como o relativismo, o historicismo, o materialismo ou o estruturalismo para permitir que os fenômenos humanos fossem objetos científicos com epistemologias e metodologias próprias.

Entendendo-se como ciência social, a comunicação é vítima da mesma sedução cientificista, porém, entre todas as manifestações do humano como objeto de estudo, a mais ambígua e frágil na sua definição científica é a comunicação.

2. A transparência social

A ambigüidade científica da comunicação decorre da sua dimensão múltipla ou da sua falta de unidade. Se admitirmos que a comunicação investiga as relações humanas, veremos que elas se ampliam e distendem de esferas rudimentares até outras muito complexas. Embora, não se dispense emissão, processos e recepção através de códigos e signos, pode-se distinguir entre eles manifestações físicas, químicas ou biológicas que se processa entre organismos humanos e sociais até, outros, inumanos e tecnológicos. De todo modo e em todos estes níveis, o objeto da comunicação carece de unidade e definição e se torna tanto mais ambíguo e instável quanto mais se amplia porque, na verdade, os estudos da comunicação atingem todas as relações entre homens e homens, homens e instituições, homens e máquinas e máquinas e máquinas:

"Não seria concebível uma sociologia como ciência e mesmo tendencialmente como previsão de grandes comportamentos coletivos, ou ainda somente como tipologia das diferenças destes comportamentos, não apenas se não subsistisse a possibilidade de recolher informações necessárias ( que supõem, portanto, um certo modo de comunicação), mas, antes de mais, sem que alguma coisa como um comportamento coletivo se possa determinar como fato; uma possibilidade que se torna efetiva apenas num mundo em que a comunicação social superou certos níveis.........As ciências humanas são, ao mesmo tempo, efeito e meio de ulterior desenvolvimento da sociedade da comunicação generalizada." (Vattimo.1992:19,20,21)

Da Galáxia de Gutenberg à mídia digital, da supremacia do código verbal às contemporâneas tecnologias da informação, passamos por dimensões culturais e sociais atrás das quais a comunicação esconde-se ou ultrapassa-se. Entre elas a imagem assume o caráter matriz do próprio conceito de modernidade e constitui sedução social a enredar os homens e a atingi-los em todas as direções. Nesse devaneio, as próprias ciências exatas transformam a imagem em fim em si mesma, e se esquecem de que aquela eficiência projetiva e tecnológica é um meio para atingir o rigor científico que as identifica como ciência e que perseguem a todo custo.

A comunicação se ultrapassa e se esconde. Ou seja, entende-se que a comunicação é um reflexo do social e admite-se que as relações humanas caracterizam-se por uma transparência e obviedade capaz de ser esgotada no seu reflexo comunicativo. Assim, estudar o social é conferir sua extensão ou reflexo comunicativo e vice-versa. Todo estudo do social é uma indagação sobre sua característica comunicativa. Nessa extensão, a comunicação tem uma dimensão invasiva que a transforma em objeto de várias áreas das ciências humanas.

Essa capacidade de mútua reflexão que se processa entre relações sociais e comunicativas constitui um pesado fardo para a atividade científica. Se, de um lado, torna ambiguo o objeto a ponto de a relação comunicativa ser objeto de investigação das demais ciências sociais e desqualificando-se enquanto identidade científica, de outro lado, transforma-a em ciência instrumental através da qual é possível interferir nas próprias relações sociais. Nessa segunda dimensão, a comunicação assume um caráter utilitário e passa a ser forma de controle social. Porém, se esse controle for interpretado com sinal negativo, a comunicação será uma forma de manipulação social o que, na verdade, tem sido explorado por todas as práticas de indução persuasiva que vão da publicidade à política.

Com efeito, embora superando a distinta dimensão epistemológica que o caracteriza, Habermas(1973) propõe a possível e desejável dimensão organizativa da comunicação no cerne das relações sociais, mas trata-se sempre de posição interpretativa produzida no âmbito teórico de outras ciências distintas da comunicação, como a filosofia ou as próprias ciências sociais.

Esta comunicação proposta, ao mesmo tempo, como razão transcendental de uma sociedade ideal ou como objeto instrumental de uma ação social faz com que a ciência da comunicação se manifeste como opaca pois passa a estudar as relações sociais que, através dela, devem atingir um ideal pragmático da ação capaz de organizar o social ou de manipular o homem e sua consciência.

Mas seria essa opacidade que se esconderia na dimensão classificatória da comunicação como ciência social aplicada?

Enquanto ciência social aplicada, fica claro o caráter instrumental da comunicação, mas sobretudo coloca-a e à ciência que dela se ocupa, na incômoda posição de postular o que deve ser o saudável nas relações sociais ou aquilo que deve ser o adequado papel da comunicação, exorcizando-se todas as possibilidades que a tecnologia da informação oferece para manipular as consciências através da imagem persuasiva e norteadora de valores e comportamentos .

Postular o saudável ou o adequado como ideal de ação, faz com que a comunicação assuma a sociedade e as relações humanas como um território homogêneo e sem história, determinado nas suas resoluções como um mito a ser conservado. Essa pseudociência é um instrumento e não possibilita enfrentar a multiplicidade das relações sociais investidas em toda comunicação. Isso caracteriza um limite científico e, sobretudo, banaliza a sociedade e seus complexos movimentos que supõem descontroles, porque submissos à experiência individual e coletiva que se diversifica na mesma medida em que a mudança econômica, cultural e tecnológica coloca em atrito o local situado e o global planetário.

Porém, se assim não for e se a comunicação não é um desideratum otimista da ação social e também não é um instrumento persuasivo da consciência, a dúvida nos remete à pergunta necessária: qual é o objeto da comunicação enquanto ciência?

3. Comunicação como leitura do mundo

As respostas a estas questões se confundem com duas outras perguntas: o que é a comunicação ou para que serve? Para produzir uma teoria da sua identidade ou da sua funcionalidade, não raro, a comunicação se apropria de teorias de outras áreas sociais adaptando-as àquelas constantes da sua ação social ou persuasiva. Nessas adaptações, a comunicação tem seu objeto de estudo banalizado porque não o enfrenta na sua desordem e complexidade, ou seja, não o enfrenta enquanto campo que se estende e distende em várias direções que vão das relações comunicativas às características de vínculos mediados por veículos midiáticos que, com suas naturezas tecnológicas, acabam por interferir na própria relação comunicataiva . As relações comunicativas vão do diálogo intersubjetivo face a face (Thompson.2002) às relações intersubjetivas, mas mediadas por normas, regras ou leis de âmbito coletivo e institucional, particular ou público. Os vínculos comunicativos referem-se às relações mediadas por recursos tecnológicos e veículos lineares ou digitais que, na distância física ou virtual, geram ambientes comunicativos bios midiáticos (Sodré. 2002:234) ou infosemióticos (Machado.2002:226). No primeiro caso, como ambiente multisenssorial e, no segundo, como sistemas híbridos da cultura e propícios, nos dois casos, à semiose, à interação e à interface dos meios e veículos. Nos dois casos, surpreendemos uma estreita complementaridade entre comunicação e semiótica integradas em diálogo que surge como matriz do próprio processo de semiose como produção de sentidos e interpretações que sustentam relações e vínculos comunicativos. Portanto, se sem semiose não há semiótica, sem diálogo e interação não há comunicação e, em conseqüência, sem semiótica não há comunicação e, sobretudo, cognição comunicativa através dos signos que a sustentam.

Nas representações e signos, está o objeto da ciência da comunicação, porém, esse objeto surge cientificamente camuflado porque é da natureza deles certa indefinição e vagueza.(Tiercelin, 1993 e Silveira, 2001: 203 ) Sob o impacto das tecnologias das mídias, as representações que estruturam os vínculos comunicativos se naturalizam e perdem sua dimensão e definição sígnicas e não se deixam ler. Surge uma espécie de anestesia perceptiva que decorre da profusão midiática e, sobretudo, da sua reiteração que se intensifica na medida em que passamos das relações para os vínculos comunicativos, nesse caso, a imagem constitui exemplo marcante. Em ambientes midiáticos, as imagens se expandem em gestos, movimentos, sons, ambientação ou verbalização e ultrapassam a visualidade sensível para atingir uma dimensão tecnológica que vai do eletrônico ao digital e é capaz de introduzir signos cada vez mais indefinidos. São, em geral, signos não lineares, hipermidiáticos e, como próteses, estendem o espaço, o tempo e o próprio homem ampliando planetariamente a possibilidade da relação comunicativa. Nessa patologia, a imagem estática ou em movimento constitui, através da sedução visual que caracteriza os recursos tecnológicos da sua produção, o vínculo comunicativo mais atraente enquanto domínio científico; porém, não raro, os estudos desse objeto se limitam a descrever o aparato sedutor da imagem e, numa dimensão apocalíptica, vaticinar sobre as consequências sociais de uma cultura ensimesmada na profusão daquela visualidade. Está claro que esses estudos são tão mais convincentes quanto melhor for o desempenho retórico do verbal utilizado naquelas descrições, mas esses exercícios ficam aquém de um processo científico.

Desse modo e para o desenvolvimento do seu processo científico, a comunicação precisa contar com a leitura capaz de romper aquela anestesia midiática e romper ou desmistificar a opacidade que as tecnologias projetaram sobre os vínculos comunicativos e, sobretudo, sobre as suas representações. Ou seja, é necessário ler através dos vínculos e veículos que naturalizam as relações comunicativas tornando-as insignificantes e opacas.

Para o exercício dessa leitura, a comunicação necessita de uma dimensão semiótica que supere a exegese do seu próprio arsenal teórico e se faça operativa. Ou seja, muito além de oferecer subsídios que fundamentem uma Teoria da Comunicação (Machado.2002), a semiótica revela-se como leitura das representações e da sua lógica. Nela, é possível perceber como as representações constituem mediação das relações sociais que falam através de signos e códigos e, sobretudo, daquela lógica que estrutura e organiza suas manifestações fenomênicas e cotidianas.

Desse modo, é possível entender como as relações sociais, situadas histórica e culturalmente no mundo, encontram uma forma sígnica e, através dela, apresentam sua própria constituição e realidade. Assim sendo, as relações comunicativas, midiáticas ou não, lineares ou digitais só poderão ser estudadas, se observarem a própria forma, aparência e qualidade das representações que constituem o indispensável objeto de uma Ciência da Comunicação. Logo, o necessário e perseguido acordo de opiniões que sela a propriedade de uma área científica é, no caso da comunicação, um acordo que não pode prescindir da manifestação sígnica e da sua lógica em diálogo. Ou seja, apenas como uma contracomunicação, aquele acordo poderá ser interpretado como um epistemocentrismo ou como um a priori epistemológico, característicos de uma ciência hegemônica e monologante.

Desse modo, a leitura como operação científica de observação e de comparação entre aparências representativas das relações sociais interativas nos leva a pensar sobre e a resgatar a afirmação de Elisabeth Stengers(1995:102)

"l' invention du pouvoir de conférer aux choses le pouvoir de conférer à l' expérimentateur le pouvoir de parler em leur nom."

Na realidade, adquirir forma representativa para aparecer constitui, para as interações comunicativas, adquirir dimensão de acontecimento científico e conferir à ciência que as tem como objeto de estudo o poder de falar em lugar delas, mas apenas na medida em que for capaz de revelar e discriminar aquela aparência. Desse modo, as representações adquirem força cognitiva, ainda que e enquanto acontecimento, as aparências representativas assumam uma ontologia conjectural visto que, no processo interativo, está sempre presente o caráter de alteridade próprio a todos os processos comunicativos.

Através da leitura semiótica, o cientista da comunicação pode passar do âmbito fenomenológico dos processos representativos para uma esfera propriamente interpretativa onde a experiência interativa supera sua opacidade para revelar sua semiose e seus interpretantes.

A essa altura, a semiótica se revela como um momento imprescindível à comunicação enquanto ciência, porém, não se trata de um método que a priori se aplique aos processos comunicativos, ao contrário, a semiótica constitui um modo de enfrentar as relações e vínculos comunicativos pela iluminação dos seus processos representativos através de signos.

Através da semiótica, a ciência da comunicação encontra não apenas uma fundamentação teórica,( Machado, 2002) mas sobretudo, a definição do seu objeto e um modo de enfrentar a manifestação comunicativa no mundo. Porém, nos dois casos, surpreende-se uma grande distância entre as relações comunicativas como tema descritivo de manifestações sociais e culturais das mídias e o objeto científico que se constitui através da própria maneira como se apresenta ao cientista e lhe permite um lógico percurso cognitivo. O cientista da comunicação não pode prescindir desse olhar semiótico se quiser proceder à síntese científica dos processos comunicativos mais ou menos tecnológicos, mas de qualquer modo e cada vez mais ambíguos e opacos no caráter representativo que os distingue e que lhes confere distinção e significado.

A semiótica permite à comunicação identificar-se enquanto estrutura científica, porém como não é uma matriz de apreensão ou explicação do objeto, mas uma lógica que ensina a ver as diversas manifestações dele, a comunicação enquanto uma semiótica se submete às próprias contingências da representação e impõe-se operar com uma estrutura conjectural e hipotética daquelas representações que, em contínua mudança, adere à própria dinâmica da interação comunicativa enquanto objeto científico.

Porém, a indeterminação e o movimento do objeto fazem com que a própria atividade científica se ressinta de certa instabilidade e ambigüidade, ou seja, o indispensável acordo de opiniões que ampara a teoria e assegura ao cientista o pertencer a uma comunidade apresenta-se sempre frágil e necessita constantemente rever suas estruturas epistemológicas. Aí está a indefinição da comunicação como área científica. Exige do cientista estar consciente de que aderir a uma comunicação semiótica consiste em um modo eficaz de superar a opacidade representativa que a própria tecnologia da informação tem determinado a todas as interações comunicativas mas exige, também, reconhecer que entre a comunicação e a semiótica há o mundo vago e indeterminado das representações. Propõe-se reconhecer que entre a comunicação e a semiótica há um rito de passagem que sugere ser necessário superar a objetividade para se aproximar de uma ciência quase possível, incerta, mas real.

Referências Bibliográficas

HABERMAS, Jurgen- La téchnique et la science comme Idéologie- Paris, Gallimard, 1973

_____Théorie de l' Agir Communicationnel - Paris , Fayard, 1987

KUHN,Thomas - A Estrutura das Revoluções Científicas - São Paulo, Perspectiva,1975

MACHADO, Irene - "Semiótica como Teoria da Comunicação" em Tensões e Objetos da Pesquisa em Comunicação - Porto Alegre, Sulina, 2002

MATTELART, Armand - Michelle - História das Teorias da Comunicação - São Paulo, Loyola, 1999

POPPER, Karl - A Lógica da Pesquisa Científica - São Paulo, Cultrix, 1999

SILVEIRA, Lauro Frederico Barbosa da - " A comunicação de um ponto de vista pragmaticista " em Cognitio 2 , São Paulo, Educ-Angra, 2001

SODRÉ, Muniz - Antropológica do Espelho - Paris, Vozes, 2002

STENGERS, Isabelle - L' Ivention des Sciences Modernes - Paris, Flammarion, 1995

THOMPSON, John - A Mídia e a Modernidade. Uma Teoria Social da Mídia- Petrópolis, Vozes, 2002

TIERCELIN, Claudine - La Pensée-Sign études sur C.S. Peirce. Nîmes, Jacqueline Chambon, 1993 apud Silveira 2001

VATTIMO, Gianni - A Sociedade Transparente- Lisboa, Relógio d'Água, 1992

Lucrécia D'Alessio Ferrara é Professora Doutora no Programa de Estudos Pós-Graduados em Comunicação e Semiótica da PUC/SP.

Fonte: GHREBH - http://revista.cisc.org.br

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Para Lula, milagre econômico é agora

Quinta, 24 de Maio de 2007
"Crescer a 4,5% com inflação de 3,5%, 4%, crescendo as exportações, é o milagre. Guido, que certamente não é apenas mérito do governo, eu acho que é mérito de milhões de pessoas que contribuíram, que acreditaram, nos momentos difíceis", disse o presidente na cerimônia de entrega do Prêmio Parceiros do Desenvolvimento.

Lula lembrou que o "milagre" econômico da década de 1970, sob o guarda-chuva do regime militar (1964-1985), não conseguiu crescimento com distribuição de renda. O presidente citou ainda os resultados do governo de Juscelino Kubitschek (1950-1955) que registrou altas taxas de inflação.

"O Brasil nunca soube crescer com inflação baixa. Parecia outra doença. Toda vez que a gente falava em crescer, a inflação crescia junto", disse Lula.

Para o presidente, o mérito da boa situação do governo é também do perfil persistente do povo e do empresariado brasileiro.

"É isso que explica sair de uma economia totalmente instável, devendo ao FMI, que era o único dinheiro que nós tínhamos de reserva, devendo ao Clube de Paris, sem credibilidade para pagar as nossas exportações, para chegar, em 2007, com 130 bilhões de dólares de reservas, com um superávit de 47 bilhões de dólares na nossa balança comercial e com um superávit de conta corrente", disse Lula.

Fonte: G1

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TIPOLOGIA DE AMBIENTES

Terça, 8 de Maio de 2007
O ambiente é um só, mas as organizações estão expostas à apenas uma parte dele que pode ser diferente das demais, é dividido em tipologias e são características do ambiente de tarefas.

Os ambientes podem ser homogêneos ou heterogêneos de acordo com a estrutura.

É homogêneo quando há pouca mistura de mercados; e heterogêneo quando existe diferenciação múltipla nos mercados.

Os ambientes podem ser classificados estáveis ou instáveis de acordo com sua dinâmica.

É estável quando quase não ocorrem mudanças e quando ocorrem são previsíveis.

É instável quando há mudanças o tempo inteiro, essas mudanças geram a incerteza.

(Inovação e Criatividade, ênfase na eficácia, reações variadas e inovadoras, etc).

O ambiente homogêneo terá diferenciação menor e os problemas poderão ser tratados de forma simples, com pouca departamentalização. O mesmo acontece com a estabilidade e instabilidade.

Quanto mais estável menor a contingência, permitindo uma estrutura burocrática e conservadora, porém quanto mais instável, maior a contingência e mais a incerteza, porque há uma estrutura organizacional mutável e inovadora.

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Tipos de operação de produção

Sexta, 16 de Março de 2007
A gerência de operações trata de operações produtivas, que tipicamente se diferem em quatro variáveis:

* Volume - Em sistemas de grande volume de produção (por exemplo, os sistemas da lanchonete McDonalds), há um alto grau de repetição de tarefas. Isso possibilita a especialização de trabalhadores, e a sistematização do trabalho (procedimentos-padrões estão estabelecidos em um manual, com instruções de como cada parte do trabalho deve ser feita) e de ferramentas (ex. fogões e frigideiras especializados para o McDonalds). A implicação mais importante disto é o custo unitário baixo, pois no mínimo, os custos fixos são diluídos em um grande número de produtos.

Em sistemas com baixo volume de produção (por exemplo, um restaurante pequeno), há um número pequeno de funcionários, e não há grande repetição de tarefas. Isso pode ser mais gratificante para o funcionário, mas é prejudicial à sistematização. Além disso, o custo unitário é bem mais alto, pois é pouco diluído. O capital exigido, no entanto, é intensivo.

* Variedade- Confronta produtos ou serviços altamente padronizados (analogia: ônibus, com rotas estabelecidas) com outros produtos e serviços altamente flexíveis e customizáveis (analogia: táxi, que pode seguir infinitas rotas). O que é padronizado tem custos mais baixos e pode ter uma taxa de erros menor (e por consequência, uma qualidade maior).

* Variabilidade (de demanda) - Contrapõe negócios de alta variação de demanda (demanda instável - por exemplo, um resort que fica cheio na alta temporada, mas vazio na baixa) com negócios de demanda estável (por exemplo, um hotel na frente de uma rodoviária movimentada). O custo unitário de primeiro caso é maior, e ele deve se adaptar para contratar funcionários temporários, etc.

* Visibilidade - Depende do quanto da operação é exposto para os clientes. Operações de alto contato (ex. varejo de material de construção) exigem funcionários com boas habilidades de interação com o público. Operações de baixo contato (ex. vendas por catálogo, ou via web) exigem funcionários menos qualificados, e pode ter alta taxa de utilização por isso, tem custos mais baixos. Visibilidade baixa tolera prazos de entrega mais longos, e por isso podem trabalhar com menor estoque. Há operações de visibilidade mista: algumas microoperações são de alta visibilidade, outras de baixa.