Tom Coelho
Terça, 29 de Abril de 2008
"Aparentar ter competência é tão importante quanto a própria competência."
(Chuck Lieppe)
Primeiro foi a Enron, gigante do setor energético e sétima maior empresa
dos EUA em faturamento, arrastando consigo a Arthur Andersen, uma das "Big Five"
em consultoria e auditoria no mundo. Depois veio a WorldCom, segunda
maior operadora de telefonia a distância no país de Tio Sam, acionista com 25%
de participação na verde-amarela Embratel. Então, assistimos à insolvência de
uma multinacional com mais de 36 mil funcionários em trinta países, reconhecida
pela qualidade de seu leite, sucos, biscoitos, molhos e derivados. O elefante
deixou de ser fã de Parmalat.
Maquiar balanços contábeis não virou moda. Sempre foi. Empresas fraudam,
executivos mentem, auditores omitem, analistas recomendam. Como diz o velho
adágio popular, papel aceita tudo.
O Mundo de Narciso
Vivemos num mundo governado pela ditadura da imagem. O triunfo da estética
sobre a moral. Não são apenas as empresas encasteladas em suntuosas sedes,
dotadas de marcas, logos e slogans cativantes, com suas campanhas publicitárias
milionárias, seus demonstrativos financeiros reluzentemente azuis, suas
estratégias comerciais expansionistas e suas políticas de incentivo que
convertem, por decreto, "recursos humanos" em "talentos humanos" - até que a
cortina de fumaça seja desanuviada -, que logram a sociedade.
O mundo de Narciso afeta as pessoas como as corporações. Você é tão belo quanto
seus trajes e seu último corte de cabelo possam sinalizar. Tão bom quanto a
procedência dos diplomas e a fluência em idiomas possam indicar. Tão valorizado
quanto a competência ratificada e os resultados apresentados possam parecer.
Em tempos passados, ocasião que meus olhos não se atrevem a enxergar, a
"embalagem" era menos representativa. As empresas eram aquilo que produziam. As
pessoas eram o que demonstravam. A palavra valia tanto que bastava limitar-se ao
"fio do bigode". Éramos mais essência. E mais essenciais.
Os tempos modernos trouxeram-nos a velocidade da comunicação, o excesso de
informação, a imprescindibilidade dos contratos. Estradas mais largas, carros
mais rápidos pelo preço de imóveis, em trânsitos mais congestionados e caóticos.
Condutores perfumados com fragrâncias importadas e vestindo ternos de valor
similar a um ano de serviço árduo de um trabalhador braçal.
Houve uma época na qual os preços eram formados para remunerar custos e
proporcionar uma margem de lucro. Havia mais oferta do que demanda. A equação
inverteu-se e o preço passou a ser ministrado por esta entidade denominada
consumidor. Hoje, preços são dados por pedaços minúsculos de tecido chamados
etiqueta, marcas grafadas nas hastes de óculos, grifes estampadas no visor e na
pulseira de relógios.
O Mundo de Quimera
Por extensão, nossos relacionamentos pessoais espelham este mundo midiático que
nos cerca. Como nos ensina um provérbio russo, "Não amamos as pessoas não porque
elas são bonitas, mas porque nos parecem bonitas porque as amamos". O segredo da
conquista é, singelamente, contemplar a fantasia.
O poeta francês André Breton dizia: "O que a gente esconde é mais ou menos o que
os outros descobrem". Bem adequado para quem escreveu o Manifesto Surrealista...
Balanços fraudados, currículos forjados, amores burlados. Vidas vividas na
ilusão, imaginadas como devaneios à luz de uma quimera.
A quimera era um monstro mitológico com cabeça de leão, corpo de cabra e cauda
de dragão. Imagem nada agradável. Imagem que, mais cedo ou mais tarde,
materializa-se, ao cair do véu da percepção que não carrega consigo conteúdo,
sinceridade e paixão.
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Mateus Paulini
Quinta, 13 de Dezembro de 2007
Um bom controle financeiro é essencial para qualquer empresa, mas muitas vezes a relação entre o bom e a excelência podem caracterizar respectivamente como resultado apenas sua sobrevivência ou então crescimento de mercado.
Existem diversas maneiras, sendo algumas até muito simples para análise da situação financeira da empresa, e assim estabelecer um patamar de equilíbrio financeiro ideal, visando adequar as características da organização e do mercado no qual está enquadrada. Mas infelizmente muitas vezes este processo é negligenciado, principalmente nas micro e pequenas empresas.
Como resultado, ocorrem problemas de liquidez como a falta de recursos para pagamento de fornecedores, funcionários, etc. Por isso é necessário ficar atento para não entrar em estado de insolvência, mas este tema pode ser melhor analisado no artigo: Será que a empresa entrou em estado de insolvência?
A primeira orientação para saber qual o estado financeiro de qualquer empresa é a realização da análise do balanço patrimonial, verifique as relações dos índices de liquidez (seca, corrente e geral) e também analise o capital circulante líquido (CCL). Para fazer o cálculo do CCL é simples, basta subtrair o passivo circulante do ativo circulante, assim será possível saber o estado de liquidez e a quantidade de recursos disponíveis no curto prazo.
Lembro também da importância de analisar com a mesma veemência os dados referentes aos realizáveis e exigíveis no longo prazo, pois um dia quando transformarem-se no curto prazo poderão perpetuar os problemas existentes atualmente, gerando assim um circulo vicioso com graves conseqüências.
Apenas com estes passos simples indicados já é possível ter uma noção da situação da empresa, ou seja, os índices de liquidez fornecerão dados iniciais para análise e o CCL mostrará a situação de fluxo de caixa no curto prazo. Apenas observo que para uma correta análise dos indicadores de liquidez é importante conhecer a realidade no segmento que a empresa atua.
Quando os resultados não são satisfatórios, faz-se necessário realizar medidas para correção, ou seja, buscar um equilíbrio financeiro ideal. Existem inúmeras formas, podendo como exemplo realizar empréstimos ou outros formatos para aumentar a liquidez: desconto de duplicata, desconto de cheque, vendor, compror e etc.
Mas antes de chegar neste ponto, prefiro realizar uma análise profunda do ciclo financeiro da organização, verificando principalmente quais são os prazos estabelecidos para fornecedores e clientes. Creio que este seja o ponto crucial que explica a razão das dificuldades financeiras de muitas empresas, que muitas vezes sequer é planejado estrategicamente.
Justifico a importância da análise de prazos, pois se possível realizar qualquer ação que diminua o prazo de recebimentos dos ativos (exemplo reduzir os prazos médios de duplicatas a receber), ou então, aumentar os prazos dos passivos (exemplo aumento do prazo médio de pagamento de fornecedores), o resultado será aumento de liquidez.
Sendo assim, todos os índices trarão resultados melhores, o CCL será maior, e haverá mais recursos para financiar suas operações, criando assim um círculo virtuoso de crescimento. Por isso que afirmei no início do artigo e insisto, a gestão do equilíbrio financeiro pode determinar se sua empresa vai apenas sobreviver ou progredir no mercado.
Categorias:
Contabilidade, Finanças, Administração Financeira, Fluxo de Caixa, Capital de Giro, Ativo Circulante, Balanço Patrimonial, Passivo Circulante, Liquidez, CCL, Capital de Giro Líquido, Ciclo Financeiro,
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Mateus Paulini
Quarta, 5 de Setembro de 2007
Cada vez mais vejo a falta de percepção da importância da gestão do fluxo de caixa nas organizações, seja por desconhecimento ou por negligência. Muitos consideram esta importante ferramenta da administração financeira apenas uma análise superficial entre as entradas e saídas de valores. Sendo que sua gestão com eficiência pode livrar uma empresa da falência.
No meu artigo publicado anteriormente "Será que a empresa entrou em estado de insolvência?" citei o fluxo de caixa como uma ferramenta fundamental para análise financeira, porem não entrei em detalhes. Por isso abordarei o tema neste artigo com mais profundidade.
Toda organização deve entender a importância em relação aos benefícios (resultante de boa gestão) e/ou prejuízos (resultantes da má gestão) ocasionados pela gestão financeira. O fluxo de caixa é uma ferramenta altamente complexa, que possui interligações com todos os departamentos da organização.
A gestão do fluxo de caixa deve ser planejada estrategicamente, sendo este alinhado com o planejamento estratégico da organização. A empresa deve planejar quando vai antecipar o pagamento de fornecedores, aumentar o prazo de clientes, investir em máquinas, contratar funcionários, etc. Quando este processo é visado com antecedência e toda uma estrutura é preparada, não haverão problemas na gestão financeira.
Para ilustrar essa correlação, suponha que a organização pretende aumentar os prazos de pagamento de clientes com o objetivo de aumentar as vendas. Nesse caso haverá a necessidade de maior capital disponível em caixa para suportar o fluxo na redução de recebimentos. Caso essa ação não estiver prevista para o fluxo de caixa, e juntamente realizada toda a preparação necessária, fatalmente a organização sofrerá grandes problemas para honrar suas obrigações.
Para ajudar no planejamento do fluxo de caixa podem ser criadas situações intituladas de "cenários" que possibilitam visualizar as reações em diversas ocasiões.
Não existem quantidades de cenários pré-determinados, isso vai depender da quantidade de variáveis e/ou complexidade da organização, mas para exemplificar vou simular três situações distintas. A primeira será considerada negativa, sendo uma expectativa de redução de receita, baixa de participação de mercado, etc. A segunda será neutra, ou seja, uma situação normal de mercado. E a terceira será o cenário positivo, crescimento de mercado, necessidade de investimento em infra-estrutura, contratação, etc.
Analisando com cautela os resultados obtidos das simulações de fluxos de caixa, é possível prepara a organização para as necessidades futuras, sejam em relação a uma redução das vendas ou investimentos para ampliação, conforme a realidade é desenhada.
Creio que alcancei meu objetivo de relatar a importância do fluxo de caixa, como também entrar em alguns detalhes importantes sobre sua relação com a estratégia da organização.
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Mateus Paulini
Sexta, 31 de Agosto de 2007
Sua empresa ou a empresa onde você trabalha está com problemas financeiros? Será que existe volta?
Muitas vezes o tamanho do "buraco" apenas é percebido quando não é mais possível voltar atrás. Em termos técnicos financeiros, este ponto é chamado de estado de insolvência.
Insolvência significa que a empresa não consegue mais realizar suas operações, suas contas estão em níveis alarmantes, e não existe saída a não ser decretar falência e tentar negociar com funcionários, fornecedores e governo. Mas existem possibilidades de prevenção, para que uma empresa chegue a este ponto.
Sempre existem sinais que devem ser "lidos" de acordo com o momento que a empresa atravessa, possibilitando analisar falhas e corrigi-las antes que torne-se um problema maior.
 Alguns pontos são fundamentais para análise inicial de medição da "saúde" financeira de qualquer empresa, e com isso, diagnosticar se está caminhando para o crescimento sustentável, ou eminente estado de insolvência.
Uma gestão consciente do fluxo de caixa resultará em tranqüilidade financeira, pois as obrigações serão visíveis e planejadas. Mas o fluxo de caixa não limita-se apenas as movimentações de entrada e saída de recursos. Todo o processo é complexo com muitas variáveis que devem ser constantemente e cuidadosamente analisadas.
O NCG (Necessidade de Capital de Giro) é outro importante indicador a ser analisado. Lembre-se de tomar cuidados fundamentais ao analisar índices, deve-se ter em mente a situação atual da empresa para conseguir realizar uma análise contundente. Para ilustrar meu raciocínio, imaginemos que a empresa obteve aumento do NCG em 35% com relação ao período anterior.
O que isso quer dizer em primeiro momento?
Resposta: Nada. Primeiro é necessário observar o momento. A empresa pode estar realizando aumento programado de estoques, aumentando os prazos de vendas, antecipando pagamento para fornecedores (prática habitual quando há desconto por pagamento antecipado). Todos os itens mencionados anteriormente resultam em aumento do NCG, mas isso não quer dizer que a empresa está passando por dificuldades.
Quando tratamos da gestão financeira de qualquer empresa, independentemente do segmento ou porte, todo cuidado é pouco. Evitar insolvência financeira é possível, e para isso existem inúmeros mecanismos de fiscalização como os citados neste artigo, possibilitando assim corrigir o caminho, mas depois que entrou nesse estágio, o que resta é apenas aguardar o fim.
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