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POBREZA E RIQUEZA: UM ESTADO DE ESPÍRITO

Segunda, 10 de Novembro de 2008
Uma das afirmativas mais infelizes que você vai ouvir durante toda a sua vida é a famigerada “sou pobre, mas sou feliz”. Em diferentes lugares, por diversas razões, algumas explicáveis, outras não, há sempre um inconformado pronunciando esse ditado, ainda que o faça em tom de brincadeira. Entretanto, poucos imaginam o estrago que isso pode provocar na vida das pessoas. Afirmações dessa natureza, quando repetitivas, são absorvidas rapidamente pelo subconsciente, tornando a condição de pobreza sua fiel companheira até o dia em que a própria pessoa decida mudar a linguagem para quebrar o “feitiço” das palavras.

Obviamente, esse jargão tem um cunho de verdade, considerando que a felicidade é um estado de espírito e não depende, necessariamente, de dinheiro; porém, não há como negar, um saldo bancário confortável ajuda a aproximar essa tal felicidade, desde que haja bom senso e equilíbrio quanto ao uso do dinheiro e este, por sua vez, não torne as pessoas medíocres nem avarentas.

Há dois extremos possíveis, ambos totalmente prejudiciais: pobre e infeliz, rico e avarento. Contudo, não existe pobreza maior do que a pobreza de espírito. Afirmações do tipo “sou pobre, mas sou feliz”, “sou pobre, mas sou honesto” ou ainda “sou pobre, mas não sou ladrão” tendem a levar as pessoas do nada para lugar nenhum. Como diz a máxima judaica, a única pobreza possível é a ignorância, portanto, nesse sentido, ninguém precisa afirmar aos quatro ventos sua condição de honestidade para ser reconhecido na sociedade. Quando uma pessoa é íntegra, honesta e ética, por assim dizer, o fato de ela ser menos abastada não faz a menor diferença, pois o que conta é o caráter.

Por outro lado, de acordo com Alfred Whitehead, filósofo e matemático inglês radicado nos Estados Unidos, “uma das grandes falácias do modo americano de pensar é a de que o valor humano se constitui de um conjunto particular de atributos que conduzem ao avanço econômico. Isso está longe de ser verdadeiro”, portanto, as razões de muitas fortunas são inexplicáveis.

Para Whitehead, “dois terços das pessoas que conseguem ganhar (muito) dinheiro são medíocres, e pelo menos metade delas se encontra moralmente em baixo nível.” No seu conjunto, elas são vastamente inferiores a outros tipos que não se animam por conta de motivos econômicos, assim como artistas, professores e outros profissionais que realizam trabalhos dos quais gostam por si mesmos e ganham apenas o suficiente para prosseguir.

Quer você seja rico, quer você seja pobre, o seu modo de pensar, agir e falar influencia diretamente a sua maneira de ver o mundo, de beneficiar-se dele e também de ser julgado por ele. Tal como as palavras, os pensamentos e as ações são determinantes na atração ou na repulsão da pobreza e da riqueza; a escolha é meramente pessoal; as conseqüências são inevitáveis.

Nesse sentido, tenho procurado fazer a minha parte e tentado, de todas as formas, elevar o espírito das pessoas que me escrevem diariamente, contando suas histórias de vida. Riqueza e pobreza são estados de espírito. Ambos podem ser alterados de acordo pela convicção.

Penso que não há nenhuma virtude na pobreza. Pergunte a um amigo o que ele mais deseja na vida e as respostas invariavelmente serão: estudar, crescer profissionalmente, ganhar mais, ser feliz, trabalhar por contra própria. Ninguém nasceu para viver num casebre, vestir-se mal ou passar fome. Estamos aqui para progredir, prosperar, contribuir e ser feliz.

A melhor maneira de promover o próprio bem-estar e elevar o espírito, independentemente da sua condição financeira, é adotar um discurso mais alegre e otimista. Pense no poder das palavras, seja menos amargo, equilibre-se na balança da vida. Você não precisa ser rico para ser feliz nem infeliz para ser rico; portanto, mude seu discurso e sua vida mudará radicalmente. Pense nisso e seja feliz!

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A CRISE NOSSA DE CADA DIA

Segunda, 27 de Outubro de 2008
Enquanto os verdadeiros culpados pela crise financeira mundial não encontram culpados mais fáceis de serem punidos, vamos extrair algumas lições da crise antes que ela interfira definitivamente em nossas vidas e provoque estragos maiores do que aquele que já surrupiou 50% da nossa mísera poupança aplicada na bolsa de valores.

De fato, não é necessário entender muito de economia ou de finanças para saber que o principal culpado pela crise financeira atual chama-se consumo irresponsável norte-americano, aliado ao capitalismo selvagem alimentado pela ganância das instituições financeiras que estimula a realização o sonho de consumo dos emergentes, também de maneira irresponsável.

Parafraseando o comandante Rolim Amaro, ex-presidente da TAM, “em crises financeiras mundiais não existem culpados”, mesmo porque eles nunca serão encontrados, mas existem lições a serem aprendidas. Lições que há muito tempo já foram assimiladas pelos homens mais ricos do mundo, que sabem como ninguém extrair o melhor das crises para se tornar ainda mais ricos.

O fato é que uma crise dessa proporção vai afetar, como sempre, as camadas menos favorecidas da população: os pobres, os miseravelmente pobres, os emergentes e, em parte, a classe média. Nessa hora, há uma tendência de todos tentarem se proteger do reflexo, principalmente aqueles que têm pouco a perder. Como diria o célebre escritor La Fontaine, há mais de trezentos anos, “os pequenos sofrem com a tolice dos grandes.”

No caso do Brasil, somos doutores em crises financeiras, caos e planos econômicos. Sobrevivemos aos Planos Cruzado, Cruzado Novo, Bresser, Verão, Collor, Collor II e Real, tablita, URV, maxidesvalorização do real, apagão e outras parafernálias econômicas; portanto, nada mais nos assusta. A capacidade de conviver com a incerteza e de prosperar diante dela é apenas um dos motivos pelos quais os executivos brasileiros são cada vez mais requisitados no exterior.

Falar em crise não basta; esconder-se debaixo da mesa, também não; antecipar o sofrimento para ver se passa mais rápido, menos ainda. Antes que ela entre de cabeça na sua vida para subtrair o pouco que você conquistou com muito esforço, aqui vão algumas reflexões úteis para reduzir a ansiedade geral:

1. Não ignore a crise. Pense nas sábias palavras de Arkad, o homem mais rico da Babilônia: é melhor uma pequena cautela do que um grande remorso. Pare de sonhar e acreditar no governo que afirma ter tudo sob controle enquanto o mundo inteiro desaba. Não seja um otimista irresponsável. É óbvio que a crise vai passar; mas, a que custo e em quanto tempo nenhum espertalhão se atreve a dizer.

2. Não superestime a crise. O mundo não acabou na crise de 1929 nem durante a grande depressão dos anos subseqüentes; também não implodiu durante a crise do petróleo, em 1973. Da mesma forma, o Brasil não acabou quando o Presidente Sarney decretou a Moratória, em 1987 nem quando um ex-metalúrgico assumiu o governo e passou a contrariar a premonição dos empresários na época. Toda crise tem seu remédio cujo tempo se encarregará de aplicar.

3. Aperte o cinto. Não é hora de sair fazendo dívidas ou de assumir compromissos a perder de vista. O momento requer sabedoria, além de cautela. Vivemos um período de total incerteza em relação ao futuro econômico do mundo. Portanto, enquanto as coisas não se acalmam, procure conter o impulso do consumo. A velha máxima continua a mesma: poupar em tempo de vacas gordas para sobreviver em tempo de vacas magras.

4. Continue trabalhando. Nada de berço esplêndido, a despeito de todo o dinheiro que você possa ter no banco. Quer seja empresário, quer seja empregado, lembre-se: nada supera o trabalho. É na crise que a oportunidade aparece. Dê o melhor de si e agora, mais do que nunca, não perca o seu objetivo e o seu cliente de vista.

Por fim, lembre-se de que você está no Brasil e, graças a Deus, o que não falta nesse país é trabalho. Se você depender do governo para colocar a vida nos trilhos, pode se considerar um bom escravo porque ela não vai além do que o governo ditar como verdade. Faça o seu caminho e não olhe para trás. De acordo com Francis Bacon, político e filósofo inglês, “tudo o que a mente agarra com avidez e tudo em que ela se demora com singular satisfação deve ser tomado com desconfiança.” Pense nisso e seja feliz!

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A influência dos filósofos na administração

Quarta, 27 de Agosto de 2008
Os filósofos buscam constantemente soluções para os problemas que o correm em seu meio podendo ser externo ou até mesmo interno. Eles buscaram em sua época o que as organizações buscam constantemente: planejamento, organização das tarefas, direção e controle, porém vemos que em um período tão desglobalizado, houve mais resultados positivos do que muitas empresas que existem hoje em dia.

Merece referências a influência dos filósofos gregos, como Platão (429 a.C. 347 a.C.) discípulo de Sócrates, e Aristóteles (384 a.C. 322 a.C.), discípulo de Platão. Ambos deixaram contribuições para o pensamento administrativo do Século XX. Platão preocupou-se com os problemas de natureza política e social relacionados ao desenvolvimento do povo grego. Aristóteles impulsionou o pensamento da Filosofia e no seu livro Política estudou a organização do Estado.

Outros filósofos deixaram importantes contribuições para a formação do pensamento administrativo: Nicolau Maquiavel (1469 – 1527) historiador e filósofo político italiano, seu livro mais famoso, O Príncipe (escrito em 1513 e publicado em 1532) refere-se à forma de como um governante deve se comportar. Segundo Maximiano (2000, p.146), Maquiavel pode ser entendido “como um analista do poder e do comportamento dos dirigentes em organizações complexas”. Certos princípios simplificados que sofreram popularização estão associados a Maquiavel (observa-se o adjetivo maquiavélico):

- “Se tiver que fazer o mal, o príncipe deve fazê-lo de uma só vez. O bem deve fazê-lo aos poucos”.

- “O príncipe terá uma só palavra. No entanto, deverá mudá-la sempre que for necessário”.

- “O príncipe deve preferir ser temido do que amado.”

Francis Bacon (1561 – 1626) filósofo e estadista inglês, considerado um dos pioneiros do pensamento científico moderno, fundador da Lógica Moderna baseada no método experimental e indutivo (do específico para o geral). Segundo Chiavenato (1983, p.22) com Bacon é que encontra-se a preocupação com a separação experimental do que é essencial em relação ao que é acidental. Antecipou-se ao princípio da Administração “prevalência do principal sobre o acessório”.

René Descartes (1596 – 1650) filósofo, matemático e físico francês, considerado fundador da Filosofia Moderna, celebrizado pela sua obra “O Discurso do Método”, em que descreve os principais preceitos do seu método filosófico, hoje denominado “método cartesiano” cujos princípios são:

- Princípio da Dúvida Sistemática ou da Evidência – não é verdadeiro até que se saiba com evidência, ou seja, como realmente verdadeiro.

- Princípio da Análise ou da Decomposição - dividir e decompor cada parte de um problema para analisar as suas partes separadamente.

- Princípio da Síntese ou da Composição – processo racional que consiste no ordenamento dos pensamentos, dos mais fáceis e simples para os mais difíceis e complexos.

- Princípio da Enumeração ou da Verificação – em tudo fazer recontagens, verificações e revisões de modo a tornar-se seguro de não ter havido qualquer omissão durante o processo de raciocínio (checklist).

Thomas Hobes (1588 – 1679) filósofo e teórico político inglês, segundo o qual o homem primitivo era um ser anti-social por definição, atirando-se uns contra os outros pelo desejo de poder, riquezas e propriedades – “o homem é o lobo do próprio homem”. O Estado surge como a resultante da questão, que, de forma absoluta, impõe a ordem e organiza a vida social.

Karl Marx (1818 – 1883) e Friedrich Engels (1820 – 1895) propuseram uma teoria da origem econômica do Estado. Chiavenato (1983, p.23) escreve que, de acordo com Marx e Engels a dominação econômica do homem pelo homem é a geradora do poder político do Estado, que vem a ser uma ordem coativa imposta por uma classe social exploradora. No Manifesto Comunista, ainda segundo Chiavenato, Marx e Engels afirmam que a história da humanidade sempre foi a história da luta de classes, resumidamente, entre exploradores e explorados.

Adam Smith (1723 – 1790) filósofo e economista escocês, considerado como criador da Escola Clássica da Economia, em 1776 publica a sua obra “Uma investigação sobre a natureza e as causas da riqueza das nações”, mais conhecido como A Riqueza das Nações, já abordava o princípio da especialização dos operários e o princípio da divisão do trabalho em uma manufatura de agulhas para destacar a necessidade da racionalização da produção. Conforme Chiavenato (1983, p.30), para Adam Smith, a origem da riqueza das nações reside na divisão do trabalho e na especialização das tarefas, preconizando o estudo dos tempos e movimentos, pensamento que, mais tarde, Frederick Winslow Taylor e o casal Frank e Lilian Gilbreth viriam a desenvolver, fundamentando a Administração Científica.

Todo indivíduo necessariamente trabalha no sentido de fazer com que o rendimento anual da sociedade seja o maior possível. Na verdade, ele geralmente não tem intenção de promover o interesse público, nem sabe o quanto o promove. Ao preferir dar sustento mais à atividade doméstica que à exterior, ele tem em vista apenas sua própria segurança; e, ao dirigir essa atividade de maneira que sua produção seja de maior valor possível, ele tem em vista apenas seu próprio lucro, e neste caso, como em muitos outros, ele é guiado por uma mão invisível a promover um fim que não fazia parte de sua intenção. E o fato de este fim não fazer parte de sua intenção nem sempre é o pior para a sociedade. Ao buscar seu próprio interesse, freqüentemente ele promove o da sociedade de maneira mais eficiente do que quando realmente tem a intenção de promovê-lo. (“Adam Smith, A Riqueza das Nações, Livro IV, capítulo 2”).

David Ricardo (1772 – 1823) economista britânico, em sua obra “Princípios de Economia Política e Tributação”, publicada em 1817, tratava de teorias cujas bases residiam nos seus estudos sobre a distribuição da riqueza a longo prazo. Segundo David Ricardo o crescimento da população tenderia a provocar a escassez de terras produtivas. Tal Como Adam Smith, Ricardo admitia que a qualidade do trabalho contribuía para o valor de um bem. O trabalho era visto como uma mercadoria. Uma importante contribuição sua foi o princípio dos rendimentos decrescentes, devido à renda das terras. Tentou deduzir uma teoria do valor a partir da aplicação do trabalho. Ricardo tornou-se o clássico por excelência da Economia, apesar de se inspirar em grande parte da sua análise na obra de Adam Smith acabou por criticá-lo. Alterou o conceito de valor de uso de Adam Smith definindo-o como a Utilidade, ou seja, a capacidade do produto satisfazer as nossas necessidades. Como contribuições para a formação do pensamento administrativo, resumidamente, é possível destacar: suas posições a respeito do custo do trabalho e sobre os preços e mercados.

John Stuart Mill (1806 – 1873) filósofo e economista britânico publicou “Princípios de Economia Política” onde, segundo Chiavenato (1983, p.31) apresenta um conceito de controle objetivando evitar furtos nas empresas. Acrescenta duas qualidades importantes, a fidelidade e o zelo.

A partir do Séc. XX poderemos verificar no pensamento de Peter Drucker a crescente preocupação com as novas formas de atuação do administrador enquanto individuo e da administração enquanto prática para que tal indivíduo alcance e desenvolva a felicidade, zelo, controle do trabalho, utilidade do valor, a ordem, a organização, e outros aspectos já evidenciados pelos filósofos clássicos diante de um mundo tão complexo como o que vivenciamos hoje, chamado de mundo globalizado.

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OS SETE HÁBITOS DAS PESSOAS ALTAMENTE EFICAZES

Terça, 29 de Julho de 2008
Os Sete Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes - escrito por Stephen R. Covey - é um dos melhores livros que já li, e continuo relendo, além de A Lei do Triunfo, escrito por Napoleon Hill. Ambos retratam a missão de dois seres especiais que dedicaram parte da sua existência para produzir uma filosofia de vida para o bem da humanidade. Stephen Covey continua dedicando.

Por conta do exemplo desses seres especiais, assumi um compromisso de vida comigo mesmo, o de produzir algo semelhante, em forma de livro, além continuar seguindo inabalável com a minha missão de vida: semear conhecimento para o maior número de pessoas possível, por meio de bons exemplos, disciplina, otimismo e consideração pelo próximo.

Quando li os Sete Hábitos pela primeira vez não dei muita importância e considerei-o uma espécie de auto-ajuda sofisticada, porém difícil de ser praticada num mundo essencialmente dominado pela propaganda de massa, o que os outros querem que você pense, responsável pelo consumo de massa, o que as propagandas induzem você a comer, beber e comprar em larga escala.OS SETE HÁBITOS DAS PESSOAS ALTAMENTE EFICAZES

Como o próprio Stephen R. Covey declarou, em depoimento ao final do livro, não é fácil praticar os sete hábitos, mas é necessário tentar. A filosofia de vida pregada por ele trata basicamente da evolução interior, algo que somente o tempo será capaz de proporcionar em razão de todas as dificuldades vividas por conta da história pessoal de cada ser humano – modelos mentais carregados desde a mais tenra infância.

O fato é que o livro semeia conhecimento em todos os capítulos, porém abre uma reflexão em torno do que é possível praticar a partir de determinada fase da nossa existência. O próprio conceito da palavra eficaz ainda gera dúvidas para quem não tem muita familiaridade com ele. Segundo o Aurélio, ser eficaz é produzir o efeito desejado, dar bom resultado, agir com eficiência.

Isso não vale apenas para o mundo dos negócios. Aliás, começa no universo particular de cada um, por conta do comportamento, da postura e da sua maneira de julgar ou prejulgar o mundo ao seu redor. Você não consegue ser uma pessoa exemplar no trabalho e uma pessoa hipócrita em casa. Quando isso ocorre, existe normalmente o que os psicólogos chamam de desvio de conduta e eu chamo de falta de integridade.

Integridade nada mais do que é a correspondência mais próxima possível entre os seus valores e a sua conduta, portanto, se existe essa cumplicidade, não há o que temer. De maneira acentuada, o livro conduz a essa percepção, no campo pessoal e no campo profissional. A decisão de praticar os sete hábitos e a execução propriamente dita fica por conta do interesse pessoal de cada um.

O pensamento de Covey está baseando em sete hábitos (ou princípios) fundamentais. Antes de praticá-los é necessário entendê-los e, nesse sentido, vou compartilhar o meu entendimento sobre eles com o leitor de maneira que, juntos, possamos construir um mundo melhor.

Espero que você tome isso como um propósito a ser seguido a fim de melhorar o seu próprio desempenho e o das pessoas ao seu redor. De nada adianta o conhecimento se não for aplicado em nossa vida pessoal e profissional. De acordo com o poeta inglês T. S. Eliot, "Não devemos parar de explorar. E o fim de nossa exploração será chegar ao ponto de partida e ver o lugar pela primeira vez." Vamos aos princípios.

1- Seja proativo: proatividade significa muito mais do que tomar iniciativa ou ter uma atitude mental positiva considerando que o nosso comportamento resulta de decisões tomadas e não das condições externas. O ser proativo reage antecipadamente aos problemas e não se intimida quando eles são inevitáveis.

2 - Comece com o objetivo em mente: além da proatividade, problemas são resolvidos mais facilmente quando se tem um objetivo de vida. A concentração do foco na sua missão de vida elimina qualquer possibilidade de os problemas dominarem a sua vida.

3 - Primeiro o mais importante: as coisas mais importantes não devem ficar à mercê das coisas menos importantes, afirmava Goethe, o grande poeta alemão, portanto, saber priorizar o que vale a pena e o que suga menos energia é o desafio para se atingir resultados com maior eficácia.

4 - Pense ganha/ganha: é um estado de espírito que busca o benefício mútuo em todas as interações humanas. Os acordos e as soluções são mutuamente benéficos e satisfatórios quando todas as partes se sentem bem com a decisão e comprometidas com o plano de ação.

5 - Primeiro compreender, depois ser compreendido: somos criaturas essencialmente egoístas. O que vale para nós não precisa necessariamente valer para as outras pessoas. Compreender primeiro implica uma mudança profunda de paradigma, segundo Covey. Os problemas são comuns, mudam apenas de endereço, portanto, quanto mais você entender o próximo, mas ajudará a si mesmo.

6 - Crie sinergia: a sinergia é a essência da liderança baseada em princípios. Ela catalisa, unifica e libera os poderes existentes dentro das pessoas. O todo é sempre maior do que a soma das partes, independentemente das diferenças físicas e de pensamento existentes. O espírito de equipe, o time, o trabalho em grupo, ou seja, o todo é que faz a diferença.

7 - Afine o instrumento: compreende quatro dimensões - física, espiritual, social/emocional e mental. Afinar o instrumento significa exercitar as quatro dimensões com regularidade e consistência, de forma equilibrada e sensata. É o investimento que se deve fazer no próprio corpo e na mente mediante exercícios, leitura de bons livros, reflexões, alimentação saudável e o profundo desejo de crescer pessoal e profissionalmente.

Mais importante do que ler e ouvir falar dos princípios é incorporá-los na sua vida até o fim dos seus dias. Nossa autoconsciência diz que devemos escolher entre valores e princípios segundo os quais viveremos. Educar a consciência exige esforço considerável, concentração imensa, muita disciplina e uma vida centrada na integridade.

Viver os sete hábitos é uma luta constante consigo mesmo. É natural que o ser humano vacile, por determinado momento, com relação a um ou outro. O sucesso não está na conquista, mas na proatividade, na tentativa, na esperança, na contribuição, no sentido de realização. Para conquistar a felicidade, seus filhos, amigos e colegas de trabalho não precisam perder a deles.

As palavras de Dag Hammarskhöld, estadista sueco, encerram a lição de hoje: "você não pode brincar com o animal dentro de si sem se tornar um animal completo, flertar com a falsidade sem destruir seu direito à verdade, envolver-se com a crueldade sem perder a sensibilidade da mente. Quem quer manter o jardim bonito não guarda um canto para ervas daninhas". Pense nisso e seja feliz.

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NÃO BASTA FALAR

Quarta, 11 de Junho de 2008
Ainda quando adolescente fiz cursos de inglês e espanhol. Foram aproximadamente dois anos cada um. Não dava para considerar-me um expert, porém sabia que se um dia precisasse ir ao exterior nos países que exigissem a fluência nesses idiomas, não passaria fome, conseguiria chegar ao destino desejado em uma corrida de táxi e também não teria dificuldades em me hospedar.

Quando estamos para ingressar no mercado de trabalho ou buscamos algo mais significativo alguém sempre nos diz que é importante falarmos fluentemente outros idiomas. Muitas das empresas em que atuei exigiam fluência em inglês ou espanhol. No entanto, nunca precisei falar nada em outro idioma a não ser yes, happy hour, tanks, la garantia soy yo ou hasta la vista.

Um dia em uma empresa de embalagens onde era responsável pela área comercial, e que nunca exigira fluência em idiomas, "certidão de antecedentes criminais ou tipo sanguíneo" passei por uma situação cômica. Um dos sócios havia fechado uma negociação com uma empresa de condimentos de origem chinesa, porém não havia fornecido detalhes sobre a situação.

O cliente ligou para a empresa tentando confirmar o prazo de entrega e o valor final da negociação. E o atendimento passou pela portaria, telefonista até chegar à minha assistente que falou: "É pra você, é gringo e não estou entendendo nada do que ele está falando". Nada demais, não fosse o fato de o cliente não falar bulhufas de espanhol, inglês ou português. Até então meu maior contato com chineses era através de momentos passados em galerias chinesas e fast foods.

Foi uma conversa muito agradável. Eu perguntava e o cliente respondia: "HUM"... Silêncio... Eu falava outra coisa... E novamente "HUM"... Silêncio... De repente, o silêncio foi interrompido por uma gargalhada do chinês. De certo ele também não estava entendendo o que estávamos tentando fazer ou falar. No fundo eu podia ouvir outros chineses tentando dar opiniões (não dá para expressar o tanto que ajudaram). Enquanto eu tentava fazer mímicas ao telefone (como se ajudasse alguma coisa), de repente ele resolveu dizer algumas poucas palavras através das quais entramos em um acordo, sendo que eu falava alto e pausadamente (como se ele fosse surdo). Incrível, no final deu tudo certo. Conseguimos combinar o valor exatamente, o dia da entrega e até a forma de pagamento. O departamento todo havia parado de fazer suas atividades, só pra ver meu sacrifício e dar risada às minhas custas. No final, saí pra galera, campeão.

Semanas seguintes, um italiano entrou em contato para falar sobre a possível venda de uma máquina. Para variar, o responsável não estava. O "Severino" aqui foi o "poliglota" responsável mais uma vez. Ironicamente alguns colegas começaram a sentar-se próximos de mim para ver mais uma proeza. Faltaram apenas a pipoca e refrigerantes. Depois de doze anos sem praticar outros idiomas obviamente sabia que não era a pessoa ideal, mas quem não tem cão, caça com gato, mesmo que seja manco.

Procuramos conversar em inglês, mas os termos técnicos não me ajudavam. Em seguida, tentamos em espanhol e também não fui muito feliz. Houve momentos em que eu começava a falar em inglês e terminava em espanhol. No meio da conversa, entramos em um acordo. Ele iria falar em italiano mesmo e bem pausadamente. Deu certo. Entendi melhor que inglês e espanhol e consegui passar as informações que ele desejava, bem como recebi as mesmas adequadamente (pelo menos nada deu errado).

Tudo bem que freqüentemente precise interpretar alguns textos em inglês e espanhol por causa da área de atuação e outros cursos de pós-graduação que venho fazendo. A internet também exige um pouquinho às vezes. A diferença é que tenho tempo e dicionários para me darem um suporte.

Para conversarmos com estrangeiros é necessário mais que fluência do idioma. A comunicação exige paciência e interpretação, pois sempre há termos técnicos e situações que nos pegam de surpresa. Precisamos saber ouvir, interpretar, ler gestos e assim por diante.

Assim como é difícil obter uma boa comunicação em português, de forma clara e sem gerar dúvidas, o mesmo ocorrerá em outros idiomas. É nesta hora que o jogo de cintura e calma poderão fazer a diferença. Nos casos citados, talvez tivesse sido mais fácil eu pedir desculpas e informar que a pessoa responsável iria entrar em contato posteriormente. Porém, talvez por isso, também demonstraria que nem eu, muito menos a empresa teríamos condições de manter relacionamentos em âmbito internacional, afinal, existiria apenas uma pessoa na organização para resolver todos os problemas?

Somar esforço, dedicação e bom senso poderão salvar negócios e diferenciá-lo no mercado. Enquanto tiver certeza que conseguirá atingir o objetivo não poupe esforços para alcançar suas metas com sucesso, pois nem sempre tudo estará na ponta da língua.

Mas se falar correntemente alguns idiomas com certeza terá menos apuros. A falta da fluência poderá não impedir a conclusão da conversa ou negociação, mas trará muitas dificuldades. Afinal, para bom entendedor meia palavra basta!