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MARKETING SENSORIAL – SINTA A DIFERENÇA!

Quinta, 23 de Outubro de 2008
Desde os primeiros segundos de vida passamos a utilizar alguns de nossos sentidos para identificarmos o que nos traz segurança e conforto. Com o passar dos anos aprendemos a utilizar os cinco sentidos (visão, audição, tato, paladar e olfato) de maneira mais apurada. Estes sentidos são, muitas vezes, responsáveis por algumas de nossas decisões. As decisões podem estar relacionadas tanto ao consumo quanto à necessidade de segurança por onde andar, para onde ir e como se preparar para se dirigir a qualquer lugar, caso chova ou faça sol e assim por diante.

O Marketing Sensorial é mais uma das maravilhosas estratégias de marketing que analisa o comportamento do cliente e suas emoções e visa criar um vínculo emocional entre o produto ou serviço e o consumidor.

Esta estratégia é uma alternativa que tem conquistado cada vez mais o espaço no ponto de venda, centralizando os esforços na transformação da experiência de consumo em uma atividade envolvente e marcante. Assim, fazer com que um restaurante de alimentação natural tenha essências que exalam odor de matas, músicas com som de cascatas, etc, com certeza será um meio de unir a harmonia de um ambiente agradável ao sabor de alimentos naturais ou vegetarianos, por exemplo.

O Marketing Sensorial não exige um investimento muito alto e dá resultados práticos a curto prazo, além de personalizar a experiência da compra, destacando o estabelecimento junto ao consumidor.

Como utilizar melhor o marketing sensorial? Veja a seguir algumas formas para otimizar seus resultados atentando-se aos pequenos detalhes que fazem grandes diferenças.

Visão: Cuidado com o excesso de cores e imagens. Evite poluição visual. O produto deve ter destaque sem que as muitas mensagens venham a confundir o seu público-alvo. O estabelecimento deve escolher cores que identifiquem sua ideologia.

Audição: Músicas devem ser adequadas aos ambientes. Em lugares mais agitados a música alta pode vir a atrapalhar. Escritórios, lojas e supermercados devem dispor de uma “rádio” interna própria, selecionando o tipo de música que envolva o ambiente ou então manter a sintonia em uma rádio que toque músicas que se identifiquem com o perfil dos clientes, num volume ideal ao seu público. Não se coloca, por exemplo, um Heavy Metal em um restaurante italiano no horário do almoço.

Tato: O consumidor brasileiro tem o hábito de “observar” com as mãos. Deixar os produtos ao seu alcance pode ser uma grande oportunidade de agradáveis experiências aos consumidores e novos negócios para a empresa.

Paladar: Este sempre foi o conquistador de todos. Há até o ditado: “conquistou o marido pelo estômago”. Oferecer ao cliente agrados como chocolates, balas ou outras guloseimas que agreguem além do sabor, características visuais e olfativas, poderá tornar a experiência de compra inesquecível bem como satisfazer o cliente pelo fato de ter ganho um brinde.

Olfato: As essências podem ser utilizadas para personalizar o ambiente. É necessário apenas ter cautela quanto ao exagero da quantidade ou excesso de essências distintas em um mesmo ambiente.

Identifique em seu estabelecimento quais os artifícios estratégicos do marketing sensorial que você pode utilizar e potencialize seus resultados. Agregue valor aos seus produtos e serviços criando uma experiência inesquecível aos seus clientes, e boas vendas!

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Reimagine!

Sexta, 29 de Agosto de 2008
“Se você não gosta de mudança, vai gostar ainda menos de irrelevância.”
(General Eric Shinseki)

Você pode ler as 352 páginas de “Reimagine! Excelência nos negócios numa era de desordem” (Futura, 2004) ou assistir aos 77 minutos do filme com igual título, distribuído no Brasil pela Siamar, para entender o porquê de Tom Peters ser considerado um dos nomes mais influentes da administração moderna.

O fato é que Peters aborda temas que por vezes não chegam a ser inovadores, mas sua forma de apresentá-los é única e surpreendente. Ilustra, exemplifica e utiliza cases de empresas para demonstrar que é possível fazer diferente, fazer a diferença.

Algumas sugestões que podem ser extraídas de sua obra acompanhadas de breves reflexões pessoais:

1. Abrace uma grande visão. Você ou sua empresa alcançarão o grau de crescimento e de exposição que postularem em seus planos. Pense pequeno e pisará a grama, pense médio e caminhará por entre arbustos, pense grande e habitará uma floresta. Se desejar ser a maior empresa de seu setor parecer utópico, experimente imaginar ser a melhor. Isso é sempre possível. E compartilhe esta visão.

2. Contrate grandes pessoas. Num mundo de produtos comoditizados, são as pessoas o grande diferencial. Aprenda a selecionar gente com vontade de trabalhar, com eletricidade no corpo e brilho nos olhos. Gente com atitude, mais do que habilidades, que podem ser ensinadas a qualquer tempo. Gente melhor do que você! E contrate devagar, buscando qualidade a partir da quantidade. Mas demita rápido, tão logo seja preciso.

3. Promova o envolvimento. Faça as pessoas trabalharem com você e não para você. Elas devem se sentir não apenas parte do processo, mas protagonistas das soluções. O envolver é entrelaçar, compartilhar e comprometer-se. Empenho que decorre do entusiasmo, determinado menos por questões financeiras e mais pelo orgulho de pertencer e pelo respeito aos propósitos da companhia e à liderança.

4. Treine o tempo todo. Prepare sua equipe treinando-os continuamente. A tarefa é desenvolver competências técnicas, comportamentais, relacionais e até valorativas. Esqueça a mensuração baseada em horas de treinamento anual por pessoa. Isso é balela estatística. A verdadeira régua está na qualidade do treinamento. Ajude-os a conhecer tudo sobre seus produtos e serviços, mas contribua também para que se tornem também pessoas melhores e não somente profissionais melhores.

5. Comunique constantemente. Mantenha a todos informados: colaboradores, clientes, acionistas. Faça a informação – de qualidade – circular. Use da transparência, evite eufemismos, diga a verdade. A mentira tem pernas curtas, vida longa e seu legado é devastador. Compartilhar resultados favoráveis é prazeroso e fácil, mas poucos fazem o mesmo com as más notícias, perdendo a oportunidade de captar grandes aliados para superá-las.

6. Desenvolva idéias e soluções inovadoras. Pense fora da caixa, do plano bidimensional. Faça propostas absurdas ao mesmo tempo em que reflete sobre o óbvio – assim surgiu a jornada flexível de trabalho. Atente para as perguntas e formule outras perguntas quando tiver obtido uma provável resposta – assim nasceu o carro bicombustível. Fique de olho nas conseqüências, inclusive aquelas que parecerem totalmente desfavoráveis – assim foi criado o medicamento para disfunção erétil. Hospitais não precisam ser tristes, aulas não carecem de ser chatas, políticos não necessitam ser corruptos.

7. Design é fundamental. Em termos de design, o que menos conta é a beleza, ainda que ela possa e deva ser contemplada. O que está em jogo é a funcionalidade, a praticidade, o tipo de material empregado. Falamos de leveza, de manuseio, de alternativas com custo inferior – e valor agregado superior. Continuo sem entender por que aqueles sachês de mostarda, maionese e ketchup são tão irritantemente difíceis de serem abertos. Ou por que as embalagens de sanduíches não são formatadas para funcionarem como guardanapo, evitando o contato das mãos com o alimento. Alguém se habilita?

8. Tecnologia para facilitar. Tecnologia que se propõe exclusivamente a transparecer uma imagem futurista apenas intimida e afasta clientes, além do risco de representar um caminhão de dinheiro jogado no lixo. O que se espera são instrumentos para agilizar processos, promover a integração, ampliar a comunicação, reduzir custos diretos ou indiretos. A mudança tecnológica deve ser evolucionária, e não revolucionária. Pequenos avanços hoje, grandes inovações amanhã.

9. Ofereça um atendimento extraordinário. Duvido que ainda haja neste mundo uma pessoa qualquer que não tenha sido flagrantemente destratada, negligenciada e até desrespeitada enquanto consumidora. São profissionais de telemarketing ativo que invadem nossa privacidade na calada da noite, muitas vezes para oferecer um produto do qual já somos seus usuários. São profissionais de telemarketing passivo, dos ordinários serviços de atendimento ao cliente, desprovidos de treinamento, autonomia e bom senso, que raramente resolvem uma demanda com iniciativa, interesse e rapidez. São profissionais em pontos de venda, que não procuram identificar nossas necessidades, mas apenas sugerir o que lhes convém, e raramente solícitos por ocasião de uma troca ou substituição. Estou farto deste desatendimento! Gente que não entende que venda se processa antes, durante e depois da compra. Gente que não aprende que vender e servir andam de mãos dadas. Gente que ainda não descobriu que a única coisa que cativa um cliente é uma experiência de atendimento inesquecível e extraordinária. E que isso é fácil de proporcionar: basta dar atenção.

10. Divirta-se! Quer colher comprometimento dos funcionários, fidelidade dos clientes e retorno sobre o investimento? Construa um ambiente que seja prazeroso para trabalhar e agradável para visitar. Um local onde quem trabalha aguarde ansiosamente pela segunda-feira para iniciar uma nova e produtiva semana. Um espaço onde quem consome sinta-se estimulado a permanecer por horas desfrutando de sua atmosfera e infra-estrutura. Livrarias com confortáveis poltronas onde se pode degustar a leitura de qualquer obra sem restrições, por exemplo, já aprenderam esta lição.

Reflita sobre estas propostas, celebre as conquistas e gerencie com paixão. Tenha menos foco em coisas, mais cuidado com pessoas. Reinvente. E reimagine!

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FÓRMULAS MÁGICAS? NÃO, MOMENTOS MÁGICOS!

Terça, 27 de Maio de 2008
Confesso crer em muita coisa, mas acredito mais ainda naquelas que tive a oportunidade de ver ou ouvir. Se tiver as duas chances ao mesmo tempo, então não desacredito mesmo!

No entanto, sinto-me incomodado de tanto ver, ouvir e ler frases como: "a fórmula mágica para seu sucesso", "a fórmula mágica para vender mais"; só falta aquele comentário "e não é só isso...". Com tantas fórmulas, há alguns que deveriam ser alquimistas, mas estão muito aquém de serem magos, pois a maior mágica que fizeram foi desperdiçar nosso tempo.

As supostas fórmulas seriam adequadas se para toda e qualquer situação, atividade profissional e empresa utilizássemos os mesmos procedimentos e assim obtivéssemos o sucesso almejado. No entanto, considerando todas estas situações diferentes como podemos acreditar na mesma fórmula? Até a simples fórmula (receita) de um bolo de chocolate poderá dar resultado errado se a temperatura do forno for diferente. Poderá demorar mais, não crescer, queimar, etc.

Estes motivos é que me deixam cético em acreditar na existência de uma fórmula mágica, mas crente em um momento mágico. Este momento é aquele que poderia ser igual a qualquer outro, mas é transformado. Devido a uma atitude, uma palavra, um gesto ou sorriso transforma-se em uma ocasião inesquecível.

Esse momento mágico pode ser encontrado quando se obtém o reconhecimento no trabalho; quando além do reconhecimento, recebe-se um merecido aumento; quando se sente a criança recém-nascida segurar no dedo dos pais pela primeira vez; quando se ganha uma competição esportiva que absorveu tanto tempo de treinamento e suor; quando se ouve um "sim" durante o pedido de casamento; quando se é lembrado pelos amigos... Há milhares de maneiras de se transformar simples instantes em momentos mágicos, basta desejar e agir.

Acreditar em todos os "alquimistas" que aparecem com um belo sorriso e gesticulando como maestro diante de orquestra, pode não ser o melhor caminho para o sucesso, realização ou outra coisa que se almeje.

Acredite que o momento mágico está sempre à sua frente, poderá ser o próximo instante de sua vida a se transformar. Tudo dependerá de sua atitude.

Faça sua escolha. Você pode dar um passo atrás, ficar parado ou dar um passo à frente.

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DEMITIDO NUNCA MAIS

Quinta, 6 de Março de 2008
Depois de trinta anos bem vividos no mundo profissional e com mais uns trinta pela frente, posso dizer que conheço um pouco dos meandros que permeiam o ambiente corporativo. Dominá-lo por inteiro é um desafio considerável e duvido que isso seja possível em menos de trinta ou quarenta anos, pois o ser humano é surpreendente em todos os sentidos e quando você imagina que sabe tudo a seu respeito, coisas incríveis e inesperadas acontecem.

Durante a minha inesquecível jornada como empregado, principalmente nas décadas de 1980 e 1990, eu ficava chocado com a enxurrada de demissões que ocorriam em todas as empresas por onde passava e, independentemente das razões apresentadas, isso sempre me deixava consternado, pois eu sabia que, nessa hora, o senso de justiça raramente prevalecia.

Algumas eram cômicas, outras dolorosas, porém a maioria tinha pouco a ver com a origem do problema. O fato é que as demissões eram inevitáveis e aos poucos eu fui aprendendo a conviver com elas e extraindo lições que ainda hoje se mostram muito úteis na profissão de consultor e palestrante. No mínimo a gente diverte o público contando histórias. Infelizmente isso não me livrou da convivência com profissionais completamente despreparados para a arte de demitir.

Nesse período, conheci alguns seres inescrupulosos, de sangue frio, cujo maior deleite era demitir sorrindo, e outros que se diziam incapazes de demitir sem antes passar por um período de tensão involuntária. Outros nunca tiveram coragem de demitir alguém e muitos ainda preferiam transferir o problema para a turma do RH a fim de evitar o confronto com o profissional para o qual ele nunca foi capaz de prestar feedback, por medo, insegurança ou falta de liderança.

Demitir alguém e absorver a demissão é um processo delicado que exige equilíbrio e maturidade, tanto para quem demite quanto para quem é demitido. E, geralmente, essas virtudes nunca estão presentes quando mais precisamos delas, razão pela qual as demissões são verdadeiros desastres que destroem a auto-estima das pessoas em vez de projetá-las para um futuro melhor.

No início de 2000 eu vivi o período mais difícil da minha vida profissional quando, por determinação da matriz, recebi a triste notícia de que a área que eu coordenava seria transferida para outro estado. Em menos de três meses eu me vi obrigado a demitir quase toda a equipe que eu havia dado um duro danado para consolidar. Éramos praticamente uma família de vinte e uma pessoas - conceito equivocado e mais tarde reformulado - que se desmantelou da noite para o dia, onde eu, o paizão, pouco pude fazer pelos meus filhos, porém, graças ao talento natural e à incrível capacidade de adaptação do ser humano, todos sobreviveram.

Como dizia a inesquecível mestra Maria Schirato, autora de O Feitiço das Organizações, "empresa não é mãe". Você conhece alguma mãe que reúne os filhos no fim do expediente de sexta-feira para o seguinte comunicado: - meus filhos, a situação está muito complicada, os custos subiram assustadoramente e, por decisão da diretoria, vamos fazer uma reestruturação na família com redução de 20% do efetivo? Zezinho e Luizinho, vocês não fazem mais parte do quadro familiar.

De uma vez por todas, não existe esse negócio de empresa-mãe. Cada vez que alguém arrisca proferir uma barbaridade dessas na minha presença eu espremo a pessoa. Caso ela ainda não saiba, vai saber a diferença entre empresa e sua verdadeira mãe no dia do desligamento quando perder o crachá, o plano de saúde, o auxílio-combustível, o vale-refeição e aquela bendita cadeira onde ela acomodou confortavelmente o seu delicado traseiro durante mais de dez anos.

Parafraseando a mestra, mãe é aquela que divide o bife, põe mais água no feijão, tira da boca para dar aos filhos, salta no lago para salvar o filho mesmo sem saber nadar, se atira no rio para livrar o filho da voracidade do jacaré, protege o filho das atitudes violentas do pai e enfrenta três dias de fila para conseguir uma vaga na escola pública. Isso é mãe. O restante sofre de uma vontade danada de ser mãe de verdade, portanto, nenhuma empresa pode ser comparada a uma mãe ou a uma família.

Complicado mesmo é a vida do alienado, aquele que desconhece o limite entre o lado pessoal e o profissional feito o indivíduo que depois de vinte e poucos anos de bons serviços prestados na empresa, foi demitido. No dia seguinte lá estava ele na portaria, no horário de sempre, implorando para retornar ao local. Depois de muita conversa, ele foi autorizado a entrar por alguns minutos para atender suas necessidades, literalmente. Acreditem que o sujeito simplesmente não conseguia evacuar em casa, é mole?

Durante uma semana ele voltou ao local de trabalho, mais precisamente ao banheiro, para realizar a proeza de evacuar e ainda matar as saudades da tampa macia do vaso sanitário, acompanhado pelo segurança, é óbvio, o qual aguardava pacientemente o sujeito na porta do banheiro até que num determinado momento alguém decidiu que era hora de encerrar definitivamente o processo de simbiose do infeliz com a organização.

Quanta humilhação! Não é necessário chegar a tanto. Cá entre nós, o ser humano vale muito mais do que isso. Você conhece alguém que foi demitido e hoje se encontra na rua da amargura, passando fome ou mendigando? Fico feliz em saber que todos os meus ex-colaboradores, hoje grandes amigos, estão muito bem, obrigado, alguns até melhores do que eu, graças ao seu talento, esforço, um pouco de sorte e, é claro, uma pitada dos meus ensinamentos. Digo isso com orgulho e quando me lembro dá até um nó na garganta.

Com o tempo eu aprendi que toda demissão tem o seu lado estimulante e doce. Se você tiver consciência do que é capaz e acreditar piamente na volta por cima, infinitas possibilidades se abrem. Muitos profissionais confundem a relação e se entregam fervorosamente a uma convivência que eles insistem em chamar de família. Quando os laços familiares se rompem, o sujeito fica perdido e não sabe se vai para casa ou para o bar da esquina mais próximo. Eu chorei um tacho de lágrimas e voltei para casa o mais rápido possível quando ocorreu comigo. Graças a Deus fui muito bem recebido e ainda ganhei o melhor dos presentes, carinho e abraços, uma das razões pela qual sou fã da minha família.

Se algum dia você vivenciar algo parecido, quer na posição de demitido, quer na posição de cumpridor dessa difícil tarefa, lembre-se das minhas palavras. Por experiência própria, digo que você vai sobreviver tranqüilamente e ainda sair fortalecido para o próximo desafio. Pense nos amigos que passaram por situação semelhante e avalie o quanto eles evoluíram em todos os sentidos. A vida voltará ao normal muito antes do que você imagina.

Eis aqui algumas lições que me foram extremamente úteis nesse sentido e espero que sejam úteis se algum dia precisar delas ou quando tiver que socorrer um amigo. Torço para que você cresça profissionalmente, onde quer que esteja, porém tenha em mente que a concorrência no mercado de trabalho é acirrada e, muitas vezes, desleal, portanto, lembre-se:

1. Jamais lamente um fato como esse. Lamentar ou falar mal da empresa serve apenas para provocar insegurança nas pessoas que você ama e distanciamento dos admiradores do seu trabalho; o que você menos precisa nesse momento é de pensamentos e atitudes negativas;

2. Em momentos de crise, o importante é manter a lucidez e o equilíbrio; pare de se demitir mentalmente e sofrer por antecipação; se a demissão for inevitável, considere-a como uma nova oportunidade de apresentar seu talento e energia para quem realmente precisa deles, seja como patrão, seja como empregado;

3. Pense que sempre haverá espaço para pessoas que demonstram otimismo diante das adversidades, para quem cultiva o sorriso nos lábios e, principalmente, para quem sabe dizer "bom-dia", "por favor" e "obrigado";

4. Todas as empresas são carentes de bons profissionais, portanto, seja humilde e ousado ao mesmo tempo, mantenha contato com os amigos e conhecidos e não tenha vergonha de pedir, afinal, pedir não ofende; não mande o currículo para o RH, mande o currículo para um amigo que conhece alguém do RH; utilize a sua rede de contatos e pare de gastar com Xerox e papel;

5. Segundo Jack Welch, o executivo que revitalizou a GE, "até um pé no traseiro te empurra para frente", portanto, mãos à obra, currículo na mão esquerda, celular na mão direita, carro ou o vale-transporte que ainda sobrou, sua melhor roupa e muitos contatos, quantos forem possíveis e necessários;

6. Mantenha a fé, a esperança e o foco. Sem isso, não há currículo nem padrinho que dê jeito. Muito otimismo, pois como dizia a avó de um amigo meu, "é no andar da carruagem que as abóboras se ajeitam". Se você não acredita em si mesmo, por que alguém haveria de acreditar?

Penso que todos nascem para cumprir uma missão, seja ela qual for, portanto, é melhor que seja num lugar onde tenhamos o mínimo de dignidade e respeito. Pare de ser demitido, demita-se antes, não apenas da empresa, mas das coisas que você não tem a mínima vocação para desempenhar. Para Albert Camus, não existe dignidade no trabalho quando nosso trabalho não é aceito livremente.

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FRITURA EXPOSTA NAS EMPRESAS

Segunda, 3 de Março de 2008
Durante muito tempo você foi o queridinho do chefe e todas as suas idéias eram extremamente bem-vindas. Algumas eram até aplaudidas, pois sempre chegavam num momento em que a sua área estava sob a mira da diretoria e, graças a uma nova idéia - sua, é óbvio, afinal, você ama o trabalho e não pensa em outra coisa - seu chefe sobreviveu e você também embora ele tenha copiado sua idéia descaradamente. Ele até falou em off para você: - fique tranqüilo, estamos juntos nessa!

Entretanto, de um tempo para cá, seu chefe anda meio macambúzio e, por alguma razão, adivinhe, ele se tornou menos acessível e evita olhar nos seus olhos ainda que a conversa entre vocês seja inevitável. De fato, ele sempre arranja tempo para todo mundo, inclusive para os seus subordinados, menos para você, e quando você parte para o contra-ataque e decide arrancar aquele tão esperado feedback, recebe o misterioso chavão: - hoje não dá, conversaremos mais adiante, quando chegar a hora.

Resignado, você volta para a mesa de trabalho e continua firme no micro quando aparece a secretária com aquele sorriso sarcástico acompanhado de notícia ruim: - o chefe disse que o relatório está uma porcaria e se você não tem condições de fazer algo melhor, avise. No fundo você quer pegá-lo pelo pescoço e atirá-lo do décimo andar, o relatório, não o chefe, porém agüenta firme, olha para o relógio e pensa positivamente: bom, são apenas 19 horas, posso ficar um pouco mais e dar um jeito nisso ainda hoje.

O dia termina e você vai para casa, abraça a esposa, dá um beijo nas crianças e, obviamente, todos notam que você não está feliz embora disfarce com aquele sorriso amarelado para não trazer mais preocupação do que o necessário, porém você lembra que é humano e as emoções, positivas ou negativas, são parte integrante da natureza humana.

Enquanto todos dormem você passa a noite absorvendo as grandes lições de Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas, do inesquecível Dale Carnegie, enquanto sua consciência trabalha desesperadamente para mudar de idéia: não é comigo, eu mereço ser feliz, vai passar, Deus é pai, eu me amo, eu me aprovo, adoro meu chefe, eu sou bom, meu nome é trabalho e tantos outros mantras que você se propõe a repetir durante o trajeto de casa para o trabalho a fim de se sentir confiante e mais animado para o dia seguinte, afinal, chefe também tem lá o seu inferno astral e, se Deus quiser, amanhã será mais tranqüilo.

Ao chegar ao estacionamento você percebe que sua vaga está muito bem ocupada por outro veículo. Por certo, algum desavisado deve ter colocado o carro no seu lugar. Ao consultar o vigia, ele sorri e delicadamente sugere que você estacione em outro local. Você esbraveja, elogia a mãe do chefe, que nada tem a ver com isso, e segue normalmente para a entrada do edifício depois de caminhar mais de duzentos metros debaixo de chuva, entretanto, o importante é ter chegado no horário.

Pacientemente, depois de espremer a água da barra da calça no cesto de lixo, você liga o micro e percebe que a senha de acesso foi alterada sem o seu conhecimento. Depois de algumas justificativas sem pé nem cabeça por parte do pessoal da informática, alguém decide liberar uma senha provisória enquanto você tenta convencer a si mesmo que a mesma foi digitada incorretamente três vezes, é óbvio, portanto, o computador foi bloqueado.

Aos poucos você se deu conta de que um dos subordinados não está na sala e ao perguntar por ele, outra decepção. Acredite ou não, ele foi convidado para uma reunião com o seu chefe. - Mas como? Você vai tirar satisfações com a secretária e questiona o fato de não ter sido convocado. A resposta está na ponta da língua: - você não estava na sala e chefe não pode esperar. De qualquer forma, você sugere participar da reunião e é imediatamente barrado pela primeira dama da empresa: - nem pensar, my friend, você não foi convidado.

Quando a reunião termina você está no banheiro e, por coincidência, entra o chefe, cantarolando. A fim de aproveitar a presença do magnânimo, você dispara: - chefinho, da próxima vez eu quero ser chamado para a reunião, afinal, ainda sou o responsável pelo departamento, ou não sou? Outra resposta, ou melhor, outra pergunta cruel: - por acaso você está querendo me desafiar?

De fato, você se convence que a situação não é boa. Há tempos você está se sentindo isolado, tem almoçado sozinho, os colegas não são mais os mesmos e você é o último a tomar conhecimento dos fatos. Aliás, faz tempo que você não recebe uma nova missão e suas idéias são literalmente engavetadas. No sábado houve mais um churrasco na casa do chefe e você não foi convidado nem para lavar os espetos. Para completar, a apenas um ano da aposentadoria, você foi convidado a trabalhar no interior do Acre, com direito a 3% de aumento. Mudança por sua conta, é claro. Todo encontro com o chefe desperta um sentimento profundo de depressão e a certeza de que o amanhã nunca será como antes.

Qualquer um dos fatos mencionados exala um cheiro inconfundível de fritura exposta no ar. Fritura é uma maneira deselegante, cruel, desleal, por vezes criminosa, de as empresas eliminarem alguém do mundo corporativo. Digamos que é uma espécie de BBC - Big Brother Corporativo, onde o chefe passa a te odiar, por alguma razão, e os colegas te invejam, mas dizem que te amam e torcem por você, apenas para se proteger, ficar com a sua vaga e livrar-se do próximo paredão.

A expressão fritura é ligeiramente grotesca, mas continua em voga na maioria das corporações, públicas e privadas, apesar dos generosos investimentos em treinamento e desenvolvimento de lideranças. Está diretamente associada à falta de transparência e de respeito pelo ser humano. A demissão pura e simples soa mais prática e menos dispendiosa, para ambos os lados.

Se um dia ocorrer contigo, não esmoreça e lute até o fim. Existem várias maneiras de se defender e amenizar o calor da fritura embora na maioria dos casos o desfecho seja irreversível. Quando a situação lhe parecer insustentável, faça um favor a si mesmo e tome a atitude mais louvável que alguém pode tomar numa situação como essa: mude enquanto é tempo. Existem inúmeras empresas onde a sua energia, o seu tempo e o seu talento serão mais bem aproveitados. Por fim, as palavras de Albert Camus, escritor e filósofo francês, são muito apropriadas para encerrar o tema: "não existe dignidade no trabalho quando nosso trabalho não é aceito livremente".