Fernando Gomiero
Sexta, 30 de Maio de 2008
Imagine os prejuízos, tanto os materiais como os de imagem, que as empresas
sofrem a cada vez que algum de seus líderes ou colaboradores acende um cigarro.
Fatores como distração, perdas de tempo, desconcentração, ausências por
problemas de saúde e risco de incêndio, entre outros, além dos inevitáveis
confrontos entre o grupo dos fumantes e o dos não fumantes, acabam por promover
um verdadeiro "racha" dentro da organização. Então será possível imaginar também
o tamanho do estrago provocado pelo consumo do álcool e das drogas nas empresas.
No atual mundo globalizado em que vivemos, a necessidade de resultado nas
empresas impõe uma pressão cada vez maior sobre os empreendedores, líderes e
colaboradores. Tão forte que, muitos, principalmente entre os integrantes dos
dois últimos grupos, são induzidos a novos hábitos não aconselháveis, tendo em
vista seus efeitos nocivos à saúde, o que representa uma enorme interferência
negativa nos lucros e resultados das empresas.
O estresse provocado pelas pressões no trabalho, pela necessidade de se
atualizarem através da leitura de uma quantidade sempre crescente de livros e
revistas, pela interferência do trabalho na vida pessoal e pelo próprio trânsito
alucinante que são obrigados a enfrentar no dia-a-dia, tem uma influência
extremamente negativa sobre o lado emocional dos profissionais, que, não raras
vezes, buscam refúgio no cigarro, no álcool ou até mesmo nos entorpecentes.
E o hábito resulta em enormes danos à saúde e na conseqüente queda de rendimento
no trabalho, principalmente daquelas pessoas que, sem forças para fugir da
dependência química, se entregam ao vício. Além da inevitável deterioração do
relacionamento de todo o grupo e queda da produtividade.
Para as empresas as conseqüências e expectativas futuras não são mais
animadoras. Elas acabam por perder aqueles grandes talentos que se rendem às
sensações de um prazer ilusório. Em nome de um pretenso relaxamento pelas
drogas, eles perdem a capacidade de raciocinar, a persistência e perspicácia, a
criatividade e a competência para a dependência química, alienando-se
completamente de seus ideais. O resto não é difícil imaginar.
Por isso é que, preocupadas com o alto índice de dependentes químicos entre seus
profissionais, inúmeras organizações partiram para a implementação de programas
e projetos especialmente voltados ao tratamento e reabilitação dos mesmos, além
da prevenção de futuras novas ocorrências. Uma cartilha esclarece sobre os
riscos das drogas, de modo que todos tenham consciência de seus efeitos
devastadores sobre a saúde do ser humano e sua vida pessoal, afetiva e
profissional. Atividades de apoio e alternativas diversas, como sessões de
reflexão, atividades físicas, lazer, boa alimentação, adoção de horários
flexíveis, restabelecimento do equilíbrio emocional com o apoio de psicólogos e
especialistas no assunto, estímulo à formulação de idéias e sugestões, enfim,
mecanismos que auxiliem líderes e colaboradores a se afastarem do vício e
auxiliá-los a encontrar sua forma preferida de relaxamento, que, ao mesmo tempo,
não represente riscos para sua saúde.
Então, é preciso encarar o fato de que não há muito tempo a perder com
ponderações. Urge que as empresas que ainda não o fizeram, ataquem o problema de
frente e se engajem nessa luta, criando mecanismos que ajudem a libertar seus
profissionais dos vícios que tantos prejuízos trazem para a saúde, a vida
profissional, pessoal e afetiva. Ou elas tendem a amargar enormes dores de
cabeça com os problemas institucionais, além das pioras significativas de seus
lucros e resultados futuros. Quer dizer: é preciso agir com rapidez e precisão;
corrigir e prevenir para não sucumbir!