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Pequenos Grandes Estoques

Quarta, 2 de Janeiro de 2008
"Um Se você não conseguir controlar suas emoções,
não será capaz de controlar o seu dinheiro."
(Warren Buffet)


Minha experiência como consultor ensinou-me que os problemas corporativos e suas soluções são relativamente semelhantes seja em empresas de pequeno, médio ou grande porte. A única diferença está na proporção.

Uma boa demonstração deste fato reside na crença de empresários e educadores de que os sistemas de gestão podem e devem ser replicados independentemente do perfil da empresa. É por isso que os cursos de graduação e pós-graduação insistem em utilizar os chamados "cases" de empresas como objetos de estudo. E normalmente o fazem a partir de companhias multinacionais de grande porte.

Tais modelos, quando direcionados a pequenas empresas, mostram-se inadequados. Primeiro, porque não espelham a realidade sócio-econômica destas corporações. Segundo, porque apresentam baixa aplicabilidade em termos relativos.

Assim surge, por exemplo, a adesão a produtos, serviços e conceitos apenas porque estão na moda. Equipamentos que ficarão ociosos na linha de produção, softwares que não serão utilizados dentro de suas potencialidades, conselhos de gurus que se revelarão equivocados em curto espaço de tempo.

Os chamados ERP, sigla para Enterprise Resource Planning, ilustram bem esta assertiva. São softwares multimodulares com a função de integrar todas as atividades da empresa através do fluxo interligado de informações. A proposta é sincronizar dados sobre compras, vendas, finanças, estoques, produção, enfim, toda a cadeia de valor, permitindo a tomada consistente de decisão e a otimização dos resultados.

Teoricamente, perfeito! Mas, na prática da maioria das pequenas empresas, convenhamos, chega a ser utópico. Afinal, como conferir fidedignidade aos dados compilados quando sequer há distinção entre o que é da empresa e o que é do sócio? Contas correntes que se misturam, compras realizadas sem nota fiscal de entrada, vendas efetuadas por valores subfaturados...

Diante deste contexto, se você pretende controlar seus estoques de forma eficaz, reflita sobre as considerações a seguir:

1. Utilize o Princípio de Pareto. O economista italiano Vilfredo Pareto nos legou um importante axioma segundo o qual 80% dos resultados decorrem de 20% das ações. Isso significa que 20% de seus insumos representam 80% do valor financeiro de seu estoque, ou seja, se você tem uma confecção, preocupe-se com o tecido, em vez dos botões; se tem uma metalúrgica, prefira controlar o aço aos parafusos e arruelas.

2. Construa uma curva ABC. É uma aplicação prática do Princípio de Pareto. Relacione todos os insumos utilizados em sua atividade profissional. Depois, verifique o valor de consumo (preço multiplicado pela quantidade) de cada um deles. Então, classifique-os em três níveis distintos. O nível A será representado pelos materiais de maior valor de consumo, e possivelmente totalizará 20% dos itens (e 60 a 80% do valor). O nível B apresentará valor de consumo intermediário, abrangendo até 30% dos itens. Finalmente, o nível C será responsável por cerca de 50% dos itens (e apenas 10 a 20% do valor). Fazendo uma análise simplificada, os produtos da classe A devem ter controle de estoque rigoroso, os de classe B, controle mediano, e os de classe C podem até ter seu controle negligenciado.

3. Encontre o ponto de equilíbrio. Estoques elevados significam capital imobilizado, mas também a garantia de disponibilidade de produto para venda - ou de matéria-prima para fabricação. Assim, o segredo está no gerenciamento da informação que possibilite o rápido giro do estoque, conciliando lote mínimo de segurança com reposições freqüentes.

4. Atenção para a impulsividade. Superamos as crises inflacionárias que assolaram nosso país por mais de duas décadas. E não vivemos numa geografia glacial capaz de distinguir cigarras de formigas. Por isso, evite a tentação de formar grandes estoques apenas para satisfazer seu ego ou para aproveitar uma determinada promoção. Estoque é dinheiro, tem um custo de carregamento e pode levar uma empresa à bancarrota quando mal administrado.

5. Cuide de seu estoque. Aqui, as regras consistem em armazenar (bom acondicionamento, etiquetagem e organização), proteger (contra intempéries, riscos diversos) e segurar (proteção patrimonial).

São breves sugestões que demandam pouco investimento e muita força de vontade. Podem não lhe proporcionar a certeza do sucesso, mas poderá garantir-lhe uma sobrevida. E mais adiante, quando sua companhia tiver expandido seus horizontes, aí sim valerá a pena controlar insumos de nível C e adotar um potente ERP. Não antes.

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Qual o melhor modelo de gestão: Burocracia versus Adhocracia

Quarta, 3 de Outubro de 2007
Comumente os gestores são questionados sobre os modelos de gestão adotados, e concomitantemente qual seria o melhor a ser aplicado. Minha intenção é realizar uma reflexão, pois não existe uma regra que pré-estabeleça a melhor opção, mas sim pode-se encontrar uma alternativa através de uma análise profunda da organização.

Existe grande impasse quanto a determinação do modelo de gestão aplicável, alguns preferem um modelo burocrático e outros preferem um modelo adhocrático. Mas vejo que essa escolha não deve ser realizada por questões pessoais do gestor, e sim através da verificação de qual é a melhor opção para a organização no momento que segue.

Para entender melhor o significado de burocracia e adhocracia, vou explanar algumas características de ambos.

A burocracia segundo a visão de Max Weber consiste na determinação de padronizações de todos os processos da organização. Essa determinação de rotinas resulta em maior produtividade. Nesta ótica, a organização obtém grandes benefícios.
Modelo de Gestão
Como existem padronizações em todos os processos, a organização não necessita de profissionais altamente qualificados. Por outro lado observo que a burocratização é um processo totalmente impessoal, ou seja, não leva em consideração os anseios, necessidades e carreira dos funcionários.

A adhocracia é o oposto, este modelo de gestão visa conceder total liberdade aos funcionários, com o intuito destes aplicarem todas as suas habilidades para o aumento da produtividade, alcançando o chamado "empowerment".

Neste caso tudo seria perfeito, a não ser pelo detalhe que este modelo necessita de profissionais qualificados para funcionar, podendo resultar por fim em aumento nas despesas para a organização e engolir os possíveis benefícios.

Então qual é o melhor modelo de gestão?

O melhor é o equilíbrio. Quando cito equilíbrio não refiro-me ao centro absoluto, mas o equilíbrio visando a organização como controle, ou seja, é necessário analisar todos os detalhes para a determinação do modelo de gestão:

Estrutura organizacional
: Verifique qual a composição hierárquica e como os dados históricos afetaram os modelos de gestão da empresa no decorrer de sua existência.

Cultura organizacional: Analise com total atenção, pois a cultura organizacional não é exposta, você deverá observar quais são os valores implícitos enraizados nos colaboradores, e com esta informação mapear a situação da organização.

Funcionários: Este passo é fundamental para a definição do modelo de gestão. Classifique os colaboradores de acordo com sua qualificação, analisando o currículo e o histórico do mesmo na organização.

Com todos os dados levantados, basta realizar uma análise minuciosa e definir qual é o equilíbrio ideal para a empresa. Assim será possível aproveitar da melhor forma os recursos humanos disponíveis, obter maior produtividade e consequentemente lucro (objetivo fim de toda empresa).

Espero ter contribuído para o entendimento deste complexo e fundamental tema para todas as organizações, e lembrem-se que não existem regras ou receitas infalíveis, sendo que o sucesso dependerá da análise realizada.