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A DIREÇÃO DOS ADMINISTRADORES

Domingo, 7 de Setembro de 2008
Se tivesse que ensinar algo a alguém, talvez dissesse que tudo tem a ver com o formatar da direção, completando-a com o que se pode adicionar para os avanços (força pessoal, treinamento intelectual e vontade) e assim reforçar seu sentido de execução tática até que tudo seja incorporado dentro do que você pretende.

O que poderia valer mais: Saber dirigir de fato ou ser o melhor teórico conhecedor das leis (que regulamentam a boa condução do que fazemos)? Nesse caso se tivesse que optar por um dos dois, iria ser aquele que na prática aprendeu a dirigir pela persistência até que a evolução me conduzisse por antecipação à sensibilidade e conhecimento do saber desviar, do brecar e do acelerar para distanciar-me dos problemas. Por outro lado teria a consciência contínua pela necessidade de acrescentar os acessórios faltantes para completar as garantias de seguranças e desenvolvimento ao já que vem sendo feito.

O encontrar da direção é muito mais profundo do que ter objetivos claros na vida, ou mesmo qualificação adequada ao seu exercício. A direção define por onde começamos e projeta possibilidades para que possamos chegar aonde queremos, enquanto os objetivos são possibilidades mutantes que acompanham a própria evolução da maturidade, decorrentes de erros e acertos versus resultados.

Sua trajetória deve ser enriquecida para uma formação variável de possibilidades, que garantam percepções de que diferentes caminhos podem ser usados, para superar os desvios e atingir os objetivos compostos pela direção.

Querer ser o melhor dos melhores (novamente uma tese temporária) está pela perspectiva de conseguirmos alcançar a própria visão analítica que destine as direções, formulando equações longe das que só medicam, mas não curam e dos modelos afirmativos dos que querem vender sua teses, do tipo assino, mas não garanto ou executo.

“O ADMINISTRAR USA E MUITO AS CIÊNCIAS EXATAS, MAS MESMO A MATEMÁTICA OFERECE INÚMERAS ALTERNATIVAS PARA PODER FAZÊ-LO CHEGAR (EM MUITAS VÊZES) ANTES QUE OS OUTROS TENHAM SEQUER PENSADO EM INICIAR”.

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O real sentido da palavra "Administração"

Segunda, 28 de Julho de 2008
A administração é pertinente a todo o tipo de empreendimento humano que reúne, em uma única organização, pessoas com diferentes saberes e habilidades, sejam vinculados às instituições com fins lucrativos ou não. A administração precisa ser aplicada aos sindicatos, às igrejas, às universidades, aos clubes, agências de serviço social, tanto como nas empresas, sendo responsável pelos seus desempenhos.

Segundo Drucker (2001), os administradores que entenderem os princípios essenciais da administração e trabalharem por eles orientados, serão bem-formados e bem-sucedidos.

A administração trata dos seres humanos. Sua tarefa é capacitar as pessoas a funcionar em conjunto, efetivar suas forças e tornar irrelevantes suas fraquezas. É disso que trata uma organização, e esta é a razão pela qual a administração é um fator crítico e determinante. Hoje em dia, praticamente todos nós somos empregados por instituições administradas, grandes ou pequenas, empresariais ou não. Dependemos da administração para nossa sobrevivência. E a nossa capacidade de contribuição à sociedade também depende tanto da administração das organizações em que trabalhamos quanto de nossos próprios talentos, dedicação e esforço.
O real sentido da palavra
A administração está profundamente inserida na cultura, porque ela trata da integração das pessoas em um empreendimento comum. O que os administradores fazem na Alemanha Ocidental, no Reino Unido, nos EUA, no Japão, ou no Brasil é exatamente o mesmo. Como eles fazem é que pode ser bem diferente. Assim, um dos desafios básicos que os administradores enfrentam em países em desenvolvimento é descobrir e identificar as parcelas de suas próprias tradições, história e cultura que possam ser usadas como elementos construtivos da administração. A diferença entre o sucesso econômico do Japão e o relativo atraso da Índia é explicado em grande parte, porque os administradores japoneses conseguiram transplantar conceitos administrativos importantes para seu próprio solo cultural e fazê-los crescer.

Toda empresa requer compromisso com metas comuns e valores compartilhados. Sem esse compromisso não há empresa, há somente uma turba. A empresa tem de ter objetivos simples, claros e unificantes. A missão da empresa tem de ser suficientemente clara e grande para promover uma visão comum. As metas que a incorporam devem ser claras, públicas e constantemente reafirmadas. A primeira tarefa da administração é pensar, estabelecer e exemplificar esses objetivos, valores e metas.

A administração deve também capacitar a empresa e cada um de seus componentes a crescer e se desenvolver à medida que mudem necessidades e oportunidades. Toda empresa é uma instituição de aprendizado e de ensino. Treinamento e desenvolvimento precisam ser instituídos em todos os níveis da sua estrutura - treinamento e desenvolvimento incessantes.

Toda empresa é composta de pessoas com diferentes capacidades e conhecimento, que desempenham muitos tipos diferentes de trabalho. Deve estar ancorada na comunicação e na responsabilidade individual. Todos os componentes devem pensar sobre o que pretendem alcançar - e garantir que seus associados conheçam e entendam essa meta. Todos têm de considerar o que devem aos outros - e garantir que esses outros entendam. E todos têm de pensar naquilo que eles, por sua vez, precisam dos outros - e garantir que os outros saibam o que se espera deles.

Nem o nível de produção nem a "linha de resultados" são por si sós, uma medição adequada do desempenho da administração e da empresa. Posição no mercado, inovação, produtividade, desenvolvimento do pessoal, qualidade, resultados financeiros, todos são cruciais ao desempenho de uma organização e à sua sobrevivência. Também as instituições não-lucrativas precisam de medições em algumas áreas específicas às suas missões. Tanto quanto um ser humano, uma organização também necessita de diversas medições para avaliar sua saúde e seu desempenho. O desempenho tem de estar entranhado na empresa e na sua administração; precisa ser medido, ou ao menos julgado, além de ser continuamente melhorado.

Finalmente, a única e mais importante coisa a lembrar sobre qualquer empresa é que os resultados existem apenas no exterior. O resultado de uma empresa é um cliente satisfeito. O resultado de um hospital é um paciente curado. O resultado de uma escola é um aluno que aprendeu alguma coisa e a coloca em funcionamento dez anos mais tarde. Dentro.

A administração para Drucker (2002) é considerada como uma "arte liberal". É "arte" porque, como vimos, é prática e aplicação e é "liberal" porque trata dos fundamentos do conhecimento, autoconhecimento, sabedoria e liderança. As origens do conhecimento e das percepções estão nas ciências humanas e sociais, nas ciências físicas e na ética, que devem estar focados sobre a eficiência e os resultados das organizações.

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TRÊS DICAS DE CARREIRA PARA NOVOS PROFISSIONAIS

Quarta, 19 de Março de 2008
Quando ministro palestras para um público que está iniciando sua carreira profissional ou freqüentando os cursos de graduação nas faculdades, muitos profissionais me perguntam sobre qual será o futuro das carreiras profissionais. Diante disso, vou destacar três tendências que as carreiras profissionais devem seguir nos próximos anos:


A valorização dos cursos de graduação de curta duração
Ainda existem empresas que menosprezam a qualificação e formação dos profissionais que cursaram cursos de graduação de curta duração, entre dois anos e dois anos de meio. Aqueles que normalmente discriminam tais profissionais, não raro, são profissionais que se formaram em cursos de graduação tradicional e se ressentem que profissionais possam ter um diploma de graduação estudando a metade do tempo que estudaram.

Por outro lado, os cursos de curta duração conseguiram eliminar o que os cursos de longa duração têm: conteúdo desnecessário. Além disso, oferecem ao profissional conteúdo prático e focado, formando profissionais que procuram uma formação específica. Outro segredo desses cursos é que eles são recheados de trabalhos acadêmicos, o que obriga o profissional a realizar diversas apresentações no decorrer dos semestres, aprimorando sua habilidade de falar em público.

Para o profissional, saliento dois fatores positivos: Primeiramente, o fator 'tempo', pois possibilita conseguir um diploma em pouco tempo e, quando ele começa a se cansar de estudar, acabou! Em segundo lugar, destaco a possibilidade de obter dois diplomas em quatro anos, um de graduação e uma pós-graduação num período equivalente ao que muitos levam para conseguir apenas a graduação.

Diante desses e outros fatores, acredito que o futuro será dos cursos de graduação de curta duração, limitando os cursos convencionais de quatro ou mais anos a profissões regulamentadas como engenharia, medicina e outros.


A valorização das habilidades de comunicação e apresentação

Não é de hoje que se fala sobre a importância de se comunicar bem. No entanto, uma olhada rápida nos profissionais das universidades mostra que grande parte destes está muito longe do que podemos classificar como bons apresentadores e comunicadores. É suficiente observar como esses profissionais se comportam diante do público durante as apresentações de suas idéias e resultados dos seus trabalhos acadêmicos, para notarmos como demonstram enorme nervosismo e inibição, além das dificuldades para expor pensamentos e idéias com clareza.

A habilidade da comunicação deve ser treinada desde o berço, pelos pais, quando estimulam seus filhos a exporem seus pensamentos e sentimentos, bem como corrigem e educam na melhor forma de serem compreendidos. Infelizmente, o que vemos nesse sentido é exatamente o contrário, pois muitos pais estão despreparados para ajudar seus filhos a se comunicarem bem.

Na universidade não é diferente, pois se exige que os candidatos profissionais façam apresentações, pontuando a capacidade de eles exporem suas idéias. Porém, pouco se faz para que eles recebam instrução sobre como se comunicarem adequadamente e de forma prática. Por fim, profissionais com incapacidade de conduzirem negociações e realizarem apresentações vão procurar emprego e as empresas os barram após a entrevista, mesmo que tenham boa qualificação profissional.

Portanto, a dica é: Não seja um bom comunicador e apresentador, seja excelente nesse sentido. Use o que for necessário: cursos de oratória, teatro, canto ou o que lhe ajudar. Apenas livre-se dos seus medos de falar em público e veja como obterá bons resultados. Observo resultados satisfatórios sobre aqueles que se dispuseram a fazerem cursos de aprimoramento na comunicação.


Crie oportunidades para sua vida profissional
Muito reclamam sobre oportunidades e dizem que, para eles, não surgiram oportunidades na vida. Sinto em dizer-lhe, mas as oportunidades, na maioria das vezes, são criadas por nós mesmos. Pessoas inteligentes sempre estão atentas para criarem possibilidades de negócios.

Esperar que uma grande oportunidade caia do céu em sua cabeça é um erro que muitos cometem. Ao contrário do que estes pensam, as portas não se abrem automaticamente, precisamos abri-las à força, às vezes com a ajuda de um pé-de-cabra. Precisamos olhar acima e buscar possibilidades de crescimento ao invés de ficar choramingando a situação que vivemos. Temos de fugir da perigosa 'zona de conforto', que nos torna profissionais medianos e incapacitados para novos desafios.

Profissionais que souberam aproveitar grandes oportunidades, não raro, estavam preparados para elas, tiveram coragem para aceitar desafios e não se acomodaram contentes com o que tinham. Diante de tudo isso, pare e pense até que ponto você está preparado, disposto e corajoso o suficiente para aceitar novos desafios profissionais. Uma promoção, uma nova conta de cliente ou um novo emprego muitas vezes esbarra em pequenos detalhes, como aquele curso de línguas que você parou, a faculdade que não terminou ou aquele novo conceito que você não aprendeu.

Parar no tempo é como entrar em estado de inatividade profissional: todo mundo vai caminhando a sua volta e você está lá, parado, achando que todas as coisas continuarão como sempre foram.

Construir uma carreira não é uma tarefa fácil, especialmente para aqueles que estão começando, mas essas dicas, se aplicadas, podem colaborar para seu sucesso profissional.

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GERAÇÃO DIPLOMA

Segunda, 17 de Março de 2008
De acordo com o escritor e historiador português João Pedro Ribeiro que viveu no Século XIX, doutor em Cânones pela Universidade de Coimbra, a palavra "diploma" é originária do grego e significava o conjunto de duas tabuinhas ou, em tempo futuro, de duas placas de bronze ligadas entre si, sobre as quais os romanos transcreviam o texto das constituições imperiais toda vez que se atribuía o direito de cidadania a um militar que se distinguia por seus feitos honrosos.

Na Grécia Antiga, a palavra diploma significava basicamente um pedaço de papel (papiro ou pergaminho), dobrado em duas partes. O diploma era utilizado como salvo-conduto para os funcionários públicos se locomoverem de um local para outro, uma espécie de passaporte nos dias de hoje. Gaius Suetónius Tranquillus, historiador latino do Século I, classificava como diploma "todos os atos imperiais divulgados em forma de documento dobrado em duas partes".

A partir da queda do Império Romano até o período da idade Média, também conhecida como Idade das Trevas, o termo diploma caiu em desuso. Com o fim da Idade Média, os humanistas, sobretudo os historiadores, ressuscitaram o vocábulo, praticamente ignorado durante esse período, levando-se em conta, por imposição da Igreja Católica, que somente os Padres, Bispos, Papas e religiosos nomeados por eles tinham livre acesso ao conhecimento.

Durante o Renascimento as universidades passaram a utilizar o termo como certificado de conhecimento, conferido por uma instituição de respeito em virtude dos ensinamentos adquiridos por alguém e com o devido reconhecimento de quem lhe conferiu o saber. Do Renascimento em diante, a palavra diploma passou a designar, num sentido genérico, todo o ato escrito que assenta num for­mulário e que deriva de uma chancelaria, eclesiástica ou civil, ou aquele que foi lavrado por determinação ou intervenção de uma instituição qualificada.

Até a metade do século passado, o diploma era símbolo de status e de reconhecimento conferido para poucos privilegiados. Em 1890, o Brasil contava com apenas 2.300 estudantes matriculados em escolas de nível superior. Antes disso, as instituições de ensino superior eram de origem católica ou criadas pelas elites locais, em geral apoiadas por governos estaduais ou instituições privadas com prioridade na disseminação de conhecimento para os próprios "filhinhos de papais", de políticos e outros apadrinhados.

A partir da Constituição Federal de 1891 - que descentralizou o ensino superior, delegou-o para os governos Estaduais e permitiu a criação de instituições privadas - o ensino recebeu uma nova conotação e cresceu de forma vertiginosa.  Em 1915, o número de alunos matriculados somava mais de 10 mil. Em 1930, quase 20 mil. Em menos de 20 anos foram criadas 27 novas instituições de ensino superior no país. E saiba que a gratuidade no ensino público superior foi instituída somente a partir de 1950.

De acordo com o relatório Mapa do Ensino Superior Privado, de autoria da Professora Doutora Gladys Beatriz Barreyro, divulgado pelo INEP - Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, em 2004 o Brasil contava com mais de 4 milhões de alunos matriculados em mais de 2000 instituições de ensino superior, públicas e privadas, tais como: universidades, centros universitários, faculdades, faculdades integradas, institutos e centros de educação tecnológica.

A rede de ensino superior no Brasil oferece anualmente em torno de 2.500.000 vagas, de norte a sul do país, distribuídas por mais de 18.600 mil cursos de graduação presenciais, para todos os gostos, rendas e classes, sem contar ainda os cursos de ensino à distância reconhecidos pelo Governo Federal. Trata-se de uma verdadeira indústria do diploma, um símbolo de prestígio muito perseguido nas duas últimas décadas do século passado.

Algumas palavras do meu pai permanecem vivas ainda hoje na minha mente. Eu devia ter uns dez ou doze anos de idade e não cansava de ouvi-lo repetir: - estude, meu filho, estude, para conseguir um diploma, arranjar um bom emprego e gozar de todos os benefícios para o resto da sua vida. E assim ocorreu durante vinte e quatro anos, desde o primeiro ano do ensino fundamental até a conclusão do mestrado.

Naquela época o segundo grau era mais do que suficiente. Nos dias de hoje, até mesmo um diploma de doutor não garante a sobrevivência. Ao contrário, quanto maior o título, menor a possibilidade de conquistar uma vaga no mercado de trabalho que busca a simplicidade para enxugar custos e garantir a competitividade no mundo globalizado.

Quando eu concluí o segundo grau, me disseram que era necessário curso superior. Depois de apresentar o diploma da faculdade fui aconselhado a buscar uma especialização. Paralelamente, me exigiram inglês, espanhol e outros cursos de desenvolvimento pessoal e profissional. Agora me dizem que o mandarim está na moda e vale a pena arriscar umas palavras em chinês por conta da globalização e do crescimento econômico da China.

Até há pouco tempo eu imaginava que isso não tinha limites. Depois de tudo isso, a tendência é voltar ao passado, pois não há espaço nem reconhecimento para tantos graduados, especialistas, mestres, doutores e pós-doutores no mercado de trabalho. Um diploma de técnico é mais do que aconselhável no momento em que o "espetáculo do crescimento econômico" tende a fazer alegria dos bancos, das indústrias e do comércio em geral.

O Brasil transborda de filhos da Geração Diploma, a geração estimulada a correr atrás de um canudo a partir da década de 1980 pelo fato de as grandes empresas, principalmente multinacionais, restringirem o acesso de profissionais sem curso superior aos cargos de liderança. Por conta da falta de diploma, milhares de profissionais perderam o emprego e milhares de diplomados foram contratados pela metade do salário, ainda que a qualidade do ensino seja questionável, mas o fato é que diploma traduz esforço e, supostamente, competência.

A questão mais intrigante vem depois da conquista do diploma: e agora, o que é que eu faço com isso? Outras questões serão o martelo da sua consciência onde quer que você vá, em cada projeto que você participa, em cada entrevista de emprego, em cada momento em que você é submetido a um teste de integridade, quando se vê obrigado a provar ao mundo que o seu diploma tem valor e o esforço de tantos anos não foi em vão.

Conquistar um diploma é o sonho de consumo da juventude globalizada e, obviamente, um objetivo importante a ser perseguido. Entretanto, mais importante que a obtenção de um diploma é escolher a profissão que reflete a sua verdadeira vocação. Assim, quando o canudo vier, você poderá rir do sofrimento acumulado durante quatro a seis anos de estudo, além de vislumbrar um futuro promissor dentro da profissão que escolheu e aprendeu a amar por conta de um diploma que lhe conferiu, além do título, sentido de realização.

Um simples diploma não garante o sucesso de ninguém, mas a dedicação existente por trás de um diploma faz muita diferença. É a dedicação, e não o título, que vai atestar a sua capacidade de realização no mundo.

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Inove ou Morra

Sabado, 16 de Fevereiro de 2008
Criou-se uma mentalidade de que a inovação é divertida e desejável (coisa de gente inteligente), enquanto que o trabalho rotineiro é chato e pouco valioso (trabalho braçal). Tom Peters, por exemplo, infernizou a vida de todo mundo dizendo que todos nós devemos inovar o tempo inteiro. Obviamente, isso é impossível de fazer, e até destrutivo, mas mesmo assim tem gente preocupada porque passou 24 horas sem ter uma idéia genial.

Segundo Robert Sutton, professor de administração em Stanford, ao invés de pensar "Inove ou morra", algumas pessoas deveriam pensar "Inove e morra", porque muitas novas idéias e práticas são simplesmente péssimas, e muitas das idéias e práticas antigas são muito boas - é por isso que sobrevivem até hoje. Entretanto, também não podemos ficar estacionados no tempo, enquanto os concorrentes melhoram. O que precisamos, então, é descobrir um jeito de criar novas idéias que sejam realmente produtivas. Acontece que muitas pessoas falam que querem inovação e criatividade dentro da empresa, mas não querem mexer nos seus preconceitos nem mudar sua forma de trabalhar.

Ninguém viu - Criatividade, já disse um pensador , é olhar o que todo mundo olhou e ver o que ninguém viu. Para conseguir essa visão diferenciada, precisamos de gente nova ou gente diferente na empresa. Infelizmente, com grande freqüência encontramos nas empresas pessoas com perfis muito parecidos e visões parecidas do mundo, da concorrência, do mercado, etc. Pela minha experiência, pessoas contestadoras duram pouco em empresas brasileiras. Afinal, somos treinados desde a infância a aceitar o que nos dizem e não questionar muito.
Inove ou Morra
Mas precisamos de mais gente questionando se quisermos novos conceitos sendo desenvolvidos internamente - afinal, não podemos ficar eternamente atrás da concorrência, copiando tudo o que os outros fazem, sempre um passo atrás.

Bola de cristal - Para surgirem boas idéias, precisamos ter muitas idéias - a maioria ruins. Ao analisar o trabalho de alguns gênios artísticos, Sutton descobriu que essas pessoas não tinham uma porcentagem maior de sucessos - elas simplesmente produziam muito mais, e de formas diferentes. Ou seja, tinham mais sucessos, mas também mais fracassos. Isso funciona para empresas também.

Todos odiamos o fracasso, mas a verdade é que até hoje ninguém conseguiu descobrir um jeito de só ter idéias boas. Não existe bola de cristal que nos ajude a prever se uma idéia vai realmente decolar ou não. Analise sua própria empresa: quantas vezes um produto ou serviço que tinha tudo para dar certo acabou com uma performance medíocre? Quantas vezes somos surpreendidos por um produto ou serviço que alcança resultados positivos inesperados? Isso acontece o tempo inteiro: é quase impossível prever resultados concretos, por mais 'bagagem' que sua equipe tenha.

Experimentar é preciso - Somos tão ruins em prever sucessos e fracassos que muitas vezes a única forma de descobrir se alguma coisa vai funcionar ou não é experimentando. Mas o que fazer se não funcionar? A maioria das empresas castiga de alguma forma as pessoas envolvidas no projeto, ao invés de aprender com o assunto. Só que a verdadeira aprendizagem ocorre quando as coisas dão errado. Alguém que só teve sucessos não aprendeu muita coisa, e possivelmente não saberá o que fazer caso alguma coisa diferente ocorra.

Logo, as empresas têm que estimular novos projetos, estimular sucessos, dissecar e aprender com os fracassos e somente castigar a falta de atividade (principalmente mental) - este sim o maior pecado que podemos cometer. Um dado interessante: de acordo com Sutton, que estudou profundamente o assunto, a melhor forma de fazer com que uma idéia funcione é acreditando nela de verdade.

Crença no sucesso - Mais de 500 estudos realizados até hoje demonstram claramente que a crença no sucesso de uma idéia, mesmo que sejam necessárias determinação e persistência, ajudam enormemente na sua realização.  O engraçado é que até mesmo acreditar firmemente em idéias erradas pode fazer com que elas acabem dando certo, pois mais uma vez a determinação e a persistência fazem com que as pessoas continuem lutando e se adaptando, transformando o conceito original errado em algo que no final dá certo.

E é isso o que realmente importa: dar certo. Para Sutton, a chave do sucesso a longo prazo não é a habilidade de inventar novos produtos ou serviços, mas sim a capacidade de adaptação, inventando novas formas de pensar e agir.

Diferencial competitivo - Existe uma verdade pouco comentada sobre a criatividade lucrativa: muitas vezes, os melhores resultados são conseguidos simplesmente copiando idéias antigas, adaptando-as para as novas condições, de novas formas, em novos lugares, novas combinações, etc.

Num mundo em que temos concorrentes cada vez mais agressivos, consumidores cada vez mais exigentes, e condições de mercado mudando a toda hora, a criatividade é sem dúvida alguma um grande diferencial competitivo. Entretanto, a criatividade causa desconforto, pois ela, por definição, muda a forma pela qual vemos o mundo e fazemos as coisas.

Mudanças - Para sobreviver e prosperar um condições cada vez mais complicadas, precisamos aprender a lidar com esse desconforto. Mais do que isso, temos que fazer todos na empresa aprenderem a lidar (e aceitar) as mudanças, e até mesmo encorajá-las e estimulá-las, para não correr o risco de terminarmos rodeados de dinossauros. E quem não conseguir se adaptar será inexoravelmente extinto.

O segredo então é continuar inovando, sem deixar de lado o que já está funcionando. Vamos aprender com nossos erros e continuar fazendo o que vem dando certo, adaptando as novas idéias de sucesso ao que já vem sendo feito. Quem fizer isso com certeza vai ganhar muito dinheiro.