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BRAINSTORMING E BRAINWRITTING: UMA TEMPESTADE DE IDÉIAS

Domingo, 16 de Dezembro de 2007
Com o mercado globalizado como está nos dias de hoje, os empresários não podem se dar ao luxo de qualquer vacilo. Uma disputa cada vez mais acirrada pela preferência do consumidor faz com que eles se envolvam numa outra briga com os concorrentes, na disputa pelos melhores talentos do mercado. São as cabeças pensantes que podem auxiliar uma organização na superação de cada novo desafio que surge por imposição da conjuntura global.

Uma boa política de gestão participativa que motive e estimule os colaboradores à superação, com a formulação de idéias e sugestões criativas, podem levar a empresa a uma racionalização e a conseqüente melhora dos lucros e dos resultados institucionais. Não é simples como fritar um ovo. Tampouco chega a ser complicado como disfarçar um bocejo diante de uma oratória cansativa. Basta descentralizar, delegando poderes àqueles que tem competência para usá-los, e evitar a obsolescência dos instrumentos promotores da motivação e da satisfação profissional. Pois, não se pode pretender que seus colaboradores fiquem indiferentes às melhores condições oferecidas a colegas de outras empresas. Tampouco se pode subestimar a tentação que o assédio da concorrência pode exercer sobre seus talentos. Negligenciar tais cuidados pode custar a perda de peças chaves e a volta à estaca zero.
brainstorming
O conhecimento das expectativas e das idéias dos funcionários sobre a empresa, aliado a uma abertura comunicacional, fecha com chave de ouro um processo de implantação da tempestade de idéias. A descentralização pela delegação de poderes e atribuições, torna mais flexível o processo decisório e estimula os colaboradores a participarem mais ativamente dos negócios da empresa, levando-os à satisfação profissional. Pois, ao se dar conta de que estão investidos de maiores responsabilidades sobre o futuro da empresa e que também participam das tomadas de decisões antes restritas aos gabinetes, sentem na própria pele os dramas vividos pela direção da empresa. Porquê, quando, como, onde e quanto, são dúvidas que eles passam a dividir com os patrões no dia-a-dia, que induzem-nos a agir proativamente, antecipando-se às necessidades com boas idéias e sugestões vencedoras, além de motivá-los a investir em seu auto-aperfeiçoamento. Todos querem, mostrar suas aptidões, sensibilizar os caça-talentos e assumir um cargo de maior responsabilidade, ninguém foge à regra. Eles se sentirão muito mais motivados a contribuírem com o aumento da produtividade e das vendas, além da redução dos custos, que levarão a empresa em direção à ambicionada excelência empresarial. É o que pode fazer a diferença entre o sucesso e o fracasso dos projetos em andamento.

Nesse contexto pode-se destacar duas ferramentas de eficácia comprovada, que devem ser implementadas simultaneamente, de modo a atingir todos os funcionários: o Brainstorming e o Brainwritting. Ambas possuem as mesmas configurações, exceto pelo fato de que a segunda é talhada para alcançar os mais introvertidos, isto é, aqueles colaboradores cuja dificuldade de comunicação inviabilizam a exposição de suas idéias pela via oral. Nestes casos, eles são estimulados a fazê-lo através de bilhetes que são depositados em urnas específicas para avaliação posterior. No conjunto, essas ferramentas de gestão objetivam assegurar o envolvimento de todos os funcionários com os negócios da empresa, estimulando-os a participarem e expressarem suas opiniões e idéias sobre os diferentes assuntos de interesse comum. Discussões sobre os rumos que devem ser tomados, as tendências do mundo dos negócios, as interferências da conjuntura econômica, as estratégias a serem traçadas, as inovações mercadológicas, enfim, deve-se trabalhar com todos os assuntos que, direta ou indiretamente, podem interferir nos negócios da organização.

Contudo, não se pode esperar grandes resultados se antes não houver um trabalho voltado a conscientizar todos os colaboradores sobre a importância de expor suas idéias assim que elas brotem, ou seja, sem se prender a muitas análises apenas pelo medo da exposição ao ridículo. Pois, está provado que muitas criações brilhantes foram concebidas a partir da lapidação de idéias aparentemente absurdas. Um exemplo? Um empresário descobre que os custos com a embalagem de seus produtos tornavam-nos pouco competitivos no mercado. Reúne seu pessoal em busca de soluções e alguém propõe de utilização de jornais como embalagem. A idéia foi aprovada e assim foi feito. Os custos diminuíram, mas a produção caiu pela metade. Então, descobriu-se que os empacotadores desperdiçavam boa parte do seu tempo, atraídos pelas matérias antigas dos jornais. Outra reunião e uma idéia macabra: "furem os olhos dos empacotadores!". É claro que a medida não foi adotada, mas a idéia absurda apontou o caminho: contratar empacotadores cegos.

Portanto, que não se iludam os que subestimam a capacidade inventiva de seus colaboradores em todos os níveis, com repressão às iniciativas e restrição a acessos, a concorrência está aí para ganhar. Então, o melhor que eles tem a fazer é encarar os fatos e partir para o ataque sem se descuidar da defesa. Ferramentas como o Brainstorming e o Brainwritting podem significar uma solução definitiva para os problemas da empresa, senão para todos, pelo menos para os mais cruciais.

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As 16 tendências do Marketing

Sexta, 14 de Dezembro de 2007
Com a evolução do mercado, o conhecimento adquirido pelo consumidor sobre os produtos e serviços ofertados, foi elaborada uma Pesquisa que apontou para dezesseis tendências culturais que estão afetando o mercado diretamente.

Logicamente o mercado evolui com as novas gerações, novas tecnologias, exigências do consumidor, novos concorrentes e tendências.

Nesta Pesquisa apontam-se essas tendências como:

1. Retorno às origens: a tendência de utilizar práticas antigas como âncoras ou suporte para os estilos de vida modernos;
2. Viver: o desejo de viver mais e desfrutar mais a vida;
3. Mudança de vida: o desejo de seguir um estilo de vida mais simples e menos agitado;
4. Formação de clãs: a crescente necessidade de se associar e pertencer a grupos para enfrentar um mundo mais caótico;
5. Encasulamento: o impulso de proteção quando o que acontece lá fora é muito difícil e assustador;
6. Volta ao passado: a tendência de as pessoas agirem e se sentirem como se fossem mais jovens que sua idade cronológica;
7. Egonomia: o desejo de oferecer a si mesmo posses e experiências;
8. Aventura da fantasia: a necessidade de encontrar válvulas de escapes emocionais para compensar as rotinas diárias;
9. FemininaMente: o reconhecimento de que homens e mulheres agem e pensam de maneira diferente;
10. Queda de ícones: a idéia de que 'se é grande, é ruim';
11. Emancipação: a emancipação dos homens de seus papéis masculinos estereotipados;
12. 99 vidas: a tentativa de aliviar as pressões do tempo fazendo muitas coisas de uma vez só;
13. Revanche do prazer: busca clara e 'assumida' do prazer, em oposição ao autocontrole e à privação;
14. S.O.S (Salve O Social): o desejo de tornar a sociedade mais responsável com relação à educação, à ética e ao meio ambiente;
15. Pequenas indulgências: uma inclinação para se satisfazer com pequenos exageros, a fim de obter um estímulo emocional ocasional;
16. Consumidor vigilante: a intolerância para com produtos de baixa qualidade e serviços inadequados.

Todos os pontos são percebidos e sentidos pelo consumidor, o mercado necessita estar atento aos desejos e necessidades deste consumidor mais ativo que está controlando muito mais as ações das organizações.
É importante que o profissional de Marketing saiba qual é a tendência do seu Segmento ou nicho de mercado, quem é seu consumidor e qual é o conhecimento deste consumidor com relação aos produtos ofertados, pela própria empresa e a concorrência.
Fonte: POPCORN, Faith, The Popcorn report. Nova York, 1992.

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Importações avançam e saldo comercial diminui em julho

Segunda, 6 de Agosto de 2007
As exportações e as importações brasileiras atingiram recorde em julho, mas o superávit comercial desacelerou pela terceira vez seguida em relação ao mês anterior.

O saldo foi positivo em 3,347 bilhões de dólares, ante 3,815 bilhões de dólares em junho e 5,659 bilhões de dólares em igual período do ano passado, informou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior nesta quarta-feira.

A mediana das projeções feitas por 21 analistas consultados pela Reuters apontava um superávit comercial de 3,5 bilhões de dólares em julho.

O saldo resultou de exportações de 14,120 bilhões de dólares e importações de 10,773 bilhões de dólares, as mais elevadas já registradas em um único mês.

A avaliação dos dados por média diária, contudo, mostra um desempenho menos favorável. As importações, nesse caso, deram um salto de 28,7 por cento frente ao mesmo mês de 2006, para 489,7 milhões de dólares, enquanto a média das exportações caiu 1,3 por cento, para 641,8 milhões de dólares.

O secretário de Comércio Exterior, Armando Meziat, afirmou que as importações estão sendo impulsionadas pelo câmbio valorizado e pelo consumo interno aquecido, mas estão crescendo "dentro do que nós imaginávamos".

Já as exportações, segundo ele, ainda surpreendem. Como resultado, o governo elevou de 152 bilhões para 155 bilhões de dólares a meta para as vendas externas no ano.

Segundo Meziat, a queda frente a julho de 2006 se explica porque, naquele mês, as exportações estavam se normalizando após um período de greve da Receita Federal e, com isso, foram especialmente elevadas.

"Ainda não dá para falar em perda de fôlego das exportações", afirmou Meziat a jornalistas, ponderando que a expectativa é de que as importações continuem crescendo mais do que as importações no ano --o que reduzirá o saldo comercial frente aos 46,2 bilhões de dólares de 2006.

Avaliação semelhante é feita pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi).

"A gradativa redução da taxa de crescimento das exportações, que vem ocorrendo nos últimos três anos, deve ser aprofundada em 2007; a progressiva majoração da taxa de aumento das importações iniciada em 2005 terá sequência neste ano; pela primeira vez desde o ano 2000, o resultado comercial declinará com relação ao saldo verificado no ano anterior", apontou a entidade em nota.

O Iedi calcula que o superávit comercial poderá cair para 39 bilhões de dólares este ano.

De janeiro a julho, o superávit comercial acumulado é de 23,985 bilhões de dólares. Nos últimos 12 meses, o saldo é de 45,25 bilhões.

As exportações somam nos primeiros sete meses do ano 87,334 bilhões de dólares e as importações, 63,349 bilhões de dólares.

Isabel Versiani E Vanessa Stelzer - Reuters

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Carga tributária se torna vilã da economia

Terça, 24 de Julho de 2007
A carga tributária está tomando o espaço dos juros altos como o principal vilão das empresas e dos consumidores brasileiros. É que o crescimento maior da economia e o processo de redução da taxa Selic tornaram mais visíveis as distorções econômicas provocadas pelo peso dos tributos.

A divulgação do resultado recorde de R$ 282,43 bilhões da arrecadação federal no primeiro semestre - que apontou crescimento real de 10% - mostrou de forma mais clara que as desonerações de impostos em conta-gotas feitas até agora pelo governo Lula não têm sido suficientes para conter a alta da carga tributária.

A avaliação é de que, em matéria de redução de impostos, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, é tão ou mais conservador do que o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, em relação à queda da taxa Selic.

A maior crítica é que o Ministério da Fazenda não está aproveitando o crescimento da arrecadação, puxado pela expansão da atividade econômica, para dar o pontapé inicial num processo efetivo de corte das alíquotas.

Pelo contrário, o aumento das receitas, provocado pela alta do Produto Interno Bruto (PIB) e da eficiência da máquina arrecadadora, tem sido usado para o governo gastar mais. Enquanto o governo calcula que desonerou R$ 30 bilhões entre 2004 e 2006, em apenas seis meses deste ano a arrecadação aumentou R$ 33,5 bilhões e já está R$ 5 bilhões acima do previsto no início do ano.

Fonte: G1

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Negócio oportuno - Desenvolver softwares e aplicativos destinados ao mercado mundial

Terça, 10 de Julho de 2007
Empresas criam centros no Brasil para desenvolver softwares e aplicativos destinados ao mercado mundial.

Mão-de-obra qualificada, flexibilidade para trabalhar em equipe e fuso horário compatível com o mercado norte-americano, o principal do mundo, são algumas características que têm atraído para o Brasil centros de competência, unidades regionais de multinacionais responsáveis pelo desenvolvimento de softwares e outros aplicativos que são distribuídos para toda a corporação. "As grandes empresas estão enviando maciçamente projetos para países em desenvolvimento, o que cria uma enorme oportunidade para lugares como o Brasil, possuidor de boa mão-de-obra em tecnologia e engenharia ", diz Cesar Gon, presidente da Ci&T Software. A empresa de Campinas, no interior paulista, atua na área de consultoria e desenvolvimento de aplicações e tem uma estrutura global de prestação de serviços que inclui seis unidades no Brasil, uma subsidiária nos Estados Unidos e um escritório em Londres, na Inglaterra.

Em abril, a Ci&T foi escolhida pela revista norte-americana Fortune entre as dez empresas rising stars, ou aquelas companhias que estão em ascensão no mercado mundial de outsourcing, atividade da área de tecnologia da informação (TI) que produz soluções de software para outras empresas. A pesquisa The Global Outsourcing 100 foi realizada em parceria com a Associação Internacional de Profissionais em Outsourcing (IAOP na sigla em inglês).

As perspectivas brasileiras no mercado de software internacional é conseguir US$ 5 bilhões em vendas externas em 2010, gerando 100 mil novos empregos, num mercado mundial estimado em US$ 100 bilhões, segundo a Associação Brasileira das Empresas de Software e Serviços para Exportação (Brasscom), com sede no Rio de Janeiro. Um salto significativo em relação aos US$ 800 milhões contabilizados como exportações brasileiras de softwares no ano passado. "A Índia deve ficar com US$ 60 bilhões do total em 2010 e os outros US$ 40 bilhões restantes serão distribuídos entre países como China, Rússia, Malásia, México e Brasil", diz Ricardo Saur, diretor da Brasscom. "Na pior das hipóteses, conseguiremos ficar com 5%", completa.

Treinamento contínuo - Na avaliação de Geraldo Gomes, gerente sênior do Centro de Desenvolvimento de Software da Dell, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, para atingir essa meta é necessário primeiro resolver alguns entraves, como domínio do inglês entre analistas e técnicos, além de treinamento contínuo para acompanhar as mudanças tecnológicas.

Uma pesquisa feita pela Ci&T Software sobre os centros de competência em tecnologia da informação no Brasil apontou um outro problema mais sério, que dificulta a "venda" da TI nacional para as matrizes das multinacionais: o não cumprimento de prazos. Esse fator foi citado repetidamente como negativo pela matriz das corporações. O levantamento foi realizado com executivos do primeiro escalão da área de tecnologia da informação, representantes de 46 empresas norte-americanas e européias, todas com presença significativa no Brasil. Dessas, 20 têm centros de competência em TI nos Estados Unidos, nove no Brasil, enquanto França, Inglaterra, Alemanha e Índia possuem, cada um, sete centros.

"Temos que buscar o nosso espaço, porque hoje os indianos já não conseguem atender o mercado mundial", diz Gomes. A Índia lidera esse mercado desde a metade da década de 1990, quando as empresas começaram a diminuir as áreas de TI e a passar para companhias especialistas toda a parte de desenvolvimento, manutenção e suporte de aplicações. Inicialmente, essa atividade terceirizada, chamada de outsourcing, ficava circunscrita ao próprio país onde as empresas estavam sediadas. Com o passar do tempo, a terceirização extrapolou as fronteiras entre os países, alavancada pelo movimento indiano, e ficou conhecida como offshoring. "Os principais atrativos para que isso ocorresse foram a capacitação técnica e a mão-de-obra muito mais barata do que nos países desenvolvidos", diz Gon, da Ci&T.

Que a Índia vai continuar a liderar o mercado por muitos anos é consenso entre os especialistas consultados. Mas existe um movimento, ainda tímido, que conta com a participação do governo, de entidades representativas dos exportadores e produtores de software e de empresas para que o Brasil atinja um outro patamar no setor de tecnologia da informação. "Existe uma demanda nos Estados Unidos ainda não atendida e, a nosso favor, temos vantagens culturais e de fuso horário em relação à Índia e ao restante da Ásia", diz Gomes. A Lei de Informática é citada pelo executivo como um dos atrativos para as grandes empresas criarem os centros de desenvolvimento de software no Brasil. Pela lei, a empresa tem benefícios fiscais com a produção local, mas deve investir cerca de 2,5% de sua receita bruta em pesquisa e desenvolvimento no país. Ele ressalta, no entanto, que sem mão-de-obra qualificada o empreendimento não se mantém. "Quando as empresas descobrem que o país tem mão-de-obra de ponta, e esse é um dos pontos fortes daqui, acabam investindo mais do que pensavam inicialmente", diz.

O centro da Dell começou com projetos piloto de desenvolvimento de softwares em parceria com a Pontifícia Universidade Católica (PUC) em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. "Fomos a primeira empresa a se instalar no Parque Científico e Tecnológico da universidade em 2002", diz o executivo. Hoje o TecnoPUC conta com 31 empresas e entidades instaladas. Além da Dell, são empresas-âncoras a HP, a Sonae e a Microsoft. O centro brasileiro produz software para uso global da Dell. "É um grande exportador de software e acaba trazendo problemas bem complexos para a universidade", diz Gomes. Entre os aplicativos desenvolvidos no centro da Dell encontram-se os de suporte para a área financeira e aqueles para os processos de venda, como a loja on-line da América Latina, desenvolvida e mantida em Porto Alegre, e os call centers, além do suporte para as ferramentas exigidas na engenharia de produtos. O centro do Brasil foi o primeiro da Dell a operar fora dos Estados Unidos. Depois desse grupo operacional, outros dois foram instalados na Índia, em Bangalore e Hyderabad, na Rússia, em São Petersburgo, e o mais recente na Malásia. "O nosso foco são os sistemas globais, como um software para recursos humanos que envolve 80 mil usuários", diz Gomes.

Mercado estratégico - A gigante norte-americana de computadores instalou-se no Brasil em 1999, em Eldorado do Sul (RS). Em 14 de maio deste ano inaugurou uma segunda fábrica em Hortolândia, no interior paulista, que vai concentrar as linhas de montagem da empresa, reduzindo seus custos de logística. A Dell gera 1.200 empregos diretos e 600 indiretos no Brasil, um mercado considerado estratégico para a empresa, ao lado da Índia e da China. "Cerca de 95% do mercado de TI brasileiro é de desenvolvimento interno", diz Gomes. Enquanto o mercado internacional cresce 6% ao ano, o brasileiro aumenta de 18% a 20%. "Isso ocorre porque é uma economia bastante ativa, que ainda está em processo de informatização", diz José Antonio Antonioni, coordenador-geral da Associação para Promoção da Excelência do Software Brasileiro (Softex), entidade com sede em Campinas.

"O Brasil é um mercado de US$ 12 bilhões, muito atrativo para as empresas multinacionais", ressalta Antonioni. Por conta disso, muitas delas acabam estabelecendo centros de desenvolvimento no país para atender tanto o mercado interno como o externo. O grupo português Sonae, um dos maiores do setor de distribuição e de supermercados e lojas da Europa, criou a Tlantic Sistemas de Informação, também instalada no TecnoPUC de Porto Alegre, para desenvolver softwares para empresas do grupo espalhadas pela Europa.

A estratégia das multinacionais ao instalar esses centros nas filiais é a busca pela melhora dos serviços de TI. Ocorre que, como a gestão de tecnologia não é a atividade central dessas empresas, parte do serviço acaba sendo terceirizada para fornecedores locais. A Johnson& Johnson, que escolheu o Brasil, dentro da América Latina, para desenvolver produtos com qualidade e preços mais competitivos destinados ao mercado norte-americano e canadense, é uma das empresas que recorrem a parceiros como a Ci&T Software. Inaugurado em janeiro de 2005, o centro brasileiro de São José dos Campos, no interior paulista, chamado de captive center (centro cativo), conta com 128 funcionários, 44 contratados e 84 prestadores de serviços para desenvolvimento e manutenção de aplicações utilizadas pelas filiais e matriz.

De oito sistemas em 2005, o centro administra 35 aplicações atualmente. Dos 46 portais iniciais na internet, chegou a 180 gerenciados por aqui. "Do volume que produzimos mensalmente, 2% vão para a América Latina e 98% têm como destino a Johnson nos Estados Unidos e no Canadá", diz Argemiro Leite, o CIO, ou chief information officer, que é o profissional responsável pelo captive center da J&J.

Além da unidade de serviços de TI do Brasil, a empresa trabalha para a implementação de outras unidades, sendo a próxima na Ásia, possivelmente na Índia. "Do meu ponto de vista, o centro brasileiro é o mais forte de todos", analisa Leite.

Base industrial - Antecipando-se ao movimento das multinacionais de instalar centros de competência em suas filiais, a Motorola, empresa de hardware e software para comunicação, fornecedora de produtos e soluções de mobilidade nas áreas de banda larga, sistemas integrados e redes sem fio, com vendas de US$ 42,9 bilhões em 2006, iniciou em 1997 o seu Programa de Desenvolvimento Tecnológico no Brasil. Um ano antes, em 1996, a empresa decidiu fazer do Brasil a sua base industrial na América do Sul. Para isso, construiu o campus industrial e tecnológico no município de Jaguariúna, no interior paulista, onde são produzidos celulares, equipamentos digitais de comunicação móvel e rádios bidirecionais. Hoje, a empresa, que conta com cerca de 900 engenheiros trabalhando na área de pesquisa e desenvolvimento na própria Motorola e instituições parceiras, é a maior exportadora de bens de tecnologia da informação do país, totalizando mais de US$ 5 bilhões desde o início das operações em 1997. O Brasil está entre os quatro países de interesse para a companhia no mundo, juntamente com Rússia, Índia e China.

"Além das exportações feitas pelos centros das multinacionais, existem várias empresas brasileiras que estão empreendendo ações para exportar softwares", diz Antonioni, da Softex. No rastro das grandes companhias estão, principalmente, pequenas empresas de consultoria e de desenvolvimento de aplicações que cresceram nesse mercado nos últimos anos, como é o caso da Ci&T Software. A empresa obteve R$ 8,8 milhões do seu faturamento de R$ 40 milhões registrado no ano passado com o desenvolvimento de soluções tecnológicas exportadas para dez clientes dos Estados Unidos. Criada por três jovens formados em engenharia da computação na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a empresa revela uma trajetória de crescimento de cerca de 40% ao ano desde a sua fundação há 12 anos. O primeiro contrato, no valor de R$ 50 mil, foi fechado com a IBM em 1995 para gerenciar redes de telecomunicações. Hoje a empresa conta com 500 profissionais.

O detalhe surpreendente nesse caso é que a Ci&T só começou a exportar há três anos, quando atingiu, numa escala de 5, o nível 3, de maturidade CMMI (capability maturity model integration), o mais respeitado padrão de qualidade de software no mundo. Em abril deste ano obteve a certificação no nível 5 para toda a empresa, resultado de um investimento de US$ 1 milhão em treinamento de pessoal e adequação de processos durante quatro anos. A certificação é um dos caminhos apontados por César Gon, presidente e um dos sócios da empresa, para as empresas que querem participar dos processos internacionais de venda de soluções de tecnologia da informação. "É preciso também ter unidades fora do Brasil, próximas do mercado que vai comprar esse tipo de oferta, principalmente nos Estados Unidos, na Europa e no Japão, os três grandes mercados internacionais", diz Gon.

Vender para o mercado externo era a meta da empresa desde o início. "Por mais insensato que parecesse na época, essa era a nossa ambição, e trabalhamos muito para que ela se tornasse realidade", diz Gon. A oportunidade concreta surgiu com o movimento de terceirização internacional de serviços de TI no final da década de 1990. A estratégia de exportação começou com um aporte de capital do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social Participações (BNDESPar). Hoje os três sócios originais detêm 85% das ações de capital fechado, e o banco governamental, os 15% restantes. "Ser uma empresa exportadora de TI é muito diferente de ser uma fabricante de equipamentos", diz Gon. "O que nos dá uma vantagem competitiva na exportação são os nossos profissionais, com sólida formação acadêmica."

Profissionais antenados com as novidades da área de TI serão necessários para que o país consiga crescer no ritmo imaginado pelos especialistas do setor. Para atingir a meta de exportar US$ 5 bilhões em 2010, eles estimam a criação de cerca de 100 mil novos empregos.

Dinorah Ereno
Revista Pesquisa Fapesp
Edição Impressa 136 - Junho 2007