Administrador
Quarta, 29 de Agosto de 2007
Para todas as pessoas que já possuíam ativos, as reformas financeiras foram uma bênção extraordinária. É como se aparecesse uma fada e com sua varinha de condão tivesse aumentado as contas bancárias. Mas a pergunta que se faz agora é o que a fada vai fazer (se realmente pensa em fazer alguma coisa) pelas pessoas que não tinham ativos financeiros em 2002, quando começou a expansão.
A magnitude dessa riqueza financeira que se materializou como por mágica é enorme. O valor das ações listadas no Brasil, por exemplo, cresceu de US$ 94,8 bilhões no terceiro trimestre de 2002 para pouco mais de US$ 1 trilhão em julho deste ano. Durante esse mesmo período, o montante administrado pelos fundos de pensão privados no Chile cresceu de US$ 33 bilhões para US$ 100,9 bilhões. O aumento foi de aproximadamente US$ 4.250 per capita. Mas a riqueza não se acumulou igualmente para todos os habitantes do país. Os lucros beneficiaram desproporcionalmente aqueles que tinham as ações que mais se valorizaram.
A pergunta é como conseguir lucros para os que, até agora, têm ficado de fora dessa festa. Essa idéia sempre esteve no ar, mas agora é urgente. A crítica é que os países que conseguiram grandes resultados com as reformas financeiras não têm feito o suficiente para levar os benefícios às classes média e baixa. Já os ricos ficaram extraordinariamente ricos. Caso sejam necessárias provas, o mexicano Carlos Slim ultrapassou Bill Gates como a pessoa mais rica do mundo. Todavia, enquanto isso, os assalariados de classe média estão no mesmo nível.

Há uma ampla gama de medidas que os países podem tomar. Muitas parecem atraentes, mas devem ser analisadas com cuidado porque podem enfraquecer ou descarrilhar a expansão financeira. A inovação que se discute aqui cria um novo tipo de ativo financeiro, que os participantes do mercado de capital poderiam comprar ou vender da mesma maneira que fazem com bônus ou ações. Ele funcionaria porque os mercados de capitais da região conquistaram a capacidade de captar e distribuir dinheiro. A inovação usa uma técnica moderna para fazer uma pequena, mas crucial mudança de risco em alguns tipos de bônus. Seu objetivo deverá ser o de canalizar grandes montantes para atividades novas e promissoras que hoje não recebem tanto financiamento quanto necessitam.
Como os mercados de capitais nacionais estão canalizando dinheiro para grandes empresas em vários países da região, apenas se devem modificar ligeiramente os fluxos de crédito nesses países de forma que os mercados canalizem o crédito para empresas menores. Estas, incluindo as que têm potencial para crescer rapidamente, não têm podido atrair muito financiamento porque são muito arriscadas. Tenta-se emitir bônus, mas os investidores são reticentes em comprá-los.
Uma maneira de resolver esse problema é identificar um grupo diversificado de empresas médias, por exemplo, vinte empresas de diferentes setores, de forma que seus riscos não estejam relacionados. Cada uma delas emite notas promissórias. Em seguida, juntam-se as notas em um grupo, que deve oferecer menos riscos que os papéis individuais que o compõem. O passo seguinte deve ser o de convidar investidores a comprar participações nesse pool.
Criar pools de notas arriscadas ajuda a reduzir o risco, mas o risco de investir em uma parte de um pool ainda pode ser grande. Um passo adicional é comprar uma garantia para esse fundo em uma seguradora internacional de primeiro nível. A garantia dá ao investidor um seguro contra perdas ou contra perdas maiores. Essas garantias já têm sido usadas na América Latina para conseguir financiamentos a projetos de infra-estrutura e não são proibitivamente caras. As companhias de seguro que as emitem são especialistas em avaliação de riscos e têm força financeira para cobrir as garantias que oferecem. Esse novo tipo de intermediação de risco pode superar um obstáculo que no passado bloqueou o acesso ao financiamento para muitas empresas médias na América Latina.
A inovação proposta deve ter um grande efeito. Essa afirmação fia-se em que, caso as companhias médias consigam financiamento suficiente, vão criar mais postos de trabalho. Além disso, essas vagas terão mais valor agregado, como salários maiores. Essa inovação pode ajudar a conservar os trabalhadores jovens e altamente qualificados, que constantemente recebem ofertas de empregos mais de acordo com seu nível.
John C. Edmunds Doutor em Administração de Empresas pela Universidade de Harvard, professor de finanças do Babson College em Boston e co-autor de Wealth by Association
Categorias:
Economia, Ação, Finanças, Valor Agregado, Expansão, Administração Financeira, Reforma Financeira, Ativo Financeiro, Bônus, Seguradora Internacional,
|
| |