Avatar

Orçamento é Matemática não Entusiasmo - Parte II

Domingo, 16 de Março de 2008
PREENCHENDO O D.R.E.

RECEITA BRUTA

Receita bruta são as vendas totais da empresa. Na prática é o dinheiro total que a empresa recebe como resultados dos produtos vendidos sem nenhuma dedução de nenhuma natureza. É a multiplicação entre unidades de produto vendidas pelo preço de venda.

Este valor pode e deve contemplar provisões, ou "colchões" dos mais diferentes tipos. Exemplo: Provisão para flutuação do dólar, diferenças no frete entre estados, etc...

(-) deduções de imposto, devoluções de produtos, descontos

RECEITA LÍQUIDA

É o valor as vendas totais (-) as deduções.

Exemplo:

Receita Bruta de Vendas = 100.000,00
(-) Devoluções de Vendas= 10.000,00
(-) Descontos Comerciais = 1.000,00
(-) Impostos incidentes sobre vendas = 40.000,00
Receita Líquida = 49.000,00

Continuando...

(-) custo dos produtos vendidos

Estes custos estão relacionados a produção do bem ou serviço. Os custos podem ser de várias natureza,s fixos ou variáveis, mas sempre relacionados ao processo de produção.

LUCRO BRUTO

É resultado das dedução dos insumos. No caso de um distribuidor ou varejo, as deduções estão relacionadas ao produto acabado. No caso de um fabricante, os insumos correspondem a matéria prima.

Exemplo: continua....

Receita Bruta de Vendas = 100.000,00
(-) Devoluções de Vendas= 10.000,00
(-) Descontos Comerciais = 1.000,00
(-) Impostos incidentes sobre vendas = 40.000,00
Receita Líquida = 49.000,00
(-) Custos = 30.000,00
Lucro Bruto = 19.000,00

Um parêntese para dois conceitos extremamente importantes:

MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO

Uma pausa para entender um conceito extremamente importante. A MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO.

. Margem é a diferença entre o valor da venda e total dos custos mais despesas.
. Contribuição representa quanto efetivamente sobra de "dinheiro" da venda para pagar as despesas fixas.
. Margem de contribuição unitária refere-se a quanto cada produto ou serviço deve contribuir para pagar as despesas fixas totais da empresa.

PONTO DE EQUILÍBRIO (ou BEP "break even Point")

É o ponto em que o total das receitas é igual ao total das despesas. Ou seja, onde o Lucro é igual a zero.

Orçamento é Matemática não Entusiasmo - Parte II


Veja que os custos fixos são estáveis e compreendem a "capacidade de produção ou produtividade" da empresa para gerar determinado volume de produtos ou serviços. Quando a produção ou produtividade atinge seu pico, é necessário aumentar sua capacidade, portanto o custo fixo. Nesta fase o "ponto de equilíbrio" muda de patamar exigindo um volume de vendas maior e assim sucessivamente.

DRE - retornando...

DESPESAS

São os gastos administrativos e financeiros que não estão relacionados ao processo de fabricação, mas são fundamentais para operação como, por exemplo, aluguel, telefone, luz, salário, etc... As despesas também podem ser fixas ou variáveis.

O controle das despesas é fundamental para maximização do lucro. Normalmente estas despesas são as que surpreendem, ou seja, é como na economia doméstica, você tem tudo no orçamento, mas não sabe onde o dinheiro foi parar quando vê que está no negativo no fim do mês.

(*) aqui entram as despesas de financiamento bancário. Não se esqueça de lançá-las nesta etapa. Os juros do financiamento bancário, lançados como despesas, podem ficar um pouco menor diferentemente de aporte de capital por sócios.

LUCRO ANTES DO IMPOSTO DE RENDA

Não esqueça que antes de "colocar o dinheiro no bolso" tem que pagar o imposto de renda. Consulte a tabela do IRPF para saber qual a alíquota correta.

Enfim... o LUCRO LÍQUIDO.

Exemplo: continua....

Receita Bruta de Vendas = 100.000,00
(-) Devoluções de Vendas= 10.000,00
(-) Descontos Comerciais = 1.000,00
(-) Impostos incidentes sobre vendas = 40.000,00
Receita Líquida = 49.000,00
(-) Custos = 30.000,00
Lucro Bruto = 19.000,00
(-) Despesas = 10.000,00
Lucro antes do IR = 9.000,00
(-) impostos
Lucro líquido= ( deve ser positivo! )

Não menos importante, aí vem a última ferramenta - o FLUXO DE CAIXA

Esta ferramenta é fundamental para negócios que vendem muito a prazo.É também essencial para novos negócios que "fantasiam" que vão receber de seus credores tudo em dia, assim que vencerem as faturas.

A empresa precisa tomar cuidados especiais nas despesas que parecem pequenas e insignificantes, mas que são verdadeiros "incineradores" de dinheiro como, por exemplo:

. Descontos especiais sem contrapartida em volume de vendas.
. Créditos concedidos a maus pagadores conhecidos.
. Extensão de prazo de pagamento para o cliente sem renegociar o prazo de pagamento com os fornecedores.

O exercício de fluxo de caixa é diferença entre as fontes de receita versus custos e despesas. De preferência o resultado deve ser positivo! Utilize qualquer formato que melhor se adapte a realidade da empresa considerando:

A. FONTES DE ENTRADA

VENDAS À VISTA
% das vendas totais feitas à vista.

VENDAS A PRAZO
% das vendas totais feitas a prazo. Para fazer este cálculo encontre o prazo médio de vendas a crédito. Se o prazo médio é 30 dias, o valor colocado neste item está relacionado às vendas do mês anterior. Se for de 60 dias, de dois meses atrás e assim por diante. Aqui as coisas exigem somente disciplina, o cálculo continua simples. Apesar da simplicidade é muito fácil perder o controle e não saber quanto tem para receber.

EMPRÉSTIMOS DE CURTO PRAZO
Total Banco A
Total Banco B

EMPRÉSTIMOS DE LONGO PRAZO

NOVOS APORTES

B. FONTES DE SAÍDA
(-) despesas gerais
(-) fornecedores
(-) salários
(-) comissões
(-) amortização de empréstimos
(-) outro

C. SALDO
Saldo da semana
Saldo acumulado

"Muitas vezes nós medimos tudo e não entendemos nada. As três coisas mais importantes a medir em um negócio são: a satisfação dos clientes, a satisfação dos empregados e o fluxo de caixa." - Jack Welch

Avatar

Orçamento é Matemática não Entusiasmo - Parte I

Terça, 11 de Março de 2008
O orçamento mapeia as fontes de investimentos, receita e despesa necessários para implementação das estratégias definidas no "plano de negócios". Por isso os objetivos, estratégias e tácticas devem estar sincronizadas com o planejamento financeiro formando, juntos, um "plano de negócios" crível e que tenha o apoio de todos os níveis da empresa.

O efeito contrário é também o mais comum, ou seja, construir um orçamento baseado meramente na planilha do diretor financeiro. Neste caso torna-se um exercício unilateral e inflexível e, como conseqüência, perde credibilidade e tende a desaparecer ao longo do tempo, pois tem pouco ou nenhum valor agregado.

Cuidado para que o "poder do entusiasmo" de gestores mal preparados "mate sua empresa de fome". Não cometa o erro de embasar o orçamento com premissas intangíveis como, por exemplo:

. Dobrar as vendas, sem saber como irá financiá-las.

. Investir muito agressivamente em marketing, sem alocar os fundos compatíveis com o plano.

. Dobrar a margem, se sua empresa esta num mercado altamente competitivo e "comoditizado" e não têm bem definida outras fontes de faturamento com maior margem.

O ideal é seguir obcecadamente os objetivos definidos no "plano de negócios". Sé assim, os investimentos serão priorizados nas áreas que realmente farão a diferença - diferença competitiva!

Na construção do plano financeiro é necessário mais disciplina do que propriamente conhecimento financeiro.  São quatro as ferramentas básicas: Orçamento é Matemática não Entusiasmo

. As premissas e comentários;
. O Balanço;
. DRE (Demonstrativo de Resultados);
. Fluxo de caixa.

Negligenciar estas ferramentas pode colocar sua empresa em sérios problemas cuja resolução quase nunca vem a tempo de salvá-la da extinção.

Quanto maior a empresa, maior a necessidade de planejamento a longo prazo. No entanto, independente do tamanho, projete no mínimo 12 meses.

Depois do orçamento pronto, aí sim é que não dá para relaxar.

O acompanhamento e a disciplina orçamentária são essenciais na busca pela liquidez que émais importante que lucro. O que "quebra" uma empresa é a falta de liquidez. Empresas são inviabilizadas financeiramente mesmo apresentando lucros contábeis. O contrário também é verdadeiro, ou seja, empresas muitas vezes recorrem ou "jogam" com vários bancos para conseguirem o capital que precisam para operar o caixa.

Como buscar capital?
Os capitais de terceiros tem duas fontes basicamente: os não espontâneos, ou seja, os que são tomados normalmente no banco sobre condições bem definidas de juros, prazos para amortização, etc...  Estes exigem que sejam pagos de qualquer maneira e podem levar a empresa à falência.

Já os capitais de terceiros que entram na empresa como aportes por parte dos acionistas ou através da venda de um imóvel, por exemplo, mesmo que possam exigir retorno atrelado ao lucro não levam a empresa à falência.

POR ONDE COMEÇAR?

Um bom começo é listar as premissas básicas que regem o negócio e também servem de referência rápida. Alguns chamam de "pulso" da empresa.  Estas premissas são os pré-requisitos mínimos necessários para que o negócio seja lucrativo.

1. Comissões sobre vendas: máximo 10% sobre a margem gerada
2. Custo de armazenagem: entre 1% e 2% sobre o valor do estoque
3. Custo do frete: entre 1% e 3% dependendo da localização e urgência
4. Dias de giro-de-estoque: média de 20 dias
5. Custo da mercadoria vendida: inferior a 35% do preço final de venda
6. Venda a crédito: inferior a 30% do total das vendas. Prazo máximo de 60 dias
7. Inadimplência: inferior a 1%
i. (*) Elabore uma política cautelosa de concessão de crédito
8. Capacidade de tomada de empréstimo em bancos: R$ 2.000.000,00
9. Taxa de juros bancário: inferior a 1,5%
10. Custo fixo: inferior a 20% sobre a margem gerada
11. Dólar máximo esperado: US$ 1 = R$1,80
12. Inflação máxima esperada: 4.5% ao ano

O passo seguinte é elaborar as projeções de venda e principalmente a rentabilidade.

Para esta complexa tarefa, é fundamental projetar cenários já que a empresa pode vender à vista, vender a prazo e ao mesmo tempo, ter que gerenciar a compra de matéria prima, custear a produção, manter estoque, pagar o salário dos funcionários e ainda gerar, mesmo que pareça uma tarefa quase impossível, lucro.

Criar cenários não significa que a empresa deva ter dez orçamentos. O ideal mesmo é investir tempo em fazer um único orçamento com premissas sólidas, cuidadosamente, matematicamente, analisadas sem o "poder de entusiasmo".

O DRE, demonstrativo de resultados, funciona mais ou menos como plano de vôo para os acionistas.

Esta ferramenta ajuda a manter o controle sobre receitas, custos e despesas.

Quanto menor a margem da empresa, menor o espaço para erros e negligências.

Por outro lado quando a margem da empresa é grande, o perigo também "assombra o lucro". Aumentam as probabilidades de descontroles. Aumentam as desculpas para justificar erros grosseiros de gestão ou os erros ficam normalmente "maquiados" pela sobra de dinheiro.

A regra a ser cumprida é a mesma independente da margem alta ou baixa. EVITAR SURPRESAS!

Nos Estados Unidos e Europa onde o mercado de capitais é mais maduro, as empresas são glorificadas ou penalizadas impiedosamente pelo mercado. O vilão é chamado de Wall Street. Quando as empresas de capital aberto erram ou não alcançam suas projeções de vendas e lucro, o chamado forecast, suas ações despencam. Os analistas de mercado de Wall Street mudam o status da recomendação de "compra" para "venda" e vice versa e têm ainda o poder de derrubarem CEOs que acabam caindo em descrédito.

No Brasil, o tema relacionado à "governança corporativa" está se tornando cada vez mais importante. Nunca se viram tantas empresas abrindo seu capital, os chamados IPOs. O vilão por aqui, inspirado pela atitude de Wall Street, é a Bovespa. Para as empresas que queiram participar deste jogo, o nome do jogo é previsibilidade.

Previsibilidade = Disciplina, Disciplina e mais Disciplina!!!

Avatar

Por que o Brasil não cresce ?

Sexta, 22 de Junho de 2007
Segundo o Goldman & Sachs, de Nova York, se o Brasil crescesse a 4% aa daqui até o ano 2050 ele se tornaria a 5ª maior economia do mundo, passando à frente de todas as economias européias. O Brasil tem potencial para crescer 4,5% aa considerando os atuais fatores de produção.

O Brasil não cresce porque possui uma enorme dívida pública que não para de crescer. E não pára de crescer porque temos a mais alta taxa de juros do mundo. FHC deixou que essa dívida chegasse a 64% do PIB, quando era 30% no início do seu governo. No momento que a dívida externa se estabilizava FHC aumentava a taxa de juros para estabilizar o Real. Ao manter as taxas na estratosfera a dívida cresceu de R$60 bi para R$890 bilhões. O governo Lula conseguiu estabilizar a dívida pública em torno de 50% do PIB mas às custas de elevado superávit primário, mantendo as taxas de juros elevadas (mas muito menos que o governo anterior). Resultado disso tudo : baixas taxas de crescimento do PIB, desde a explosão da dívida externa dos anos 80.

Ou seja, desde que elevadas dívidas (no início : setor privado, depois pública) externas e internas, se tornaram graves problemas para o Estado brasileiro, o Brasil parou de crescer. Dívidas que foram contraídas pelos governos militares nos anos 70 e estouraram como bola de neve a partir dos 80 quando o governo Reagan sobe artificialmente as taxas de juros (passaram de uma média de -3,4% nos anos 70 para até +27,5% aa em 1982), provocando recessão na América Latina e comprometendo o crescimento econômico do Terceiro Mundo. A partir daí o Terceiro Mundo fica nas mãos dos banqueiros internacionais.

Em 1980, segundo o Banco Mundial, os países do Terceiro Mundo totalizavam uma dívida externa de cerca de 530 bilhões de dólares. Vinte anos mais tarde, no fim do ano 2000, esta atingia cerca de 2,05 trilhões de dólares : quatro vezes mais.

Entre 1980 e 2000, o Terceiro Mundo pagou a seus credores um pouco mais de 3,45 trilhões de dólares (se considerarmos os países do ex-bloco do Leste europeu são mais 640 bilhões) ou 4,1 trilhões para o conjunto da Periferia, o total do Terceiro Mundo. Logo, o Terceiro Mundo pagou mais de seis vezes o que devia, para ficar quatro vezes mais endividados. O Plano Marshall, plano de ajuda econômica dos EUA aos países destruídos pela Segunda Grande Guerra, representava 12,5 bilhões de dólares de 1948, o que significa hoje, com dólares de 2001, cerca de 78,5 bilhões de dólares. Entre 1980 e 2000 os povos do Terceiro Mundo enviaram aos credores do Centro (países desenvolvidos) 43 Planos Marshall. O montante total da ajuda pública ao desenvolvimento - APD (doações ou empréstimos concedidos pelos países da OCDE aos países do Terceiro Mundo em condições mais favoráveis, ou seja, inferior às taxas de mercado) oscila entre 40 e 50 bilhões de dólares. Em 2000, o serviço da dívida do Terceiro Mundo elevou-se a cerca de 315 bilhões (+61 bilhões do bloco Leste). O desequilíbrio é gritante : o Terceiro Mundo pagou seis vezes o que recebeu em APD.

A partir dos anos 90, as taxas de juros internacionais estabilizam-se e o montante da dívida externa pára de crescer ou cresce muito pouco, mas também não diminui. O que aconteceu foi que boa parte da dívida externa se transformou em dívida interna e agora nós devemos aos nossos próprios banqueiros. Antes nossos esforços estavam concentrados em conseguir dólares para pagar a dívida externa: tínhamos que gerar excedentes exportáveis sacrificando o consumo interno e até aumentando nossos problemas sociais (a taxa de mortalidade infantil chega a aumentar nos anos 80). Agora nossos esforços estão concentrados no governo federal (que assumiu a dívida do setor privado e dos Estados) para pagar a dívida pública. E o governo federal foi aumentando a carga tributária para fazer frente às despesas desta maldita dívida.

No início do governo FHC a carga era de cerca de 26% do PIB (histórica desde os anos 70) - no final de seu governo a carga tributária chegava a 36% do PIB, aumentando sobremaneira os impostos indiretos (que representam 2/3 da receita do governo) e, portanto passando estes encargos para a maioria da população brasileira (a classe média e a população mais pobre paga mais impostos do que os mais ricos - aumentando a regressividade dos impostos e contribuindo para a maior concentração de renda). O item de maior despesa do governo são os serviços da dívida (juros e amortização). Enquanto o governo federal paga cerca de R$160 bilhões com estes serviços (uma espécie de transferência de renda às avessas - são os 7 milhões mais ricos que recebem), ele gasta R$40 bilhões com os aposentados, R$20 bilhões com a saúde e R$10 bilhões com a educação. Os cerca de 40 milhões de brasileiros que são beneficiados com o Bolsa-Família recebem cerca de 5% dos gastos com a dívida. O governo Lula alterou muito pouco este quadro, mas pelo menos não o agravou. Em seus 3,5 anos de governo a dívida interna cresceu de R$890 bilhões para R$1 trilhão - apenas R$110 bilhões - e a carga tributária aumentou para cerca de 37% do PIB, muito pouco em relação ao crescimento do governo anterior. O problema é que a dívida pública continua sendo o maior pepino para ser resolvido e, como vimos a sua importância e impacto sobre as políticas públicas compromete toda a sociedade. Como o governo tem grande peso na economia, ao aumentar suas despesas com os serviços da dívida pública (que não pára de crescer) , provoca em conseqüência corte em seu orçamento; daí acaba por diminuir os investimentos produtivos que poderia realizar em energia, transportes, infra-estrutura, etc.

Enfim, o governo para manter estáveis os "fundamentos macroeconômicos" atuais, necessita manter certos indicadores que acabam comprometendo o crescimento econômico. Por exemplo, para atingir as metas de inflação em um ambiente de câmbio flutuante e livre mobilidade de capitais, o governo "necessita" de manter altas taxas de juros, para evitar fuga de capitais. A combinação de altas taxas de juros com baixo crescimento econômico do PIB, faz com que a estabilização da dívida como proporção do PIB (em torno de 50%) só seja possível se obtiver um elevado superávit primário. Para manter alto superávit primário é necessário que a carga tributária continue alta. Daí o governo fica preso nesta armadilha - para manter um superávit primário alto, em torno de 4,5% do PIB, os juros reais continuam em torno de 10% - e aí a economia cresce pouco, não passa dos 3,5% aa. Dentro desta lógica interna, ceteris paribus, pode-se dizer então que se quiséssemos um crescimento do PIB em torno de 4,5% aa, teríamos que afrouxar a política fiscal e monetária, reduzindo o superávit primário para 3% e a taxa de juros real para 6% aa, mantendo ou até reduzindo a dívida pública como proporção do PIB a longo prazo. Esta é uma estratégia keynesiana que poderia dar sustentabilidade à alternativa do crescimento econômico, usando a fórmula s = [ ( r - g) / (1 + g) ] b4 (sendo r a taxa real de juros, g a taxa de crescimento real do PIB e b o superávit primário como proporção do PIB) defendida por dois professores pesquisadores do CNPq (José Luís Oreiro - UFPR e Luiz F. Paula - UERJ). Esta alternativa ainda acena com a possibilidade de redução da carga tributária a longo prazo, o que poderia dar mais sustentabilidade à política macroeconômica do próximo governo.

Daniel Miranda Soares - economista, mestre pela UFMG e UFV, professor do Unilestemg

Avatar

EMPRÉSTIMO PARA CAPITAL DE GIRO

Sexta, 13 de Abril de 2007
São as operações tradicionais de empréstimo vinculadas a um contrato específico que estabeleça prazo, taxas, valores e garantias necessárias e que atendem às necessidades de capital de giro das empresas.

O plano de amortização é estabelecido de acordo com os interesses e necessidades das partes e,normalmente, envolve prazo de até 180 dias.

Esse tipo de empréstimo normalmente é garantido por duplicatas em geral numa relação de 120 à 150% do principal emprestado. Nesse caso, as taxas de juros são mais baixas. Quando tem outros tipos de garantia, como aval e notas promissórias, os juros são mais altos.

Nos grandes bancos, os contratos podem ter características informais, como "garantia" de crédito para as empresas que optam por dar algum tipo de reciprocidade aos bancos, como, por exemplo, manter sobra de caixa aplicado em fundo de curto prazo ou CDB.