Avatar

RH Sem Fantasias, Mas Com Valor Agregado

Segunda, 25 de Agosto de 2008
Historicamente RH foi vitaminado pela confluência de quatro processos: movimento sindical, as políticas do estado de bem estar, o avanço da legislação trabalhista e pela crescente dificuldade de administrar as organizações complexas.

A gradativa evolução do DP (Departamento de Pessoal) rumo a um RH assistencial e desenvolvimentista ocorre em função do embate histórico acima mencionado.

Vejamos agora as questões sociológicas e administrativas que criaram o RH tal como o conhecemos. Segundo Russell Ackoff as profissões e as organizações podem ser definidas de três maneiras: pelos insumos, pela produção e pelos usuários (clientes).

RH é uma Área de insumo; produção e vendas são áreas de outputs. Esta inserção na estrutura e dinâmica organizacional e dos negócios tem conseqüências claras e devem ser observadas quando delineamos o escopo, os papéis, as competências e os indicadores de eficácia de RH.

Esta simples providência pouparia RH das manias de grandeza nunca realizáveis e da falta de mensurabilidade quanto ao retorno sobre os investimentos. Em troca teríamos um RH focado na efetiva agregação de valor.

Pois o dever de uma profissão de insumo é contribuir para que as áreas de output evoluam constantemente nos resultados. Por não ter uma métrica objetiva do valor agregado, RH corre o risco de, no lugar de prestar serviços, se transformar num ente serviçal; no lugar de prover utilidades, prover penduricalhos (RH frufru segundo Dave Urlich) ou macetes para driblar a incapacidade de provar a sua contribuição (Peter Drucker).

É preciso clareza a respeito do fato que a cadeia de criação, agregação e transferência de valor é uma cadeia de causas e conseqüências. Em outras palavras, a função de RH e de todas as Áreas de apoio é contribuir para CAUSAR os RESULTADOS perseguidos pela organização.

Sendo assim, os efeitos podem ser observados, descritos, mensurados (quantitativa e qualitativamente), reproduzidos e aperfeiçoados ao longo do tempo.

O rabo da porca só torce quando o que RH faz não produz o impacto esperado sobre o trabalho dos usuários, digo, clientes.

Muitos dirão que questões como índice de permanência e progresso de funcionários selecionados por RH, redução de acidentes de trabalho após o treinamento de segurança, o nível, qualidade e produtividade das idéias e sugestões dadas por funcionários e aplicadas pela organização no Workshop sobre Criatividade, são afetadas por outras variáveis fora do alcance das ações de RH.

Concordo! Porém, mesmo nestas condições é possível recorrer a métodos estatísticos que ensejam uma análise sobre como os eventos acima foram influenciados por RH e quais se devem a outros fatores: estilo gerencial, novos equipamentos de segurança, recompensas psicológicas ou materiais, etc.

É assim que o mundo e as organizações funcionam. Afinal, nem sempre um único golpe logra enterrar o prego na parede. Com as ações de RH acontece o mesmo, ou seja, é preciso que outros agentes, fatores e variáveis concorram para produzir os resultados.

Recrutamento e Seleção não são capazes de assegurar a qualidade, a quantidade e a retenção dos funcionários recrutados. Esta é uma ação conjunta que envolve RH, gerência, políticas e normas organizacionais.

É assim também com Treinamento. Não é T&D e o treinando que garantem a aplicação da aprendizagem e a melhoria do desempenho humano. Esta é um tarefa multidisciplinar para a qual concorrem RH, o corpo gerencial, os processos de trabalho, o clima organizacional, a quantidade e qualidade dos recursos alocados, políticas, normas etc.

Poderia dar um sem número de exemplos, mas acredito que esses são suficientes. As palavras mágicas são: parceria, competências específicas e multidisciplinares, mensurabilidade dos efeitos das diversas ações, aperfeiçoamento contínuo das alianças e processos que provocaram os resultados organizacionais que dependam do talento e do esforço humano.

É por essas e outras que tenho ojeriza de palavras como RH estratégico. RH É TÁTICO e quando cumpre com esmero e competência o seu papel, ele agrega valor e contribui para os resultados operacionais e estratégicos da Organização.

O que define a nossa profissão não são sonhos ou delírios e sim a função da Área e a competência para exercer o papel que nos cabe na orquestração da competitividade Organizacional. Nesse particular, RH é uma Área chave para implementar a estratégia de negócio. É assim que agregamos valor para nossos clientes.

Avatar

PARCERIAS E ALIANÇAS ENTRE CONCORRENTES: UM GRANDE NEGÓCIO

Sexta, 28 de Dezembro de 2007
A necessidade de uma incessante busca por redução de custos e aumento de receitas, que proporcionem resultados mais interessantes aos olhos dos acionistas, obrigam as empresas a reverem seus conceitos tradicionais e adotar uma postura menos agressiva em relação à concorrência. Assim é que, deixando de lado as rixas e as desavenças geradas pela acirrada disputa por uma fatia do mercado, elas se unem em torno de um único objetivo: o de concretizar alianças e parcerias para a realização de negócios de interesse comum, que resultem em benefícios para as partes envolvidas.

Infelizmente tal procedimento ainda não é consenso num mercado onde ainda existem empresas que não admitem qualquer possibilidade de negociação com outros concorrentes. Uma postura arrogante e soberba ou simplesmente conservadora, não importa, pois o fato é que tal intransigência acaba por determinar um pior desempenho dos negócios e dos resultados dessas empresas. Culpa de uma visão míope e distorcida de determinados empresários e líderes que não conseguem enxergar o óbvio. Mesmo por que, as parcerias desse tipo não implicam em expor suas estratégias e outras informações sigilosas aos concorrentes, o que, afinal de contas, acaba se constituindo em uma outra grande vantagem do mecanismo.

Um exemplo de parceria que vem se concretizando entre empresas concorrentes de determinado segmento de mercado com a economia mundial em ascensão é o ramo das exportações para os diferentes cantos do planeta. É uma parceria que pode muito bem ser encarada como uma terceira empresa tratando e cuidando exclusivamente da elaboração de metas e objetivos ligados às vendas dos produtos das duas parceiras para o exterior, bem como dos financiamentos, dos prazos, das negociações com os portos para os embarques dos produtos e outros assuntos burocráticos pertinentes, tudo com a finalidade de ganhar em qualidade e reduzir custos.

Outro exemplo interessante é a parceria formada entre as empresas montadoras do setor automobilístico no mundo que fundiram os segmentos de compras de autopecas e os de fabricação de câmbio e motores, objetivando uma redução de custos e a obtenção de outras vantagens com o compartilhamento das autopeças, a troca de informações e experiências, além do aumento do poder de barganha frente aos seus fornecedores comuns. Com isso, as parceiras conseguem enormes ganhos em qualidade e no custo final de produção, sem que com isso tenham que abrir mão das configurações e características que marcam seus respectivos produtos.

E o setor farmacêutico não deixa por menos. Embarca na onda propondo a formação de um grande bloco de farmácias, que passariam a adotar uma mesma marca, com o objetivo de obter consideráveis ganhos em escala, nas compras dos medicamentos e outros produtos comercializados pelo setor. O sucesso é garantido, pois compras em grandes quantidades sugerem melhores preços e a conseqüente redução dos custos.

Ganham os consumidores que passarão a dispor de produtos mais baratos nas prateleiras, ganham as empresas associadas que, com isso, poderão abiscoitar uma generosa fatia do mercado. E perde quem ficar de fora.

Portanto, o melhor que as outras empresas tem a fazer no momento é aderir ao "movimento", se quiserem praticar os mesmos preços da concorrência associada, para não sofrer os dissabores de grandes prejuízos com a perda de sua carteira de clientes.

Avatar

REPENSE! Faça sua empresa diferente!

Quarta, 19 de Dezembro de 2007
"Nenhuma empresa é melhor do que o seu administrador permite".
Peter Drucker

Para que a empresa possa deslanchar neste mercado globalizado e altamente competitivo, em busca de eficiência e eficácia em suas ações, alcançando o rebento denominado sucesso é preciso prestar mais atenção, repensar sua práxis organizacional e considerar alguns pilares, que poderão ser considerados esteios em todo processo organizacional, tais como:

1º) a valorização do colaborador como o maior patrimônio da empresa- o indivíduo que faz parte da empresa não deverá ser visto como um objeto e sim como sujeito valioso de toda história organizacional. Além do bom atendimento, querem e exigem consideração. A gestão deverá se basear em compartilhamento de poder, confiança, negociação, reciprocidade, compromisso e envolvimento. É preciso que a empresa reconheça os colaboradores como um patrimônio intangível valioso e que a participação efetiva dos mesmos é necessária para que a empresa tenha sucesso neste mercado cruel onde a competitividade é tão acirrada. Nos momentos de crise, devem ficar "antenados" quanto ao seu maior patrimônio "as pessoas" e não desfazerem destas. Lembrar sempre que, as pessoas são os pilares ou esteios que sustentam uma organização e que ao desfazerem destas, a tendência é submergir, contribuir para que a organizar chegue ao caos.

2º) o investimento nos recursos humanos e em tecnologia - sabemos que hoje, a maior commodity de uma empresa chama-se conhecimento, e é através deste que as organizações conseguem galgar vôos e se tornarem sólidas neste mercado onde a competitividade é tão acirrada, portanto, deverá a empresa se preocupar em investir em seus recursos humanos, assim, estará investindo em sua própria empresa. O investimento pesado, nos Recursos Humanos e na tecnologia da informação, se tornou o grande aliado da organização que deseja pelo menos, sobreviver no mercado, pois, o conhecimento e a informação passam a ter uma nova conotação, passando a serem os pilares da organização, gerando o rebento denominado produtividade. Neste mercado, inovação é uma palavra de conotação muito forte, e esta aparece atrelada ao conhecimento e à informação, que juntas, são capazes de gerar vantagem competitiva.

3º) a busca constante em prol da melhoria contínua e da  motivação - ter vontade e  querer melhorar continuamente é preciso, tanto em âmbito pessoal, quanto em âmbito profissional, portanto, preocupar-se com a melhoria contínua significa preocupar-se com a sobrevivência, pois, esta contribui e muito para alavancar uma organização. Preocupar-se em fazer melhor todos os dias tornou-se extremamente necessário. Uma boa política organizacional, atrelada a um ambiente de trabalho motivador, juntamente com uma ferramenta valiosa de gestão "Balanced Scorecard", resultam em uma verdadeira estratégia de sobrevivência. Com isso, sua organização terá as condições necessárias para promover a melhoria contínua do desempenho e do aumento da produtividade, com maior valor agregado e com qualidade, permitindo além do alto índice de competição, trilhar pelo caminho da excelência. Lembrar sempre que a motivação gera uma força motriz que impulsiona o agir, portanto, o colaborador estando motivado, terá motivos para agir, e este é o segredo!  A empresa deve então sempre incentivar o colaborador; assim, terá colaboradores motivados e obterá resultados esperados.

4º) a preocupação em transformar gerentes em grandes lideres - para alcançar sucesso dentro da organização é preciso que transforme gerentes em grandes lideres, uma vez que estes além de comprometidos e envolvidos com toda organização, será sabedor da importância da descentralização e delegação de tarefas, criando um vinculo de confiança entre todos os envolvidos no processo, e o resultado será um só: aumento de produtividade com qualidade.  Um grande líder, além de saber selecionar, recrutar, colocar o colaborador certo no departamento certo, sabe verificar se conhecimento e perfil estão condizentes com atribuição e cargo. Um grande líder sabe capacitar, manter e reter o colaborador dentro da organização. É sabedor que, cada ser humano é único, cheio de anseios, desejos, competências e talentos, portanto, todos têm muito a contribuir com a organização, basta serem inseridos nos devidos lugares.

5º) a preocupação em fazer parceria e formar alianças- como em um casamento -  é de suma importância que exista entre todos os colaboradores e a empresa, o amor e o desejo de sempre querer continuar, alimentando o sentimento através de atitudes que expressam e contribuem para manter um relacionamento, tais como: respeito, confiança, carinho, admiração, fidelidade, criatividade, transparência nas ações, muito diálogo, comunicação, maturidade, e atuar em prol da conquista sempre. Caso contrário correr-se-á o risco de chegar à mesmice e desmoronar toda a relação, levando a organização a naufragar. Assim é a vida organizacional, há que se ter, portanto, um casamento perfeito entre colaborador e organização, onde todos os objetivos estejam claros, definidos e sejam por todos perseguidos. Onde cada um sabe exatamente o que fazer para contribuir com o todo, se preocupando em alcançar sempre a eficiência e eficácia nas ações, em prol da qualidade, sabendo exatamente do caminho a percorrer e que estratégias utilizar.

Avatar

Sebrae articula alianças regionais

Quarta, 24 de Outubro de 2007
Missões internacionais ampliam possibilidades de troca de experiências e construção de parcerias.

O Sebrae está interessado na construção de alianças institucionais que reforcem as estratégias de integração regional, tema fundamental para o Brasil. Para isso tem organizado missões técnicas para participação em eventos internacionais que possibilitem o compartilhamento e discussão de políticas de apoio às micro e pequenas empresas.

A mais recente missão, chefiada pelo presidente Paulo Okamotto, foi a São Salvador, capital de El Salvador, país da América Central, para participação do X Fórum Interamericano das Microempresas (Foromic) de 3 a 5 de outubro. Não só representantes de El Salvador, mas também da Colômbia, Uruguai, Paraguai, Chile, México e Bolívia manifestaram grande interesse em visitar o Brasil para conhecer de perto os trabalhos desenvolvidos pelo Sebrae, visando ao estabelecimento de futuras parcerias.

O X Foromic contou com a presença do presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Luis Alberto Moreno, que destacou, como fundamental para o crescimento regional, a ampliação do acesso pelos empreendedores e população de menor renda de tecnologias e serviços bancários. "O desafio para os governos é ampliar experiências de sucesso, promovendo um ambiente econômico favorável que incentive as ações privadas", afirmou.
Aliança Regional
Acompanhado do gerente da Unidade de Assuntos Internacionais do Sebrae, Vinícius Lages, e do consultor da Unidade de Acesso a Serviços Financeiros, Eli Moreno, o presidente Okamotto participou de mesas, palestras e grupos de trabalho sobre microfinanças, mercados financeiros, ambiente de negócios e oportunidades para a maioria.

O gerente Vinícius Lages apresentou o projeto 'Sistema Regional de Informação e Aprendizagem para o Desenho de Políticas Públicas de Apoio às Micro, Pequenas e Médias Empresas', desenvolvido pelo BID, em parceria com o Sebrae, a Sercotec do Chile e a Sepyme da Argentina.

O consultor Eli Moreno ressaltou na palestra 'O ambiente de negócios das ONG: prestação de contas, transparência e qualificação' que os modelos assistencialistas ainda predominam no terceiro setor brasileiro, o que demonstra a necessidade de novas ONG voltadas ao fortalecimento do empreendedorismo e à inclusão econômica.

Paralelamente ao fórum, os representantes do Sebrae participaram de oficina de trabalho promovida pela rede de soluções empresariais, Fundes, sobre as ações para o desenvolvimento de políticas de fomento para micro, pequenas e médias empresas. Foi uma oportunidade para apresentação do estágio de projetos importantes como o da cadeia de petróleo e gás desenvolvido e mostraram os avanços introduzidos no Brasil pela Lei Geral da Micro e Pequena Empresa.

Mais de 2 mil pessoas participaram do evento, considerado como um dos principais encontros internacionais do setor. O Foromic foi realizado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), por meio do Fundo Multilateral de Investimento (Fumin), e pelo Ministério da Economia de El Salvador. A próxima edição do Fórum de Microfinanças será realizada em Assunção no Paraguai no ano que vem.

Fonte: Tatiana Alarcon e Clara Favilla - Agência Sebrae

Avatar

Tudo é Marketing?

Quinta, 31 de Maio de 2007
O Brasil dos anos 60 viu surgir uma disciplina que transformaria o ambiente das relações de troca estabelecidas pelo mundo econômico: o marketing, uma nova disciplina em sua forma embrionária. Ele foi ganhando seus primeiros simpatizantes num período em que a preocupação das empresas estava focada nos processos produtivos e na força de vendas.

Nos meios de comunicação, o rádio, estava em pleno vigor - era o centro das atenções - e a televisão, a novidade surpreendente do século XX, tinha o esboço de uma arrancada definitiva rumo à preferência do público, buscando seu espaço e garantindo destaque entre os meios de massa. Assim, rádio e tv se constituíram nos aliados de primeira hora do marketing, um casamento perfeito para se trabalhar as mensagens de maneira pertinente e multiplicadora, pela vantagem de atingir rapidamente grande parcela da população, ajudando a vender quantidades cada vez maiores de bens de consumo.

Tudo isso causou enorme impacto nos meios de produção, com a conseqüente ampliação geográfica da participação das marcas e o aparecimento de novos produtos que iriam competir com os já tradicionais e líderes de mercado. Também cresceu a malha rodoviária, o sistema de distribuição e logística, as formas de crediário ao consumidor, a adoção do planejamento estratégico pelas grandes empresas, a pesquisa e o teste de mercado.

Dessa forma, o marketing foi ganhando adeptos, estudiosos, pesquisadores e novos autores. Despertou o interesse de empresários de diversos segmentos, bem como dos publicitários, que passaram a propor para seus clientes cada vez mais anúncios, comercias e campanhas completas, traduzindo a evolução do próprio mercado, na busca de um modelo competitivo. As empresas adotaram o estabelecimento de verbas anuais para sua propaganda, que chegaram a representar até 100% do investimento em marketing. Nesse mesmo período a regulamentação do trabalho publicitário, através da Lei 4.680, e a determinação de percentuais de comissão foram importantes para o surgimento e fortalecimento das agências de propaganda, principalmente no eixo Rio - São Paulo. Isso fez com que a propaganda se transformasse no foco das atenções e na principal denominação da atividade mercadológica.

Com a alta visibilidade conquistada pelas agências, estabeleceu-se, no entanto, uma certa confusão semântica para o termo marketing, que ganhou uma série de interpretações e sinônimos, responsáveis pela distorção do seu verdadeiro sentido. Profissionais e leigos passaram a utilizar definições e conceitos de marketing e propaganda sem distinção, como se fossem uma coisa só, até colocando o primeiro como uma ferramenta do segundo e não o contrário, conforme defendem os especialistas e as maiores autoridades no assunto. Por sua vez, publicidade virou sinônimo de propaganda, quando na verdade são disciplinas complementares. Posteriormente, algumas formas de propaganda passaram a ser chamadas de merchandising , ou simplesmente merchan para os inculturados, com o absurdo aval de veículos de grande porte. Ou seja, estabeleceu-se uma verdadeira torre de babel no marketing.

Nessas quatro décadas não houve melhora nesse contexto, apesar do esforço feito através das pesquisas nas grandes universidades e das bibliografias que se multiplicaram. E, se antes a confusão derivava apenas da ignorância sobre o tema, hoje ela parte dos próprios autores e títulos de livros com tendência editorial oportunista. Tanto, que podemos encontrar nas bibliotecas e livrarias toda sorte de configurações, tais como: marketing tuttifruti, marketing de convergência, marketing viral, marketing sexual, marketing de permissão, marketing político, marketing médico, marketing editorial, marketing de imagem, marketing eleitoral, marketing de resultados, e a lista continua.

Infelizmente, como ocorre em outras atividades profissionais, nessa área encontramos pessoas que se autodenominam "experts", quando na realidade não passam de espertalhões e aproveitadores de plantão. Muitos mandam imprimir em seus cartões de visita: gerente de marketing, supervisor de marketing, consultor de marketing, agente de marketing, assessor de marketing, sem nunca terem feito um curso sério, nem estudado com profundidade os consagrados autores. A preocupação aumenta de tamanho quando deparamos com formadores de opinião, principalmente na mídia, deturpando sobremaneira o conceito do que é marketing, desconsiderando tudo que já foi pesquisado e escrito com seriedade sobre o tema. O mau uso da terminologia, que gera interpretações errôneas, tem levado as pessoas a tratarem o marketing como se fosse qualquer tipo de ação promocional, e até pior, como algo que serve a uma venda forçada e enganosa, sem falar das maquiagens absurdas em produtos e serviços.

Para fermentar um pouco mais a questão cunhou-se nas duas últimas décadas, de maneira negligente, a palavra " marqueteiro" : uma denominação adotada pelos estrategistas que trabalham para eleger políticos. O termo "marqueteiro" é pejorativo e indesejável para se atribuir a um profissional de marketing. Ele não passa de um profissional episódico, que constrói figuras volúveis como os políticos atuais. O verdadeiro mercadólogo não "faz" a imagem ninguém e desconfia da existência de um "marketing político", pois utiliza seus conhecimentos teóricos e técnicos para posicionar produtos ou serviços corretos, criando alianças duradouras com os consumidores e usuários, garantindo a satisfação e a imagem positiva das marcas, no longo prazo. O legítimo mercadólogo repudia a invencionice e a alquimia dos "marqueteiros".

"Tudo é marketing e marketing é tudo" para aqueles que acham que conhecem da matéria, mas que não passam de curiosos e empíricos. Esses, além de desconhecedores da teoria, costumam criar rótulos, frases de efeito, conceitos absurdos e outros termos inadequados. O marketing, segundo os grandes autores, é definido como um conjunto de técnicas que envolvem pesquisa e desenvolvimento de produtos e serviços, teste de mercado, avaliação de micro e macro ambiente, análise da concorrência, lançamento, política de preço, construção de valor, distribuição e logística, força de vendas, branding e composto de comunicação.

Com isso, podemos afirmar que o marketing se apresenta, neste início de século como a disciplina mais badalada e menos compreendida pelos leigos. Há o marketing traduzido pelos marqueteiros, mau visto pelos mercadólogos, e o marketing verdadeiro daqueles que estudam, pesquisam e fazem suas reflexões sobre fundamentos e tendências, livre das propostas especulativas dos espertalhões e aproveitadores. Fazer marketing é o oposto de enganar, maquiar, forçar, ou iludir. Torna-se, assim, indispensável para o profissional que atua nesta área um conhecimento aprofundado da sociologia, da economia, da antropologia, da psicologia e até mesmo da filosofia. O marketing não é disciplina para os vendedores que vendem lenço quando todos estão chorando, como sentenciava a antiga máxima das técnicas de vendas.

Admir Borges, consultor empresarial na área de atendimento ao cliente e Coordenador e Professor de Pós-graduação de Marketing e Comunicação da Uni-bh, Universidade Fumec. e IEC-PUC.