Avatar

O grande equívoco da "inovação" - Parte I

Domingo, 24 de Fevereiro de 2008
A "inovação" e seu conceito equivocado têm sido propagados como a panacéia para o sucesso das empresas, como único remédio para a sua sobrevivência nestes tempos de competição desenfreada. O que todos estão pensando pelo que se ouve e se lê é que a empresa que mais "inventar" coisas novas, produtos novos, estará à frente da concorrência.

Uns sugerem inovações "radicais", se referindo à necessidade de inventos de produtos radicalmente diferentes, para vencer a concorrência. A todo o momento todos falam que a única salvação da empresa é inventar produtos "radicalmente novos". Porém, neste remédio há, no mínimo, um erro de fórmula.

O "P" de P&D é sempre o de pesquisa aleatória de "novidades" e "inovações" e não de "P" de pesquisa do valor desejado do consumidor - Outros falam que é preciso incrementar a velocidade e intensidade de produção do departamento de P&D, mas o "P" é sempre o de pesquisa de novas invenções "radicais", aleatórias, e não o "P" de pesquisa (ou de prospecção usando diversas técnicas) para conhecer a escala de valor desejado do consumidor, que revela a forma perfeita de como se faz o produto mais vendável. Não sabem que é exatamente por isso que os custos em P&D crescem e os lucros diminuem.

A "inovação" com baixa, alta ou nenhuma tecnologia é um segundo movimento.

Eles não compreendem que esta P&D com "P" de pesquisa de produtos, de invenção de produtos, acompanhada de seu "D" de desenvolvimento, é um segundo movimento, após saber qual o produto, qual a "inovação" a ser criada e sua receita perfeita de como ele é, revelada por quem precisa dele, por quem vai usá-lo, extraída de sua escala de valor desejado para todos os produtos.

A partir daí, sim, as cabeças pensantes dos inventores, do pessoal do departamento de P&D tem um norte seguro para onde direcionar a sua verve criativa, inventiva, tendo certeza absoluta de que caminham para uma solução técnica comercializável.

O que realmente importa não é a engenhosidade da invenção, a alta tecnologia empregada, mas a pertinência de sua aplicação para dar a solução perfeita desejada pelo comprador.

Para muitos, Peter Drucker e Theodore Levitt estão esquecidos ou ainda desconhecidos - Ao consumidor pouco importa conhecer a tecnologia do produto. O que ele quer é a satisfação de sua necessidade da forma mais perfeita segundo o seu julgamento de valor.

O que parece claro é que muitos esqueceram ou ainda não conheceram até os princípios mais básicos da ciência da comercialização, do marketing, ensinados por alguns verdadeiros cientistas e mestres desta matéria, como Peter Drucker e Theodore Levitt: que somente o consumidor sabe a forma de minha empresa e meus produtos, o modelo que a torna mais lucrativa, mais ágil e mais eficaz. Entender que o consumidor tem de ser o consultor permanente sobre todas as coisas da empresa, porque só ele sabe o modelo perfeito de todas as empresas e de todos os produtos.

Porque a "inovação" é feita para que ele a compre e o consumidor só compra o que quer. Só compra o produto que mais perfeitamente atende às suas necessidade, aos seus desejos. Ninguém pode obrigar alguém a comprar o que não quer.

O problema das empresas voltadas à "inovação" é que elas não sabem qual "inovação" o consumidor deseja - Que importa toda a minha criatividade para a inovação, se eu não sei o que o consumidor deseja que eu invente? Se eu não sei exatamente como é a "inovação" que o consumidor deseja?

O que as empresas tem de fazer é encontrar todas as maneiras possíveis (e, aí sim, ela tem de ter conhecimento, criatividade e feeling) para "extrair" (esta é a palavra precisa) do consumidor este modelo perfeito de como deve ser feito o seu produto. E esta é a parte mais difícil de toda a estória

Na verdade o consumidor não quer "inovações", mas soluções objetivas para seus problemas - O consumidor não quer exatamente "inovação" ou "inovações". O que ele quer são coisas que atendam aos desejos que ele mais valoriza, sejam elas novas ou velhas. As pessoas compram por valor desejado, não por ânsia de meras "novidades".

Exemplos comprobatórios do que falamos. Teorias que não são comprovadas na prática, pelos fatos, não são ciência. Princípios científicos quando aplicados, sempre funcionam e trarão sempre os mesmos resultados. E para que nos serviriam teorias que não são ciência?

Uma grande "inovação" velha: O motor "flex", bicombustível - Exemplo de que "inovação" não consiste somente de novas idéias: O Ford modelo "T" de 1908 era "flex", bicombustível. Funcionava a álcool e a gasolina. O motor "flex" de hoje (feito com nova tecnologia, mas utilidade para o consumidor igual), para o consumidor é uma "novíssima" "inovação" que vem atender ao seu valor desejado de poder optar entre dois combustíveis e fugir do alto preço da gasolina quando lhe der vontade.

Uma "desinovação" de grande sucesso: a calculadora pessoal - Outro exemplo de "desinovação" de grande sucesso: a calculadora de seis dígitos da Casio. Esta gigante japonesa surgiu no final dos anos 50 e nos 60 era líder do mercado de calculadoras eletrônicas. Em 1970 ela se viu apertada por mais de 40 concorrentes e em vez de fazer uma "inovação" "nova", ou um aprimoramento em suas calculadoras que tinham 8 dígitos, criou um modelo com menos 2 dígitos, sem casas decimais, menos funções e ao preço de 100 dólares, a Casio Mini (eu tive uma quando garoto). Antes da Casio Mini o preço de uma calculadora chegava a milhares de dólares.

Estaria o conceito equivocado da "inovação" entranhado na natureza do homem?

Reportagens comentam que nem os vendedores acreditavam no produto. Pelo visto nesta época já existia esta mentalidade equivocada da tal "inovação" e seu conceito - que o cliente só compra invenção nova e com a mais alta tecnologia. Também lá, ninguém conhecia o princípio lapidar da comercialização que ensina a razão pelas quais as pessoas compram: a sua percepção de valor.

Em apenas um ano venderam-se dois milhões de unidades. A Casio Mini foi a primeira das calculadoras pessoais. Segundo a revista exame, a estratégia da Casio sempre foi baseada "na criatividade e na intuição" de seu diretor (não havia pesquisa ou outro método de estudo da escala de valor do consumidor).

Sempre chamo isso de "inovação" à procura de valor. Ou "roleta russa" empresarial. Você escolhe.

Podemos repetir? As pessoas não compram inovações, mas valor desejado, cujo valor está condicionado ao seu poder aquisitivo, às circunstâncias, à maneira de usar o produto, etc. Esta "desinovação" aleatória criada por seu diretor, forçado pelas pressões da concorrência, "por acaso", "por sorte", como dizem as pessoas que crêem em sorte ou azar, "acertou" em cheio no item de valor desejado da escala de muitas pessoas para o produto calculadora: preço baixo, portabilidade e adequação ao uso.

Grandes "inovações" que ninguém comprou porque não precisava delas - Veja estes exemplos de grandes "inovações" que ninguém quis. Que não serviam para nada. Mas eram grandes inovações, grandes inventos! Mas não eram um valor desejado pelas pessoas e por isso ninguém comprou. E inovação que o consumidor não deseja, não vende.

O vídeo fone. Que maravilha. O telefone com vídeo, com uma telinha na qual você é visto e vê a pessoa que está falando do outro lado da linha. À primeira vista, qualquer pessoa diria na posição de vendedor, que seria um produto de sucesso. Mas o vendedor não sabe qual é o produto de sucesso, o produto que vende. Só o comprador é quem sabe.

Por incrível que pareça, o vídeo-fone não era um item de valor desejado da escala de valor do consumidor para o produto telefone.

Na posição de vendedor as pessoas tem um modo de pensar. Na posição de comprador, tem outro completamente diferente. É um caso perfeito de dupla personalidade. Dr. Jeckyll e Mr. Hyde.

Faz mais ou menos 40 anos que foi inventado e até hoje ninguém quis ter um vídeo-fone. Coloque-se agora na posição de usuário do vídeo-fone e você vai entender, fácil, porque foi um grande fracasso.

Primeiro, por que todas as pessoas, do Oiapoque à Sibéria, são sempre inseguras com sua aparência. As pessoas sempre se acham menos bonitas em imagens de qualquer mídia. A grande maioria das pessoas tem obsessão por privacidade. O vídeo-fone residencial tocaria como o telefone comum, também em horas impróprias, quando as pessoas estão em seu relax, sem maquiagem, de bermudas e sem camisa. E a obsessão cada vez maior nos dias de hoje pela segurança? Estranhos ligando para sua casa por engano ou por más intenções e te vendo na telinha?

Precisa falar mais? Uma "inovação" maravilhosa, mas que não era um item da escala, da "lista" de valor desejado do consumidor para o produto telefone.

Avatar

Métodos Estatísticos e Previsão do Volume de Demanda - Parte I

Quinta, 21 de Fevereiro de 2008
Com o mercado atual extremamente dinâmico, faz-se importante a busca da utilização de métodos estatísticos para a previsão do volume de demanda. Esta previsão pode seguir critérios objetivos, subjetivos ou então possuir pesos que combinem critérios tanto objetivos quanto subjetivos, porém o mais importante é que estas informações sejam analisadas com o intuito de estabelecer base às tomadas decisões.

Entender os sinais que o mercado oferece é um trabalho que exige grande habilidade do gestor, experiência e até intuição. O uso de modelos estatísticos possuem como função estabelecer esta análise de forma a não deixar todo o processo arbitrário, reduzindo assim as possibilidades de erros.

Observo que é impossível independentemente da técnica utilizada, prever exatamente uma demanda futura, mas é possível examinar as análises levantadas e interpretar com alguma margem de segurança o que pode ocorrer, mas volto a repetir, previsão de demanda não é uma ciência exata.
Métodos Estatísticos e Previsão do Volume de Demanda - Parte I
Primeiramente são analisadas as séries temporais que o mercado / segmento / produto em que a empresa atua tolera, neste caso são verificadas as correspondências entre a tendência, sazonalidade e a variação aleatórias, conforme serão detalhados á seguir.

Tendência - Quando a linha de demanda é crescente ou decrescente de forma constante ao longo do tempo. Desta forma pode-se concluir que caso crescente, a linha de produto analisada está ganhando participação de mercado podendo ser produto substituto, ou então introduzido em um nicho de mercado não explorado. O caso oposto, a tendência negativa, dependendo do grau de inclinação e constância pode sinalizar o fim do ciclo de vida do produto, porém em muitos casos uma remodelagem do produto para o segmento atuante pode fazer com que a tendência negativa mude.

Sazonalidade - A sazonalidade existe quando é verificado que o produto possui no decorrer do período fortes oscilações de demanda, de forma que em comparação com outros períodos verifique-se um padrão, então chamamos esta oscilação de período sazonal. Empresas que possuem alto grau sazonal no mercado que atuam, geralmente desempenham grande dificuldade em relação às questões estruturais e infra-estruturais por necessitar ajustar a capacidade produtiva apenas para estes períodos e reduzi-la em outros. Apenas para exemplificar, há como altamente conhecidos do comércio varejista como períodos sazonais, sendo as datas comemorativas, ou seja, natal, páscoa, dia das mães entre outros.

Variação Aleatória - Seu estabelecimento é determinado quando os dados temporais de demanda são examinados e não é possível identificar nenhuma tendência ou sazonalidade, pois não existem padrões, pois os índices de demanda estão dispostos de forma dispersa e aleatória no decorrer dos períodos.

Desta forma é possível conhecer sobre o mercado que a empresa atua, e prepara a análise para o próximo estágio. Amanhã será publicado a segunda parte deste artigo, e abordarei os métodos empregados para o desenvolvimento da previsão do volume de demanda.