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Derrubando paredes!

Sexta, 31 de Outubro de 2008
Toda reforma interior e toda mudança para melhor dependem exclusivamente da aplicação do nosso próprio esforço. (Immanuel Kant)

Sabe-se que desde a década de 90 percebeu-se que o fácil e direto acesso aos gestores rendia frutos valiosos para a empresa, pois, os colaboradores atuavam com mais empenho, mais envolvimento e comprometimento, realizando a troca de informações e somando conhecimentos. Como conseqüência, gestores inteligentes adotaram como estratégia a eliminação de quaisquer obstáculos que porventura viessem a interferir em todo processo organizacional, tomando medidas drásticas e arrojadas, tais como, derrubar portas e paredes, deixando-as extremamente livres ao ambiente de trabalho.

Desta forma, ficam para trás as organizações recheadas de salas compartimentadas, cheias de divisórias e entram em cena as salas enormes, com ambiente fresco, claro e agradável, onde todos os departamentos executam suas atividades. Com isso se compartilha, não somente os conhecimentos, habilidades e atitudes, mas compartilha-se também o ambiente, que é um só, onde todos ouvem as conversas de todos e aprendem a cuidar de suas próprias vidas, sendo forçados a deixar para trás a vida alheia, assim como as famosas “fofocas”.

Nesta era, torna-se primordial primar pela soma. Temos que sempre somar para ganhar; pensando assim, a hierarquia fica apenas no papel, pois, o gestor desce do “pedestal” e passa a ser mais parceiro dos colaboradores, passando a estar no meio de todos sempre, chegando até mesmo a dividir a sua mesa com um subordinado se preciso for, pois, têm claro em sua mente as idéias de soma, descentralização, compartilhamento e parceria.

Percebe-se que o individualismo, assim como o “engessamento” na maneira de gerenciar uma organização, bem como o status de poder, obscurecia os colaboradores, dificultando que enxergassem a visão, a missão e o negócio da organização. Quando se adota esta organização sem paredes, isto tudo fica para trás, uma vez que barreiras advindas da existência da estrutura física deixam de existir, passando a reinar a união, colaboração, a cooperação, a soma, e assim, toda a cultura da organização passa a ter uma nova visão.

De qualquer modo, nota-se que a equipe tem maior probabilidade de trabalhar de forma mais harmoniosa e integrada, onde o bem-estar fica evidente, prevalecendo, além do clima organizacional, relações interpessoais que corroboram com uma boa produtividade, ficando visível, tanto aos olhos dos clientes internos, quanto aos olhos dos clientes externos esse bem-estar.

É de se observar que forçadamente ocorre uma reeducação dos colaboradores que têm alguns hábitos considerados inadequados. Com tais medidas estes deixam de lados atos prejudiciais ao desenvolvimento das atribuições, como por exemplo, atos de insubordinação, impaciência, nervosismo, falta de educação, “fofocas”, o falar mal do outro, o falar alto demais, dar risadas escandalosas, utilizar material do escritório para fins pessoais. Neste sentido, os colaboradores aprendem a conviver naquele mesmo ambiente, de forma a descobrir e a respeitar os limites de privacidade, aprendendo em meio a tantos colaboradores e a tantos departamentos que estão agora integrados de forma geográfica. Aprendem ainda a controlar seus impulsos, a aumentar seu poder de concentração, mantendo sempre o foco, o que permite maior rendimento, e por conseqüência, maior produtividade advinda da eficiência e eficácia em suas ações.

Importante salientar que a questão que tanto preocupa o administrador, que é minimizar tempo e custo, assim como maximizar resultado, fica resolvida. Com o escritório “aberto e sem paredes”, tudo fica transparente, pois, os colaboradores passam a aproveitar melhor o seu tempo, chegando até a envergonharem-se de ficar ociosos em meio a tantos ocupados, minimizando conversas improdutivas e procurando a produzir sempre atendendo às reais necessidades da organização, adequando seu próprio ritmo e compromisso atrelados aos resultados.

Somados a isso, a organização, para derrubar portas e paredes, deve primeiramente realizar um projeto para tal, pois mudará todo layout do imóvel, “reorganizando toda a organização”. Assim, deverá pensar não apenas na proximidade dos departamentos, mas também em como preparar os colaboradores para atuarem e conviverem de forma integrada, de forma a respeitar a privacidade do outro, pois de nada adianta derrubar paredes e portas se a concepção da própria organização de visão, missão e negócio permanecem da forma antiga.

Em todo esse processo torna-se imprescindível a opinião dos colaboradores no que tange a sugestões quanto às mudanças a serem realizadas, sendo que isso contribui para o sucesso da implementação de todo esse processo.

Pensando assim, fica claro que não apenas a estrutura física deve ser mudada, como também a estrutura organizacional. Nessa óptica, enfatiza-se que todos os envolvidos no processo organizacional devem ter conhecimento da visão, missão e do negócio da organização, mudando também a postura. Portanto, é de suma importância que cada colaborador sinta-se parte da organização, sinta-se valorizado, e a tal ponto que possa então entregar e a “mergulhar” de fato no trabalho da organização em prol do seu negócio.

O que se nota também é que os problemas e entraves surgidos são resolvidos de forma mais rápida, pois, devido o contato ser intenso e de forma constante, todos se voltam para o mesmo, em busca de uma rápida solução, o que é extremamente importante e estratégico nos dias de hoje.

De um lado, é importante perceber que quando o ambiente organizacional é o mesmo para todos os departamentos, sem paredes, o administrador possui maior chance de realmente conhecer quem de fato trabalha, se envolve e se compromete com a organização, minimizando o risco de ser injusto no que tange à valorização e à avaliação do desempenho.

De outro lado, é importante lembrar que o administrador não deve jamais subestimar seus colaboradores, deixando de forma clara para os mesmos o que a organização espera deles, bem como suas responsabilidades, acreditando e confiando sempre nos mesmos.

Concluindo, a burocracia interna nesse tipo de ambiente organizacional deixa de imperar, e todos os colaboradores passam a aprender a não ficar dependente dela, o que contribui efetivamente para o desenrolar das tarefas de forma mais rápida, pois os entraves da famosa “espera”deixa de existir, pondo as relações de trabalho em xeque.

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MARKETING SENSORIAL – SINTA A DIFERENÇA!

Quinta, 23 de Outubro de 2008
Desde os primeiros segundos de vida passamos a utilizar alguns de nossos sentidos para identificarmos o que nos traz segurança e conforto. Com o passar dos anos aprendemos a utilizar os cinco sentidos (visão, audição, tato, paladar e olfato) de maneira mais apurada. Estes sentidos são, muitas vezes, responsáveis por algumas de nossas decisões. As decisões podem estar relacionadas tanto ao consumo quanto à necessidade de segurança por onde andar, para onde ir e como se preparar para se dirigir a qualquer lugar, caso chova ou faça sol e assim por diante.

O Marketing Sensorial é mais uma das maravilhosas estratégias de marketing que analisa o comportamento do cliente e suas emoções e visa criar um vínculo emocional entre o produto ou serviço e o consumidor.

Esta estratégia é uma alternativa que tem conquistado cada vez mais o espaço no ponto de venda, centralizando os esforços na transformação da experiência de consumo em uma atividade envolvente e marcante. Assim, fazer com que um restaurante de alimentação natural tenha essências que exalam odor de matas, músicas com som de cascatas, etc, com certeza será um meio de unir a harmonia de um ambiente agradável ao sabor de alimentos naturais ou vegetarianos, por exemplo.

O Marketing Sensorial não exige um investimento muito alto e dá resultados práticos a curto prazo, além de personalizar a experiência da compra, destacando o estabelecimento junto ao consumidor.

Como utilizar melhor o marketing sensorial? Veja a seguir algumas formas para otimizar seus resultados atentando-se aos pequenos detalhes que fazem grandes diferenças.

Visão: Cuidado com o excesso de cores e imagens. Evite poluição visual. O produto deve ter destaque sem que as muitas mensagens venham a confundir o seu público-alvo. O estabelecimento deve escolher cores que identifiquem sua ideologia.

Audição: Músicas devem ser adequadas aos ambientes. Em lugares mais agitados a música alta pode vir a atrapalhar. Escritórios, lojas e supermercados devem dispor de uma “rádio” interna própria, selecionando o tipo de música que envolva o ambiente ou então manter a sintonia em uma rádio que toque músicas que se identifiquem com o perfil dos clientes, num volume ideal ao seu público. Não se coloca, por exemplo, um Heavy Metal em um restaurante italiano no horário do almoço.

Tato: O consumidor brasileiro tem o hábito de “observar” com as mãos. Deixar os produtos ao seu alcance pode ser uma grande oportunidade de agradáveis experiências aos consumidores e novos negócios para a empresa.

Paladar: Este sempre foi o conquistador de todos. Há até o ditado: “conquistou o marido pelo estômago”. Oferecer ao cliente agrados como chocolates, balas ou outras guloseimas que agreguem além do sabor, características visuais e olfativas, poderá tornar a experiência de compra inesquecível bem como satisfazer o cliente pelo fato de ter ganho um brinde.

Olfato: As essências podem ser utilizadas para personalizar o ambiente. É necessário apenas ter cautela quanto ao exagero da quantidade ou excesso de essências distintas em um mesmo ambiente.

Identifique em seu estabelecimento quais os artifícios estratégicos do marketing sensorial que você pode utilizar e potencialize seus resultados. Agregue valor aos seus produtos e serviços criando uma experiência inesquecível aos seus clientes, e boas vendas!

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Como Falar em Público

Segunda, 20 de Outubro de 2008
“Quando falares, procura que as tuas palavras sejam melhores que o teu silêncio.”
(Provérbio Indiano)

Tratando-se de comunicação, é impossível deixar de abordar a importância de aprender a falar em público.

Pesquisas feitas em diversos países indicam que o medo de falar em público é tão significativo que chega até a superar o medo da morte!

Independentemente de sua posição profissional ou social, em algum momento será necessário falar para uma platéia. Pode ser durante uma reunião na empresa, na apresentação de um trabalho acadêmico, durante um evento social ou mesmo em ocasiões informais com os amigos.

A boa notícia é que todos nós podemos aprender técnicas para falar em público, superando receios e constrangimentos, alcançando êxito na transmissão da mensagem.

Em 1998 eu nem sequer imaginava que um dia poderia seguir uma carreira como palestrante profissional. Na ocasião, enquanto empresário, identifiquei a necessidade de melhorar minha comunicação e procurei o Instituto Reinaldo Polito para fazer seu Curso de Expressão Verbal. Muitos foram os ensinamentos que guardo comigo e aplico até hoje. E, embora não seja o propósito desta obra, gostaria de compartilhar algumas dicas práticas que aprendi com meu mestre e amigo Reinaldo Polito, indiscutivelmente a maior referência em oratória de nossos tempos.

1. Domine o tema. Procure falar a respeito de um assunto sobre o qual você tenha domínio. Pode ser fruto de sua experiência pessoal, acadêmica ou profissional. O fato é que conhecer o assunto com certa profundidade torna sua exposição mais original, espontânea e cadenciada, conferindo-lhe maior tranqüilidade e credibilidade. Em 2005, após apresentar a palestra “Sete Vidas”, na Adidas do Brasil, o presidente da empresa, Marcelo Ferreira, solicitou-me uma palestra sobre administração do tempo. Na ocasião, informei-o de que esse tema não constava de meu portfólio e que precisaria prepará-lo. Durante seis meses li uma variedade de livros sobre o assunto até estar pronto para discorrer sobre o tema. Hoje esse é um de meus objetos de estudo favoritos e a palestra “Construindo um Dia de 30 Horas” um dos temas mais requisitados.

2. Conheça seus ouvintes. Saiba previamente com quem irá falar e busque informações sobre seu perfil. Cada audiência demanda uma abordagem diferenciada, porque tem características e expectativas próprias. Imagine como dirigir-se a estudantes e executivos, jovens e idosos, pós-graduados e pessoas com menor instrução. A linguagem e os exemplos seguramente serão distintos em cada situação.

3. Conheça o espaço físico. Visite com antecedência o ambiente no qual irá discursar. Avalie suas dimensões e o impacto sobre a acústica, a disposição dos assentos em relação ao palco ou ao local em que você ficará postado, o índice de luminosidade, as áreas de circulação. Mais do que tudo isso, perceba o ambiente a fim de sentir-se confortável no momento da exposição. Em 2006, na Celulose Nipo-Brasileira (Cenibra), fui convidado a ministrar a palestra de encerramento da Sipat. O local era improvisado, a fim de permitir a participação de um maior número de colaboradores e a tela de projeção era diretamente afetada pela luz do sol. Por conhecer essa situação previamente, alterei o conteúdo de minha apresentação, excluindo imagens e vídeos que não seriam visíveis naquelas condições, sem prejuízo à mensagem final.

4. Use a roupa certa. Terno e gravata para homens, tailleur para as mulheres, certo? Não necessariamente. Dependendo das características do evento, um traje mais informal pode ser recomendável e garantia de sucesso. Já participei de convenções de empresas nas quais substituí o conjunto camisa social, gravata e paletó pela camiseta com o tema do evento. Isso gera proximidade e sinergia com os participantes.

5. Dê colorido à sua voz. Uma palestra tem como característica o fato de ser, em essência, um monólogo, ainda que o conferencista utilize recursos variados, incluindo a participação da platéia. Por isso, durante a exposição, alterne a entonação e a velocidade da voz, ora falando mais alto, ora sussurrando; ora discorrendo pausadamente, ora acelerando as frases.

6. Pronuncie bem as palavras. Além de pronunciar as vogais em ditongos e os “r” e “s” em finais de palavras, atente para evitar o uso de cacofonias como “né”, “ããã”, entre outros, uma vez que estes podem comprometem a qualidade da comunicação. Procure sempre aprimorar sua dicção, articulando com correção palavras e sons.

7. Cuidado com o vocabulário. A linguagem utilizada na comunicação deve estar alinhada ao perfil dos participantes. Assim, jargão profissional e termos técnicos podem ser utilizados com seus pares, mas são inadequados para uma audiência heterogênea. Além disso, tenha atenção especial em relação às regras gramaticais, conjugação de verbos, concordância, coesão e coerência textual.

8. Use a expressão corporal. Albert Mehrabian, professor emérito de psicologia da Universidade da Califórnia (UCLA), conduziu a partir de 1967 estudos que originaram a Teoria 7-38-55, publicada no Journal of Consulting Psychology com o título “Inference of attitudes from nonverbal communication in two channels”. O estudo indica que no processo de comunicação, somente 7% do impacto da mensagem decorre de seu conteúdo, 38% da comunicação verbal (intensidade e velocidade da voz) e 55% da linguagem não-verbal (gestos, postura, contato visual). Portanto, o sucesso da comunicação interpessoal não está naquilo que você diz, mas em como diz.

9. Conquiste a atenção dos ouvintes. Olhe com atenção para a platéia, percorrendo todo o ambiente. Movimente-se para alterar o campo visual de atenção. Aproxime-se das pessoas e procure interagir com elas. Perceba os sinais emitidos, de interesse ou dispersão em sua mensagem, alterando, assim, a abordagem, seja por meio de inflexão de voz ou de mudança no foco temático. A ordem é persuadir e cativar o público. E lembre-se: os primeiros minutos de sua exposição são fundamentais. É o momento em que as pessoas estão mais desarmadas e suscetíveis a serem conquistadas por você. Em minhas palestras, costumo aliar recursos audiovisuais a fim de ganhar a atenção dos participantes com sons e imagens que se integrem à minha voz e ao conteúdo transmitido.

10. Cultive o bom humor. Conduza sua apresentação com naturalidade e descontração, transmitindo a mensagem desejada de forma agradável, com tranqüilidade e toques de bom humor. Um semblante sereno e um sorriso autêntico são capazes de quebrar resistências, mudar opiniões e romper barreiras aparentemente intransponíveis.

11. Cuidado com piadas e desculpas. Bom humor não remete necessariamente a contar piadas. Todavia, caso deseje fazê-lo, evite piadas de cunho político e religioso, pois é grande o risco de agradar a alguns e ferir outros tantos. Também é aconselhável evitar desculpar-se em razão de problemas físicos, por exemplo. Se estiver resfriado, ao desculpar-se por seu estado no início da apresentação, fará com que a audiência concentre-se ainda mais em seu problema, o qual poderia até passar despercebido.

12. Planeje o discurso. Começo, meio e fim. Definir uma estrutura lógica para sua apresentação ajudará você a concatenar suas idéias, facilitando o entendimento da platéia. Faça a abertura informando sobre o que irá falar, desenvolva o raciocínio e conclua, trazendo um pequeno resumo antes do fechamento. Se pretender apresentar uma solução para um problema, informe antes qual é o problema.

13. Fale de improviso. Esse é um reforço da recomendação inicial de se dominar o assunto que será abordado. É importante ter uma estrutura de discurso mentalmente definida, conforme mencionado, mas não se apegue a isso como cartilha, e sim como um guia. Esteja livre para mudar o conteúdo e a ordem de sua apresentação. E lembre-se de que imprevistos ocorrem, como problemas técnicos com equipamentos que podem interferir em seu desempenho.

14. Responda a perguntas. Coloque-se sempre disponível para responder aos questionamentos dos participantes. É evidente que para fazê-lo você deverá dominar o tema, mostrando-se preparado para um eventual debate, inclusive oriundo de uma platéia hostil. Mantenha a serenidade e não se acanhe em declinar de perguntas para as quais desconhece a resposta. Demonstre uma postura segura. Momentos preciosos tenho vivenciado ao término de minhas palestras quando há a oportunidade de interagir de perto com os presentes. Minha experiência tem demonstrado que o questionamento de um corresponde à dúvida de outros, permitindo-me, inclusive, escrever posteriormente sobre o assunto em pauta.

15. Capriche no encerramento. Uma mensagem poderosa e consistente ao término de sua apresentação poderá ganhar a simpatia dos ouvintes, inclusive daqueles que estiveram reticentes ao longo de toda a explanação. Sempre finalizo minhas palestras declamando um poema com texto alinhado ao tema apresentado.

Conforme relatei no início, meu intuito foi somente compartilhar algumas sugestões. Essas dicas e muitas outras podem ser encontradas com maior detalhamento e riqueza de exemplos nas obras do professor Reinaldo Polito.

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Não me amarra dinheiro não, mas compostura... (Beleza pura – Caetano Veloso)

Sabado, 30 de Agosto de 2008
Sangue latino, muita paixão, bom humor e descontração em alta! Assim é o brasileiro médio. Vive um dia de cada vez, faz seu auê com os amigos no fim do dia e, via de regra, está de bem com o mundo; uns mais no aperto, outros mais folgados, e quando perguntamos como vai a vida a resposta quase sempre é: “Vou levando”!

Esta é nossa cultura e nosso jeito de ser. Soltos, intuitivos, passionais!

Planejar não é muito bem visto por aqui. Escrever o planejamento então, que saco! “Metas? Métricas? Processos? Ah, sai dessa, eu quero é ser feliz! Sei... Anhãn... Usar um software de gerenciamento financeiro em minhas contas pessoais... Você está louco? Acha que eu vou virar um fanático com objetivos e controles e lançar no PC aquela empada com suco de goiaba que comi hoje cedo? Já falei, eu quero é ser feliz!”

Não sou uma pessoa viajada, muito menos conhecedor profundo de outras culturas para tecer boas comparações, mas de uma coisa eu sei: A maioria de nós por aqui é avessa ao planejamento, especialmente quando este se dá no aspecto financeiro.

Aliás, brasileiro parece que tem preconceito com dinheiro; é quase como se fosse algo sujo, feio, coisa de “gentinha gananciosa” sabe. Educação financeira é algo que passa longe de nossas escolas, e o senso comum é que cada um se vire e aprenda como usar seu dinheiro.

Bem, a triste verdade é que há muitos profissionais hoje no mercado que enfrentarão a terceira idade em consideráveis dificuldades financeiras. Não porque não ganhem dinheiro agora, e sim porque detestam ter que planejar, poupar e investir; e se não desconhecem, pelo menos torcem a cara para aquilo a que se chama na vida de “previdência”.

Não, não é da previdência pública que falo, nem mesmo da privada, e sim do comportamento previdente. Particularmente, sou da opinião de que pensar no futuro com responsabilidade não é ser um sovina mão de vaca que deixa de viver as boas coisas da vida, e sim entender que um dia o imprevisto e a idade vêm, o pique diminui e a força vai minguando. E claro, todos nós queremos conforto e segurança para viver, especialmente às portas do crepúsculo da vida.

Há quem ande a pé (ou de táxi) e custe a pagar o aluguel, mas não deixa de freqüentar constantemente bons restaurantes e viver com tudo “do bom e do melhor”! Vivem o dia!

Prestação de casa? Carro? Patrimônio? “Eu quero é viajar!”

E assim vão vivendo, até chegar aos sessenta anos e perceberem que mal tem onde cair mortos. Aí terão que continuar a trabalhar em uma idade na qual o corpo já começa a pedir descanso e a alma já clama por dias mais amenos. Se derem a sorte de terem filhos previdentes, estarão amparados, se não, provavelmente vão passar necessidade ou ter que viver da mísera pensão que o governo (graças a Deus, nesses casos) o obrigou a pagar através do INSS.

Ora, mas quem sou eu para julgar como as pessoas vivem suas vidas! E longe de querer dizer a elas se estão certas ou erradas, o que busco aqui é citar fatos, exprimir meu ponto de vista e, quem sabe, chamar sua atenção para a questão.

Pra mim dinheiro não é sujo nem sagrado. Dinheiro é permissão, só isso, e se for ganho com trabalho honesto e inteligente é nada mais que legítimo ”poder de troca”.

Tenho 29 anos de idade e não vivo como um morto de fome, mas abro mão de muitos luxos imediatos em nome de garantir investimentos e bens duráveis que me farão falta no futuro. “Ainda” deixo de atender a muitos desejos pontuais meus para construir segurança financeira em médio prazo.

Ok, tudo bem que eu posso morrer amanhã, como me disse outro dia um colega! Tá bom, mas é que eu posso não morrer também e, matematicamente falando, se estou vivo até hoje a tendência de que continue assim é bem grande.

Não me abalo, pois sei que em breve chegará o dia em que as prestações irão acabar, os investimentos darão retorno e poderei então “viver com mais estilo”. Mas por enquanto sou assim: guardo, planejo, invisto e espero. Azar meu, que posso morrer amanhã!

E olha, se você não se comporta assim eu não tenho nada com sua vida! Isto aqui é apenas um artigo e eu precisava de um bom tema para a semana; aliás, como já dizia a abolida propaganda de cigarros: Cada um na sua...

Sei, no entanto, que é muito triste ver alguém já mais velho trabalhando por obrigação, quando queria e poderia estar descansando ou trabalhando somente por prazer, para complementar a renda.

Pessoas que tiveram um estilo de vida agradável, viajaram bastante, comeram bem, divertiram-se a valer e agora pensam: E quando o corpo e a mente já não agüentarem, o que farei?

E não me amarra dinheiro não, sabe, mas que iria ficar complicado manter a compostura tomando ônibus lotado pra receber pensão do governo e matutando se ia ter com o que pagar todas as contas do mês, isso iria; ô se iria!

Até a próxima.

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Reimagine!

Sexta, 29 de Agosto de 2008
“Se você não gosta de mudança, vai gostar ainda menos de irrelevância.”
(General Eric Shinseki)

Você pode ler as 352 páginas de “Reimagine! Excelência nos negócios numa era de desordem” (Futura, 2004) ou assistir aos 77 minutos do filme com igual título, distribuído no Brasil pela Siamar, para entender o porquê de Tom Peters ser considerado um dos nomes mais influentes da administração moderna.

O fato é que Peters aborda temas que por vezes não chegam a ser inovadores, mas sua forma de apresentá-los é única e surpreendente. Ilustra, exemplifica e utiliza cases de empresas para demonstrar que é possível fazer diferente, fazer a diferença.

Algumas sugestões que podem ser extraídas de sua obra acompanhadas de breves reflexões pessoais:

1. Abrace uma grande visão. Você ou sua empresa alcançarão o grau de crescimento e de exposição que postularem em seus planos. Pense pequeno e pisará a grama, pense médio e caminhará por entre arbustos, pense grande e habitará uma floresta. Se desejar ser a maior empresa de seu setor parecer utópico, experimente imaginar ser a melhor. Isso é sempre possível. E compartilhe esta visão.

2. Contrate grandes pessoas. Num mundo de produtos comoditizados, são as pessoas o grande diferencial. Aprenda a selecionar gente com vontade de trabalhar, com eletricidade no corpo e brilho nos olhos. Gente com atitude, mais do que habilidades, que podem ser ensinadas a qualquer tempo. Gente melhor do que você! E contrate devagar, buscando qualidade a partir da quantidade. Mas demita rápido, tão logo seja preciso.

3. Promova o envolvimento. Faça as pessoas trabalharem com você e não para você. Elas devem se sentir não apenas parte do processo, mas protagonistas das soluções. O envolver é entrelaçar, compartilhar e comprometer-se. Empenho que decorre do entusiasmo, determinado menos por questões financeiras e mais pelo orgulho de pertencer e pelo respeito aos propósitos da companhia e à liderança.

4. Treine o tempo todo. Prepare sua equipe treinando-os continuamente. A tarefa é desenvolver competências técnicas, comportamentais, relacionais e até valorativas. Esqueça a mensuração baseada em horas de treinamento anual por pessoa. Isso é balela estatística. A verdadeira régua está na qualidade do treinamento. Ajude-os a conhecer tudo sobre seus produtos e serviços, mas contribua também para que se tornem também pessoas melhores e não somente profissionais melhores.

5. Comunique constantemente. Mantenha a todos informados: colaboradores, clientes, acionistas. Faça a informação – de qualidade – circular. Use da transparência, evite eufemismos, diga a verdade. A mentira tem pernas curtas, vida longa e seu legado é devastador. Compartilhar resultados favoráveis é prazeroso e fácil, mas poucos fazem o mesmo com as más notícias, perdendo a oportunidade de captar grandes aliados para superá-las.

6. Desenvolva idéias e soluções inovadoras. Pense fora da caixa, do plano bidimensional. Faça propostas absurdas ao mesmo tempo em que reflete sobre o óbvio – assim surgiu a jornada flexível de trabalho. Atente para as perguntas e formule outras perguntas quando tiver obtido uma provável resposta – assim nasceu o carro bicombustível. Fique de olho nas conseqüências, inclusive aquelas que parecerem totalmente desfavoráveis – assim foi criado o medicamento para disfunção erétil. Hospitais não precisam ser tristes, aulas não carecem de ser chatas, políticos não necessitam ser corruptos.

7. Design é fundamental. Em termos de design, o que menos conta é a beleza, ainda que ela possa e deva ser contemplada. O que está em jogo é a funcionalidade, a praticidade, o tipo de material empregado. Falamos de leveza, de manuseio, de alternativas com custo inferior – e valor agregado superior. Continuo sem entender por que aqueles sachês de mostarda, maionese e ketchup são tão irritantemente difíceis de serem abertos. Ou por que as embalagens de sanduíches não são formatadas para funcionarem como guardanapo, evitando o contato das mãos com o alimento. Alguém se habilita?

8. Tecnologia para facilitar. Tecnologia que se propõe exclusivamente a transparecer uma imagem futurista apenas intimida e afasta clientes, além do risco de representar um caminhão de dinheiro jogado no lixo. O que se espera são instrumentos para agilizar processos, promover a integração, ampliar a comunicação, reduzir custos diretos ou indiretos. A mudança tecnológica deve ser evolucionária, e não revolucionária. Pequenos avanços hoje, grandes inovações amanhã.

9. Ofereça um atendimento extraordinário. Duvido que ainda haja neste mundo uma pessoa qualquer que não tenha sido flagrantemente destratada, negligenciada e até desrespeitada enquanto consumidora. São profissionais de telemarketing ativo que invadem nossa privacidade na calada da noite, muitas vezes para oferecer um produto do qual já somos seus usuários. São profissionais de telemarketing passivo, dos ordinários serviços de atendimento ao cliente, desprovidos de treinamento, autonomia e bom senso, que raramente resolvem uma demanda com iniciativa, interesse e rapidez. São profissionais em pontos de venda, que não procuram identificar nossas necessidades, mas apenas sugerir o que lhes convém, e raramente solícitos por ocasião de uma troca ou substituição. Estou farto deste desatendimento! Gente que não entende que venda se processa antes, durante e depois da compra. Gente que não aprende que vender e servir andam de mãos dadas. Gente que ainda não descobriu que a única coisa que cativa um cliente é uma experiência de atendimento inesquecível e extraordinária. E que isso é fácil de proporcionar: basta dar atenção.

10. Divirta-se! Quer colher comprometimento dos funcionários, fidelidade dos clientes e retorno sobre o investimento? Construa um ambiente que seja prazeroso para trabalhar e agradável para visitar. Um local onde quem trabalha aguarde ansiosamente pela segunda-feira para iniciar uma nova e produtiva semana. Um espaço onde quem consome sinta-se estimulado a permanecer por horas desfrutando de sua atmosfera e infra-estrutura. Livrarias com confortáveis poltronas onde se pode degustar a leitura de qualquer obra sem restrições, por exemplo, já aprenderam esta lição.

Reflita sobre estas propostas, celebre as conquistas e gerencie com paixão. Tenha menos foco em coisas, mais cuidado com pessoas. Reinvente. E reimagine!