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O grande equívoco da "inovação" - Parte I

Domingo, 24 de Fevereiro de 2008
A "inovação" e seu conceito equivocado têm sido propagados como a panacéia para o sucesso das empresas, como único remédio para a sua sobrevivência nestes tempos de competição desenfreada. O que todos estão pensando pelo que se ouve e se lê é que a empresa que mais "inventar" coisas novas, produtos novos, estará à frente da concorrência.

Uns sugerem inovações "radicais", se referindo à necessidade de inventos de produtos radicalmente diferentes, para vencer a concorrência. A todo o momento todos falam que a única salvação da empresa é inventar produtos "radicalmente novos". Porém, neste remédio há, no mínimo, um erro de fórmula.

O "P" de P&D é sempre o de pesquisa aleatória de "novidades" e "inovações" e não de "P" de pesquisa do valor desejado do consumidor - Outros falam que é preciso incrementar a velocidade e intensidade de produção do departamento de P&D, mas o "P" é sempre o de pesquisa de novas invenções "radicais", aleatórias, e não o "P" de pesquisa (ou de prospecção usando diversas técnicas) para conhecer a escala de valor desejado do consumidor, que revela a forma perfeita de como se faz o produto mais vendável. Não sabem que é exatamente por isso que os custos em P&D crescem e os lucros diminuem.

A "inovação" com baixa, alta ou nenhuma tecnologia é um segundo movimento.

Eles não compreendem que esta P&D com "P" de pesquisa de produtos, de invenção de produtos, acompanhada de seu "D" de desenvolvimento, é um segundo movimento, após saber qual o produto, qual a "inovação" a ser criada e sua receita perfeita de como ele é, revelada por quem precisa dele, por quem vai usá-lo, extraída de sua escala de valor desejado para todos os produtos.

A partir daí, sim, as cabeças pensantes dos inventores, do pessoal do departamento de P&D tem um norte seguro para onde direcionar a sua verve criativa, inventiva, tendo certeza absoluta de que caminham para uma solução técnica comercializável.

O que realmente importa não é a engenhosidade da invenção, a alta tecnologia empregada, mas a pertinência de sua aplicação para dar a solução perfeita desejada pelo comprador.

Para muitos, Peter Drucker e Theodore Levitt estão esquecidos ou ainda desconhecidos - Ao consumidor pouco importa conhecer a tecnologia do produto. O que ele quer é a satisfação de sua necessidade da forma mais perfeita segundo o seu julgamento de valor.

O que parece claro é que muitos esqueceram ou ainda não conheceram até os princípios mais básicos da ciência da comercialização, do marketing, ensinados por alguns verdadeiros cientistas e mestres desta matéria, como Peter Drucker e Theodore Levitt: que somente o consumidor sabe a forma de minha empresa e meus produtos, o modelo que a torna mais lucrativa, mais ágil e mais eficaz. Entender que o consumidor tem de ser o consultor permanente sobre todas as coisas da empresa, porque só ele sabe o modelo perfeito de todas as empresas e de todos os produtos.

Porque a "inovação" é feita para que ele a compre e o consumidor só compra o que quer. Só compra o produto que mais perfeitamente atende às suas necessidade, aos seus desejos. Ninguém pode obrigar alguém a comprar o que não quer.

O problema das empresas voltadas à "inovação" é que elas não sabem qual "inovação" o consumidor deseja - Que importa toda a minha criatividade para a inovação, se eu não sei o que o consumidor deseja que eu invente? Se eu não sei exatamente como é a "inovação" que o consumidor deseja?

O que as empresas tem de fazer é encontrar todas as maneiras possíveis (e, aí sim, ela tem de ter conhecimento, criatividade e feeling) para "extrair" (esta é a palavra precisa) do consumidor este modelo perfeito de como deve ser feito o seu produto. E esta é a parte mais difícil de toda a estória

Na verdade o consumidor não quer "inovações", mas soluções objetivas para seus problemas - O consumidor não quer exatamente "inovação" ou "inovações". O que ele quer são coisas que atendam aos desejos que ele mais valoriza, sejam elas novas ou velhas. As pessoas compram por valor desejado, não por ânsia de meras "novidades".

Exemplos comprobatórios do que falamos. Teorias que não são comprovadas na prática, pelos fatos, não são ciência. Princípios científicos quando aplicados, sempre funcionam e trarão sempre os mesmos resultados. E para que nos serviriam teorias que não são ciência?

Uma grande "inovação" velha: O motor "flex", bicombustível - Exemplo de que "inovação" não consiste somente de novas idéias: O Ford modelo "T" de 1908 era "flex", bicombustível. Funcionava a álcool e a gasolina. O motor "flex" de hoje (feito com nova tecnologia, mas utilidade para o consumidor igual), para o consumidor é uma "novíssima" "inovação" que vem atender ao seu valor desejado de poder optar entre dois combustíveis e fugir do alto preço da gasolina quando lhe der vontade.

Uma "desinovação" de grande sucesso: a calculadora pessoal - Outro exemplo de "desinovação" de grande sucesso: a calculadora de seis dígitos da Casio. Esta gigante japonesa surgiu no final dos anos 50 e nos 60 era líder do mercado de calculadoras eletrônicas. Em 1970 ela se viu apertada por mais de 40 concorrentes e em vez de fazer uma "inovação" "nova", ou um aprimoramento em suas calculadoras que tinham 8 dígitos, criou um modelo com menos 2 dígitos, sem casas decimais, menos funções e ao preço de 100 dólares, a Casio Mini (eu tive uma quando garoto). Antes da Casio Mini o preço de uma calculadora chegava a milhares de dólares.

Estaria o conceito equivocado da "inovação" entranhado na natureza do homem?

Reportagens comentam que nem os vendedores acreditavam no produto. Pelo visto nesta época já existia esta mentalidade equivocada da tal "inovação" e seu conceito - que o cliente só compra invenção nova e com a mais alta tecnologia. Também lá, ninguém conhecia o princípio lapidar da comercialização que ensina a razão pelas quais as pessoas compram: a sua percepção de valor.

Em apenas um ano venderam-se dois milhões de unidades. A Casio Mini foi a primeira das calculadoras pessoais. Segundo a revista exame, a estratégia da Casio sempre foi baseada "na criatividade e na intuição" de seu diretor (não havia pesquisa ou outro método de estudo da escala de valor do consumidor).

Sempre chamo isso de "inovação" à procura de valor. Ou "roleta russa" empresarial. Você escolhe.

Podemos repetir? As pessoas não compram inovações, mas valor desejado, cujo valor está condicionado ao seu poder aquisitivo, às circunstâncias, à maneira de usar o produto, etc. Esta "desinovação" aleatória criada por seu diretor, forçado pelas pressões da concorrência, "por acaso", "por sorte", como dizem as pessoas que crêem em sorte ou azar, "acertou" em cheio no item de valor desejado da escala de muitas pessoas para o produto calculadora: preço baixo, portabilidade e adequação ao uso.

Grandes "inovações" que ninguém comprou porque não precisava delas - Veja estes exemplos de grandes "inovações" que ninguém quis. Que não serviam para nada. Mas eram grandes inovações, grandes inventos! Mas não eram um valor desejado pelas pessoas e por isso ninguém comprou. E inovação que o consumidor não deseja, não vende.

O vídeo fone. Que maravilha. O telefone com vídeo, com uma telinha na qual você é visto e vê a pessoa que está falando do outro lado da linha. À primeira vista, qualquer pessoa diria na posição de vendedor, que seria um produto de sucesso. Mas o vendedor não sabe qual é o produto de sucesso, o produto que vende. Só o comprador é quem sabe.

Por incrível que pareça, o vídeo-fone não era um item de valor desejado da escala de valor do consumidor para o produto telefone.

Na posição de vendedor as pessoas tem um modo de pensar. Na posição de comprador, tem outro completamente diferente. É um caso perfeito de dupla personalidade. Dr. Jeckyll e Mr. Hyde.

Faz mais ou menos 40 anos que foi inventado e até hoje ninguém quis ter um vídeo-fone. Coloque-se agora na posição de usuário do vídeo-fone e você vai entender, fácil, porque foi um grande fracasso.

Primeiro, por que todas as pessoas, do Oiapoque à Sibéria, são sempre inseguras com sua aparência. As pessoas sempre se acham menos bonitas em imagens de qualquer mídia. A grande maioria das pessoas tem obsessão por privacidade. O vídeo-fone residencial tocaria como o telefone comum, também em horas impróprias, quando as pessoas estão em seu relax, sem maquiagem, de bermudas e sem camisa. E a obsessão cada vez maior nos dias de hoje pela segurança? Estranhos ligando para sua casa por engano ou por más intenções e te vendo na telinha?

Precisa falar mais? Uma "inovação" maravilhosa, mas que não era um item da escala, da "lista" de valor desejado do consumidor para o produto telefone.

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A distribuição, e a valorização da marca

Sexta, 15 de Fevereiro de 2008
O que nasceu primeiro? A distribuição ou a marca?

O papel da distribuição na construção de uma marca forte e valorizada é de fundamental importância. Somente o "trabalho de formiguinha", colocando o produto em vários pontos de venda, pode contribuir para o crescimento de uma marca.

Todo o trabalho de marketing, em pesquisa, definição da embalagem, fixação do preço, divulgação para o público certo, terá êxito havendo a pulverização do produto nos pontos de venda adequados. É importante que exista uma sinergia entre o marketing e a distribuição, de forma que um seja continuação do outro.

Mesmo quando a distribuição é feita via empresas terceirizadas, o que ocorre na maioria dos casos, essa fase final em que o produto é colocado a disposição do consumidor, deve ser bem mensurada e acompanhada. O papel do distribuidor passa a ter muita importância, tornado-se um grande aliado do marketing. O consumidor determina como e onde ele quer encontrar o produto, caso contrário ele irá procurar por alternativas.

A distribuição, e a valorização da marca



A distribuição envolve a logística, com todas suas particularidades, desde o armazenamento adequado, o transporte através da manipulação do produto, o trânsito, a programação de horários (hoje muito mais imprevisível) e uma série de procedimentos legais e necessários para se ter certeza da entrega do produto.

A distribuição envolve ainda o contato do vendedor com o lojista, convencendo-o sobre a importância do produto no seu ponto de venda, bem como o retorno que ele terá com a venda. Também envolve a arrumação e exposição do produto no ponto de venda, com a sua presença assegurada, ou seja, sem ruptura. E esse último é o ponto de vital importância. Depois de um caminho consolidado, a falta do produto no ponto de venda onde já foi feita a introdução, é o pior que pode ocorrer para o produto.

O sucesso de uma marca depende de como ela se relaciona com toda a cadeia produtiva e comercial. Podemos chamar um jogador de futebol de Pelé, mas se ele não fizer gols ou dribles maravilhosos, não acreditaremos nele e rapidamente ele perderá o prestígio e conseqüentemente o seu valor. Uma marca de sucesso depende de um bom produto, de bons profissionais atuando com ela e de um sistema de distribuição integrado com o marketing. Um produto de qualidade, profissionais competentes e um adequado sistema de distribuição constituem um conjunto de fatores positivos para o sucesso de uma marca.

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Criatividade e Inovação nas Organizações

Quarta, 30 de Maio de 2007
CENÁRIOS
A criatividade é um tema que faz parte do contexto atual das organizações. Aquelas que pretendem substituir o paradigma da sobrevivência pelo paradigma da expansão precisam se reinventar.

Turbulências de toda ordem, mudanças inusitadas de cenários e novas práticas de mercado surpreendem os menos desavisados.

Quando clientes se posicionam e exigem produtos e serviços de custo baixo e alta qualidade, por exemplo, as empresas criativas aproveitam a dica do mercado e alavancam novas práticas e estratégias. Se um mesmo produto ou serviço, de qualidade e preço similares é negociado por empresas concorrentes, que diferencial devem apresentar para garantir seu espaço no mercado? É fundamental que empresários, administradores e líderes abordem esta questão como um problema que deve ser resolvido sob a ótica da criatividade.

Estamos vivendo o momento onde as tecnologias de vanguarda facilitam e permitem a expansão do processo criativo. A cada dia, torna-se mais curta a distância entre o fato e a informação. Temos meios de saber o que acontece em qualquer parte do planeta, com uma agilidade ímpar. O conhecimento está ao alcance de todos. O mundo ficou pequeno!

Conhecimento sem uso é um patrimônio pessoal. Podemos colocá-lo ao alcance de todos com o auxílio da criatividade. Ela agrega valor a este patrimônio.

A matéria-prima gerada pela tecnologia - fatos, informações, dados - só é útil quando acompanhada por insights. Ao estabelecermos conexões entre os dados e chegarmos à EUREKA (achado, descoberta), as ações criativas tornam-se mais viáveis.

PORQUE ALGUMAS ORGANIZAÇÕES ESTÃO FOCADAS NA SOBREVIVÊNCIA E OUTRAS SE DESTACAM, CRESCEM E SE MANTÉM NO PODIUM, COMO VENCEDORAS?

Três pontos básicos diferenciam as organizações de sucesso das primeiras. Seus modelos de gestão levam em consideração três fatores:

1. Utilização criativa do conhecimento gerado pelos avanços na tecnologia da informação

2. Investimento no capital humano, buscando o ponto de equilíbrio entre capacidade de produção, geração de resultados e necessidades individuais.

3. Busca de oportunidades para expansão e crescimento

Na base de sustentação destes três pilares está a CRIATIVIDADE.

O QUE É CRIATIVIDADE?

É o processo através do qual as idéias são geradas, desenvolvidas e transformadas em valor (John Kao). O processo implica em descobrir maneiras novas e efetivas de lidar com o mundo, resolver problemas e ampliar o círculo de influências.

Atrelada à criatividade está a INOVAÇÃO, ocorrendo sempre que algo é criado para melhorar um sistema.

Até bem pouco tempo, a criatividade era vista pelas empresas como algo intangível, destinado a poucos gurus. Algo reservado a artistas, pessoas incomuns e gênios.

As pesquisas e estudos desenvolvidos nesta área sinalizam em direção a retomada da criatividade como uma disciplina que pode ser desenvolvida e aprendida, possibilitando a todos os profissionais o acesso à sua prática.

POSSO AFIRMAR QUE:

1. A criatividade é tangível: podemos mensurar os efeitos da criatividade e inovação nos lucros da organização;

2. A criatividade é um processo que deve ser administrado e gerenciado;

3. As empresas têm maiores chances de renovar suas práticas e processos quando se apóiam na criatividade.

COMO AVALIAR O POTENCIAL CRIATIVO DA UMA EMPRESA?

Considerando a criatividade como um sistema, é imprescindível que ao avaliar o potencial criativo de uma empresa sejam considerados os seguintes indicadores:

01 - CAPITAL ATIVO: existência de equipamentos que permitam o uso da tecnologia disponível e espaços com arquitetura que permita e facilite a criação.

02 - RECEITA GERADA POR PRODUTOS OU SERVIÇOS NOVOS: inventário de inovações que foram fonte de lucros nos últimos tempos.

03 - INVESTIMENTO EM MUDANÇA DE CULTURA: intervenções que alavancaram mudanças na cultura interna da empresa.

04- SISTEMA DE CRÉDITO ÀS IDÉIAS GERADAS: existência de mecanismos que reconheçam autoria de idéias, indiquem os apoios recebidos e Processos de implementação.

05 - MAPEAMENTO DE RESULTADOS: fontes de informação dos avanços da empresa com relação a inovações.

06 - HISTÓRICO DAS MUDANÇAS: registro de fatos que identifiquem a fonte de estímulo às inovações - desafios internos, resposta aos concorrentes, emergências, projetos específicos.

07 - POSSIBILIDADE DE ISOLAR VARIÁVEIS DO SISTEMA: iniciativas geradoras de resultados favoráveis exigem o isolamento das variáveis que determinaram o sucesso do empreendimento. Exemplos: a implantação de elementos tecnológicos (sistemas de rede) pode favorecer iniciativas criativas e agilizar sua implantação, já que as informações correm mais rapidamente entre as pessoas envolvidas, o que facilita o processo decisório. A inclusão de novos elementos de arquitetura em espaços destinados a criar, provavelmente vai estimular as pessoas a se envolver no processo.

08 - MECANISMOS DE ACOMPANHAMENTO: registro e administração das forças restritivas e propulsoras à ação criativa, definição dos pontos de verificação, identificação das áreas de atrito e avaliação das práticas adotadas. Em caso inadequação é necessário o estudo novas formas de administrar o sistema.

09 - ATENÇÃO AO FATOR HUMANO: mudanças e criatividade são geradas por pessoas. Ciúmes e entusiasmo podem estar caminhando lado-a-lado. É necessário estar com os sensores ligados para administrar conflitos e adotar a negociação ganha-ganha como tática.

10 - VANTAGENS COM A CONCORRÊNCIA: o concorrente mais criativo pode ser a fonte inspiradora para novos desafios. Atualmente o BENCHMARKING é praticado pelas empresas de sucesso. Faz parte do processo criativo definir formas de estímulo que agucem a curiosidade em toda a empresa para os avanços de seu setor. Cada colaborador pode ser um agente da inovação. Para tal, precisa do apoio institucional. Este suporte pode variar de uma simples reunião informativa ao encaminhamento de pessoas para feiras e congressos, acesso a pesquisas na INTERNET, parcerias e formação de redes de contato. É bom lembrar que pessoas motivadas superam seus próprios limites!

11 - IDENTIFICAÇÃO DE TALENTOS: a maioria das organizações desconhece sua fonte de riqueza - os talentos individuais. Um sistema efetivo de manutenção da criatividade inclui o mapeamento individual de potenciais. Tal iniciativa favorece a formação de grupos-tarefa, rodízios, redes de criatividade e serve como base de dados para decisões gerenciais. Além do mapeamento, um bom programa de incentivo à criatividade e ao autodesenvolvimento é fundamental para manter o clima estimulante.

GERENCIANDO A CRIATIVIDADE:

A idéia de instituir um sistema auto-sustentável de criatividade pressupõe gerenciamento em todas as fases de sua implantação.

Sabendo-se que os atuais modelos organizacionais contém paradoxos que, a princípio, poderão impedir o florescimento da cultura criativa, o papel da gerência é fundamental. Ao mesmo tempo em que estamos com um pé no futuro, temos arraigadas diversas crenças que vão de encontro à criatividade. Eis alguns exemplos:

. O momento exige liberdade de criação e, ao mesmo tempo, disciplina;

. É necessário inovar para sobreviver e, simultaneamente, manter a personalidade empresarial - marca que caracteriza cada organização.

. A atração pelo desconhecido alavancada pela onda da globalização, caminha lado-a-lado com a necessidade de um "porto seguro - estabilidade versus insegurança.

. A necessidade de estabelecer padrões de desempenho se choca com a urgência da experimentação do novo.

Em toda tensão paradoxal há um ponto de harmonia - a função do gerente da criatividade é detectar este ponto. As ações com resultados de sucesso são possíveis quando todo o tecido social das organizações está engajado em uma mesma causa.

Ao iniciar o processo o gerente da criatividade poderá esbarrar com resistências naturais às mudanças propostas. Para superá-las é importante obter o apoio de pessoas posicionadas nos níveis hierárquicos mais altos, apresentar planos específicos que definam o número de mudanças concretas que se quer alcançar em determinado prazo e só depois buscar a adesão do restante dos colaboradores. Com a formação de um exército de aliados os obstáculos serão transpostos com mais facilidade.

Para gerenciar o processo é fundamental que o responsável tenha seu próprio KIT ALAVANCADOR DA CRIATIVIDADE, que já garante um bom começo:

. Espaço próprio, que seja seguro, informal, confortável, estimulante, livre de distrações, agradável, criativo.

. Computador pessoal de ponta, ligado no sistema de rede da empresa e conexão na INTERNET.

. Biblioteca com publicações na área.

. Assinatura de revistas ou periódicos específicos.

ATIVANDO A CRIATIVIDADE PESSOAL - DICAS:

. Um gerente da criatividade tem o dever de trabalhar seu próprio desenvolvimento. Alguns hábitos podem ser cultivados:

. Sempre que surgir um problema, usar uma ferramenta específica da criatividade que permita o estudo de mais de uma solução (brainstorming, mind-map, analogia inusual, visualização criativa, abordagem fantástica, técnica do "E... se", outras)

. Ativar a imaginação, procurando visualizar o futuro ampliado. Usar recursos simbólicos para representar o que foi projetado: desenho, símbolos, montagens.

. Cultivar a auto-estima, a autoconfiança, o otimismo e o bom humor - rir dos próprios erros faz com que novas tentativas sejam experimentadas.

. Agitar a rotina, mudando alguns rituais. Fazer coisas diferentes.

. Estabelecer conversações estratégicas em horários e locais inusitados: restaurante, lanchonete, corredores da empresa, estacionamento. Aproveitar todas as oportunidades para estabelecer contatos informais -

. Conquistar novos espaços fora da empresa comparecendo a reuniões, lançamentos de livros, palestras, exposições de arte, teatro, cinema. Diversão e trabalho também caminham juntos.

. Traçar pequenas metas de leitura: 2 páginas de um livro por dia, por exemplo. Ler com criatividade, riscando, rabiscando, colorindo, fazendo perguntas, discordando, concordando, anotando sua opinião sobre o conteúdo, acrescentando suas idéias, enfim, fazer uma leitura interativa com o autor.

. Usar metáforas - que transformam o intangível e o abstrato em imagens. Por exemplo, se quer agilidade de respostas e pretende ver sua empresa no podium, indique sua expectativa usando a linguagem criativa na afirmação: "Pretendemos percorrer dois quilômetros em um minuto".

O ESFORÇO CRIATIVO:

Um programa de criatividade empresarial exige um esforço global que sustente o processo. As ações devem estar direcionadas para quatro blocos:

. PESSOAS: oferecer oportunidades que estimulem a pensar, inovar e inventar, seguir em frente, superar obstáculos sem desanimar, ser original, antecipar o futuro, prevenir-se - ser pró-ativo no lugar de reativo.

. EQUIPES: formar equipes criativas que investiguem e inovem apoiados por líderes criativos que agreguem pessoas por suas idéias fortes e motivadoras.

. EMPRESA COMO UM TODO: preparar líderes empreendedores que saibam administrar a rotina e sair da passividade, promover a educação para a mudança de paradigmas (fazer-fazer), treinar e desenvolver pessoas para usar o pensamento inventivo e divergente, adotar modelos de gestão abertos e flexíveis.

. TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO: promover a extensão do aprendizado a toda a organização, usando recursos tecnológicos disponíveis, de forma a curar as mazelas intelectuais. Transformar a criatividade em uma "filosofia de vida".

A criatividade está ao alcance de todos - é a chave do sucesso empresarial. Deixo meu desafio aos leitores: que tal iniciar uma revolução pacífica em sua empresa? Afinal, o céu não é mais o limite!

Maria Rita Gramigna é Mestre em Criatividade Total Aplicada pela Universidade de Santiago de Compostela (Espanha). Graduada em Pedagogia pela Universidade Federal de Minas Gerais e pós-graduada em Administração de Recursos Humanos pela UNA - União de Negócios e Administração (MG). Atua no Mapeamento de Competências, contatos estratégicos com clientes, capacitação gerencial e treinamento da equipe de consultores da MRG Consultoria e Treinamento Empresarial.

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Avaliando a qualidade do serviço de academia de ginástica: estudo de caso - academia do biocor

Quarta, 30 de Maio de 2007
RESUMO

O objetivo deste artigo é avaliar a qualidade dos serviços prestados pela Academia do Biocor, verificando se seus clientes detectam um desempenho melhor ou igual às suas expectativas. A pesquisa foi realizada com 16 alunos com aplicação do SERVQUAL - instrumento de mensuração da qualidade em serviço. Os resultados encontrados mostram que a empresa pesquisada satisfaz os clientes em alguns itens das cinco dimensões da qualidade (confiabilidade, tangibilidade, sensibilidade, segurança e empatia) e, ao mesmo tempo, tem uma avaliação negativa em outras dimensões, com exceção da confiabilidade e da empatia. Conclui-se que ações de melhoria devem ser tomadas para satisfazer completamente os clientes em situações que competem mais à segurança e tangibilidade.

Palavras-chave: Qualidade do serviço. Expectativa. Desempenho. Academia de Ginástica. SERVQUAL.


1 INTRODUÇÃO

Com a constante entrada de academias de ginástica no mercado da capital mineira e o aumento gradativo de pessoas que as procuram para a prática de atividade física em busca de saúde, qualidade de vida e bem-estar, manter a sobrevivência destas empresas só é possível quando se busca incessantemente a adequação entre o que é oferecido e o que os alunos necessitam ou esperam.

O profissional de marketing precisa sempre direcionar suas ações para os sentimentos do cliente, não só durante a utilização do serviço oferecido, mas também no processo de avaliação que este faz em relação ao atendimento às suas expectativas. A satisfação ou insatisfação do cliente determina-se na relação direta entre expectativas e desempenho percebido.

Superar as expectativas do cliente com a prestação de um serviço é imprescindível para garantir o encantamento. As empresas prestadoras de serviço devem cuidar para que os serviços oferecidos representem verdadeiramente o desempenho esperado e atendam as necessidades de seus clientes.

Percebe-se, mais intensamente nos dias de hoje, a necessidade de personalizar a oferta do serviço aos clientes no intuito de satisfazê-los e oferecer-lhes qualidade. Para tanto, é necessário conhecer os atributos que os mesmos julgam ser importantes na de prestação do serviço e suas expectativas. Considerando a concorrência no mercado de academias de ginástica, quanto mais o serviço prestado se aproximar das expectativas do aluno, mais qualidade será percebida e conseqüentemente, mais satisfeito esse aluno estará.

O objetivo deste trabalho consiste em avaliar a qualidade dos serviços prestados pela Academia do Biocor, comparando a expectativa dos alunos com o desempenho da empresa, detectando se a empresa está ou não satisfazendo-os.

A hipótese nula a ser testada consiste em verificar se a relação entre expectativas e desempenho está sendo satisfatória em todas as dimensões da qualidade na opinião dos alunos da Academia do Biocor.

2 Marketing

De acordo com Kotler e Armstrong (1998, p.3) marketing define-se como "o processo social e gerencial através do qual indivíduos e grupos obtêm aquilo que desejam e de que necessitam, criando e trocando produtos e valores uns com os outros".

Las Casas (2006) compartilha deste enfoque, acrescenta e define o marketing como uma área do conhecimento que reúne as relações de troca orientadas para satisfazer as necessidades e desejos dos consumidores, visando alcançar determinados objetivos da organização ou do indivíduo, considerando o mercado e o impacto que estas relações causam no bem-estar da sociedade.

Conforme Kotler (1998) o conceito mais básico inerente ao Marketing é o das necessidades humanas, que são estados de carência percebida, de privação de alguma satisfação básica. Ainda segundo o autor os desejos são carências por satisfações específicas para atender às necessidades, e são moldados pela cultura e pelas características pessoais. As demandas consistem nos desejos respaldados pela habilidade e disposição de comprá-los.

Portanto, as empresas que se orientam para marketing empenham-se ao máximo em conhecer as necessidades, desejos e demandas de seus clientes. Além disso, ela também prioriza conceitos como o valor, a satisfação e a qualidade.

Valor é a satisfação das exigências do consumidor ao menor custo possível de aquisição, propriedade e uso. Segundo Lovelock e Wright (2005, p.25)

[...] as empresas criam valor oferecendo os tipos de serviços que os clientes necessitam, apresentando acuradamente suas capacidades e realizando-as de maneira agradável e conveniente por um preço justo.

A satisfação depende do desempenho do serviço percebido com relação ao valor relativo às expectativas do cliente. Para Kotler (1998, p.53) "a satisfação é o sentimento de prazer ou de desapontamento resultante da comparação do desempenho esperado pelo produto (ou resultado) em relação às expectativas da pessoa".

A qualidade começa com as necessidades do cliente e termina com a satisfação dele, ou seja, conforme afirma Lovelock e Wright (2005), a qualidade está relacionada ao grau em que o serviço satisfaz os clientes ao suprir suas necessidades, desejos e expectativas.

Para Las Casas (2006) o desafio do marketing consiste em entender o consumidor, conhecer suas expectativas antes, durante e depois da compra, e identificar tanto as necessidades e desejos quanto às satisfações ou insatisfações pelo consumo dos serviços oferecidos.

3 Marketing de serviços

O setor de serviços vem se despontando na economia mundial com uma expressiva representatividade. Segundo afirmam Lovelock e Wright (2005, p.5), "os serviços constituem o grosso da economia de hoje, não só no Brasil, onde respondem por 55 % do Produto Interno Bruto (PIB), mas também no mundo".

O serviço, segundo Kotler e Armstrong (1998), é toda atividade ou benefício, essencialmente intangível, que uma parte pode oferecer à outra e que não resulta na posse de algum bem.

De acordo com Grönroos (1993, p.36):

O serviço é uma atividade ou uma série de atividades de natureza mais ou menos intangível - que normalmente, mas não necessariamente, acontece durante as interações entre clientes e empregados de serviço e/ou recursos físicos ou bens e/ou sistemas do fornecedor de serviços - que é fornecida como solução ao(s) problema(s) do(s) cliente(s).

O serviço, segundo Kotler (1998), caracteriza-se pela intangibilidade, inseparabilidade, variabilidade e perecibilidade. Diferentemente dos produtos, os serviços não podem ser tocados; normalmente são produzidos e consumidos simultaneamente; têm potencial de variabilidade no desempenho, pois dependem de quem os executa e de onde são prestados; e não há possibilidade de serem estocados.

O que se observa hoje, com o aumento da competitividade, é a exigência dos consumidores por mais e melhores serviços. Com isto, ocorre uma mudança na perspectiva a respeito de como os profissionais de marketing das empresas de serviços devem gerenciar a organização. Para se obter vantagem competitiva é preciso oferecer um serviço com diferenciais, como a qualidade, o atendimento, a entrega, entre outros.

O marketing de serviços tem como foco principal o processo de compra do consumidor, tornando essencial o entendimento da escolha por determinado serviço, consumo e avaliação da satisfação pós-compra. Conforme Bateson e Hoffman (2001), entender a ligação entre processos de escolha e avaliação é extremamente importante, uma vez que os consumidores satisfeitos são necessários para a repetição dos negócios.

Com o objetivo de buscar a fidelidade dos clientes, os profissionais de marketing devem estar atentos às atividades que antecedem à compra do serviço e aos motivos que levam à tomada de decisão dos consumidores por aquela determinada empresa. Ainda segundo Bateson e Hoffman (2001), essa decisão é acompanhada por um conjunto de expectativas sobre o desempenho do serviço. Além disso, a avaliação pós-compra, que acontece enquanto o consumidor interage com o prestador de serviços, resulta na satisfação ou insatisfação.

Segundo Mowen e Minor (2003), a satisfação é a atitude geral sobre um produto ou serviço após a sua aquisição e uso. É o julgamento de avaliação posterior à compra.

A satisfação do cliente e a qualidade dos serviços estão entrelaçadas. A maioria dos especialistas concorda que a satisfação do cliente é uma medida de curto prazo, específica para a transação, enquanto a qualidade do serviço é uma atitude formada por uma avaliação do desempenho geral de longo prazo. Contudo, ambos os conceitos estão baseados na relação expectativa do cliente e desempenho percebido.

4 Qualidade do Serviço

Conforme Lovelock e Wright (2005), a qualidade define-se como o "grau em que um serviço satisfaz os clientes ao atender suas necessidades, desejos e expectativas". Nas palavras de Juran (1974) citado por Pitombo (2002), na definição baseada em usuário, entende-se qualidade como a capacidade de satisfazer as necessidades do consumidor.

Segundo Grönroos (1993, p.54) a qualidade percebida é determinada "pela diferença (gap) entre a qualidade esperada e a qualidade experimentada". Com base nesse conceito, Kotler (1998) define a satisfação como a função de desempenho e expectativas percebidos. Se o desempenho não alcançar as expectativas, o cliente ficará insatisfeito. Se o desempenho alcançar as expectativas, o cliente ficará satisfeito. Se o desempenho for além das expectativas, o cliente ficará altamente satisfeito ou encantado.

As expectativas são essenciais para a satisfação do cliente, e é a partir do conhecimento delas é que se busca alcançar um serviço de qualidade. Las Casas (2006) define serviço de qualidade como sendo aquele em que o cliente fica satisfeito com os resultados obtidos, de acordo com suas expectativas. Segundo o autor, muitas empresas buscam superar as expectativas dos clientes causando o encantamento dos mesmos.

Conhecendo as expectativas de seus clientes, a empresa poderá prestar serviços de maneira a superá-la. Sendo assim, a satisfação do cliente em relação a um serviço utilizado é um conceito subjetivo, pois, as expectativas e percepções a respeito do mesmo variam de cliente a cliente. Porém a qualidade "intrínseca" do serviço prestado resulta do nível de desempenho do sistema de operações quando comparado com padrões pré-estabelecidos pelas empresas do setor avaliado.

Diversos autores afirmam que a qualidade é considerada uma resposta subjetiva do consumidor sobre o desempenho do prestador de serviços. Sendo assim, trata-se de um julgamento pessoal, conceito altamente relativo, formado por cada cliente.

A qualidade pode ser definida como a capacidade que um serviço tem de corresponder satisfatoriamente às necessidades do cliente quando esse serviço lhe é prestado.

Em um mercado competitivo, onde o avanço tecnológico e os mercados globalizados tornam a sobrevivência das empresas cada vez mais difícil, a diferenciação da qualidade em serviços é fator determinante e pode gerar um aumento de fatia de mercado e significar a diferença final entre o sucesso e o fracasso de uma organização.

Hoje em dia, independentemente do tamanho das organizações, a qualidade do serviço pode ser a fórmula de sucesso para crescer e enfrentar as concorrentes. No que se refere à qualidade do serviço, Kotler e Armstrong (1998) deixam claro que esta é uma das principais formas de uma empresa se diferenciar no mercado.

Para Parasuraman, Zeithalm e Berry (1988) citado por Pitombo (2002), qualidade percebida é uma forma de atitude, relacionada, mas não equivalente à satisfação, e resultante da comparação de expectativas com percepções de desempenho. Segundo esses autores as diferenças entre as expectativas do cliente e o desempenho real na prestação de serviços fundamentam sua percepção de qualidade e normalmente caracteriza uma lacuna ou hiato de qualidade, do ponto de vista do consumidor.

Lovelock e Wright (2005) afirmam que quando os clientes avaliam a qualidade do serviço antes de comprá-lo, o julgamento é realizado em função das suas necessidades individuais, experiências passadas, recomendações de terceiros e propaganda do fornecedor. Após comprarem e consumirem o serviço, os clientes comparam a qualidade esperada com o que efetivamente receberam. Conforme estes autores, a qualidade é dita superior quando o desempenho do serviço surpreendeu e encantou o cliente por ter ficado acima dos seus níveis de serviço desejado, e ela é dita adequada quando fica dentro da zona de tolerância para o cliente.

Contudo, se a qualidade real cai abaixo do nível de serviço adequado esperado pelos clientes, os autores supracitados dizem que ocorre uma discrepância, ou lacuna na qualidade, entre o desempenho do fornecedor de serviço e as expectativas do cliente.

As sete lacunas descritas por Lovelock e Wright (2005) são: 1) no conhecimento, diferença entre o que o fornecedor acredita que o cliente espera e as reais necessidades e expectativas dos clientes; 2) nos padrões, diferença na percepção do fornecedor sobre as expectativas dos clientes e os padrões de qualidade estabelecidos para entrega; 3) na entrega, diferença nos padrões especificados e o desempenho do fornecedor; 4) nas comunicações internas, diferença do que se promete em relação às características do produto, desempenho e nível de qualidade com o que realmente é entregue; 5) nas percepções, diferença entre o que é entregue e o que os clientes percebem; 6) na interpretação, diferença entre o que a campanha promocional promete e aquilo que o cliente acha que foi prometido; 7) no serviço, diferença entre o que os clientes esperam receber e suas percepções do serviço entregue.

Além de julgar a qualidade do serviço pelas lacunas, os clientes também podem utilizar 5 dimensões como critérios: confiabilidade, tangibilidade, sensibilidade, segurança e empatia (PARASURAMAN; ZEITHALM; BERRY, 1988 citado por PITOMBO, 2002; LOVELOCK; WRIGHT, 2005). Las Casas (2006) compartilha deste enfoque e descreve as seguintes dimensões: 1) confiabilidade refere-se à prestação do serviço de forma segura e correta; 2) tangibilidade representam o escritório, layout, equipamentos e máquinas utilizados, aspectos de higiene e aparência dos funcionários; 3) a sensibilidade refere-se à capacidade de prestar serviços com boa vontade e prontidão; 4) segurança envolve o conhecimento e cortesia dos funcionários com os clientes; 5) empatia é definida como a provisão de cuidados e atenção individual aos clientes.

Os autores, Parasuraman, Zeithaml e Berry propuseram um instrumento denominado SERVQUAL que tem o objetivo de mensurar a percepção de qualidade em serviços. O modelo utiliza um formato de comparação entre expectativas e percepções estruturado sobre as cinco dimensões descritas anteriormente, e pode ser adaptado ou suplementado para atender às características ou necessidades específicas do pesquisador.

A escala consiste em um questionário elaborado em duas seções: uma correspondente às expectativas, com 22 afirmativas que procuram delinear as expectativas gerais do respondente em relação ao serviço a ser investigado e a outra seção busca medir o julgamento do usuário sobre o serviço prestado pela empresa específica que está sendo avaliada.

As Academias de Ginástica que desejam fornecer qualidade em serviço precisam realizar um contínuo de pesquisa que forneça aos gerentes de marketing informações úteis e oportunas sobre satisfação, expectativas e percepções sobre a qualidade (LOVELOCK; WRIGHT, 2005).

5 ACADEMIA de ginástica

A valorização da beleza e a busca por uma vida mais saudável confirmam a expectativa de que o mercado da atividade física desponta como uma das maiores tendências de comportamento para o século XXI.

Nos dias de hoje, é bastante discutido e levado em consideração a importância e benefícios da atividade física. As pessoas estão conscientes de que a prática de atividades físicas pode proporcionar uma vida social mais ativa, além de conquistar seu bem-estar, saúde e qualidade de vida. A demanda por locais em que as pessoas possam se entreter, comunicar e exercitar com total segurança, orientados e assistidos por profissionais e empresas especializados, como as academias de ginástica, vem aumentando.

Surgida no Brasil, em moldes comerciais, no ano de 1914, através do japonês Conde Maeda Koma, oferecendo apenas artes marciais, as academias foram evoluindo e aumentando o número de serviços. Hoje, diversas academias oferecem um vasto rol de atividades, entre elas: ginástica (nos mais diversos estilos), musculação, dança, artes marciais, capoeira, natação, spinning, pilates, corrida, escalada, etc.

Conforme cita Capinussú e Da Costa (1989, p.31), de acordo com a Resolução n.º 104963, do Ministério do Trabalho, publicada no Diário Oficial da União, de 10 de fevereiro de 1984, à página 2112, Seção I ACADEMIA pode ser conceituada como:

[...] a empresa que se dedica a ministrar cursos de ginástica, balé, danças, musculação, lutas e cultura física de modo geral, lecionados por professores diplomados em Curso Superiores de Educação Física, além da aplicação de duchas, saunas e massagens, mediante orientação de médicos diplomados em Medicina Desportiva.

Conscientes de que se trata de um mercado promissor e da crescente demanda pelo serviço de atividade física, é cada vez maior o número de empreendedores que investem nesse segmento.

Em função do crescente surgimento de academias, é necessária a aplicação do marketing para obter um diferencial e estar sólido nesse mercado disputado, uma vez que diante de toda essa oferta, os consumidores se tornaram mais exigentes. Como cita Pereira (1996, p.23) "o marketing é um importante aliado que vem revolucionando o ambiente das academias em todos os aspectos que lhe são pertinentes, e é uma nova tendência".

O marketing bem desenvolvido e eficaz é aquele que procura analisar e interagir perfeitamente, consumidor-produto. No caso das academias, os produtos são os serviços oferecidos.

De acordo com Contursi (1986) citado por Magro (2002)

Uma academia oferece 'produtos' em forma de programas de ginástica, facilidades e/ou serviços do tipo estética, luta, dança, natação, etc. Seu principal objetivo é satisfazer as necessidades de seus clientes.

É importante identificar quais são os fatores relevantes que levam as pessoas a procurarem a academia de ginástica. Quando decidem escolher uma academia é preciso averiguar se os serviços prestados satisfazem às suas necessidades, desejos e expectativas.

Atentas a essa realidade, as academias devem focar exclusivamente o aluno, orientar suas energias para oferecer um serviço de qualidade. Porém, não basta tentar atraí-lo apenas pela beleza dos professores, ou com um método exclusivo de atividade física; é necessário ter consciência que por trás de tudo, há uma empresa cercada de técnicas, máquinas e funcionários, os quais são garantia dessa qualidade.

O propósito de todo empreendimento, bens ou serviços, é criar e manter clientes satisfeitos. Um dos grandes atributos existentes no sucesso de um processo de compra está ligado ao relacionamento duradouro entre empresa e consumidor (ENGEL; BLACKWELL; MINIARD, 2000).

Desta forma, a avaliação da qualidade dos serviços prestados pelas academias de ginástica deve ser planejada e implementada, buscando efetivamente a satisfação de seus clientes e a sua fidelização.

6 metodologia

Este trabalho teve início com uma pesquisa exploratória qualitativa, que permitiu um aprofundamento sobre a qualidade em serviços e identificação dos determinantes da qualidade aplicáveis à organização de serviço em estudo. Através de uma entrevista em profundidade com clientes de academias, foi feito um levantamento de quais são os atributos relevantes que são imprescindíveis encontrar em uma qualificada academia de ginástica.

Conforme Malhotra (2006, p.163) a entrevista em profundidade é:

[...] uma entrevista não-estruturada, direta, pessoal em que um único respondente é testado por um entrevistador altamente treinado, para descobrir motivações, crenças, atitudes e sentimentos subjacentes sobre um tópico.

O instrumento de avaliação da qualidade em serviço - SERVQUAL - foi adaptado do original, com base nas informações coletadas nessa pesquisa qualitativa preliminar, e então aplicado através de uma pesquisa descritiva quantitativa aos clientes da Academia do Biocor. Essa adaptação à realidade do serviço estudado se faz necessária conforme seus idealizadores propõem para ajustar seu entendimento ao contexto específico, uma vez que pode ser aplicada numa ampla variedade de empresas de serviços.

O SERVQUAL é um instrumento composto por 22 questões que mede expectativas e percepções sobre dimensões críticas da qualidade de um determinado serviço.

As dimensões da qualidade utilizadas neste artigo estão baseadas no instrumento SERVQUAL desenvolvido por Parasuraman, Zeithaml e Berry em 1988 e são: tangibilidade, confiabilidade, segurança, sensibilidade e empatia.

Cada questão foi desenvolvida no formato de duas afirmações, uma com referência à expectativa (E) do serviço de academias de ginástica e a outra à percepção (P) da qualidade da Academia do Biocor.

Foi adotada uma escala do tipo Likert com sete pontos, sendo "1" equivalente a discordo totalmente e "7" a concordo totalmente. Todas as questões foram escritas no formato afirmativo para facilitar o entendimento e avaliação pelos alunos pesquisados.

Para verificar a aplicabilidade do modelo SERVQUAL adaptado proposto para a avaliação da qualidade do serviço foi utilizado o estudo de caso. O trabalho foi realizado na Academia do Biocor Instituto, em Nova Lima - MG. A Academia atende aos pacientes do hospital, que são encaminhados para a reabilitação física, aos funcionários e aos moradores dos bairros vizinhos.

A pesquisa foi aplicada em 16 alunos. A amostra coletada não faz parte do grupo de pacientes da reabilitação física, e os alunos escolhidos para a pesquisa são clientes importantes para a manutenção da academia e que buscam além do bem-estar, saúde e qualidade de vida, uma vida social mais ativa.

A análise estatística constou da comparação de médias de amostra relacionada utilizando a planilha Microsoft Excelâ, que serviu de apoio para calcular a medida de dispersão, as médias e o Tcalculado (Tc), obtido para cada questão para a comparação com o Ttabelado (Tt). O Tt utilizado para este trabalho é equivalente a 2,602, obtido na Tabela Student com Grau de Liberdade 15 e Nível de Significância referente a 5%.

7 resultados e discussão

A discrepância entre a expectativa dos clientes e a percepção de desempenho da Academia do Biocor pode ser verificada na Tabela 1. Nota-se que, para a maior parte das questões (12), a percepção dos clientes tem sido inferior à sua expectativa.

Tabela 1 - Teste estatístico por comparação de médias


Questão (Q)


Tt


Tc


Comparação de Tt e Tc


Necessidade

de intervenção

1 - Ótima administração


2,602


3,75


Rejeição


Sim

2 - Estrutura física adequada


2,602


3,38


Rejeição


Sim

3 - Utilização de sistemas informatizados


2,602


0,85


Aceitação


Não

4 - Espaço físico arejado, limpo, iluminado e bem sonorizado


2,602


3,79


Rejeição


Sim

5 - Higiene em todos os ambientes e materiais de ginástica


2,602


4,06


Rejeição


Sim

6 - Boa localização


2,602


-1,96


Aceitação


Não

7 - Preço justo


2,602


0,00


Aceitação


Não

8 - Estacionamento disponível para clientes


2,602


5,64


Rejeição


Sim

9 - Disponibilidade de professores formados, qualificados e atenciosos


2,602


1,60


Aceitação


Não

10 - Aceitação de serviço de personal trainner


2,602


-0,21


Aceitação


Não

11 - Incentivo a avaliação física periodicamente


2,602


1,08


Aceitação


Não

12 - Aparelhos modernos, seguros e adequados


2,602


2,93


Rejeição


Sim

13 - Manutenção constante nos aparelhos de ginástica


2,602


4,21


Rejeição


Sim

14 - Materiais adequados para a prática de atividade física


2,602


3,75


Rejeição


Sim

15 - Oferecimento de aulas diferenciadas e criativas


2,602


2,78


Rejeição


Sim

16 - Oferecimento de aula experimental


2,602


2,41


Aceitação


Não

17 - Horários convenientes


2,602


-1,38


Aceitação


Não

18 - Promoção de eventos sociais


2,602


-0,17


Aceitação


Não

19 - Comunicação ao público e propaganda


2,602


3,43


Rejeição


Sim

20 - Lanchonete


2,602


5,13


Rejeição


Sim

21 - Oferecimento de serviço de massagem


2,602


4,93


Rejeição


Sim

22 - Serviço de Reclamação do Aluno


2,602


1,04


Aceitação


Não

FONTE: Dados da pesquisa

Para a apresentação dos resultados obtidos na pesquisa, vale ressaltar que, se o valor do Tc se encontrar na região de aceitação da Hipótese nula (H0), com valor menor que +2,602 e maior que -2,602, pode-se dizer que o cliente está satisfeito com o serviço prestado pela Academia do Biocor, e se o valor do Tc se encontrar na região de rejeição de H0, com valor maior que +2,602 e menor que -2,602, deve-se haver uma intervenção gerencial, buscando melhorar a qualidade do serviço prestado.

Verifica-se que a avaliação dos alunos foi satisfatória em dez questões, sendo estas pertencentes às dimensões confiabilidade, tangibilidade, sensibilidade, segurança e empatia.

Na dimensão Confiabilidade, os alunos avaliam que na Academia existe registro preciso de seus dados com a utilização do sistema informatizado (Q3), uma relação preço x benefício (Q7) satisfatória, um incentivo à avaliação física periódica (Q11) que garante uma prática de atividade física segura e interesse em ouvi-los através do Serviço de reclamação do aluno (Q22).

Quanto à dimensão Tangibilidade a satisfação dos alunos restringe-se à boa localização da Academia (Q6). Isto se deve ao fato dos pesquisados serem funcionários e moradores dos bairros vizinhos.

A dimensão Sensibilidade tem um ponto forte para a empresa na avaliação dos alunos referente ao oferecimento de aula experimental (Q16), comprovando que a Academia está pronta para servir se o aluno realmente se identificar e adaptar ao serviço oferecido.

Os alunos avaliam a dimensão Segurança satisfatória quanto à disposição de funcionários formados, qualificados e atenciosos (Q9). Ter uma equipe formada por profissionais assim caracterizados garante tranqüilidade e confiança aos alunos na execução de suas atividades físicas.

Todas as questões consideradas dentro da dimensão Empatia apresentaram satisfação dos alunos. Eles percebem cuidados e atenção individual da empresa, conforme avaliado nas questões de serviço de personal trainner (10), oferecimento de horários convenientes para todos os alunos (Q17) e promoção de eventos sociais (Q18).

Como existem vários itens que causam insatisfação na qualidade dos serviços da Academia do Biocor, é imprescindível a análise e intervenção em cada questão que gera alta expectativa dos alunos em relação ao serviço prestado e que está apresentando baixo desempenho.

Deste modo, na dimensão Segurança o item Ótima administração (Q1) precisa de atenção especial da administração da academia que deve focar mais o cliente, de forma que haja uma maior interação, consideração e troca de informações. A questão Manutenção constante nos aparelhos de ginástica (Q13) julgada insatisfatória pelos alunos não é realidade na Academia, e para reverter esta avaliação as informações dentro da academia precisam ser mais disseminadas.

Referindo-se à dimensão Sensibilidade, a Academia deve avaliar a importância do Oferecimento de aulas diferenciadas e criativas (Q15) e Oferecimento de serviço de massagem (Q21) através de uma pesquisa mais específica sobre o assunto, uma vez que não possui profissionais, equipamentos e salas disponíveis.

A dimensão Tangibilidade teve maior incidência de questões que foram avaliadas insatisfatórias. A seguir encontram-se as intervenções gerenciais sugeridas pela pesquisadora em relação às questões dessa dimensão.

Para atuar sobre o problema da Estrutura física adequada (Q2), Espaço físico arejado, limpo, iluminado e bem sonorizado (Q4), Aparelhos modernos, seguros e adequados (Q12), Materiais adequados para a prática de atividade física (Q14), uma opção é a empresa verificar a possível existência de falta e/ou modernização de equipamentos de ginástica, iluminação e som adequados ao ambiente.

A questão Higiene em todos os ambientes e materiais de ginástica (Q5) pode ser melhorada com ampliação do turno de trabalho do funcionário existente ou remanejamento de outro funcionário, dentro das possibilidades de custeio da Academia, para que seja suficiente a limpeza do local das atividades físicas durante os três períodos de funcionamento.

Considerando o valor de Tc elevado e de destaque da questão Estacionamento disponível para clientes (Q8), recomenda-se providenciar local adequado para que os alunos estacionem sem tarifa.

A Academia do Biocor tem uma Comunicação ao público e propaganda (Q19) quase inexistentes, porém para gerar credibilidade aos alunos e construir uma imagem sólida da empresa ela deveria investir em informativos internos e propagandas em outdoor em seus arredores, a partir de um estudo de viabilidade financeira da empresa.

A insatisfação com a questão Lanchonete (Q20) pode ser resolvida com a instalação de uma mini-lanchonete terceirizada, minimizando os custos para a Academia e oferecendo alimentação saudável para seus alunos durante todo período de funcionamento das atividades.

8 conclusão

O objetivo do artigo foi alcançado, uma vez que foi possível avaliar a qualidade dos serviços da Academia do Biocor, destacando os itens que os alunos julgam estar satisfeitos e insatisfeitos.

Considerando a dimensão Confiabilidade, consistentemente mostrada como a dimensão mais importante segundo os estudiosos, os alunos julgaram estar satisfeitos com todas as questões, desde a utilização de sistema informatizado, preço justo, incentivo à avaliação física até o serviço de reclamação do aluno. Isto significa que os alunos percebem que a Academia presta serviço de forma confiável e cuidadosa.

A partir dos resultados obtidos e análise dos dados, conclui-se que questões que geraram insatisfação e que merecem melhoria urgente referem-se às seguintes dimensões:

- Segurança: referente à Administração (Q1).

- Tangibilidade: referente a Aparelhos modernos, seguros e adequados (Q12), Higiene em todos os ambientes e materiais de ginástica (Q5) e Estacionamento (Q8).

Para a Academia do Biocor atender as expectativas de seus alunos é preciso que as sugestões de melhorias sejam implementadas pela organização buscando solucionar os pontos críticos apontados com relação à qualidade do serviço oferecido.

Pode-se concluir que a Academia do Biocor deve ter ações de melhoria, porém as questões que demandam investimento precisam ser analisadas e planejadas previamente.

REFERÊNCIAS BILIOGRÁFICAS

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PEREIRA, Marynês Monteiro Freixo. Academia! Estrutura Técnica e Administrativa. Rio de Janeiro: Editora Sprint, 1996. 199 p.

Daiane Miranda de Freitas é Graduada em Administração na UFV e aluna do Curso de Especialização em Marketing e Comunicação do Uni-BH.

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5 Ações para Conquistar mais Resultados

Quarta, 30 de Maio de 2007
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- Não seja um arrombador de portas. Aprenda a reunir ferramentas que ampliem suas possibilidades, pois antes de impor nossa presença temos que combinar a formula para que sejamos aceitos. Quando esbarrar nos obstáculos, não repita a dose, volte, consulte, analise, e reinvente outros caminhos para chegar ao que se pretende.

Por Sérgio Dal Sasso