Tom Coelho
Quarta, 14 de Maio de 2008
"Tão grande é o defeito de confiar em todos,
como o de não confiar em ninguém."
(Sêneca)
Recordo-me de um tempo, em minha tenra infância, em que me dirigia até um
armazém na esquina de casa, a pedido de minha mãe, para buscar pão e leite. Não
necessitava levar dinheiro ou um bilhete assinado. Bastava minha presença para
trazer o que fosse preciso. O acerto de contas era assunto a ser tratado
posteriormente. Coisa de adultos.
Quando chegava o verão, eu podia inclusive dar-me ao luxo de passar pelo mesmo
armazém e apanhar um refrescante sorvete de palito. Claro que resguardados
certos limites - levar o time de futebol para compartilhar deste privilégio era
atitude passível de severa punição: a perda da confiança de meus pais.
O dono do armazém consentia com este procedimento porque tinha certeza de que
meus pais pagariam a conta. Analogamente, meus pais acreditavam que o valor
apresentado como despesa seria justo e correto, correspondendo exatamente ao que
fora consumido.
Cresci compreendendo que aquela situação representava uma espécie de contrato
social, calcado na honra e na palavra, ao que se convencionou chamar de "fio
de bigode". E percebi que aquilo fazia parte de minha formação, de minha cultura
e de meu caráter. De tal forma que o empréstimo, entre colegas, de livros,
discos de vinil (sim, CD neste tempo eram apenas a terceira e quarta letras do
alfabeto) e até pequenas importâncias em dinheiro, era selado pelo mero
compromisso pessoal da devolução em perfeito estado de conservação.
Anos mais tarde uma oportunidade de trabalho bateu à minha porta. O destino era
uma pequena cidade que contava, na ocasião, pouco mais de 80 mil habitantes.
Aconchegante, bem estruturada, mas uma típica cidade interiorana.
Lá fiz amizade com Sérgio Casagrande, um carioca já radicado no local há um par
de anos, que sentenciou o que me aguardava. Disse-me ele: "Aqui, você é mocinho
até que se prove o contrário. Nos grandes centros, de onde viemos, é o oposto,
ou seja, somos bandidos até que provemos o contrário". Dias depois pude
vivenciar aquelas palavras. E lembrei-me daquele armazém de minha infância.
As duas últimas décadas nos legaram abundância de recursos, tecnologia sem
precedentes, capacidade de comunicação quase ilimitada. Migramos do racionamento
para o delivery, do mundo analógico para o digital, do telex para a
videoconferência. E do "fio de bigode" para o papel assinado.
Casamentos demandam acordos pré-nupciais, instituições de ensino firmam
contratos de prestação de serviços, reuniões são registradas em livros de ata.
Advogados grassam aos milhares. Uns, para elaborar contratos; outros, para
contestá-los. Sem falar do magistrado que delibera qual dos dois será agraciado
com a razão.
O contrato social verbal está extinto. Vigoram apenas os contratos políticos,
econômicos e até ecumênicos. Um mundo de contratos, impressos em cinco vias, com
duas testemunhas, registrados e com firmas reconhecidas. Um mundo burocrático e
cartorial onde uma pessoa conhecida por escrivão, dotada de uma concessão
denominada fé pública, tem o poder discricionário de dizer se eu sou mesmo a
pessoa que declaro ser.
De tanto ouvir a assertiva "quem paga mal, paga duas vezes", passei a andar com
um talão de recibo em minha pasta. E arquivo comprovantes de pagamentos durante
meses.
De tanto prestar serviços com remuneração vinculada ao êxito, que quase sempre
obtenho, sendo desdenhado pelo cliente no recebimento de meus honorários - o
mesmo cliente que outrora, em dificuldades, faria qualquer coisa para reverter
sua situação - passei a solicitar-lhes uma assinatura ao final de cláusulas e
parágrafos. Ainda estou aprendendo a fazer isso, posto que contrário à minha
natureza. Mas estou aprendendo...
Hoje, quando entro em uma padaria e me deparo com um pequeno aviso anunciando
"Fiado só amanhã", desperto para este novo mundo. Compreendo que a palavra
"fiado" advém de "confiado", e que confiança é algo que antes nascia com a
gente, depois passou a ser virtude difícil de ser conquistada e, agora, corre o
risco de habitar apenas os dicionários e romances dos séculos passados.
Acho que foi por conta disso que resolvi deixar o bigode crescer e me mudei para
o interior. Só para ser tratado como mocinho e poder, por mais algum tempo,
confiar e ser confiado.
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Mateus Paulini
Quinta, 22 de Novembro de 2007
Com a estabilidade econômica atual e um cenário futuro de tranqüilidade econômica, investir em ações pode tornar-se fundamental até para os investidores mais conservadores.
No Brasil ainda existe grande resistência em relação ao mercado de ações, talvez seja até por desconhecimento do funcionamento de todo o processo, fato que não ocorre nos EUA. Mas existe uma explicação plausível para entendermos o que ocorre: o passado de instabilidade econômica juntamente com as exorbitantes taxas de juros no Brasil resultaram em:
- primeiramente problema de crédito e liquidez para as empresas, desta forma com o futuro incerto dificilmente conseguiriam angariar grandes volumes de investimentos em ações, e
- em segundo lugar os altos juros tornaram outras categorias de investimentos de baixo risco (exemplo fundo de DI ou renda fixa) mais atrativos.
Hoje a situação é inversa, existe abundância da oferta de crédito no mercado, expectativa de redução contínua na taxa de juros, como também expectativa de crescimento futuro do PIB em 5% ao ano.
Mas indico para o investidor que nunca investiu em ações primeiro analisar o mercado realizando simulações com recursos reduzidos, para que assim possa conhecer na prática o funcionamento do mercado de ações.
As vezes o mercado de ações pode ser considerado irracional, ou seja: o que leva uma organização possuir valor de marcado 50 vezes maior do que seu faturamento, ou seus ativos fixos? É preciso entender que existem muitas variáveis envolvidas em todo o processo, alguma tangíveis e outras nem tanto. Como resposta para a pergunta acima poderia estar ocorrendo a conhecida "bolha".
A "bolha" é quando o valor de uma ação está acima do valor que deveria (com base nos dados contábeis, ou fatores intangíveis como poder da marca, reconhecimento no mercado, etc..) sem um fundamento lógico. Isso ocorre frequentemente em decorrência do capital especulativo em massa que forma uma onda de investimentos. Por isso é importante analisar muito bem a organização e o mercado para saber se seu valor está sobrevalorizado (acima do considerado normal) ou subvalorizado (abaixo do considerado normal, e ponto interessante para a compra).
É importante lembrar também que investimento em ações é a longo prazo, fazer operações conhecidas como Day Trade (operações de compra e venda no mesmo dia) podem ser complexas, e decorrência das variáveis que devem ser analisadas e altamente arriscadas.
Minha dica é que primeiro analise um mercado potencial do seu interesse, escolha uma empresa e a analise profundamente, criando cenários futuros para saber como a organização pode reagir em caso de recesso econômico (se existe fluxo de caixa, disponibilidade de crédito) ou crescimento econômico (capacidade de expansão, processo produtivo, equipamentos). Lembre-se que ao comprar ações de uma empresa independentemente do valor investido você se tornará sócio, ou seja, se a empresa contrair prejuízos suas ações perderão valor, em contra partida caso a empresa cresça, o valor das suas ações aumentará.
Gosto das declarações do Warren Buffet que está entre os mais importantes investidores no mundo, e cita o seguinte: "A organização que deve ser estável de tal forma que até um idiota consiga administrá-la, pois isso acontecerá um dia".
Esse é o primeiro de outros artigos que vou escrever sobre o tema, creio que o assunto pode ser melhor abordado de forma mais específica e o momento atual é propício.
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Economia, Ação, Mercado, Contabilidade, PIB, Crédito, Investimento, Taxa de Juros, Longo Prazo, Cenário, Estabilidade Econômica, Mercado de Ação, Day Trade, Warren Buffet,
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Quinta, 25 de Outubro de 2007
Quando lançou seu primeiro livro, em 1982, Tom Peters estava iniciando uma caminhada que o tornaria conhecido como continuador do trabalho de Peter Drucker, considerado por muitos como o papa da moderna administração de empresas.
Antes de "In Search of Excellence" (que foi lançado no Brasil com o título "Vencendo a Crise") Tom Peters havia estudado engenharia em Cornell (EUA) e concluiu o MBA e o PhD em negócios na famosa Stanford Business School. Depois de servir a marinha americana durante a guerra do Vietnã Peters juntou-se, nos anos 70, à McKinsey & Company, onde atuou de 1974 a 1981 como consultor. Em 1981, resolveu seguir carreira solo, abrindo sua própria empresa de consultoria, que hoje faz parte do Tom Peters Group.
A busca pela excelência não é só título de seu primeiro grande livro, tornou-se uma obsessão para Tom Peters e lhe rendeu uma grande exposição, pelas idéias simples e revolucionárias que propunha. O livro trouxe à luz soluções para resolver problemas nas empresas, utilizando o mínimo de recursos e dando poder de decisão aos principais executivos responsáveis. Com isso, ficou demonstrado que como muitas empresas eram excelentes no que faziam, ensinando a outras empresas o caminho das pedras para alcançar esta excelência.
A linguagem simples sobre como administrar uma empresa transformou o livro em alvo de inúmeros artigos em revistas especializadas no mundo inteiro, o que deu notoriedade a Tom Peters, além de muito dinheiro, é claro.
Para o autor, a excelência nos negócios depende basicamente de oito ingredientes e as empresas que desejam ser excelentes em suas áreas de atuação devem buscar:
(1) A pró-atividade com incentivo às pessoas para melhorar o que se está fazendo através de uma fórmula de ensaio e erro: "fazem, consertam e tentam fazer melhor".
(2) Aprender com os clientes. Empresas excelentes "aprendem com as pessoas que a estão servindo"
(3) Estimular a independência promovendo o empreendedorismo e a autonomia dos colaboradores.
(4) Gestão se aprende gerindo. Só fazendo se é possível aprender algo novo e capaz de movimentar a empresa no caminho da excelência.
(5) Produtividade só se alcança com trabalhadores motivados e produtivos, portanto eles são avaliados como peças-chave para o sucesso.
(6) Foco. Empresas excelentes se atêm às suas competências, e não saem atirando para todos os lados
(7) Simplicidade. Manter a forma simples e a equipe a mais enxuta possível.
(8) Mobilidade. As empresas excelentes podem sair de um formato compacto para a expansão rapidamente, adequando-se às necessidades do mercado e dos clientes.
Sempre foi favorável à delegação em uma empresa, Tom Peters afirma que o grande chefe não pode saber e conhecer tudo, por isso mesmo deve buscar auxiliares confiáveis. E vai além ao assegurar que quem tentar conhecer tudo acabará se perdendo.
Ele propõe uma abordagem Darwiniana que deve ser adotada em busca da excelência. É o ensaio-erro visto como ingrediente número um da teoria de Peters. Para ele é melhor fazer algo errado do que não fazer nada: as pessoas não devem ter medo de fazer algo errado, pois numa próxima tentativa irão aprender com erros passados e melhorar. Desta forma, a excelência será alcançada em etapas sucessivas.
Seu combate incansável contra a imobilidade e falta de paixão no trabalho o levaram a ser radicalmente a favor a inovação ou a melhoria contínua. Temas como a Destruição Criativa e a descontinuidade são ícones básicos de sua filosofia de gerencial que propõe a predominância da mutabilidade dos mercados acima da intenção de "continuidade" sobre a qual a maior parte das empresas é fundada. Imaginação e Paixão são recomendados em abundância para um mundo altamente competitivo.
Para Peters, as estruturas velhas são redundantes, obstruindo o progresso. Em sua obra Liberation Management (1992), pronunciou a morte da gerência média com a sentença: ". os gerentes médios como nós os conhecemos são gansos cozidos." O empregado individual cada vez mais tem que ser a marca dele mesmo. Já naquele ano, ele profetizou o aumento da presença das mulheres no mercado de trabalho e foi além afirmando que elas são melhores no trabalho em equipe.
Cada trabalhador tem sua própria marca e deve ser gerenciada como tal para render ao máximo, estimulando-se dessa forma uma disputa sadia no interior das empresas, como se essas fossem os mercados onde tais marcas (trabalhador) atuam. Dois dos livros de Tom Peters de 1999 tratam desse assunto: "The Brand You 50" e "Project 50".
Tom Peters é um grande performancer, injetando o mesmo grau de messianismo em suas apresentações que são encontradas em seus livros.
Uma palestra de Peters parece um grande espetáculo. Não é algo estático e sim um grande show. Assim como seus livros.
Colaborador: Andrei Lima
Categorias:
Produtividade, Peter Drucker, Excelência, Personalidade, Foco, Tom Peters, Tom Peters Group, Problemas nas Empresas, Pró-Atividade, Aprender com os Clientes, Simplicidade, Mobilidade, Destruição Criativa,
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Administrador
Quinta, 31 de Maio de 2007
O contexto
O último ano de século antepõe aos administradores de marketing urna questão transcendental, que pode ser verbalizada de forma superficial da seguinte maneira: "Sendo o marketing um conjunto sistêmico de métodos administrativos que foi aplicado em períodos de riqueza e afluência, sua validade e condições de aplicação não seriam legítimas e justificáveis no período atual, que é tipicamente de escassez?"
Seguindo o mesmo raciocínio "não seria,justificável,utilizar "todos e instrumentais marketing, que são catalisadores de consumo, em uma fase na qual é necessário conter o consumo supérfluo, economizar energia e usar com parcimônia matérias primas?"
Aqueles que concordam com as proposições acima, simplesmente diriam que "o marketing morreu, e que portanto deve descansar em paz".
As duas proposições acima são entretanto, a nosso ver, falaciosas, pois nada é mais legítimo do que a utilização do poder interpretador de marketing para orientar o consumo em fases de ajustamento e escassez.
O que é preciso, sem dúvida, é a adoção de novas perspectivas e o re-equacionamento das formas de uso das técnicas e do instrumental de marketing.
Devemos inicialmente aceitar o pressuposto segundo o qual as empresas são responsáveis pelo crescimento, bem estar e sobrevivência dos grupos sociais a que servem, fornecendo bens e serviços.
Em termos genéricos, se as empresas, usurpando de seu poder, explorarem em excesso clientes e segmentos de mercado, haverá uma concentração de renda nas mesmas com a conseqüente perda da capacidade de compra dos consumidores e usuários.
É também provável que o uso não controlado de bens e recursos econômicos leve à exaustão dos mesmos, tornando- -se irreversível a impossibilidade de continuar a produzir.
O marketing como redutor da crise
Colocadas a analisadas estas premissas, passaremos a examinar o objetivo central deste artigo, qual seja, a discussão das formas pelas quais o marketing pode ser utilizado como redutor da crise, e também como elemento primordial para o ajustamento às fases de escassez econômica que, segundo Wilfred Malenbauma antecedem e são pré-requisitos de fases de abundância; este autor ainda afirma que, aceitar como fatalismo a escassez econômica em caráter crônico, é um sintoma de indiferença, inépcia e incompetência. (Annals - American Academy of Political and Social Science - Junho 1975 - pág. 72).
Em primeiro lugar, o poderoso instrumental de pesquisa mercadológica deve ser orientado para a investigação em escala macroanálitica dos recursos econômicos disponíveis e para as taxas de utilização dos mesmos. Desta maneira, serão identificados os recursos econômicos escassos, o grau de consumo dos mesmos, e também o que é mais importante a capacidade tecnológica de reproduzi-los e de encontrar formas alternativas de reposição. Assim, a capacidade do sistema de informações de marketing estará sendo utilizada para proteger e não para espoliar indevidamente bens econômicos escassos e limitados.
Em segundo lugar, o sistema de marketing deverá identificar, tendo como premissa fundamental o conceito de cus- to social, -quais são as implicações macro mercadológicas da oferta e demanda de bens tais como: automóveis de alta potência, embalagens não biodegradáveis, consumo ostensivo de madeira, pro- dutos industriais causadores de poluição hidrológica, sonora e atmosférica, comunicação contrária à moral social, etc.
Em terceiro lugar, é necessário encontrar e formular diretrizes operacionais pa- ra o processo de marketing que eliminem as disfunções causadas pelo uso indevido, não ético, imediatista e oportunistico do poder de persuasão e distribuição do próprio sistema. Nesta linha de pensamento, é primordial tornar o marketing um sistema interpretador e orientador da oferta e demanda, fazendo com que o processo, em sua concepção genérica mais ampla, seja na realidade um conjunto integrado de instrumentais "que possa criar e resolver problemas relacionados com as opções maiores da sociedade" (Bagozzi - J.M., Vol. 39 - 1975 pp. 32-39). Reduzir esta proposição a seus termos principais, significa levar em consideração os impactos do processo mercadológico sobre a sociedade como um todo, e não avaliar apenas os benefícios de grupos particulares.
Em última instância, o mercadólogo como executivo ou planejador do processo tem que se conscientizar e avaliar quais serão as implicações de suas atividades sobre o grupo dos mais necessita- dos e dependentes de amparo na sociedade (Ex: os pobres, os desvalidos, os velhos, os desempregados e mesmo certos grupos sociais dos paises do terceiro mundo).
Esta visão do problema não é a nosso ver utópica, pois mercadólogos são também os executivos chefes das grandes instituições governamentais, os políticos, os líderes comunitários, enfim, aqueles que criam e são os responsáveis pela difusão de idéias e atitudes.
Em quarto lugar, é necessário que o conjunto de dispositivos e recursos de que dispõe o sistema de comunicações mercadológicas, não mais enfatize os aspectos puramente materialistas do consumo. Neste linha de raciocínio, deverá ocorrer uma mudança básica de orientação, ou seja, a ideologia aquisitiva na qual a satisfação pura e simples de desejos materiais é considerada como um objetivo primordial, precisa ser substitui- da pela consideração de que a essência do sistema econômico é o propósito social.
Desta forma, é óbvio que o poder de influência social da propaganda, o qual condiciona valores e estilos de vida, precisa ser racional e eticamente orientado para o consumo racional, para a difusão de programas e ideologias consistentes com os planos nacionais de desenvolvimento econômico e para os objetivos de conformidade de pensamento e ações que sejam consistentes com o momento atual da economia brasileira. O modelo global de comunicação mercadológica aqui proposto deve, evidentemente, oferecer e apresentar uma parcela substancial de utilidade informativa, o que vale dizer, conduzir os consumidores a melhores decisões econômicas (AAKERI MYERS - ADVERTING MANAGEMENT - 1975 - pág. 551).
Em quinto lugar, é recomendável que o marketing, como sistema e com o seu processo operacional, propicie a expansão de um tipo de comportamento social que recebeu de ETZIONI a denominação de "adaptação criativa" (ANNALS, AAPSS 420 - 7 - 1975 pág. 98 - 1 1 0). Este autor sustenta que as condições econômicas e sociais do mundo de hoje são diferentes daquelas de uma, duas, três ou quatro décadas atrás; ao afirma-las diferentes, ETZIONI não diz que as condições são necessariamente piores que as anteriores.
Para Etzioni, o hedonismo comercial, altamente dependente do progresso tecnológico e da afluência, deverá ser substituído por urna forma de hedonismo ideológico, que é mais orientado para prazeres coletivos comunitários, e, por- tanto, "nos materialistas. Um bom exemplo disto, é a participação em atividades mais sociais e menos conspícuas como concertos públicos, clubes esportivos, nos quais recursos econômicos são desfrutados por grandes grupos e não por pequenos grupos.
A responsabilidade social do marketing
As cinco proposições de natureza normativa acima examinadas, requerem, evidentemente, o desenvolvimento de um conjunto de proposições prescritivas e também concretas sobre a programação de diretrizes de marketing em um periodo de escassez. É óbvio e preliminar que os executivos de marketing tenham como premissa básica, que a eles é atribuída em primeiro lugar, a responsabilidade social, a qual muitas vezes pressupõe sacrifícios das empresas para proteger o mercado e a sociedade de desagregação, do caos e mesmo de um eventual colapso. (Morton Darow - 1974).
Nesta execução, o marketing adquire uma amplitude muito maior, analisando consenso de interesse público como denominadores de suas preocupações. A autoridade e o controle devem ser exerci- dos como padrões para o exercício das respostas às necessidades e requisitos da sociedade.
A análise de custos e benefícios dos programas empresariais deverá prover informações que propiciem a identificação de metas e prioridades, sempre levando em consideração uma harmonia ideal entre benefícios particulares e custos sociais. Nada deverá ser implementado contra o "interesse público".
A racional idade e a aplicação de tecnologia é fundamental para o desenvolvi- mento de uma política integrada de Marketing social, como a que foi acima exa- minada e proposta. Em termos objetivos, serão executados programas operacionais adaptados à situação da crise de escassez e relacionados com o impacto da ação mercadológica sobre produção e distribuição, o impacto do sistema de marketing sobre o meio ambiente e o seu equilíbrio ecológico; os reflexos das práticas promocionais sobre os valores sociais e as atitudes de consumo, e, finalmente, também quanto às previsões dos efeitos futuros da atividade mercadológica, principalmente no que se refere aos limites de crescimento e às limitações dos recursos econômicos de produção.Autor: A.Oliveira Lima Fonte: Portal do Marketing
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Administrador
Quarta, 30 de Maio de 2007
Perante o moderno comportamento dos consumidores talvez seja útil refletir em torno da hipótese de uma nova hierarquia de necessidades humanas, acreditando nós que muitas das que são de ordem psicológica/emocional se assumem, na atualidade, como necessidades básicas.
Na segunda metade dos anos 50, Maslow assumiu que as necessidades humanas estão organizadas numa hierarquia de importância, representada graficamente na forma duma pirâmide, cuja base é preenchida pelas necessidades fisiológicas e de sobrevivência e o topo por necessidades de status e auto-realização. Evidencia-se deste modo a crença segundo a qual se poderá reduzir o Homem a leis meramente racionais, quando pensamos no concretizar das suas próprias necessidades, defendendo ainda este importante autor que poucos ou nenhuns procurarão o reconhecimento pessoal, ou o status, se as suas necessidades básicas não estiverem satisfeitas. Mas, será que a tão famosa pirâmide das necessidades de Maslow continua atual? Pensamos que não.
É claro que qualquer necessidade continua a ser traduzida por um processo primário, configurado em torno da tensão fisiológica e psicológica, entre a satisfação e a frustração. Aquilo que parece ter-se modificado no Homem foi a capacidade de fantasiar em torno deste mesmo processo. Mas o que é que mudou? Desde logo, o entronizar da ilusão do poder pelo consumo, ou seja o consumo transformou-se no mais importante ideal de afirmação social, econômico, status, etc. A este propósito salientamos ainda o fato da identidade social do indivíduo, agora massificado, já não o remeter, como outrora, para a família de referência ou para a função (profissão) desempenhada, mas, cada vez mais, para o seu estilo de consumo. Assim, entre as variáveis de segmentação de mercado é cada vez mais usada a caracterização da amostra partindo do seu estilo de consumo, ou seja, a forma como os seus elementos se comportam perante a compra, desvalorizando-se a divisão clássica em torno dos indicadores demográficos, econômicos, sociais, etc. Numa sociedade onde tudo parece ser ato de consumo, coloca-se a possibilidade de assistimos a mudanças no ciclo motivacional, esbatendo-se o controlo sobre os impulsos oniomaníacos, contribuindo largamente para isso a desenfreada oferta de crédito ao consumo e a comunicação empresarial. Tal representa, quanto a nós, a fragmentação da teoria da motivação de Maslow, já que perante um mundo crescentemente reduzido às relações de consumo e aos seus atributos de status, o Homem se vê agora submetido a uma exaltada e inevitável influência psicológica / íntima, suportada por modernas técnicas de comunicação. Afinal, se tudo mudou, porque não se adaptaria o Homem a esse novo mundo, quando pensamos na forma de lidar com as suas necessidades, de lidar consigo próprio? O Marketing atual limita-se, unicamente, a seguir o Homem nesse devir.
Ao aceitarmos que a motivação se encontra no intervalo entre o estado real e o desejado, ou seja entre as forças e os conflitos, os estados psicológicos e os desejos apreendidos, onde o ser humano titubeia face ao impulso biológico e à estimulação social, então como entender a mudança de que falamos? Para além do poder pelo consumo, acreditamos existirem três tópicos centrais a este respeito: por um lado a Neofilia, ou seja, o efeito encantatório provocado pela novidade (inovação como pressão no mercado); por outro, a Oniomania, palavra grega que significa a febre das compras e por fim a explosão do crédito ao consumo. Se a estes juntarmos o fato de estarmos constantemente expostos a uma comunicação empresarial (promoções, publicidade, tele marketing, directmail,etc.) cada vez mais agressiva, então poderemos entender a razão pela qual o ciclo motivacional de Maslow terá sofrido alterações profundas. Para tudo isto muito terá contribuído o ideal neoliberal ao assombrar-nos com a concepção que o mundo vai por si mesmo. O mercado torna-se, deste modo, uma entidade não controlável, afetando irremediavelmente o comportamento do Homem moderno, transformando-se a exaltação do consumo de tal modo presente no individuo que a Organização Mundial da Saúde se vê forçada a atribuir à Oniomania a referência IM-10 da classificação internacional das doenças, sendo-lhe, ainda, atribuída a menção DSM-IV na Statistical Manual of Mental Disorder.
Mas poderá esta mudança comportamental radicar-se, unicamente, no fato das necessidades fisiológicas referidas por Maslow estarem agora naturalmente asseguradas na sociedade da abundância e, talvez por isso, todos os indivíduos serem motivados pelas necessidades anímicas? Quantos de nós poderão ter isso como certo? Talvez seja demasiado cedo para darmos uma resposta cabal em relação a tudo isto. Contudo, exige-se que se reflita a propósito da influência da sociedade de consumo no que diz respeito à provável desconstrução das teorias motivacionais clássicas. E agora Sr. Maslow?!
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