Gilclér Regina
Segunda, 1 de Setembro de 2008
A conquista da América, a chegada do homem à Lua, a construção de Brasília, o
fim do apartheid na África do Sul, entre tantos outros feitos memoráveis só se
tornaram realidade graças à ousadia de grandes sonhadores.
Cristóvão Colombo, John Kennedy, Juscelino Kubitschek e Nelson Mandela sonharam
com a cabeça nas nuvens e os pés no chão. Sonharam com os olhos bem abertos.
Tachados de visionários, acreditaram nos sonhos e traçaram planos para
realizá-los, envolvendo outras pessoas na mesma causa. Eles ultrapassaram
obstáculos e com muita determinação mudaram a história de seus tempo.
O Brasil também testemunhou a vitória de um realizador de sonhos, um menino
pobre do interior de Pernambuco, retirante, que um dia sonhou ser Presidente da
República...
Empresas vencedoras e profissionais de sucesso são frutos de sonhos bem
sonhados e muito bem executados.
Muitas pessoas tem sonhos, acredito que todo o ser humano os tenha, mas, muitas
vezes são consumidos pela rotina, sufocados pelo peso dos afazeres diários e
acabam ficando no meio do caminho.
Quantos hoje moram onde não querem, fazem o que não gostam, aturam um chefe
insuportável, não se relacionam bem em casa, convivem pouco com os filhos e
equilibram-se numa corda bamba de um salário que mal dá para cobrir as despesas?
Outros tantos talvez tenham cultivado sonhos que viraram pesadelos e estão
decepcionados com o trabalho, afundados em prestações da casa própria, acuados
pela violência, atolados em dívidas do cartão de crédito, desgastados com a
ginástica do orçamento para manter as aparências...
Mergulhadas no ópio da rotina, as pessoas negligenciam seus sonhos e vão
perdendo a capacidade de sonhar. Levam suas vidas sem direção, sobrecarregadas e
insatisfeitas, escravas de suas construções burocráticas, na fantasia de que um
dia tudo mude se ganharem na loteria...
Como estarão estas pessoas nos próximos anos? Já imaginou como será sua vida
dentro de alguns anos? Acordará ao lado de quem ama? Sairá feliz para trabalhar?
Estará ajudando sua empresa com garra e energia? Estará fazendo o que gosta?
Morando onde quer?
Se não houver ações claras e direcionadas da sua parte, não se iluda: tudo pode
continuar exatamente do jeito que está.
O sonho é uma metáfora. Foi idealizado para resgatar a capacidade de sonhar com
os olhos bem abertos na construção da sua vida, seu presente e seu futuro. Para
empreender mudanças temos que entender o mundo... E ele não faz nada por você,
mas se você mudar, aí sim, o mundo muda com você.
Os realizadores de sonhos não apenas sonham, mas lutam tenazmente por eles,
acreditam que podem transformar seus projetos em realidade, começando por
acreditar mais em si mesmos e no seu potencial. Você pode inventar o futuro que
merece. Lembre-se que o maior pesadelo é perder a capacidade de sonhar, é não
ter mais sonhos.
Quero ainda lembrar a letra da música "Sonhos" do cantor Peninha, que diz: "Tudo
era apenas uma brincadeira. E foi crescendo, crescendo, me absorvendo... E de
repente eu me vi assim, completamente seu".
Muitas pessoas tem sonhos grandes... E ganham salários pequenos! Preferem
reduzir o tamanho dos sonhos ao invés de aumentar o tamanho dos salários...
Esqueceram que é simplesmente impossível aumentar o tamanho do seu dinheiro ou
de sua felicidade reduzindo o tamanho dos seus sonhos.
Pense nisso, um forte abraço e esteja com Deus!
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Tom Coelho
Sexta, 29 de Agosto de 2008
“Se você não gosta de mudança, vai gostar ainda menos de irrelevância.”
(General Eric Shinseki)
Você pode ler as 352 páginas de “Reimagine! Excelência nos negócios numa era de
desordem” (Futura, 2004) ou assistir aos 77 minutos do filme com igual título,
distribuído no Brasil pela Siamar, para entender o porquê de Tom Peters
ser considerado um dos nomes mais influentes da administração moderna.
O fato é que Peters aborda temas que por vezes não chegam a ser inovadores, mas
sua forma de apresentá-los é única e surpreendente. Ilustra, exemplifica e
utiliza cases de empresas para demonstrar que é possível fazer diferente, fazer
a diferença.
Algumas sugestões que podem ser extraídas de sua obra acompanhadas de breves
reflexões pessoais:
1. Abrace uma grande visão. Você ou sua empresa alcançarão o grau de
crescimento e de exposição que postularem em seus planos. Pense pequeno e pisará
a grama, pense médio e caminhará por entre arbustos, pense grande e habitará uma
floresta. Se desejar ser a maior empresa de seu setor parecer utópico,
experimente imaginar ser a melhor. Isso é sempre possível. E compartilhe esta
visão.
2. Contrate grandes pessoas. Num mundo de produtos comoditizados, são as
pessoas o grande diferencial. Aprenda a selecionar gente com vontade de
trabalhar, com eletricidade no corpo e brilho nos olhos. Gente com atitude, mais
do que habilidades, que podem ser ensinadas a qualquer tempo. Gente melhor do
que você! E contrate devagar, buscando qualidade a partir da quantidade. Mas
demita rápido, tão logo seja preciso.
3. Promova o envolvimento. Faça as pessoas trabalharem com você e não
para você. Elas devem se sentir não apenas parte do processo, mas protagonistas
das soluções. O envolver é entrelaçar, compartilhar e comprometer-se. Empenho
que decorre do entusiasmo, determinado menos por questões financeiras e mais
pelo orgulho de pertencer e pelo respeito aos propósitos da companhia e à
liderança.
4. Treine o tempo todo. Prepare sua equipe treinando-os continuamente. A
tarefa é desenvolver competências técnicas, comportamentais, relacionais e até
valorativas. Esqueça a mensuração baseada em horas de treinamento anual por
pessoa. Isso é balela estatística. A verdadeira régua está na qualidade do
treinamento. Ajude-os a conhecer tudo sobre seus produtos e serviços, mas
contribua também para que se tornem também pessoas melhores e não somente
profissionais melhores.
5. Comunique constantemente. Mantenha a todos informados: colaboradores,
clientes, acionistas. Faça a informação – de qualidade – circular. Use da
transparência, evite eufemismos, diga a verdade. A mentira tem pernas curtas,
vida longa e seu legado é devastador. Compartilhar resultados favoráveis é
prazeroso e fácil, mas poucos fazem o mesmo com as más notícias, perdendo a
oportunidade de captar grandes aliados para superá-las.
6. Desenvolva idéias e soluções inovadoras. Pense fora da caixa, do plano
bidimensional. Faça propostas absurdas ao mesmo tempo em que reflete sobre o
óbvio – assim surgiu a jornada flexível de trabalho. Atente para as perguntas e
formule outras perguntas quando tiver obtido uma provável resposta – assim
nasceu o carro bicombustível. Fique de olho nas conseqüências, inclusive aquelas
que parecerem totalmente desfavoráveis – assim foi criado o medicamento para
disfunção erétil. Hospitais não precisam ser tristes, aulas não carecem de ser
chatas, políticos não necessitam ser corruptos.
7. Design é fundamental. Em termos de design, o que menos conta é a
beleza, ainda que ela possa e deva ser contemplada. O que está em jogo é a
funcionalidade, a praticidade, o tipo de material empregado. Falamos de leveza,
de manuseio, de alternativas com custo inferior – e valor agregado superior.
Continuo sem entender por que aqueles sachês de mostarda, maionese e ketchup são
tão irritantemente difíceis de serem abertos. Ou por que as embalagens de
sanduíches não são formatadas para funcionarem como guardanapo, evitando o
contato das mãos com o alimento. Alguém se habilita?
8. Tecnologia para facilitar. Tecnologia que se propõe exclusivamente a
transparecer uma imagem futurista apenas intimida e afasta clientes, além do
risco de representar um caminhão de dinheiro jogado no lixo. O que se espera são
instrumentos para agilizar processos, promover a integração, ampliar a
comunicação, reduzir custos diretos ou indiretos. A mudança tecnológica deve ser
evolucionária, e não revolucionária. Pequenos avanços hoje, grandes inovações
amanhã.
9. Ofereça um atendimento extraordinário. Duvido que ainda haja neste
mundo uma pessoa qualquer que não tenha sido flagrantemente destratada,
negligenciada e até desrespeitada enquanto consumidora. São profissionais de
telemarketing ativo que invadem nossa privacidade na calada da noite, muitas
vezes para oferecer um produto do qual já somos seus usuários. São profissionais
de telemarketing passivo, dos ordinários serviços de atendimento ao cliente,
desprovidos de treinamento, autonomia e bom senso, que raramente resolvem uma
demanda com iniciativa, interesse e rapidez. São profissionais em pontos de
venda, que não procuram identificar nossas necessidades, mas apenas sugerir o
que lhes convém, e raramente solícitos por ocasião de uma troca ou substituição.
Estou farto deste desatendimento! Gente que não entende que venda se processa
antes, durante e depois da compra. Gente que não aprende que vender e servir
andam de mãos dadas. Gente que ainda não descobriu que a única coisa que cativa
um cliente é uma experiência de atendimento inesquecível e extraordinária. E que
isso é fácil de proporcionar: basta dar atenção.
10. Divirta-se! Quer colher comprometimento dos funcionários, fidelidade
dos clientes e retorno sobre o investimento? Construa um ambiente que seja
prazeroso para trabalhar e agradável para visitar. Um local onde quem trabalha
aguarde ansiosamente pela segunda-feira para iniciar uma nova e produtiva
semana. Um espaço onde quem consome sinta-se estimulado a permanecer por horas
desfrutando de sua atmosfera e infra-estrutura. Livrarias com confortáveis
poltronas onde se pode degustar a leitura de qualquer obra sem restrições, por
exemplo, já aprenderam esta lição.
Reflita sobre estas propostas, celebre as conquistas e gerencie com paixão.
Tenha menos foco em coisas, mais cuidado com pessoas. Reinvente. E reimagine!
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Marcelo Miyashita
Segunda, 25 de Agosto de 2008
Networking não é um acontecimento, é um processo. Muita gente só pensa na
sua rede de contatos quando precisa desesperadamente: uma meta de vendas para
cumprir ou a necessidade de um novo emprego. Infelizmente, ocorre na maioria dos
casos. A pessoa torna-se impertinente, irrelevante e, ainda por cima, pedinte. O
verdadeiro networking ocorre justamente pela via contrária, pela via do
oferecimento de ajuda, tempo, disponibilidade e proximidade. É praticar o velho
lema "ajude para ser ajudado".
Esse é o desafio do networker. Não dá para ajudarmos todos nossos contatos e nem
tomarmos café com todo mundo todo mês, então, precisamos encontrar fórmulas que
viabilizem essa prática. Primeiro, é preciso compreender que nossos contatos não
são iguais. Aliás, há uma escala de proximidade que deve estar clara: rede de
contatos, rede de conhecidos e rede de amigos. Com os contatos tivemos
exatamente isso: um contato. Nada mais. É o que acontece quando trocamos cartões
num evento ou quando alguém entra em contato conosco via e-mail. Já conhecidos
são pessoas mais próximas - não só temos seu contato, mas também as conhecemos e
somos reconhecidos por elas. É um grupo bem menor. E, claro, temos amigos, além
de familiares e parentes. Claro que vamos sempre priorizar os mais próximos no
nosso dia-a-dia. Ligamos, enviamos e-mails e, naturalmente, damos mais atenção e
ajuda para eles. Somos networkers com amigos pois é a essência do relacionamento
humano.
O ponto que precisa de mobilização e cuidado são as redes de contatos e
conhecidos. Não dá para manter relações com todos como mantemos com os amigos.
Até porque um bom networker consegue chegar no que chamo escala dos cinco (50
amigos, 500 conhecidos e 5000 contatos). Então, a questão é como praticar
networking com as redes de conhecidos e, principalmente, com as de contatos. É
preciso utilizar um pouco da base do conceito de marketing de relacionamento
praticado pelas organizações. Elas estabelecem esse follow-up em massa por meio
de ações de comunicação e atividades presenciais segmentadas. Por esse caminho
e, sempre fornecendo algo relevante e interessante, é possível nos mantermos
ativos com nossos contatos e conhecidos.
A internet tem ajudado muito nesse follow-up. Claro, é preciso praticar com
inteligência. Volta e meia eu recebo contatos de pessoas que simplesmente
perguntam: E aí? Tudo bem, como vão as coisas? E só. Ou pior, "oi, tudo bem,
indica o meu CV para seus amigos?" (?!). O fenômeno dos blogs tem demonstrado um
bom caminho. Muitos profissionais, ao criarem e manterem blogs relevantes, bem
posicionados, encontram um bom motivo para, por meio de uma prestação de
serviços, manterem-se ativos e gerando conhecimento para seus contatos e
conhecidos. É preciso compreender que a prática do networking exige preparação e
manutenção de serviços, seja por meio de um blog, seja promovendo encontros
temáticos, seja, simplesmente, atuando como conector entre as pessoas - levando
indicações e ajudando as pessoas, para não só pedir, mas também ajudar.
As redes sociais na internet (orkut, plaxo, linkedin) ajudam a manter os dados
dos contatos e conhecidos atualizados. Nesse sentido, é uma boa ferramenta, mas,
como disse, isso resolve parte do trabalho. Não adianta ter os dados limpos e
atualizados se não há uma mobilização disposta a servir aos contatos e
conhecidos.
Rede do Bem
Ser relevante é fundamental para manter a permissão ativa e só conseguimos isso
quando prestamos serviços para nossos contatos. Só para exemplificar, eu tenho
vários grupos de contatos, mas, nos últimos anos, um grupo foi ganhando forma e
representatividade: meus alunos. Como leciono há 11 anos e aplico cursos abertos
e in company há muito tempo também, fui formando muitos alunos. Exatos 3.409
alunos que crescem a cada nova turma ou curso que aplico. É uma massa crítica,
atuante no mercado, em posição de média gerência para alta, e muitos com poder
de contração e seleção em suas empresas. Todos, praticamente, preocupados com
sua carreira e seu crescimento profissional.
Com meus alunos formei o que chamamos de Rede do Bem. Uma rede colaborativa e
fechada (só entra na lista quem é aluno) de trocas de vagas de emprego, em que
os alunos que contratam priorizam e valorizam os colegas alunos nos processos
de seleção. É uma fórmula simples, baseada no envio de boletins via e-mail a
cada 15 dias. De 2006, quando a rede foi criada, para cá, foram distribuídas
entre os alunos 1.272 vagas de emprego! Ou seja, a cada quinzena eles recebem um
comunicado com uma média de 20 vagas de emprego ofertadas pelos próprios alunos
para os alunos. Por meio da Rede do Bem, consigo manter contato relevante e
pertinente com eles de uma forma que não conseguiria se não buscasse prestar um
serviço interessante e válido.
Por isso tudo que praticar networking dá muito trabalho. E a prática correta é
totalmente inversa à percepção que algumas pessoas têm: não se faz networking
explorando seus contatos para pedir coisas. Networking se faz ajudando,
fornecendo, informando e prestando serviços. Mobilizando-se para as pessoas,
conseguindo se manter interessante e não interesseiro. O networker é como um
líder: trabalha para servir seus contatos e consegue com eles mais envolvimento,
comprometimento e colaboração.
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Tom Coelho
Sexta, 9 de Maio de 2008
"Para gerenciar uma equipe, você utiliza os músculos e a razão.
Para liderar de verdade, use também o coração."
(Abraham Shashamovitz)
Num ano de Olimpíadas, prepare-se para uma overdose de artigos, debates e
ensaios lastreados em temas esportivos. As empresas acreditam-se modernas,
atuais, antenadas com o momento ao optarem por atletas, técnicos, comentaristas
e toda sorte de profissionais - ou ex-profissionais - vinculados ao esporte como
a solução mágica para questões do mundo corporativo.
É inegável que podemos encontrar no desporto grandes metáforas à realidade de
empresas e profissionais. Assim, Ayrton Senna era exemplo de excelência; Robinho,
sinônimo de ousadia; Oscar Schimidt, ícone da obstinação; Pelé, referência em
marketing pessoal. As corporações também podem alcançar inspiração nas
lições de gerenciamento e liderança legadas por Vince Lombardi (ex-técnico de
futebol americano) ou, mais recentemente, Bernardinho, coach da vitoriosa equipe
de vôlei masculino do Brasil, dentre tantos outros exemplos.
Embevecidos que ficamos com as fascinantes conquistas perpetradas pelos atletas,
diante de sua superação e espírito de cooperação que envolve e transforma uma
equipe, deixamos de notar que a realidade do universo empresarial é
evidentemente distinta, muito mais complexa, de modo que muitas lições apenas
não são aplicáveis e ponto.
Nos esportes, há regras claras e um ou mais juízes preparados para emitir um
parecer instantâneo, ainda que por vezes inidôneo. Já o mercado insiste em
burlar leis, romper contratos, ignorar regras. E a justiça, por sua vez, tem
braços largos, porém lentos; olhos abertos, porém vendados.
Foi dentro deste contexto que encontrei uma metáfora mais adequada para argüir
sobre liderança empresarial. Ela advém de uma outra arte: a música.
Observe uma orquestra. Seja ela uma orquestra de câmara (formada por poucos
membros), uma sinfônica (mantida por uma instituição pública) ou filarmônica
(sustentada por recursos privados), é constituída por diversos músicos e
variados instrumentos, divididos em quatro grandes grupos: cordas, madeiras,
metais e percussão, cada qual produzindo isoladamente um som característico.
Enquanto num esporte coletivo a equipe pode alcançar a vitória graças a um
lampejo de genialidade ou sorte de um único atleta, mesmo com uma atuação
medíocre em toda a partida, numa orquestra todos contribuem com o êxito do
resultado final. Por isso, o produto que entregam é uma "sinfonia", ou seja,
todos emitindo o mesmo som.
Este objetivo é alcançado através da mediação de um personagem em particular.
Trata-se do maestro, aquele mesmo que permanece em destaque durante a
apresentação, tem sua foto estampada na capa de CD's e DVD's, profere palestras
e concede entrevistas, mas que curiosamente é o único músico que não emite um
único som.
Aprendi com Benjamin Zander, regente da Orquestra Filarmônica de Boston desde
sua fundação, em 1979, que o papel do líder não é conquistar poder, mas tornar
os outros poderosos. Permitir aos seus colaboradores que se transformem num novo
tipo de ser, migrando do individual para o coletivo, de um ser isolado para um
ser conectado.
No vídeo "A Arte da Possibilidade", distribuído com exclusividade no Brasil pela
Siamar, Zander compartilha suas experiências, instruindo-nos que um regente é um
arquiteto das possibilidades do grupo. Sua missão é explorar estas
possibilidades, mergulhando no âmago de cada membro de sua orquestra com o
intuito de desvendá-los, ou seja, remover-lhes a venda que encobre o talento e o
potencial de cada músico.
Costumo dizer que o líder é aquele capaz de conduzir as pessoas juntas e em
direção a uma mesma visão, levando-as até onde não iriam se estivessem sozinhas.
Ele vislumbra qualidades extraordinárias em pessoas comuns, potencializando-as,
permitindo-lhes oferecer ao mundo o que têm de melhor. Não se trata de
persuasão, mas de inspiração. Inspiração que nutre o entusiasmo, estimula a
criatividade e promove a excelência.
Seguro de que todos podem fazer a diferença, Ben Zander estabeleceu um
interessante critério para motivar seus pares. Ele sempre confere a nota máxima
em uma audição preliminar, exatamente quando o músico está mais sensível e
inseguro. Depois, solicita a cada músico que lhe escreva uma carta justificando
como fará para merecer tal avaliação ao final de um semestre. O propósito é dar
ao profissional uma dimensão de suas possibilidades de realizar e não a mera
expectativa de alcançar. Afinal, é preciso fazer silenciar aquela voz na cabeça
que em situações críticas procura nos constranger e apequenar, sentenciando:
"Você não vai conseguir!".
Analogamente, muitas são as oportunidades no cotidiano das empresas para
valorizar e elevar seus colaboradores. Porém, não raro continuamos a testemunhar
líderes que criticam em público e elogiam em particular, quando deveriam fazer o
inverso. Líderes que ocultam os acertos e expõem os erros - jamais os próprios.
Cultivam o "não", afastando o "sim" do mapa de possibilidades.
Entre uma orquestra e outra, os instrumentos são os mesmos, mas os músicos não.
Por isso algumas melodias falam mais alto ao coração.
É preciso compartilhar a visão, cultivar o brilho nos olhos, promover o
relacionamento. Liderar não é verbo intransitivo. Se o líder está sozinho, ele
não está liderando ninguém.
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Jerônimo Mendes
Segunda, 5 de Maio de 2008
No auge da minha impetuosidade juvenil eu era conhecido no mundo corporativo
como "general" em virtude do meu jeito autoritário, arbitrário e muitas vezes
rude de exigir o cumprimento das normas e procedimentos da empresa. Por
mais que eu estivesse tentando cumprir a política, e sob o meu ponto de vista eu
estava sempre certo, a imposição das idéias a qualquer preço não contribuíram em
nada para o meu crescimento profissional.
Por conta disso eu arranjei desafetos ao longo do caminho e nunca compreendi
muito bem o motivo, afinal, eu estava simplesmente cumprindo o papel que me foi
atribuído na condição de responsável pela coordenação do setor. Quando você é
líder e tem a "chave do cofre" na mão, é fácil migrar de querido a odiado numa
fração de segundos, principalmente se você ocupava um cargo de mesmo nível
hierárquico e na seqüencia se viu obrigado a mudar de postura pelo fato de ter
se tornado líder dos seus próprios colegas.
No início as pessoas cumprimentam, elogiam e são capazes de jurar que torcem por
você além de despejar uma série de chavões do tipo "eu já sabia", "você merece"
ou "que bom que foi você". A gente custa a acreditar em palavras nobres e
solidárias, afinal, a concorrência, a necessidade premente de reconhecimento e a
valorização são inerentes ao ser humano. Qualquer promoção que não seja a de si
mesmo causa as mais variadas reações.
Esse comportamento está presente nas diferentes camadas e segmentos da sociedade
moderna. O mais vil dos políticos, reis ou imperadores consegue amealhar
bajuladores. Imagine um profissional autoritário, mas popular entre os seus
seguidores e carregado de boas intenções. Era assim que eu me sentia na época e
por conta disso havia sempre alguém querendo puxar o meu tapete.
Poder é algo que fascina as pessoas e independe do nível de instrução ou
hierárquico. Quando você está revestido de poder e autoridade, ambos
caminham lado a lado, o comportamento tende a fugir ao seu controle.
Invariavelmente, você é dominado pela empáfia e pelas imposições do ego que o
transformam numa criatura amarga, inacessível e, por vezes, intransigente,
principalmente se você não está preparado para o cargo. O falso poder é capaz de
produzir aberrações corporativas irremediáveis em sã consciência.
O fato é que a gente demora a reconhecer a necessidade de mudança, pois, num
primeiro momento, tem tudo a ver com o orgulho e a necessidade de auto-afirmação
perante o grupo. Geralmente, a mudança vem precedida de demissão, advertência ou
mesmo de uma rejeição em equipe em virtudes dos excessos, o que não é simples de
aceitar tampouco fácil de reverter.
A despeito de todos os acontecimentos, eu demorei a captar a essência do
ambiente corporativo. As pessoas não estão muito preocupadas com as normas,
procedimentos e políticas de maneira geral. Embora isso seja importante, o que
lhes interessa inicialmente é a própria condição dentro da organização. Se as
prioridades da empresa estão em consonância com as suas necessidades, ótimo,
caso contrário, meras formalidades são apenas condições transitórias que podem
ser atropeladas até o próximo "puxão de orelha" ou o próximo emprego.
Ao longo do tempo eu fui percebendo também que o universo alheio estava a
quilômetros de distância do meu mundinho real. Embora eu imaginasse que minhas
atitudes traduziam o desejo da empresa, as pessoas ao meu redor queriam de fato
um cumpridor de normas mais flexível e atento às necessidades do grupo.
Penso que, para o nosso próprio bem, nada acontece exatamente como desejamos,
pensamos e planejamos na vida. No meu caso, foram necessários muitos embates
acalorados, ameaças, críticas, vários empregos e livros e mais livros para
provocar uma transformação de ordem pessoal na minha maneira de ver o mundo e
administrar os meus próprios conflitos.
Tudo muda quando você muda. Ser flexível e mais aberto aos pontos de vista
alheios não significa abrir mão dos valores e princípios consolidados ainda na
infância. Não importa quanto tempo leva para descobrirmos o quanto somos ricos e
ponderados, mas quanto tempo ainda nos resta para mudar de atitude, de postura e
de ponto de vista a fim de nos tornamos mais humanos e dispostos a reconstruir
uma carreira profissional, um relacionamento pessoal, uma vida.
Apesar de tudo, tenho muito chão pela frente. Somos produtos do meio e demoramos
a entender as duras mensagens da vida embora isso não justifique as atitudes
tomadas no calor da emoção. No fundo queremos todos sobreviver, crescer, provar
a nós mesmos que somos capazes de dar a volta por cima e tirar de letra essa
sucessão de privações e provações ao longo do caminho. E a vida não faz
distinção de ambientes, mas cobra muito e exige que você cresça o tempo todo.
Durante o caminho aprendi que existem coisas essenciais e pessoas especiais que
devem ser preservadas até o fim da vida. O relacionamento saudável é uma delas e
você não precisa abrir mão de convicções para mantê-los. Entretanto, existem
acontecimentos banais que podem ser solucionados de maneira bem mais simples
quando mente e coração se mantém abertos ao diálogo e ao respeito mútuo entre as
partes. O que eu aprendi com tudo isso?
1. A melhor maneira de ganhar uma discussão é evitá-la; pontos de vista pessoais
interessam única e exclusivamente a você;
2. Pontos de vista profissionais são objetos de negociação e análise conjunta,
pois estão atrelados ao cumprimento de um objetivo maior que não depende
exclusivamente de você;
3. As pessoas em geral possuem muito mais coisas boas do que ruins, portanto,
exercite o hábito de procurar o que elas realmente têm de bom em vez de procurar
apenas defeitos;
4. Encare cada situação de maneira positiva e as coisas tendem a fluir da forma
como deve ser, não como você imagina que deve ser;
5. Ainda que você não consiga mudar uma situação, mantenha uma boa atitude, seja
íntegro, dê tempo ao tempo;
6. Cargos, empregos, status e sucesso são transitórios em qualquer parte do
mundo; cultive a consciência do momento presente e ela definirá a sua
importância no momento futuro.
Reconheço que as coisas ficaram muito mais fáceis e simples a partir do momento
em que eu decidi mudar radicalmente a maneira de pensar e agir. É óbvio que as
mudanças não acontecem da noite para o dia, mas a decisão é que conta. O
restante vem naturalmente. Segundo Hal Urban, autor de As Grandes Lições da
Vida, "quanto mais completos e integrados nos tornamos, melhor nos sentimos em
relação a nós mesmos e à vida em geral". Pense nisso e seja feliz.
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